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quarta-feira, 25 de março de 2015

De volta à ribalta


É um chavão, eu sei, mas política não se faz com o fígado, e sim com o cérebro.

A senadora Marta Suplicy, porém, ou não conhece esse velho clichê ou faz questão de contraditá-lo.

A guinada que deu em sua vida política mostra que, ou ela realmente pensa que passar para o outro lado pode lhe render votos, ou então que agindo assim se vinga de algo ou alguém do partido no qual construiu sua carreira.

Seja como for, a sua decisão acentua, pelo menos para boa parte das pessoas, uma faceta de sua personalidade - seu egocentrismo.

Vi a senadora três vezes em minha vida. 

Em duas, tive uma péssima impressão.


Ela me pareceu ser uma pessoa extremamente arrogante, o que não é nada bom para quem quer ser político.

A primeira foi em 1982, quando ela e seu então marido Eduardo Suplicy foram a Jundiaí para dar palestras no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa. Eduardo era candidato a deputado federal, apoiado pelo pessoal do PT de Jundiaí, do qual eu fazia parte. Marta ainda não era política, mas sim a sexóloga que apresentava um quadro no programa TV Mulher, da Rede Globo. 

Lembro que depois, lá pelas 10 horas da noite, fomos com os dois para um bar da vizinhança. O casal até que foi um papo interessante.

A segunda vez que mantive contato com a senadora foi, muitos anos depois, numa sabatina com candidatos a governador do Estado, no Estadão.

Ela surgiu na sala reservada para a conversa com sua assessora de imprensa, mal e mal cumprimentou os jornalistas, manteve em toda a entrevista uma expressão de enfado, como se estivesse fazendo um favor de estar ali. 

Como todos sabem, perdeu a eleição.

A última vez que a vi foi num restaurante em Embu das Artes, há uns dez anos. 

O local estava praticamente vazio. Havia a mesa que ela ocupava, com seu marido de então, Luis Favre, e um assessor, e a minha, na qual estava com minha esposa.

Em dado momento, a senadora se levantou para ir ao banheiro e passou bem em frente a nós, sem sequer nos olhar.

Detalhe: ela estava em pré-campanha eleitoral.

Dizem que a senadora é muito querida em alguns bairros da periferia paulistana. 

Acredito que isso seja verdade. 

Afinal, como prefeita fez obras importantes para os pobres, como os CEUs e os corredores de ônibus. 

Mas a sua popularidade talvez não advenha só desse fato.

Num país onde há toda espécie de reis, príncipes, rainhas e princesas, uma Smith de Vasconcellos, bisneta e trineta dos barões de Vasconcellos, deve ser uma atração e tanto para o povo miserável dos rincões da capital.

Para essa população, acredito que não era só a prefeita que a visitava, mas, antes de mais nada, a celebridade que se dignava a se aproximar de seus fãs.

Agora, aos 70 anos, talvez ela tenha se cansado de ser apenas uma senadora da República de um partido que perdeu seu charme nas rodas sociais por ela frequentada, e sinta saudade do tempo em que deslumbrava o populacho com sua presença fidalga.

A vaidade conduz muitos destinos. 
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/03/de-volta-ribalta.html

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O ódio ao PT beira a idiotia


Pergunte para qualquer dessas pessoas que querem acabar com a raça do PT o motivo de tanto ódio.
Em 101% dos casos, a resposta será do tipo "o PT só rouba" ou "o governo é corrupto".
Nenhum dado econômico ou social sobre o Brasil será apresentado.
Porque não há como contestar os avanços que o país experimentou, em todas as áreas, nessa década de governo trabalhista.
O ódio ao PT parte, essencialmente, das camadas mais ricas da população, de porção da classe média e, em menor escala, dos mais pobres, sugestionados pela guerra de desinformação montada pela oligarquia, que inclui praticamente todos os meios de comunicação e seitas religiosas que se confundem com organizações criminosas.

O PT é atacado não pelo seu fracasso, mas pelo seu sucesso.
Seus inimigos são aqueles que não suportam ver o filho da faxineira cursar uma faculdade e a própria faxineira viajar de avião - e reivindicar direitos trabalhistas.
A mentalidade escravagista perdura em boa parte desse pessoal.
A generalização falsamente moralista dos ataques ao PT se dá, portanto, num nível puramente emocional.
O partido e seus integrantes são tachados de ladrões sem que nenhuma prova concreta seja apresentada - a exceção é o julgamento do tal "mensalão", que a cada dia suscita mais dúvidas sobre os reais motivos de sua realização.
Quanto à corrupção... 
Bem, se houve algum governo que mais a combateu neste país foi o trabalhista, que deixou a Polícia Federal agir livremente e criou um órgão que tem tido trabalho exemplar no combate a esse câncer social, a Controladoria-Geral da União.
Fora essas alegações vazias, resta aos inimigos do PT praticamente nada.
Ah, há sim outra coisa: a infâmia da disseminação de boatos completamente estapafúrdios, como esses recorrentes sobre um dos filhos de Lula, ou sobre o próprio Lula ou a presidenta Dilma.
Na própria campanha eleitoral essa falta de argumentos parece inundar a campanha de Aécio Neves e Marina Silva, os opositores reais de Dilma Rousseff.
Como não conseguem contrariar os números que mostram a evolução do Brasil nos campos social e econômico, se apegam a bobagens sem sentido como a desqualificação da Petrobras, ou a simples mentiras, como a do perigo da volta da inflação alta.
O debate político deveria ser feito de outra forma para a democracia avançar. 
A maneira como ele se realiza mostra que o Brasil ainda tem carências profundas, principalmente de educação.
Há, infelizmente, muitos brasileiros que cultivam e propagam o preconceito contra os diferentes, as minorias, os imigrantes, os negros, os nordestinos, os pobres, os homossexuais - e os petistas.
Sofrem de uma doença séria, que beira a idiotia.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/09/o-odio-ao-pt-beira-idiotia.html