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domingo, 30 de novembro de 2014

3º turno ? Faltou combinar com os eleitores

Faltou combinar com os eleitores, por Guilherme Scalzilli - Sugerido por Sniff

De Le Monde diplomatique Brasil
TERCEIRO TURNO?
Ao analisar os seus resultados, as recentes eleições para o congresso e executivo apontaram para um desejo de continuidade, o ímpeto de mudança que teria dominado o país era mais um desejo dos comentaristas do que um diagnóstico preciso.
Por Guilherme Scalzilli
O último processo eleitoral brasileiro foi marcado pela continuidade. A maioria absoluta dos deputados federais e estaduais reelegeu-se. (1) Metade dos senadores em fim de mandato alcançou o objetivo. Dos dezoito governadores que tentaram permanecer no cargo, onze conseguiram. Oitenta milhões de votantes endossaram a polarização entre PT e PSDB, rejeitando as candidaturas presidenciais alternativas. Cerca de 54 milhões optaram depois pela via situacionista, dando-lhe a quarta vitória seguida.
 
Os resultados frustraram as expectativas de renovação acima das médias históricas (2) e, principalmente, de uma derrota do governo federal. Isso aconteceu porque o ímpeto de mudança que teria dominado o país era mais um desejo dos comentaristas do que um diagnóstico preciso. Em outras palavras, a perspectiva de transformação do cenário político baseou-se na projeção de anseios setorizados e teve natureza essencialmente propagandística.
 
O equívoco nasceu nos consensos do campo midiático sobre as manifestações populares do ano passado. Ansiosos para domesticar a perigosa simbologia dos protestos e sua polêmica pauta original, certos observadores apressaram-se em acomodá-los sob um denominador comum. O suposto desejo coletivo de mudança foi então adotado como fator identitário e unificador do fenômeno heterogêneo e caótico das manifestações.
 
Essa leitura também ajudava a neutralizar ideologicamente a militância. Uma reação generalizada “contra tudo que está aí” dispensava plataformas e condicionantes sociais ou partidárias. Era a essência positiva de qualquer atitude rebelde, inclusive quando os seus argumentos se mostravam rasteiros, como nas falácias sobre os gastos com a Copa do Mundo. (3) O mesmo valia para a ilusão “tática” dos blocos mascarados. (4)
 
Logo a mídia passou a instrumentalizar a revolta com fins eleitorais. A condenação do radicalismo das ruas serviu para reforçar sua antítese pacífica e ordeira, a mudança pelo voto. O mantra apaziguador “a resposta será dada nas urnas em outubro” virou moda na imprensa corporativa, adquirindo uma tonalidade pedagógica de forte viés autoritário.
 
Claro que todos previam a influência desse discurso na disputa presidencial vindoura, fortemente plebiscitária e polarizada. A naturalização do mote novidadeiro disseminava e fortalecia o apelo de qualquer candidatura oposicionista que se tornasse competitiva. E conferia uma fachada isenta ao antipetismo preponderante nos veículos.
 
A jogada tinha algum respaldo histórico. Nas pesquisas de 1989, por exemplo, a mudança política foi o motivo mais citado para a decisão final de voto, particularmente a dos eleitores do vitorioso Fernando Collor. (5) Em 2002, a metáfora da esperança brandida por Luiz Inácio da Silva utilizou apelo semelhante. (6)
 
Ao longo de 2014, contudo, a novidade sucumbiu à vulgarização midiática. Repetido nos slogans de Dilma Rousseff (“Muda Mais”), Aécio Neves (“Muda Brasil”) e Marina Silva (“Coragem pra mudar o Brasil”), o conceito diluiu-se até perder o sentido. Serviu tanto para o governo acenar com melhorias quanto para a oposição amenizar seus elogios aos programas federais. Virou um rótulo camaleônico a serviço do oportunismo.
 
Parece inegável que as narrativas mudancistas do marketing eleitoral dialogavam com efetivas demandas da sociedade. Mas as versões jornalísticas desses anseios tomavam-nos como parte do legado subjetivo dos protestos, e não como suas causas, exagerando a possível influência deles sobre as urnas. Se as manifestações escancaravam a falência do sistema representativo, (7) dificilmente prenunciariam uma guinada institucional que dependesse da própria estrutura sufragista caduca.
 
Os prognósticos de renovação eleitoral falharam ao simplificar demais as motivações do voto no país. Fizeram de um fenômeno socioculturalmente delimitado um microcosmo representativo da maioria, ignoraram os enormes contingentes populares que não aderiram à febre reivindicatória e desconsideraram os estímulos morais e pragmáticos do chamado “eleitor não-racional”, decisivo em qualquer disputa. (8)
 
Misturando estratégia publicitária com análise conjuntural equivocada, a apologia da mudança pelo voto iludiu os círculos oposicionistas a ponto de comprometê-los moralmente com a fantasia redentora. O espírito vingativo que se apossou dos derrotados é consequência direta dessa perplexidade rancorosa contra os eleitores que baldaram suas previsões.
 
1 - http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1528106-camara-tera-em-2015-o-maior-numero-de-novos-deputados-desde-1998.shtml
 
2 - http://www.estadao.com.br/infograficos/a-renovacao-politica-nas-assembleias-legislativas,273210.htm
 
3 - http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2014/07/manipulacao-impune.html
 
4 - http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1613
 
5 -Carreirão, Yan de Souza. “A decisão do voto nas eleições presidenciais brasileiras”. Florianópolis: Ed. Da UFSC; Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002, p. 81-86.
 
6 - RUBIM, Antonio Albino Canelas. As imagens de Lula presidente, 2003. in FAUSTO NETO, Antonio (Org.s) Lula Presidente: televisão e política na campanha eleitoral. Porto Alegre: Hacker Editores / Unisinos, 2003. p.43.
 
7 - http://www.idelberavelar.com/archives/2014/04/o_enigma_de_junho_parte_iii_os_protestos_de_2013_e_a_quebra_do_pacto_lulista.php
 
8 - Silveira, Flavio Eduardo. “A decisão do voto no Brasil”. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1998, p. 182-190.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Lula iniciou semana alertando sindicatos sobre 'vacina' contra golpe

Em semana tensa, ex-presidente se reuniu com sindicalistas, pediu mais atenção do governo aos movimentos, e alertou contra o ambiente de golpe. “Não vai ter moleza. Eles vão vir para cima”
por Redação RBA publicado 16/11/2014 12:52, última modificação 16/11/2014 14:32
ROBERTO PARIZOTTI/CUT
Lula
Lula: estamos vendo um trabalho da direita e da imprensa no sentido de conduzir a sociedade a negara política
A tensa semana política no Brasil terminou com manifestações golpistas. Algumas disfarçadas, como uma entrevista do senador Aécio Neves (PSDB) a uma rádio na quinta-feira (13), em São Paulo. O candidato derrotado na urnas disse que o segundo mandato da presidenta já começa com “sabor de final de festa” e que se existisse um equivalente eleitoral ao Procon, ela teria que “devolver o mandato” conquistado no dia 26 de outubro. Outras explícitas, como a manifestação de ontem – 125º aniversário da República – em que extremistas pediam “fora Dilma” e “intervenção militar”, com a direito a brigas e pancadarias entre os próprios “manifestantes”. Antes, porém, os protestos que vêm sendo convocados pela direita tiveram um forte contraponto, com a realização de marchas de movimentos sociais em dezenas de cidades. Em São Paulo, uma multidão calculada em 20 mil pessoas caminhou na região da Avenida Paulista, sob chuva, em defesa de reforma política, mais democracia e mais direitos.
No dia seguinte, houve a prisão espetacular de empresários investigados pela operação Lava Jato por suspeitas de corrupção em contratos com a Petrobras. A operação já teve lances de vazamento parcial de informações privilegiadas, com objetivo de atingir eleitoralmente apenas o PT. Inclusive expressões partidárias antipetistas de delegados da Polícia Federal participantes da operação foram expostas nas redes sociais. A atitude pôs em xeque a credibilidade dos agentes públicos, mas não a da operação Lava Jato.
O advogado Pedro Serrano, professor da PUC, entende que ela se trata da melhor e maior apuração da história da PF. Para Serrano, houve exagero nas prisões realizadas na sexta (14). “Houve abuso porque as prisões temporárias servem apenas para os investigados realizarem seus depoimentos e a maioria dos que foram presos já havia se colocado à disposição da Justiça. Ao que parece essas prisões foram apenas para criar um clima de espetáculo”. Na opinião dele, o que vale num processo desses é conseguir punir os culpados ao final do julgamento. E fazer barulho na apuração mais atrapalha do que ajuda, segundo disse ao Blog do Rovai. O advogado não acredita que a Lava Jato tenha motivação política e deve atingir empresários e políticos, e não parece algo que guarde relação apenas com um ou outro partido. “É algo muito maior.”
No blog O Cafezinho, o jornalista Miguel do Rosário avalia ainda que o chamado “petrolão”, ao atingir as principais empreiteiras do país e chamuscar todos os partidos, em especial os núcleos representados no Congresso, resultará no fortalecimento de Dilma Rousseff. “O escândalo é vasto demais mesmo para a nossa grande imprensa. Junto à opinião pública, apesar dos esforços da mídia (que só tem um objetivo: golpe), prevalecerá a impressão de que Dilma está cumprindo o que prometeu: não sobrar pedra sobre pedra. Até porque é isso mesmo o que está acontecendo. Ao dar liberdade e autonomia aos delegados e agentes da PF, sem exercer qualquer pressão sobre o Ministério Público, Dilma fez a sua grande aposta. E deu corda para os golpistas se enforcarem”, escreveu.

Líder da oposição

A conduta de Aécio de tentar se posicionar como líder da oposição já havia sido observada pelo ex-presidente Lula, na terça-feira, durante participação em reunião com dirigentes da CUT. Na ocasião, Lula disse que o senador tucano está “mexendo num vespeiro” onde não devia. “O Aécio está se achando. Teve 48% dos votos, com toda a mídia ajudando ele. Eu, em 1989, contra toda a imprensa e contra a maioria dos partidos, tive 47% e nem por isso me achei. E esse cidadão está lá, numa trincheira, não quer diálogo, não quer conversa. Deixa pra depois o que vai acontecer com ele”, ironizou.
O presença de Lula na reunião da direção executiva nacional da CUT dá sinais de que o ex-presidente terá um protagonismo maior na cena política. O ex-presidente lembrou o papel decisivo dos movimentos sociais e sindicais na eleições e disse que os eleitos graças a essa participação deverão dar mais ouvidos a esses segmentos da sociedade. “O Fernando Pimentel (eleito governador em Minas) terá de falar com a CUT antes, durante e depois da posse”, cobrou, referindo-se às intervenções da presidenta da CUT no estado, a professora Beatriz Cerqueira, que está sofrendo uma série de processos movidos pelo grupo de Aécio pele volume de denúncias envolvendo a situação do ensino público durante as gestões tucanas em Minas.
E mandou o mesmo recado a Dilma, defendendo que o movimento sindical seja ouvido não apenas para tratar de reivindicações trabalhistas, mas para discutir políticas para o país. “Toda a política de desoneração tem de passar por negociação com os sindicatos, para saber se vai haver ganhos para os trabalhadores do setor beneficiado.”

Nova agenda e vigilância

O discurso de pouco mais de uma hora de Lula não serviu apenas para cobrar os governos. O ex-líder metalúrgico cobrou dos dirigentes sindicais uma agenda mais sintonizada com a nova realidade do país. “Sinto que está faltando política em nossa ação sindical. O economicismo só não é suficiente”, disse. O ex-presidente lembrou que Dilma perdeu a eleição em quase todos os municípios governados pelo PT e até mesmo nos bairros populares de São Paulo onde vencia desde 1982, observando que muitos dirigentes sindicais “ficaram decepcionados com os trabalhadores da sua categoria votando em Paulo Skaf , Geraldo Alckmin ou Aécio.
“Passado o sufoco, é preciso entender o que aconteceu. O poder público precisa ter mais diálogo com a sociedade e nós precisamos ter mais conversa, mais parceria e mais solidariedade entre nós”, disse, reiterando que o movimento sindical não pode ficar restrito a conquista de cláusulas econômicas durante as campanhas salariais. “O movimento sindical tem de sair do chão de fábrica, do chão das lojas, do chão dos locais de trabalho, pois o limite de representatividade passa do chão. Tem a ver com cidadania, com educação, com saúde, com segurança. Temos que apresentar nossa pauta aos prefeitos, aos governadores e à presidência da República.”
Lula disse ainda que hoje há muitos jovens em todas as categorias profissionais e que é preciso dialogar com eles para tentar compreendê-los. “Hoje me espanto quando vou à porta de fábrica e vejo muito jovem que quer fazer faculdade, não quer ser mais apenas um peão. É preciso conversar com ele. É preciso colocar política na cabeça dele. Ele sabe qual foi o papel do pai e da mãe dele? Ele sabe qual foi e qual é o papel da CUT?", questionou.
O ex-presidente voltou a expressar preocupação com a “demonização da política” pela mídia. “A despolitização só interessa à direita. Não interessa a nós. Precisamos dizer com clareza o que fizemos e o que queremos fazer.”
Ouça trechos da fala de Lula em reportagem da TVT

Lula terminou seu discurso alertando para o ambiente golpista instalado no país desde a reeleição de Dilma. “Esses que nos atacam são os mesmos que nunca aceitaram política social neste país. Não é á toa que na mesma capa da revista colocaram a minha cara e a cara da Dilma. E vai ser assim. Não vai ter moleza. Eu vou avisar vocês com antecedência. Vocês se preparem porque, da mesma forma que quando o movimento sindical encheu esse país de adesivos com a mensagem ‘mexeu com Lula, mexeu comigo’, a gente vai de ter de estar preparado para defender a Dilma”, alertou. “Eles vão vir pra cima.”
Assista trechos da fala de Lula em reportagem da Rádio Brasil Atual

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Após oito derrotas, a direita sonha ou delira com um novo golpe de estado. Vai ter que encarar 150 milhões de brasileiros e brasileiras






O cenário político brasileiro pós-eleições, com mais uma vitória de Lula e Dilma e do povo brasileiro - dos de baixo, enfim - deixou uma parcela minoritária da população agitada. Pequenos grupos saíram às ruas de algumas cidades defendendo o Impeachment da presidenta Dilma e a volta da ditadura militar. Na sequência desses atos de saudosistas dos tempos sombrios, houve um pequeno golpe contra a população no congresso nacional, com a união de deputados derrotados e ressentidos, que derrubaram o decreto da presidenta Dilma que regulamentava a criação de conselhos populares. Essa gente não gosta de participação popular, de povo, a não ser como massa de manobra.

Em seguida, foi a vez do candidato derrotado à presidência da República usar a tribuna do senado para fazer discurso. Disse que falava em nome de um exército de opositores, uma linguagem que agrada os ouvidos da direita fascista que cada vez mais mostra os dentes nas ruas: agride as mulheres, os negros, os pobres e os nordestinos, como se tratassem de uma raça inferior. Coisa de fascistas mesmo. Ainda na sequência, algumas poucas famílias privilegiadas disseram que pretendem mudar para Miami. Pena que sejam poucas famílias. Disse outro dia: a passagem de ida sem volta para Miami é a serventia da Casa (Brasil) para os filhos ingratos. E não esqueçam de levar o cantor Lobão, que ao que parece desistiu de mudar do Brasil. Que pena. Seria tão bom se ele não tivesse desistido.

Toda essa irritação de uma parcela até expressiva da população, embora minoritária, tem uma razão de ser. Há uma explicação para isso. E por que eu coloco nesses termos, como se houvesse uma certa surpresa nessa reação desta parcela da população? Simples. Porque nos últimos 12 anos o Brasil melhorou como nunca antes. Um número muito expressivo da população - mais de 30 milhões de pessoas - saíram da miséria e da fome. No período mencionado, o Brasil conseguiu a proeza de viver com inflação baixa, baixo desemprego, aumentos reais de salários e crescimento do PIB, assim, tudo junto, durante mais de uma década. Toda essa combinação seria motivo para que uma enorme maioria da população botasse fé nas potencialidades do Brasil e do povo brasileiro, ao contrário do que ocorre atualmente. E vamos entender porquê.

Antes do período citado, o Brasil crescia no PIB, mas arrochava salários. Ou seja: uma minoria se enriquecia e a maioria vivia na miséria; ou então, para controlar a inflação, os governos confiscavam direitos, arrochavam salários e lascavam políticas de recessão. Atingia um determinado objetivo - inflação mais baixa, por exemplo, mas sempre às custas dos mais pobres. Os governos do PT, com todas as limitações que já citamos aqui antes, conseguiram quebrar essa lógica, desenvolvendo políticas sociais de amparo aos de baixo, além de não permitir que a macroeconomia fosse sustentada na lógica do arrocho salarial, ou do desemprego, como acontecia nos tempos neoliberais de FHC.

O PT cometeu o erro de não combinar os avanços sociais com um embate político com as elites. Ou seja, o PT não fez política em cima de suas políticas sociais, se acomodou e com isso não contribuiu para a construção de uma consciência crítica das parcelas da sociedade que melhoraram de vida.

Uma parte da elite brasileira, muito poderosa e ligada a grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros, não concorda com essa política de inclusão, de mais investimentos sociais, de solidariedade aos vizinhos latino-americanos e a outros povos como os palestinos. Essa elite dominante detém a maior parte do PIB brasileiro, é dona da maior parte das terras do país e detém também praticamente 100% dos meios de comunicação, a mídia. TVs, rádios e jornais estão a serviço desse pequeno grupo de famílias que detém as riquezas produzidas por todos os brasileiros e brasileiras.

Essa gente não gosta do povo brasileiro, a não ser como escravos, ou como funcionários mal remunerados, sem direito algum. Eles gostavam quando os pobres não podiam andar de avião, a não ser como empregados deles - babás, carregadores de malas, etc. Hoje os pobres andam de avião de igual para igual com a classe média alta. Nem vou mencionar aqui os ricaços, porque estes têm seus jatinhos e helicópteros e não passam por esta "humilhação" de ter que se sentar ao lado, num avião, ou num restaurante, de um assalariado de baixa renda.

Essa elite é preconceituosa contra os pobres, contra os negros, contra as mulheres e contra os nordestinos. Um preconceito de classe, representado politicamente pelos tucanos e afins, embora haja mesmo entres estes pessoas com bom senso, capazes de respeitar o outro. Mas, essa elite é minoria da minoria. Não representa nem 10% da população. Por que então se tem a impressão de que quase a metade do país estaria insatisfeita com o governo federal a ponto de não ter votado pela reeleição da atual presidenta?

Existem várias explicações para isso. Uma delas é que, com o crescimento do consumo e com a melhoria das condições de vida das pessoas dentro da lógica de disputa de mercado, várias pessoas que se deram bem passaram a adotar a forma de ver o mundo das elites dominantes. Houve uma assimilação cultural. É muito comum encontrarmos "pobres, pobres, pobres, de marré, marré, deci" defendendo os interesses dos de cima. Porque a ideologia dominante da nossa sociedade é ditada pelos de cima, pelas elites dominantes. Muita gente foi culturalmente educada para acreditar que os pobres não são capazes de "vencer na vida", de ascender socialmente. E muitos, quando "chegam lá", ou seja, como adquirem uma condição social melhor, continuam acreditando nisso. Eles foram capazes de crescer individualmente, e não se enxergam enquanto parte de uma parcela da sociedade da qual vieram. Falta-lhes aquele instinto de classe, de solidariedade ao próximo, que brota quase sempre nos embates políticos. Mas, felizmente, não é a maioria que tem esse bloqueio mental que dificulta o seu entendimento do processo social como um todo.

Uma outra explicação complementar, e talvez mais forte ainda, é a nefasta ação da mídia golpista. Dominada por poucas famílias ligadas umbilicalmente com a elite dominante, essa mídia trabalha 24 horas por dia contra os interesses da maioria do povo brasileiro. Atacam os movimentos sociais, as conquistas dos trabalhadores, criticam governos como o de Lula e Dilma justamente naquilo que eles fazem de melhor, que são as políticas sociais, como: Bolsa Família, Pronatec, Prouni, Mais Médicos, Minha casa minha vida, Luz para todos, além do controle dos preços da energia elétrica e da gasolina, etc. Este aumento de 3% na gasolina, por exemplo, após um ano sem aumento, está abaixo da inflação e a mídia apresenta isso como fosse uma coisa de outro mundo. Ninguém menciona que os tucanos em Minas tentaram aumentar em quase 30% de uma tacada só, o preço da luz.

Esses meios de comunicação estão nas mãos de famílias que apoiaram e sustentaram o golpe civil-militar de 1964. Quando houve o processo de reabertura política, desgraçadamente, nessas manobras palacianas urdidas na calada da noite, e graças às tenebrosas negociatas em benefício de poucos, foi preservado o monopólio privado das comunicações. Um verdadeiro atentado à democracia brasileira e à liberdade de expressão. Hoje, graças a esse monopólio da mídia nas mãos de poucas famílias, o que se lê nos jornais e revistas e o que se ouve nas rádios e TVs é praticamente a mesma notícia. Uma mesma nota musical. O pensamento único, sempre em favor de políticas neoliberais, da privatização de tudo, contra a participação popular, contra o controle social do estado pela população, contra, enfim, os governos mais comprometidos com os de baixo.

É por isso, por exemplo, que Dilma foi atacada nos últimos anos sem dó. Quem ouviu os telejornais da Band, da Globo, da Itatiaia, do SBT - da revista Veja nem precisamos falar, é o pitbull da direita golpista - sabe muito bem o que estou dizendo. Não houve um dia sequer sem ataques diretos ao governo Dilma, enquanto os governos tucanos eram e continuam poupados pela mídia e seus comentaristas. O pior é que tentam cinicamente se apresentarem como "neutros", "imparciais", quando na verdade fazem aberta campanha anti-petista e anti-governo federal.

Durante a campanha
 eleitoral nós vimos o que aconteceu: era Dilma sozinha contra 10 candidatos a serviço da direita, além da mídia que fazia campanha abertamente, todos os dias, contra o PT, contra Lula e contra Dilma. Uma verdadeira agressão à inteligência do povo brasileiro, que respondeu, talvez por isso mesmo, mas não somente, com mais uma derrota das elites.

A Rede Globo lançou uma novela das 9h - o escândalo na Petrobras - com roteiro e personagens bem definidos, cuidadosamente selecionados e prontos para entrar em cena nos próximos capítulos. Cansamos de enxergar a careta de dois bandidos confessos, que se tornaram os heróis da direita e da Globo, com acusações sem prova apenas contra o PT. Até que finalmente, depois de vários dias, apareceu uma acusação contra o PSDB. Pronto. Foi o suficiente para que a Globo mudasse o tom da conversa, a novela foi definhando, assim como definhou uma outra novela, a da morte súbita de Eduardo Campos e a divina aparição de Marina Silva. O golpe final, a bala de prata, foi a capa da revista, ou melhor, do panfleto Veja, que a militância tucana tratou de copiar e distribuir nas ruas de SP um dia antes das eleições.

Tudo isso acontecendo na cara de um TSE morto, covarde até, incapaz de colocar um freio no abuso praticado pela mídia. Apesar de toda esse esquema montado com a mídia, pastores de direita pregando contra Dilma, bolsa de valores despencando toda vez que Dilma subia nas pesquisas, enfim, apesar de todas essas jogadas, o povo brasileiro, na sua maioria, não se deixou manipular. Resistiu heroicamente. Um viva todo especial ao bravo povo nordestino, que mais uma vez não se curvou. E desta vez, temos que destacar também a postura do eleitorado de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e da maior parte do Norte do país. Em nome da preservação das conquistas sociais, e temendo as consequências danosas de um retorno dos tucanos ao governo, a maioria dos eleitores elegeu novamente Dilma presidenta do Brasil. Foi uma vitória de todo o povo brasileiro, já dissemos aqui. Simbolicamente falando.

Com esta, são oito vitórias sobre as forças das elites. Quatro com Lula (primeiro e segundo turnos dos dois mandatos) e quatro com Dilma. É muita derrota eleitoral para uma elite acostumada a mandar e desmandar sem voto. É o caso da mídia golpista. Nunca recebeu um voto sequer de qualquer cidadão e tenta ditar a agenda dos governos, dos tribunais de justiça, dos parlamentos. E o pior é que tem conseguido, quase sempre. Por isso é preciso regulamentar a mídia, acabar com o monopólio, fortalecer as rádios e TVs públicas, e uma imprensa alternativa formada por rádios e TVs comunitárias, jornais de Interior e blogs independentes.

Se o governo Dilma quiser sobreviver até 2018, desta vez terá que encarar a democratização da mídia como tema central. Não dá mais para aceitar que meia dúzia de famílias e seus comentaristas de aluguel ditem o que é certo e o que é errado. Nós brasileiros temos voz própria e não precisamos da tutela de uma mídia que está claramente a serviço dos piores interesses. É preciso garantir a diversidade de opinião, a diversidade e a riqueza cultural do nosso país, hoje ameaçada pelo monopólio das comunicações. É preciso garantir a real liberdade de expressão, que só acontece quando as pessoas podem falar, e podem responder, se atacadas, o que não acontece hoje no Brasil, a não ser através da Internet. Se a Rede Globo resolve me atacar eu não terei direito de resposta. É muito poder para uma família que não recebeu um único voto dos cidadãos para exercer tal poder. Rádios e TVs, por exemplo, são concessões públicas e deveriam manter um padrão ético de respeito ao próximo, de valorização das riquezas e da diversidade cultural e de fortalecimento da nossa democracia. Ao contrário, as rádios e TVs se tornaram partido político, cujos comentaristas, praticamente sem exceção, atacam o governo Dilma, o PT e Lula 24 horas por dia, enquanto poupam os tucanos e afins.

Essa elite, que domina a maior parte do PIB brasileiro - sabe-se lá como conseguiram tanto poder econômico - e domina também a mídia, não tolera conviver com um governo federal que faz concessões à direita, mas que defende os interesses dos de baixo. Essa elite se julga dona do Brasil. É arrogante. Para ela, o candidato dela, elite dominante, fosse Marina ou Aécio, tinha que ser eleito. Para essa elite, como pode o povo pobre não acatar essa ordem de cima, desse grupo que manda e desmanda no Brasil? A mídia vem dizendo claramente que tudo está errado, que o Brasil está em crise terminal, que não há salvação enquanto o governo do PT lá estiver, então por que essa gentinha continua votando na Dilma e no Lula?

É por isso que algumas hordas de fascistas saíram às ruas pedindo a volta dos generais de pijama. Na compreensão deles, se pelo voto não dá, vai pela força mesmo, como fizeram em 1964, derrubando um dos melhores presidentes que o Brasil já teve: João Goulart. Mas, uma parte da elite raivosa é menos ignorante do que estes grupos que brigam nas ruas e pedem o retorno da ditadura. Eles querem agora derrubar o governo Dilma de outra forma, mais sutil, mas não menos canalha e golpista. Para isso, apostam na formação de uma maioria no congresso nacional, com a eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara dos Deputados. É o terceiro cargo na hierarquia dos poderes. Na ausência de Dilma e do seu vice, é ele quem assume a presidência. Essa elite então agora trabalha com a possibilidade de um impeachment da nossa presidenta. Mesmo que não consiga levar até o final esta ridícula proposta, eles querem desgastar ao máximo a presidenta, para impedir que ela governe e realize mais conquistas em favor dos de baixo.

Querem impedir que haja reformas políticas que garantam maior participação e controle popular; querem impedir que haja a regulação da mídia, com a democratização dos meios de comunicação; querem impedir que haja mais investimentos no social, especialmente na Saúde e na Educação, pois isso representa tirar recursos de bancos e grupos de rapina que controlam o orçamento público.

Enfim, é contra esses golpes urdidos pela elite dominante, e que atentam contra a vontade majoritária da população brasileira, que devemos estar atentos. E prontos para defender os nossos direitos e interesses. E também para defender o governo Dilma, caso atacado pelas elites. Temos todo o direito e o dever de criticar o governo Dilma naquilo que não concordarmos. Mas, não podemos permitir que a presidenta Dilma seja chantageada ou pressionada por essa elite e seus capachos. Os interesses dos de baixo estão acima dos interesses dessa minoria que não aceita repartir o pão, e quer manter eternamente o seu domínio sobre o Brasil. Não conseguirá. Se tentarem um novo golpe, terão que se ver com mais de 150 milhões de brasileiros e brasileiras.

Viva o povo brasileiro!
Defender o governo Dilma contra a chantagem dos de cima!
Por mais conquistas sociais, mais direitos trabalhistas, mais aumentos salariais, mais empregos e mais distribuição de renda!
Contra os golpismos da mídia, dos ressentidos do congresso nacional e dos grupos de rapina!


Novembro - Mês da Consciência Negra. Viva Zumbi dos Palmares, herói do povo brasileiro!


Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

Do: http://blogdoeulerconrado.blogspot.com.br/2014/11/apos-oito-derrotas-direita-sonha-ou.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PSDB tramou golpe contra Dilma pelo WhatsApp, revela Estadão


sampaio_aecio_whatsapp.jpgO jornal Estado de S. Paulo, edição desta sexta-feira (31), revela que o PSDB nacional tramou o golpe contra a reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) através de bate-papo via WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas.
Segundo o Estadão, a trama foi capitaneada pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha derrotada de Aécio Neves (PSDB-MG), que coletou “contribuições” à representação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao pedir “auditoria especial” na votação de domingo (26), o documento tucano questiona a legitimidade da reeleição de Dilma e do próprio TSE que proclamou o resultado após Aécio reconhecer de público a derrota.
A tentativa de o PSDB realizar um 3º turno da eleição presidencial arrancou uma declaração irônica do presidente nacional do PT, Rui Falcão: “O PSDB está parecendo time que perde e, depois, põe a culpa no juiz”, afirma Falcão.
De acordo com o Estadão, o próprio Aécio deu aval para a deflagração do plano golpista.
modus operandi do PSDB é o mesmo da direita venezuelana, que mesmo perdendo a eleição sempre investe contra o resultado das urnas.
 Sugado do:http://www.esmaelmorais.com.br/2014/10/psdb-tramou-golpe-contra-dilma-pelo-whatsapp-revela-estadao/

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os perigos do terceiro turno

Basicamente, há duas linhas de pensamento para o terceiro turno, já anunciado pelos tucanos, com a vitória de Dilma:
1) A presidenta deve tentar acalmar os ânimos dos oposicionistas;
2) A presidenta deve partir para cima deles com tudo.
O terceiro turno significa que a  oposição não vai aceitar a derrota e vai jogar todas as fichas num processo de desestabilização do governo reeleito, apelando até para um processo de impeachment, tendo como justificativa a "roubalheira" da Petrobras.

Não só próceres oposicionistas anunciam abertamente que se lançarão com tudo nessa aventura golpista, mas também os vários colunistas amestrados da imprensa oligopolizada expõem essa "tese" - antítese das normas democráticas sob qualquer ponto de vista.
Seja lá o que a presidenta pretenda fazer, caso seja reeleita, seu governo tão terá vida mansa.
A sua base de sustentação deverá ser ainda mais frágil que a atual.
A mídia continuará a perseguir incansavelmente os trabalhistas.
Empresários prosseguirão com seus movimentos de boicote.
Agentes internacionais agirão livremente na promoção de manifestações de rua "espontâneas".
O clima de insatisfação na classe média, já elevado, tenderá a piorar com esse bombardeio maciço de propaganda.
Penso que Dilma, para sobreviver, terá de ser como alguns técnicos de futebol, que distribuem broncas e depois afagam a cabeça de seus jogadores.
Deveria escalar um time acima de qualquer suspeita para o seu Ministério, craques mesmo, e convocar as mais expressivas lideranças empresariais, sindicais, de organizações da sociedade civil, enfim de todos os segmentos mais representativos, para ouvir com atenção o que têm a dizer e passar um recado: somos democráticos, respeitamos todos, queremos governar para todos, mas não pensem que vamos sucumbir a chantagens ou permitir a ação de sabotadores. 
Deveria - e isso é fundamental - instituir uma política de comunicação que realmente atinja a população, leve a ela informações verídicas sobre o que está sendo feito e neutralize a propaganda oposicionista.
A par disso, é fundamental tratar da reforma política e instituir um marco regulatório das comunicações, a tão falada "lei dos meios", para tirar do pré-capitalismo essa área importantíssima e transportá-la ao século 21.
Essas são apenas algumas poucas ações mais que necessárias para garantir um mínimo de governabilidade. 
Sem elas, bye, bye, democracia.
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