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sábado, 14 de agosto de 2010

Mercadante janta Alckmin no debate da Band


A TV Bandeirantes realizou o primeiro debate entre candidatos ao governo do Estado de São Paulo na noite de ontem. Participaram Geraldo Alckmin (PSDB), Aloísio Mercadante (PT), Paulo Skaf (PSB), Celso Russomano (PP), Fábio Feldmann (PV) e Paulo Búfalo (PSoL).

O grande número de candidaturas não foi empecilho para que o encontro fosse bom e esclarecedor. E tivesse um grande derrotado, Geraldo Alckmin.

Ele foi questionado por todos os outros candidatos, com exceção de Fábio Feldmann, ex-tucano, que lhe levantou a bola em algumas ocasiões. Numa delas, chegou a ser quase cômico perguntando ao médico Alckmin sobre o que ele faria para diminuir o problema da obesidade (vejam o nível da preocupação do moço). Alckmin listou várias iniciativas, como a de pagar academias para pessoas da terceira idade e educar os jovens a comer. Ensiná-los a trocar os alimentos com muitos carboidratos por outros mais protéicos. Pasmem, é verdade…

Mas foi no confronto com Mercadante que Alckmin teve seus piores momentos. Em todas as vezes que o debate se dava entre eles, o ex-governador dizia que o governo federal tinha investido zero, nada, exatamente nenhum centavo naquela área. E que o governo estadual arcava com todos os investimentos no setor. Chegou a dizer que o governo federal não comprou sequer uma cama na área de saúde nos últimos oito anos.

Alckmin estava, porém, enfrentava um adversário alguém que sobra em números. E sempre que isso ocorria, Mercadante desfilava todos os investimentos do governo federal no setor, tornando a explicação de Alckmin insustentável.

Foi assim em relação às ferrovias, à educação, à construção de hospitais e investimentos no saneamento básico.

Paulo Skaf e Celso Russomano também se saíram bem no encontro. Ambos se mostraram seguros e não pouparam críticas aos 16 anos de governo tucano no estado.

Este blogueiro sempre achou difícil que esta eleição para o governo de São Paulo terminasse no primeiro turno.

Depois deste debate, passou a ter certeza de que a eleição no estado não termina em 3 de outubro.

É o medo de que isso aconteça que faz com que a mídia paulista esteja fazendo de tudo para que ela aconteça de forma silenciosa. Que não tem nenhuma visibilidade.

Como num segundo turno é quase impossível escondê-la, principalmente se a eleição presidencial vier acabar no primeiro turno, tudo será feito para decidi-la agora.

Sinto informar aos jornalões, isso não vai dar certo. Vai ter segundo turno em São Paulo. O debate de hoje tornou isso evidente. A oposição aos tucanos tem um discurso. E quando a oposição tem discurso, a situação tem problemas.

Isso é exatamente o que falta aos tucanos no plano federal: discurso.
esquerdopata

domingo, 8 de agosto de 2010

Debate não é arena de gladiadores

Os cadernos de política de Globo, Folha e Estadão foram dedicados quase que integralmente à análise do debate de quinta-feira. Miriam Leitão não teve dúvidas e iniciou sua coluna com uma afirmação peremptória: "Serra venceu o debate". E observou que Dilma "poucas vezes assumiu postura presidencial".

Dora Kramer, do Estadão, não deixou por menos. Chamou Dilma de nervosa, insegura, antipática, sobressaltada e fora d"água.

As duas também elogiaram a petista, sobretudo no quesito "beleza" e "elegância". Dilma pode se candidatar a modelo, mas não a presidente. 

Mas o que está me incomodando mesmo é esta transformação do debate numa arena de vida ou morte. A quem isto interessa?

Evidentemente, a Serra. 

Um candidato que tenha um bom desempenho num debate não necessariamente será o mais adequado ao cargo de presidente da República.

A imprensa, subitamente, tornou-se fanática adepta do "personalismo" na política. 

O melhor candidato não é aquele que sabe aplicar a melhor armadilha contra o opositor, num debate ao vivo, cheio de regras draconianas que, se evitam riscos de um lado, limitam a possibilidade do candidato se defender. Um candidato acusa o outro de uma coisa e como se poderá responder em apenas um ou dois minutos? 

Se um candidato perder a voz, por exemplo, será o fim dele?

Tanto o debate não é tão importante como se alardeia que a população não mostrou grande interesse pelo evento, que registrou apenas 3 ou 4 pontos no Ibope, ficando atrás do Globo, do SPT e da Record. E porque o povo se desinteressou tanto? As pesquisas dos principais institutos não revelam todo este desinteresse. Há interesse no processo eleitoral. Mas não necessariamente em debates. 

O que torna um candidato qualificado para o cargo de presidente da república são suas propostas, alianças partidárias, perfil ideológico, e não a sua esperteza e sangue frio num debate ao vivo. 

Não se pode querer que Dilma se transforme, do dia para noite, numa gladiadora invencível. 

Dilma é uma mulher forte, disso ninguém duvida. E competente também: seu trabalho à frente da Casa Civil respondeu por grande parte do sucesso do governo Lula nos últimos cinco anos. 

Os áulicos de Serra na mídia, por outro lado, tem consciência das imensas fragilidades da candidatura tucana: os poucos aliados do tucano abandonam o navio, suas propostas são incoerentes e oportunistas, mostrou-se um político indeciso e desastrado em diversas ocasiões, é grosso com jornalistas. A única chance de Serra está nos debates. Experiente, cínico e mau caráter, Serra não hesitou em politizar a delicada questão das crianças especiais. O importante é pegar Dilma. As Apaes foram usadas eleitoralmete, sobretudo por parte de sua Federação, presidida por Eduardo Barbosa, deputado federal pelo PSDB mineiro. 

O mais grave em Serra, contudo, é sua postura tacanha em política internacional.

Esta semana mesmo, o americano Mark Weisbrot, um think tank de peso no eixo EUA-Europa, fez uma acusação muito séria à Serra que nenhum colunista político repercutiu. Weisbrot criticou duramente a política externa do tucano, e afirmou que suas declarações fazem dele um representante submisso de Washington. 

A eleição de Serra, isso todo mundo já percebeu, produziria uma enorme instabilidade política em toda América Latina. Sim, porque Lula sabe se relacionar com a direita do continente. Manteve boas relações com Bush, Uribe e Calderón, presidentes conservadores dos EUA, Colômbia e México. Serra, contudo, antes de ser presidente, já comprou briga e ofendeu gravemente os mandatários da Bolívia, Venezuela e Irã.
óleo do diabo

sábado, 7 de agosto de 2010

Minha opinião sobre o debate

Acho que foi uma experiência importante para Dilma. Ela ficou nitidamente nervosa no início, mas isso é perfeitamente normal para alguém que enfrenta pela primeira vez uma situação. No segundo debate, creio que ela deverá se sair melhor e assim sucessivamente.