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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Análise: marcas e desafios do governo Dilma em mídia


"Especialistas analisam marcas e desafios do governo Dilma em dez áreas

Em uma conferência organizada pelo King's College, da Universidade de Londres, especialistas em dez áreas diferentes avaliaram o início de governo da Dilma e fizeram uma projeção do que se pode esperar pela frente. Confira a seguir um resumo das suas análises.

Mídia

Carolina Matos*

Há a necessidade de mudar o papel da TV pública no país, para ser um meio de qualidade, sem interferência política. As concessões não são transparentes e são poucos os “players” dominantes. Cinco canais detêm 82% do mercado e mostram o mundo sob as perspectivas do Rio de Janeiro e de São Paulo. É preciso ter uma programação de qualidade para atrair audiência e, assim, os anunciantes. O grande desafio do governo Dilma será regular o que é público e comercial, além de definir como será a distribuição dos novos canais de TV digital.

A mídia é importante para o desenvolvimento do país. Mas é preciso desenvolver novas maneiras de identidade, que fuja do ponto de vista único do Sudeste e ofereça novas alternativas de qualidade. Por uma questão cultural, muita gente só assiste TV Globo e não troca de canal. A TV Brasil, criada em 2007 por Lula, merece receber atenção."
Fernanda Calgaro
Especial para o UOL Notícias
Em Londres
10 abr 2011
Leia o texto completo sobre as análises desses especialistas em diversas áreas, no UOL Notícias, clicando aqui.

* Carolina Matos é fellow (equivalente a membro honorário) em comunicação política na London School of Economics (LSE). Atualmente, trabalha num livro sobre mídia e política na América Latina, que deve ser lançado no início de 2012.

By; Filosomídia

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A paz dos cemitérios



Quem optou por enfrentar a grande mídia durante a primeira década do século XXI pode ter uma surpresa a partir de 1º de janeiro próximo. A mídia tenta construir um pacto não escrito e não proferido com o governo Dilma Rousseff. E a proposta, para um projeto pessoal, não é nada ruim, mas para o projeto coletivo de país pelo qual votamos, é péssima.
Não se afirma, aqui, que Dilma aceitaria tal coisa. Mas a proposta existe e é tentadora. E muito simples: paz. O fim do bombardeio midiático – ou um arrefecimento até o nível de normalidade de cobertura de um governo por uma imprensa normal e não por uma facção política e ideológica como a que tenta, há quase oito anos, inviabilizar o governo Lula.
Em primeiro lugar, analisemos um dos muitos comentários do mesmo tipo que têm sido produzidos pelo colunismo de Globos, Folhas, Vejas e Estadões. No caso, de Eliane Cantanhêde, que disputa com Dora Kramer o título de colunista feminina mais tucana do mercado. Mas para não cansar o leitor com o tucanês da moça, reproduzo só o que interessa.
“(…) Dilma tem lá o jeito dela, diferente do de Lula. Quer menos improvisação, rompantes, tititi. Vai cobrar discrição. E só vai abrir a boca em questões de repercussão internacional quando tiver certeza (…).
Pois é, vejam só. Claro que Dilma se aproxima mais do aceitável para a elite branca paulista. Filha de europeus, “bem-nascida”, “bem-estudada”, quase doutora (só faltou defender a tese de doutorado), certamente conjugará verbos e dirá os plurais com maior acuidade. Além de ter nascido no Sudeste, é claro.
Enfim, além de “palatável”, ela tem a chance de, supostamente, fazer o Brasil avançar mais apenas não desencadeando um processo de regulação da nova mídia um único centímetro fora do que ditarem os barões da velha mídia. Dessa forma, o governo não perderia tempo com escândalos incessantes, fim de semana sim, fim de semana não.
Imaginem o que teria sido o governo Lula sem a sabotagem da mídia. Os mais pragmáticos dirão logo que teria sido melhor Lula condescender com a mídia e barrar qualquer tentativa de colocar ordem nessa bagunça que é a comunicação do Brasil. Mas não adiantaria. O ódio que sentem por ele é visceral, não decorrente, apenas, de interesses contrariados.
A mídia teme que o governo brasileiro, a exemplo do que fez o argentino, obrigue uma Globo a se desfazer de vários tipos de mídia que concentra – tevê, rádio, jornais e revistas, portais de internet… Teria que escolher um ou dois tipos e vender os outros. E vender mesmo, não entregar a laranjas. Haveria investigação. Seria como nos Estados Unidos, por exemplo…
Que escolha você faria, se fosse Dilma? Optaria por ter paz para tentar fazer um governo melhor e deixaria essa gente conservar o poder de controlar o país através da proteção ou da intimidação de políticos usando até concessões públicas ou concluiria que uma paz para governar como essa é, na verdade, a paz dos cemitérios?
Eduardo Guimarães