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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Delator acusa Agripino de levar propina milionária


"Em delação, empresário George Olímpio denunciou suposto esquema que atuava em serviços de cartório ao Detran do Rio Grande do Norte, que envolvia a ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB), o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado Ezequiel Ferreira (PMDB), além do senador Agripino Maia (DEM); "Ficou definido que para o governo ia R$ 15 por contrato. A média de contratos por mês girava em torno de 5 mil", disse ele em reportagem do "Fantástico", da TV Globo; em outro trecho, ele afirma que o senador pediu mais de R$ 1 milhão no ano de 2010; parlamentar nega 

Brasil 247

Um empresário do Rio Grande do Norte acursou políticos de Estado de receberem propina em troca da aprovação de leis. Segundo o programa "Fantástico", da TV Globo, a denúncia foi feita em delação premiada de George Olímpio ao Ministério Público.

De acordo com ele, o esquema envolvia a ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB) e o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado Ezequiel Ferreira (PMDB), além do senador Agripino Maia (DEM).
Olímpio contou que, entre 2008 e 2011, montou um instituto para prestar serviços de cartório ao Detran do estado que cobrava uma taxa de cada contrato de carro financiado no Estado.

"Ficou definido que para o governo ia R$ 15 por contrato. A média de contratos por mês girava em torno de 5 mil", afirmou.

Na delação, o empresário conta que o esquema da propina foi negociado na residência oficial da então governadora do estado, Wilma de Faria, do PSB
Em um dos trechos da delação, empresário também diz que o senador Agripino Maia pediu a ele mais de R$ 1 milhão no ano de 2010.

Ao "Fantástico", Agripino Maia negou a acusação: "É uma infâmia, uma falta de verdade. Está completamente falso e faltando com a verdade", afirmou (saiba mais).

Diante do ressurgimento do seu nome na operação Sinal Fechado, o senador José Agripino também apresentou documento onde o então Procurador-Geral Roberto Gurgel mandou arquivar, por falta de provas, o processo de investigação contra ele. Depois do depoimento de Olímpio, o atual Procurador Rodrigo Janot desarquivou, há cerca de cinco meses, a investigação contra o senador (leia aqui no blog de Daniel Dantas)."

domingo, 25 de janeiro de 2015

Lava Jato: MP não se interessa por relações de Youssef com PSDB?


Miguel do Rosário, Tijolaço  

'Não fosse o humor negro dos internautas, há muito a política brasileira teria se tornado insuportável.

O leitor José Alcy Nobre, por exemplo, fez um comentário engraçado, apesar de sombrio: “Se Youssef abrir o bico e falar de alguém do PSDB irá cumprir sentença na Indonésia.”

Pois é.

É engraçado, mas é sério.

É a mais triste e dura verdade.

Aliás, isso me lembra uma matéria que li ontem no Liberación, de Paris, sobre a mídia grega.

A matéria dizia que a imprensa grega é repleta de escândalos políticos, mas sempre de um lado só, sempre contra o mesmo grupo político contra o qual ela faz oposição.

No contexto de forte polarização ideológica que vive a Grécia, é fácil supor que a sua mídia defende os mais ricos e atacam qualquer político, mesmo de direita, que ouse se aproximar da classe trabalhadora.

É o que acontece no Brasil.

A mídia é versátil.

Quando um líder da esquerda se afasta da classe trabalhadora, a mídia imediatamente passa a blindá-lo.

Quando um líder da direita se aproxima da classe trabalhadora, a mídia imediatamente passa a atacá-lo.

E assim ela vai posando de imparcial.

O problema da nossa mídia, além da parcialidade, é o monopólio. É termos as mesmas empresas que controlam os principais jornais ocupando também a tv, o rádio, os canais fechados, cinema, revistas e livros.

Com esse poder, a mídia consegue manipular tudo.

A Lava Jato, por exemplo.

Trata-se de uma investigação importante, que pode nos ajudar muito a lutar contra uma corrupção que vem desde Pedro Alvares Cabral.

Mas a mídia, com seu pensamento fixo de envolver Dirceu, Lula e Dilma, com seu histerismo manipulativo, põe tudo a perder. Transforma tudo num circo de horrores que não gera resultado nenhum.

Youssef, por exemplo, foi, durante toda a sua vida, operador para o PSDB.

Conhece a fundo as histórias de lavagem de dinheiro, caixa 2 e sonegação fiscal de políticos tucanos e empresas que bancavam o partido.

Mas a mídia só quer saber do PT. E o Ministério Público, que deveria ser imparcial e evitar se imiscuir na vida política do país, acaba entrando no jogo das paixões partidárias.

É uma pena."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Conta na Suíça liga Youssef ao escândalo das propinas nos trens de São Paulo


Bombardier, fornecedora dos trens do monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô, é investigada por supostamente integrar cartel
"Na linha 15-Prata do Metrô está a estação Vila Prudente, listada na planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal, ao lado da cifra de R$ 7,9 milhões, suspeita de referir-se a propina

Helena Sthephanowitz, Blog da Helena / RBA 

A força-tarefa que investiga a Operação Lava Jato encontrou movimentações financeiras em nome da multinacional canadense Bombardier nas contas usadas pelo doleiro Alberto Youssef na Suíça. É mais uma peça no quebra-cabeças de indícios e provas que o Ministério Público paulista tem de montar sobre o esquema de corrupção no Metrô, chamado pomposamente de cartel pela imprensa tucana, onde empresas combinavam preços nas licitações e pagavam propinas a autoridades do governo tucano de São Paulo nas gestões de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

A Bombardier é fornecedora dos trens do monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô paulista e investigada por supostamente integrar o cartel. Nesta linha do Metrô está a estação Vila Prudente, listada na planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal, ao lado da cifra de R$ 7,9 milhões, suspeita de referir-se a propina.

A movimentação com o nome da multinacional canadense aparece na conta suíça do banco PKB, da empresa offshore Santa Tereza Services Limited Partnership, criada na Nova Zelândia e controlada por João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, preso desde julho de 2014 apontado como alto membro da suposta organização criminosa de Youssef.

“Apurou-se que dentro da conta da offshore Santa Tereza, na Suíça, há quatro subcontas (denominadas Fiança, C/C, Premier e Sanko), todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para as práticas delitivas. Assim, por exemplo, no extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que também aparentam ser relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupi (…)”, afirma o MPF em relatório.

O Ministério Público Federal, em um de seus ofícios da Lava Jato, definiu Almeida Prado como: “(...) de sua longa experiência no setor bancário e na área de câmbio, a função de João Procópio era, em síntese, ser o operador das contas de Youssef, sobretudo no exterior. Assim, era sua incumbência abrir as contas de empresas offshore no exterior, em seu próprio nome ou em nome de laranjas, bem como movimentá-las no interesse da organização criminosa”. 
De acordo com o MP, Prado enviou ao menos 78 milhões de dólares para o exterior por meio de 1.114 contratos fraudulentos intermediados por essas empresas.

Youssef é o segundo doleiro da Operação Lava Jato que aparece ligado ao escândalo das propinas nos trens paulistas. O outro, Raul Henrique Srour, movimentou dinheiro irregular da Siemens, também suspeito de tratar-se de intermediação de propinas, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, conforme outra investigação internacional feita pela Procuradoria de Luxemburgo.

A Bombardier afirmou em nota que "jamais manteve contato com a empresa Santa Tereza ou qualquer outra companhia pertencente ao Sr. Alberto Youssef".

Em 2013, a Bombardier Inc. realizou uma emissão de títulos para captação de recursos na forma de bonds, em uma operação absolutamente transparente e de acordo com a legislação financeira . Como a venda dos referidos títulos é intermediada por corretoras e instituições financeiras (como atestam os extratos do banco PKB), a empresa emissora não mantém contato direto com o comprador/beneficiário final.

O Ministério Público Estadual de São Paulo abriu investigação prévia dos fatos que apareceram recentemente durante a investigação federal da Lava Jato que apontam para crimes na esfera estadual. É possível que o órgão paulista chegasse aos mesmos fatos bem antes se tivesse dedicado mais atenção ao escândalo da Alstom e da Siemens, denunciado no exterior desde 2008. A cerimônia cheia de não me toques com que alguns procuradores paulistas tratam autoridades tucanas tem feito muito mal à proteção dos cofres públicos paulistas.

Mesmo depois de ter uma conta bloqueada na Suíça, e de ser acusado de receber propina da Alstom, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho, ex-companheiro do governador Alckmin no PSDB, continuou no cargo até recentemente aprovando as contas do governo tucano, inclusive relativas aos trens investigados. Se houvesse maior rigor dos procuradores e magistrados que cuidaram do caso, considerariam a recusa em se afastar deste cargo de controle enquanto investigado uma forma de colocar obstáculos às apurações, motivando até mesmo pedido de prisão preventiva."

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Advogado de Yousseff confirma armação de Veja



"O crime eleitoral cometido pela revista Veja, que pertence a Giancarlo Civita e é comandada pelo executivo Fábio Barbosa e pelo jornalista Eurípedes Alcântara (à dir.), foi confirmado, em reportagem desta quinta-feira, por reportagem do jornal ValorEconômico, pelo próprio advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef; reportagem diz que semana passada, Yousseff afirmou que "Lula e Dilma sabiam de tudo"; eis o que diz Figueiredo Basto: "Não houve depoimento no âmbito da delação premiada. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada"; caso está nas mãos de Teori Zavascki, ministro do STF, que pode obrigar Veja desta semana a circular com direito de resposta; atentado à democracia envergonha o jornalismo

Brasil 247


A situação da revista Veja e da Editora Abril, que atingiu o fundo do poço da credibilidade no último fim de semana, com a capa criminosa contra a presidente Dilma Rousseff, acusada sem provas pela publicação, pode se tornar ainda mais grave.
  
Reportagem do jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira, revela algo escandaloso: o "depoimento" do doleiro Alberto Yousseff que ancora a chamada "Eles sabiam de tudo", sobre Lula e Dilma, simplesmente não existiu.

Foi uma invenção de Veja, que atentou contra a democracia, tirou cerca de 3 milhões de votos da presidente Dilma Rousseff e, por pouco, não mudou o resultado da disputa presidencial, ferindo a soberania popular do eleitor brasileiro.

Quem afirma que o depoimento não existiu é ninguém menos que o advogado Antônio Figureido Basto, que representa o doleiro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", disse ele.

Basto também nega uma versão pró-Veja que começou a circular após as eleições – a de que Youssef teria feito um depoimento e depois retificado. Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.

Com isso, a situação de Veja torna-se delicadíssima. No fim de semana, a publicação passou por uma das maiores humilhações de sua história, ao ser obrigada a publicar um direito de resposta contra um candidato – no caso, a presidente Dilma Rousseff – em pleno dia de votação.

Agora, a revista pode ser condenada a circular neste próximo fim de semana com uma capa e páginas internas, também com direito de resposta. A decisão está nas mãos do ministro Teori Zavascki, que pode decidir monocraticamente – ou levar a questão a plenária.

Veja cometeu um atentado contra a democracia brasileira e este crime é apontado pelo próprio advogado do doleiro Youssef. Os responsáveis diretos são: Giancarlo Civita, controlador da Abril, Fábio Barbosa, presidente da empresa, e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação de Veja.

Abaixo, reportagem do Valor Econômico sobre o caso:

Advogado de Youssef nega participação em 'divulgação distorcida'
Por André Guilherme Vieira | De São Paulo
O advogado que representa Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, negou envolvimento na divulgação de informações que teriam sido prestadas pelo doleiro no âmbito da delação premiada, sobre o conhecimento de suposto esquema de corrupção na Petrobras pela presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida", afirmou ao Valor Pro. A informação de que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras foi divulgada na sexta-feira passada pela revista "Veja".

No mesmo dia, o superintendente da Polícia Federal (PF) no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, determinou abertura de inquérito para apurar "o acesso de terceiros" ao conteúdo do depoimento prestado por Youssef a delegados da PF e a procuradores da República.

"Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa", garante Basto, que já integrou o conselho da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). "Eu não tenho nenhuma relação com o PSDB. Me desliguei em 2002 do conselho da Sanepar [controlada pelo governo do Estado]. Não tenho vínculo partidário e nem pretendo ter. Nem com PSDB, nem com PT, nem com partido algum", afirma. O Paraná é governado por Beto Richa desde janeiro de 2011. Ele foi reconduzido ao cargo no primeiro turno da eleição deste ano.

A reportagem menciona que a declaração de Youssef teria ocorrido no dia 22 de outubro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", afirma, irritado, Basto. O advogado diz ser falsa a informação de que o depoimento teria ocorrido na quarta-feira para que fosse feito um "aditamento" ou retificação sobre o que o doleiro afirmara no dia anterior: "Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.

Iniciadas no final de setembro, as declarações de Youssef que compõem seu termo de delação premiada são acompanhadas pelo advogado Tracy Joseph Reinaldet dos Santos, que atua conjuntamente com Basto.

O Valor PRO apurou que o alvo principal da operação Lava-Jato disse em conversas informais com advogados e investigadores, que pessoalmente considerava "muito difícil" que o presidente da República não tivesse conhecimento de um esquema que desviaria bilhões de reais da Petrobras para abastecer caixa dois de partidos e favorecer empreiteiras.
"Todo mundo lá em cima sabia", teria dito o doleiro, sem, no entanto, citar nomes ou apresentarprovas.

O esquema de corrupção na diretoria de Abastecimento da Petrobras teria começado em 2005, segundo a investigação e o interrogatório à Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa. Era o segundo ano do primeiro mandato do então presidente Lula. Dilma foi nomeada ministra de Minas e Energia em 2003.

Segundo a versão de Costa à Justiça, Lula teria cedido à pressão partidária para nomeá-lo diretor da Petrobras, sob risco de ter a governabilidade ameaçada pelo trancamento da pauta do Congresso. "Mesmo que essa declaração do Paulo Roberto [Costa] seja fato e que a comprovemos nos autos, qual é o crime que existe nisso?", questiona um dos investigadores da Lava-Jato. "Uma coisa é a atividade política. Outra é eventual crime dela decorrente. Toda a delação de Costa e outras que venham a ocorrer serão submetidas ao crivo do inquérito policial e da devida investigação", esclarece.

A PF também instaurou inquérito para apurar supostos vazamentos da delação premiada de Costa.

Investigações sobre vazamentos podem resultar em processo penal. No dia 21 deste mês, o deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi condenado pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por violação de sigilo funcional qualificada. Queiroz, que é delegado da PF, foi responsabilizado por "vazar" informações da operação Satiagraha, deflagrada em São Paulo em 2008."

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A elite mal informada: réplica às fabulações de Monica de Bolle

Eduardo Fagnani (1) 
Os aplausos são do blogueiro
Este artigo é uma réplica ao texto de Monica Baumgarten de Bolle (“Mentira tem perna curta”), recentemente publicado na página 3 da Folha de São Paulo(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/189886-mentira-tem-perna-curta.shtml).

Acreditando nos “princípios, valores e missão” que orientam a redação deste jornal – onde se lê, por exemplo, “defesa da liberdade de expressão, independência, espírito crítico, pluralismo e apartidarismo” –, submeti esta réplica aos crivos da Coordenação de Artigos e Eventos da Folha de São Paulo. “infelizmente, não nos será possível publicá-lo, diante da nossa disponibilidade limitada de espaço”, foi a resposta recebida.

Para não privar os leitores desta modesta contribuição ao debate democrático de ideias, num momento crucial em que dois projetos antagônicos para o país estão em disputa, resolvi publica-lo neste espaço.

As fabulações da diretora da Casa das Garças, em seu contorcionismo para defender a indefensável política econômica e social do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), inicia-se com a afirmação: “há quem ache que mentira repetida à exaustão torna-se verdade absoluta”.

De forma correta, afirma que nos anos 1990, o país fez o Plano Real, que levou a inflação de “inacreditáveis 900% ao ano para um dígito”. Mas, essa é apenas uma das faces da verdade. A outra, omitida, são os abissais custos econômicos e sociais implícitos no referido programa de estabilização.

Na época, a opção passiva pelo modelo liberal era justificada pela convicção de que “There Is no Alternative”. O Estado nacional foi demolido em consequência das privatizações e do endividamento crescente. A abertura comercial e a valorização do câmbio destruíram a indústria e desequilibraram as contas externas. A saída foi privatizar o patrimônio público e atrair o capital financeiro especulativo e volátil para acumular reservas cambiais. Para isso também elevaram os juros básicos da economia para patamares obscenos (superior a 40% ao ano em alguns momentos), ampliando o regozijo dos donos da riqueza que detêm os títulos públicos indexados à taxa Selic.

Os gastos com juros chegaram a patamares superiores a 8% do PIB (hoje está em torno de 4,5%) em alguns anos. Para o leitor ter uma ideia da inviabilidade de qualquer política social, observe-se, por exemplo, que isso representa quase 10 vezes mais que os gastos federais realizados pelo governo federal em saneamento ao longo dos oito anos dos governos de FHC.

Entre 1996 e 2003, a participação do gasto social federal na despesa total do governo central declinou dez pontos percentuais (de 60 para 50%), enquanto a participação das despesas financeiras cresceu 16 pontos (de 17 para 33%).

A dívida pública líquida dobrou em oito anos (de 30 para 60% do PIB). O aumento das despesas com juros motivou elevação da carga tributária (de 27% para 32% do PIB, entre 1995 e 2002). Sim, a carga tributária sobe significativamente na gestão FHC e não na gestão do PT, como se quer fazer crer.

Políticas econômicas e sociais são faces da mesma moeda. É fabulação pretender que “nos anos 1990, o Brasil instituiu os programas sociais que, junto da estabilização macroeconômica, começaram a tirar milhões de pessoas da miséria”. É verdade que com a estabilização monetária, entre 1994 e 1995, a pobreza extrema caiu de 13,6% para 9,3% da população total. Mas o contorcionismo tucano não informa que a taxa de pobreza permaneceu próximo desse patamar até 2002. Em 2013 chegou a 3,6%, quase três vezes menor que a herança da “social democracia” democrata-tucana.

Para a doutrina neoliberal, a “política social” se restringe aos programas focalizados nos “pobres”, pois são baratos (0,5% do PIB) e, portanto, funcionais para o ajuste macroeconômico. A busca do “bem-estar” social prescinde da geração de emprego, valorização do salário mínimo e políticas sociais que assegurem direitos na direção de uma sociedade homogênea.

Adepta desta visão, a diretora da Casa das Garças não menciona a destruição de 1,2 milhões de empregos formais entre 1995 e 1999. Ou ainda que, durante os governos de FHC, a taxa de desemprego subiu de 8,4 para 12,3%; a participação dos salários no PIB declinou de 35,2 para 31,4%; e a renda domiciliar per capita, a desigualdade social e o PIB real per capita ficaram estagnados.

Também não há menção aos retrocessos impostos nos direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários, para citar dois exemplos. Nesse último caso, para abater os ditos “vagabundos”, o Brasil passou a ser o campeão mundial no quesito severidade das regras de acesso da previdência social.

“E a história de o país ter quebrado três vezes?” Sua leitura é dissimulada e maledicente. Em 2001, quando a campanha eleitoral apenas engatinhava, culpa o “efeito Lula” pela quebradeira. Mas mentira tem perna curta. Basta ver que o chamado “Risco Brasil” durante os governos FHC foi sempre superior a 523 pontos, atingindo 1248 e 1445 pontos em 1998 e 2001. Em 2003 caiu para 468 e hoje está em torno de 201. Fica a pergunta: quando um país pede socorro ao FMI, o que significa? Que navega em céu de brigadeiro ou que quebrou? O leitor que julgue.

Finalmente, a autora afirma haver “quem subestime a capacidade de reflexão das pessoas” e faz “troça da inteligência alheia”. E sentencia: “o Brasil verdadeiro sabe pensar por si”. Embora não seja ponto pacífico dentre as lideranças do PSDB, nesse ponto concordamos. E foi o que fez o Brasil nos últimos anos.

(1) – Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT/IE-UNICAMP).

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Marina continua enganando os trouxas


 Aldir Blanc 

O Jeová no DVD? 
Na ONU, a presidente Dilma foi contra o bombardeio indiscriminado do tal Estado Islâmico, que ninguém sabe direito onde fica. Obama criticou a “indiferença” com que assassinos são tratados. Quer falar sobre assassinos, Obananamole? O mundo viu em, estado de choque, aviões implodirem as Torres. Milhares de mortos numa ação terrorista. Sem dúvida, um assassinato em massa terrível. Em resposta, os EUA e aliados invadiram, com as bênçãos de Cristo e falsos motivos, o Iraque e mataram milhares e milhares de inocentes. Casamentos eram pulverizados, festas de aniversário, idem. Seguia-se o cínico pedido de desculpas. O Afeganistão foi tão bombardeado que montanhas inteiras sumiram do mapa. Resultado: voltou a cultura do ópio, com um gatuno como chefe de governo. Sem contar os trágicos mortos por fogo amigo. O capanga dos EUA, Israel, massacrou crianças refugiadas em escolas na Faixa de Gaza. A CIA patrocinou um golpe no Egito — país onde os EUA têm prisões clandestinas para torturar. Todos os opositores do golpe militar, muito bem pago, foram sentenciados em bloco à morte. Em 2008, na maior fraude já vista, Wall Street quebrou o mundo! Quantas vítimas fatais fizeram em toda a Terra, por desespero, doenças cardíacas, depressões, suicídios, fome etc? Como avaliar o número de vítimas? Tropas especiais assassinaram Osama por vingança. Eu pergunto: os que perderam parentes e amigos na roubalheira podem matar safados do Lehman, Bear Sterns, Merrill, Sachs sem fundos, AIG and so on? Os que tiveram suas vidas destruídas têm esse direito? Quando Obamascarado venceu pela primeira vez, Gore Vidal disse: “Vocês estão loucos? Não vai mudar nada!” Na mosca!

Aqui na Brasunda, um avião também explodiu. Há quem diga que foi sabotado pela CIA, Mossad, a poderosa empresa transacional Testemunhas de Jeová e outros interessados. Das cinzas, surgiu a Fênix Redentora, Marina d’Arc, com a Bíblia na mão, e o apoio financeiro de Nhá Neca Setúbal. Houve, digamos, um fenômeno carismático (Hitler também tinha carisma). E o corpus mysticum de Marina entrou em levitação. Até que foi descoberto o seguinte: o avião que matou, por ação da Providência Divina (?), o governador Campos estava boladão. Tinha empresas por trás com mais fantasmas que castelo inglês. Os documentos da aeronave sumiram, a caixa-preta pifou, e todos mentiram sobre isso: Campos, a cúpula do PSB e Marina. Campos parou de mentir por motivo de força maior. Marina continua enganando os trouxas. Disse que governará racionalmente, que a Bíblia é só inspiração. O que a inspira? A Matança dos Inocentes? Um pai que sacrificaria o filho porque o Velho é um Deus ciumento? O absurdo e cruel sofrimento imposto a Jó? Os incestos e traições? Arcanjos da SS de lança-chamas queimando os alegres moradores de Sodoma e Gomorra, que tinham direito à sexualidade que quisessem?

Na trilha do clássico de Chico Buarque, afastem do povo brasileiro essa bíblia arcaica, cheia de dólares e mentiras. 

* Aldir Blanc é compositor 
vi no: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2014/10/marina-continua-enganando-os-trouxas.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Saúde pública no estado de São Paulo segue na mira de interesses particulares


Pacientes aguardam atendimento em corredor do Hospital das Clínicas, em São Paulo
"Na unidade mais rica da federação, aids e mortalidade infantil são alguns dos sintomas de falta de investimentos e privatização da gestão, que agora ameaça hospital-escola, outrora referência

Cida de Oliveira e Sarah Fernandes, da RBA 

Uma nova luz amarela se acendeu na saúde pública de São Paulo, marcada por diversas tentativas de privatização dos serviços básicos ao longo de duas décadas de administração do PSDB. Depois de quase 20 anos sem entrar em greve, médicos e funcionários do Hospital Universitário (HU) da USP paralisaram suas atividades em 18 de junho contra problemas na estrutura física, ambulatórios inadequados e superlotação. O movimento se juntou ao de trabalhadores, professores e estudantes da universidade, parados desde 27 de maio devido à proposta de reajuste zero do reitor Marco Antonio Zago, que argumenta não ter dinheiro para reajustar os salários.

Criado para formar médicos na graduação e na residência, o HU absorveu o atendimento relativo ao ensino das áreas básicas do curso de medicina da USP, antes mantido pelo Hospital das Clínicas, que ficou com a especialização médica. De hospital-escola, foi transformado em mais um hospital sobrecarregado.

Além de toda a comunidade universitária, atende à população do subdistrito do Butantã, estimada em 500 mil habitantes. Hospital de referência da região oeste da capital paulista, só em 2013 prestou 282 mil atendimentos de emergência e 13 mil internações. A cada mês foram feitas ali 12 mil consultas ambulatoriais, 400 cirurgias, 3.543 partos, 140 mil exames de imagem e 965 mil exames laboratoriais. Para tudo isso, recebe 8% da verba destinada à USP, embora em 2013 tenha recebido 7,9%.

Em meio à chamada crise orçamentária, em agosto, o Conselho Universitário da USP (CO) aprovou, na surdina, a desvinculação do HU, transferindo-o para a Secretaria Estadual de Saúde. A proposta desagradou toda a comunidade.

Conforme posicionamento oficial, a Associação dos Médicos Residentes da USP (Amerusp) entende que a ideia impõe o risco de sucateamento já observado em outros hospitais universitários, além de excluí-lo do contexto acadêmico. Por isso, pediu que o Conselho Universitário refletisse mais antes de qualquer decisão. Para a Associação dos Docentes (Adusp), a história precisa ser melhor contada.

Em debate na Faculdade de Medicina, no final de agosto, o presidente da Adusp, Ciro Correia, conjecturou que a economia será muito pequena com a transferência, já que os funcionários continuarão vinculados à universidade. O orçamento do HU gira em torno de R$ 370 milhões, dos quais R$ 270 milhões para a folha de pagamento. “Tem que haver algo que não está explicitado nessa proposta e talvez seja isso, não poder explicitar o que está atrás, que faz com que ela tenha que ser aprovada a toque de caixa, de qualquer jeito, porque se for discutir direito talvez apareça a verdadeira razão”, sugeriu.

O que pesa entre a comunidade é a desconfiança – e o temor – de um intuito privatizante na proposta, com a incorporação da gestão por fundações de apoio ou OSs, como tem sido comum nos hospitais estaduais. A forte pressão levou o Conselho Universitário a adiar a decisão.

Insistência

Traço marcante do governo tucano de São Paulo, encabeçado por Geraldo Alckmin (PSDB), a gestão de hospitais e serviços de saúde pelas Organizações Sociais (OSs) é criticada porque não tem melhorado a qualidade da saúde oferecida à população e está envolva em suspeitas e escândalos.

No começo de julho, a Justiça paulista suspendeu o contrato de administração do hospital para dependentes químicos, na região da cracolândia, na capital, que seria gerido pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), uma das mais envolvidas em suspeitas, que é comandada pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira. A entidade já teria recebido R$ 7 milhões do estado.

O juiz Valentino Aparecido de Andrade entendeu que o governo feriu o "princípio da impessoalidade" na administração pública, uma vez que Laranjeira coordena o programa estadual Recomeço, voltado a dependentes de crack, e presidiria o conselho administrativo do hospital.

TJ negou decreto assinado por Alckmin que destinava 25% dos leitos de hospitais públicos para planos de saúde
Em dezembro passado, o núcleo Sorocaba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, indiciou 61 pessoas envolvidas em irregularidades praticadas pelo Sistema de Assistência Social e Saúde (SAS) e pelo Instituto SAS na gestão do  hospital estadual de Itapetininga, a 170 quilômetros da capital. O esquema teria desviado R$ 7,5 milhões apenas no Hospital Regional de Itapetininga, conforme os promotores.

A quadrilha se apropriava de recursos públicos destinados à área da saúde a partir da ação de lobistas, ao financiamento de campanhas de agentes políticos e ao pagamento de propina a funcionários públicos para direcionar contratos fraudulentos ao SAS.

O dinheiro seria desviado para os integrantes da quadrilha por meio de pagamento de notas fiscais “frias” ou superfaturadas, emitidas contra o SAS por empresas, na maioria das vezes registradas em nome dos integrantes do bando ou de seus parentes.

Em 2012, as unidades de saúde administradas diretamente pelo próprio estado receberam recursos da ordem de R$ 5,1 bilhões, e as OSs, de R$ 4,6 bilhões. O que chama a atenção é que entre 2008 e 2012 os recursos repassados a essas entidades aumentaram 268%, conforme aponta o deputado Gerson Bittencourt (PT), que analisou relatórios dessas entidades, a maioria deles com informações incompletas e sem comprovantes. Foi detectado rombo financeiro em 12 dos 23 hospitais geridos por essas entidades no estado.

Bittencourt e outros integrantes da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa questionam ainda o montante a ser investido em parcerias público-privadas (PPP). Recentemente, o governo paulista firmou contrato com a Construcap para as obras do Hospital de Sorocaba (250 leitos), do Hospital da Mulher (218 leitos) e do Hospital de São José dos Campos (158 leitos), no valor de R$ 772 milhões.

Outra parceria em andamento é para instalar centros de assistência farmacêutica, infraestrutura para distribuição, além de gerenciar, transportar e rastrear medicamentos – a chamada PPP da logística de medicamentos. O valor estimado é de R$ 188 milhões.

Venda de leitos

A intimidade entre o público e o privado, tão enraizada em São Paulo, poderia ter trazido prejuízos ainda maiores à saúde pública. Em maio de 2012, por unanimidade, o Tribunal de Justiça paulista negou, em caráter liminar, a destinação de 25% dos leitos de hospitais públicos para atendimento de pacientes particulares ou para beneficiários de planos de saúde.

A decisão, ainda mantida, refere-se a uma ação civil pública do MP paulista para suspender os efeitos do Decreto 57.108, assinado por Geraldo Alckmin, em julho de 2011, autorizando as OSs a reservarem 25% dos leitos dos hospitais estaduais que gerenciam para os clientes dos planos de saúde, cobrando o ressarcimento diretamente das operadoras de convênios.

Sem paralelo no Brasil, a lei cria um problema gravíssimo no estado ao tirar 25% dos leitos dos grandes hospitais públicos estaduais, aumentando a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) em 25%, e entregá-los aos planos privados, que não entraram com um tostão para melhorar ou equipar esses hospitais, declarou na época o promotor de Justiça Arthur Pinto Filho, de Direitos Humanos da Área de Saúde Pública.

Considerada inconstitucional pelo MP, a lei cria a chamada dupla porta, na qual os usuários de planos particulares têm privilégios na fila em relação aos pacientes do SUS. Alckmin até recorreu da decisão, mas o TJ negou.

A proposta chegou a ser criticada pelo Conselho Nacional de Saúde, que pediu à Justiça de São Paulo que a considerasse ilegal. O conselho entende que a lei favorece a prática de dupla porta de entrada, “selecionando beneficiários de planos e saúde privados para atendimento nos hospitais públicos, promovendo, assim, a institucionalização da atenção diferenciada com preferência na marcação e no agendamento de consultas, exames e internação e melhor conforto de hotelaria”.

Santas Casas

Outro golpe da gestão da saúde paulista contra a população veio no dia 22 de julho, quando a Santa Casa de São Paulo suspendeu o atendimento de emergências e urgências e, no dia seguinte, exames e cirurgias eletivas.
A direção da entidade alegou que a dívida total do hospital superava R$ 300 milhões. Só os débitos com fornecedores, que levaram ao fechamento do pronto-socorro, eram de R$ 50 milhões. O atendimento só foi retomado dois dias depois, após o secretário estadual da Saúde, David Uip, anunciar a liberação imediata de R$ 3 milhões e uma auditoria nas contas da entidade.
Na ocasião, o Ministério da Saúde solicitou informações à Secretaria Estadual de Saúde. Verificou que, em 2013, não chegaram ao hospital os R$ 54,1 milhões de recursos federais. Em 2014, o montante que deveria ter sido repassado chega a R$ 20,6 milhões.

"São R$ 291.390.567,11 transferidos pelo Ministério da Saúde e R$ 237.265.012 recebidos pela Santa Casa de recursos federais, em 2013. Em 2014, os valores são R$ 126.375.127 e R$ 105.761.932, respectivamente", aponta o ministério em nota. Assim, o governo Alckmin deixou de transferir para o hospital R$ 74,7 milhões desde o ano passado.

Governo Alckmin deixou de transferir R$ 74,7 milhões para a Santa Casa da capital desde 2013
O fechamento ocorreu no início da campanha eleitoral, o que acabou criando um embate entre os governos estadual e federal. O candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Alexandre Padilha, que deixou este ano o Ministério da Saúde, acusou a gestão Alckmin de represar recursos da União. "Se a Santa Casa fechou a porta é porque tem dinheiro que foi repassado pelo Ministério da Saúde e está no governo do estado. Não chegou. O governador tem que explicar."

A Santa Casa é um hospital filantrópico privado que atende a 8 mil pessoas por dia. Os recursos vêm de doações e do poder público, que paga por atendimento feito pelo SUS. A entidade é um dos 762 hospitais filantrópicos do país que tiveram os valores da tabela do Sistema Único de Saúde dobrados, segundo o ministério. Isso porque foi criada uma política de incentivo pela qualidade que paga a mais pelos procedimentos realizados com menos tempo de espera e de forma mais humanizada.

A Santa Casa de São Paulo não se pronunciou sobre a crise. Segundo a última nota divulgada pela instituição, em 25 julho, a Secretaria de Estado da Saúde montou uma comissão para analisar as contas da instituição e até a divulgação dos resultados não irá se pronunciar publicamente.

Em 2012, o governo federal repassou às Santas Casas dos municípios paulistas R$ 3,07 bilhões. O governo estadual repassou R$ 540 milhões.
Em dezembro de 2013, o Ministério da Saúde liberou R$ 1,6 bilhão para 762 Santas Casas e entidades filantrópicas de 604 cidades em 23 estados. Do total, R$ 400,6 milhões foram liberados em três parcelas de R$ 133,5 milhões. Com a medida, o Ministério da Saúde elevou o valor mínimo do incentivo pago aos estabelecimentos filantrópicos, que passou de 26% do valor dos procedimentos de média complexidade para 50%.

O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti, afirmou que a situação das santas casas no país é de crise. “Temos 2.100 santas casas e hospitais filantrópicos e pelo menos 80% estão em uma condição financeira muito difícil.”

Na última semana, a federação entregou uma carta ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, solicitando reajuste da tabela de procedimentos. “O governo federal repassa incentivos para 800 hospitais, mas temos 2.100”, diz. “Em São Paulo, a situação é um pouco melhor porque o governo estadual faz um aporte de recursos financeiros para cumprir a tabela SUS. Em 2014, ele vai colocar R$ 568 milhões. Porém, o benefício atende apenas a 128 instituições e temos 400 no estado.”

No final do ano passado, com toda pompa, o Estado Alckmin anunciou um programa de auxílio às santas casas e hospitais filantrópicos, com investimentos da ordem de R$ 535 milhões em 117 entidades. Na época, Alckmin anunciou que o valor era duas vezes maior que o valor previsto originalmente. Só a Santa Casa de São Paulo receberias R$ 4,33 milhões.O andamento do programa, porém, não foi informado pelo estado à reportagem.

Escassez de recursos

Os repasses estaduais, quando chegam, muitas vezes são escassos em muitas prefeituras. No último dia 5, em audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal de São Paulo para debater o financiamento da saúde no país, prefeitos fizeram fila para reclamar que, como recebem poucos recursos estaduais, chegam a comprometer 30% da receita própria, quando a lei manda colocar 15%, no mínimo.

Em 2013, Santos, na Baixada Santista, recebeu R$ 127.853.551,07 do governo federal. Do estado veio um valor 58 vezes menor: R$ 2.226.345,03. Segundo demonstrativo financeiro, o Fundo Municipal de Saúde contou ainda com R$ 243.883.230,65 de recursos próprios e R$ 4.107.998,87 vindos de outras fontes.


O saldo explica, em grande parte, a situação de saúde do município, em desvantagem em relação a muitos outros. De acordo com a Comissão Permanente de Saúde e Higiene da Câmara Municipal de Santos, presidida pelo médico e vereador Evaldo Stanislau (PT), há anos a população santista é a mais vulnerável à aids em todo o estado. Em 2009, a incidência da doença, por 100 mil habitantes, era de 58 casos, enquanto a média estadual era 15, e a nacional, de 14. Em 2011, a taxa até que caiu, mas continuou alta na comparação: 32 na cidade, contra 13 no estado e 12 em todo o Brasil.

Santos tem ainda taxa de mortalidade infantil um pouco acima da média estadual: 12 óbitos para cada mil nascidos vivos, quando a média paulista é de 11,48. A Baixada Santista concentra desde 2000 os maiores índices no estado conforme um levantamento da Fundação Seade. Em 2012, o índice regional era de 15,65 por mil nascidos vivos.

Em seguida, vem a região de Sorocaba, com 12,70. Já os melhores índices são da região de Franca, com 8,17, e São José do Rio Preto, com 9,29 – semelhantes aos da Europa, com apenas um dígito, conforme a Secretaria Estadual de Saúde. A média nacional no mesmo período é de 13.

Entre as principais causas estão problemas durante a gravidez, no parto ou no primeiro mês de vida – as chamadas causas perinatais – e as malformações congênitas. Ambas correspondem a praticamente 80% dos óbitos. Em menor proporção aparecem as doenças respiratórias, infecciosas e parasitárias.


Promessas

A situação da saúde em São Paulo tende a continuar no mesmo estado. Ou quem sabe até se complicar. De acordo com programa de governo de Geraldo Alckmin, o estado está crescendo e vai crescer de forma acelerada. "Mas para isso vamos ter de fazer melhor o que já fazemos bem. Temos as melhores universidades, os melhores institutos de pesquisa, a mais ampla rede de ensino técnico e tecnológico do país, as empresas mais inovadoras do país."

Ainda segundo o documento registrado na Justiça Eleitoral, os institutos de tecnologia, a começar pelo IPT, pelo Butantan e pelo Agronômico, "também irão complementar a tarefa dos parques tecnológicos, com laboratórios e serviços que estimulem a pesquisa e o desenvolvimento do setor privado, que sejam um instrumento de maior competitividade e uma garantia de empresas mais inovadoras".

O Instituto Butantan, em franco processo de sucateamento, é orgulho da gestão tucana. No campo da saúde, segundo o programa de governo, os últimos anos foram balizados por grandes conquistas: "Redução da taxa de mortalidade infantil, aumento da esperança de vida ao nascer, aumento da sobrevida de pacientes com aids e hepatite C, consolidação do Instituto Butantan como um dos maiores centros de pesquisas biomédicas do mundo, ampliação da Furp, criação de uma rede inédita de telemedicina, entre outras importantes marcas".

O candidato Paulo Skaf (PMDB) pretende implementar o sistema integrado de controle da oferta de serviços de saúde, o prontuário eletrônico do paciente (PEP), instalar a central de agendamento de consultas, instalar sistema de aviso de consulta e exames por telefone e/ou SMS, construir novos hospitais e ambulatórios médicos de especialidades (AMEs), para aumentar a oferta de serviços nas regiões menos atendidas, podendo ser concretizados por meio de parcerias público-privadas.

Pretende ainda criar mecanismos de articulação dos serviços municipais e estadual, buscando eficiência e efetividade na prestação dos serviços de saúde, incrementar o alcance do Programa Saúde da Família, valorizar a carreira do profissional da área, ampliar a distribuição de medicamentos e melhorar os programas existentes voltados para públicos específicos, como jovens, adolescentes e idosos.

Terceiro lugar nas pesquisas, Alexandre Padilha (PT) pretende fomentar a produção de medicamentos e concentrar a inovação por meio de articulação dos setores público, privado e acadêmico. Ele afirma que a pujança econômica de São Paulo precisa ser acompanhada da transformação do estado no melhor lugar para se viver. Isso passa pela diminuição da desigualdade de renda, pela erradicação da miséria e pela redução da pobreza, temas nos quais o fortalecimento do SUS aparece diluído."

sábado, 6 de setembro de 2014

Qual vai ser o impacto das acusações de Costa nas eleições?


Paulo Roberto Costa
DCM

Quanto as acusações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pesarão nas eleições?

Preso por corrupção, Costa acusou um número incerto de políticos – as especulações variam entre 32 e mais de 60 — de receber propinas em obras da Petrobras nos tempos em que ele foi diretor de abastecimento.

Ele decidiu fazer a chamada “delação premiada”, para reduzir substancialmente uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão.

Costa é uma amostra do preço das coligações pela governabilidade. Ele foi indicado para o cargo de diretor da Petrobras pelo PP, o partido de Maluf.

Ele já está na capa da Veja, conforme se poderia prever, com estardalhaço.

A Veja, em seu site, promete revelar os nomes de sua lista na edição que circula amanhã.

É provável que jornais e revistas se atirem sobre o caso com fúria, na esperança de minar a candidatura de Dilma.

A apatia da imprensa em escândalos como o do helicóptero dos Perrellas e o do aeroporto de Cláudio, para não falar das propinas do metrô de São Paulo, tende a se substituir por uma entusiasmo frenético na cobertura da delação de Costa.

Cuidados jornalísticos elementares serão ignorados. Já estão sendo, aliás. Em alguns sites, a palavra de Costa é tomada como a última expressão da verdade, muito antes de qualquer investigação.

Torça para não estar na relação, porque você não seria acusado, mas culpado antecipadamente.

Minha convicção é que o impacto das acusações nas eleições será menor, bem menor, do que gostariam os antipetistas.

A indignação, real ou fingida, vai atingir os que chamam os petistas de petralhas. São os eleitores de Aécio, no primeiro turno, e de Marina, no segundo.

Eles votariam em qualquer coisa para tirar o PT do poder. Detestam o lulipetismo, o bolivarianismo, o dilmismo – em suma, qualquer coisa que remeta ao PT.

Eles não precisam das acusações de Paulo Roberto Costa, ou de quem quer que seja, para militar e votar contra os “petralhas”.

Do outro lado, quem está com Dilma dificilmente se movimentará para outro candidato.

Há uma justa desconfiança das intenções por trás de denúncias de corrupção.

Ao longo da história recente, escândalos – muitas vezes simplesmente inventados, e outras tantas brutalmente ampliados – foram a arma da mídia para desestabilizar governos populares.

De Getúlio a Jango, de Lula a Dilma, tem sido sempre a mesma história.

As delações de Costa devem ser apuradas, e os culpados punidos. Ponto.

Mas daí a manipular o público para favorecer os privilegiados de sempre vai uma longa distância.

O povo parece ter percebido isso, nos últimos anos, e eis uma avanço de consciência que deve ser saudado."

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Última forma: Estadão afirma que PSB continua sonegando o jatinho



Fernando Brito, Tijolaço  

Bem que estava estranha a matéria capenga de O Globo dizendo que o jatinho que servia Eduardo Campos e Marina Silva – e que virou a campanha presidencial – havia sido, finalmente, declarado à Justiça Eleitoral.

Não foi, confirma o Estadão.

“Sobre o jatinho Cessna Citation, Margarido (Bazileu Margarido, homem das finanças de Marina Silva), afirmou que ainda precisa de algumas informações para declará-lo e que a aeronave aparecerá na próxima prestação de contas. 

Antes, o PSB dizia que o jato já apareceria nesta prestação de contas. O partido solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) as horas voadas e, com esse dado, será possível calcular o valor estimado do serviço. 

“Dependemos desta informação da Anac”, disse Margarido ao Broadcast Político. Os advogados do PSB também vão anexar os documentos declarando a aeronave como doação.”

Algumas informações?

De que tipo?

De quem era o avião?

Por que e com que instrumentos cedeu-o a Eduardo e Marina em maio deste ano?

Quem pagava o combustível, os pilotos, as taxas aeroportuárias, os hangares e a manutenção?

Como é que o PSB vai estimar “o custo dos serviços”  quando a Anac informar as horas voadas pelo aparelho. Que serviços? Sob a administração de quem o avião estava?

Tudo indica que não se conseguiu montar, até agora,  versões e documentos que dêem a mínima sustentação a algo que todos estão a ver que é uma farsa.

Mas a transparência da “nova política” vai resolver tudo e apresentar as explicações, garantem os dirigentes da candidatura Marina Silva, embora em 20 dias não tenham mostrado coisa alguma.

Depois da eleição, quem sabe?

A Justiça Eleitoral está sendo abertamente desafiada pela cúpula do PSB-Marina. Laranjas, papéis apócrifos e desculpas esfarrapadas foi tudo o que se viu até agora sobre este jato fantasma.

A eleição voa nas asas de uma fraude contra a boa-fé dos brasileiros."

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Estadão confirma notícia do Tijolaço: Campos usou outro avião de Apolo


Fernando Brito, Tijolaço 

"A teimosia dos fatos é a grande inimiga da mentira.
Hoje,  em boa e segura reportagem no Estadão, o repórter Ricardo Brant apurou que, de fato, houve um segundo jato cedido pela Bandeirantes Companhia de Pneus, aparentemente de propriedade de Apolo Vieira (leia aqui sobre ele), servindo à campanha de Eduardo Campos, como este blog publicou na sexta-feira.

A figura de Apolo vai se tornando, cada vez mais, central neste episódio.
Leia a matéria de Brandt, publicada hoje na página A-4 do Estadão, que está repercutindo em vários dos grandes portais de notícias:

Campos usou outro jatinho de empresário investigado pela PF


Ricardo Brandt


Em maio, então candidato do PSB viajou em aeronave comprada por Apolo Vieira,envolvido em negócio do avião que caiu em Santos
Uma das empresas investigadas na compra do jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, e outras seis pessoas, a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. tem em seu nome outra aeronave que, em maio, foi usada pelo ex-governador de Pernambuco durante visita de pré-campanha na Bahia.

Trata-se do Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana. Em fotografia retirada pela imprensa durante sua chegada é possível ver a aeronave.

Mais modesto que o Citation 560 XLS, o avião biorreator usado pelo candidato naquele dia está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco, e pertence a Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa
não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee.

Apolo Santa Vieira é um dos três empresários pernambucanos investigados pela Polícia Federal como supostos laranjas na negociação de arrendamento do Citation, que caiu em Santos (SP), no dia 13. A aeronave está em nome da AF Andrade, que está em recuperação judicial. Em maio, o empresário pernambucano João Carlos Lyra de Melo Filho assinou compromisso de compra da aeronave e indicou as empresas Bandeirantes e BR Par para assumir dívidas junto à Cesnna.

Agentes da PF, com auxílio da Receita Federal, tentam identificar de onde veio o dinheiro para a Bandeirantes Pneus, uma importadora e recuperadora de pneus, comprar o Learjet e o Citation.

Por meio de nota, a empresa informou que tentou assumir o leasing do Citation (que vale US$ 8,5 milhões), mas que a compra não se efetivou. A AF Andrade informou que já havia recebido parte das parcelas.

Apolo Viera é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de R$ 100 milhões aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, e outras, recorrem em segunda instância.

A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE) e funciona em um galpão de médio porte. O Estado localizou uma movimentação de importação financiada registrada pelo Banco Central, em dezembro de 2010, de US$ 1,4 milhão, via banco Ilhas Cayman e Banco Safra."