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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Europa pode embarcar na 3ª Guerra Mundial: Embaixador russo assassinado na Turquia



O responsável pelo ataque gritou "Allahu Akbar" ("Alá é grande"), de acordo com um fotógrafo da agência de notícias AP que estava presente no local. 





O atirador foi morto no local por forças de segurança, de acordo com a imprensa turca. Segundo o site britânico Independent, ele foi identificado pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia como Mevlut Mert Altintas. O atirador tinha 22 anos e trabalhava para uma tropa de choque da polícia de Ancara nos últimos dois anos e meio.


Assassino do embaixador russoO assassinato de Andrei Karlov, nos leva a fazer um paralelo com o fato ocorrido em Em 28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato da guerra.


Na época as políticas imperialistas das grandes potências da Europa, como o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano, o Império Russo, o Império Britânico, a Terceira República Francesa e a Itália, visavam uma redivisão da riqueza e do poder no mundo, tal qual acontece nestes tristes dias de 2016. A agravante agora é que EUA e Rússia, entre outras potências bélicas, possuem armas nucleares com poder de destruição do planeta em pouquíssimo tempo.


Resta saber se Putin conseguirá reagir corretamente a esta clara provocação das demais potênciais ocidentais e deter os belicistas russos que certamente reivindicarão a vingança ao embaixador morto.


E se conseguir detê-los, por quanto tempo o logrará fazer?


Acaba 2016, acaba, mas não em guerra!

Bertoni
http://www.contextolivre.com.br/2016/12/europa-pode-embarcar-na-3-guerra.html

sexta-feira, 27 de março de 2015

Vídeo da Nasa mostra como a poeira do Saara fertiliza a Amazônia


O ecossistema amazônico depende da poeira do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes.
Do Ciclo Vivo 

"Uma quantidade significativa de poeira do deserto do Saara “viaja” mais de dois mil quilômetros chegando até a Amazônia, é o que mostra um vídeo divulgado recentemente pela Agência Espacial Americana (Nasa). A informação, no entanto, não é exatamente uma novidade.

Os dados da Nasa que mostram a relação entre o deserto e a floresta foram coletados entre 2007 e 2013, apesar de o fato já ser conhecido por muitos cientistas anos antes. Agora se tem mais dados exatos sobre o fenômeno. 

Estima-se que cerca de 182 mil toneladas de poeira cruzam o Oceano Atlântico chegando ao continente americano - cerca de 27,7 milhões caem na floresta. Deste total, 0,08% corresponde a fósforo (importante nutriente para as plantas), segundo pesquisadores da Universidade de Maryland (EUA), o que equivale a 22 mil toneladas.

Esta quantidade de fósforo, ainda segundo o estudo, é suficiente para suprir a necessidade de nutrientes que a floresta amazônica perde com as fortes chuvas e inundações na região.

“Todo o ecossistema amazônico depende da poeira do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes perdidos”, afirma o coordenador do estudo, Hongbin Yu. Ele confirma o que muitos, mesmo sem bases científicas, repetem há tempos: "Este é um mundo pequeno e estamos todos conectados".

A poeira rica em nutrientes sai principalmente de uma região conhecida como Depressão Bodele, localizado no país africano Chade, que foi formada após o maior lago da África secar – há cerca de mil anos.

A maior parte da poeira, entretanto, permanece suspensa no ar, enquanto que 43 milhões de toneladas chegam até o mar do Caribe. O estudo, que só foi possível graças a coleta de dados do satélite Calipso, da Nasa, foi divulgado na revista científica Geophysical Research Letters, veja aqui. A agência divulgou uma animação em 3D que ilustra como tudo acontece, confira:


terça-feira, 3 de março de 2015

Ricardo Semler: “A corrupção não é um problema público, é um problema privado enorme”



Em entrevista, empresário tucano reafirma sua percepção de que “nunca se roubou tão pouco” no Brasil e estende a responsabilidade do problema para o setor privado. “Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras”, questionou

“A corrupção é muito mais endêmica do que parece, não é um problema ‘só’ brasileiro. E não é um problema público, é um problema privado enorme”.

A declaração é de Ricardo Semler, empresário filiado ao PSDB, em entrevista concedida ao programa Diálogos com Mário Sérgio Conti, exibida na noite desta quinta-feira (26) na Globo News. (assista abaixo). Em novembro de 2014, Semler já havia ido na contramão da cobertura noticiosa da mídia tradicional quando, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, afirmou que “nunca se roubou tão pouco no Brasil”, fazendo alusão a uma “santa hipocrisia” da elite em relação às denúncias na Petrobras. Agora, voltou à carga analisando a questão da corrupção no país e no mundo.

Na entrevista, Semler falou a respeito da percepção que as pessoas em geral têm, de que a corrupção no Brasil alcança índices escandalosos, fazendo um paralelo com a visão sobre a violência. “Nunca se matou tão pouco. Se voltar pra Guerra Civil espanhola, [com] Franco são 21 milhões de pessoas; Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Guerra dos 30 Anos, Guerra dos Cem Anos… Nunca morreu tão pouca gente. No entanto, esse ‘atacado’ das grandes guerras está no ‘varejo’”, explica. “E a internet, a facilidade de comunicação, faz com que tudo fique óbvio e conhecido por todo o mundo”, pontua, fazendo a comparação: “Com a corrupção é a mesma coisa, ela era no ‘atacado’. Quando eu listasse pra você o xá do Irã, Idi Amin Dada, estou falando de 10, 15, 20 bilhões de dólares pra cada pessoa. Não estou defendendo, mas o que quero dizer é que agora estamos em um momento em que aparece muito [a corrupção] e que veio pro varejo, o que é um grande problema.”

O empresário tenta dimensionar o problema da corrupção, afirmando não só que não se trata de um problema tipicamente brasileiro, como também não é novo. “Há 20 anos roubava-se um percentual sobre todos os barris de petróleo que vinham para o Brasil. Se fizesse uma investigação hoje, queria saber com as empreiteiras como foi a construção de Itaipu, Transamazônica, Brasília… Os números hoje são pequenos, mas não são defensáveis”, afirma, criticando a postura do PT no governo em seguida. “O PT enfiou os pés pelas mãos ao achar que precisava jogar o jogo do Brasil do jeito que se joga porque senão não tinha chance. É uma pena, porque o PT era a última esperança de vir alguém e dizer ‘não vou jogar desse jeito’. Mas não quer dizer que o roubo está aumentando, ele está no varejo, está na internet e então aparece ‘pra burro’.”

Embora o foco da mídia de uma forma geral seja a ação de agentes públicos, Semler afirma que a corrupção é algo comum também no âmbito privado. “Quem olhar a iniciativa privada, porque se diz ‘isso é uma coisa pública, esses políticos, Brasília…’. Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras, que é de uma empresa multinacional alemã, americana…. Não vende pra muitas delas. Propina pro comprador, negócio privado. Pra grandes redes de supermercado, vai lá e pede pra botar seu produto na gôndola mais perto. Vender prótese para hospital particular, os grandes nomes do Brasil, não vende sem corrupção”, diz.

A circunscrição do problema também estaria equivocada já que, segundo o empresário, trata-se de um fenômeno global que atinge países como China, Rússia e Estados Unidos, ainda que de formas distintas. “No tempo Bush, Dick Cheney, Halliburton, 800 bilhões de dólares em armamentos comprados dos amigos… Agora, eles [EUA] estão no atacado, então você vai pra Miami, dirige, e o guarda de trânsito não te pede nada. Porque [a corrupção] é lá em cima, na hora que o cara vende armamento pra um país inteiro pra destruir o Afeganistão.”

De acordo com Semler, a corrupção estaria relacionada com a desigualdade e a submissão das pessoas em relação ao poder do dinheiro. “Quando se pensa um pouco, de onde vem a corrupção? Do desejo de ter o dinheiro que é necessário para a pirâmide social. Hoje, se eu conseguisse convidar as 85 pessoas certas para um coquetel lá em casa, os 85 mais ricos do mundo, eu teria gente que tem mais patrimônio que 2,2 bilhões de pessoas no planeta. Há uma coisa profundamente errada nisso”, pondera. “Achamos que moramos em um mundo cada vez democrático, mas a verdade é que a gente vive em uma monarquia e somos todos súditos do ‘King Cash’, o ‘Rei Grana’. Agora, dinheiro é tudo, e se dinheiro é tudo, a corrupção tende a aumentar de forma capilar, no varejo. Por isso que digo que o valor que se rouba tenho certeza que é menor, mas tem muito mais gente interessada no seu quinhão desta corrupção.”

Para Semler, este cenário só teria chance de ser alterado caso haja uma mudança na educação, que ainda é baseada em um modelo fordista segundo sua avaliação. “A resposta, pra mim, está no jardim de infância, infelizmente demora um pouco. O fato é que nós estamos em um sistema educacional — que estamos tentando melhorar, mas ele é ruim em qualquer lugar do mundo — baseado numa linha de montagem do Henry Ford em 1908 que diz ‘preciso passar um milhão de pessoas pela escola e fornecer para a indústria’”, argumenta. “Mas aquele emprego já acabou. Nós só tínhamos a cabeça pra manter a informação, hoje toda a informação está disponível em trinta segundos no Google, o que estamos fazendo treinando a cabeça das pessoas? Está na hora de, no jardim de infância, a gente parar pra pensar no que está certo, no que está errado, quais são as questões fundamentais de vida em sociedade, cidadania etc. É isso que vai resolver o problema da corrupção logo, logo, em trinta, quarenta, cinquenta anos. Não vai ser em dois meses.”




No Fórum

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Bomba! O vídeo que pode derrubar Joaquim Barbosa!

Prestem atenção nesse vídeo. Nele, Joaquim Barbosa fala inúmeras inverdades, além de seus ataques de praxe aos direitos dos réus.

É uma votação de 12 de maio de 2011. Julga-se exatamente se o STF deve liberar ou não os autos do Inquérito 2474 a alguns réus da Ação Penal 470. Barbosa vinha mantendo o Inquérito 2474 em sigilo desde que o recebeu, em março de 2007. No início de 2011, vazou uma pequena parte à imprensa, e vários réus da Ação Penal 470 solicitam ao STF para terem acesso à íntegra do inquérito, que tem 78 volumes. Barbosa, então relator da Ação Penal 470, recusa, e o caso vai a votação. Ao final, Barbosa vence, com ajuda de Ayres Brito, que desempata a votação.
Barbosa afirma que inquérito 2474 trata de outros réus e assuntos não relacionados ao mensalão petista.
Mentira.
O relatório do Inquérito 2474 trata dos réus que também estão na Ação Penal 470, como Marcos Valério e seus sócios, e Henrique Pizzolato e Gushiken. E traz documentos, logo em suas primeiras páginas, dos pagamentos do Banco do Brasil à DNA, referentes às campanhas da Visanet. Ora, o pilar do mensalão foi o suposto desvio de recursos da Visanet, no total de R$ 74 milhões, para a DNA, sem a correspondente prestação de serviços. Como assim o Inquérito 2474 trata de assuntos diferentes?
Barbosa diz que a Polícia Federal tomou cuidado para “não apurar, no Inquérito 2474, nada que já esteja sendo apurado na Ação Penal 470″.
Mentira.
No inquérito 2474, um dos documentos mais analisados é o Laudo 2828, que investiga o uso dos recursos Visanet, que é o tema principal da Ação Penal 470.
Celso de Mello dá uma belíssima aula sobre a importância, para a defesa, de conhecer todos os autos que possam lhe ajudar. E vota contra o relator, em favor do pedido dos réus.
Barbosa se posiciona, como sempre, como um acusador impiedoso e irritado, sem interesse nenhum em dar mais espaço à defesa.
Observe ainda que Celso de Mello dá sutis estocadas irônicas na maneira “célere” com que Barbosa toca esse processo (a Ação Penal 470), “em particular”. Ou seja, Mello praticamente acusa Barbosa de patrocinar um julgamento de exceção.
Celso de Mello alerta que a manutenção de sigilo para documentos que poderiam ajudar os réus constitui um “cerceamento de defesa”.
Barbosa agiu, como sempre, como um inquisidor implacável e medieval. Ayres Brito e Luis Fux, para variar, votam alinhados à Barbosa.
É inacreditável que o Supremo Tribunal Federal (STF), um lugar onde supostamente todas as garantias individuais deveriam ser asseguradas aos cidadãos perseguidos pelo Estado, de repente se transfigurou num tribunal de exceção, de perfil inquisitorial, no qual os direitos da defesa foram tratados, sistematicamente, como meras “chicanas”, “postergações inúteis”.
Todas as regras foram quebradas, mil exceções foram criadas, para se condenar sumariamente.
Nesse vídeo, temos a prova de que Barbosa agiu deliberadamente para cercear direitos à defesa. Isso é o pior crime que um juiz da suprema corte pode cometer, e que justifica um pedido de impeachment.
Entretanto, se pode verificar no vídeo o nervosismo de Barbosa para afastar qualquer possibilidade de trazer as informações do inquérito 2474 para dentro dos debates.
Celso de Mello lembra, então, que o plenário ainda estava na fase de apurações, e que portanto era o momento adequado para enriquecer o debate com mais informações, ao que Barbosa responde, com sua prepotência de praxe, que a fase de investigação estava “quase no final”. Como quem diz: “não me atrapalhe, quero terminar logo esse circo; vamos condenar logo esses caras os mais rápido possível; temos que dar satisfação à Rede Globo.”
torquemada2
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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Episódio editado de seriado é tirado do ar por fazer menção ao atentado de Boston



Emissora tirou do ar episódio editado
que remete a atentado em Boston
Imagem: Reprodução

Redação, PortalIMPRENSA

"A Fox tirou de seu canal de TV e de seus sites o episódio “Turban Cowboy", da série de animação “Uma Família da Pesada”, após trechos independentes terem sido editados um dia depois das explosões na Maratona de Boston para parecer que o atentado fazia parte do episódio.

De acordo com a Reuters, no clipe editado, duas cenas são fundidas ao episódio, como a do personagem principal dirigindo bêbado através dos corredores para tentar vencer a Maratona de Boston.

A segunda cena editada mostra o personagem se tornando, sem saber, amigo de um extremista que lhe entrega um celular. Quando Peter tenta usar o celular, explosões são ouvidas.

Um porta-voz da Fox disse que os funcionários da rede estavam trabalhando com o YouTube para retirar os clipes editados, que viraram um viral na internet. Não se sabe quem enviou os clipes.

Em sua conta no Twitter, o criador da série, Seth MacFarlane, escreveu que o vídeo é “abominável”. "O clipe editado de 'Uma Família da Pesada' circulando é abominável. O incidente foi um crime e uma tragédia, e meus pensamentos estão com as vítimas", afirmou.”

Assista ao vídeo:


sábado, 2 de fevereiro de 2013

O que o medo pode ensinar


 Walker comenta em conferência a conexão entre o medo e a imaginação

Oásis / Brasil 247

A escritora Karen Thompson Walker durante conferência em Londres, para o TED
Vídeo: TED-Ideas Worth Spreading. Tradução para o português: Isabel Villan. Revisão: Gislene Kucker

Imagine que você é um marinheiro náufrago à deriva na imensidão do Oceano Pacífico. Você pode escolher uma de três direções e salvar a si mesmo e a seus companheiros - mas cada escolha vem com uma temida consequência também. Como escolher a melhor opção? Contando a história do baleeiro Essex, a romancista Karen Thompson Walker demonstra como o medo impele a imaginação, à medida que nos força a imaginar possíveis futuros e como lidar com eles.

"Nossos medos podem representar ótimos presentes da imaginação... um modo para se antever o futuro enquanto ainda existe tempo para influenciar o modo como ele vai funcionar", diz Karen Thompson Walker

Vídeo da conferência de Karen Thompson Walker:


Tradução integral da conferencia de Karen Thompson Walker:

Um dia em 1819, a 3 mil milhas da costa do Chile, numa das regiões mais remotas do Oceano Pacífico, 20 marinheiros americanos assistiram a inundação de seu navio pela água do mar. Tinham sido atingidos por um cachalote que fizera um rombo catastrófico no casco do navio. Quando o navio começou a afundar sob as ondas, os homens se amontoaram em três pequenos barcos baleeiros. Esses homens estavam a 10 mil milhas de casa, a mais de mil milhas da nesga de terra mais próxima. Nos pequenos barcos, carregaram somente equipamento rudimentar de navegação e suprimento limitado de comida e água. Esses eram os homens do baleeiro Essex, cuja história inspiraria, mais tarde, partes do romance "Moby Dick".

Mesmo no mundo de hoje, a situação deles seria realmente terrível, mas pense quanto pior ela foi então. Ninguém em terra tinha ideia de que algo dera errado. Nenhuma equipe de busca estava procurando por esses homens. A maioria de nós nunca vivenciou uma situação tão assustadora como aquela em que os marinheiros se encontravam, mas todos sabemos como é ter medo. Sabemos como é sentir medo, mas não tenho certeza se passamos tempo bastante pensando sobre o que nossos medos significam.

À medida que crescemos, com frequência somos encorajados a pensar em medo como uma fraqueza, apenas mais uma coisa de criança a descartar como dentes de leite e patins. E acho que não é por acaso que pensamos dessa forma. Na verdade, os neurocientistas demonstraram que seres humanos são equipados para ser otimistas.Talvez seja por isso que pensamos em medo, algumas vezes, como um perigo em si mesmo. "Não se preocupe", gostamos de dizer um ao outro. "Não entre em pânico". Em inglês, medo é algo que nós vencemos. É algo que combatemos. É algo que superamos. Mas, e se olhássemos para o medo de uma nova maneira? E se pensássemos no medo como um ato surpreendente da imaginação, algo que pode ser tão profundo e perspicaz quanto onarrar histórias?

É mais fácil ver esta ligação entre medo e imaginação em crianças pequenas, cujos medos são com frequência extraordinariamente vívidos. Quando era criança, morei na Califórnia, que é, vocês sabem, na maior parte, um lugar muito agradável para viver. Mas para mim, uma criança, a Califórnia era também um pouquinho assustadora. Lembro quão apavorante era ver o lustre que pendia sobre a mesa de jantar balançando para frente e para trás durante o menor tremor de terra, e algumas vezes não conseguia dormir à noite, aterrorizada porque o Big One (terremoto) poderia nos atingir enquanto estávamos dormindo. E o que dizemos sobre crianças que têm medos como este é que elas têm uma imaginação vívida. Mas num certo ponto, a maioria de nós aprende a deixar para trás esse tipo de visões e cresce. Aprendemos que não há monstros escondidos debaixo da cama, e que nem todo terremoto destrói edifícios. Mas talvez não seja coincidência que algumas de nossas mentes mais criativas não conseguiram deixar para trás esse tipo de medo quando adultos. A mesma imaginação incrível que produziu "A Origem das Espécies", "Jane Eyre" e "Em Busca do Tempo Perdido", também gerou preocupações intensas que assombraram a vida adulta de Charles Darwin, Charlotte Bronte e Marcel Proust. Assim, a questão é: o que podemos aprender sobre o medo com visionários e crianças pequenas?

Bem, vamos retornar ao ano de 1819 por um momento, para a situação que enfrentava a tripulação do baleeiro Essex. Vamos dar uma olhada nos medos que a imaginação deles criava enquanto estavam à deriva no meio do Pacífico. Vinte e quatro horas tinham se passado desde o naufrágio do navio. Era hora de os homens fazerem um plano, mas eles tinham muito poucas opções. Em seu fascinante relato do desastre, Nathanel Philbrick escreveu que esses homens estavam tão distantes da terra quanto era possível estar de qualquer lugar na Terra. Os homens sabiam que as ilhas mais próximas que poderiam alcançar eram as Ilhas Marquesas, a 1.200 milhas de distância. Mas tinham ouvido alguns rumores assustadores. Diziam que essas ilhas, e várias outras nas redondezas, eram habitadas por canibais. Então os homens imaginaram-se chegando à praia apenas para serem mortos e comidos no jantar. Um outro destino possível era o Havaí, mas, em razão da estação do ano, o capitão tinha medo de que fossem atingidos por tempestades terríveis. A última opção era a mais longa, e a mais difícil: navegar 1.500 milhas em direção ao sul, na esperança de alcançar uma determinada região de ventos que poderiam finalmente empurrá-los em direção à costa da América do Sul. Mas sabiam que a extensão dessa viagem esgotaria seus suprimentos de comida e água. Ser comido por canibais, ser abatido por tempestades, morrer de fome antes de atingir a terra. Esses eram os medos que dançavam na imaginação desses pobres homens, acontece que, o medo a que escolhessem dar ouvidos decidiria se viveriam ou morreriam.

Bem, poderíamos simplesmente designar esses medos por um nome diferente. E se em vez de nomeá-los como medos, nós os chamássemos de histórias? Porque isso é realmente o que o medo é, se você pensa nisso. É uma forma não intencional de contar histórias que todos nascem sabendo fazer. E medos e contar histórias têm os mesmos componentes. Eles têm a mesma arquitetura. Como todas as histórias, os medos têm personagens. Em nossos medos, os personagens somos nós. Medos também têm enredos. Têm começo, meio e fim. Você embarca no avião. O avião decola. O motor falha. Nossos medos também tendem a conter imagens que podem ser, em cada pedacinho, tão vívidas como as que você encontraria nas páginas de um romance. Imagine um canibal, dente humano afundando na pele humana, carne humana assando sobre uma fogueira. Medos também têm suspense. Se fiz meu trabalho como narradora hoje, você deve estar imaginando o que aconteceu com os homens do baleeiro Essex. Nossos medos provocam em nós uma forma de suspense muito semelhante. Como todas grandes histórias, nosso medos focalizam nossa atenção numa questão que é tão importante na vida quanto é na literatura: O que acontecerá depois? Em outras palavras, nossos medos nos fazem pensar sobre o futuro. E humanos, a propósito, são as únicas criaturas capazes de pensar sobre o futuro dessa maneira, de projetar-nos à frente no tempo; e essa viagem mental no tempo é mais uma coisa que medos têm em comum com a narração.

Como escritora, posso dizer-lhes que grande parte do escrever ficção é aprender a predizer como um fato em uma história afetará todos os outros acontecimentos, e o medo funciona dessa mesma maneira. No medo, exatamente como na ficção, uma coisa sempre leva a outra. Quando estava escrevendo meu primeiro romance, "The Age Of Miracles", passei meses tentando imaginar o que aconteceria se a rotação da Terra subitamente começasse a diminuir. O que aconteceria a nossos dias? O que aconteceria a nossas colheitas? O que aconteceria a nossas mentes? E foi somente mais tarde que percebi quão semelhantes eram essas perguntas àquelas que eu costuma me fazer quando criança, assustada, no meio da noite. Se um terremoto nos atingir esta noite, eu costumava a me inquietar, o que acontecerá à nossa casa? O que acontecerá à minha família? E a resposta a essas questões sempre teve a forma de uma história. Portanto se pensamos em nossos medos como mais do que apenas medos, mas como histórias, devemos pensar em nós mesmos como os autores dessas histórias. Mas tão importante quanto isso, precisamos pensar em nós mesmos como leitores de nossos medos, e como escolhemos ler nossos medos pode ter um profundo efeito em nossas vidas.

Bem, alguns de nós leem naturalmente os medos mais exatamente que outros. Recentemente li um estudo sobre empreendedores bem sucedidos e o autor descobriu que essas pessoas tinham um hábito que ele chamou de "paranoia produtiva", o que significa que essas pessoas, em vez de descartar seus medos, essas pessoas fazem uma leitura detalhada deles, elas os estudam, e então traduzem aquele medo em preparação e ação. Dessa forma, se seus piores temores se tornarem realidade, suas empresas estão preparadas.

E às vezes, claro, nossos piores medos se tornam realidade. Essa é uma das coisas que são tão extraordinárias sobre o medo. Vez por outra, nossos medos podem prever o futuro. Mas talvez não possamos nos preparar para todos os medos que nossa imaginação inventa. Então, podemos distinguir entre os medos que valem a pena ouvir e todos os outros? Penso que o final da história do baleeiro Essex apresenta um exemplo esclarecedor, ainda que trágico. Depois de muita deliberação, os homens finalmente tomaram uma decisão. Aterrorizados pelos canibais, decidiram abrir mão das ilhas mais próximas e em vez disso embarcaram na rota mais longa e muito mais difícil para a América do Sul. Depois de mais de dois meses no mar, os homens ficaram sem comida, como sabiam que poderiam ficar, e ainda estavam bem distantes da terra. Quando o último dos sobreviventes finalmente foi recolhido por dois navios que passavam, menos da metade dos homens tinha sobrevivido e alguns deles tinham recorrido à sua própria forma de canibalismo. Herman Melville, que usou esta história como pesquisa para "Moby Dick",escreveu anos depois, e em terra firme, cito: "Todos os sofrimentos desses pobres homens do Essex poderiam, dentro de todas probabilidades humanas, ter sido evitados, se eles, imediatamente após deixar o naufrágio, tivessem se dirigido direto para o Taiti." Assim, a pergunta é: por que esses homens se aterrorizaram com os canibais muito mais do que com a extrema possibilidade de inanição? Por que foram influenciados por uma história muito mais do que pela outra? Olhe por este ângulo, ali começa uma história sobre leitura. O romancista Vladimir Nabokov disse que o melhor leitor tem uma combinação de dois temperamentos muito diferentes, o artístico e o científico. Um bom leitor tem uma paixão de artista, uma disposição de ser apanhado na história, mas, com a mesma importância, o leitor também precisa da frieza de julgamento de um cientista, que age para acalmar e complicar as reações intuitivas do leitor à história. Como vimos, os homens do Essex não tiveram problemas com a parte artística. Eles imaginaram uma variedade de cenários horríveis. O problema foi que eles deram ouvidos à história errada. De toda as narrativas que os medos deles escreveram, eles responderam somente à mais sinistra, à mais vívida, àquela que era mais fácil para a imaginação deles criar: canibais. Mas, talvez se tivessem sido capazes de ler seus medos mais como um cientista, com mais frieza de julgamento, teriam dado ouvidos ao conto menos violento mas mais provável, a história da inanição, e se encaminhado para o Taiti, exatamente como o triste comentário de Melville sugere.

E talvez, se tentássemos ler nossos medos, nós também seríamos com menos frequência influenciados pelo mais indecente entre eles. Talvez então passássemos menos tempo nos preocupando com assassinos em série ou desastres de avião, e mais tempo dedicado aos desastres mais sutis e lentos que enfrentamos: a silenciosa sedimentação de placa em nossas artérias, as mudanças graduais em nosso clima.

Assim como as histórias mais matizadas na literatura são com frequência as mais ricas, assim também podem ser mais verdadeiros nossos medos mais sutis. Lidos de maneira correta, nossos medos são um dom surpreendente da imaginação, um tipo de clarividência diária, uma forma de antever o que poderia ser o futuro quando ainda há tempo para influenciar como esse futuro se desenrolará. Adequadamente lidos, nossos medos podem nos oferecer algo tão precioso como nossas obras de literatura favoritas: um pouco de sabedoria, um pouco de perspicácia e uma versão da coisa mais ardilosa - a verdade. Obrigada. (Aplausos)”

sábado, 2 de junho de 2012

A história da água engarrafada.




Um esclarecedor vídeo que mostra a importância da água enquanto bem público. Como bem contextualiza Emir Sader: "Antes, quando dávamos exemplo de um bem que tem valor de uso e não valor de troca, usávamos a água. O neoliberalismo acabou com isso. Privatiza a água, que se tornou uma mercadoria como outra, apesar de ser bem essencial à sobrevivencia das pessoas."

domingo, 20 de novembro de 2011

Belo Monte e o pensamento binário

Na matemática, sistema binário é um sistema de numeração posicional em que todas as quantidades se representam com base em dois números, zero e um (0 e 1). Os computadores, por exemplo, trabalham internamente com dois níveis de tensão, pelo que o seu sistema de numeração natural é o binário (ligado e desligado).
A metáfora é perfeita para ilustrar o que está acontecendo nessa discussão sobre a Usina de Belo Monte: ou se é contra ou a favor. Não há meio termo. Só preto ou branco, nenhum tom cinzento.
Mas esse pensamento binário só se aplica aos que militam contra ou a favor da obra, porque o conjunto da sociedade está perdido nessa enxurrada de dados e argumentos técnicos e, assim, pelo que percebi na primeira postagem que fiz sobre o caso essa maioria esmagadora ainda não conseguiu formar opinião, o que obriga muitas pessoas a se posicionarem contra ou a favor da obra com base em suas posições políticas pró ou contra o governo.
O primeiro post que este blog publicou sobre o assunto, na última quinta-feira, recebeu uma enxurrada de contribuições de alta relevância, com links diversos para estudos eminentemente científicos pró ou contra a obra, dados levantados pelos leitores e transcritos na própria caixa de comentários. Li cada um dos mais de 300 comentários, além de outros nas redes sociais Twitter e Facebook, e posso garantir que ao menos a caixa de comentários daquele post tem tudo o que se pode precisar para entender a questão......

domingo, 13 de novembro de 2011

Escravos do século XXI




Não dá para dar dois passos sem identificar uma pessoa esteja ouvindo música em seu audioescutador. Nas vésperas de feriado, os ônibus estão mais vazios e os congestionamentos mais intensos. Arrisco ainda, que é possível encontrar nos coletivos pessoas em seus smartphones socializando-se através das redes. Se você olhar pela janela, vai ver que muitos motoristas assistem tv enquanto brigam por um espaço na pista. Nos táxis, jovens e engravatados deslizam seus dedos nos Ipads. Estamos cercados de tecnologia e não conseguimos sair do lugar.

Se por um lado Steve Jobs revolucionou o jeito de ouvir música e ganhar milhões, conseguiu também fazer com que milhares de gravadoras entrassem em decadência. Quando era criança cds pirata custavam R$10,00. Hoje há originais custando menos que isso. Para economizar com livros recorria-se à Xerox (isso depois de aposenta de vez o mimeógrafo), hoje já consegui economizar mais de R$1.000,00 em livros com meu tablet. Qualquer pessoa pode comprar um fusca. Viagens de avião são mais baratas. Aprender a pilotar aviões virou moda entre mauricinhos. E o mundo insiste em dizer que somos paísagem geográfica, como se nunca houvéssemos sido natureza. Muita pretensão, não acham?

Se a bateria acaba entramos em pânico. Pegar um avião requer paciência. Ir ao mercado da esquina requer o uso do carro. Vai com alguém? Não, vou só eu. Milhões de pessoas pensam assim. Um currículo escrito à mão vale muito menos que um formatado em Times New Roman. Todos os anos, o mês de janeiro é cheio de notícias sobre chuvas e desabamentos e todos os anos as pessoas se assustam. Somos escravos do que a Globo diz ou a Record fala. A verdade absoluta é o que a Folha publica e a Veja declara. E se lhe tiram o notebook não sabe fazer mais nada. Antes os negros eram escravos, hoje somos todos nós.

Posso imaginar o dia em que a natureza e seus fenômenos causará a extinção do Homo sapiens sapiens e o mundo continuará existindo e fluindo em sua paz e tranquilidade. Que pretensão a nossa acreditar que somos o mundo! Somos apenas escravos do século XXI.

blog do Nathan

domingo, 23 de outubro de 2011

O sol da meia-noite na Islândia


Midnight Sun | Iceland from SCIENTIFANTASTIC on Vimeo.

esquerdopata

VEJA A DIFERENÇA ENTRE BRASIL E SUÉCIA: VIDA DE PRÍNCIPE DE VEREADOR NESTA TERRA E VIDA DO PRIMEIRO MINISTRO DA SUÉCIA




Suecia
Mirem-se na Suécia

Vale a pena ver esses dois vídeos, que mostram a situação da sociedade mais desigual do mundo, o Brasil…

E também um pouco da Suécia, quarto país do mundo com menor desigualdade social e econômica.

No Brasil rico não paga imposto e o judiciário quer mais dinheiro.

O povo, como deixa claro o vereador Robson Silva (PP), é otário.

Veja, o problema não é o Robson.  Ele é apenas um “bon vivant”. O problema é mais em cima.

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