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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marina Silva matou o PSB

Pronto! Marina enterrou Eduardo Campos. Líder da Rede já jogou no lixo os primeiros compromissos e deu um pé no traseiro do PSB. Quem está surpreso? Ou: de novo, a vespa e a joaninha inocente
A vespa se aproxima da Joaninha inocente; o objetivo é injetar um ovo em seu
abdômen sem que a coitadinha perceba. Nem dói…
Depois de algum tempo, a Joaninha passa a carregar a estrovenga, como um zumbi,
uma morta-viva. Assim que a nova vespa nascer, a hospedeira morre… para valer
O PSB oficializou nesta quarta-feira a candidatura de Marina Silva à Presidência da República, tendo o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) como vice. Para não variar, tudo está sendo feito de acordo com as exigências de… Marina. O partido que a recebeu já foi transformado em mero hospedeiro. Ela não está nem aí para a legenda que a abrigou. Pois é… Eu sempre disse que seria assim. Vamos ver?

1: Marina disse há quatro dias que acataria os acordos regionais feitos por Eduardo Campos. Isso não vale mais: ela só vai subir em palanques em que todos os partidos pertençam à coligação nacional. Isso exclui São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio.

2: O comando do PSB afirmou que Marina assinaria uma carta de compromisso mantendo os fundamentos do programa que Campos queria para o país. Marina já deixou claro que não assina nada.

3: O PSB tinha o comando da campanha de Eduardo Campos, que estava a cargo de Carlos Siqueira. Marina resolveu dividir a função com o deputado federal marineiro Walter Feldman (SP). Na prática, todo mundo sabe, Siqueira foi destituído.

Vale dizer: Marina está, como sempre, fazendo tudo o que quer, do modo que quer, na hora em que quer. Para alguma melancolia deste escriba, acabo de ouvir na TV uma jornalista a dizer que isso só prova a… “coerência” de Marina. É mesmo, é? Entre a burrice e a desinformação, acuso as duas.

Feldman, agora seu braço-direito, é um portento da “nova política” que Marina diz abraçar. Foi secretário do governador Mário Covas e dos prefeitos José Serra e Gilberto Kassab. Só não se tornou secretário de Saúde do então prefeito Paulo Maluf porque Covas não deixou. Saiu do PSDB atirando contra o governador Alckmin e voltou tempos depois, fazendo uma espécie de mea-culpa. Durou pouco a fidelidade. Ainda como deputado tucano, juntou-se aos marineiros e passou a comandar a resistência a qualquer acordo com o PSDB em São Paulo. Não se trata de uma sequência para depreciá-lo. Trata-se apenas de fatos.

É claro que Feldman vai atuar contra a candidatura de Alckmin à reeleição. Até aí, tudo bem, né? Faça o que quiser. Ocorre que o candidato a vice na chapa do governador é o deputado Márcio França, do PSB, partido ao qual, formalmente ao menos, Marina e seu coordenador pertencem. Aliás, depois de Campos, França era a liderança de maior expressão nacional da legenda, que tem uma grande chance de ocupar um posto político importantíssimo no Estado mais rico do país e com o maior eleitorado.

Se Marina já deixou claro que não vai respeitar os acordos firmados por Campos, ainda que esteja ocupando o seu lugar, por que ela respeitaria o programa do PSB caso se eleja presidente da República? A minha tarefa é fazer a pergunta. A dela é cuidar da resposta.

Olhem aqui. No dia 19 de dezembro de 2013, escrevi um post em que comparava Marina a certa vespa que usa outros insetos, especialmente a joaninha — ainda viva — para depositar seu ovo. A estrovenga é injetada diretamente no abdômen da vítima, que carrega, então, a larva até que uma nova vespa venha à luz. Quando esta nasce, o hospedeiro morre. O nome disso é “parasitoidismo”, que é diferente do parasitismo, que não mata o hospedeiro. Há oito meses, portanto, com Campos ainda vivo, afirmei que era precisamente isso o que Marina faria com o PSB. Como eu sabia? A partir de determinado momento, ela tentou ser um parasitoide do PT, com agenda própria. Foi repelida. Buscou fazer o mesmo com o PV. Foi repelida outra vez — e sua grande votação não levou a um aumento da bancada da legenda. Era o partido do “Eu-Sozinha”. Terminada a eleição, tentou tomar a direção dos Verdes. Não conseguiu e saiu para fundar a Rede. Agora, no caso do PSB, não sei, não, parece que o ovo foi parar no abdômen da legenda.

Ganhe Marina a eleição ou não, tão logo ela migre para a sua Rede, o PSB será menor do que era antes da sua entrada. Na nova legenda, aí sim, ela será, como sempre quis, em sua infinita humildade, Igreja e Estado ao mesmo tempo; rainha e autoridade teológica. E sempre cercada de fanáticos religiosos, com diploma universitário.
sugado dop : http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/08/tio-rei-marina-silva-matou-o-psb.html

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A vítima do moralismo seletivo da mídia é o leitor

As corporações jornalísticas ignoraram o escândalo do Supremo e prestaram um desserviço a seus leitores.
A filósofa fala a verdade e leva pancadas da velha e viciada mídia
A filósofa fala a verdade e leva pancadas da velha e viciada mídia
As mordomias do STF são um assunto de grande interesse público. Elas revelam como a mais alta corte do país trata o dinheiro do contribuinte.
Não existe pudor, não existe parcimônia: os juízes viajam de primeira classe, e podem levar acompanhante desde que julguem “necessário”.
Como eles fazem as regras, é tudo legal – mas imoral e abjeto.
Essas mordomias são notícia de alta importância, naturalmente.
Mas não para a mídia, excetuado o Estadão, que revelou as mamatas. E isso conta tudo sobre o farisaísmo da mídia.
Notícia é o que serve a seus interesses particulares. O resto não é notícia.
Colunistas sempre rápidos em despejar sentenças moralistas vulgares sobre seus leitores simplesmente não tiveram uma palavra para o escândalo.
Fui verificar o que tinha a dizer, por exemplo, Ricardo Noblat, em seu blog. Nada.
Fui verificar o que tinham a dizer os colunistas do site da Veja, Augusto Nunes, Ricardo Setti e Reinaldo Azevedo. Nada, nada a nada, respectivamente.
Um tratamento bem diferente mereceu Marilena Chauí por dizer verdades que cabem a eles todos, campeões do pensamento rasteiro da classe média.
Reinaldo Azevedo, ao tratar do discurso em que Chauí criticou a classe média, fez questão de levianamente, sem dados e sem nada, invocar o dinheiro que ela ganharia por conta dos livros do MEC.
Havia apenas insinuação, havia apenas maldade, havia apenas a confiança de que seu leitor é tão tapado que vai aceitar o conto do MEC sem recibo e sem comprovação.
Tratamento bem diverso teve, do mesmo Azevedo, Maggie Thatcher. Numa eulogia disparatada, Azevedo afirmou, no grande final, que Thatcher morreu pobre.
Na pobreza de Thatcher estaria a prova suprema de suas virtudes de estadista.
Apenas a casa de Thatcher é avaliada em mais de 10 milhões de dólares, mas segundo Azevedo ela "morreu pobre"
Apenas a casa de Thatcher é avaliada em mais de 10 milhões de dólares, mas segundo Azevedo ela “morreu pobre”
Mais uma vez, Azevedo acreditou que é fácil engambelar seus leitores.
Porque apenas a casa de Thatcher na região mais nobre de Londres é avaliada em mais de 10 milhões de dólares.
Não é informação nova, e sim antiga.
Thatcher só não fez uma fortuna maior porque os problemas mentais logo a impediram, saída do cargo, de realizar palestras e dar consultoria a empresas como a Philip Morris.
O filho de Thatcher, Mark, amealhou uma considerável fortuna com comissões de grandes negócios feitos pelo governo da mãe com outros países.
Mas Thatcher morreu pobre no Planeta Azevedo, e Marilena, ela sim, é rica.
Moralismo, quando é seletivo, é hipocrisia mistura a cinismo. Destina-se não a corrigir desvios éticos, mas a tirar proveito da boa fé dos chamados inocentes úteis.
O escândalo do STF, ignorado pela mídia, é apenas mais uma página de um conjunto de atitudes em que a vítima é a sociedade.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O racismo imundo de Reinaldo Azevedo e a revista criminosa que o abriga



Leia o texto de hoje de Reinaldo:


O PT rasga a fantasia: “Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!”
Será mesmo o PT um partido especialmente afeito à defesa das mulheres, dos negros, dos gays, dos direitos humanos – de grupos e temas, enfim, que seriam discriminados pela sociedade “reacionária”? Uma ova! Essa gente tem é um desprezo solene por todas essas causas e só as utiliza como instrumento de sua luta pelo poder. O PT defende, sim, o negro, desde que esse negro carregue a bandeira do partido – se não for assim, o sujeito é acusado de “preto de alma branca”. O PT defende, sim, a mulher, desde que ela carregue a bandeira do partido – se não for assim, ela é acusada de agente de machismo. O PT defende, sim, os gays, desde que o gay carregue a bandeira do partido; se não for assim, ele será acusado de bicha reacionária.
Bingo!
Na formulação petista, Joaquim Barbosa não chegou ao Supremo por seus méritos, mas porque é preto. Assim, quem o nomeou ministro foi a vontade de Lula, que lhe teria prestado, então, um favor, fazendo uma concessão a uma “raça” — afinal, sabem como é, o PT é contra as injustiças…
Mais: por ser negro, Barbosa estaria impedido de julgar segundo os autos, as leis e a sua consciência. A cor da pele lhe imporia, logo à partida, um determinado conteúdo. É por isso, ministro Joaquim Barbosa, que critiquei tão duramente a resposta que Vossa Excelência deu a um repórter. Ainda que ele pudesse estar fazendo uma provocação, condicionar a visão de mundo das pessoas à cor de sua pele é manifestação do mundo das trevas intelectuais, que é de onde parte a fala de João Paulo.
Lula, o PT e os petistas esperavam um negro grato, de joelhos, beijando a mãos dos nhonhôs. Queriam um Joaquim Barbosa doce como uma negro forro, que se desfizesse em amabilidades com o seu ex-senhor e se sentisse feliz por ter sido um dos escolhidos da senzala para receber o galardão da liberdade. Em vez disso, o que se tem, na visão dos petistas, é um negro ingrato, que decidiu olhar a lei, não quem o nomeou; que decidiu se ater aos crimes cometidos pelos réus, não à cor de sua própria pele; que decidiu seguir as regras do estado democrático e de direito, não o projeto de poder de um partido.
Negro filho da mãe!

Negro traidor!
Negro que não carrega bandeira!
Negro vira-casaca!
Negro ingrato!
Negro negro!

E leia o texto de quando Reinaldo não era propriamente um admirador de Joaquim Barbosa:

ELOGIOS À ATUAÇÃO DE BARBOSA AQUI??? NEM PENSAR!!!
É inútil entrar no meu blog para tentar defender Joaquim Barbosa. Inútil porque os comentários serão eliminados. Não flerto com quem desrespeita as instituições. Não endosso atuações destrambelhadas. Não vou engordar a área de comentários com o papo-furado da canalha que tem seus próprios blogs. A fala de Joaquim Barbosa é incompatível com o Supremo, com a democracia e com o estado de direito. Um ministro do Supremo não acusa sem provas nem submete as instituições ao vexame.
Aqui não passa!
Que essa gente vá procurar sua turma!
Acho que eu não poderia ser mais claro. Este blog tem lado! O do estado democrático e de direito, que Gilmar Mendes vem defendendo com coragem e desassombro. Ainda que Barbosa fosse um príncipe do direito, o que não é, consideraria a sua atuação intolerável. Os tontons-maCUTs não percam o seu tempo.
Por Reinaldo Azevedo
No Esquerdopata

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que a elite midiática ainda não entendeu

Essa elite ainda não entendeu nada. Os que se manifestaram diante do shopping Higienópolis e na avenida Angélica no último sábado, não foram às ruas para que seja construída uma estação de metro e tampouco são diferentes dos cidadãos do bairro de Higienópolis......

terça-feira, 3 de maio de 2011

Eles torcem para Dilma estar com câncer

Ultimamente, vinha me questionando se minhas convicções políticas e ideológicas me haviam colocado do lado certo. Na tarde de domingo, porém, a dúvida se dissipou. Pude ter certeza de que, no Brasil de hoje, aqueles que se opõem a esse ideário que acalento não são dignos de serem considerados seres humanos.
Pouco após os portais de internet noticiarem que a presidenta Dilma Rousseff foi parar no hospital devido a “pneumonia leve”, dois blogueiros da mídia ligada ao PSDB e ao DEM replicaram a notícia. Os comentários de seus leitores revelam sentimentos indignos da espécie humana.....

quarta-feira, 23 de março de 2011

Reinaldo Azevedo: um doente pela imagem de Lula

O "Tio Rei" [sim, ele mesmo: o Reinaldo Azevedo] ainda não compreendeu que quanto mais escreve, mais asneiras brotam de suas conservadoras penas. E quando o assunto é Lula... Parece que o Reinaldo tem fixação na imagem e na personalidade do mais querido presidente que o Brasil já teve.
A verborragia reinaldiana em relação a Lula - espalhada pelo duto fedorento da Veja - deixa entrever um quê de depressivo estado de alma. Constata-se, no jornalista (?), uma certa frustração pela desenvoltura e sucesso de um ex-operário que, pela vontade popular, sentou-se numa cadeira presidencial e de lá, por dois mandatos consecutivos, dirigiu os destinos da nação de um modo "nunca antes na história desse país". Já o Reinaldo... Todos nós já sabemos como ele se comporta quando sente cheiro da ralé.
As investidas contra Lula, nos textos bufos que Reinaldo Azevedo produz, denotam o caráter refratário do articulista da Veja ao valor que o outro possa ter. Claro está que o "outro" faz referência a todos aqueles que não são da laia do "titio".
Seguem-se fragmentos escritos por um Reinaldo Azevedo tresloucado com a magnitude que o ex-presidente construiu ao longo de sua vida pública e que, mesmo estando longe da cadeira presidencial, ainda mantém.
Com vocês as palavras do bufo "Tio Rei":
[...] O Apedeuta [Lula] estaria reclamando especialmente do excesso de elogios da imprensa à sua sucessora. Seria apenas uma forma de provocá-lo e de tentar minimizar a sua grande obra. O auge da contrariedade foi a ausência no almoço oferecido pela presidente a Barack Obama.[...]
[...] Lula está infeliz porque precisa do elogio e do reconhecimento permanentes; está infeliz porque, já se observou aqui, ele realmente acredita ser aquela personagem da mitologia; está infeliz porque, intimamente, tomará como usurpador qualquer um que sente naquela cadeira, por mais que a pessoa lhe prestasse reverência.[...]
Para ler o texto do "Tio Rei" na íntegra, clique aqui(Vomite depois...)
By: Terra Brasilis, via Com textolivre

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

VEJA CONFESSA QUE ODEIA OS EVANGÉLICOS





Reinaldo Azevedo fala pela Veja, como se dela fosse dono. Assim, a revista é solidária em responsabilidade, pela informação preconceituosa que veicula.

Então, que "Ronaldo" Azevedo sofre da bola, todo mundo sabe. O ódio que ele tem por tudo o que não é como ele, ou que seja diferente daquilo que pregam seus patrões, é absurdo. Ronaldo espuma raiva e veneno. Ronaldo tem crises e se atira no chão. É uma criança mimada.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O PIG e seus péssimos resultados

Os maus resultados dos “formadores de opinião” da imprensa na Era Lula: haverá renovação?
Passada a acirrada disputa eleitoral e todos os lances mais agudos e tensos do pleito, ficam duas perguntas:
1ª Dilma e Lula derrotaram a oposição ou a imprensa conservadora?
2ª Considerando que a resposta da primeira pergunta seja, de fato, a segunda opção, o que será dos principais nomes desta corporação daqui para a frente?
Pois bem, o elenco é “estelar” e gera uma folha de pagamento astronômica para os grandes grupos de comunicação do Brasil: Diogo MainardiArnaldo JaborMiriam LeitãoReinaldo Azevedo,Fernando RodriguesCelso Jardim, Merval PereiraAlexandre GarciaLúcia HippólitoBóris CasoyAugusto NunesWilliam WaackDora KramerEliane CantanhêdeCasal 45Ali Kamel não conseguiram cumprir seus “deveres”, suas metas ficaram muito abaixo daquilo que a corporação estipulou.
Os “resultados esperados” não vieram... Três derrotas seguidas (2002, 2006 e 2010) e agora? Haverá renovação no quadro dos “formadores de opinião” da grande imprensa brasileira?
O que lhes resta de credibilidade e referência para justificar a aposta em nomes derrotados?
Esses tais “formadores de opinião” citados fracassaram em tentar vender ao público geral as teses de seus patrões. Ficaram restritos a um público cada vez mais conservador e raivoso, um nicho recheado por teses retrógradas e que, algumas vezes, beiram ao preconceito, social e de raça.
Qual será o destino de formuladores de análises, teses, opiniões econômicas, políticas e eleitorais que foram reiteradamente superadas e desmentidas ao longo dos oito anos do governo Lula e tiveram o ápice da rejeição em 2010?
By: Blog Limpinho & Cheiroso, via com textolivre

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Imprensa golpista chama críticos de "censores" e lhes nega voz

Foi uma festa. Os estafetas da imprensa golpista desandaram a atacar o ato público contra o golpismo midiático que terá lugar nesta quinta à noitinha em São Paulo, no Sindicato dos Jornalistas, no centro da capital paulista. *Aqui em Ubatuba, como já era esperado, não vingou.  Para tanto, contaram com a prestimosa contribuição do presidente da OAB nacional, o mesmo que ajudou a legitimar o tiroteio contra a Casa Civil.
Outros bate-paus foram os de sempre – Josias de Souza, Noblat, Reinaldo Azevedo, além de matérias nos principais jornais, telejornais e portais da internet. Na Globo News, um frangote engomadinho dava voz à diatribe do indefectível Merval Pereira, naturalmente contra blogs que seriam “Todos financiados pelo governo Lula”.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Colunistas da Veja celebram sua vitória pessoal...em 2006

Sei que geralmente reservo o bloguinho no domingo para coisas leves. Mas quem pode dizer que isso não é leve? É imperdível: Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo batem papo às vésperas do primeiro turno das eleições de 2006 (ouça aqui). “Olha, eu tô achando que tá batendo na trave mas vai ter segundo turno”, comemora tio Rei. Diogo é o otimismo em forma de gente: “Morreu, tadinho do Lula, já era, acabou”.
Grandes analistas políticos que são, os dois símbolos daimparcialidade da Veja vociferam: “A metade [do país] que não ganha esmola não quer saber de esmola”. Isso mostra por que é legítimo pensar que, numa volta do PSDB ao poder, benefícios responsáveis por tirarem milhões de pessoas da miséria, como o Bolsa Família, não seriam mantidos (e porque, afinal, a história de “Foi FHC que começou o Bolsa Família!” soa tão falsa. Ou alguém diria que a mídia, os partidos de oposição, e os eleitores desses partidossão a favor do Bolsa Família?). 
“A verdade é que Lula está sendo eleito pela clientela da miséria”, diz tio Rei com aquela voz melodiosa que lhe possibilita se candidatar a ser o próximo Boris Casoy da TV brasileira. Nessas eleições de 2010, o próprio tio se revoltou quando um jornalista perguntou a seu candidato se Serra acabaria com o Bolsa Família. “Que injúria!”, bradou o colunista da Veja. “Isso é terrorismo eleitoral! Como os petralhas podem descer tanto?!”. É incrível: passam anos falando de “clientela da miséria”, de eleitores analfabetos que vendem seu voto por esmola, de maior programa de compra de votos do mundo, mas, nas eleições, vira terrorismo eleitoral supor que Serra vai impedir essa tramoia nefasta de continuar existindo. Pelo contrário: é nessas horas que ele jura que vai dobrar o Bolsa Família! E eles querem que alguém acredite?


Sempre feliz, Diogo segue inabalável no seu otimismo: “O que a gente sabe é que no segundo turno, depois de um mês de apurações, a eleição acabou, já era, Lula e o projeto golpista dele foram pro brejo. Acabou a eleição, a gente se livrou dessa gente”. O que havia acontecido para despertar a chama da esperança nos dois BFFs (best friends forever)? O escândalo dos aloprados, em que gente ligada ao PT foi pega tentando comprar um dossiê.
Veja achou que isso seria suficiente pra apagar a popularidade de Lula, visto pelo povo, esse ingênuo inconveniente, como o maior presidente que o país já teve. Hoje Reinaldão tenta fazer grudar um novo escândalo, como o da Receita, sem sucesso. Mas em 2006 eles estavam eufóricos. “E se for assim é quase uma vitória pessoal sua e minha, hein?”, interrompe tio Rei, com a modéstia que lhe é peculiar.
Eles também discutem se devem começar a falar mal do Alckmin naquele momento ou só depois do segundo turno. Tio Rei recomenda que só depois, por uma questão de “estratégia”, ou talvez dê pra chamar de Efeito Ricúpero. Ricúpero foi o ministro da Fazenda pró-FHC que disse em 1994, sem saber que o microfone estava ligado: “Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. A diferença de Ricúpero com os colunistas da Veja é que eles sabem que o microfone está ligado, e ainda assim não se encabulam em revelar a “estratégia”. E aquilo que eu vivo dizendo, a direita não tem paixão política a favor de alguma coisa, apenas contra. Como sintetiza tio Rei: “a vitória não é a vitória do Alckmin, a vitória é a derrota do Lula”.
Os dois concordam: “O Lula é um mal pro país, o petismo é um mal pro país, o país precisa começar a cuidar de seus problemas”. Problemas que, pelo visto, não incluem a miséria ou o desemprego, detalhes tão pequenos que foram esquecidos pelos governos passados, aqueles que a dupla dinâmica apoia.
No final do bate-papo, como se fosse um bonus track da falta de compreensão do que seja o país, os dois revoltam-se que o PSDB “vai dar moleza” e não vai cassar os direitos políticos ou mandar pra cadeia o Lula. “Não dá pra partir pro acordão agora não”, dizem eles, como se os tucanos já tivessem vencido. “Eu tenho só um mês pra começar a encher a paciência desses caras, porque depois eles são história”, prega Diogo, acertando, mais uma vez, o diagnóstico certeiro que faz sobre o Brasil. É, Lula e o PT seriam história, e ninguém nunca mais falaria deles (só os delegados das cadeias, talvez?).
E pega tão mal pro patrocinador também, não? O Sul América é o que, banco e seguradora? Pois é. Fica a pergunta: vocês comprariam um seguro de um patrocinador da Veja?
E aí, no segundo turno, Alckmin entrou pra história como o único candidato no mundo a ter menos votos que no primeiro turno. Queria saber: isso também pode ser visto como uma vitória pessoal de vocês, Dioguito e tio Rei?
By: Lola Aronocich