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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ensaio sobre a cegueira paulista


Ensaio sobre a cegueira paulista
Por Mauricio Moraes
E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo Estado, por todas as cidades e vilarejos.
Em 2014, nas eleições para o governo do Estado, a cegueira estava disseminada. Diferentemente do livro de José Saramago, onde uma mancha branca, um “mar de leite”, cegava um a um os habitantes de uma cidade fictícia, em São Paulo os cegos continuavam enxergando. Mas há tempos já se diz que o pior cego é aquele que não quer ver.
E eles não viram, ou apenas fizeram cara de paisagem, junto com editores cegos de jornais e revistas, do rádio e da TV. Tudo parecia normal durante a reeleição do “Geraldo”, alcunha de Geraldus Alckminus, da longeva dinastia tucana. “Não vai faltar água”, disse o governador pausadamente naquela campanha, ressaltando cada sílaba, na maior mentira deslavada da história recente do país.
E assim a maioria dos paulistas “acreditou” no que ele disse. Culparam São Pedro, o PT, e ignoraram solenemente os milhões que escorreram nos túneis do metrô e a violência que voltou a crescer. Se fizeram de Maria Antonieta no desmonte da educação e das universidades do Estado. Aplaudiram a PM esfolando manifestantes e matando jovens negros e pobres nas periferias. E sobretudo se fizeram de surdos quando alertados que a Cantareira estava baixando e que a água, logo logo, iria acabar.
No quarto mês de 2015, no início do quarto reinado alckmino, ano 20 da era tucana, muitos paulistas começaram a se dar conta da realidade. Talvez tenha sido o odor inebriante do CC no busão ou as louças amontoadas na pia. O cabelo ensebado por falta de banho pode ter ajudado. Cientistas suspeitam dos efeitos colaterais da água do volume morto.
Dizem que uma moradora dos Jardins acordou num surto psicótico depois que uma crosta de poeira havia se impregnado em seu carro de luxo. Nem decuplicar a oferta ao lava jato conseguiu driblar a realidade. “Esse atendimento não era gourmet?”, gritava, insana. Mas naquele dia já não havia mais água.
Não demorou a que o caos se instalasse. Todos correram aos supermercados para estocar o líquido precioso. As gôndolas ficaram rapidamente vazias. Em Itu, um caminhão de água foi sequestrado. Por toda a parte, havia registros de brigas, até por garrafinhas de 500 ml de água. E o preço foi às alturas. Em Pinheiros, uma rua cedeu depois que vários moradores cavaram poços clandestinos. A desordem se instalou. No Palácio dos Bandeirantes, longe de tudo e de todos, Alckminus tentava contornar a crise.
Desta vez, estava preocupado. O Maquiavel de Pindamonhangaba enxergava tudo muito bem e, com jeito de bom moço, já havia se tornado mestre em abafar CPIs na Assembleia Legislativa ou em mentir que a Corregedoria da PM funciona. Agora, estava sob grande pressão.
Ainda não havia sinal de nenhuma turba chegando ao longínquo Palácio dos Bandeirantes. O Choque da PM bloqueou o acesso ao Morumbi (com garantia de água à vontade, a fim de evitar um motim policial). O estoque de balas de borracha foi reforçado e um novo lote de gás lacrimogêneo fora usado contra manifestantes do Movimento Água Livre.
Contra o povo, Alckmin tinha a polícia. O que realmente o preocupava eram os 30 PIBs de São Paulo reunidos no Palácio (a quem foi oferecido champagne por razões de “restrição hídrica”, como explicou o cerimonial). Também apavoravam o governador as chantagens dos acionistas da Sabesp. Apesar do preço exorbitante, a falta d’água deixou a companhia deficitária, com as ações a preço de banana na Bolsa de Nova York, onde eram comercializadas desde a privatização parcial da empresa.
E assim os paulistas tentavam deixar a cidade, o Estado. Um grande congestionamento, que já durava uma semana, travou as rodovias. Na capital, moradores fugiam pelas ruas, carregando o que podiam, em uma cena dantesca. Uns deliravam e arrancavam as roupas, andando desorientados. A Força Nacional foi acionada. Já havia gente se jogando no Tietê.
Em meio à tragédia, os jornais traziam notícias otimistas. “Cacique Cobra Coral assegura que vai chover”, dizia a manchete de um deles, com declarações de Alckminus justificando a contração da “consultoria para deficiência hídrica”.
Analistas chegaram a prever um ataque da população ao Bandeirantes, mas pesquisas mostravam que grande parte dos paulistas ainda não tinha certeza sobre quem era o responsável pela crise da água, se Dilma ou Haddad.
Na dúvida, resolveram ir embora o mais rápido possível, com a fé abalada em São Pedro. Ainda mantinham a esperança de que, um dia, a cidade fosse inundar mais uma vez durante as chuvas de verão e que haveria água para todos (ou ao menos nos camarotes). Para muitos, a cegueira era irreversível.
Foto: Filme Ensaio sobre a Cegueira Divulgação

sugado da : http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/ensaio-sobre-cegueira-paulista/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mentira. Não falta água em São Paulo



Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

O paulistano é bicho engraçado. Escolhe uma esfera de poder (federal, estadual ou municipal) e torce por ela loucamente, defendendo-a com unhas e dentes e eximindo-a de responsabilidade pela responsabilidade que efetivamente tem. É um amor incondicional a grupos no poder que tenho uma certa dificuldade em entender.

- Tá rolando racionamento de água lá em casa dia sim, dia não.
- Não está faltando água em São Paulo.

- Uma batida da polícia espancou o filho de uma vizinha que estava voltando do trabalho porque o confundiu com um traficante.
- A polícia não age assim. Se apanhou, é porque era bandido.

- Uma amiga está na fila da creche até agora e não conseguiu vaga.
- Não faltam vagas em creches. Ela não procurou direito.

- A moça que trabalha lá na empresa está na oitava série e mal sabe ler.
- Culpa dela que não estudou direito.

- Só consegui marcar uma consulta com o cardiologista do hospital público para novembro.
- Devia ter agendado antes.

- Mais uma favela queimou e os moradores não têm para onde ir.
- Se não consegue pagar, não more na cidade.

- A criançada tá brincando do lado do córrego que é um esgoto a céu aberto. Vão pegar uma doença.
- Certos pais deveriam perder a guarda das crianças.

- Eu ralei o joelho ao cair da bicicleta por conta de um buracão no asfalto.
- A culpa é sua, a rua é para carros.

- Não dá para entrar no trem ou em ônibus em horário de pico.
- Dá sim.

- Falta luz no meu bairro toda a semana.
- Mentira.

- Fui parado em uma blitz porque sou negro.
- Isso não existe.

- A iluminação é péssima, fico com medo de voltar sozinha à noite.
- Mentira.

- Nessas noites frias, dá dó desse pessoal que dorme na rua.
- Tá com dó? Leva pra casa.

Daí, chegamos ao principal culpado por tudo isso: você.

E não reclame. O mundo está pior exatamente por conta de gente que reclama.
via: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/09/mentira-nao-falta-agua-em-sao-paulo.html

sábado, 18 de dezembro de 2010

Será mesmo que são os nordestinos que não sabem votar, hein paulistada xenófoba?

'Estou feliz e preparado para mais 4 anos', diz Maluf após decisão do TSE
TJ-SP inocentou deputado em ação, e TSE liberou para assumir mandato.
Barrado pela ficha limpa, ele foi reeleito deputado com quase 500 mil votos.


Mariana Oliveira
Do G1, em São Paulo


O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) afirmou nesta quinta-feira (16) que ficou "muito feliz" com a liberação de seu registro de candidatura. Ele recebeu quase 500 mil votos e seria reeleito, mas tinha sido barrado com base na Lei da Ficha Limpa.

Nesta quinta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou o registro, uma vez que a condenação que o impedia de assumir a vaga foi suspensa no começo desta semana.

"Eu confio na Justiça e já disse isso muitas vezes. Eu já dizia, quando fui impugnado, que não tinha condenação, mas vocês não acreditaram em mim. Me sinto feliz porque as pessoas acreditaram em mim e votaram apesar do que dizia a Justiça [que a candidatura estava impugnada]. Estou muito feliz e preparado para mais quatro anos", disse ao G1 na noite desta quinta.

Maluf teve o registro de candidato negado a pedido do Ministério Público por causa de uma condenação, de abril deste ano, por improbidade administrativa. Ele foi acusado por uma suposta compra superfaturada de frangos para a Prefeitura de São Paulo, em 1996, quando era prefeito.

Ele recorreu e, na última segunda-feira (13) o Tribunal de Justiça de São Paulo o inocentou da acusação. Com isso, Maluf será diplomado nesta sexta-feira (17) e poderá assumir um novo mandato na Câmara dos Deputados.

O deputado reeleito comentou ainda o fato de ter recebido votação inferior na eleição deste ano na comparação com a eleição de 2006, quando teve cerca de 740 mil votos.

500 mil paulistas votaram nesse sujeito...
"Sabe como é, como convencer o eleitor, que ouve o tribunal dizer: 'se você votar no Maluf, seu voto será anulado'? Mas você ter 400 mil, 500 mil, 600 mil votos, está eleito, não tem problema que a votação tenha sido menor", afirmou. "Eu tive meio milhão de votos com todo mundo dizendo: 'não votem em Maluf, senão vai votar nulo'", completou.

A decisão que liberou Maluf nesta quinta é do ministro Marco Aurélio Mello, que relatou o caso. "As idas e vindas no campo eleitoral geram sempre perplexidade. No entanto, o que incumbe perceber é que o motivo do indeferimento do registro já não subsiste, ante a decisão prolatada pela Sétima Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo", argumentou Mello.
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