Desde os anos 1970, a vida econômica no globo tem sido crescentemente subordinada à lógica da acumulação financeira. Para o sociólogo Giovanni Arrighi, isto é parte de um padrão evolucionário do capitalismo, em que fases de financeirização emergem ao final de cada ciclo de expansão do sistema mundial. Socialmente, isto significa o controle crescente das instituições – incluindo o Estado e os mercados – pelas elites financeiras, ao custo da maioria da população, que vê seus esforços produtivos drenados para alimentar o rentismo.
'A financeirização vem acompanhada de conflitos sociais, à medida que aqueles que são prejudicados por ela protestam'


Por causa disso, a financeirização vem acompanhada de conflitos sociais, à medida que aqueles que são prejudicados por ela protestam. No entanto, até meados dos anos 2000, esta resistência não foi eficaz. Reformas neoliberais foram implementadas na América Latina, garantindo a reprodução do capital financeiro, a despeito da oposição de sindicatos e partidos de esquerda. Mais recentemente, porém, o jogo começou a virar. Uma vez que a estabilidade monetária foi conquistada, os efeitos negativos do neoliberalismo sobre o emprego e a desigualdade levaram a população a eleger presidentes ligados a movimentos sociais e partidos de centro-esquerda. Mesmo quando a subordinação às elites financeiras não foi rompida – caso do Brasil – o relaxamento das restrições externas ao crescimento permitiu maior independência em relação ao FMI, órgão máximo de gestão das finanças mundiais....