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quinta-feira, 18 de abril de 2019

MERCADO PERDE CONFIANÇA NO GOVERNO E DÓLAR SOBE



Do Valor:

A confiança dos investidores nos próximos passos da agenda econômica foi prejudicada nos últimos dias pela sequência de deslizes do governo de Jair Bolsonaro. Da ingerência na Petrobras à falta de articulação política com o Congresso, o panorama político impõe uma dose reforçada de cautela e um nível mais elevado de prêmio de risco aos mercados locais.

Hoje, o dólar comercial fechou em alta de 0,85%, aos R$ 3,9349, depois de bater R$ 3,9471 na máxima do dia. Já o juro longo medido pelo DI para janeiro de 2025 subiu de 8,800% para 8,830% no fechamento. Evidência do momento de apreensão, o dólar e os juros de longo prazo subiram ao maior nível desde 27 de março, quando Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, trocaram farpas numa disputa de poder que, para profissionais de mercado, poderia resvalar na reforma da Previdência.

Desta vez, o que evidenciou a fragilidade da administração Bolsonaro foi a demora no andamento da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro colegiado que avalia o texto. De acordo com profissionais de mercado, essa seria, em tese, a etapa mais fácil do caminho da reforma, já que o CCJ só deveria avaliar a validade constitucional da medida.
“Eu acho que o fluxo de notícias de curto prazo está mais negativo. O que prepondera é a desorganização do governo e desencontros que dificultam o trâmite da nova previdência”, diz o trader Matheus Gallina, da Quantitas. Tanto é que o nível da taxa longa de juros não conseguiu voltar para níveis anteriores ao fim de março. “Tiveram nuances positivas depois daquele evento [da troca de farpas entre Bolsonaro e Maia], mas no dia a dia o governo tem mostrado dificuldade bem relevante”, diz.

(…)

sábado, 11 de maio de 2013

Atenção: não dê dinheiro aos ricos. Isso os torna vagabundos



Leonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto

“Vou voltar a um tema que eu adoro. Considerando que a renda do capital segue estratosfericamente maior que a do trabalho e os recursos usados para o pagamento de juros são bem maiores que os aplicados em programas sociais (em todos os governos, de FHC a Dilma), fico extremamente incomodado quando ouço ou leio pessoas reclamando que “dar dinheiro aos pobres os torna vagabundos”.

É engraçado que ninguém reclama do dinheiro que vai às classes mais abastadas, que investem em fundos baseados na dívida pública federal. Grosso modo, muito vai para poucos e pouco vai para muitos. E, mesmo assim, sou obrigado a ouvir pérolas quase que diariamente, reclamando dos programas de transferência de renda, não no sentido de melhorá-los, mas de extingui-los. É claro que é importante avançar na construção de “portas de saídas” para programas como o Bolsa-Família, gerando autonomia econômica. Mas a raiva com a qual essas iniciativas ainda vêm sendo tratadas por algumas pessoas me surpreende. Pessoal, supera! Não há partido político que vá se eleger com uma plataforma que cancele esses processos de transferência de renda. Isso já é política de Estado e não de governo.”

“Ah, mas minha tia tem uma amiga em que a empregada recebe o bolsa-família e, por isso, desistiu de trabalhar. Quer ficar no bem bom com o dinheiro público.” Quantos já ouviram coisas assim? Primeiro reduzindo todo um programa a uma única história. Segundo, uma história mal contada, pois é difícil imaginar que uma família consiga sobreviver com dignidade com um montante de renda não raro menor que uma garrafa de vinho paga pelo sujeito fino que decretou tal preconceito. Terceiro, para alguém preferir a segurança da mensalidade do programa do que um salário é que a remuneração deve ser baixa demais ou a garantia de permanência no emprego inexistente.
Este post não está criticando ou elogiando ninguém, mas tentando entender o que, além do preconceito, faz com que um cidadão que tenha um pouco mais na conta bancária acredite que pisar no andar de baixo é a solução para galgar ao andar de cima? E crer que o futuro de um país é feito uma Arca de Noé, com espaço para salvar pouca gente de um dilúvio iminente?
Para esse pessoal, é cada um por si e o Sobrenatural – proporcionalmente ao tamanho do dízimo deixado mensalmente – para todos. Fraternidade e solidariedade são palavras que significam “doação de calças velhas para vítimas de enchente”, “brinquedos usados repassados a orfanatos no Natal” ou “um DOC  limpa-consciência feito a alguma ONG”.
Nada sobre um esforço coletivo de buscar a dignidade para todos, com distribuição imediata (e não depois que o bolo crescer) da riqueza gerada no país. Crescimento produzido pelos mesmos trabalhadores que não desfrutam da maior parte de seus resultados. Porque, apenas teoricamente, todos nascem livres e iguais.
E se eu dissesse que “dar dinheiro aos ricos os torna vagabundos?” Por que usar a frase para os pobres é ser um “analista sensato da realidade” e usar a frase aos ricos é ser um “canalha de um comunista safado”?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Antes do combate à inflação vem a defesa intransigente do emprego, prega Dilma Rousseff


Uma fala da presidente Dilma Rousseff, sobre crescimento e inflação, desencadeou mais uma onda de críticas à política econômica, como se o Brasil sacrificasse a estabilidade de preços em nome de níveis de emprego maiores; do novo ataque especulativo, fazem parte economistas, como Alexandre Schwartsman e Ilan Goldfajn, e jornalistas, como Merval Pereira e Eliane Cantanhêde; ocorre que a missão do Federal Reserve, banco central americano, traduz exatamente o que a presidente Dilma falou: antes mesmo da estabilidade, vem o emprego, como meta central.
Uma fala da presidente Dilma Rousseff, sobre crescimento e inflação, desencadeou mais uma onda de críticas à política econômica, como se o Brasil sacrificasse a estabilidade de preços em nome de níveis de emprego maiores; do novo ataque especulativo, fazem parte economistas, como Alexandre Schwartsman e Ilan Goldfajn, e jornalistas, como Merval Pereira e Eliane Cantanhêde; ocorre que a missão do Federal Reserve, banco central americano, traduz exatamente o que a presidente Dilma falou: antes mesmo da estabilidade, vem o emprego, como meta central.
Dias atrás, dois economistas ligados ao sistema financeiro, Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco, e Alexandre Schwartsman, ex-Santander, renovaram suas críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff e foram explícitos em seu receituário. Para conter a alta de preços, pregaram como remédio de política econômica que o governo incentivasse demissões na economia. Por mais que pareça incompreensível, é a pura verdade (leia mais aqui).
Foi a esse tipo de crítica e, provavelmente, a esses dois economistas que a presidente Dilma Rousseff falou ontem, na África do Sul, ao comentar a dicotomia entre emprego e inflação. “Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico”, afirmou. “Esse receituário quer matar o doente em vez de curar a doença”.
Instantaneamente, grandes bancos dispararam ordens para apostar na queda dos juros futuros, num movimento que pareceu ser coordenado. E foi isso que levou a presidente Dilma, no Blog do Planalto, a enfatizar seu compromisso com o combate à inflação.
O movimento presidencial deflagrou uma nova rodada de críticas à política econômica. Colunistas políticos, agora especialistas em economia, como Merval Pereira, do Globo, e Eliane Cantanhêde, da Folha, criticam o suposto descaso da presidente Dilma com a inflação.
Ocorre, no entanto, que a presidente não falou absolutamente nada que seja exótico ou mesmo surpreendente. Sua fala traduz uma mensagem que está expressa na missão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Lá, o emprego vem antes da estabilidade e a missão principal do Fed é “conduzir a política monetária, influenciando as condições monetárias e de crédito na economia, em busca do maior nível de emprego, de preços estáveis e de taxas de juros moderadas no longo prazo”. Ou seja, nos Estados Unidos, economistas com uma visão de mundo semelhante às de Schwartsman ou Goldfajn, não teriam sucesso, nem pautariam editoriais na chamada grande imprensa. Emprego baixo e juros na lua não têm Ibope no mundo civilizado.
Abaixo, em inglês, a missão do Fed:
The Federal Reserve System is the central bank of the United States. It was founded by Congress in 1913 to provide the nation with a safer, more flexible, and more stable monetary and financial system. Over the years, its role in banking and the economy has expanded.
Today, the Federal Reserve’s duties fall into four general areas:
* conducting the nation’s monetary policy by influencing the monetary and credit conditions in the economy in pursuit of maximum employment, stable prices, and moderate long-term interest rates
* supervising and regulating banking institutions to ensure the safety and soundness of the nation’s banking and financial system and to protect the credit rights of consumers
* maintaining the stability of the financial system and containing systemic risk that may arise in financial markets
* providing financial services to depository institutions, the U.S. government, and foreign official institutions, including playing a major role in operating the nation’s payments system

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O custo oculto dos hipermercados

A abertura de um grande centro comercial, um supermercado… sempre vem associada à promessa de criação de emprego, dinamização da economia local, preços acessíveis e, definitivamente, ao progresso. Mas será esta a realidade? A distribuição comercial massiva se sustenta em uma série de mitos que, geralmente, sua prática desmente.

A Associação Nacional de Grandes Empresas de Distribuição (ANGED), o patronal da grande distribuição, que agrupa empresas como Alcampo, El Corte Inglês, FNAC, Carrefour, Ikea, Eroski, Leroy Merlin, entre outras, acaba de impor um novo e duro acordo a seus 230 mil empregados. A partir de agora, trabalhar no domingo equivalerá a trabalhar em um dia de semana, e aqueles que até o momento estavam isentos por motivos familiares, também terão que fazê-lo. Desse modo, fica ainda mais difícil conciliar a vida pessoal/familiar com a profissional, em um setor onde a maioria dos trabalhadores é formada por mulheres.
Além disso, aplica-se a regra de ouro do capital, trabalhar mais por menos: amplia-se a jornada de trabalha e diminui-se o salário. Da mesma forma, se as vendas caírem para abaixo do registrado em 2010, salários serão cortados em 5%. Chover no molhado em um setor por si só já extremamente precário. A ANGED, por sua vez, considera que “o acordo reflete o esforço de empresas e trabalhadores para manter o emprego”. Mas que emprego?
Foto: Amy Whelan via Flickr, em CC-BY
E agora Caprabo, propriedade de Eroski, anuncia que quer demitir 400 trabalhadores, não aplicar o aumento salarial pactuado e cortar em 20% os salários de parte de seus funcionários. A culpada? A “previsível” queda nas vendas e a crise. No ano passado, curiosamente, a empresa anunciou que em 2011 seus lucros haviam aumentado 12%. A santa crise “resgata” de novo a empresa.
Nesse contexto, supermercados e criação de emprego parecem muito mais um paradoxo. São vários os estudos que observam como a abertura destes estabelecimentos implica, consequentemente, o fechamento de lojas e comércio locais e, portanto, a perda de postos de trabalho. Assim, desde os anos 80, e na medida em que a distribuição moderna se consolidava, o comércio tradicional sofria uma erosão constante e incontrolável chegando a ser hoje em dia quase residual. Se em 1998 existiam 95 mil lojas, em 2004 este número foi reduzido a 25 mil, segundo dados do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente.
E se o pequeno comércio diminui, o mesmo ocorre com a renda da comunidade, já que a compra em uma loja de bairro repercute em maior medida na economia local do que a compra em uma grande rede varejista. Segundo um estudo de Friends of the Earth (2005), na Grã Bretanha , 50% dos lucros do comércio em pequena escala retorna ao município, normalmente através da compra de produtos locais, salários dos trabalhadores e dinheiro gasto em outros negócios, enquanto que empresas da grande distribuição reinvestem apenas insignificantes 5%.
Ademais, devemos nos perguntar que tipo de emprego os supermercados, redes de desconto e hipermercados fomentam. A resposta é fácil: jornadas de trabalho flexíveis, contratos a tempo parcial, salários baixos e tarefas rotineiras e repetitivas. E o que acontece se alguém decide se organizar em um sindicato e lutar por seus direitos? Se o contrato de trabalho for precário, é melhor ir se despedindo do seu trabalho. Wal-Mart, o gigante do setor e a multinacional com o maior número de trabalhadores no mundo todo, é o exemplo por excelência. Seu slogan “Sempre preços baixos”, pode ser substituído por “Sempre salários baixos”. E não só isso, um estudo sobre o impacto do Wal-Mart no mercado de trabalho local, de 2007, concluía que por cada posto de trabalho criado pelo Wal-Mart, 1,4 postos de trabalho eram destruídos nos negócios preexistentes.
Mas as consequências negativas da grande distribuição para os que participam da cadeia de produção, distribuição e consumo não acabam aqui. Desde os agricultores, que são os que mais perdem com as grandes varejistas, obrigados a acatar condições comerciais insustentáveis e que os condenam à desaparição, até consumidores instados a comprar para além de suas necessidades produtos de má qualidade e não tão baratos quanto parecem, até um tecido econômico local que se fragmenta e descompõe. Este é o paradigma de desenvolvimento que promovem os supermercados, de onde a grande maioria de nós sai perdendo enquanto uns poucos sempre ganham.


Esther Vivas
do blog Público.es
Traduzido por Natália Mazotte, do Canal Ibase


Chapecó foi "contemplada" recentemente com a presença desta empresa via BIG. Vale a pena ver esse documentário sobre essa rede de supermercados: 
 O filme apresenta a face pouco conhecida e desfavorável das práticas comerciais da rede de supermercados Wal-Mart. São apresentadas entrevistas com ex-empregados, ex-gerentes, proprietários de pequenos negócios familiares que, segundo o filme, faliram em razão da concorrência desleal do Wal-Mart, e vídeos promocionais da empresa.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Espírito animal e espírito de porco



Um dos elementos que têm caracterizado a incerteza sobre os rumos imediatos da economia brasileira e é intangível, refere-se à capacidade de realizar investimentos e de tocar os negócios da classe empresarial. A expressão corrente, derivada de Lord Keynes, é a de “despertar o instinto animal do capitalista”.

João Guilherme Vargas Netto, Vermelho

Um ambiente de negócios prósperos, com grandes possibilidades de obter lucro – ainda que reconheçamos que as iniciativas meramente especulativas continuam sendo muito rentáveis – eis o quadro ideal para a realização desse desejo.

Aqueles empresários, quaisquer que sejam seus portes e seus setores, que são produtivistas, ou seja, lidam com mercadorias e serviços úteis, com gente empregada e com salários e produtividade são os que, despertados em sua animalidade, devem resolver enfrentar o risco, botar a mão no bolso ou adquirir créditos e ganhar dinheiro com a ampliação do mercado interno e com o crescimento econômico do qual participam.

Para os trabalhadores que têm emprego, ganham salários e garantem os seus direitos, o “espírito animal” não é desconhecido. Pode-se dizer que ele lhes é antipático, porque além de significar exploração, às vezes o “espírito animal” se transforma em “espírito de porco”, com uma histeria que nos faz lembrar a última crise de 2009.

O governo tem tomado uma série de medidas para despertar o “espírito”, reúne-se com empresários de carne e osso e se orienta fortemente para acelerar o ritmo do desenvolvimento com distribuição de renda; isto, certamente, produzirá resultados positivos em curto prazo.

Hoje, para o movimento sindical, o “espírito animal” é bem-vindo, se ele quiser dizer avançarmos juntos em defesa dos juros baixos, da ampliação de créditos, da industrialização, da diminuição das tarifas (por exemplo, as tarifas de energia elétrica), da desoneração das folhas de pagamento sem prejuízo para a previdência pública e também dos empregos e dos ganhos reais de salário.”

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pochmann: país sai da 'financeirização' para economia baseada na produção



A indústria teve leve recuperação, puxada
pelo setor de transformação, que cresceu 1,5%
Ex-presidente do Ipea afirma que expansão do PIB no terceiro trimestre, de 0,6%, é atenuada pela continuidade no processo de distribuição de renda, e vê país 'pavimentando' desenvolvimento sustentável

Embora nos dois últimos anos o Brasil tenha tido desempenho aquém de suas possibilidades, o que preocupa do ponto de vista conjuntural, o economista Marcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destaca as mudanças estruturais em curso no país e critica o que chama de falta de melhor entendimento em algumas análises. Ele observa que há uma transição, longa, de uma economia de “financeirização da riqueza” para uma economia mantida pelo investimento produtivo. “Passamos duas décadas (1980 e 1990) em que a economia não cresceu sustentada pelos investimentos produtivos, mas pela financeirização, juros altos, levando a um quadro de regressão social. Havia setores que viviam às custas do assalto ao Estado”, afirma. “Vai crescer pouco este ano, mas é um crescimento que permite reduzir a pobreza e a desigualdade de renda.”