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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Dilma não sofrerá Impeachment


Brazil's President Dilma Rousseff blows a kiss to the public while giving a speech in front of Planalto Palace in Brasilia
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu ontem (2) um pedido de impeachment protocolado no Parlamento por partidos da oposição contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). O pedido foi elaborado pelo advogado Hélio Bicudo (ex-PT), por Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e pela advogada Janaína Conceição  Paschoal.
Cunha, que está sendo investigado por corrupção e por possivelmente ter mentido ao negar que tenha conta na Suíça, decidiu dessa forma após os deputados do Partido dos Trabalhadores anunciaram que votarão contra ele em investigação no Conselho de Ética da Câmara.
Segundo a Lei 1.079/50, que trata dos crimes de responsabilidade e do processo de Impeachment, agora que foi recebida a denúncia será despachada a uma comissão especial eleita que emitirá parecer sobre se a denúncia deve ser ou não julgada objeto de deliberação.
É necessária a aprovação de 342 dos 512 deputados federais para o início do processo de Impeachment, que ocorreria no Senado sob a presidência do presidente do STF. Nesse caso o Presidente da República seria suspenso até a sentença final.
No Senado seria necessário o voto de 54 dos 81 senadores para a destituição do cargo. Se ocorresse o Impeachment, não seria o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que assumiria, ele que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais em 2014, mas sim o vice-presidente Michel Temer (PMDB).
Além de não existir motivo jurídico para o Impeachment, politicamente Dilma também está garantida no cargo. É muito difícil que a oposição consiga o voto de 2/3 dos deputados federais para a abertura do processo. O próprio senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que a oposição teria apenas 99 votos na Câmara. No Senado, a situação da oposição é ainda mais difícil, por necessitar também de 2/3. Partidos como o PT, PCdoB, PSOL, Rede e a maioria do PDT e PMDB não votarão pela abertura do processo na Câmara e muito menos pelo Impeachment no Senado. Setores democráticos e populares da sociedade não vão deixar que ocorra um golpe contra a presidenta.
Em entrevista para o Jornal do Brasil, o maior jurista do Direito Administrativo de todos os tempos, Celso Antônio Bandeira de Mello, disse ontem que “não há base jurídica alguma para a abertura do processo”, que “é uma palhaçada a abertura do impeachment. Pelo que tudo indica, e o que a gente vê na imprensa, a razão foi exclusivamente política, sem nenhum embasamento na lei”, e que Dilma não corre grandes riscos de cassação: “Eu não acredito na cassação. Seria uma enorme falta de dignidade por parte dos congressistas”. Bandeira de Mello e Fábio Konder Comparato já emitiram parecer no sentido de que não cabe o Impeachment, clique aqui.
Em sua conta nas redes sociais, o advogado Ricardo Lodi Ribeiro fez uma interessante análise no sentido de que “a tentativa de enquadrar as chamadas ‘pedaladas fiscais’ como crime de responsabilidade a justificar o impeachment da Presidente da República não passa de uma tentativa de golpe de estado”. Ele explica que “as chamadas ‘pedaladas fiscais’ nada mais são do que o sistemático atraso nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal paguem benefícios sociais como o bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, seguro desemprego, crédito agrícola etc”. Diz que “como as instituições financeiras pagam em dia os benefícios, o atraso no repasse dos recursos públicos gera contratualmente o pagamento de juros pelo governo aos bancos públicos”. Concorda que “a conduta, que visa a dar uma certa aura de equilíbrio às contas públicas em momentos de aperto de caixa, não é boa prática de Finanças Públicas. Mas está bem longe de constituir crime de responsabilidade”. Segundo o jurista “os defensores da tese da criminalização das pedaladas alegam que a medida se traduz, na verdade, em operação de crédito entre a União e os bancos federais, o que seria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não prospera, porém, o argumento, porque quando o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a operação de crédito entre o ente federativo e a instituição financeira por ele controlada, tendo esta no polo ativo na relação creditícia, visa a evitar a sangria das instituições financeiras públicas pelos governos, como ocorreu com os bancos estaduais pelos governadores, nos anos 80 e 90.
Evidentemente, tal dispositivo não veda que os bancos públicos prestem serviços ao Governo Federal e nem os impedem de cobrar juros quando o Tesouro não lhes repassa tempestivamente os recursos para realizar o objeto do contrato de prestação de serviços. Portanto, a prática, embora não constitua, repita-se, boa técnica financeira, não é vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal”. E continua: “mesmo que assim não fosse, a prática não poderia ser enquadrada em qualquer das hipóteses de crime de responsabilidade do presidente da república por violação da lei orçamentária, cujas condutas sancionadas são expressamente previstas no artigo 10 da Lei n. 1.079/50, uma vez que a manobra, que vem sendo praticada desde o Governo FHC, não viola propriamente a lei de orçamento, que constitui o bem jurídico tutelado em todos os tipos do referido dispositivo legal”. Aduz que “ainda que assim não fosse, não é qualquer violação à lei orçamentária que justifica o impeachment de um presidente eleito, sob pena de subordinarmos a democracia aos arranjos financeiros necessários a composição do superávit primário, em detrimento das prioridades sociais definidas pela sociedade”. Concluino sentido de que “a tentativa de enquadrar as ‘pedaladas fiscais’ nas hipóteses de crime de responsabilidade não encontra suporte jurídico. Porém, como o julgamento tem um indiscutível tom político, já que a Câmara e o Senado, a quem compete julgá-las, são instituições eminentemente políticas, não surpreende a tentativa golpista. Mas se o julgamento é político, convém perguntar se as atuais composições da Câmara e do Senado, em que mais de um terço dos parlamentares responde a inquéritos ou ações criminais, se encontram em condições morais de afastar uma Presidente da República eleita por 55 milhões de brasileiros, por não ter repassado tempestivamente os recursos para o pagamento dos benefícios sociais que o seu governo criou ou ampliou? Seria a primeira vez na história da humanidade que um presidente eleito pelo povo seria cassado por seu governo ter obtido empréstimos a bancos públicos, e isso levado a efeito por um parlamento presidido e composto por vários políticos sabida e gravemente envolvidos com corrupção, o que, pelo se sabe, não é o caso da Presidente. Os golpes no Século XXI não utilizam mais tanque e baionetas, mas manipulação de argumentos jurídicos e julgadores desapegados da vontade popular. Espero que não seja o caso do nosso país. Agora vamos ver quem tem compromisso com o Estado de Direito!”
Não há nada contra a pessoa da presidenta que justifique o Impeachment. É claro que se no futuro surgir alguma outra denúncia comprovada contra ela, que se faça a devida investigação. Mas hoje não há nada.
Note-se que no presente post não comentei sobre uma possível, mas improvável, atuação do TSE contra o mandato de Dilma e Temer. Mas Dalmo de Abreu Dallari, o maior constitucionalista brasileiro, já disse que isso não é possível juridicamente (ver aqui).
Não sou vidente, mas me parece que com o que existe hoje de denúncias e provas, não ocorrerá Impeachment contra a primeira mulher presidenta do Brasil.
Tarso Cabral Violin – advogado em Curitiba, Professor de Direito Administrativo, mestre e doutorando (UFPR), autor do Blog do Tarso e presidente da Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná – ParanáBlogs.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Torcer para o Brasil também é um direito


Torcer pelo Brasil é um direito. As pessoas que quiserem podem e devem exercê-lo em paz, sem constrangimento de qualquer espécie.

Embora o futebol seja, de longe, o esporte preferido dos brasileiros, um novo esporte ganhou muitos adeptos desde o ano passado.

É o esporte de falar mal da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, de torcer para que a competição seja um fiasco e para que a imagem do País seja a pior possível, aqui dentro e lá fora.

O campeonato nacional de esculhambação da Copa e do Brasil é um esporte diário que envolve pessoas que se dividem em pelo menos dois grupos.

Um é o pessoal totalmente anticopa, que empunha a bandeira do #NãoVaiTerCopa e quer sabotar o evento custe o que custar.

Outro é a turma dos Empata-Copa, que é cheia de dedos, de "veja bem" e "não é bem assim". Eles até acham que vai ter Copa porque a Copa "já foi" - o dinheiro já foi gasto.

Ambos compartilham o mesmo objetivo: fazer que essa Copa seja inesquecível - no pior sentido, claro.

Os Anticopa são o pessoal do ataque. Os Empata-Copa são os da retranca.

A turma do #NaoVaiTerCopa é o pessoal da ação direta. Os Empata-Copa não querem inviabilizar o evento, mas torcem por um empate. Para esses retranqueiros, o empate já seria uma grande vitória. O importante é todo mundo sair de cabeça baixa.

Essa turma tem um olho só - é aquele que só vê malefícios. Em terra de cego, quem tem um olho é contra a Copa. Assim tratam os que defendem o evento: como cegos e idiotas.

Os Empata-Copa e os Anticopa acham que defender o Brasil é patriotada do tipo "ame-o ou deixe-o". A velha ditadura de 1964 a eles agradece por ser condecorada como "patriótica" -  que bela homenagem de uma gente insuspeita!

O regime que cunhou a doutrina de que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” agradece a força do pessoal que tem esse espírito crítico tão aguçado.

O “patriotismo” do "ame-o ou deixe-o", para quem já se esqueceu ou para quem nasceu ontem, é mera tradução do slogan usado pelo ex-presidente Richard Nixon: "USA: love it ou leave it". Patriótico pra caramba, né?

Engraçado que o antiamericanismo de alguns que vão às ruas não os impede de empunhar cartazes em Inglês. Seria injusto dizer que essa turma não torce por nada. Eles torcem para serem filmados pela CNN ou fotografados pela Reuters.

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor, mesmo que oculta por uma fantasia de Batman ou pela máscara pálida de Guy Fawkes, imortalizado pela produção hollywoodiana “V de Vingança” - à venda nas melhores lojas.

Uma coisa é certa - a Copa trouxe o malefício de fazer com que algumas pessoas se esqueçam dos grandes problemas do País.

Por exemplo, os que reclamam dos R$ 8 bilhões gastos em estádios, crime número 1 desta Copa. Os R$ 8 bi são empréstimos. Retornarão aos cofres públicos do BNDES e da Caixa Econômica Federal.

Os Empata-Copa e os Anticopa, porém, não se mostram nada incomodados com o fato de que se paga um Maracanã a cada dois dias em juros da dívida pública. Só em 2013, se pagou R$ 248 bilhões em juros. Será que nosso real problema são R$8 bi de empréstimos?

Por ano, serão pagos R$ 20 bilhões a mais para o mercado financeiro a cada vez que o Copom do Banco Central vier a elevar a taxa de juros em 1 ponto percentual. Detalhe: esse dinheiro não retorna para os cofres do BNDES ou da Caixa.

A Copa é o alvo errado. É um palpite infeliz de quem malha o Judas fingindo estar enfrentando o Império Romano.

Virou um misto de performance teatral e de indignação mal informada que mais parece pura babaquice - é o termo técnico mais preciso.

Os brasileiros têm direito à saúde, à educação, ao transporte para levá-los ao trabalho, à escola, ao domingo no parque.

Pois torcer pelo Brasil também é um direito. As pessoas que quiserem podem e devem exercê-lo em paz, sem sofrer constrangimento de qualquer espécie. Os que quiserem sentir vergonha também podem ficar à vontade.

Vai ter Copa e milhões de brasileiros vão exercer o seu direito a essa alegria fugaz que só dura 30 dias. Dias inesquecíveis. Cada qual tem o direito de escolher a maneira que achar melhor para se lembrar desse momento.

(*) Antonio Lassance é cientista político.
via, http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/06/torcer-para-o-brasil-tambem-e-um-direito.html

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brasil tem 1240 cursos de Direito; resto do mundo (você leu certo), 1100



Se quantidade não é sinônimo de qualidade, o excesso de cursos de direito no Brasil certamente é sintomático com relação a esta máxima. Não é minimamente razoável que o Brasil tenha mais cursos de direito que o resto do mundo somado. Esta situação precisa ser, no mínimo, problematiza e repensada.
Por Pierre Lucena


Um dos conselheiros do CNJ, Jefferson Kravchychyn, informou um dado que seria ridículo, caso não fosse uma tragédia anunciada para nosso país: o Brasil já tem mais faculdades de direito do que o resto do mundo somado.

Isto mesmo que você está lendo: não importa os 1,5 bilhão de chineses, muito menos os 1,0 bilhão de indianos, nem os americanos, japoneses, africanos, etc.. Não tem para ninguém, o Brasilzão tem 1240 cursos de direito e o resto do mundo somado tem 1100....

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O interesse público, os fins e os meios



Se nem para processar um criminoso, de nítido interesse público, meios ilícitos são permitidos, porque o seriam para produzir uma reportagem?
Na semana que passou, um jornalista da revista Veja foi acusado de ter tentado ingressar sem autorização no apartamento do ex-deputado José Dirceu e a própria revista de ter se utilizado de câmaras no hotel onde estava hospedado para flagrar políticos e autoridades que com ele se reuniam.
O hotel chegou a registrar Boletim de Ocorrência e as redes sociais repercutiram intensamente o episódio, mas o assunto foi praticamente ignorado pela grande imprensa.
Em se tratando dos personagens envolvidos, a prudência recomenda mesmo cautela, pois a denúncia partia justamente de quem se veria, nos dias seguintes, acusado de conspiração pela revista semanal. Já cassado e réu de um processo criminal, Dirceu tem todo o interesse em desacreditar quem lhe critica.
Mas o prolongado silêncio sobre o assunto, que chegou aos Trending Topics, insinua uma certa dose de corporativismo, defeito que é diuturnamente cobrado das autoridades pela própria imprensa....

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Casas de prostituição e seus reflexos nos direitos trabalhistas




A prostituição é, dentre todas as profissões existentes, uma das mais antigas na história da humanidade. Entretanto, desde os primórdios ela é cercada pelo preconceito e pela repressão da sociedade, argumentando que tal prática é contrária à moral e aos bons costumes. Na esfera jurídica, há grande discussão a respeito do tema: a liberalidade da prostituição não seria inconstitucional? Existe algum amparo aos profissionais pela norma trabalhista e previdenciária? De que forma o Direito Penal encara essa prática e os locais em que ela ocorre?
Nota-se que o tema engloba diversas áreas do direito, e é de extrema complexidade, visto que afeta toda a sociedade e o modo de vida das pessoas, principalmente das que dependem da profissão para seu sustento. Mas comecemos esse artigo analisando a prostituição pela nossa Lei Maior, a Constituição Federal de 1988.....