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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

TRUMP: AMEAÇA À HUMANIDADE OU BUFÃO QUE SE FINGIRÁ DE REI?

O CAPITALISMO TRUMPARIANO SE APROXIMA DO NACIONALISMO NAZISTA
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Se a vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, sob certos aspectos, foi uma surpresa, sob outros resulta coerente com determinadas mudanças verificadas nas últimas décadas na realidade contemporânea a partir do fim do sistema soviético.

O término da Guerra Fria, que dividia o mundo em duas facções hostis, provocou uma série de mudanças políticas, econômicas e ideológicas.

Elas geraram desde o radicalismo islâmico no Oriente Médio até o populismo latino-americano, que vive seus últimos momentos. Mas não só: provocou também reações diversas tanto no capitalismo europeu quanto no capitalismo norte-americano, de que a eleição de Trump é, sem dúvida, uma das consequências mais graves.

É claro que o fim do sistema soviético fortaleceu o capitalismo tanto econômica como ideologicamente, mas também provocou divisões no próprio capitalismo, de um lado favorecendo a tendência mais moderna –que aprendera com o socialismo a lição da igualdade social– mas, de outro, estimulando ideologicamente o capitalismo atrasado, que se valeu do sectarismo comunista para justificar a exploração sem limites e o lucro máximo.

Não é novidade dizer que o sonho da sociedade justa que o comunismo inspirava estimulou o surgimento de partidos e movimentos políticos que, durante quase um século, puseram em questão o regime capitalista, cujo caráter explorador do trabalho humano é indiscutível.

Esses movimentos e partidos, por sua vez, provocaram da parte dos setores mais conservadores reações –nazismo e fascismo foram exemplos extremos, mas não os únicos. Em muitos momentos e países, estabeleceu-se uma divisão insuperável, que se define até hoje como esquerda e direita.

Se é verdade que os erros do regime comunista –mesmo antes de sua derrocada final– impediram uma pretendida hegemonia mundial, o fim dele como realidade política e econômica teria consequências diferentes nos diferentes países capitalistas, indo desde certa socialização do capitalismo em alguns países até, contraditoriamente, a exacerbação da exploração capitalista, já que –segundo estes– ficara demonstrado pela história como a tese de que o capitalismo seria um mal a ser extirpado era resultado de um preconceito e de um erro da esquerda.

E essa tese não foi aceita apenas pelos militantes anticomunistas, mas também pelos setores mais diversos de alguns países europeus que optaram recentemente por governos de direita, não radicais como o de Donald Trump, mas igualmente dispostos a apagar, de uma vez por todas, o pesadelo do anticapitalismo que os assustou por décadas e décadas.

Esse anticomunismo é, portanto, bem mais radical que o europeu, porque a ele se soma a necessidade de erradicar do capitalismo todo e qualquer preconceito socializante, o que o opõe não apenas ao falecido comunismo como também ao chamado capitalismo moderno, minado de intenções progressistas.

Esse caráter do capitalismo trumpariano caracteriza-o como uma opção abertamente reacionária que, não por acaso, o aproxima do nacionalismo nazista, do qual estão excluídos quaisquer sentimentos de solidariedade com o sofrimento humano. Tudo isso é encarado como hipocrisia.

O capitalismo, assim entendido, é o regime dos mais capazes e dos vitoriosos, como Donald Trump.

O que importa é o lucro, ou seja, o aumento do capital e da riqueza, não importando que consequências tenham. Azar daqueles que a natureza criou incapazes.

Por isso mesmo, Trump nega que o desenvolvimento industrial gere o aquecimento do planeta e ameace a sobrevivência da humanidade. Ou seja, après moi, le déluge (depois de mim, o dilúvio).

Gostaria de concluir esta crônica tranquilizando o leitor com a seguinte lembrança: todas as tentativas semelhantes a essas, que ignoraram a realidade do processo econômico, político e científico, fracassaram.

Puderam até por algum tempo ganhar o apoio dos menos lúcidos e ressentidos, mas não sobrevivem porque são fruto do sectarismo, de ilusões e de ressentimentos, sem base na realidade. 
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Pitaco do editor
O APRESENTADOR DO "BIG BROTHER" NÃO PODE DEMITIR OS PATROCINADORES DO PROGRAMA
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Dentre os analistas que levam o Pato Donald Trump a sério, o veteraníssimo Ferreira Gullar foi o que melhor discorreu sobre o pesadelo que nos aguardaria. 

Não é o meu caso, mas considerei interessante apresentar suas divagações aos leitores deste blogue. Muitos, decerto, concordarão. E a discussão civilizada de pontos de vista discordantes é sempre proveitosa.

O que estamos assistindo,  no meu entender, é a repetição da História como farsa. Adolf Hitler detinha realmente o poder e podia realmente ordenar sandices como a invasão da URSS, que acabou quebrando a espinha da Wehrmacht.

A retórica e o passado macartista de Richard Nixon nos levavam a crer que acabaria desencadeando a 3ª Guerra Mundial. Ao invés disto, estabeleceu um modus vivendi com a URSS e a China, assegurando a paz entre as maiores potências militares do planeta.

O canastrão Ronald Reagan, surpreendendo quem tomava ao pé da letra seus discursos, combateu o império do mal com armas econômicas, deixado de lado as bélicas, salvo para sovar pigmeus como a Líbia.

George Bush, o pior dos últimos presidentes republicanos, jogou a civilização no lixo com suaguerra ao terror, restabelecendo, ele sim, práticas nazistas. Mas, nem de longe, provocou furacão equiparável ao que Gullar antevê a partir da posse de Trump.

Por que? Porque, no capitalismo globalizado, o poder político se tornou mero fantoche do econômico, o palco em que os bufões se fingem de reis, enquanto as verdadeiras majestades permanecem na sombra, tomando as decisões verdadeiramente importantes.

Talvez Hitler, tendo a bomba atômica, conseguisse efetivamente lançá-la sobre os EUA e a Inglaterra. Duvido que deixem Trump fazê-lo, caso queira. Isto rende boas novelas de ficção e filmes de sci-fi, nada mais.

Uma ou outra de suas promessas Trump precisará cumprir, para manter as aparências. A deportação de imigrantes sem documentos, p. ex. Mas que vá erguer barreiras nacionalistas a torto e a direito, afetando os interesses das maiores empresas do planeta, lá isto eu duvido. 

Estamos na sociedade do espetáculo e o apresentador do Big Brother estadunidense não tem poder suficiente para demitir os patrocinadores do programa. 
(por Celso Lungarettihttps://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/por-ferreira-gullar-o-capitalismo.html

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guerra antidrogas, plano perverso




Sexta-feira passada, 17 de junho, completaram-se 40 anos da declarada “guerra contra as drogas” encabeçada por Richard Nixon para combater “o inimigo público número um dos Estados Unidos que é o uso das drogas”. Desde então, até a presente data, somente como balanço, a maldita guerra redundou num fracasso em que nenhum dos objetivos foi alcançado.

Pelo contrário, milhões de homens e mulheres foram vítimas – “danos colaterais” – de tal decisão. Tanto pela oferta de opiáceos quanto pelo consumo que aumentou (ver Maniobra Del Poder, 3 de junho, onde se abordou o tema a partir do “informe da Comissão Global de Políticas de Drogas, junho de 2011”, e se fala das consequências “devastadoras para indivíduos e sociedades ao redor do mundo”, contra o qual se recomenda: “São necessárias reformas urgentes e fundamentais nas políticas de controle de drogas nacionais e mundiais” até alcançar um negócio de 320 bilhões de dólares, ou seja, 1% de todo o comércio mundial.

Segundo dados da ONU, de 1988 a 2008 o uso de drogas aumentou em 34,5%; a cocaína, em 27%; a maconha, em 8,5%. Somente este ano, entre 20 e 25 milhões de cidadãos estadunidenses usaram alguma droga ilícita, 10 milhões a mais que em 1970, e cada dia se somam 8 mil à conta fatal. Outro dado indica que os EUA destinam cerca de 15 bilhões para a “guerra contra as drogas”, mas cálculos conservadores afirmam que a cifra chega aos 40 bilhões.

Contudo, entre as máscaras oficiais, nos EUA se destaca a postura do czar antidrogas, Gil Kerlikowske, que diz preferir não usar o termo “guerra”, “porque não estamos em guerra contra nossa própria gente”. Mas nos EUA as cadeias estão cheias de jovens – quase 40 milhões – relacionados com drogas, que não precisamente são delinquentes, mas cometeram delitos não violentos por drogas. Por isso, “para afroestadunidenses e latinos, a guerra contra as drogas se percebe bem mais como uma guerra contra eles, contra a juventude negra. Com o aprisionamento como arma mais empregada nesta ‘guerra’”.

Fora isso, “as cifras comprovam: os Estados Unidos são o país com mais presos no mundo, com somente 5% da população mundial, têm 25% do total dos prisioneiros no planeta – aproximadamente 2,3 milhões, comparando com 300 mil em 1972... O ruidoso aumento da população encarcerada se deve em grande medida ao aumento na detenção de pessoas que cometeram delitos relacionados à drogas – em 1980 eram 41 mil destes, agora há mais de 500 mil (um aumento de 2.000%)”. (Dados do La Jornada, 17/junho/2011)”......