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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

E se o Estado Islâmico quisesse patrocinar uma escola de samba?



Há um certo movimento entre pessoas que se recusaram a assistir o Carnaval no Rio de Janeiro neste ano. A razão principal para o boicote: o financiamento do enredo da Beija Flor pelo ditador africano Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial (como se o fato dos bicheiros mandarem na festa há décadas fosse um detalhe).

A maneira como a Globo, que tem os direitos de transmissão, cobre o evento é sintomático e surreal. Na TV, a verborragia sem sentido sobre harmonia, evolução etc ganha um toque extra de loucura. Como um jornalista pode narrar o desfile da Beija Flor sem mencionar que o patrocinador é responsável, por exemplo, pelo genocídio de uma etnia e espalhar a fama de ser canibal?

Na Globonews, o massacre carnavalesco do exército de repórteres inclui cascatas como uma matéria repercutindo uma pesquisa segundo a qual “ritmos imprevisíveis (!?) fazem bem à saúde”.

O Carnaval é o momento em que a máfia do jogo do bicho mostra sua opulência e sua invenciblidade para milhões. Por causa do entrelaçamento de interesses com o poder público e a mídia, aquela salada corrupta vira apenas “o maior espetáculo da Terra”.

Bicheiros são “patronos”, apropriação de verbas públicas é “investimento em turismo”. Escolas de samba não prestam contas porque, afinal, estão prestando um serviço à comunidade.

A folia de Momo é o momento em que o pobre pode brilhar, dizem. Na quarta feira de cinzas ele ou ela voltam à favela — enquanto a agremiação está com alguns milhões no caixa, grana distribuída entre os mesmos de sempre.

É fanfarronice e corrupção brilhando na tela, esfuziante. A televisão torna-se uma praça pública em que telespectadores assistem embevecidos um show bancado com dinheiro do crime, dormem e acordam indignadas pedindo impeachment.

No ano que vem, o Estado Islâmico vai pagar pelo enredo da Unidos do Vupabuçú. Deve haver uma ou outra decapitação num carro alegórico, mas, ei, isso é fundamental no quesito “alegorias e adereços”. Sem “apoio cultural e artístico” — de acordo com a nota da Beija Flor sobre a grana de Obiang —, não sai nada. A má notícia é que Claudia Raia foi confirmada como madrinha da bateria.

Kiko Nogueira
No DCM, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/e-se-o-estado-islamico-quisesse.html

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Hipocrisia, impeachment e autismo político



Antes, meus parabéns ao Ministério Público Federal pelo excelente portal de corrupção que acaba de lançar.

Tenho duras críticas ao MPF, acho que a instituição tornou-se, há tempos, um instrumento da reação.

Casos que envolvem tucanos são sempre esquecidos em gavetas erradas, ou demoram tantos anos que prescrevem.

Banestado, mensalão tucano, trensalão, etc… A postura do MPF para investigar qualquer coisa que envolva o PSDB é de uma admirável incompetência.

Entretanto, tenho que admitir que a comunicação do MPF dá de dez a zero no Executivo e na Petrobrás.

O portal é bonito e arrojado. Conforme você rola a página, aparecem personalidades falando ao internauta.

No alto da página, descubro que foi criado também um portal apenas para a Operação Lava Jato.

Evidentemente, jamais se cogitou em fazer nada parecido para o trensalão, ou para qualquer escândalo tucano.

Bobagem imaginar que o MPF se preocuparia em transmitir uma imagem mínima de isenção…

Os nomes escolhidos pelo MP para a força tarefa da Lava Jato são os mais brilhantes cérebros do MPF, incluindo aí Vladimir Aras, responsável por um excelente blog jurídico, que foi uma das principais plataformas de defesa da Ação Penal 470.

Aras era o protegée de Roberto Gurgel, o PGR que escreveu aquela outra belíssima peça de ficção, que foi a acusação da AP 470, introduzindo a teoria do domínio do fato, afirmando que o dinheiro da Visanet era público, e culpando Pizzolato por uma responsabilidade que era de outros servidores do BB.

Aliás, também foi ele, Aras, um dos que assumiram a linha de frente do MP para trazer de volta Pizzolato.

Temos que admitir.

Os caras são inteligentes e obstinados.

Quando pensamos nos dirigentes sindicais, na maioria das lideranças partidárias da centro-esquerda, é como se fossem um bando de camponeses rudes, diante dos jovens, cultos e brilhantes cosmopolitas que dominam o MP e o Judiciário.

Sergio Moro, o juiz que hoje aterroriza as hostes governistas com sua tática de “mata-esfola”, foi o mesmo escreveu a decisão de Rosa Weber no âmbito da AP 470, aquela deliciosa peça de fascismo judicial, sintetizada na frase: “não tenho provas para condenar Dirceu, mas a literatura me permite fazê-lo”.

Um gênio!

Por coincidência, estavam todos juntos na investigação do Banestado: Sergio Moro era o juiz, Vladimir Aras um dos promotores, e Alberto Youssef, o delator.

Apesar dos documentos vazados citarem Sérgio Motta, José Serra, e uma conta em Nova York intitulada (ó, criatividade) Conta Tucano, nenhum deles conseguiu convencer Youssef a delatar ninguém importante do partido.

No caso do Banestado, Youssef delatou peixes pequenos e foi solto. Voltou a delinquir de novo, mas como é de DNA tucano, e conhecido de longa data de Sergio Moro, foi novamente tratado com generosidade. Pelo mesmo Sergio Moro.

Qual tinha sido a linha de defesa de Youssef, quando acusado de operar contas clandestinas do Banestado?

Doação para campanhas demotucanas do Paraná.

Deixa para lá. Não deu em nada mesmo. Também estou cansado de ficar repetindo um monte de coisas.

Já escrevi dois longos posts sobre Youssef. Um sobre o seu longo passado tucano, e outro sobre a estratégia que ele montou com seu advogado.

Fazer a disputa política com a grande mídia é como jogar xadrez com um super computador. A gente pode usar toda a nossa criatividade, e até ganhar algumas jogadas, mas o adversário é uma máquina: não pára, não cansa.

Como alguns blogs poderão fazer frente à mais poderosa e mais concentrada mídia do planeta?

A mídia vai repetindo a mesma ladainha, as mesmas mentiras e manipulações, indefinidamente. A gente não pode se distrair um minuto, senão acaba entrando no jogo dela.

É preciso entender que os erros que denunciamos na Ação Penal 470 vieram sobretudo do Ministério Público.

Fizeram exatamente o que estão fazendo hoje. Uniram os principais cérebros jurídicos, esses caras que são muito mais inteligentes que a gente, e produziram uma brilhante peça de acusação.

Ficcional, mentirosa, brilhante.

Agora repetem a dose.

Podem ter a certeza que o farão com mais brilhantismo ainda, fortalecidos pela vitória que obtiveram na AP 470.

Dá até pena do PT e do governo, com seu “blog do Planalto” tosco, sem variar o visual desde que foi criado por Lula.

Estão lascados.

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi acusado por um dos delatores, Pedro Barusco, de receber de 150 a 200 milhões de dólares. Em nome do PT.

A denúncia foi para a primeira página de todos os jornalões, todas as revistas, tvs, rádios.

O Jornal Nacional deu 20 minutos.

Aí fui na página do PT, para ver se o partido faz alguma defesa de seu tesoureiro.

Nada.

Na festa de 35 anos, em Belo Horizonte, Lula disse para acreditar nele. Dilma falou genericamente em golpismo.

Mais nada.

Não defendem, nem demitem o cara.

Ora, temos que encarar a realidade.

Se o Vaccari recebeu 200 milhões de dólares “em nome do PT”, então o partido está literalmente ferrado.

Ninguém vai defender o partido.

Não é questão de acreditar ou não em Vaccari ou no PT.

Isso é uma disputa política! É preciso enfrentar os fatos!

É preciso batalhar pelo convencimento!

O PT virou um partido autista?

Tem que botar o Vaccari na capa do site do PT, com uma longa entrevista, em texto, em vídeo, em áudio, explorando as contradições da acusação de Barusco.

As pessoas tem de saber quem é Vaccari. Qual é a sua história.

É preciso articular um contra-ataque, baseado em defesa e ataque.

O site do PSDB está cheio de entrevistas, ataques, charges, contra o PT.

O site do PT não vai polarizar?

Dilma, quando fala em golpismo nos 35 anos de PT, precisa explicar o que isso quer dizer.

Ora, a oposição faz oposição.

Estão fazendo o que se espera deles, cada vez mais motivados.

E o blog do Planalto, não vai falar nunca de política?

Eu queria saber: é proibido?

Sabe quantas “curtidas” tem os posts do blog do Planalto?

Duas, três curtidas.

E por que?

Porque é um desastre completo. Não fala de política. Como se fosse proibido, à presidenta, participar do debate.

É um blog protocolar, completamente destrambelhado. O título do último post:

“Governo divulga prevenção à aids nos aplicativos de relacionamento Tinder e Hornet”.

Zero de política, zero de arte, zero de tudo.

E depois ela vem dizer aos ministros para fazer a batalha da comunicação?

Por que não contrata chargistas, escritores, cientistas políticos, videoastas, memistas, para ajudar no blog do Planalto, produzindo material político de primeira qualidade?

Se ela não gosta de falar (o que é um absurdo, mas tudo bem), então contrata alguém para falar no blog.

Todo dia.

Isso não seria uma contribuição para a cultura política?

(A mesma coisa vale para o blog da Petrobrás, mas já cansei de falar isso).

Hoje, um senador do PSDB, Cassio Cunha Lima, falou abertamente em impeachment no plenário. A mídia lhe deu amplo destaque.

Por que a presidenta não reage em seu blog?

O que está em jogo não é o mandato dela, é a democracia, é o Brasil, é a cultura política de 200 milhões de brasileiros, hoje reféns de uma mídia que pratica um golpismo cada vez mais traiçoeiro e sofisticado.

*

O senador em questão foi cassado por compra de voto em 2008! Ficou inelegível por 3 anos. Voltou para a política no ano passado, como senador. Olha a ficha do cara no Wikipédia:

*

Casso Cunha Lima

Problemas judiciais:

TRE-PB – Representação nº 215/2006 – Teve o mandato de governador cassado em ação de investigação judicial por conduta vedada a agente público.e pagamento de multa. Recorreu, mas decisão foi mantida no TSE e no STF: TSE – Processo nº 3173419.2007.600.0000 e STF – Agravo de Instrumento nº 760103/2009.

TRE-PB – Representação nº 251/2006 – Foi condenado a pagamento de multa em ação de investigação judicial por abuso de poder político e conduta vedada a agente público. O parlamentar recorre da decisão: TSE – Processo nº 4716474.2008.600.0000

TRE-PB – Processo nº 557204.2006.615.0000 – Teve rejeitada prestação de contas referente às eleições de 2006.

STF – Inquérito nº 3393/2012 – É alvo de inquérito que apura crimes da Lei de Licitações.

*

Esse é o nível da hipocrisia reinante hoje na política brasileira.

Não haverá reação?

Miguel do Rosário
No O Cafezinho, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/hipocrisia-impeachment-e-autismo.html

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Desonrem sua memória

eu não gosto de natal

mas isto não impede
que lhes deseje
que tenham um feliz
pobre cristo
que- dizem-
morreu por nós

em vão

homens gostam de poder
a natureza gosta dos poderosos

eu gosto de rir dos poderosos
de homens que vendem suas dignidades
esquecem seus sonhos
e se agarram em um deus
para salvá-los- de quê?

comam seus perus
empanturrem-se de farofa
lambuzem-se de doces

tudo para comemorar
 o suposto nascimento
de um homem pobre
que pregava despojamento
que fazia do ser
não do ter
o caminho a seguir

desonrem sua memória
ele vos perdoará

hipócritas...que somos.

by: interrogações

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FHC e o tributo do vício à virtude




Rochefoucauld tinha razão: a hipocrisia vem do vício para a virtude
Uma das origens admitidas da palavra hipocrisia era a prática dos atores na Grécia antiga – aquela da qual todo o Ocidente é devedor, e não credor – de representarem um papel atrás de uma máscara.
A definição descreve perfeitamente o papel desempenhado pelo senhor Fernando Henrique Cardoso, noartigo que publicou ontem nos jornais.
Ele diz que “agora, os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obterem recursos que permitam sua expansão, atraindo militantes e apoios com as benesses que extraem do Estado”.
“É sob essa condição que dão votos ao governo no Congresso. O que era episódico se tornou um “sistema”, o que era desvio individual de conduta se tornou prática aceita para garantir a “governabilidade”.
Bem, não foge o senhor Fernando Henrique da comuníssima tendência humana de julgar os fatos e pessoas segundo suas próprias experiências e natureza íntima. Difícil ver no outro nada que não seja referenciado em si mesmo, não é?
Fernando Henrique, que chegou ao Planalto embalado na manipulação da moeda nacional e sob o “critério Ricupero” de transparência republicana – “o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde” – teve uma trajetória no poder onde não faltaram experiências nas quais os “desvios de conduta” foram elemento essencial “para garantir a governabilidade”, como diz ele.
Do ponto de vista da moralidade pública, o marco inicial do Governo FHC já se deu menos de três semanas após sua posse, quando, no dia 19 de janeiro, baixou decreto extinguindo a Comissão Especial de Investigação criada pouco mais de um ano antes por Itamar Franco, na esteira das repercussões das denúncias – aliás, falsas – contra o então ministro da Casa Civil Henrique Heargraves. FHC só em 2001, e sob a ameaça de criação de uma CPI da Corrupção, criaria, em seu lugar, a Corregedoria Geral da União – então um apenso do seu gabinete, que só ganharia o atual nome de Controladoria Geral da União e status de ministério por ato de Lula, no seu primeiro dia de mandato.
Com os leitores deste blog não têm o tempo a desperdiçar que têm os leitores dos artigos de FHC e, ao contrário deles, possuem boa memória, basta listar: SivamBC-Cacciola - Francisco Lopescompra de votos para a reeleiçãoos precatórios do DNERos “grampos” da privatização da Vale (aquele do “limite da responsabilidade”), os telefonemas entre Eduardo Jorge e o juiz Nicolau “Lalau”, as irregularidades com o seu filho no caso do pavilhão brasileiro da festa dos 500 anos do descobrimento, em Hannover…
Chega, né, porque não se deve passar o domingo remoendo estas coisas…
Aliás, FHC deveria se lembrar que o então presidente de seu partido, Teotônio Vilela Filho, presidia uma ONG envolvida no desvio de verbas do FAT e não era, necessariamente, beneficiário dele.
No seu artigo, FHC diz que “os dossiês da mídia devem estar repletos de denúncias”. Sempre estão e tudo deve ser apurado. Coisa que ele não fez e agora se faz. Basta ver quem eram e como agiam o Procurador (chamado de “Engavetador”) – Geral da República, Geraldo Brindeiro, e o Advogado Geral da União, Gilmar Mendes.
Mas, como dizia o Conde de La Rochefoucauld, o comportamento hipócrita quase sempre é o tributo que o vício rende à virtude.
Fernando Brito 
No Tijolaço

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O machismo nosso de cada dia ou Gisele Amélia Bündchen



Hoje a comunidade virtual brasileira está fervilhando com o debate sobre a legalização do aborto. O assunto começou por conta daCampanha 28 de Setembro pela Despenalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe, que inspirou posts em muitos blogs, feministas ou não.

Sem muito o que acrescentar depois de textos tão completos (exemplos aqui e aqui), vou falar de outro assunto que afeta as mulheres. Pipocaram aqui e ali algumas discussões sobre o comercial estrelado por Gisele Bündchen, de uma marca de lingerie. Na peça, a modelo "ensina" como as mulheres devem comunicar más notícias para seus maridos/namorados. Falar que bateu o carro ou que estourou o limite do cartão de crédito (oi?) vestida não dá certo. A pedida é mostrar o corpão na hora de comunicar ao macho provedor que você, mulher, não se comportou como ele gostaria.

Sério mesmo?...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A ICAR e a moral

Altar-mor do convento de Alcobaça
Tenho para mim que a «moral» é a ciência dos costumes e que a humanidade, no seu progresso constante, se tem tornado mais exigente e justa à medida que a diversidade se afirma, a instrução se democratiza e as religiões recuam.
A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), frequentemente referida no Diário Ateísta, está longe de ser a pior. Infelizmente. Apenas conseguiu ser a pior de Portugal durante oito séculos e meio por não ter deixado medrar outras.
Até se compreende que a ICAR, como fenômeno empresarial de sucesso, perdidas as armas repressivas, desabituada da tortura e esquecidos os autos de fé, procure a via legal, ganhando na secretaria, com o Estado, o que perdeu com a deserção dos créus.
Em Portugal, o ultraje à liberdade e à igualdade de todas as crenças tem origem na Concordata negociada nas alfurjas do poder por prelados sonsos e governantes pios. Sempre que se concedem privilégios alguém ganha e alguém perde e a Concordata é a capitulação do Estado, dito laico, perante a última teocracia europeia – o Vaticano.
A ICAR gosta de apresentar-se como defensora da moral e dos bons costumes, apesar da sordidez do seu passado e das misérias do presente. Nos últimos tempos o divórcio, o aborto, a eutanásia e os casamentos homossexuais fazem parte da sanha persecutória da última ditadura europeia.
O Vaticano esqueceu a facilidade com que no passado anulou casamentos em que único obstáculo era o custo da decisão, só ao alcance dos muito ricos.
Mas há um episódio interessante da nossa História que convém lembrar. A Igreja que se baseia na Bíblia, onde o incesto e outros crimes aparecem com natural condescendência é a mesma igreja que abençoa o adultério e incensa os adúlteros.
Quem passar por Alcobaça vá ver os magníficos túmulos de D. Pedro e D. Inês, junto ao altar-mor, para mais facilmente os amantes se encontrarem face a face, no dia de juízo final, quando no Vale de Josafat, entre Jerusalém e o Monte das Oliveiras, o criador do Céu e da Terra vier julgar os vivos e os mortos.
D. Pedro preferiu a bela Inês à rainha D. Constança, teve quatro filhos da adúltera, e a Santa Madre Igreja sepultou os amantes juntos, para gozarem as delícias da eternidade junto ao altar-mor do convento de Alcobaça, perante a indiferença de Deus e a cumplicidade dos padres.
Boa gente !

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por que temer o espírito revolucionário árabe?

A reação ocidental aos levantes no Egito e na Tunísia frequentemente demonstra hipocrisia e cinismo. A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente".
O que não pode deixar de saltar aos olhos nas revoltas Tunísia e Egito é a notável ausência do fundamentalismo islâmico. Na melhor tradição democrática secular, as pessoas simplesmente se revoltaram contra um regime opressivo, sua corrupção e pobreza, e demandaram liberdade e esperança econômica. A sabedoria cínica dos liberais ocidentais - de acordo com os quais, nos países árabes, o genuíno senso democrático é limitado a estreitas elites liberais enquanto que a vasta maioria só pode ser mobilizada através do fundamentalismo religioso ou do nacionalismo - se provou errada.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acto de contrição

Em 2006, o Papa visitou o campo de extermínio de Auschwitz, e o memorial de Yad Vashem, em Jerusalém, em 2009. “Que o holocausto induza a humanidade a reflectir sobre a imprevisível potência do mal quando este conquista o coração do homem”: é uma dentre as muitas considerações que o Santo Padre já fez a respeito do tema.
“Falar nesse lugar de horror, de acumulação de crimes contra Deus e contra o homem é uma tarefa quase impossível”, disse o Papa quando esteve em Auschwitz. “É particularmente oprimente para um cristão, para um Papa proveniente da Alemanha”, ressaltou na ocasião.
Ustashas, os genocidas "ocultados" pela História
By: Diário Ateísta

sábado, 22 de janeiro de 2011

Papa manda "apagar" da história um pedófilo de batina


Fotos como esta estão proibidas nos seminários católicos
O Vaticano determinou que os seminários e outras instalações católicas no mundo eliminem as fotografias, pinturas e outras recordações do padre Marcial Marcel, condenado por vários crimes de pedofilia e pai de vários filhos em diferentes países. Ele havia sido considerado pelo Papa João Paulo II um "modelo e guia da juventude", e chegou a ser cogitada sua canonização. Maciel morreu há dois anos, aos 88 de idade, depois de expulso de suas funções pelo Vaticano e enviado de volta a seu México natal.
Sua congregação, os "Legionários de Cristo", entretanto, não foi punida pelos crimes do fundador. Juan G. Bedoya, em matéria para "El País" de 24 e 25 de dezembro de 2010, afirma: "Protegido por João Paulo II e admirado por cardeais da Cúria vaticana por sua capacidade de mobilização e porque lhes aportava bastante dinheiro, o fundador legionário foi expulso de Roma a caminho de seu México natal tão logo tomou posse o sucessor do Papa polonês, Bento XVI. Foi o único castigo que recebeu em vida o carismático fundador".
O comissário pontifício que assinou o decreto punitivo proibe que os seguidores de Maciel festejem as datas de seu nascimento, batismo, ordenação sacerdotal. Somente a data de sua morte, o 30 de janeiro de 2008, será "dia dedicado à oração". Entre as fotos agora proibidas estão especialmente aquelas em que Maciel aparece ao lado do Papa anterior, sempre recebendo gestos de afeição. Também estão proibidas as referências públicas ao padre-fundador, que não pode mais ser chamado de "nosso Pai", como ocorria, mas apenas citado como "fundador da Legião de Cristo". Os escritos de Maciel não mais estarão à venda.
Apesar de tudo, reconhece-se a "liberdade pessoal" daqueles que queiram conservar "de maneira privada alguma fotografia do fundador, ler seus escritos ou escutar suas conferências gravadas".
A congregação reúne dezenas de milhares de fiéis pelo mundo, inclusive 800 padres, 61 dos quais ordenados na Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma, no Natal passado.
By: Terra Brasilis

sábado, 30 de outubro de 2010

24 horas de fúria midiática – o império da hipocrisia



José Serra e seu aparato midiático sempre conseguem me surpreender. Não existe ato vil que eu consiga conceber que não consigam praticar de modo sempre mais obsceno. No que tange a fúria midiática ou no que concerne a esse político que não mede conseqüências para atingir os seus objetivos inconfessáveis.
Depois de recorrerem à calúnia, à intimidação física – indo com seus sequazes truculentos provocar militantes adversários em seus redutos –, à enganação pura e simples do eleitorado com informações falsas ou mutiladas, sem falar nas encenações teatrais, agora apelam à mais deslavada hipocrisia.
O fogoso papa-anjo tucano ao lado do Papa Bento XVI na primeira página do jornal mais vendido do país no dia posterior àquele em que esse tucano sugeriu a “meninas bonitas” que propusessem a seus 15 pretendentes preferenciais que votassem em si para terem “mais chance” consigo esbofeteia este povo.
Esbofeteia a verdade,
Esbofeteia a decência,
Esbofeteia a família brasileira,
Esbofeteia a fé,
Esbofeteia a paciência, aliás.
Mas navegar é preciso e, assim, manter a lucidez e a serenidade é imperativo. Não há que desesperar, ó filhos do Brasil. É só mais um dia de fúria midiática, essa fúria maligna não há de prosperar e a verdade haverá de prevalecer.
São só mais 24 horas de fúria e de hipocrisia tucano-midiáticas. Se chegamos até aqui, a gente agüenta.

domingo, 17 de outubro de 2010

E agora, (pastor "Mala") Faia?

Sou Evangélico. Mais que isso: sou luterano.
Não concordo com muitas das posições que a Igreja na qual estou desde o dia 4 de dezembro de 1958 defende. Não concordo com a postura fascista de alguns de seus membros, como por exemplo um certo deputado de Demo do RS (Onix Lorenzoni).
Mas entedno que na parte espiritual, a minha Igreja tem tentado se manter apegada aos três pilares defendidos por Lutero: Só a Graça. Só a Escrita (Bíblia). Só a Fé.
Pois bem!
Eu me questiono acerca da peremptória visão de 'donos da verdade' que alguns pastores ditos evangélicos e de alguns padres supostamente católicos usam para interpretar o mundo, julgar as pessoas e definir o que é, na visão deles, a verdade da fé.
Está na hora destas figuras patéticas como o tal do Malafaia e um bando de padres repensarem os seus conceitos, avaliarem o que dizem - porque estão caindo no ridículo.
Neste sentido é de todo pertinente a observação do André Vargas ao tuitar dizendo: "Pela matéria o Aborto da esposa do SERRA foi uma decisão do casal e não por problemas de saúde."
À justificativa de uma eventual 'vulnerabilidade' como justificativa, cabe colocar a opinião da psicóloga Sandra Fernandes que enfatiza: 'toda mulher (ou casal) que recorre ao aborto o faz numa situação de vulnerabilidade'.
Gostaria muito de escutar aquele padre ridículo que falou aquele monte de asneiras contra a Dilma ter agora a dignidade de vir a público e dizer: errei, sou humano, sou um imbecil e errei.
Onde está aquelçe perverso padreco lá da Paraíba que se vangloria de ser anti-petista porque o PT (e os petistas) são contra a vida?
Esta também deveria ser a atitude do Malafaia, mero mercador da fé, e que precisa se posicionar sobre este assunto. Ou então que vá pros quintos dos infernos com sua falta de caráter.
By: Terror do Nordeste, via com textolivre