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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Judiciário gasta quase R$ 4 bi com a farra das mordomias




O caro leitor teria conhecimento de alguém em sua família que já recebeu auxílio funeral? Não? Então, certamente, não tem nenhum parente magistrado, desses que são chamados de meritíssimos.

Pois esta é apenas uma das várias mordomias dos ilustres togados, em benefícios que vão muito além do respeitável teto constitucional de R$ 33,7 mil de salário mensal, estabelecido para o funcionalismo público dos três poderes.

Auxílio educação, auxílio funeral, auxílio transporte, auxílio moradia, verbas para passagens e diárias, entre outras despesas extras pagas com dinheiro público, virou uma farra. O custo destes chamados "penduricalhos" é de R$ 3,8 bilhões por ano, elevando os gastos anuais do Poder Judiciário para um total de R$ 61,2 bilhões.

Para se ter uma ideia de grandeza, este valor corresponde a duas vezes o deficit fiscal (R$ 30,5 bilhões) apresentado pelo governo na proposta orçamentária para 2016, que levou o governo a anunciar um novo pacote econômico na semana passada.

Entre outras medidas, o pacote prevê um corte das emendas parlamentares igual ao valor das mordomias dos magistrados, segundo dados do relatório "Justiça em Números", divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça e revelado nesta segunda-feira pelos repórteres Italo Nogueira e Marco Antônio Martins.

Em tempos de ajuste fiscal e intermináveis discussões sobre o corte de despesas no orçamento federal, curiosamente o Judiciário, e também o Legislativo, não param de aumentar seus gastos, como se fossem poderes de um outro país que nada em dinheiro.

Ainda esta semana, o Congresso vai votar os vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos que aumentam os gastos públicos — entre eles, o que concede um reajuste médio de 59,9% aos servidores do Judiciário, nos próximos quatro anos, o que representa mais R$ 25,7 bilhões.

É claro que os nobres parlamentares e os magistrados precisam de recursos para bem exercer suas funções, mas cabe uma singela pergunta: será que precisam mesmo de tanto, não dá para cortar um pouco em vez de aumentar os gastos?

Se o Executivo não para de anunciar que está cortando na própria carne para poder aprovar o pacote fiscal com criação e aumento de impostos, por que os outros poderes, sustentados com os mesmos recursos do Tesouro Nacional, não podem também contribuir com a sua parte? E ninguém fala nisso.
vi no: http://www.contextolivre.com.br/2015/09/judiciario-gasta-quase-r-4-bi-com-farra.html

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin



Ele
Os fatos se atropelam: pode parecer absurdo, mas a corrida pela sucessão presidencial já começou, menos de seis meses após o início do novo governo. Surfando no comando da onda conservadora que assola o país, sai na frente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já se lançou ostensivamente em campanha, ao propor o rompimento do PMDB com o PT e se aliar ao PSDB na CPI da Petrobras.

No mesmo final de semana em que Cunha se utilizou mais uma vez do Twitter para ganhar as manchetes, subindo o tom das suas críticas ao governo e partido aliados, as convenções estaduais do PSDB em Minas Gerais e São Paulo se apressavam em lançar as candidaturas presidenciais de Aécio Neves e Geraldo Alckmin, respectivamente, mas ninguém deu muita bola aos tucanos.

 Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin
Aécio e Alckmin
O dono da bola agora é o fominha Eduardo Cunha, que deu mais um passo em sua cruzada rumo ao poder central ao receber nesta segunda-feira, em São Paulo, o epicentro da ação reacionária, 30 representantes de 10 grupos organizados para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não por acaso, o porta-voz dos grupos foi o advogado Danilo Amaral, típico playboy paulistano, integrante do movimento Acorda Brasil, de quem até outro dia ninguém havia ouvido falar, é aquele cidadão que no mês passado afrontou o ex-ministro Alexandre Padilha num restaurante da cidade.

"Todos temos simpatia pelas ações do Cunha, e pela saída da presidente — ou por impeachment ou por renúncia", disse Amaral à imprensa que lhe ofereceu câmeras e microfones após o encontro. Os neogolpistas cobraram Cunha sobre o andamento do pedido de impeachment da presidente, que lhe foi entregue dias atrás pelo Movimento Brasil Livre, ao final da marcha fracassada de alguns gatos pingados de São Paulo até Brasília.

Ações sincronizadas agora se voltam para o Tribunal de Contas da União. Sai de cena o jurista Miguel Reale Junior, que não entregou os pareceres com o mesmo objetivo encomendados pelo PSDB, e entra o presidente do TCU, Augusto Nardes, que já marcou para esta quarta-feira o julgamento das contas do governo federal de 2014, com as chamadas "pedalas fiscais", aguardado pelas oposições para fundamentar um novo pedido. Eles não desistem. A Folha já se antecipou e informa que, com base no que o tribunal decidir, "caso os parlamentares não aprovem o balanço, qualquer cidadão poderá pedir à Câmara abertura de um processo de impeachment".

Em outro flanco, Cunha, Aécio e Alckmin apostam alto nas investigações promovidas pela frente formada por Justiça Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, com o alegre apoio da mídia hegemônica, para investigar Lula e tirar o ex-presidente da disputa de 2018, que é o que eles mais temem. Na retaguarda, fica o ministro Gilmar Mendes, aliado de Cunha e líder da oposição no STF.

Pelos últimos movimentos dos correligionários dos três, temos a impressão de que não querem esperar até lá. Na sofreguidão para garantir a dianteira na corrida presidencial, parece até que temos novas eleições marcadas para a semana que vem.

Aos que acham que estou vendo chifres em cabeça de cavalo, lembro apenas que, quando Fernando Collor, de quem Eduardo Cunha foi cria, lançou sua candidatura a presidente da República, em 1989, também ninguém o levava a sério nem acreditava ser possível a sua chegada ao Palácio do Planalto.

Autonomeado dono do PMDB e de todas as suas instâncias partidárias, em nome de quem tem lançado seus ataques ao PT e ao governo, controlador de ampla bancada suprapartidária que manda na Câmara, praticamente sem adversários políticos à vista, nem no governo nem na oposição, o principal objetivo de Cunha no momento é tirar da frente o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o investiga na Operação Lava Jato e é o único que pode obstar suas pretensões.

Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que já começaram a trocar finas farpas, podem ficar para depois, mas desde já o todo poderoso presidente da Câmara atropela meio mundo na ânsia de garantir todos os espaços possíveis.  
http://www.contextolivre.com.br/2015/06/ofensiva-de-eduardo-cunha-atropela.html

terça-feira, 26 de maio de 2015

“Reforma Cunha”: poder da grana e partidos ameaçados

 Reforma Cunha: poder da grana e partidos ameaçados 

"Pior do que está não fica" era o slogan da primeira campanha do palhaço Tiririca a deputado federal, em 2010. Não só fica pior, como estamos vendo a cada dia, mas agora também corremos o risco de ter um parlamento cheio de Tiriricas, se for aprovada a "Reforma Cunha", que entra em discussão e votação nesta terça-feira na Câmara.

Insatisfeito com os resultados da Comissão Especial, que ele mesmo montou há três meses, para apresentar um projeto de reforma política, o presidente Eduardo Cunha, também conhecido como D. Eduardo I e Único, o imperador autoproclamado, nem esperou pelo relatório. Mandou jogar tudo fora, cancelou a sessão e resolveu levar a discussão diretamente para o plenário.

Com bancadas temáticas suprapartidárias sob o seu comando, que na prática já estão acabando com os partidos, Cunha controla perto de 300 votos, e precisa de apenas mais oito (60% do total de 513) para aprovar o que quiser.

Muitas propostas vão entrar em discussão, mas para o imperador do PMDB duas são prioritárias:

* Criar o "Distritão", sistema eleitoral pelo qual se elege apenas o deputado mais votado nas regiões em que serão retalhados os Estados e acaba com os votos na legenda. Partidos à parte, basta escolher um Tiririca bom de voto em cada distrito e despejar nele todos os recursos financeiros disponíveis. Programas partidários, compromissos ideológicos e os votos nos outros candidatos são simplesmente jogados no lixo.

* Manter o financiamento empresarial de campanhas, que permitiu a Cunha não só se eleger com folga, como também ajudar outros candidatos que hoje formam sua bancada particular suprapartidária. É a questão central da reforma política, pois mantém o mesmo sistema atual, que permite ao poder econômico formar suas bancadas temáticas, e está na raiz de todos os esquemas de corrupção vigentes no país. Já proibido por ampla maioria no STF, o financiamento privado só continua em vigor porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e não devolveu o processo, à espera da reforma de Cunha, que pode aprovar a inclusão das doações privadas na Constituição.

A "Reforma Cunha" faz parte das suas "promessas de campanha" para se eleger presidente da Câmara, que incluem a construção de um novo anexo orçado em R$ 1 bilhão, com direito a shopping e tudo para o melhor conforto das excelências. O único objetivo desta turma é preservar seus interesses e, se possível, facilitar suas reeleições futuras, em parceria com o poder da grana. É o baixo clero no poder que, na hora de votar, só se faz uma pergunta: o que é melhor para mim?

Fora do baixo clero (ainda existe o alto clero?), agora liderado por Cunha, sobraram muito poucos. Uma das raras exceções é o deputado fluminense Chico Alencar, do pequeno PSOL, que fez parte da Comissão Especial, e assim resumiu a ópera bufa:

"O que se pretende, na verdade, é fazer uma contrarreforma que assegure a constitucionalização do financiamento empresarial dos partidos".

Ou seja, na melhor das hipóteses, vai continuar tudo como está, à espera do próximo escândalo de corrupção. O país clama, há décadas, por uma profunda reforma política-partidária-eleitoral, mas desse congresso nada se pode esperar de bom. O que for aprovado lá é para melhorar a vida dos próprios parlamentares, não do povo que os elegeu. O abismo entre representados e representantes só aumenta.

Por isso mesmo, a direção da Câmara dos Deputados ignorou solenemente as milhões de assinaturas das propostas populares em defesa de uma reforma política democrática que foram apresentadas, desde o ano passado, pelas principais entidades da sociedade civil organizada.

E assim vamos que vamos.
http://www.contextolivre.com.br/2015/05/reforma-cunha-poder-da-grana-e-partidos.html

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Tirar Dilma e Lula do jogo: o PSDB só pensa nisso





Para refletirmos durante o Carnaval: o que move o PSDB, qual é o seu projeto de país, além da obsessão em derrubar Dilma e tirar Lula do jogo?

A julgar pelas manifestações dos seus representantes no Congresso Nacional e a guerra de extermínio desfechada nos últimos dias por seus robôs na internet, nada mais interessa.

Para alcançar estes objetivos, vale tudo, até se aliar a bolsonaros e caiados, e entregar o comando das oposições a um "aliado" do governo, o todo-poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  

Ou alguém acredita que os tucanos estão realmente preocupados com os destinos da Petrobras, a vida da população e os rumos do país?

Outro dia perguntei no JRN ao deputado Carlos Sampaio, lider do PSDB na Câmara, quais eram os projetos do partido para 2015, além de pedir a criação de CPIs para investigar o governo. Sampaio deu uma resposta genérica e não consigo me lembrar de nenhum tema relevante.

Todas as iniciativas políticas, desde a reabertura dos trabalhos do Congresso há duas semanas, não partiram nem do governo nem da oposição, mas do suprapartidário Eduardo Cunha.

Por onde andam os caciques tucanos? Que fim levou Aécio Neves, o presidente do partido e candidato derrotado por pouco nas últimas eleições? Parece um vagalume, que vez ou outra acende em Brasília, solta uma nota ou faz um discurso, e some novamente. Alckmin, outro nome apontado como possível candidato em 2018, dedica-se atualmente apenas a achar água em São Paulo para evitar o racionamento. Serra só se movimenta nos bastidores. E FHC continua FHC.

O fato é que 2018 ainda está muito longe e o PSDB simplesmente não se conforma com a quarta derrota seguida para o PT. Desde o primeiro minuto após a reeleição de Dilma, o partido só pensa em encontrar atalhos para voltar ao poder, só pensa nisso.

Por isso, mesmo que não assumam esta bandeira abertamente agora, o impeachment tornou-se o caminho mais curto para a retomada do Palácio do Planalto, como fica claro nas convocações feitas pelas redes sociais para o protesto do "Fora Dilma" marcado para o dia 15 de março.     

O dilema tucano é que não bastará tirar Dilma. É preciso, antes, tirar Lula do jogo. É o que leva o PSDB a jogar todas as suas fichas no Judiciário e na mídia, a bordo da Operação Lava-Jato, como se tivessem descoberto um novo Plano Real.

A quem pensam que enganam? E o país que se dane.
no: http://www.contextolivre.com.br/2015/02/tirar-dilma-e-lula-do-jogo-o-psdb-so.html

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Partidos novos e velhos viram balaio de gatos



 Partidos novos e velhos viram balaio de gatos
Enquanto, em Brasília, o rolo compressor da base aliada do governo federal aprova na Câmara projeto para dificultar a criação de novos partidos, em São Paulo, o PSDB velho de guerra promove novas cenas explícitas de disputa fraticida entre serristas e alckmistas, desta vez pela direção do diretório municipal.
Quando tudo parecia acertado para que um fiel escudeiro de José Serra, o vereador Andrea Matarazzo, fosse eleito presidente do diretório municipal como uma espécie de premio de consolação para o ex-governador, que se sente escanteado e ameaça deixar o partido, três secretários do governador Geraldo Alckmin se juntaram para derrotá-lo e elegeram em seu lugar o ex-deputado Milton Flávio, que é de Botucatu.
O clima esquentou, e até a PM e a Guarda Civil tiveram que ser chamadas, segundo a coluna de Sonia Racy, no "Estadão" desta quinta-feira. Milton Flávio é funcionário de José Anibal, secretário estadual de Energia, antigo desafeto de Serra, e foi eleito com o apoio dos secretários Bruno Covas, de Meio Ambiente, e Júlio Semeghini, do Planejamento.
O acordo para a eleição de Matarazzo havia sido costurado entre o governador e o ex-governador com a benção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas na hora da votação virou tudo. Sob os gritos de "traidor" e "judas", o vereador teve que deixar rapidamente o local da eleição e ainda tentou falar com Alckmin, mas o governador não atendeu ao telefone.
O pano de fundo da disputa paroquial é a longínqua eleição municipal de 2016, em que todos já se apresentam como pré-candidatos.  Se ainda faltava algum bom motivo para Serra abandonar o ninho tucano, e se bandear para o MD (Mobilização Democrática), que seu aliado Roberto Freire criou para abrigá-lo, ao fundir o PPS com o PMN, a toque de caixa, antes da votação na Câmara na noite de quarta-feira, que restringiu a criação de novos partidos, agora não falta mais.
Em comum acordo com Serra, o deputado federal Roberto Freire criou o MD para apoiar a candidatura presidencial do governador pernambucano Eduardo Campos, do PSB. Depois da nova rasteira que tomou dos tucanos, agora nada impede que José Serra se lance candidato a governador pelo MD justamente contra Alckmin, que tenta nova reeleição e, por tabela, ofereça um palanque forte para Eduardo Campos em São Paulo. O PT, que ainda não escolheu seu candidato a governador, assiste a tudo de camarote.
É só o que falta para agitar ainda mais o balaio de gatos em que se transformou a estrutura partidária no país, com novos e velhos partidos se dividindo, fundindo ou multiplicando, de casuísmo em casuísmo, a cada nova temporada eleitoral.
Estão em jogo os 3 mil segundos diários de propaganda eleitoral na TV e o rateio dos R$ 293 milhões do Fundo Partidário. Quem mais se habilita?
Ricardo Kotscho

terça-feira, 8 de maio de 2012

Coragem é a marca do governo Dilma



Os bancos já estão chiando contra a cruzada da presidente Dilma Rousseff para baixar os juros e aumentar o crédito. É normal, é um bom sinal. O sistema financeiro estava habituado há tanto tempo a nadar de braçada e impor ao país a sua própria "política econômica", que não se poderia esperar outra coisa.
A melhor prova de que a presidente mexeu numa ferida, e está certa na sua decisão, é que os bancos já convocaram seus "consultores" e "especialistas", todos muito bem remunerados, para criticar as medidas do governo em jornais, revistas e emissoras.
Para não dar muito na vista, eles qualificam as medidas como "populistas", de um lado; de outro, imaginem, eles se mostram preocupados com os pequenos poupadores após as mudanças introduzidas semana passada no rendimento das cadernetas de poupança.
Com Dilma não tem tema tabu nem áreas em que é melhor não mexer só porque, afinal, "foi sempre assim". No encontro que teve na semana passada com empresários para explicar as novas regras da poupança, ela cortou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que queria fazer média ao apoiar as medidas tomadas aproveitando um momento de alta popularidade da presidente.
"Eu tenho que fazer as coisas que entendo que deva fazer, independentemente dos índices de popularidade".
Tem sido assim desde a sua posse. Antes de completar um ano e meio no gabinete presidencial do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff já está deixando a sua marca.
Se o governo Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela estabilização econômica e o do presidente Lula pela inclusão social de mais de 30 milhões de brasileiros, o de Dilma vem sendo caracterizado pela coragem ao enfrentar obstáculos dentro e fora do governo para o desenvolvimento do país, que não são poucos. "A vida quer é coragem" - não por acaso, este é o título do ótimo livro de Ricardo Amaral sobre a trajetória política e pessoal da presidente Dilma Rousseff.
Foi assim na chamada "faxina ética", que marcou seu primeiro ano de governo, sem medo de enfrentar o descontentamento de líderes dos partidos da sua base aliada. E será assim de novo, quando vetar pontos do novo Código Florestal aprovado por ampla maioria na Câmara.
"Fazer o que tem que ser feito" parece ser o seu lema, até com assuntos delicados como o da Comissão da Verdade, que deverá ser instalada ainda este mês. Os nomes já estão sendo definidos. O fato é que a mulher presidente vem fazendo coisas que seus antecessores homens não tiveram coragem de fazer.
Quem a conhece sabe que Dilma não tem medo de cara feia. Ainda na semana passada, quando recebeu um aviso dos barões da mídia, repassado pelo vice presidente Michel Temer, de que eles aceitariam a convocação de jornalistas da "Veja" na CPI, mas não a do dono da Editora Abril, Roberto Civita, respondeu com apenas duas palavras: "Problema deles".
Afinal, não é a presidente da República quem convoca ou deixa de convocar alguém para depor na CPI e, além do mais, ela vem mantendo uma saudável distância dos trabalhos da comissão.
Em pleno funcionamento de uma CPI, cuja instalação foi apoiada pela base do governo, o que não é muito normal, Dilma continua tocando a sua agenda sem dar muita bola para os embates no Congresso Nacional. "O governo tem que governar. Cepeizar é com o Congresso", ouvi de um importante interlocutor da presidente na minha passagem pelo Palácio do Planalto na semana retrasada.
Na outra ponta, em que a oposição perdeu completamente o discurso da moralidade, depois da descoberta da parceria Demóstenes-Cachoeira, o eterno presidente do PPS, Roberto Freire, usou o twitter para atacar o governo e cair no ridículo.
"Isso é uma ignomínia! Dilma pede e B.C. (Banco Central) coloca em circulação notas com a frase "Lula seja louvado"", repicando piada do site de humor G17, sem se dar conta de que a "notícia" era uma brincadeira.
Seria bom também alguém avisar Roberto Freire que é falso o Facebook criado com o nome da presidente Dilma, citado hoje na coluna de José Simão, na "Folha". É uma brincadeira a frase que ele reproduziu, mas não deixa de expressar um sentimento verdadeiro para quem convive com Dilma no Palácio do Planalto.
"Se fosse para ser simpática, seria guia da Disney, e não presidenta".
Por mais que às vezes seja difícil, só não podemos perder o bom humor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

2011, o ano em que a influência da brasileira morreu


O ano em que um livro desmascarou a imprensa
Balaio do Kotscho

"Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".

(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).

Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.....

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Imprensa, MP e Justiça: quem faz as denúncias?

Com os malfeitos municipais (licitação do Controlar) e estaduais (contratos do Metrô) tomando nas últimas semanas o lugar dos casos federais que dominaram o noticiário durante todo o ano, deu para notar uma importante diferença na origem das denúncias.
No plano federal, quem toma a iniciativa das investigações, das denúncias e, às vezes, até dos julgamentos de ministros, é a imprensa, quer dizer, os principais veículos de comunicação do país, com interesses econômicos contrariados ou com medo do fantasma do "controle social da mídia"....

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Kotscho diz a Jô Soares que imprensa foi golpista

Não pode passar batida a entrevista que o ex-assessor de imprensa e amigo do presidente Lula, o jornalista Ricardo Kotscho, concedeu ao programa do apresentador Jô Soares, na tevê Globo, na madrugada desta quarta-feira (08/12).

Que eu saiba, foi a primeira vez que alguém conseguiu dizer, na sede da imprensa conservadora de direita, que ela, que acusa o atual governo de censura, foi a única, entre os dois lados, que defendeu um estado de exceção que se baseava justamente em… Censura!
No segundo bloco do programa, diante de questionamento feito pelo apresentador sobre supostas intenções deste governo de impor censura a uma mídia que se notabilizou por tentar ser mais oposicionista do que a própria oposição, Kotscho não perdoou.
Abaixo, reproduzo o diálogo entre Ricardo Kotscho e Jô Soares no programa da Globo supramencionado.
—–
Jô Soares – O governo, parece que o governo está estudando a criação de um órgão pra controle, pra controle de conteúdo de rádio e televisão. O que você sabe dessa proposta, o que é que há de concreto e o que você acha disso?
Ricardo Kotscho – Olha, de concreto não há nada – até é bom levantar isso. Participei de um congresso, semana passada, na TV Cultura, sobre liberdade de imprensa, e estava esse negócio – o medo, o pânico, a censura, a volta da censura… Mas, quem fala isso, não viveu aquele tempo – eu vivi e eu sei como é que é…
Jô – Não, eu também e eu sei, inclusive, que é inconstitucional…
Kotscho – É impossível, hoje nós vivemos em uma democracia…
Jô – Então por que é que há essa onda, que tem até nome?
Kotscho – Então eu vou te falar: controle social da mídia, são documentos que circulam em sindicatos… Da categoria de comunicação, em congressos, simpósios, seminários… Tem gente que quer isso mesmo. Mas é uma minoria que nunca consegue…
Jô – Sempre tem gente…
Kotscho – Sempre tem, sempre tem… Desde sempre, desde o começo, quando eu trabalhava lá com ele [Lula] como secretário de imprensa. Nunca houve nenhuma medida de controle da imprensa.
Aí vão dizer assim: “Ah, mas o Estadão…”; o Estadão é uma questão do Judiciário. Todos os problemas que existirem de controle da informação são da Justiça, não tem nada a ver com o governo federal. Nem do atual governo Lula. E conheço muito bem a presidente eleita, Dilma, e não vai ter.
Franklin Martins, nesse seminário da TV Cultura, disse, com todas as letras: “Controle social da informação é bobagem por um motivo muito simples: é inviável”. Sabe, não dá pra fazer. Quem vai controlar? Como vai controlar? Quem controla, somos todos nós. O controlamos sempre…
Jô – Dá pra controlar, não precisa nem levantar, hoje…
[apresentador faz mímica simulando uso do controle remoto]
Kotscho – Não ta gostando da nossa conversa, muda lá no controle remoto, compra outro jornal amanhã… É esse o controle que existe.
Jô – Agora, tem uma coisa, por exemplo…
Kotscho – Só uma coisa, Jô, deixa eu só complementar. Quem ta falando isso, todo dia, em manchetes, esse negócio de ameaça, na campanha eleitoral se falou… Não tem.
Eu me lembro muito bem, que eu sou dessa época, o Estadão ajudou a dar o golpe de 64. Ele fez reuniões dentro do jornal, que acabaram implantando a censura no Brasil, a ditadura que ele não gostou.
A Folha de São Paulo, você vai se lembrar disso, demitiu o Cláudio Abramo, que era um grande diretor de Redação, a pedido dos militares. Aí ninguém fala em liberdade de imprensa.
A Veja…
Jô – Mas aí havia uma ditadura… Reinando.
Kotscho – Exatamente, isso que eu quero dizer. Aí havia censura, e aí ninguém falava em liberdade de imprensa…
Jô – Por isso tão rígido a…
Kotscho – A revista Veja, a editora Abril, também não falava em liberdade de imprensa, a pedido dos militares.
Jô – Foi tão rígida, na Constituição, a medida que se tomou pra que não houvesse mais…
Kotscho – Olha, eu tenho mais de cinqüenta anos de profissão. Eu tenho um nome a zelar. Eu não vou falar pra um grande público como o teu, aqui, uma coisa que eu acho que pode estar errada. Eu tenho certeza: não houve e não haverá nenhum risco (…)
By: Blog da Cidadania

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Eleições 2010: o velho poeta e a ira dos inconformados"

Eleição para presidente é bom por causa disso: só acontece de quatro em quatro anos, tem dia e hora para acabar. Em pouco tempo, fica-se sabendo quem ganhou e quem perdeu. No dia seguinte, a vida segue seu rumo. Os vencedores escolhem o time que vai governar e os perdedores reorganizam suas tropas para a próxima eleição. Por isso, como vocês sabem, nem pretendia voltar ao assunto.
Nas democracias costuma ser assim, mas não é bem o que está acontecendo no Brasil nestas duas semanas que se passaram desde que fomos às urnas. Em alguns “bolsões sinceros mas radicais”, como se dizia nos tempos dos militares, quando não se podia votar para presidente, nota-se um rancoroso inconformismo com o resultado, especialmente na imprensa e nas redes sociais.
Manifestações diárias deste sentimento podemos encontrar em mensagens e artigos carregados de ira, preconceitos e intolerância que circulam em colunas, editoriais, blogs, celulares, facebooks, twitters e que tais, nas velhas e nas novas mídias impressas e eletrônicas, por toda parte - hoje como ontem, os mais estridentes redutos do que sobrou da oposição radical. Não são tantos como pensam, mas fazem muito barulho.
Um exemplo patético do que pensa este tipo de eleitor derrotado é o inacreditável artigo publicado domingo na Folha de S. Paulo pelo poeta Ferreira Gullar, sob o título “Ah, se não fosse a realidade!”. De fato, se não fosse a realidade das urnas, ele talvez estivesse hoje mais feliz, menos amargo, escrevendo novos versinhos, mas o voto digitado não tem volta e os resultados oficiais já foram proclamados pelo TSE.
A começar pelo trecho destacado no texto - “Ninguém imagina que Lula deixe dona Marisa em São Bernardo para instalar-se na alcova de Dilma” -, Gullar destila sua bílis num panfleto carregado de ódio e desrespeito, que não deve fazer bem a quem o escreve, muito menos a quem o lê num final de tarde de domingo como aconteceu comigo.
Viúvo do comunismo de resultados de Roberto Freire, o octogenário poeta ganhou destaque na reta final da campanha eleitoral como uma espécie de líder dos intelectuais de oposição, encabeçando manifestos e abaixo-assinados “em defesa da democracia e da vida”, como se ambas estivessem ameaçadas.
Fez o que pode e o que não pode, como se pudesse, para impedir a vitória de Dilma Rousseff, candidata de um governo que ele abomina desde que tomou posse, em 2003. Por isso, ele até hoje simplesmente não aceita a derrota.
“De fato, como acreditar que uma mulher que nunca se candidatara a nada, destituída de carisma e até mesmo de simpatia, fosse capaz de derrotar um candidato como José Serra, dono de uma folha de serviços invejável, tanto como parlamentar quanto como ministro de Estado, prefeito e governador? Não obstante, aconteceu (…)”
Gullar faz parte do elenco fixo de intelectuais e “ólogos” em geral sempre requisitados pela imprensa para escrever artigos ou dar entrevistas contra o governo Lula, a presidente eleita e o PT. Até hoje, tem gente que não admite e não se conforma com as vitórias de Lula em 2002 e 2006, e muito menos com a de Dilma este ano.
Premiado porta-letras de um setor da sociedade que o venera nos saraus dos salões elegantes, o poeta é figurinha carimbada, mas agora é hora de renovar o plantel, pois ninguém vai conseguir ler sempre os mesmos lamentos e insultos por muito tempo.
Na semana passada, a mesma Folha recolheu do anonimato dois articulistas do melhor estilo “neocon”, que atribuem aos feios, sujos e malvados as razões de todas as nossas desgraças, e os abrigou em sua terceira página.
Primeiro, foi um rapaz chamado Leandro Narloch. Em seu breve currículo, ele informa já ter trabalhado na Veja e que é autor do livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Sob o título “Sim, eu tenho preconceito”, ele escreveu um texto em defesa da elite branca de Cláudio Lembo e da moça que culpou os nordestinos pela derrota e sugeriu o afogamento deles como solução. É mais um autor “neocon” em busca de um nicho de mercado dominado por “oldcons”.
Pouco importa que, mesmo sem os votos do Norte-Nordeste, Dilma tivesse vencido as eleições do mesmo jeito, com mais de 1,3 milhão de votos de vantagem. A tese dos neocons é que os pobres, doentes e iletrados das “regiões mais atrasadas” ganharam dos sábios, saudáveis e abonados do Sul-Sudeste maravilha, o que para eles é inconcebível.
A segunda a entrar em cena foi a professora doutora Janaina Conceição Paschoal, apresentada ao público como professora associada (de quem?) de Direito Penal na gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Na mesma linha, ela publicou o artigo “Em defesa da estudante Mayara” e colocou a culpa pela explosão do “racismo regional” em Lula.
Enquanto a oposição procura juntar os cacos e entender o que aconteceu, sem a participação do seu líder derrotado, que sumiu do mapa e fez apenas uma fugaz e infeliz aparição no Sul da França, o noticiário pós-eleitoral se concentra nas muitas crises entre os partidos aliados na disputa por cargos no novo governo e no superdimensionamento de problemas administrativos enfrentados pela administração federal.
Pelo jeito, boa parcela do eleitorado mais conservador continua sem lideranças na representação político-partidária e no movimento social, embora tenha mostrado sua força na recente eleição, o que leva bispos, poetas, pastores e setores da imprensa a exercer este papel cada vez com maior furor.
Como dizia um velho jornalista dos meus tempos de Estadão, o mestre Frederico Branco, ainda nos anos 60 do século passado: eles não aprendem, não esquecem e não perdoam.
Ricardo Kotscho
By: Blog do Miro