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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A semântica das urnas

Você é um marciano recém-chegado? Descubra aqui como separar o joio do trigo – ou entender o que é verdade e o que é só interesse no calor da temporada eleitoral
Chico Bela
Botão Eleições 2014Desde a primeira eleição de lula, em 2002, o discurso político ganhou um léxico próprio. Vários conceitos dos tempos da Guerra Fria foram reciclados, outros claramente copiam a retórica da neodireita norte-americana reunida no Tea Party. O objetivo central dessa linguagem é tirar o PT do poder a qualquer custo. A cada campanha, o rosário de termos se renova, embora certas palavras nunca percam sua importância (corrupção, aparelhamento do Estado etc.). A seguir, como distinguir no palavrório que aquece as campanhas a verdade factual do discurso criado para escamotear os interesses, a fraude e a má-fé.
Alternância do poder
• Você passa a defendê-la com convicção religiosa, quando o partido do qual é inimigo permanece no poder, ao longo de reeleições sucessivas, ainda que avalizadas democraticamente pelo voto. O primeiro passo é atacar a reeleição, instituída, aliás, criada de uma maneira bem marota pelo ex-presidente Fernando Henrique , na esteira do projeto de 20 anos de poder do PSDB e à base da compra de votos no Parlamento. Um golpe constitucional sem nenhuma sutileza democrática a beneficiar o mandatário em exercício, o qual, por mera coincidência, você apoia. Alternância só é necessária quando se está fora do poder. Caso contrário, atrapalha o aperfeiçoamento da democracia. Em São Paulo, ela é especialmente execrada. Os paulistas preferem perpetuar um mesmo grupo político, enquanto bradam contra o risco de uma ditadura em nível federal.
Aparelhamento do Estado
• Quem aparelha o Estado são os adversários. Duvida? Basta ler jornais e revistas, sempre muito zelosos em fiscalizar os adversários, ainda que só a eles, e acusar o partido no poder, desde que não seja o de sua preferência, de “aparelhar o Estado”. Isso significa, basicamente, o seguinte: o partido no poder nomeia para os cargos de confiança pessoas... de sua confiança. Você reclama, iracundo: o Estado faz a festa da “companheirada”. A imprensa partidariamente engajada trata de denunciar a “farra das nomeações”. Dá para imaginar a perplexidade do leitor: o que queriam os jornalões? Que o partido no poder nomeasse adversários?
A vigilância ética é de mão única: se um presidente da República simpático a você nomeia para um importante cargo na área de energia um genro, não é por nada, seus maldosos, apenas uma coincidência. Quando o partido que você apoia aparelha o Estado com a sua companheirada, tenha certeza: os apadrinhados são gente de bem, de notório saber e reputação ilibada. Se aquele diretor da estatal nomeado por você ou pelos seus for pego mais tarde com a mão na botija, é um caso de cooptação estimulado pelo clima corrupto instaurado por seus adversários.
Bolivariano
• Se você se interessa pela sorte dos pobres, excluídos e vítimas de discriminação, a ponto de criar programas sociais compensatórios de emergência, é bolivariano. Se a política externa que você defende não se rebaixa aos ditames da Casa Branca, busca parcerias com nações fora da órbita imperial do dólar e do euro e chega ao cúmulo de lançar as bases de um FMI dos emergentes, trata-se de “ilusão bolivariana”. Bolivariano é o neocomunista. O comunismo morreu, mas o anticomunismo continua a gerar bons negócios. Embora o termo seja démodé, um bolivariano pode ser chamado de populista, na falta de termo melhor. Antônimo: Racionais. São os almofadinhas da Escola de Chicago e da PUC-Rio que não ligam para a sorte da maioria, mas se apegam fervorosamente a crenças que a realidade teima em desmentir. Estado mínimo, por exemplo.
Choque de gestão
• Significa cortar salários, promover demissões em massa e diminuir o investimento público, com base na teoria de que Estado mínimo é Estado eficiente. Faz muito sucesso entre aqueles que não sofrem os seus efeitos imediatos. No choque de gestão não cabem as migalhas assistencialistas do Bolsa Família, um jeito de perpetuar a miséria, não de reduzi-la, conforme a tese. Recomenda-se, porém, não ser explícito. Melhor dizer que os programas sociais “serão aperfeiçoados”.
Crises e bonanças internacionais
• As crises servem de justificativa para governos amigos. Se uma administração aliada vai mal, a culpa é do cenário externo. Inverte-se a lógica no caso dos adversários. Se a gestão inimiga vai bem, as condições internacionais a favoreceram. Caso se saia mal, é resultado exclusivo da incompetência de quem está no poder, que mente descaradamente ao evocar os efeitos deletérios globais, mesmo quando se trata da maior debacle planetária desde o início do século XX.
Coligações e governabilidade
• Seu partido, no poder ou quando em disputa eleitoral, consegue seduzir legendas de aluguel para uma teia de alianças convenientes para garantir a governabilidade ou engrossar o tempo no horário eleitoral gratuito? Parabéns, você é uma figura de aguda sensibilidade política, negociador de fino trato. Seu adversário fez o mesmo? Denuncie a falta de escrúpulos, a atroz barganha de princípios por conveniências, da honradez pela ambição. Conte sempre com os amigos na mídia para corroborar a sua tese. Aquele seu ex-ministro do PMDB que era honrado, mas mudou de lado, será descrito como um homem desprezível.
Corrupção
• Prática entranhada nos governos... dos outros. Infelizmente, a corrupção às vezes ganha fatos comprovados e nomes ilustres de aliados seus. Mas não se preocupe. Vale o mesmo do item Coligações. A mídia amiga estará a postos para jogar esse tipo de acusação, obviamente gratuita e injusta, para debaixo do tapete. Há corruptos e corruptos. Aqueles do partido adversário expõem uma maquinação coletiva, um assalto aos cofres públicos, uma quadrilha organizada e perene, destino manifesto da tal legenda e da administração partidária. Os seus representam casos isolados, sem nenhuma relação com as práticas e princípios de sua agremiação. Também vale dizer que a corrupção desenfreada dos adversários é um mal tão grande que afeta até gente da sua base. É a tal falta de exemplo “de cima”.
Corruptores
• Sem eles não existe corrupção. Como alguns podem eventualmente (ou frequentemente) financiar candidaturas amigas, melhor esquecer o assunto.
Delação premiada
• Ela só tem valor se for vazada cirurgicamente para atingir os nossos concorrentes. Se, no meio do lamaçal, surgir o nome de um aliado, diga que as revelações são açodadas e precisam ser apuradas a fundo, doa a quem doer. Quanto ao fato de o vazamento ser também um crime, de responsabilidade, inclusive, do ministro da Justiça, caso envolva a Polícia Federal, bem… esqueça.
Deus
Entidade abstrata, costuma irromper muito concretamente na cena política em anos eleitorais. Todo mundo simula acreditar em Deus, em especial quem não crê. A história da humanidade mostra, porém, que piores costumam ser aqueles que acreditam. Relegar a fixação da meta de inflação e a taxa de juros às interpretações de um I Ching errático que tenha na Bíblia uma plataforma não parece combinar com as práticas de um Estado leigo e não confessional. Bíblia na qual se confia cegamente, mesmo quando se afronta o conhecimento adquirido pelos seres humanos ao longo dos tempos. Ela é sempre propícia a uma leitura seletiva, que permite pular os versículos sobre os fariseus.
Dossiês
• Se a mídia está do seu lado, fique tranquilo. O esforço de reportagem visará descobrir quem produziu dossiês caluniosos contra você e os seus. Editoriais e colunistas vão denunciar as “baixarias” de campanha (ver o próximo item). Não importa se o dossiê não é um dossiê, mas denúncias comprovadas e comprováveis. Mas, se a imprensa te enxergar como inimigo, se cuide. Tudo poderá ser usado contra você, de declarações sem lastro de notórios bandidos a contas falsas no exterior ou fichas “frias” na polícia.
Liberdade de expressão
• É o direito inapelável, intocável, irreversível dos meios de comunicação de exprimir o pensamento único de seus proprietários, em consonância com seus interesses pecuniários e sua pauta eleitoral. É facultado o direito de mentir e distorcer. Em temporadas eleitorais, a toada de uma nota só torna-se uma obsessão, de forma a impedir que vaze para o noticiário algum acorde dissonante por parte da ralé das redações ou dos candidatos do outro lado. Quando os adversários pretendem exercer, eles também, a liberdade de expressão, valem-se de um eufemismo: quem responde a seus desmandos defende a censura.
Marqueteiros
• Se um adversário sobe nas pesquisas de intenção de voto, é hora de atribuir o preocupante sucesso à ação mistificadora dos marqueteiros. Vale dizer, eles são capazes de botar em pé um pacote vazio de ideias e até eventualmente eleger “um poste”. Nesse caso, não convém lembrar que o seu candidato igualmente possui um exército de experts em bruxarias político-eleitorais, pois isso comprometeria o argumento de que o candidato, aquele que você e a imprensa do privilégio apoiam, apenas expõe suas ideias reais, é de uma espontaneidade radical e nunca se deixaria manipular por técnicas artificiais de persuasão ou pela maquiagem mercadológica. Os adversários, estes sim, fazem o que for preciso para chegar ao poder, ou para mantê-lo (verbete Alternância de Poder). Você e os seus nunca participam de uma eleição para ganhar, mas em nome de um bem maior. Mensagens subliminares são a maior especialidade dos inimigos. Uma doutora em semi-óptica, perdão, semiótica, alerta a respeito das novas ciclovias, traçadas pelo prefeito inimigo de São Paulo, para “o efeito das cores sobre o nosso sistema nervoso central” e sugere que a cor escolhida “não passa de uma descarada propaganda vermelha do PT”. Em todo o mundo, as faixas para bicicletas costumam ser vermelhas, mas não importa.
Medidas eleitoreiras
• Há eleições no Brasil de dois em dois anos. Em ano eleitoral, as ações de um adversário não passam de “medidas eleitoreiras”. As suas são decisões de um governante comprometido com suas funções. Medida eleitoreira é, portanto, uma decisão tomada para aparentemente melhorar a vida do eleitor, não piorá-la, mas, como quem administra o benefício é um adversário, você insiste: embora benéfica, a decisão só busca o voto. Não seria o caso de se aprovar uma lei para impedir um governante de tomar qualquer decisão em ano eleitoral? Ver também o verbete Bolivariano.

Opinião pública
• Entidade espectral, de contornos indefinidos, da qual a minoria oligárquica se apropria, dizendo-se sua porta-voz, por mais que essa minoria não tenha a menor intenção de representar uma vontade coletiva, apenas o seu próprio interesse, e no fundo até nutra profundo desprezo por essa mesma opinião pública. Getúlio Vargas, com aquela sua sintonia com o verdadeiramente popular, disse: “Sinto engulhos quando ouço a Federação das Indústrias falar em nome do povo”. Os industriais cederam lugar para a mídia.
Serviços públicos
• Em junho de 2013, o Brasil levantou-se e saiu às ruas para protestar, a partir do estopim do aumento da tarifa do transporte coletivo, contra as mazelas do serviço público prestado nas áreas da saúde, educação, transporte e segurança. Culpou-se “o governo”. A mídia partidária leu “governo federal”. No momento em que a explosão espontânea concluiu que todos os poderes mereciam ser devidamente cobrados e que a péssima qualidade dos serviços privados (telefonia, bancos etc.) também passou a ser contestada, os meios de comunicação passaram a dizer que os protestos tinham “perdido o foco” e sido capturados por “vândalos” e “baderneiros”. 

Velha política
• Só os adversários a praticam. Pera aí, você não está aliado ou aliada àquele oligarca sulista ou ao barítono piauiense defensor de pobres banqueiros? São eles que me apoiam, não o contrário, dirá. Resposta alternativa: a pureza de seus princípios automaticamente os transformará em “homens de bem”. Para governar (ver o item Governabilidade) não será necessário atender aos pedidos pragmáticos e não programáticos de sua base? A distribuição de cargos se baseará em critérios republicanos, retrucará (ler também Aparelhamento do Estado). Mas você não abandonou velhas bandeiras pelo apoio de quem antes você combatia? Você não mudou de lado? Neste momento, chore.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/818/a-semantica-das-urnas-593.html?utm_content=buffer351c6&utm_medium=social&utm_source=plus.google.com&utm_campaign=buffer

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Colunismo de insulto como o da Veja é uma invenção americana




“Canalha”, “sem-vergonha”, “farsante”, “vagabundo”, “ladrão”… Não, aqui não se irá aludir a um “barraco” qualquer em uma feira, a uma briga de torcidas em um estádio de futebol ou a algum chilique de algum proxeneta em algum prostíbulo, mas a um estilo pretensamente jornalístico de “comentários políticos” que se tornou regra na grande imprensa brasileira ao lado do que ela publica como noticiário “isento”, que, no mais das vezes, não passa de mais opinião, só que disfarçada.
Isso que pretendem que seja jornalismo só funcionou por aqui porque foi criado por “lá”, ou seja, nos Estados Unidos, país que influenciou decisivamente a edificação de um modelo político-institucional brasileiro no qual um sistema de determinados “contrapesos” torna os governos politicamente frágeis sob a “garantia” de que não podem ter muito poder porque estariam permanentemente tentados a cometer excessos.....

sábado, 24 de setembro de 2011

O Tea Party original e o nosso


Mede-se o grau de desenvolvimento político de um país pela transparencia de suas disputas cotidianas. Neste sentido o universo político americano é mais avançado do que o brasileiro.
Um bom exemplo é o Tea Party. Trata-se de um grupo de extrema direita fanatizado, que tem um respeito absoluto e reverente pelo mercado.
Diz acreditar que o indivíduo é a principal alavanca do progresso humano. Condena o Estado acima de quase todas as coisas — menos para realizar guerras de conquista. Afirma, querendo ser levado a serio, que toda medida destinada a criar um regime de bem-estar social não passa de um esforço na direção de uma ditadura comunista.
É ridículo, como cultura política, e regressivo, como fenômeno histórico. A crise economica dos EUA, grande parte provocada por essas idéias, é uma demonstração do caráter nocivo deste condomínio conservador. Mas é mais honesto do que ocorre no Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Estudo revela características culturais do Tea Party


Autoritarismo, liberalismo, medo de mudanças e rejeição à imigração. Segundo um estudo de sociologia divulgado nesta segunda-feira (22/08), essas são apenas as quatro características principais dos simpatizantes do movimento conservador norte-americano Tea Party:..

quarta-feira, 20 de abril de 2011

“Bolsonara” dos EUA diz que Obama é filho de macacos

A dirigente do “Tea Party” Marilyn Davenport enviou um e-mail para os seus companheiros do Partido Republicano no condado de Orange, na Califórnia, em que diz que o Presidente dos EUA, Barack Obama, é filho de macacos.
Agora vocês sabem porque não há certificado de nascimento”, diz o e-mail de Devenport, que incluiu uma fotomontagem com Obama acompanhado por dois macacos.
Nas últimas semanas o Partido Republicano tem centrado os seus ataques às origens do presidente dos EUA e o “Tea Party”, movimento ultra-conservador de oposição a Barack Obama, tem alinhado na polêmica em que alguns afirmam que Obama não nasceu no Hawaii, mas sim num país estrangeiro.
“Todos os que me conhecem sabem que não sou racista. Foi uma brincadeira. Tenho amigos negros. Ainda assim o e-mail foi enviado a poucas pessoas, nunca pensei que incomodasse”, afirmou Marilyn Davenport à revista “OKWeekly”, que revelou o e-mail racista.
A explicação para o racismo flagrante parece com a do Bolsonaro, não é?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Petróleo financia a intolerância nos EUA e cria ilusões no Brasil

A extrema direita nos Estados Unidos ampliou durante o governo Obama a agressividade de seus ataques. Em 2009 um oficial reservista da Marinha, Dale Robertson, fundou o Tea Party uma organização populista responsável por organizar protestos contra a lei do reinvestimento, reformas da saúde além de exigir maior rigor no combate a imigração e militarização do combate ao terrorismo. O Tea Party não possui um número expressivo de filiados, entretanto a sua força localiza-se no poder deste reduzido grupo formado por políticos, jornalistas, ancoras de TV e radio, líderes religiosos fundamentalistas e milionários incluindo David Koch controlador da petrolífera Koch uma poderosa empresa possuindo atuação internacional.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O ódio político



“Jared Lee Loughner apareceu com a cabeça raspada, um ferimento na testa e sorrindo em foto divulgada pela polícia. Na corte federal ele entrou algemado, olhando fixo para frente e, como fez desde sábado, não deu nenhuma declaração. Respondeu apenas que estava ciente das primeiras acusações contra ele”
Com a locução acima, o correspondente do Jornal da Globo Rodrigo Bocardi iniciou a reportagem sobre a tragédia de Tucson, no Estado norte-americano do Arizona, em que Loughner matou seis pessoas e feriu quatorze. O alvo principal era a deputada democrata Pamela Simon, que agoniza no hospital.
Quem admite que a causa do ato ensandecido do lunático de 22 anos pode ter sido o clima político desencadeado pelos ultraconservadores do movimento Tea Party não foi um blog sujo, comunista, progressista, regressista ou coisa que o valha, mas o Jornal da Globo.
O telejornal admitiu que o movimento conservador liderado pela candidata derrotada à Presidência dos EUA em 2008, Sarah Palin, pode ser o responsável por conta do ódio político que vem pregando.
É curioso – e, talvez, providencial, para o Brasil – que esse fato tenha ocorrido poucos dias depois da onda de jovens ensandecidos que, às dezenas, no dia da posse de Dilma Rousseff na Presidência da República pediam, peloTwitter, que ela fosse alvejada por um franco-atirador.
O que espanta é como esses fenômenos ocorrem em ondas e como parecem ter um poder imenso de contaminar as pessoas. Quem viu as fotos dos perfis do Twitter dos jovens que pregaram o assassinato de Dilma Rousseff percebeu que eram pouco mais do que crianças, com uma ou outra exceção.
São justamente os jovens que preocupam, tanto nos EUA quanto no Brasil, no âmbito dessas campanhas de demonização de adversários políticos ou ideológicos por grupos radicais. Parecem mais suscetíveis que os adultos, capazes de materializar o que os mais velhos dizem como brincadeira.
Esses perfis crescem aos poucos nas redes sociais. Começam com meia dúzia de seguidores, vão crescendo e conseguem chegar a dezenas de milhares, que passam a ser contaminados com pregações racistas, homofóbicas, xenofóbicas e de ódio político, que, quando entra em campo, acaba reunindo todas essas fobias sociais em uma só.
Durante a campanha eleitoral à Presidência do Brasil, ano passado, o ódio político, estimulado pela mídia, enveredou pelos mesmos caminhos da pregação fascista do Tea Party, com cristãos fundamentalistas promovendo a execração de Dilma Rousseff. Até os homofóbicos simpatizantes do adversário da candidata passaram a acusá-la do que consideram o pior dos crimes.
O que acaba de acontecer nos Estados Unidos é uma tragédia e fica difícil dizer que se pode tirar algum proveito dela, mas é possível extrair uma lição, sim. Tão eficaz que, como diz a reportagem do Jornal da Globo, “os dois lados”, por lá, já estão pensando em fazer diminuir a temperatura do clima político.
Homofóbicos pregam que jovens podem ser “contaminados” vendo homossexuais, o que é uma bobagem na qual ninguém bom da cabeça pode acreditar. Todavia, jovens podem ser, sim, contaminados por estímulos à violência e ao preconceito. As provas estão aí, nos que pregaram assassinato de nordestinos e da presidente da República pelo Twitter.
O ódio político, ideológico ou moralista não pode ser estimulado. Os grupos radicais que se organizam para promover o ódio contra pessoas são um risco à sociedade mesmo quando julgam que defendem causas nobres.
Essa é uma reflexão que os agentes políticos no Brasil têm que fazer. Mídia, partidos e até movimentos sociais estão enveredando por caminho arriscado que pode gerar conseqüências imprevisíveis. E, nesse contexto, tanto a direita midiática quanto a esquerda têm que parar e pensar.
Abaixo, a matéria do Jornal da Globo supra mencionada. Em seguida, um recado.