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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Serra é o homem dos EUA na gestão Temer, diz Boaventura de Sousa Santos

O sociólogo português Boaventura de Souza Santos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos 


Em entrevista a Kalinka Cruz-Stefani e Maria Fernanda Novo, do Movimento Democrático 18 de Março, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, classificou o governo Michel Temer de ilegítimo e condenou o golpe de Estado no Brasil.
“Estou absolutamente convicto”, disse Boaventura,  “de que se trata de um governo ilegítimo e de que estamos diante de um golpe parlamentar. O perfil é de um golpe parlamentar relativamente diferente daquele que aconteceu em Honduras e no Paraguai, mas tem, no fundo, o mesmo objetivo que é, sem qualquer alteração constitucional, sem qualquer ditadura militar, interromper realmente o processo democrático”.
Boaventura disse que a situação revela “a presença pesada do imperialismo norte-americano”: “Nós não podemos entender o que se passa no Brasil sem uma ação desestabilizadora norte-americana, inspirada e financiada pelos norte-americanos. Há duas dimensões. Obviamente que uma é o financiamento de organizações que surgiram a favor do impeachment e que nós temos informação de que alguns dos maiores conservadores norte-americanos – como por exemplo os irmãos Koch que financiam uma das agendas superconservadoras nos EUA – têm estado a financiar estas organizações”.
Por outro lado, diz Boaventura, “os EUA têm feito muita força para que os homens, sim homens, de fato, todos brancos, que estão do lado deles assumam o poder o mais rápido possível. Com que objetivo? Fundamentalmente com o objetivo principal de neutralizar o Brasil como um dos protagonistas dos BRICS. Os BRICS são uma ameaça extraordinária para os EUA, porque os EUA são uma economia em dependência que se aguenta fundamentalmente porque detêm importante capital financeiro e, portanto, por aceitação universal do dólar”.
O problema, explica Boaventura, é que “os BRICS chegaram exatamente a criar um banco que é uma alternativa ao Banco Mundial e, portanto, as trocas entre eles podem ou não ocorrer em dólar. Isto significa um ataque extraordinário ao dólar. Portanto, os EUA têm vindo desde algum tempo produzir uma política de neutralizar todos os países que estão nos BRICS. Começaram pela Rússia. Mas, na Rússia, o processo democrático é um pouco complexo, aí o modo de neutralizar a Rússia foi baixar o preço do petróleo. De uma semana para outra baixou para menos da metade do preço”.
Mas “no caso do Brasil, como há uma democracia, uma democracia viva, aproveitaram obviamente das contradições do processo democrático; sabemos que as democracias representativas defendem-se muito mal dos antidemocratas. Aproveitaram-se disso para criar uma desestabilização muito forte. Aliás, basta ver quem está neste novo governo para ver de forma clara como houve interferência dos EUA no sentido de realinhar o Brasil pela política americana”.
O sociólogo português destacou a participação do chanceler tucano, José Serra, no golpe: “O maior exemplo [desse realinhamento] é o José Serra, que é o homem dos EUA que vai para o governo com dois objetivos: fazer com que o Brasil se alinhe completamente com os EUA, o que significa anular o banco dos BRICS, e abrir a possibilidade de o Brasil entrar na parceria Transpacífico. Logo, contra inimigos deste tipo, é muito difícil lutar”.
Boaventura criticou a opção de sua colega Flávia Piovesan, de apoiar o movimento golpista: “Neste momento que vos falo, meu coração está pesado, uma colega minha da USP, Flávia Piovesan, que colabora comigo em um projeto internacional, aceitou ser secretária dos Direitos Humanos…. Ontem lhe mandei uma mensagem dizendo-lhe que o prestígio dela não deveria de modo nenhum ser posto a serviço de um golpe parlamentar”.  Flávia argumentou que “não é um golpe parlamentar , o impeachment está previsto etc.” Ele continuou: “Já conhecemos este tipo de argumentação”, disse.
“Obviamente que temos muitos argumentos jurídicos contra esta posição dela, mas não deixa de ser perturbador que uma pessoa ligada aos Direitos Humanos venha emprestar a sua dignidade a este governo”. Boaventura de Sousa Santos é professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick.
O MD18 é composto de brasileiros residentes na França e de franceses amigos do Brasil. São estudantes, artistas e jornalistas que se reuniram para sensibilizar a França e a Europa para o golpe de Estado em curso no Brasil. Kalynka Cruz-Stefani é professora de Comunicação da Universidade Federal do Pará e doutoranda em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Já Maria Fernanda Novo dos Santos é doutoranda em Filosofia pela Unicamp, com estágio na Universidade Paris X.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Zika: demolir a economia brasileira


Sanguessugado do Octopus



O BRICS é um conjunto de países que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia, a China  e a África do Sul. Representam 40% da população mundial e um poder económico equivalente ao da União Europeia ou ao dos Estados Unidos.


Durante a cimeira de Fortaleza (no Brasil) em julho de 2014, decidiram criar um banco de desenvolvimento que fornece empréstimos, sem a imposição de constrangimentos, como no caso do FMI, para o desenvolvimento de infra-estructuras, saúde ou educação. Têm por objectivo reformar o sistema monetário internacional.

Reformar o quê? Como é que países emergentes são capazes de tal afronta? Reformar o sistema monetário que está a funcionar tão bem? Pelo menos para alguns que vivem desse mesmo sistema!

A vitória de Dilma Rousseff, para o bem e para o mal, representou uma derrota para o sistema capitalista americano. O Brasil é um país emergente que tem um grande peso a nível mundial.

Temos de ter em conta que este conjunto de países, os BRICS, é um verdadeiro quebra cabeças para o sistema económico mundial ao quererem criar uma alternativa ao sistema vigente, ou seja o dólar falido e os petro-dólares.


Ao analisarmos esses vários países temos:

- A Rússia, fora do baralho, não assujeitada aos Estados Unidos, com a intenção de recuperar a sua antiga hegemonia mundial.

- A Índia, que vai fazendo o seu caminho, isolada das influências capitalistas mais ortodoxas.

- A China, com um complexo sistema marxista-capitalista sui generis, longe da influência americana.

- E a África do Sul, dominada pelos USA.

- Só sobrava um país que sempre foi, como o resto da América do Sul, domínio dos Estados Unidos, mas que estava a fugir à seu influência: o Brasil.

O elo mais fraco estava encontrado. Fazer do Brasil, crise após crise, com corrupção à mistura, uma país quebrável. Sob as luzes da ribalta, por ter sido escolhido para os próximos Jogos Olímpicos, o cenário não poderia ser melhor.


Subitamente, vê-se envolvido como foco de numa inesperada e estranha pandemia. Já não são só os casos de microcefalia provocadas pelo terrível vírus Zika, isso não era suficiente para assustar o planeta, esse vírus já se poderá propagar pelo sémen, pelo sangue (transfusões) e até pela saliva!

Gente comum tenha medo, muito medo, nada irá conseguir travar mais esta pandemia mundial, desta vez não trata de aves, mas sim de um simples mosquito. Mosquitos esses que teimosamente estão por toda a parte.


Esqueçam o Carnaval, não se podem divertir, esqueçam até o mundial de futebol, não se empolguem, estamos todos sob a ameaça do vírus Zika. Esqueçam os problemas mesquinhos do dia a dia, da falta de emprego, da violência urbana, da corrupção. Agora o Brasil está sob suspeita de ter originado o foco de uma pandemia planetária.


Os mais deprimidos que não se preocupem, a fundação Rockfeller tem uma solução: uma vacina desenvolvida em 1952, estava sem dúvida a prever que tal pandemia poderia acontecer. Intuição...

domingo, 20 de dezembro de 2015

DA IMBECILIDADE DO ANTITERRORISMO


Por Mauro Santayana, em seu blog

Na abertura de um recente – e bizarro - "Seminário Internacional de Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil", o Ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou que "não existem limites para a preocupação com o terrorismo nas Olimpíadas" e defendeu que o país "aceite a cooperação de órgãos de inteligência internacionais" para diminuir o risco nesse sentido.

No momento em que a Câmara recebe, de volta do Senado, uma "lei antiterrorista", cabe discutir com cautela essa questão, sob a ótica da política exterior brasileira e da nossa relação com outras culturas e países no atual contexto geopolítico mundial.

Tem o Brasil, alguma razão para "combater" o terrorismo, para além da condenação moral - não apenas nas ruas de Paris, mas também de Bagdá, Damasco, Trípoli - de ataques contra a vida e da prestação de homenagem e solidariedade às suas vítimas?

A Rússia, nosso sócio no BRICS, foi levada a atacar o Estado Islâmico por questões geopolíticas, e agora transformou-se em vítima, com a explosão, no ar,  de um avião carregado de seus cidadãos, no Egito. A Síria é um país onde ela possui portos e bases militares, e notáveis ligações históricas, no qual tenta manter seu aliado, Bashar Al Assad no poder, defendendo-o dos terroristas do Estado Islâmico, que foram armados pelos próprios EUA e o "ocidente" para derrubar o regime sírio, e que, como um Frankenstein louco e sangrento, fugiu ao controle de seus criadores.

Os EUA e a França estão pagando pelo erro de tentar agir como potências coloniais no Oriente Médio e no Norte da África, derrubando governos estáveis, como o de Saddam Hussein e o de Muammar Khadaffi, e de se meter em assuntos alheios.

Tem o Brasil interesses geopolíticos no Oriente Médio, região onde atua no Comando das Forças Navais da ONU no Líbano?

Não, a não ser - assim como faz no Haiti - como cumpridor de um mandato das Nações Unidas.

O Brasil já se meteu, alguma vez, em assuntos alheios, invadindo ou bombardeando países no Oriente Médio ou no Norte da África?

Não, porque, pelo menos até agora, protegidos pela sábia doutrina de não intervenção consubstanciada no texto da Constituição Federal, como macacos velhos que somos - ou éramos, ao que está parecendo - não metemos a mão em cumbuca, a não ser que sejamos atacados primeiro, como o fomos na Segunda Guerra Mundial.      

Quanto à segurança interna, a diferença entre terrorismo, assassinato ou tentativa de homicídio é puramente semântica. (Santayana é um Mestre!)

Para quem morre, não tem a menor diferença a motivação de quem o está atingindo.

Já existe legislação penal, no Brasil, de proteção à vida.

O resto é “lero-lero”, para emular potências estrangeiras e se submeter aos gringos.

Um perigosíssimo “lero-lero”, do qual toma parte a realização, em território brasileiro, de "seminários" como esse, que nos obrigam a situarmo-nos de um determinado lado da linha. E, também, naturalmente, a crescente "cooperação" com forças policiais estrangeiras, que pode ser feita, normalmente, para segurança de eventos internacionais desse tipo, sem a conotação política, "antiterrorista", que estão tentando impingir-nos.    

Uma coisa é dizer que vamos reforçar a segurança nas Olimpíadas.

Nada mais natural, considerando-se que teremos multidões reunidas em estádios - coisa que acontece rotineiramente em grandes jogos de futebol, por exemplo - e que estaremos recebendo visitantes estrangeiros.

Outra, muito diferente, é afirmar que estaremos tomando "medidas antiterroristas" e adotar um discurso, e uma atitude, que nunca adotamos antes, nesse contexto.

Mudando uma postura tradicional - compartilhada por governos de diferentes matizes ideológicos - que não nos trouxe - muito pelo contrário - nenhuma conseqüência negativa, até agora.

Quem fala muito acaba dando bom dia a cavalo.

De tanto se referir ao "antiterrorismo", e ficar cutucando com essa bobagem quem está quieto, algum grupo de terroristas, pode, sim - mesmo sem ter visto o Brasil como inimigo até este momento - vir a se sentir tentado a testar a eficácia das medidas de "segurança" às quais estamos nos referindo a todo instante, com relação às Olimpíadas.

E isso, principalmente, se nessas "medidas" dermos muito espaço para equipes de segurança estrangeiras - de países considerados alvos - para agirem em nosso território como se estivessem no deles.

Ou se adotarmos - cão que muito ladra não morde - uma atitude "antiterrorista" que seja arrogante e ostensiva contra cidadãos de alguns países, árabes, por exemplo, na chegada aos nossos aeroportos, ou em nossas ruas, como já o estamos fazendo.

No mundo, há poucos países tão subservientes em sua vontade de copiar os estrangeiros.

No Rio de Janeiro, o site da Sociedade Beneficente Muçulmana tem sido atacado por fascistas - alimentados pelo mesmo discurso "antiterrorista" do governo - que acusam "esquerdopatas" de estarem "trazendo o EI" para o Brasil, ao abrir as portas para os refugiados árabes. 

E, no sul do Brasil, refugiadas sírias declararam ter sido discriminadas e agredidas, após os atentados de Paris - como se a população síria não sofresse todos os dias dezenas de atentados semelhantes por parte de terroristas que, como mostra o caso do Estado Islâmico, foram originalmente armados  pelos EUA e por países europeus, para tentar derrubar o governo  de Damasco - dando início à guerra civil naquele país, e à onda de refugiados que atingiu a Europa como um tsunami humano.

Guardadas as devidas proporções, o que o Ministro Ricardo Berzoini está cometendo, com as suas declarações,  e o próprio governo - ao promover esse tipo de encontro -é um tiro no pé ideológico e um tremendo atentado ao bom-senso.

Se o país está preocupado com o "terrorismo", a melhor medida a tomar é não ficar anunciando isso para todo o mundo e a toda hora, e usar com inteligência estratégica a legislação vigente.

O primeiro passo para se transformar em alvo do "terrorismo" e ser vítima de um ataque terrorista é começar - sem nenhum inimigo aparente - a se declarar contra ele - a adotar uma doutrina "antiterrorista" e  leis "antiterroristas",  que, no final das contas, como demonstram os casos dos EUA e da França, por exemplo, não servem de absolutamente nada para evitar ataques rápidos, covardes e mortíferos, de uma meia dúzia de  suicidas determinados, quando eles decidem fazê-los.

sábado, 6 de junho de 2015

O que incomoda EUA e seus prepostos no Brasil não é o suposto comunismo mas o nacionalismo possível

Brics - agência Brasil
A SOBERANIA E O BANCO DOS BRICS
(Jornal do Brasil) – O Senado Federal aprovou, esta semana, a constituição do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco dos BRICS, formado pelos governos do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com capital final previsto de 100 bilhões de dólares. A Câmara dos Deputados já havia dado sua autorização para a participação do Brasil no projeto, além da constituição de um fundo de reservas para empréstimos multilaterais de emergência também no valor de 100 bilhões de dólares.
Fazer parte do Banco dos BRICS, e do próprio grupo BRICS, de forma cada vez mais ativa, é uma questão essencial para o Brasil, e para a sua inserção, com alguma possibilidade de autonomia e sucesso, no novo mundo que se desenha no Século XXI.
Neste novo mundo, a aliança anglo-norte-americana, e entre os Estados Unidos e a Europa, que já por si não é monolítica, cujas contradições se evidenciaram por sucessivas crises capitalistas nestes primeiros anos do século, está sendo substituída, paulatinamente, pelo deslocamento do poder mundial para uma nova Eurásia emergente – que não inclui a União Europeia – e, principalmente, para a China, prestes a ultrapassar, em poucos anos, os EUA como a maior economia do mundo.
Pequim já é, desde 2009, o maior sócio comercial do Brasil, e também o maior parceiro econômico de muitos dos países latino-americanos.
A China já é, também, a maior plataforma de produção industrial do mundo.
Foi-se o tempo em que suas fábricas produziam artigos de duvidosa qualidade, e, hoje, suas centenas de milhares de engenheiros e cientistas – mesmo nas universidades ocidentais é difícil que se faça uma descoberta científica de importância sem a presença ou a liderança de um chinês na equipe – produzem tecnologia de ponta que, muitas vezes, não está disponível nem mesmo nos mais avançados países ocidentais.
Nesse novo mundo, a China e a Rússia, rivais durante certos períodos do século XX, estão se preparando para ocupar e desenvolver, efetivamente, as vastas estepes e cadeias de montanhas que as separam e os países que nelas se situam, construindo,nessa imensa fronteira, hoje ainda pouco ocupada, dezenas de cidades, estradas, ferrovias e hidrovias.
A peça central desse gigantesco projeto de infraestrutura é o Gasoduto Siberiano.
Também chamado de Gasoduto da Eurásia, ele foi lançado em setembro do ano passado em Yakutsk, na Rússia, e irrigará a economia chinesa com 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano, para o atendimento ao maior contrato da história, no valor de 400 bilhões de dólares, que foi assinado entre os dois países.
Nesse novo mundo, a Índia, cuja população era massacrada, ainda há poucas décadas, pela cavalaria inglesa, possui mísseis com ogivas atômicas, é dona da Jaguar e da Land Rover, do maior grupo de aço do planeta, é o segundo maior exportador de software do mundo, e manda, com meios próprios, sondas espaciais para a órbita de Marte.
E o Brasil, que até pouco tempo, devia 40 bilhões de dólares para o FMI, é credor do Fundo Monetário Internacional, e o terceiro maior credor externo dos Estados Unidos.
Manipulada por uma matriz informativa e de entretenimento produzida ou reproduzida a partir dos EUA, disseminada por redes e distribuidoras locais e pelos mesmos canais de TV a cabo norte-americanos que podem ser vistos em muitos outros países, a maioria da população brasileira ignora, infelizmente, a existência desse novo mundo, e a emersão dessa nova realidade que irá influenciar, independentemente de sua vontade, sua própria vida e a vida da humanidade nos próximos anos.
Mais grave ainda. Parte da nossa opinião pública, justamente a que se considera, irônica e teoricamente, a mais bem informada, se empenha em combater a ferro e fogo esse novo mundo, baseada em um anticomunismo tão inconsistente quanto ultrapassado, que ressurge como o exalar podre de uma múmia, ressuscitando, como nos filmes pós-apocalípticos, milhares de ridículos zumbis ideológicos.
Os mesmos hitlernautas que alertam para os perigos do comunismo chinês em seus comentários na internet e acham um absurdo que Pequim, do alto de 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, empreste dinheiro à Petrobras, ou para infraestrutura, ao governo brasileiro, usam tablets, celulares, computadores, televisores de tela plana, automóveis, produzidos por marcas chinesas, ou que possuem peças “Made in China”, fabricadas por empresas estatais chinesas ou com capital público chinês do Industrial &Commercial Bank of China, ICBC, o maior banco do mundo.
Filhos de fazendeiros que produzem soja, frango, carne de boi, de porco, destilam ódio contra a política externa brasileira, assim como funcionários de grandes empresas de mineração, quando não teriam para onde vender seus produtos, se não fosse a demanda russa e, em muitos casos, a chinesa.
Nossas empresas com negócios no exterior são atacadas e ridicularizadas, como se só empresas estrangeiras tivessem o direito de se instalar e de fazer negócios em outros países, inclusive o nosso, para enviar divisas e criar empregos, com a venda de serviços e equipamentos, em seus países de origem.
É preciso entender que ao formar uma aliança estratégica com a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul, o Brasil não precisa, nem deve, necessariamente, congelar suas relações com os Estados Unidos ou a União Europeia.
Mas poderá, com eles, negociar em uma condição mais altiva e mais digna do que jamais o fez no passado.
É nesse sentido que se insere a aprovação do Banco dos BRICS pelo Congresso.
Apesar de termos escalado, desde 2002, sete posições entre as maiores economias do mundo, a Europa e os EUA se negam, há anos, a reformular o sistema de quotas para dar maior poder ao Brasil, e a outros países dos BRICS, no FMI e no Banco Mundial.
Se não quiserem que não o façam. Como mostra o Banco dos BRICS, podemos criar as nossas próprias instituições financeiras multilaterais.
Os BRICS, têm, hoje, como grupo, não apenas o maior território e população do mundo, mas também mais que o dobro das reservas monetárias dos EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França e Itália, somados.
O que incomoda os Estados Unidos e a Europa, e os seus prepostos, no Brasil, não é o suposto comunismo ou “bolivarianismo” do atual governo, mas o nacionalismo possível, até certo ponto tímido, politicamente contido, e sempre combatido, dos últimos anos.
Existe uma premeditada, permanente, hipócrita, subalterna, entreguista, pressão, que não se afrouxa, voltada para que se abandone uma política externa minimamente independente e soberana, que possa situar o Brasil, geopoliticamente, frente aos desafios e às oportunidades do mundo cada vez mais complexo e competitivo do século XXI.
via: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-santayana-o-que-incomoda-os-eua-e-prepostos-no-brasil-nao-e-o-suposto-comunismo-do-governo-mas-o-nacionalismo.html

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Senado aprova projetos que criam o Banco do Brics


Mariana Jungmann, Agência Brasil


 "O Senado aprovou os projetos de decreto legislativo que criam o Banco do Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e confirmou o Tratado para o Estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas do bloco.

O Banco do Brics será criado para fomentar políticas de desenvolvimento em infraestrutura nos cinco países. Terá capital inicial de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões em recursos e US$ 40 bilhões em garantias.

O acordo para a criação do banco foi feito em julho do ano passado, quando os representantes do bloco se encontraram em Fortaleza e definiram que a sede do banco será em Xangai, na China, e o primeiro presidente será indicado pela Índia.

Na mesma ocasião, foi firmado o Tratado para o Estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas dos Brics, que cria um fundo com recursos de todos os membros para ser acessado pelos países do bloco em momentos de crise.

O fundo terá capital inicial de US$ 100 bilhões com aporte de US$ 41 bilhões da China, US$ 18 bilhões do Brasil, da Índia e Rússia, cada um, e US$ 5 bilhões da África do Sul.

“Todos nós sabemos aqui dos solavancos que a economia brasileira sofreu, principalmente em função das variações cambiais, das crises externas. Então, qual é o objeto da criação desse fundo de US$100 bilhões? É exatamente para criar um colchão, criar uma blindagem para proteger esses países. Portanto, é algo absolutamente pertinente”, explicou o relator do projeto, senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Sobre o Banco do Brics, a senadora Ana Amélia (PP-RS), manifestou-se favorável ao projeto, mas ressaltou a importância de o Brasil aproveitar a oportunidade para reforçar seu protagonismo no cenário geopolítico e não ficar a reboque da China e da Rússia.

“Penso que o mais importante nisso é o Brasil estar neste processo de globalização e participando do grupo dos Brics de forma 'protagônica', sendo atuante, não aceitando o papel de coadjuvante, que não está do seu tamanho, do seu porte”, defendeu a senadora.

Por meio de nota, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, informou que o novo banco terá papel importante para ampliar a presença do Brasil no cenário internacional. Para Levy, o Brasil tem muitas vantagens e as empresas do país precisam competir para ganhar.

Segundo o ministro, outras ações recentes, como a integração do Brasil ao Banco de Investimento Asiático, refletem a disposição do governo em apoiar os empresários que querem conquistar o mercado externo. O ministro está em Paris, onde assinou acordo de cooperação com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)."

terça-feira, 19 de maio de 2015

Os motivos da China para investir tanto dinheiro no Brasil



Da bbc:
O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e uma missão de empresários de seu país desembarcam nesta segunda-feira em Brasília com a promessa de investir dezenas de bilhões de dólares em diversos setores da economia – de ferrovias a hidrelétricas, passando por autopeças, agronegócios, mineração, siderurgia e TI (tecnologia da informação).
 
O momento é visto como especialmente favorável a esses investimentos.
De um lado, o governo tem sido obrigado a cortar gastos em infraestrutura devido às restrições orçamentárias.
De outro, os setores de construção e óleo e gás passam por um cenário difícil por causa da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção envolvendo Petrobras, grandes obras públicas e empreiteiras nacionais.
O contexto complicado acaba sendo uma oportunidade para o capital chinês, nota Maria Luisa Cravo, gerente Executiva de Investimentos da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
“Com certeza, cria uma oportunidade. Empresas estrangeiras, quando estão avaliando um país para investir, levam em conta todo tipo de fator. Certamente, empresas de óleo e gás que não estavam atuando no Brasil, não eram fornecedores da Petrobras, têm interesse e sabem que há uma oportunidade (agora)”.
Segundo Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC), um estaleiro chinês ganhou neste ano parte da concorrência internacional aberta pela Petrobras para construção de módulos de compressão, cujo contrato original de US$ 750 milhões foi cancelado com a brasileira Iesa, após citações na Lava Jato. O grupo Inepar, ao qual pertence a Iesa, está em recuperação judicial.
“Como se sabe, os grandes projetos de infraestrutura e de petróleo e gás sempre foram dominados por grandes empreiteiras brasileiras que ora têm dificuldade de concluir as suas obras. Nossa Câmara têm se esforçado para trazer investimentos de grandes empresas chinesas para ajudar a recuperar a economia do Brasil e manter empregos brasileiros”, afirma.
“O empréstimo de US$ 3,5 bilhões (R$ 10,5 bilhões) feito recentemente à Petrobras demonstra a confiança que a China deposita no Brasil e demonstra a importância que a China dá a essa aliança estratégica e comercial. Um amigo em hora de necessidade é um amigo verdadeiro”, acrescenta Tang.
O financiamento, obtido junto ao Banco de Desenvolvimento Chinês no início de abril, chega em um momento que a Petrobras está com o endividamento elevado e enfrenta dificuldade de obter recursos emitindo títulos e ações.
Li Keqiang reúne-se com a presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira de manhã e no dia seguinte cumpre agenda no Rio e Janeiro, antes de seguir viagem para Colômbia, Peru e Chile.
A China vem ampliando sua presença na região e tem laços próximos também com Venezuela e Argentina.
Durante a passagem da comitiva chinesa pelo Brasil serão assinados mais de 30 documentos, entre acordos governamentais, empresariais e outros atos, sinalizando intenções novas de investimentos de US$ 50 bilhões (R$ 150 bilhões), segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, atualmente à frente da Subsecretaria-Geral de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações políticas e econômicas do Brasil com a Ásia.
(…)
Como maior parceiro comercial do país, a China já tem hoje peso importante na economia brasileira. Para Graça Lima, o crescente interesse chinês em investir aqui traz o relacionamentodos dois países a um novo patamar.
“A visita do primeiro-ministro Li Keqiang segue um histórico de visitas de alto nível que se iniciaram em 2004 e que vêm contribuindo para adensar a relações bilaterias entre Brasil e China. E (essas relações) estão tomando outro vulto, ou subindo de patamar, na forma de uma cooperação mais voltada para investimentos, tanto em infraestrutura, como em capacidade produtiva, que são duas áreas de especial interesse para o Brasil de hoje”, disse Graça Lima, em apresentação a jornalistas na semana passada.
Se tudo que está sendo anunciado vai sair do papel é outra história.
Segundo o embaixador, são projetos que estão em diferentes estágios de negociação e planejamento. Um dos mais importantes para os dois países é a construção de uma ferrovia transoceânica, que cortará Brasil e Peru, facilitando o escoamento de grãos e outros produtos da região Centro-Oeste para o Oceano Pacífico.
Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, é justamente essa preocupação com escoamento de produtos brasileiros para a China, “questão de segurança alimentar”, que tem elevado a disposição do país em investir na logística brasileira.
Até hoje, observa Batista, a presença do capital chinês na infraestrutura de transportes do Brasil é pequena, mas a expectativa é que isso mude nos próximos anos.
(…)
Em entrevista à imprensa chinesa na semana passada, Dilma sinalizou que o interesse brasileiro nessa parceria também é grade.
“O Brasil passa por um momento em que todo o conhecimento e a expertise da China na área de investimento em infraestrutura nós podemos aproveitar, tanto na área de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, disse ela ao China Business News, ressaltando que a participação chinesa em ferrovias vai ser “essencial” para o Brasil.
Monitoramento da Apex indica que, entre 2004 e 2014, a China investiu US$ 50 bilhões no Brasil. Maria Luisa Cravo explica que antes esses investimentos eram mais concentrados em fábricas e que agora o escopo está se ampliando para obras de infraestrutura, que são mais caras.
(…)
Mas o que estaria por trás do apetite bilionário chinês pelo Brasil?
Certamente, é de interesse do país melhorar a logística das nossas exportação, reduzindo os custos de produtos comprados em grande quantidade pela China, como soja e minério de ferro.
(…)
Questionado sobre se haveria também uma estratégia geopolítica da China no sentido de ampliar sua influência na América do Sul, o embaixador Graça Lima descartou a existência de “uma agenda secreta” e minimizou uma possível perda de protagonismo do Brasil na região.
“Interessa ao Brasil que seus 11 vizinhos progridam, que tenham uma grau de desenvolvimento que sirva para mais estabilidade, mais paz, mais segurança (na região). Nesse ponto, a China é vista como uma parceiro bem vindo”, argumentou.
Para Charles Tang, porém, há sim uma intenção geopolítica, na medida em que a China busca a se contrapor aos Estados Unidos como potência global.
Esse é o entendimento também de Renato Baumann, diretor da área de Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada). “A China quer expandir sua áreas de influência e tornar o yuan uma moeda de referência global”, afirma ele.
(…)
no: http://chebolas.blogspot.com.br/

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Brasil e parceiros do Brics contrariam pessimistas



Nossos economistas, frequentadores habituais das páginas dos jornalões, não cansam de prever as maiores dificuldades do mundo para o crescimento do país. O problema é que, quase sempre, as previsões são desmentidas pelos fatos, ou seja, o mundo real se sobrepõe ao universo ficcional imaginado pelos tais especialistas.
Um dos passatempos preferidos desse pessoal, nos últimos anos, tem sido decretar a falência do grupo de países que se destacam entre os emergentes, alcunhado de Brics, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco tem sido, nos últimos anos, o principal responsável pelo crescimento da economia mundial.
Os Brics seguem cada vez mais fortes, individualmente e como bloco, aumentando o comércio e as relações bilaterais entre seus integrantes.
O site Gazeta Russa, a propósito do tema, publicou uma reportagem em que ouve vários analistas, que, contrariando outros tantos, acham que os Brics ainda têm muita lenha para queimar.
A íntegra da matéria é a seguinte:

Para especialistas russos, potencial do Brics está longe de ser esgotado

Víktor Kuzmin, especial para a Gazeta Russa

Otimismo dos especialistas ouvidos pela Gazeta Russa em relação o futuro do Brics tem como base quatro pilares, dos quais o principal é o crescimento do consumo interno nos países do Brics devido ao aumento da população.

Previsões do fim do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) como força motriz da economia global são prematuras, afirmam especialistas russos. O potencial econômico dessa associação informal está longe de ser esgotado.
Ainda recentemente, o Brics registrava um crescimento econômico mais rápido do que o G7. Hoje em dia, porém, apresenta uma desaceleração econômica como os demais países emergentes. No final de 2013, a Rússia verá seu PIB aumentar entre 1,5% e 1,8%. A China e a Índia terão uma taxa de crescimento maior, mas abaixo dos valores registrados anteriormente. O Brasil seguirá quase sem crescer.
O economista norte-americano Nouriel Roubini, que previu a turbulência de 2008, profetizou um futuro decadente do Brics. No entanto, parece que os pessimistas tiveram pressa. Pelo menos nos próximos 3 a 5 anos, o grupo continuará seguindo à frente da economia global, devendo retomar o crescimento já no próximo ano. Prova disso são as previsões de crescimento do PIB dos países do Brics em 2014 feitas pelos especialistas ouvidos pela Gazeta Russa no início deste mês e contidas no World Economic Outlook de outubro do FMI (Fundo Monetário Internacional).
A reportagem conversou com William Wilson e Christopher Hartwell, analistas do Instituto de Pesquisa de Mercados Emergentes Skólkovo, Mark McFarland, economista-chefe do banco britânico Coutts & Co, Maksim Vasin, analista sênior da Agência Nacional de Rating, Emil Martirosian, membro da Academia Russa de Economia Nacional e de Administração Pública junto à Presidência, e Timur Nigmatúllin, analista do Investkafe.
O otimismo dos especialistas ouvidos pela Gazeta Russa em relação ao futuro do Brics tem como base quatro pilares, dos quais o principal é o crescimento do consumo interno nos países do grupo devido ao aumento da população, mudanças no perfil do consumo e ao aumento do número de milionários.
"Os países do Brics se tornaram grandes mercados de escoamento, com o crescente potencial para as startups bem sucedidas na indústria de tecnologia de informação, para muitas empresas multinacionais dos EUA e da Europa Ocidental", disse Martirosian.
O segundo fator é a  transformação e modernização da indústria rumo a uma circulação mais rápida de bens e serviços. O terceiro é a participação ativa do Estado na elaboração de uma política econômica e, como conseqüência, o aumento de investimentos públicos na economia sob as mais diversas formas. O quarto fator será a tão longamente almejada saída da União Europeia de uma recessão de dois anos e a aceleração econômica dos EUA.
A China continuará sendo líder do Brics em termos de crescimento do PIB, devendo crescer 7,4% em 2014, segundo as estimativas dos analistas do Instituto Skólkovo, e 8,2%, segundo as estimativas dos analistas do FMI. O segundo lugar do grupo será ocupado pela Índia, que, segundo os economista do FMI, deverá crescer 6,23% no ano que vem –segundo os analistas do Instituto Skólkovo, o aumento será de apenas 4,5% .
Os analistas dividem-se sobre quem ficará em terceiro lugar: a Rússia ou o Brasil. Mark McFarland acredita que a posição ficará com a Rússia, cuja economia irá crescer a uma taxa de 3% em 2014, quase duas vezes superior à atual, devido ao reforço do consumo interno e ao aumento das exportações líquidas de hidrocarbonetos. Timur Nigmatullin, do Investkafe, e os analistas do Instituto Skólkovo, são da mesma opinião.
"Na Rússia, a taxa de crescimento dobrará devido ao aumento do consumo interno. A exportação de fontes de energia atingiu um platô, razão pela qual os gastos públicos estão sendo contidos e as despesas de investimento continuam pequenas", ressaltam William Wilson e Christopher Hartwell. O FMI está como sempre mais otimista, avaliando em 3,7% o crescimento econômico da Rússia em 2014.
De acordo com McFarland, no caso do Brasil, os gastos com infraestrutura serão outro fator determinante, além do aumento do consumo interno. Para o especialista, em 2014, a economia brasileira crescerá apenas 2,4%. Já os especialistas do Instituto Skólkovo calculam em 2,5% a taxa de crescimento do Brasil para o ano que vem. Para eles, o crescimento da economia brasileira será condicionado ao aumento das despesas de investimento, enquanto as exportações brasileiras se manterão no platô devido à baixa demanda por parte da China.
A África do Sul crescerá 3,3%, segundo a previsão do FMI.
Para os especialistas, em 2014, a China também terá a melhor taxa de inflação no Brics, não superior a 2,9%, enquanto a Rússia atingirá uma inflação de 5,5%, o Brasil, de 6%, e a Índia, de 8,9%, afirma McFarland.
"A vantagem da China sobre seus parceiros do Brics é a de que a inflação baixa prevista para 2014 permitirá ao Banco Central e ao governo do país aplicar, se necessário, um amplo leque de medidas para o estímulo monetário e fiscal sem temer fomentar a inflação", disse o especialista.
Os especialistas preveem ainda o crescimento do intercâmbio comercial dentro do Brics. Em sete meses de 2013, as trocas comerciais da Rússia com os países do Brics diminuíram 0,6%, para US$ 58 bi. No entanto, até o final deste ano, o declínio deve ser compensado por um crescimento mais rápido. Em 2014, o intercâmbio comercial deve crescer entre 1% e 2%, afirma Nigmatúllin.
Os países do Brics representam 12,5% do comércio exterior da Rússia. Seu principal parceiro comercial é a China, com uma participação de 10,5 % do faturamento total do comércio exterior do país. Alguma expansão do comércio dentro do Brics é possível devido à diferença estrutural das economias.
"O baixo custo da mão de obra na China significa que os bens produzidos no país continuarão no piso da faixa de preços. A Rússia tem exportado recursos naturais como petróleo, gás e madeira. A Índia é conhecida pela venda de serviços, enquanto o Brasil é especializado em metais (principalmente minério de ferro) e agricultura", disseram os especialistas do Instituto Skólkovo.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2013/10/brasil-e-parceiros-do-brics-contrariam.html

quinta-feira, 28 de março de 2013

BRICS. A NOVA REVOLUÇÃO MUNDIAL



Começou ontem, e se encerra hoje, em Durban, na República Sul-Africana, a quinta Cúpula Presidencial dos BRICS - aliança que une o Brasil à Rússia, Índia, China e África do Sul.

Durante o encontro, como estava previsto, se realiza um fórum, sob o tema “BRICS e África - Associação para a Cooperação, Integração, Industrialização e Desenvolvimento”, com a participação dos líderes, convidados, de 20 países do continente.
De acordo com a imprensa sulafricana, já foi aprovada pelos chefes de Estado, e será destaque na Declaração Conjunta que será divulgada hoje, a criação de um Banco de Desenvolvimento para os BRICS, nos moldes do Banco Mundial, com capital inicial de 50 bilhões de dólares; um acordo de swap no valor de 100 bilhões de dólares, para empréstimo conjunto de recursos em caso de crise, nos moldes do que faz o FMI; e uma troca de moedas entre o Brasil e a China, por três anos, em valor equivalente a 30 bilhões de dólares por ano. A providencia garantirá o comércio de mercadorias, bens e serviços em moeda local, para ficar a salvo de eventuais flutuações da moeda norte-americana.
China e o Brasil são, hoje, respectivamente, o primeiro e o terceiro credor individual externo dos EUA. Os países BRICS detêm, em conjunto, 4,5 trilhões de dólares em reservas internacionais, ou 40% do total do mundo.
Com a criação do seu próprio banco de fomento, eles estão dizendo ao ocidente que se cansaram de esperar por reformas no Banco Mundial e no FMI, que lhes dessem poder equivalente nessas instituições, conforme o peso de seus recursos financeiros, sua população, seus territórios, mercados, recursos naturais, e dimensão geopolítica.
Como ocorreu com o G-8, que se tornou uma sombra do que era antes, após a criação do G-20 - com a decisiva participação do Brasil - o FMI e o Banco Mundial poderão minguar sua já decrescente importância na nova ordem multipolar no mundo do século XXI.
Findou o tempo em que os países mais pobres tinham de ir aos EUA mendigar recursos para infraestrutura ou enfrentar crises geradas, como a atual, nas entranhas do descontrolado ultra- capitalismo.
A partir de agora, eles terão outros interlocutores a procurar, em Brasília, Moscou, Nova Delhi, Pequim ou Pretoria, e não apenas em Washington, Londres ou Berlim.
O Brasil, com a soja resistente à seca da Embrapa, a mais produtiva cana de açúcar e o melhor gado tropical do mundo, suas construtoras e seus programas de combate à miséria e à fome, aliado à China, com seus gigantescos recursos financeiros, e aos russos e indianos, pode mudar, em poucas décadas, o futuro da população africana.
Basta que, para isso, não cometamos os mesmos erros e os mesmos crimes do arrogante colonialismo ocidental, o mesmo que, depois de tantos séculos de espoliação e violência, acabou por nos reunir no BRICS.
Fonte - do Blog Mauro Santayana  27/03/2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pesquisadora brasileira na Universidade de Lisboa compara desigualdades no Brics




Gilberto Costa, EBC / Abr

“Entre as cinco maiores economias emergentes, o Brasil foi a que mais diminuiu a desigualdade socioeconômica nas últimas duas décadas. A conclusão consta de estudo comparativo, feito no ano passado com base em dados secundários (de organismos multilaterais internacionais como as Nações Unidas e o Banco Mundial) e publicado pelo Observatório das Desigualdades da Universidade de Lisboa.

Segundo a autora do estudo, Maria Silvério (mestranda em antropologia na área de migrações, globalização e multiculturalismo no Instituto Universitário de Lisboa), o Brasil é, entre os países do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul), o único que “conseguiu diminuir consideravelmente a desigualdade de renda nos últimos 20 anos, saindo de um [coeficiente de] Gini de 0,61 em 1990 para 0,54 em 2009”. No índice (um dos mais usados para comparações socioeconômicas entre países), criado pelo estatístico italiano Corrado Gini,  zero representa a igualdade total de renda.

Em intervalos de tempo nas duas últimas décadas, Maria Silvério observou que os demais países tiveram concentração de renda. “A África do Sul obteve um crescimento acentuado no Gini, que passou de 0,58 em 2000 para 0,67 em 2006 (...) A Rússia apresentou grandes oscilações no Gini, que foi de 0,24 em 1988 para 0,46 em 1996. Em 2002, o índice caiu para 0,36 e voltou a subir em 2008 para 0,42 (…) A China e a Índia apresentaram em 2005 um coeficiente de Gini de 0,42 e 0,37, respectivamente”, mostra o trabalho.

Os dados revelam que apesar da melhoria, o Brasil ainda é o segundo maior em desigualdade entre as grandes economias emergentes - só não é pior que a África do Sul que, até meados da década de 1990, vivia sob o apartheid (regime político e econômico de segregação racial). “O que chama a atenção no Brics é que o Brasil tem pessoas tão pobres quanto as mais pobres do mundo e tão ricas quanto as mais ricas”, explicou a pesquisadora à Agência Brasil.

Na opinião de Maria Silvério, a diminuição da desigualdade e o consequente aumento da classe média podem favorecer o crescimento da economia brasileira. “Normalmente, o que mais faz um país crescer é a classe média, que consome muito. Por ser classe média, tem expectativa de crescer mais ainda – o que fomenta a economia com maior circulação de bens e a compra de automóveis e imóveis”; avalia.

Além do coeficiente de Gini, Maria Silvério comparou a situação de homens e mulheres, a escolaridade e o acesso à saúde no Brics. À exceção da África do Sul, aumentou a expectativa de vida e diminuiu a mortalidade infantil entre as economias emergentes nos últimos 20 anos. O Brasil  apresentou o maior crescimento da expectativa de vida (7,2 anos) e tem, juntamente com a China, a população com idade mais longeva (73,5 anos), em média.

A Rússia tem os melhores indicadores de mortalidade infantil e de escolaridade. No ex-país socialista, a mortalidade caiu de 27 mortes de crianças (até 5 anos) para cada mil nascidos (em 1990) para 12 óbitos na mesma proporção (em 2009). O Brasil teve a queda mais acentuada: de 56 para 21 mortes para cada mil nascidos e está à frente da Índia e da África do Sul (66 mortes).

Sobre a escolaridade média dos adultos, o Brasil (com 7,2 anos) apresenta pior indicador do que a Rússia (9,8 anos), a África do Sul (8,5 anos) e a China (7,5 anos) – superando apenas a Índia (4,4 anos). A escolaridade entre os emergentes é mais baixa que nos Estados Unidos (12,4 anos), na Alemanha (12,2), no Japão (11,6) e na França (10,6).

No Brics, o Brasil é o país com a maior proporção de mulheres com o ensino médio completo Para cada grupo de mil homens com essa escolaridade havia (em 2010) 1.054 mulheres com o mesmo tempo de escola.

Na China, há a maior proporção de mulheres no mercado de trabalho. Para cada função de homem empregado, havia 0,805 função de mulheres (dado de 2009). No Brasil, a proporção é uma função de homem para cada 0,734 de mulheres empregadas.”

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

AS RAZÕES DE O BRASIL ESTAR ONDE ESTÁ

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A mente colonizada, que não se abre, é uma coisa curiosa.

Poucos dias atrás, em mais uma das intermináveis (e as vezes chatas) conversas empreendidas pela "elite" brasileira, meu interlocutor disse que o Brasil só está na condição privilegiada de agora, por causa de uma conjuntura internacional. Que não é de forma alguma resultado das políticas progressistas de Lula, desde 2003.

Porém, é rápido em afirmar que mesmo assim, o grande iniciador disso foi FHC, com seu plano real.

Então vamos lá.....