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sábado, 9 de março de 2013

De Pelé a Joaquim Barbosa a história é a mesma

Em certos aspectos, o Brasil não mudou nada no último meio século.

Pelé e Xuxa, no passado
Pelé e Xuxa, no passado
Não é um assunto fácil de tratar.
Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de enfrentá-lo.
Começo, então, com uma digressão.
Uma das coisas notáveis que o ativista negro Malcom X fez pelo seu povo foi, em suas pregações, elevar-lhe a auto-estima.
Malcom X, com seu poder retórico extraordinário, dizia aos que o ouviam que deviam se orgulhar de sua aparência.
Os lábios grossos de vocês são lindos, bem como o cabelo crespo, bem como as narinas dilatadas – bem como, sobretudo, a cor de sua pele.
Os negros americanos tinham sido habituados a se envergonhar de sua aparência, e a buscar tudo que fosse possível para aproximá-la da dos brancos.
O próprio Malcom X, na juventude, alisou os cabelos.
Não foi por vaidade que um dos seguidores de Malcom X, Muhammad Ali, dizia que era o homem mais bonito do mundo. Ali estava na verdade dizendo aos negros que eles eram bonitos.
Ali casou algumas vezes, sempre com negras. Era mais uma maneira de sublinhar a beleza dos negros. Se Ali, no apogeu, tivesse casado com uma loira a mensagem não poderia ser pior.
JB e namorada, no presente
JB e namorada, no presente
Pelé, no Brasil, teve uma atitude bem diferente – e não apenas ele. Era como se na ascensão dos negros no Brasil estivesse incluída a mulher branca.
Falta de consciência? Alienação? Deslumbramento? Compensação? Alpinismo social? A resposta a esse fenômeno é, provavelmente, uma mistura de todos estes fatores.
Pelé casou com uma branca, Rose, há meio século. Depois, passou para uma Xuxa adolescente. É uma bênção para as negras brasileiras que seu orgulho nunca tenha estado na dependência de estímulos de celebridades como Pelé.
Quanto mudou o cenário nestes cinquenta anos fica claro quando se olha a fotografia da namorada de Joaquim Barbosa.
Não mudou nada.
Quando falaram que JB fora fotografado dias atrás em Trancoso numa pizzaria com uma namorada, imediatamente pensei:  branca e com idade para ser sua filha.
Ao ver a foto, ali estava ela, exatamente como eu antecipara para mim mesmo.
Não sou tão inteligente assim. Mas observo as coisas.
Seria esperar demais que JB, por tudo que já mostrou, agisse diferentemente. Que estivesse mais para Ali do que para Pelé.
Os traços de personalidade já estavam claros. Numa entrevista à Veja, ele se gabou dos ternos de marca estrangeira que estão em seu guarda-roupa. Não é uma coisa pequena senão por ser grande na definição de caráter.
A partir desse tipo de coisa, você pode montar os dados básicos do perfil  da pessoa. Ou alguém imagina, para ficar num personagem dos nossos dias, um Pepe Mujica falando de grifes a repórteres?
De Pelé a JB, o Brasil sob certos aspectos marchou para o mesmo, mesmíssimo lugar.
Racismo não faltou, neste tempo todo. Faltou foi gente do calibre de Malcom X e de Muhammad Ali.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

As raras máscaras do Barbosão



Os relatos são desencontrados, contraditórios até.
Alguns jornalões, como o Globo, juram que as máscaras de Joaquim Barbosa, o implacável, foram o maior sucesso do Carnaval - antes mesmo de a festa começar o jornal já apregoava o sucesso popular do ministro supremo. Barbosão, diziam as notícias, estaria presente em todo o Brasil, se não de corpo, pelo menos de alma - e de cara.
Quem viu ou participou do festejo, porém, diz que a coisa não foi bem assim. Segundo várias informações, Barbosão foi figurinha difícil de ser encontrada nos blocos de rua, esses que realmente medem a temperatura do Carnaval. Alguns afirmam que viram um ou outro folião com a tal máscara, quantidade insuficiente para transformá-lo no tal sucesso antecipado pelos responsáveis pela opinião publicada.
Seja como for, este não foi o Carnaval do Barbosão.
O ministro supremo, o terrível algoz e acusador dos petistas na AP 470, o homem que os jornalões pintaram como um implacável caçador de corruptos, como o moralizador da nação, presidenciável que cairia como uma luva no gosto da poderosa elite que não suporta o governo trabalhista, sequer foi visto, de corpo e alma, nesses camarotes de cervejarias que ficam lotados de "personalidades" nos tantos desfiles oficiais que abundam por este imenso país nesta época.
Sabe-se lá onde o Barbosão se meteu.
Desaparecido do Carnaval, ele fracassou no teste de popularidade que os jornalões haviam imposto, talvez como pré-condição para galgá-lo definitivamente à galeria dos presidenciáveis com chances reais de defenestrar a laia petista do Planalto.
Agora, é esperar para ver como o ministro supremo vai se comportar daqui para a frente, já que ele tem ainda um bom tempo na Presidência do STF, e a AP 470, apesar do que apregoam por aí, ainda não acabou.
É possível que a batalha jurídica se estenda até o próximo Carnaval.
E, dependendo de como se comportar o nosso Barbosão, ficará mais fácil desencalhar as milhares de máscaras suas que sobraram neste Carnaval.
Evoé, momo!!
!
cronicasdomotta