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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O PSDB não foi o fiel escudeiro de Temer, mas seu contratador e avalista

 Via Sakamoto


Leonardo Sakamoto


Foto: Ueslei Marcelino/Reuters


Por mais que a campanha do ex-governador Geraldo Alckmin queira ficar a uma distância segura da impopularidade radiante do presidente Michel Temer, o passado de seu partido o condena.

Levantamento de Bernardo Caram, da Folha de S.Paulo, publicado nesta segunda (21), confirma o que já foi dito neste blog. Nas votações tidas como prioritárias pelo governo no Congresso Nacional, o PSDB foi – em média – o partido mais fiel a Temer, com 83,5% dos votos favoráveis, seguido pelo DEM, com 80,7%, e pelo próprio MDB do presidente, com 78,9%.

A fidelidade certamente não é por conta do amor aos poemas de ''Anônima Intimidade'', escrito pelo ocupante do Palácio do Planalto, mas por ele ter sido a pessoa certa na hora certa. Mais do que apenas uma birra do candidato derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves, os líderes tucanos queriam aproveitar a janela de oportunidade que se abriria com a retirada forçada de Dilma Rousseff para aprovar reformas liberalizantes – que seriam rechaçadas pela população se apresentadas em um processo eleitoral.

Tanto que o PSDB participou ativamente do seu governo e apenas desembarcou por oportunismo quando o calendário eleitoral se aproximou. E, mesmo fora, continua dentro, prometendo os votos necessários para a pauta do partido.

Reformas que aproveitariam o momento de crise econômica para diminuir o peso do Estado na redução das desigualdades sociais e na erradicação da pobreza, priorizando o desenvolvimento econômico. Entre elas, estão a PEC do Teto dos Gastos (que limitou, por 20 anos, investimentos em áreas como educação e saúde), a Lei da Terceirização Ampla e a Reforma Trabalhista. Essa redução de garantias dos direitos sociais desequilibrou ainda mais a balança entre os objetivos fundamentais da República, presentes no artigo 3o da Constituição Federal.

O problema não é a atualização de regras sobre o contrato de compra e venda da força de trabalho no Brasil, que precisa de simplificação e racionalização ou mesmo adaptação à revolução digital. Muito menos adotar novas regras para o INSS e para a previdência pública de forma a garantir estabilidade futura ao sistema e redução de injustiças. A tragédia é como isso foi feito, imposto de forma violenta e antidemocrática, sem debates com a população e beneficiando o grande capital em detrimento ao trabalhador e pequeno empregador.

A entrega foi tão absurda que o Senado Federal abriu mão de seu papel de casa revisora e deixou a Reforma Trabalhista vir da Câmara dos Deputados e seguir para a sanção presidencial sem alterações, sob a promessa de que Temer editaria uma Medida Provisória que corrigiria alguns pontos. Seis meses depois, a MP caducou por desinteresse e ficou por isso mesmo.

Com a corda no pescoço da Lava Jato, Michel Temer dependia do apoio do PSDB e do empresariado que o partido representa para chegar e permanecer no poder. E sabia que sua melhor chance era mostrar-se capaz de entregar essas encomendas corporativas, uma vez que não havia consenso quanto a outra pessoa que pudesse o substitui-lo para executar a tarefa no curto prazo.

A manutenção de Michel Temer e de seu grupo político no poder teve um preço alto à nação. Tanto no processo de aprovação das referidas reformas, quando nas votações para salvar o seu pescoço nas duas denúncias criminais encaminhadas pelo Supremo Tribunal Federal para análise dos deputados federais. Um mercado de votos foi estabelecido – e o pagamento feito com recursos públicos na forma de dívidas perdoadas e impostos reduzidos. Dinheiro que deveria ter sido usado para reduzir o impacto da crise na vida dos mais pobres.

E o governo mentiu ao prometer que, em pouco tempo, o impacto das reformas se faria sentir no emprego. A maior prova disso são as cerca de 4,6 milhões de pessoas que desistiram de procurar serviço no primeiro trimestre deste ano por desalento. Esses contingente está fora da força de trabalho por não acreditar que exista oportunidade ou espaço para no mercado, não contar com experiência ou qualificação, ser considerado muito jovem ou muito idoso, não encontrar serviço no local de residência ou não ter conseguido trabalho adequado.

No último trimestre do ano passado, o número era de 4,3 milhões, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2017 foi de 13,7% e a do mesmo período deste ano, 13,1%. O governo Michel Temer diz que o desemprego caiu. Mas esses números mostram que isso só aconteceu porque aumentou o número de pessoas que, desanimadas, desistiram de procurar serviço. Elas representam, hoje, 4,1% da força de trabalho.

O PSDB não foi fiel escudeiro de Temer durante esse período. Foi seu contratador e avalista. Portanto, deveria permanecer ao seu lado para defender o ex-sócio durante a campanha eleitoral. Como já disse aqui, o PT pagou um preço caro ao colocar Temer em nossas vidas. O PSDB ainda não.

Geraldo Alckmin quer o tempo de TV e a rede de prefeitos do MDB, mas não a imagem de Temer e amigos. O mesmo não pode ser dito do ex-prefeito de São Paulo João Doria – que tem discursado abertamente em apoio ao governo Temer. Está à espera, aguardando que seu padrinho não decole para se colocar à disposição de uma candidatura presidencial, com o apoio do MDB.

Há um ano, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi bem claro: ''Se o PSDB deixar hoje a base vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições de 2018. Política é feita de reciprocidade''. Político também engole muito sapo. Mas traição é especialmente indigesta.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Governo Temer: o plano oculto

Publicada quase em sigilo, a MP-727 privatiza tudo — inclusive Petrobras, BB e serviços públicos — e converte interesses dos compradores em “prioridade nacional”, capaz de atropelar direitos sociais e ambiente

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Alessandra Cardoso

Enquanto olhávamos atônitos e reagíamos à primeira ação de desmonte do Estado Democrático de Direito materializada pela Medida Provisória (MP) 726, deixamos passar despercebida uma segunda MP, a 727, publicada no mesmo 12/5 em edição extra do Diário Oficial da União, criando o Programa de Parcerias de Investimentos – PPI.

Se a MP 726, da reforma ministerial, concretizou a intenção dos articuladores do golpe de extirpar da estrutura de governo representações e interesses de minorias (e só secundariamente cortar despesas), a MP 727, por sua vez, materializa o que há de mais estratégico e ideológico no projeto político-econômico que está por trás do golpe.

É ela que “garantirá”, caso o golpe chegue ao final, o sonho de consumo dos neoliberais outrora acanhados e agora completamente excitados com a retomada do Estado que lhes interessa, que é aquele que abre caminhos para seus lucros, rebaixa seus custos sociais e trabalhistas, ignora condicionantes ambientais e sociais, e confere a ordem para que seu progresso se faça.
É esta a essência da MP 727:

1) Retoma-se o processo de desestatização da economia conduzido por Fernando Henrique Cardoso, entregando para a iniciativa privada as empresas estatais que interessarem ao capital privado.

Está clara, no texto da MP 727, a recepção integral da Lei  N° 9.494 de 1997, que instituiu o Programa Nacional de Desestatização. A Lei de 1997, que garantiu a privatização criminosa da Companhia Vale do Rio Doce, Eletropaulo e Telebrás, por exemplo, assumiu como propósito principal “reordenar a posição estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público”. Depois de ficar por 13 anos sem uso, durante os governos do PT, ela foi reencarnada no novo corpo: o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Significa, na prática, que poderão ser objeto de desestatização todas as empresas, inclusive instituições financeiras – controladas direta ou indiretamente pela União e as estaduais –, serviços públicos objetos de concessão, permissão ou autorização. Ou seja, deverão ser privatizadas prioritariamente aquelas já cobiçadas pelos investidores, nacionais e internacionais: Petrobrás, Caixa Econômica, Eletrobrás…

Para que este projeto neoliberal ressuscitado das trevas seja viabilizado, a MP estabelece que as medidas de desestatização a ser implementadas serão autoritariamente definidas por Decreto e passarão a desfrutar a condição de “prioridade nacional”, tratada como tal por todos os agentes públicos de execução ou de controle. Em outras palavras, se bradamos outrora, e com razão, contra a elevação de algumas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) à condição de empreendimentos de interesse nacional (acima do interesse público) seremos agora, massacrados, por um novo e mais potente status jurídico, a prioridade nacional.

A execução dos projetos de desestatização ficará a cargo de uma nova institucionalidade comandada pela “inteligência golpista”: o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República, um órgão de assessoramento imediato ao Chefe do Poder Executivo que passa a incorporar as atribuições do Conselho Nacional de Desestatização criado pela mesma Lei N° 9.491, de 1997, que esteve à frente das privatizações de FHC.

O Conselho – composto pelos ministros da Casa Civil, Fazenda, Planejamento, Portos e Aviação Civil, Meio Ambiente e BNDES – será presidido por Moreira Franco, conhecido por apelidos como “camaleão” e “anjo mau”. Sua fama vinculada a licitações viciadas é tão notória quanto seus apelidos. No governo do Rio enfrentou acusações repetidas de desvios e concorrências fraudulentas.

2) Transforma-se a infraestrutura, em todos os níveis federativos, na nova fronteira de acumulação e lucratividade para investidores nacionais e estrangeiros.

Não se pode dizer que esta parte do projeto golpista seja realmente nova. A identificação da infraestrutura como gargalo e ao mesmo tempo oportunidade de lucro é bem antiga no Brasil, e uma realidade governo após governo. A novidade nesse caso é a disposição muito mais firme de colocar esta fronteira, inclusive nos planos estadual e municipal, acima de tudo e todos e sob comando central.

Isto significa na prática, garantir o terceiro ponto da MP.

3) Eliminam-se os obstáculos (sociais, ambientais, culturais, trabalhistas) que possam postergar ou afetar a rentabilidade esperada pelos investidores privados.

As estratégias estão umbilicalmente amarradas na MP. Sob o comando central da “inteligência do golpe”, todos os órgãos – em todos os níveis federativos – terão o “dever de atuar, em conjunto e com eficiência, para que sejam concluídos, de forma uniforme, econômica e em prazo compatível com o caráter prioritário nacional do empreendimento, todos os processos e atos administrativos necessários à sua estruturação, liberação e execução”.

O conceito de liberação é claro na MP: “a obtenção de quaisquer licenças, autorizações, registros, permissões, direitos de uso ou exploração, regimes especiais, e títulos equivalentes, de natureza regulatória, ambiental, indígena, urbanística, de trânsito, patrimonial pública, hídrica, de proteção do patrimônio cultural, aduaneira, minerária, tributária, e quaisquer outras, necessárias à implantação e à operação do empreendimento.

Trocando em miúdos, Ibama, ICMBio, Funai, Fundação Cultura Palmares, IPHAN que hoje participam do licenciamento trifásico (Licença Prévia, Licença de Instalação, Licença de Operação) e atuam com seus muitos limites e debilidades para evitar que empreendimentos passem por cima das leis de proteção do meio ambiente, de indígenas e outros povos e comunidades tradicionais, serão convocados pelo “poder central” para cumprir com seu dever de emitir as licenças necessárias aos empreendimentos que o Conselho definir como prioritários.

É importante lembrar que, no Legislativo, o movimento de flexibilização da legislação ambiental e em específico do licenciamento está em estágio avançado de tramitação. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65/2012 acaba de vez com o licenciamento. O Projeto de Lei (PL) 3729 acaba com grande parte do sistema de licenciamento ambiental. O Projeto de Lei do Senando (PLS) 654/2015, de autoria do Senador e agora ministro do Planejamento Romero Jucá, define um prazo curtíssimo para o licenciamento de grandes obras consideradas estratégicas pelo governo, como grandes hidrelétricas e estradas e também prevê que em caso de descumprimento dos prazos as licenças estarão automaticamente aprovadas.

Se convertida em lei, a MP 727 tornará dispensável a própria a aprovação do Projeto de Jucá. Mais um golpe dentro do golpe!


4) Constrói-se, no interior do BNDES, um braço privado. Terá por finalidade estruturar os projetos do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), para que possam, depois, serem financiados pela parte do banco que ainda convém que seja público, posto que lhe oferece crédito subsidiado.

Contrariando a ideia de que o BNDES seria mais um banco no alvo da privatização, o núcleo duro do golpe lhe reservou um renovado e estratégico papel: garantir as condições financeiras e técnicas para a estruturação dos projetos de infraestrutura a ser assumidos pela iniciativa privada. O BNDES passa a ter agora a atribuição de criar e gerir o Fundo de Apoio à Estruturação de Parcerias (público-privadas), que possui natureza privada e patrimônio próprio. Suas duas principais fontes de recursos serão: a) os recursos aplicados por pessoas físicas ou jurídicas, de direito público e privado, inclusive de organismos internacionais que, obviamente, se interessam na construção dos projetos de parcerias; b) os recursos recebidos pela alienação de bens e direitos (privatizações?).

Os projetos robustecidos e validados pela capacidade técnica e financeira conferidas pelo braço privado do BNDES estão, assim, prontos para serem licitados. A MP não deixou escapar, ainda, a clara orientação para que todo esse processo seja feito sem transparência nenhuma já que prevê que o estatuto do Fundo “deverá prever medidas que assegurem a segurança da informação”.

Em síntese, no caso do BNDES, todo o esforço de transparência e o ainda tímido compromisso de construção de uma “Política Socioambiental” caíram por terra.


Esse é o projeto político ideológico que já se anunciava na Agenda Brasil, na Ponte para o Futuro, e que agora se consolida com o golpe como a Ponte para o Passado: sem licenciamento, sem política socioambiental, sem travas e amarras, sem estado democrático de direito, sem voto popular e sem vergonha.
Sanguessugado do Outras Palavras

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Como Aécio Neves se tornou o personagem principal da Lista de Furnas.


Sanguessugado do Diario do Centro do Mundo

Joaquim de Carvalho

O então governador Aécio Neves

Era 2005, auge das CPIs dos Correios e do Mensalão, quando o presidente de Furnas, José Pedro Rodrigues de Oliveira, um quadro técnico ligado ao ex-presidente Itamar Franco, chamou à sua sala o coordenador do Programa Luz Para Todos, assessor especial da presidência, e entregou um pedaço de papel, com um nome e o número de um telefone. “Acho que isso interessa a vocês. Só que não quero que você receba esta pessoa aqui dentro”, disse José Pedro a Paulo Tadeu, ex-prefeito de Poços de Caldas e fundador do PT.

Foi assim que Paulo Tadeu tomou conhecimento da existência de Nílton Monteiro, o nome escrito no papel. Tadeu telefonou para Nílton e marcou com ele um encontro no café de uma travessa da Rua Real Grandeza, Botafogo, Rio de Janeiro, perto da sede de Furnas, acatando a ordem de não deixar Nílton passar pela recepção da empresa.

Nílton Monteiro é um homem de baixa estatura, um pouco acima do peso, que usa óculos, tem cabelos lisos e cheios, repartidos ao meio. Depois das apresentações iniciais, Nílton foi direto ao ponto.

“Ele disse que tinha algo que podia ajudar o governo a se defender das acusações do mensalão”, recorda Paulo Tadeu, durante uma longa entrevista que me concedeu. “E me entregou alguns papéis com uma relação de nomes, acompanhada de valores e a assinatura do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo”, acrescenta. “Eu achei impressionante e indiquei o Nílton para conversar com o deputado Rogério Correa, em Minas, que já tinha experiência na investigação dos governos tucanos, principalmente de Aécio Neves”, diz.
Aécio é o personagem central da lista, não só porque aparece como um dos que mais receberam dinheiro do caixa 2 da estatal, mas porque são antigas as relações de sua família com as empresas públicas na área de  energia. O pai, Aécio Cunha, depois de integrar durante seis anos a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, se tornou conselheiro de Furnas, ao mesmo tempo em que era conselheiro da Cemig, a estatal de energia de Minas Gerais.
“Furnas sempre foi território de Minas no governo federal”, conta o ex-coordenador do Programa Luz para Todos.

Furnas nasceu como a primeira grande usina hidrelétrica do Brasil, com o aproveitamento das águas do rio Grande, em Minas Gerais. Foi implantada pelo presidente Juscelino Kubistchek em 1957, para fazer frente a uma crise de energia que ameaçava deixar regiões inteiras do Brasil na escuridão.

Hoje, Furnas é um colosso com 17 usinas hidrelétricas, duas termelétricas, três parques eólicos e aproximadamente 24 mil quilômetros de linhas de transmissão e 62 subestações, que garantem o abastecimento de energia a mais de 60% das moradias do País, em regiões que respondem por mais de 80% da produção da riqueza brasileira (PIB).

Foi nessa empresa gigante que Dimas Toledo começou a trabalhar em 1968, quando se formou engenheiro eletricista pela Faculdade de Itajubá, Em 2002, era presidente interino da empresa, e assinou o documento hoje conhecido como lista de Furnas.
O documento, com o registro de confidencial, informa no primeiro parágrafo que se trata da “relação dos recursos levantados e disponibilizados por intermédio de Furnas-Centrais Elétricas S.A., entre colaboradores, fornecedores, prestadores de serviços, construtoras, bancos, fundos de pensão, corretoras de valores, seguradoras, com seus respectivos repasses direcionados aos coordenadores e responsáveis financeiros pelas campanhas dos candidatos à Presidência da República, Governadores de Estado, ao Senado Federal, Deputados Federais e Estaduais”.

O documento assinado por ele relaciona os 156 políticos que receberam dinheiro dessas empresas para a campanha eleitoral de 2002, todos eles da base de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Desse total, 47 eram do PSDB, 33 do PFL (atual DEM), 21 do PP, 15 do PMDB, 13 do PTB, 11 do PL (atual PR) e 16 de siglas menores. O total de doação é de 39,9 milhões de reais (R$ 95,4 milhões em valores corrigidos pelo IGP-M).

Geraldo Alckmin, o candidato a governador que venceu as eleições naquele ano, é o primeiro da lista, como destinatário de R$ 9,3 milhões (22,2 milhões em valores de hoje). José Serra, que disputou e perdeu as eleições para Lula, vem a seguir, com R$ 7 milhões (R$ 16,7 milhões).
Aécio é o terceiro da lista, como candidato a governador de Minas Gerais. Ele recebeu R$ 5,5 milhões (13,1 milhão). Na relação, também está registrado o nome da irmã de Aécio, Andréa – “valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado – MG   valor: 695.000,00”. Corrigido pelo IGP-M, R$ 1,6 milhão.

Zezé Perrella, na época candidato a deputado estadual, figura na lista como tendo recebido R$ 350 mil (R$ 837 mil) – entre parênteses, está escrito “autorização de Aécio Neves”. Um detalhe: quando a lista foi feita, Zezé Perrella ainda nem havia comprado o helicóptero que seria apreendido onze anos depois, com quase meia tonelada de pasta base de cocaína.

“Esse material pode salvar o mandato do Lula.” É o que Nílton Monteiro teria dito no café com o executivo de Furnas, nas imediações da Rua Real Grandeza. A frase que Paulo Tadeu diz ter ouvido é um pouco diferente. “Ele disse que os tucanos não tinham moral para fazer as acusações que vinham fazendo nas CPIs”, disse-me Paulo Tadeu.

O fato é que a lista se tornou pública no início de 2006, mas já era conhecida nos bastidores do Congresso Nacional desde o final de 2005, quando a CPI já estava perdendo força.

Nílton conta que foi levado ao então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um dos que compunham o gabinete anti-crise de Lula. O ministro teria avaliado o conteúdo da lista e, com seus conhecimentos jurídicos, respaldado a credibilidade do documento.
Cumprindo uma tarefa acordada com seus interlocutores no PT, Nílton diz ter ido a Brasília.

Enquanto as sessões da CPI ocorriam sob intensos holofotes da mídia, Nílton, longe deles, ia de gabinete em gabinete, mostrando uma cópia da lista.
E o que Nílton queria em troca desse trabalho? “Dinheiro”, ele admite, o que Nílton sempre buscou no subterrâneo que une empresários a políticos, desde que tinha 17 anos de idade e começou a trabalhar com o deputado Sérgio Naya, aquele mesmo do Palace II, o edifício do Rio de Janeiro que desabou em 1998.

A queda do prédio, que matou oito pessoas, colocou fim à carreira de Sérgio Naya, que se tornou milionário durante o regime militar, quando levou sua construtora para Brasília e fazia negócios dizendo-se amigo do general Golbery do Couto e Silva.

A biografia de Sérgio Naya na Wikipédia contém uma frase atribuída a Golbery: “Esse menino tem instinto para ganhar dinheiro”.

O jornalista Geraldo Elísio, um dos mais premiados de Minas Gerais, onde foi secretário-adjunto de Cultura, conheceu Naya no auge de seu poder e riqueza, na década de 80.
Convidado, esteve no apartamento dele na avenida Vieira Souto, Rio de Janeiro, quando Naya o levou para uma sala e abriu um armário com muitas barras de ouro.
“Isso tudo aqui é trambique, é meu e do Golbery”, disse-lhe Naya, que retirou duas pequenas barras, de 250 gramas cada uma, e entregou a Geraldo Elísio, que polidamente recusou. “Mas um presente você vai levar”, insistiu Naya ao homem que, na época, fazia parte do governo de Minas Gerais. E retirou de outro armário uma camisa de linho de algodão. “Este presente eu aceito, porque eu posso dar uma camisa igual para você. Mas o ouro eu não posso.”

Eu soube dessa história um dia depois de Geraldo me conceder entrevista gravada. Geraldo é um personagem importante para entender o caso da lista de Furnas e o silêncio da mídia em torno dela. O jornalista era editor do site Novo Jornal, o único veículo que dava notícias críticas ao governo de Aécio em Minas, inclusive a lista de Furnas.

No início de 2014, quando Aécio estava com sua pré-campanha a presidente na rua, o site foi retirado do ar por uma decisão da Justiça, duas pessoas foram presas e a casa do jornalista foi revirada por policiais que tinham um mandado de busca e apreensão.

Geraldo Elísio me acompanhou no primeiro encontro com Nílton Monteiro. A conversa começou por volta das 4 da tarde e se estendeu até às duas da manhã.  Jantávamos. Nílton ainda estava hesitante quanto a gravar a entrevista, e falávamos de Naya. Nílton virou-se para Geraldo, e perguntou, em voz baixa: “Por que você não aceitou as barrinhas?”. E Geraldo então relatou o encontro com Naya e suas barrinhas de ouro.

Enquanto Geraldo falava, Nílton balançava negativamente a cabeça. Depois, meio brincando, meio sério, lembrou o que Naya disse sobre Geraldo. “Como é que o Geraldo come mulher se não gosta de dinheiro?”

Foi nesse ambiente que Nílton cresceu e, à sombra do chefe, desfrutou de algum prestígio. A revista IstoÉ, quando ainda fazia algum reportagem crítica ao grupo de Aécio Neves em Minas Gerais, publicou uma foto em que Nílton Monteiro está numa lancha, na companhia de Cláudio Mourão,  ex- tesoureiro dos tucanos em Minas, e duas mulheres. A foto ilustra a reportagem em que Nílton Monteiro denunciou o mensalão mineiro.

Sim, foi do mesmo baú de onde saiu a lista de Furnas que vieram à tona os documentos bancários e a contabilidade que comprovam que o publicitário Marcos Valério, antes de servir em Brasília, abastecia os políticos em Minas Gerais, durante o governo de Eduardo Azeredo.
“Foi a veracidade das denúncias do Nílton Monteiro no mensalão tucano que me fez levar adiante o caso da lista de Furnas”, conta o deputado petista Rogério Correa. “As informações tinham consistência”,  afirma.

A primeira reação dos políticos relacionados tanto na lista de Furnas quanto no mensalão mineiro foi desqualificar Nílton Monteiro. Diziam que era um estelionatário, estava tentando extorquir dinheiro e que os documentos eram falsos.
No caso do mensalão mineiro, não resta mais nenhuma dúvida quanto à autenticidade das provas. O processo só não foi julgado ainda porque o Supremo Tribunal Federal, depois de condenar os petistas no mensalão de Brasília, remeteu o processo que envolve a antiga cúpula tucana para Minas Gerais, e o processo está parado no Tribunal de Justiça.

Quanto à lista de Furnas, foi levantada uma densa cortina de fumaça. Falsa, a lista não é. Peritos da Polícia Federal analisaram o documento e concluíram que a assinatura é mesmo de Dimas Toledo, apesar da negativa que fez na CPI nos Correios e na Polícia Federal

Nilton Monteiro

Quanto à existência de caixa 2 beneficiando políticos a partir dos serviços prestados em Furnas, também não restou dúvida depois que uma procuradora da república no Rio de Janeiro denunciou Dimas Toledo, Nílton Monteiro e alguns empresários pelo desvio de recursos da estatal de energia elétrica.

Um dos denunciados é o ex-deputado Roberto Jefferson. Na época em que a procuradora fez a denúncia, Roberto, como ex-deputado, já não tinha foro privilegiado e pôde ser interrogado na primeira instância. Ele confirmou ter recebido R$ 75 mil para sua campanha a deputado federal em 2002, exatamente o mesmo valor que aparece na lista de Furnas (R$ 180 mil em valores atuais).

“Quando Roberto Jefferson denunciou o mensalão de Brasília, o mundo veio abaixo e a mídia caiu de pau. Quando Jefferson confessa o caixa 2 no esquema tucano, ninguém dá um pio. Até quando viveremos com uma democracia de dois pesos e duas medidas?”, pergunta Rogério.

Outro ex-deputado, Antônio Júlio, hoje prefeito de Pará de Minas, apareceu na lista como destinatário de R$ 150 mil (R$ 356 mil em valor atualizado) e, assim como Jefferson, teve coragem de admitir a veracidade da informação.

Muito recentemente, o caixa 2 de Furnas apareceu na operação Lava-Jato, por intermédio de um dos depoimentos do doleiro Alberto Youssef. Ele disse que ouviu de um dos seus mais próximos clientes, o ex-deputado do PP José Janene, já falecido, que Aécio Neves recebia por intermédio da empresa Bauruense, prestadora de serviço em Furnas, um quinhão dos desvios da estatal. Chega a citar uma irmã de Aécio como a pessoa que recebia a propina. Quem será a irmã?

O depoimento de Youssef até agora não teve desdobramento, assim como a denúncia da procuradora da república no Rio que investigou a corrupção em Furnas. Depois de fazer a denúncia, em que afirma não ter poderes para processar políticos com foro privilegiado, Andrea Bayrão descobriu que seu poder era ainda mais limitado.
Um juiz federal entendeu que o caso era da alçada estadual e mandou todo inquérito e a denúncia da procuradora para o Ministério Público do Estado do Rio, onde a investigação está parada. Procurei Andréa Bayrão, a procuradora, e ela disse que não tem mais nada para falar a respeito de Furnas.

Enquanto isso, Dimas Toledo, autor da lista e cérebro do caixa 2 de Furnas, segue sem ser incomodado num hotel de sua propriedade em Minas. Ele está para Furnas assim como Paulo Roberto Costa está para Petrobrás. A este, foi oferecido o benefício da delação premiada e o que se seguiu, sob a jurisdição do juiz Sérgio Moro, é do conhecimento de todos.

Dimas tem um filho deputado federal e só saiu de Furnas no final do primeiro governo Lula. A pergunta que não quer calar é: com que objetivo ele fez uma lista em que se auto incrimina? Nílton tem a resposta: Dimas queria permanecer na direção de Furnas e fez a lista para chantagear os tucanos, particularmente Aécio Neves, forçando-o a negociar com Lula sua permanência na estatal. Nílton foi o mensageiro que levou a lista a um grupo restrito de políticos do PSDB.

A data da lista é 30 de novembro de 2002, pouco mais de um mês após a eleição de Lula. Em janeiro, a recém-nomeada ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, dá posse à diretoria de Furnas. Na revista da empresa, Dimas Toledo aparece na foto e a legenda informa: ele foi mantido na direção da empresa, agora como diretor de Planejamento, Engenharia e Construção. A mesma reportagem registra a permanência de Aécio Cunha, o pai de Aécio, no Conselho de Administração. O governo federal tinha trocado de mãos, mas Furnas ainda era um ninho de Aécio Neves.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Financial Times, sobre o trensalão tucano: “Constrange o PSDB”

 Reportagem do jornal britânico evidencia que a imprensa internacional tem dedicado mais espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, mas “outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”
PROPINODUTO
Por Redação
O jornal britânico “Financial Times” publicou uma reportagem nesta segunda-feira (29) em que afirma que a corrupção não pode ser aplicada somente ao Partido dos Trabalhadores. A matéria cita a suposta formação de cartel na compra de trens envolvendo governos do PSDB em São Paulo. De acordo com o veículo, a acusação “constrange o PSDB, que governa o estado de São Paulo há 20 anos”.
A reportagem também evidencia que, ao publicar reportagens referentes ao Brasil, a imprensa internacional tem dedicado espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, o que atinge, principalmente, os partidos da base aliada do governo federal. “Mas, ainda que receba menos atenção, outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”, diz o jornal.
Ainda segundo o Financial Times, “o escândalo ferroviário de São Paulo, que poderia se estender por 15 anos de governos do PSDB entre 1998 e 2013, mostra que a corrupção nos contratos públicos é um problema brasileiro, e não um desafio de apenas um único partido”.

Sanguessugado do SPressoSP, via: http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2014/12/financial-times-sobre-o-trensalao.html?spref=fb

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

São Paulo à beira de uma crise de nervos ou de um genocídio?


Exterminador-do-Futuro

FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

Essa é uma história é banal. Por mais de uma década a Sabesp distribuiu fartamente seus lucros na Bolsa de New York, conferindo aos tucanos paulistas algum prestígio internacional. Os primeiros alertas de crise hídrica foram dados em 2003, 2004, novamente em 2009. Mas com o aval do governador a companhia seguiu distribuindo lucros em NY e evitando fazer investimentos para diversificar e aumentar a captação de água para os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo.
Em 2014, ano eleitoral, a água deveria começar a ser racionada e não foi. O governador candidato à reeleição preferiu fazer de conta que o problema não existia para não prejudicar sua augusta imagem. A imprensa, que o odeia o PT menos que à população que conferiu 4 mandatos presidenciais ao partido e elegeu o Prefeito de São Paulo, protegeu o governador e até o transformou numa espécie de santo não canonizado.
O mal que foi silenciosamente plantado será inevitavelmente colhido aos gritos. A maior metrópole da América Latina está às portas de uma verdadeira hecatombe. Não há tempo hábil para obras, a água da Billings é poluída demais para ser distribuídas. Em pleno período de chuvas os reservatórios que abastecem a metrópole estão vazios. Nos próximos meses, quando a estiagem chegar, São Paulo será um deserto sobre dezenas de riachos e córregos sujos que foram canalizados, cortado por dois rios caudalosos extremamente poluídos.
Vamos fugir deste lugar, baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
A letra da música do grupo Skank é muito apropriada para descrever o tom ameno, descompromissado e até irônico utilizado pela imprensa para encobrir os momentos que antecedem um genocídio. Em alguns meses, milhões terão que fugir da Grande São Paulo? Fugir como, para onde? É impossível deslocar tanta gente ao mesmo tempo com a rapidez necessária. Onde colocar todos os fugitivos da seca produzida com lucro pela Sabesp? Os russos levaram 2 semanas para evacuar a pequena cidade de Pripyat. Quantos paulistas morrerão se o governo levar todo este tempo para esvaziar uma cidade sem água para consumo de milhões de pessoas?
Neste momento de crise, a únicas palavras que podem descrever são as que foram proferidas por Ao ouvir as declarações do Presidente do STF lembrei imediatamente das palavras de Jacques Sémelin em seu livro PURIFICAR E DESTRUIR, Difel, 2009:
“Em princípio, o papel do Estado é o de proteger os cidadãos, como explicam inúmeros autores de ciência política. Com a concordância dos indivíduos – que aceitam, então obedecer -, o Estado lhes concede segurança. Mas nos casos estudados, ele passou a não dar mais essa garantia a todos os cidadãos. Ele se tornou assassino e protetor de assassinos. Quem haveria de poder, então, conter a violência?”
Segundo o autor francês os genocídios praticados na Alemanha (contra os judeus), Ruanda (contra os tutsis) e Servia (contra kosovares e croatas) foram fomentados pelos discursos incendiários dos líderes políticos (Hitler, Habyarimana e Milosevic). Mas em todos os casos o discurso sacrificial só conseguiu alcançar seu propósito em razão da propaganda.
"A manipulação das emoções, ocupa, dessa forma, um lugar central na instauração de tais poderes, mas o que vai sustentar e desenvolver esse estado emocional é a propaganda. Ela, necessariamente, acompanha e reforça o estabelecimento desses sistemas políticos."
Um pouco mais adiante o estudioso explica que:
"O princípio básico é sempre o mesmo:  fabricar emoção. Entenda-se: suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância, o orgulho, a vingança. Um aparelho de propaganda é, antes de tudo, uma máquina de fabricar emoção pública, a exemplo dos líderes, a quem ela reveza e amplifica o que dizem. É trabalhando com a emoção que ela almeja alcançar a adesão do público: 'Não tem escolha', é o que ela diz 'temos, todos, que nos defender dessa gente. É uma questão de identidade: nossa sobrevivência está em jogo.' E é por onde a propaganda ataca o pensamento: 'Diante da ameaça comum, devemos nos mostrar mais fortes e afirmar o poder da nossa identidade.' A propaganda procura impor a todos uma interpretação do mundo, apresentada como 'vital', a partir do grupo a que ela pertence. Dessa forma, o envolvimento emocional do publico, rapidamente, se estende ao envolvimento ideológico."
O PSDB não fez propaganda de que desejava realizar um genocídio na Grande São Paulo. O que fez, e isto é uma verdade factual, foi muita propaganda para disfarçar a crise hídrica, permitir a inércia governamental e possibilitar à Sabesp privatizada seguir distribuindo fartamente seus lucros em NY. A intensa propaganda tucana para blindar Alckmin e a Sabesp, porém, produziu o mesmo efeito que a propaganda nazista, hutu e sérvia. Um genocídio ronda a Grande São Paulo e os tucanos, mesmo não tendo afirmado "mataremos os pobres paulistas de sede"conseguirão fazer isto de uma maneira impensável: com ajuda lucrativa de uma imprensa privada que coloca o interesse público abaixo do interesse dos acionistas de uma companhia irresponsável e de um governador sorridente e, no entanto, desumano.
Além de proteger Geraldo Alckmin e a Sabesp privatizada, a imprensa paulista não faz outra coisa senão "...suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância,  o orgulho, a vingança" contra o governo federal que veio em socorro dos paulistas com verbas para obras emergenciais (que infelizmente não poderão ser executadas em alguns meses). As denuncias de corrupção na Petrobras afetam menos o cotidiano dos paulistas do que a falta d’água e, paradoxalmente, ocupam mais espaço na mídia paulista.
Obrigado à enfrentar o imponderável, o povo paulista clamará por uma intervenção federal. Como as tropas brasileiras poderão atuar num Estado em que a imprensa rejeita a soberania nacional em seu território e fomenta constantemente o separatismo? Esta, porém, não é a única pergunta.
Quando as rebeliões violentas começarem a pipocar na periferia da Grande São Paulo e convergirem para o Palácio dos Bandeirantes, quem protegerá os direitos políticos dos brasileiros de uma matança que pode estar sendo planejada pelo comando da PM?  Estamos montando uma “operação de guerra” diz o governador e seus assessores mais próximos? Guerra contra quem? Contra o povo que foi criminosamente deixado sem água apesar do que consta na Constituição Federal? E o Exército brasileiro? Vai entrar nesta guerra para defender os lucros dos acionistas da Sabesp derramando o sangue dos paulistas indefesos diante de um governo absolutista e obscurantista?

Sanguessugado do GGN, via http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/02/sao-paulo-beira-de-uma-crise-de-nervos.html

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Porquê novaiorquino toma água da torneira?: eles nunca tiveram um governo tucano

O PSDB e sua obra-prima de gestão: o racionamento em SP

'Estamos fechando a torneira porque em março, no mais tardar em junho, SP fica sem água', admitiu presidente da Sabesp. Esse é o legado do choque de gestão?

Saul Leblon
Arquivo
Após um ano de dissimulações, o PSDB oficializou o racionamento de água em SP nesta 4ª feira.
O novo presidente da Sabesp , Jerson Kelman, em entrevista ao SPTV, da Globo, anunciou um corte  drástico no fornecimento, que caiu de 16 mil litros/s na 3ª feira, para 13 mil l/s a partir de agora.
O racionamento anunciado  oficializa uma realidade que já atinge mais de seis milhões de habitantes, cujo abastecimento declina há um ano acumulando um corte de 60% no fornecimento padrão da Sabesp às suas torneiras (de 33 mil l/s para 13 mil l/s).
E isso é só o começo.
'Estamos fechando a torneira porque em março, no mais tardar em junho, SP fica sem água', admitiu presidente da Sabesp na entrevista.
Nada como um copo após o outro.
Na reta final da campanha presidencial de 2014, quando o então diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, advertiu na Assembleia Legislativa de São Paulo, que o abastecimento da cidade estava, literalmente, por um fio de água, foi chamado de ‘bandido’ pelo grão tucano, vereador Andrea Matarazzo.
Ele disse aquilo que o PSDB se recusava a admitir: restavam apenas 200 bilhões de litros do volume morto do sistema Cantareira, que provê boa parte da água consumida na cidade.
O pior de tudo: a derradeira reserva de água da cidade encontra-se disponível na forma de lodo.
E será com isso que a sede paulistana terá que ser mitigada caso não chova o suficiente no próximo verão.
Como de fato não tem chovido nos mananciais, nem há expectativa séria de que isso ocorra até o final da estação das águas, dá-se  o que o novo presidente da Sabesp finalmente admitiu: ‘em março, no mais tardar em junho, SP fica sem água'
Corta e volta para a campanha eleitoral de Aécio Neves em 2014.
O estandarte da eficiência tucana é martelado diuturnamente como um tridente contra aquilo que se acusa de obras e planos nunca realizados por culpa da (Aécio enchia a boca para escandir as sílabas) ‘má go-ver-nan-ça’.
Corta de volta para o presente com o foco na contagem regressiva anunciada por Jerson Kelman.
Vamos falar um pouco de governança?
Atribuir tudo à  ingratidão a São Pedro é um pedaço da verdade.
Num sugestivo contorcionismo eleitoral, Aécio negou a esse pedaço da verdade a explicação para a alta nos preços dos alimentos afetados pela seca.
Ou isso ou aquilo?
Estocar comida, que não grãos, caso do vilão tomate, por exemplo, está longe de ser uma opção exequível em larga escala no enfrentamento de uma seca. Mas estocar água e planejar dutos interligados a mananciais alternativos, calculados para enfrentar situações limite, mesmo que de ocorrência secular, é uma obrigação primária de quem tem a responsabilidade pelo suprimento de grandes concentrações urbanas.
A Sabesp sob o comando do PSDB detém essa responsabilidade há 20 anos em São Paulo.
Omitiu-se, com as consequências previsíveis que agora assombram o horizonte de milhões de moradores da Grande São Paulo.
Carta Maior lembrou no período eleitoral --enquanto Geraldo Alckmin fazia expressão corporal de seriedade, que Nova Iorque e o seu entorno, com uma população bem inferior a de São Paulo (nove milhões de habitantes), nunca parou de redimensionar a rede de abastecimento da metrópole  movida por uma regra básica de gestão na área: expansão acima e à frente do crescimento populacional.
Tubulações estendidas desde as montanhas de Catskill, mencionou-se então, situadas a cerca de 200 kms e 1200 m de altitude oferecem ao novaiorquino água pura, dispensada de tratamento e potável direto da torneira.
Terras e mananciais distantes são periodicamente adquiridos pelos poderes públicos de NY  para garantir a qualidade e novas fontes de reforço da oferta.
O sistema de abastecimento da cidade reúne três grandes reservatórios que captam bacias hidrográficas preservadas em uma área de quase 2.000 km2.
A adutora original foi inaugurada em 1890; em 1916 começou a funcionar outro ramal a leste da cidade; em 1945 foi concluída a obra de captação a oeste, que garante 50% do consumo atual.
Mesmo com folga na oferta e a excelente qualidade oferecida, um novo braço de 97 kms de extensão está sendo construído há 20 anos.
Para reforçar o abastecimento e prevenir colapsos em áreas de expansão prevista da metrópole.
Em 1993 foi concluída a primeira fase desse novo plano.
Em 1998 mais um trecho ficou pronto.
Em 2020, entra em operação um terceiro ramal em obras desde o final dos anos 90. Seu objetivo é dar maior pressão ao conjunto do sistema e servir como opção aos ramais de Delaware e Catskill, que estão longe de secar.
Uma quarta galeria percorrerá mais 14 kms para se superpor ao abastecimento atual do Bronx e Queens.
Tudo isso destoa de forma superlativa da esférica omissão registrada em duas décadas ininterruptas de gestão do PSDB no Estado de São Paulo, objeto de crítica até de um relatório da ONU, contestado exclamativamente pelo governador reeleito, Geraldo Alckmin.
Se em vez do mantra do choque de gestão, os sucessivos governos de Covas, Ackmin, Serra e Alckmin tivessem reconhecido o papel do planejamento público, São Paulo hoje não estaria na iminência de beber lodo.
Ou nem isso ter  para matar a sede.
Pergunta aos sábios tucanos: caiu a ficha?
Sim, admitia-se então, o Brasil todo desidrata sob o maçarico de um evento climático extremo. Mas desde os alertas ambientais dos anos 90 (a Rio 92, como indica o nome, aconteceu no Brasil há 22 anos) essa é uma probabilidade que deveria estar no monitor estratégico de governantes esclarecidos.
Definitivamente não se inclui nessa categoria o tucanato brasileiro que em 2001 já havia propiciado ao país um apagão de energia elétrica pela falta de obras e a renúncia deliberada ao planejamento público.
Os mercados cuidariam disso com mais eficiência e menor preço –ou não era isso que se falava e se volta a ouvir agora sobre todos os impasses do desenvolvimento brasileiro?
Ademais de imprevidente, o PSDB desta vez mostrou-se mefistofelicamente oportunista na mitigação dos seus próprios erros.
Ou seja, preferiu comprometer o abastecimento futuro de milhões de pessoas, a adotar um racionamento que colocaria em risco o seu quinto mandato em São Paulo.
Não conseguiria concluir a travessa sem a cumplicidade da mídia conservadora que, mais uma vez, dispensou a um descalabro tucano uma cobertura sóbria o suficiente para fingir isenção, sem colocar em risco o continuísmo no estado.
É o roteiro pronto de um filme de Costa Gavras: as interações entre o poder, a mídia, o alarme ambiental e o colapso de um serviço essencial, que deixa  uma das maiores manchas urbanas do planeta no rumo de uma seca épica.
O PSDB que hoje simula chiliques com o que acusa de ‘uso político da água’, preferiu ao longo das últimas duas décadas privatizar a Sabesp, vender suas ações nas bolsas dos EUA e priorizar o pagamento de dividendos a investir em novos mananciais.
Há nesse episódio referencial um outro subtexto para o filme de Costa Gavras: a captura dos serviços essenciais pela lógica do capital financeiro.
Enquanto coloca em risco o abastecimento de 20 milhões de pessoas, revelando-se uma ameaça à população, a Sabesp foi eleita uma das empresas de maior retorno dos acionistas. Como em um sistema hidráulico, o dinheiro que deveria financiar a expansão do abastecimento, vazou no ralo da captura financeira.
As chances de uma chuva redentora que evite o indigesto desfecho são  cada vez mais improváveis, como reconhece agora  --algo tardiamente-- o novo presidente da Sabesp, lançado às feras como uma espécie de boi de piranha do PSDB
Mesmo que a pluviometria do verão fique em 70% da média para a estação, o sistema Cantareira --segundo os cálculos da ANA-- ingressará agora no segundo trimestre com praticamente 5% de estoque (hoje está com 3,2%).
Ou seja chegará no início da estação seca de 2015 com a metade da reserva que dispunha em abril deste ano; e muito perto da marca desesperadora vivida agora, na antessala das chuvas de verão.
A seca que espreita as goelas paulistanas não pode ser vista como uma fatalidade.
Dois anos é o tempo médio calculado pelos especialistas para a realização de obras que poderiam tirar São Paulo da lógica do lodo.
Portanto, se ao longo dos 20 anos de reinado tucano em São Paulo, o PSDB de FH e Aécio Neves, tivesse dedicado 10% do tempo a planejar a provisão de água, nada disso estaria acontecendo.
Deu-se o oposto.
De 1980 para cá, a população de São Paulo mais que dobrou. A oferta se manteve a mesma com avanços pontuais.
O choque de gestão tucano preferiu se concentrar em mananciais de maior liquidez, digamos assim.
Entre eles, compartilhar os frutos das licitações do metrô de SP com fornecedores de trens e equipamentos. A lambança comprovada e documentada sugestivamente pela polícia suíça, até agora não gerou nenhum abate de monta no poleiro dos bicos longos.
‘Todos soltos’, como diz a presidenta Dilma.
Lubrificada pelo jeito tucano de licitar, a rede metroviária de São Paulo, embora imune a desequilíbrios climáticos, de certa forma padece da mesma incúria que hoje ameaça as caixas d’agua dos paulistanos.
Avulta daí um método –e não é da lavra de São Pedro.
O salvacionismo tucano em São Paulo não conseguiu fazer mais que 1,9 km de metrô em média por ano, reunindo assim uma rede inferior a 80 kms, a menor entre as grandes capitais do mundo.
A da cidade do México, por exemplo, que começou a ser construída junto com a de São Paulo, tem 210 kms.
O planejamento público que a ortodoxia abomina, ao lado do mercado interno de massa que seus colunistas desdenham, representam, na verdade, as duas grandes turbinas capazes de afrontar o contágio da estagnação mundial no Brasil.
Não deixa de ser potencialmente devastador para quem acusa agora o PT de jogar o país num abismo de má gestão só ter a oferecer à população de SP a seguinte progressão: racionamento drástico imediato, seguido de seca de consequências imponderáveis navida de uma das maiores manchas urbanas do mundo.
É essa a perspectiva de um serviço essencial na capital do estado onde o festejado choque de gestão está no poder há 20 anos.
Ininterruptos.
O legado recomenda uma recidiva da receita para todo o Brasil, como exigem os centuriões do mercado e alguns cristãos novos petistas?
A ver.

sábado, 2 de março de 2013

REARTICULAÇÃO FASCISTA - Geraldo Alckmin é a ponta de lança da ala fascista do PSDB

Via facebook de Diogo Costa

Esse movimento "Endireita Brasil" é uma organização abertamente fascista, é um ajuntamento de fascistas e nazistas saudosos do regime assassino e torturador de 64. A OPUS DEI e as franjas do que sobrou do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) se reorganizam nessas páginas de porcos fascistas como o são o "Endireita Brasil" e o "Revoltados On-line".
Esses fascistas e nazistas do século XXI não exitarão um segundo sequer se tiverem a oportunidade de dar um novo golpe de estado aqui no Brasil. Eles louvam o golpe de 64, amam a tortura e os torturadores, amam os assassinatos e os assassinos, amam os estupros e os estupradores que infestaram e desgraçaram o país entre 64 e 85. Essa camarilha de fascistas e nazistas, esses bastardos herdeiros da pior tradição golpista e assassina do país está de volta.
É essa escória fascista e nazista a maior responsável pela difusão exponencial de mentiras na internet. São dissimulados, mentem compulsivamente, inventam capas de revistas que jamais existiram na face da Terra, inventam reportagens mentirosas que são desmascaram em tempo real, etc. Essa camarilha de porcos fascistas e de porcos nazistas está de volta e é necessário combatê-los diuturnamente! Essa horda de militantes das trevas não há de prosperar no Brasil novamente.
O governador Geraldo Alckmin, ao nomear esse fascista, apenas desvela o seu verdadeiro caráter, que ele tenta dissimular do grande público. Tenta, mas quem conhece um pouco que seja da política, sabe muito bem quem são as companhias do governador da OPUS DEI.
A seguir o motivo da indignação do Diogo
Via Brasil247

ULTRADIREITA DE ALCKMIN É MAIS GRAVE DO QUE PARECE
:
Ao nomear como secretário particular o advogado Ricardo Salles, um dos fundadores do Instituto Endireita Brasil, Geraldo Alckmin coloca dentro do Palácio dos Bandeirantes um movimento que vai muito além da defesa dos princípios liberais e dos valores conservadores; a organização criada por Salles exalta o regime militar de 64 e espalha mentiras pela internet, publicando em seu Facebook "informações" como a fortuna de US$ 3 bilhões do ex-presidente Lula e o boato de que a boate Kiss era de um deputado petista; para Salles e o Endireita Brasil, a "ditadura de 64" é melhor do que a "ditadura do proletariado" atual
2 DE MARÇO DE 2013 ÀS 13:45
247 - É bem mais grave do que parece a nomeação feita pelo governador Geraldo Alckmin do advogado Ricardo Salles, como seu secretário particular. Nesta função, Salles cuidará de toda a agenda do governador do estado mais rico do País. Aparentemente uma função burocrática, mas o fato é que, com essa nomeação, o político tucano instala, dentro do Palácio dos Bandeirantes, um movimento que exala obscurantismo.
Fundador do Instituto Endireita Brasil, Salles lidera campanhas contra o desarmamento, é contra o casamento gay e classifica o MST como um movimento "terrorista". Que a direita mostre sua cara, e o faça dentro dos limites da legalidade, é algo que faz parte do regime democrático. Ocorre que a atuação do Endireita Brasil vai muito além da defesa de princípios conservadores e da economia de mercado.
Basta entrar na página do Instituto no Facebook para constatar algumas atrocidades que são publicadas pela turma de Salles. Uma das postagens, por exemplo, pergunta: "Qual você escolhe, governos militares ou DITADURA do proletariado?" Na imagem, generais que estiveram à frente de um regime que perseguiu, torturou e matou opositores são apresentados como homens de bem, que não enriqueceram no poder, e confrontados com o ex-presidente Lula – um homem que teria uma fortuna de US$ 3 bilhões. A fonte dessa informação? Uma reportagem da revista Forbes que jamais existiu. Ou seja: uma das táticas do Endireita Brasil, agora instalado no Palácio dos Bandeirantes, é espalhar mentiras pela internet.
Outra postagem feita pelo Facebook do Endireita Brasil foi a "informação" de que um dos donos da Boate Kiss em Santa Maria (RS), onde 239 jovens perderam a vida, seria o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). "Há 2 “donos”, que na realidade são gerentes laranja de 2 “Empresários”, que na realidade são Laranjas de um conhecido Deputado da Cidade que foi escorraçado da CPI dos Mensalão por manter encontros com Marcos Valério nas garagens do Congresso e conhecido na cidade por ter várias “lavanderias” isso é só para vocês terem uma idéia porque esse verdadeiro caixão funcionava a todo vapor sem fiscalização séria. Não é a toa que a alta cúpula da ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PT se deslocou para a operação abafa, seguindo o roteiro da morte do Celso Daniel", diz o Facebook do Endireita Brasil.
Se isso não bastasse, outra atividade do Instituto é a divulgação do livro Orvil. Parece nome de remédio, mas é a palavra livro escrita ao contrário. Nele, militares dão sua versão sobre os atentados terroristas que teriam sido cometidos pela esquerda brasileira, durante o regime. "Os revanchistas da esquerda que estão no poder -não satisfeitos com as graves restrições de recursos impostas às Forças Armadas e com o tratamento discriminatório dado aos militares, sob todos os aspectos, especialmente o financeiro- tiveram a petulância de criar, com o conluio de um inexpressivo Congresso, o que ousaram chamar de 'comissão da verdade'", diz o general Geraldo Luiz Nery da Silva no prefácio ao livro Orvil.
É este movimento, liderado por Ricardo Salles, que agora se senta à antessala do Palácio dos Bandeirantes. Geraldo Alckmin que, dias atrás, visitou o Memorial da Resistência, que funciona na antiga sede do DOPS, ao lado de Yoani Sánchez, a quem chamou de "heroína da liberdade", deve satisfações à sociedade. Ou será que, além da ligação com a Opus Dei, ele também faz parte do Endireita Brasil?