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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A riqueza do mundo


O banco Credit Suisse publicou o relatório anual acerca da distribuição da riqueza no planeta. E não,
não há boas notícias.

Na pirâmide da distribuição, o 1% da população detém 51% da riqueza do mundo; o 10% detém 89%, enquanto o resto do planeta possui apenas 1% do total da riqueza planetária.

Assumindo que não intervenha nenhuma mudança, espera-se que nos próximos cinco anos irão aparecer outros 945 bilionários, elevando o total destes super-ricos para quase 3.000 pessoas: mais de 300 novos milionários na América do Norte com a China que alcançará o total de 420 super-ricos.

Credit Suisse estima que a riqueza global total seja agora de 334 trilhões de Dólares, cerca de quatro vezes o PIB anual do mundo. Após o final do século, houve no início um rápido aumento da riqueza global, em particular no caso da China, da Índia e de outras economias emergentes, responsáveis por 25% do crescimento da riqueza; a riqueza global diminuiu em 2008 e apresentou uma recuperação bastante lenta, com uma taxa significativamente mais baixa quando comparada com o período pré-crise financeira.

 Mudanças anuais na riqueza global nos anos 2000 - 2016
Na verdade, a riqueza tem vindo a diminuir em todas as regiões desde 2010, expecto na América do Norte, na Ásia e na China. Tendo como base a população composta apenas por adultos, o adulto médio tem ficado mais pobre neste período.

Nos últimos 12 meses, a riqueza global cresceu apenas 1,4%, limitando-se a manter o ritmo com o crescimento da população. Como resultado, em 2016 a população mundial não se tornou mais próspera, enquanto a desigualdade cresceu.

Na pirâmide da distribuição da riqueza, como afirmado, 1% dos adultos possui 51% da riqueza do mundo inteiro, enquanto a metade inferior da pirâmide representa os indivíduos que possuem apenas 1%. E 10% da população adulta possui 89% de toda a riqueza do planeta.

A principal razão para essa enorme desigualdade é que há muitas pessoas pobres no mundo. E isso apesar de não ser tão difícil pertencer ao grupo da população mais rica: uma vez que as dívidas forem subtraídas, uma pessoa só precisa de 3.650 Dólares para ficar na faixa dos "mais ricos". No entanto, são precisos cerca de 77.000 Dólares para ser membros daquele 10% dos detentores da riqueza global e 798.000 Dólares para fazer parte daquele 1% que constitui o topo da pirâmide.

A pesquisa mostra que 3.5 bilhões de pessoas (73% de todos os adultos do mundo) têm uma riqueza abaixo de 10.000 Dólares em 2016. Isso enquanto 900 milhões de adultos (19% da população mundial) ficam na faixa de 10.000-100.000 Dólares.
Níveis de riqueza em 2016
Os pobres estão concentrados na Índia, na África e nos Países asiáticos. Mas há também um número significativo de pobres (até para os padrões globais) na América do Norte e na Europa, com 9% dos norte-americanos, a maioria parte com património líquido negativo, na parte inferior da pirâmide e com 34% dos europeus sempre na metade inferior. Essas pessoas não só não têm riqueza, mas têm dívidas.

Na Índia as coisas não estão melhor: tem apenas 3,1% das pessoas na "classe média" global (a faixa entre 10.000 e 100.000 Dólares), e esta percentagem manteve-se inalterada ao longo do último ano. Pelo contrário, a China tem 33% da população na tal "classe média" global, dez vezes a Índia, e esta proporção dobrou desde 2000. Isso mostra a expansão económica sem precedentes da China, que retirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, embora a desigualdade seja de facto aumentada.


Número de milionários segundo o País
(% do total mundial)
Voltando aos dados globais, o número de milionários, que caiu em 2008, mostrou uma rápida recuperação após a crise financeira e agora é mais do que o dobro quando comparada com o ano de 2000. Hoje há 32,9 milhões de milionários globais, ou seja de adultos com mais de 1 milhão de Dólares em propriedades ou poupança líquida. Mas existem apenas 140.000 pessoas em todo o mundo que têm mais de 50 milhões de Dólares. E só 3.000 (escassos) bilionários. São estes últimos que possuem o mundo.


Ipse dixit

Fonte: Credit Suisse
http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2017/01/a-riqueza-do-mundo.html

domingo, 18 de outubro de 2015

Paraísos fiscais e o sistema financeiro global.





ECONOMIA - Paraísos fiscais e o sistema financeiro global.   

Os paraísos fiscais contaminam o sistema financeiro global Estamos acostumados a ler denúncias sobre os paraísos fiscais, mas a realidade é que apenas muito recentemente começamos a nos dar conta do papel central que jogam na economia mundial, na medida em que não se trata de “ilhas” no sentido econômico, mas de uma rede sistêmica de territórios que escapam das jurisdições nacionais, permitindo assim que o conjunto dos grandes fluxos financeiros mundiais fuja das suas obrigações fiscais, esconda as origens dos recursos, ou mascare o seu destino. A reportagem foi publicada por Carta Maior, 14-102015. 

Todos os grandes grupos financeiros mundiais, e os maiores grupos econômicos em geral, estão hoje dotados de filiais (ou matrizes) em paraísos fiscais. Os paraísos fiscais constituem uma dimensão de praticamente todas as atividades econômicas dos gigantes corporativos, formando um tipo de uma gigantesca câmara mundial de compensações, onde os diversos fluxos financeiros entram na zona de segredo, de imposto zero ou equivalente, e de liberdade relativamente a qualquer controle efetivo. 

Os recursos serão reconvertidos em usos diversos, nos espaços declarados formais, livres de qualquer pecado. Não é que haja um espaço secreto, é que com a fragmentação do fluxo financeiro, que ressurge em outros lugares e com outros nomes, é o conjunto do sistema que se torna opaco: “Se você não pode ver o todo, você não pode entendê-lo. A atividade não acontece em alguma jurisdição – acontece entre as jurisdições. O ‘outro lugar’ se tornou ‘lugar algum: um mundo sem regras’”.(28) 

Os volumes são conhecidos desde que a pressão das sucessivas reuniões do G20 e os trabalhos técnicos do TJN (Tax Justice Network), do GFI (Global Financial Integrity), do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) e do próprio Economist passaram as nos fornecer ordens de grandeza: são cifras da ordem de 21 a 32 trilhões de dólares, para um PIB mundial de 73 trilhões (2012). O Brasil participa com algo como US$520 bilhões, quase 30% do PIB. A OCDE acaba de lançar um primeiro programa de contenção dos drenos e do caos financeiro mundial gerado, o BEPS (Base Erosion and Profit Shifting), mais uma das múltiplas tentativas de se criar um marco legal para conter o caos planetário gerado. Mas na base está um problema central: o sistema financeiro é planetário, enquanto as leis são nacionais, e não há governo mundial. O sistema impacta diretamente os processos produtivos: “Keynes entendeu a tensão básica entre a democracia e os fluxos livres de capital. 

Se um país tentar reduzir as taxas de juros, digamos, para estimular as industrias locais em dificuldades, é provável o capital vazar para o exterior na busca de uma remuneração mais elevada, frustrando o seu intento”.(56) Quando além disto se pode ganhar mais, e deixar de pagar impostos, qualquer política econômica de uma nação se torna pouco realista. Assim “o sistema offshore cresceu com metástases em todo o globo, e surgiu um poderoso exército de advogados, contadoras e banqueiros para fazer o sistema funcionar...Na realidade o sistema raramente acrescentava algum valor, mas pelo contrário estava redistribuindo a riqueza para cima e os riscos para baixo, e criando uma nova estufa global para o crime”. (130) 

A questão dos impostos é central, e apresentada em detalhe. O mecanismo do offshore é apresentado a partir de um relatório de 2009 elaborado pelo FMI: trata-se “do velho truque dos preços de transferência: os lucros são offshore, onde escapam dos impostos, e os custos (o pagamento de juros) são onshore, onde são deduzidos dos impostos”.(216) A conexão com a crise financeira mundial é direta. “Não é coincidência que tantos dos envolvidos em tramoias financeiras, como Enron, ou o império fraudulento de Bernie Madoff, ou o Stanford Bank de Sir Allen Stanford, ou Lehman Brothers, ou AIG, estivessem tão profundamente entrincheirados em offshore.”(218) A maior parte das atividades é legal. 


A grande corrupção, como já apresentamos em outro trabalho (L. Dowbor, Os estranhos caminhos do nosso dinheiro, 2014), gera a sua própria legalidade, o que passa pela apropriação da política, processo que Shaxson qualifica de “captura do Estado”: Não é ilegal ter uma conta nas ilhas Cayman, onde a legalidade e o segredo são completos: é “um lugar que busca atrair dinheiro oferecendo facilidades politicamente estáveis para ajudar pessoas ou entidades a contornar regras, leis, e regulamentações de outras jurisdições”.(228) Trata-se, em grande parte, de corrupção sistêmica: “No essencial, a corrupção envolve entendidos (insiders) que abusam do bem comum, em segredo e com impunidade, minando as regras e os sistemas que promovem o interesse público, e minando a nossa confiança nestas regras e sistemas. 

Neste processo, agravam a pobreza e a desigualdade e entrincheiram os interesses envolvidos e um poder que não presta contas”.(229) A base da lei das corporações, das sociedades anônimas, é que o anonimato da propriedade e o direito de serem tratadas como pessoas jurídicas, podendo declarar a sua sede legal onde queiram e qual que seja o local efetivo das suas atividades, encontraria o contrapeso na transparência das contas. 

“Na origem, as corporações tinham de cumprir um conjunto de obrigações com as sociedades onde se situavam, e em particular de serem transparentes nos seus negócios e pagar os impostos... O imposto não é um custo para os acionistas, a ser minimizado, mas uma distribuição para os agentes econômicos (stakeholders) da empresa: um retorno sobre os investimentos que as sociedades e os seus governos fizeram em infraestruturas, educação, segurança e outros requisitos básicos de toda atividade corporativa”.(228) 

Shaxson fez um trabalho meticuloso, o livro é muito bem escrito, e compreensível para qualquer leigo. Jeffrey Sachs qualificou-o de “an utterly superb book”, Nicholas Stern, que já foi economista chefe do Banco Mundial, é igualmente um entusiasta. Estas referências são importantes, pois Shaxson não fez um panfleto contra os paraísos fiscais, e sim desmontou os mecanismos da finança internacional que neles se apoiam, oferecendo uma ferramenta para entender o caos mundial que nos deixa cada vez mais perplexos.


 O mecanismo nos atinge a todos, na injustiça dos impostos, mas também no prosaico cotidiano: “A construção de monopólios secretos por meio da opacidade offshore parece penetrar amplamente em certos setores e ajuda muito a explicar porque, por exemplo, as contas dos nossos celulares são tão elevadas em certos países em desenvolvimento”. (148) Os impactos são sistêmicos: “As propinas contaminam e corrompem governos, e os paraísos fiscais contaminam e corrompem o sistema financeiro global”.(229)

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http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com.br/2015/10/economia-paraisos-fiscais-e-o-sistema.html#!/tcmbck

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Acredite se quiser


James Randi, hoje com 87 anos, passou grande parte de sua vida usando a sua extraordinária habilidade de ilusionista e prestidigitador para desmascarar picaretas que se valiam de truques para tirar dinheiro dos outros, como esse monte de "pastores", "bispos" ou "missionários", que exibem seus "milagres" pela televisão por todo o mundo, ou médiuns e "cirurgiões espirituais" - uma legião de "paranormais" com poderes que deixariam o Super-Homem envergonhado de tanta incompetência.

A vida e o trabalho de Randi em prol da desmistificação dessa indústria de falsidades estão muito bem retratados no filme "An Honest Liar", dirigido por Tyler Measom e Justin Weinstein, que se encontra no catálogo da Netflix.

O documentário mostra desde o tempo em que Randi se apresentava como mágico e escapista, seguindo a trilha de seu ídolo Houdini, até os dias de hoje, quando passou pelo drama de ver seu companheiro de mais de duas décadas ser preso nos Estados Unidos por ter vivido lá com documentos falsificados.

A história de Randi é mais interessante que muitos filmes de ficção.

Sua obsessão em desmascarar os picaretas é merecedora de aplausos.

Mas o filme revela algo assustador: o fato de que muitas pessoas, apesar de todas as evidências que lhes são apresentadas de que aquela coisa extraordinária que veem não passa de uma farsa, de um truque barato, continuam a crer nos poderes mágicos do autor da "façanha".

A batalha entre Randi e o "paranormal" Uri Geller, que durou anos, exemplifica isso muito bem.

O israelense Uri Geller ficou famoso, décadas atrás, por entortar colheres e outros objetos de metal ou fazer relógios quebrados funcionarem, por meio, como dizia, do seu poder mental.

Apareceu em inúmeros programas de televisão dos Estados Unidos, deixando seus apresentadores e telespectadores atônitos.

Randi percebeu de cara que Geller era apenas mais um mistificador.

E passou a ir a todos os programas em que Geller se apresentava, fazendo exatamente as mesmas coisas que ele.

Chegou ao ponto de conseguir que dois discípulos seus, bem treinados nos truques "mágicos", passassem por uma bateria de testes científicos que durou anos - os mesmos testes que autenticaram as façanhas de Geller.

Mesmo assim, provando que qualquer mágico profissional possuía os mesmos "poderes" que Uri Geller, Randi teve de ouvir, nos programas de televisão de que participava, que ele simplesmente havia reproduzido, por meio de ilusões e truques, o que o israelense havia feito com seus poderes mentais.

A conclusão a que Randi chegou é que as pessoas acreditam naquilo que querem, seja lá por que razões for.

De certa forma, constroem e vivem num mundo de ilusão, no qual tudo é possível.

Esse é um fenômeno que ocorre bastante no Brasil atual.

Muitas pessoas creem realmente que o país vive uma grave crise econômica e moral, tudo por culpa de um determinado partido político.

Essa crença se origina, na maioria das vezes, na própria pessoa, em seus preconceitos e ressentimentos, mas não se pode desprezar o papel dos meios de comunicação em disseminá-la, já que eles, por terem se transformado em panfletos de propaganda ideológica, fazem questão de apresentar esta como uma nação maldita, condenada, inteiramente sem futuro - pelo menos enquanto for dirigida pelos trabalhistas.

Para tais pessoas, a única realidade que existe é aquela que querem ver, deformada e pintada em branco e preto, sem nuances ou sutilezas.

Mais vale a palavra de um "pastor", a fofoca de um vizinho, o inteiro non sense de algum texto numa rede social, que a objetividade dos fatos.

Randi desmascarou centenas de farsantes, mas não impediu que muitos deles continuassem a lucrar com seus negócios trapaceiros, já que boa parte do público preferiu ficar imerso nesse universo irreal de milagres, curas fantásticas e divindades que concedem a certos homens, os escolhidos, poderes sobrenaturais.

No fundo, cada um acredita no que quer, vive sua própria realidade, e enfrenta, dessa forma, os demônios que o assolam no cotidiano.

Paciência...

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/08/acredite-se-quiser.html#more

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ter muito dinheiro torna as pessoas piores?


BBC Brasil

"De avarentos mal-humorados aos lobos de Wall Street, Hollywood já abordou sob diversos ângulos o poder corruptor do dinheiro. Mas esses relatos da tela grande são confiáveis? O dinheiro nos torna pessoas más?

O psicólogo social Paul Piff passa algumas tardes cruzando uma faixa de pedestres à beira-mar de Los Angeles, em meio a skatistas e passeadores de cães.

Graças ao grande número de endinheirados na região, não faltam carros luxuosos, híbridos ou esportivos pelas ruas.

Piff está ali para ilustrar um de seus experimentos mais provocativos: ela quer saber se motoristas ricos param menos para os pedestres do que pobres.

Motoristas são, por lei, obrigados a parar se alguém quiser atravessar a rua. E, enquanto um Lexus passa na sua frente sem deixar que ele cruze a rua, Piff explica o que seus pesquisadores descobriram.

“Nenhum dos motoristas dos carros mais baratos desrespeitou a lei, enquanto quase 50% dos motoristas de carros mais caros desrespeitou”, diz ele.

Piff também perguntou a diversas pessoas de diferentes classes sociais como elas se comportariam em diferentes cenários.

No passado, a percepção pública tendia à noção de que os mais pobres tinham probabilidade maior de agir de forma ilegal, por estarem sob pressão financeira e sob condições mais difíceis.

Mas a pesquisa de Piff sugere o contrário: que ter mais dinheiro faz com que você se preocupe menos com os outros e se sinta no direito de colocar interesses próprios em primeiro lugar.

Após quase uma década de pesquisas nessa área, Piff chegou à polêmica conclusão de que a prosperidade, em vez de transformar você em um benfeitor, pode ser algo ruim para sua bússola moral.

“(O dinheiro) torna você mais afinado com seus próprios interesses e seu próprio bem-estar”, ele diz.

“De certa forma, isso o isola de outras pessoas, psicologicamente e materialmente. Você prioriza suas necessidades e objetivos e fica menos conectado às pessoas ao seu redor. Se eu lhe der uma caneta e pedir que você desenhe um círculo para representar a si mesmo, quanto mais próspero você for, maior será seu círculo em relação ao tamanho dos círculos desenhados pelas pessoas mais pobres.”

Teste do ditador

Em seu laboratório psicológico, Piff já conduziu estudos que sugerem que as pessoas com mais dinheiro têm mais propensão a trapacear em jogos de dados, a comer doces guardados para crianças e menos vontade de ceder seu tempo para ajudar os demais.

Usando uma ferramenta conhecida dos psicólogos, o “teste do ditador”, Piff reuniu um grupo de pessoas e deu US$ 10 a algumas delas. Disse a elas que poderiam compartilhar tudo, uma parte ou nada do dinheiro com os participantes que não haviam recebido a quantia.

“A economia racional diria que os mais pobres tenderiam a guardar mais dinheiro para si mesmas e os ricos tenderiam a doar mais. Descobrimos o oposto”, disse ele. “Quanto mais rico você é, levando-se em conta diversas outras variáveis, menos generoso você é. Você dá porções significativamente menores para a outra pessoa. E os pobres eram bastante mais generosos.”

Em outro estudo, ele manipulou um jogo de Banco Imobiliário para privilegiar um jogador, dando-lhe mais dinheiro no inicio. Após dezenas de jogos, notou-se que a vitória trazia à tona o pior lado desse jogador – em modos prepotentes, no uso do espaço e até comendo mais salgadinhos do pote comunitário.

Quando nos sentimos prósperos, conclui Piff, precisamos menos das outras pessoas. No mundo real, quando as pessoas têm menos dinheiro, elas contam mais com suas relações sociais. Por isso, essas relações acabam sendo priorizadas.

Os mais ricos, em contraste, podem pagar por sua própria paz, tranquilidade e espaço – além da solução para a maioria de seus problemas. Nada como uma carteira cheia para animar os ânimos durante uma crise. Só que isso tende a isolar as pessoas das experiências das demais.

Questionamentos

As descobertas de Piff certamente têm seu encanto. Traz conforto pensar que os donos das vantagens financeiras pelo menos pagam um preço por isso. Mas nem todos estão convencidos.

A psicologia é uma disciplina carregada de dificuldades. Estudos sempre trazem fatores que confundem as conclusões: será que a pessoa que atravessa a rua o faz de modo mais confiante se estiver diante de um carro barato? Será que o motorista é realmente rico ou ele pegou a BMW emprestada de seu tio?

E dados de pesquisas populacionais são difíceis de serem decifrados. É difícil separar causa e efeito, e participantes de pesquisas de laboratório dão respostas que podem ou não ter relação com a vida real.

É só quando estudos com diferentes métodos chegam a conclusões semelhantes que os resultados começam a ser vistos como significativos.

Desde que Piff publicou sua primeira leva de descobertas, em 2010, outros cientistas ao redor do mundo têm tentado replicá-los. Alguns resultados confirmam as pesquisas de Piff; outros trazem conclusões opostas.

Um estudo holandês feito com milionários identificou que estes eram mais generosos do que a média quando se tratava de doar ou guardar para si pequenas quantidades de dinheiro.

Análises de dados populacionais feitas por acadêmicos europeus não encontraram elos entre prosperidade e falta de generosidade. No máximo encontraram o oposto: que indivíduos prósperos tendiam a oferecer mais tempo e dinheiro aos demais.

A essência do dinheiro

Mas um estudo de Kathleen Vohs, da Universidade de Minnesota, pode ajudar a explicar as conclusões de Piff. Na pesquisa, ela derrubava “sem querer” pacotes de lápis para saber se as pessoas ajudam a pegá-los do chão.

Primeiro, porém, ela preparava metade dos participantes do estudo, “alimentando-os” com frases relacionadas a dinheiro para decifrar ou notas de dinheiro para contar.

Esses participantes “preparados” costumavam ser menos predispostos a ajudar a pegar os lápis. E, em outro estudo, eles se mostraram menos generosos quando convidados a doar dinheiro para caridade.

Ao contrário do que mostravam as pesquisas de Piff, essa evidência obtida por Vohs parece ter pouca relação com o fato de os participantes serem ricos ou pobres. E os resultados foram replicados em 19 países.

“Parece que há algo na ideia de dinheiro e na forma como ele é representado na cabeça das pessoas que provoca essas reações, e parece que isso tem pouca relação com a sensação de se estar rico ou pobre”, diz ela.

Vohs afirma que basta pensar em dinheiro para evocar uma “mentalidade autossuficiente”, refletindo o fato de que o dinheiro carrega, em sua essência, transações com estranhos e o cálculo de como priorizar interesses próprios.

Você não costuma usar dinheiro nas relações com as pessoas mais queridas.

Como resultado, o dinheiro nos torna mais determinados, mas também menos sensíveis às necessidades e sentimentos dos demais.

Pesquisadores em Hong Kong levaram essa ideia além. Os professores Zhansheng Chen e Yuwei Jiang descobriram que participantes de pesquisas condicionados a pensar em dinheiro tendiam a aceitar mais transgressões morais – como colar em provas ou mentir em currículos – quando diante de dilemas éticos.

E, durante jogos envolvendo punições a participantes com barulhos altos, os preparados para pensar em dinheiro costumavam submeter seus adversários a barulhos mais altos e por mais tempo. O ato de pensar em dinheiro os torna mais agressivos.

Ou seja, o foco em preços, lucros, contas bancárias e orçamentos pode não ser benéfico para o ambiente em seu escritório ou para a integridade de sua organização.

Se você quer que seus funcionários cooperem entre si e se mantenham honestos, não os “suborne” com bônus, diz Jiang. Ele oferece uma alternativa.

“Você pode premiar um funcionário com uma viagem para o Havaí. As pessoas não pensam em dinheiro quando vão para o Havaí.”

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Feliciano, Malafaia e o papa Francisco



Por Lino Bocchini, na revista CartaCapital:

Os evangélicos estão sendo injustiçados. O tsunami de críticas que atingiu Marco Feliciano, Silas Malafaia e demais líderes evangélicos fundamentalistas se aplica ao papa Francisco e à Igreja Católica. Explico: as mesmas bandeiras conservadoras levantadas pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos do Congresso estão no centro da atuação da igreja católica há séculos. E o argentino Mario Bergoglio, agora chamado de Francisco, comunga destes ideais e não se mostra disposto a alterá-los. Pelo contrário.

Vamos por partes:

Primeiro, a homofobia

Muito se reclamou da atuação de Feliciano contra os direitos fundamentais dos homossexuais. A coleção de frases e a atuação do pastor não deixam dúvidas quanto à sua posição. Como é sabido, a igreja católica igualmente condena a homossexualidade, e considera pecado o amor da população LGBT.

O próprio Francisco, pessoalmente, demonstra preocupação com o que chama de “lobby gay” no Vaticano. Conforme revelou o site católico Reflexión y Liberación, o pontífice afirmou o seguinte em uma audiência recente com a diretoria da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos: “Na Cúria há gente santa de verdade. Mas também há uma corrente de corrupção, é verdade. Fala-se de lobby gay, e é verdade, ele está aí... temos que ver o que podemos fazer”.

Segundo, os direitos da mulher

Em entrevista para o livro “Religiões e política”, o deputado do PSC-SP afirmou o seguinte: “Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo; [assim] você destrói a família, cria-se uma sociedade só com homossexuais, e essa sociedade tende a desaparecer, porque ela não gera filhos”.

A igreja católica sempre tratou a mulher de forma diferenciada. A começar pelo fato de que elas não podem ser ordenadas. Aos homens (padres) cabe orientar os fiéis, ditar os rumos da igreja e do mundo. Às freiras cabem tarefas como cuidar dos enfermos e necessitados e, por exemplo, cozinhar, lavar e passar para o “homem simples de fala mansa” que está entre nós.

Mais: estão sendo distribuídas 2 milhões de cópias de um Manual de Bioética (em PDF) durante a visita do papa ao Brasil, sendo quase a metade da tiragem a versão em português, segundo informações da Confederação Nacional de Bispos Brasileiros. De suas 72 páginas, praticamente a metade traz pilhas de informações “científicas” e julgamentos morais contra o aborto. O restante divide-se entre a condenação de pesquisas com células-tronco, a condenação da inseminação artificial e a condenação da eutanásia.

O direito sobre o próprio corpo, uma questão que o movimento feminista do mundo todo considera vital desde a década de 1960, é classificado como “crime” em diversos pontos do texto. De acordo com o manual, mesmo em caso de estupro ou de inviabilidade do feto, a interrupção da gravidez não pode ser sequer aventada: “O direito de matar o próprio filho não pode ser fonte de liberdade nem de realização pessoal”. Todos os métodos contraceptivos, pílula e DIU inclusive, são considerados abortivos e criminosos.

Em terceiro lugar, o apego ao dinheiro

Causou espécie um vídeo que circulou recentemente, no qual o pastor Marco Feliciano pedia a senha de um cartão de crédito para um fiel, dizendo que, caso a senha não fosse revelada, “o milagre não viria”. Costuma ser igualmente criticada a cobrança do dízimo por parte de igrejas evangélicas –como se a igreja católica não o fizesse.

Tudo isso, contudo, é esmola perto do patrimônio misterioso e incalculável da igreja católica. A revista Exame fez uma reportagem bastante reveladora sobre o Banco do Vaticano. Entre diversos casos de lavagem de dinheiro, escândalos sexuais, corrupção e má administração relatados pela publicação, destaco uma informação: o banco gere cerca de 6 bilhões de euros em ativos. Vou repetir: 6 bilhões de euros.

Isso sem contar as milhares de propriedades da igreja católica ao redor do globo todo. Não sou um estudioso do cristianismo, mas acredito que valores como ajuda ao próximo, desapego e amparo aos pobres não combinam com a acumulação de fortunas dessa grandeza. Mesmo que o chefe da instituição prefira andar num fiat “sem luxo” e dormir num “quarto simples”.

Em quarto lugar, a promiscuidade com o poder público

Muito se critica Feliciano e a bancada evangélica por usarem o poder público que detêm para obter vantagens para suas instituições. O que afronta o conceito de estado laico. O catolicismo faz o mesmo.

O amplo uso de estruturas e verbas públicas durante a visita de Francisco; o mesmo lobby para isenções fiscais e outras benesses financeiras; a mesma submissão dos governantes (de Dilma ao vereador de Pindamonhangaba). Mais: há crucifixos em repartições públicas (desrespeitando os evangélicos, inclusive) e mensagens religiosas nas notas de dinheiro, que são um símbolo nacional. E por aí vai.

(Parênteses: pedofilia)

Aqui não há o paralelo com Feliciano, mas vale lembrar das inúmeras acusações de abuso sexual contra padres no mundo inteiro, muitas cometidas contra menores e encobertas pelo Vaticano. A situação é tão grave que a ONU pediu, agora no começo de julho, esclarecimentos sobre os crimes cometidos por padres em todo mundo. Como o vaticano é membro das Nações Unidas e tem a falta de transparência como uma de suas marcas, a ONU quer saber o que a Igreja Católica têm feito de efetivo contra os criminosos que foram descobertos em suas fileiras.

Por fim, o apoio da mídia

Aqui, uma das maiores injustiças com Marco Feliciano. O pastor é hostilizado por todos, TV Globo inclusa. Suas posições, conforme demonstrado, são irmãs siamesas das defendidas por Francisco e pela religião que comanda. E dos dogmas vindos de Roma ninguém reclama.

Pior: a maior TV do país (bem como quase todos os outros veículos de imprensa) ajoelha-se ao mandatário da tv católica. E não acredito ser esta uma decisão baseada somente pela audiência. A missa de domingo está na grade da Globo há décadas --atualmente é celebrada ao vivo pelo Padre Marcelo. E a emissora, apenas recentemente, de olho na perda de audiência e de dinheiro, começou um flerte institucional com os evangélicos, inaugurado com o festival de músicas gospel Promessas.

Pare finalizar, deixo vocês com algumas frases do primeiro bloco do Jornal Nacional desta segunda-feira. Tentem imaginar Marco Feliciano ou qualquer outro líder evangélico sendo tratado desta forma pelo noticioso visto por quase metade da população brasileira toda noite:

“De papamóvel, fez um passeio que vai ficar na memória dos fieis”

“Distribuiu simpatia”

“Mais perto do povo, do jeito que o papa Francisco gosta”

Fiel: “Foi um presente de Deus, eu consegui estar perto dele e pude constatar que ele realmente é esse pastor humilde, amigo do povo e que veio pra resgatar mais fieis pra igreja católica”

“Deixou uma legião de fieis encantados”

“Santo, abençoado, humilde... os elogios vão brotando”

Fiel: “Ele é gente como a gente”

“A cada esquina ele faz novos amigos”

“Os gritos pareciam saídos de um show de rock”

“Se fosse só isso, já valeria a pena, e o papa Francisco acabou de chegar”.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Expressão “Deus seja louvado" poderá ser obrigatória em cédulas do Real



Eduardo da Fonte
Eduardo da Fonte afirma que frase
respeita "tradição cultural" do brasileiro.
Proposta em tramitação na Câmara torna obrigatória a impressão da frase "Deus seja louvado" em todas as cédulas do Real. O autor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), argumenta que o Projeto de Lei 4710/12 pretende evitar que a expressão seja suprimida das cédulas, como solicitou recentemente a Procuradoria da República em São Paulo.
Na ação civil pública, apresentada em novembro último, o Ministério Público Federal aponta que não há previsão legal para a inclusão da frase nas notas do Real e que o Estado brasileiro é laico e deve se desvincular de manifestações religiosas. Além disso, para o MP, a expressão privilegiaria uma religião em detrimento das outras.
Eduardo da Fonte, no entanto, entende que há um erro de interpretação da palavra “laico”. Ele afirma que Estado laico é aquele que não adota uma religião oficial e no qual há separação entre a Igreja e o Estado, de modo que não haja envolvimento entre os assuntos de um e de outro, muito menos sujeição de um em relação ao outro.
“A expressão ‘Deus seja louvado’ respeita a tradição cultural de nosso povo e não necessariamente representa apoio a nenhuma religião”, argumenta. “O respeito e o culto a um ser supremo, que representa a divindade, está presente em todas as religiões”, completa Da Fonte.
O projeto altera a Lei 9.069/95, que, entre outras medidas, estabelece regras e condições para a emissão do Real.
Tramitação
O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

As 8 famílias que mandam no mundo.

Através do domínio da IMPRENSA e dos meios de COMUNICAÇÃO em geral, inclusive internet, do poder de imprimir MOEDA, da posse dasCOMMODITIES, da propriedade das terras e das maiores indústrias do planeta essas famílias fazem a PAZ e a GUERRA conforme seus próprios interesses privados.

Assistam aos vídeos abaixo e entendam todo o processo histórico de como isso foi possível.

...continua.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Sr. Dinheiro", do Fantástico, não paga prestação há 18 anos do apartamento onde mora"


Sr. Dinheiro, no Fantástico, ensina famílias a pagar dívidas.

Consultor de economia doméstica do “Fantástico”, da Rede Globo, Luís Carlos Ewald é réu na Justiça do Rio de Janeiro. Há 18 anos, ele não paga a prestação do apartamento onde mora, na Gávea. A Delfin Crédito Imobiliário conseguiu o leilão da unidade. Mas, “por má-fé e torpeza”, segundo consta na ação, Ewald permanece no imóvel. (Da IstoÉ)
do blog do Amoral Nato

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dinheiro, pra que dinheiro?


Um dos truques usados hoje pela mídia para interferir no resultado das eleições é editar matérias aparentemente jornalísticas, mas que, no fundo, não passam de um editorial contra o governo.
A TV Bandeirantes fez isso outro dia. Sem nenhum gancho, colocou no ar em seu principal jornal da noite uma "reportagem" sobre a carga tributária brasileira, aquele blá-blá-blá sobre o excesso de impostos que o cidadão paga, sem nenhuma contrapartida. O pessoal da Associação Comercial de São Paulo não teria feito coisa melhor.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O dinheiro e a ficção do dinheiro

O complicado discurso econômico muitas vezes encobre realidades que, explicadas de maneira simples, em seu contexto histórico são de uma clareza meridiana.
 Meu avô me contava que, nos anos 50, a ideia de inflação era a de emissão de moeda “sem o suficiente lastro em ouro”. Não é possível que alguém hoje, com conhecimento de economia  repita este conceito, mas foi ele e sua maior referência até o fim da 2a. Guerra, quando a Conferência de Breton-Woods, em 1944, quando o padrão-ouro foi substituído pelo dólar como referência de valor nas relações econômicas mundiais.
Neste filme de animação, Paul Grignon explica a natureza do dinheiro, dos juros e do sistema bancário, e coloca questões fundamentais como: “Porque é que os governos optam por pedir dinheiro emprestado – com juros associados – aos bancos privados, quando poderiam simplesmente criar todo o dinheiro que necessitassem, sem quaisquer juros?” O filme me foi sugerido pelo leitor Paulo Bulgarelli, no Brizolaço, e achei tão legal e didático que resolvi partilhar com todos.
Posto aí em cima a parte 1, de cinco vídeos, legendados. A parte dois, a três, a quatro e a cinco e final podem ser acessadas clicando em http//www.youtube.com/view_play_list..
tijolaço



O complicado discurso econômico muitas vezes encobre realidades que, explicadas de maneira simples, em seu contexto histórico são de uma clareza meridiana.