Mostrando postagens com marcador Classe média. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Classe média. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de dezembro de 2016

A "classe média" e o golpe em movimento


protesto anti-Dilma dominada pela "classe média"
Os anos do petismo no Governo produziram mitificações grosseiras sobre o comportamento político e ideológico das camadas médias. O principal dele foi tomar a “classe média” como um todo reacionário, esquecendo, por exemplo, que durante os anos 80 a maioria do que podemos classificar como classe média votava no PT e PDT – dois partidos de esquerda e com níveis variados de elementos socialistas. De um ponto de vista estatístico, ainda que com uma explicação sociológica errada, André Singer, no seu livro “Os sentidos do lulismo”, demonstrou de forma satisfatória que houve um realinhamento eleitoral e a partir de 2006, e a maioria dos segmentos médios – não todos – passou a votar na direita ou centro-direita e ter o PSDB como seu principal partido político.

Essa direitização é uma resposta ideológica às situações objetivas. Tentando resumir a ideia, por uma série de transformações nos padrões globais e nacionais de acumulação do capital e do papel das camadas médias na divisão social e técnica do trabalho, existe uma insegurança social que não garante mais como tempos atrás – mais ou menos 30 anos – a reprodução da condição de classe. As camadas médias reduzem de tamanho em todo mundo, sofrem com uma competição cada vez mais intensa para se reproduzir e seu padrão de consumo está em constante processo de encarecimento. Pegando um exemplo simples: trinta anos atrás se um filho da “classe média” se formava em direito, contabilidade ou psicologia, seu emprego, salário razoável e reprodução das condições de classe era quase garantido; hoje, essa garantia não existe mais.

Outro elemento é o fator simbólico. A abissal desigualdade social no Brasil criou um padrão de consumo e sociabilidade que forjou um verdadeiro apartheid entre a classe média e as classes trabalhadoras. Poucos eram os espaços de consumo e convivência policlassista – como praias e estádios de futebol. O aumento relativo do poder de compra dos salários, a criação de nichos de "consumo popular" nos shopping da classe média, a expansão precarizada do ensino superior, a maior “democratização” do uso de certo bens de consumo (como TV a cabo e aeroportos), políticas sociais como cotas etc. feriram o exclusivismo de classe vigente por décadas e os signos de distinção social da classe média. Junte o mal-estar objetivo com o simbólico, o resultado foi segmentos importantes da classe média encontrar o culpado da degradação de sua condição material nas cotas, no bolsa família, no negro, na feminista, nas políticas sociais etc. O reacionarismo anti-PT, condicionado e potencializado pelos monopólios de mídia, foi uma resposta ideológica ao mal-estar material e simbólico e um grito patético, mas perigoso, de sobrevivência das camadas médias ameaçadas de “proletarização”.

A ideologia, embora tenha sua objetividade própria, não consegue negar a objetividade das relações materiais de produção e reprodução da vida. A “classe média” apoiou o impedimento e é ainda base de sustentação – base cada vez mais tímida e retraída – de um governo que tem como projeto político congelar os investimentos públicos por 20 anos, privatizar as estatais (já foi anunciado um plano de demissão para o Banco do Brasil de 18 mil funcionários), sucatear brutalmente as universidades, concluir a desindustrialização do país, acabar com a precária rede de proteção social etc. As medidas de Temer vão acelerar como nunca o rebaixamento econômico da “classe média”. O fim dos concursos públicos, o ataque às universidades e a própria recessão ou crescimento medíocre nos próximos anos terão efeitos que não existe manipulação midiática que consiga esconder. Nesse momento as cotas, o bolsa-família, o negro, a feminista etc. não poderão mais ser os culpados.

Enfim, quero dizer que teremos condições objetivas que vão abrir um processo de ruptura total entre a maioria dos segmentos médios e o Governo Temer – os sinais disso já são visíveis. Esse processo de ruptura pode não ser à esquerda. A possibilidade de ser capturado por um projeto tecnocrático – do tipo antipolítica – ou reacionário estilo Bolsonaro, me parece, na atual conjuntura, maior que ser absorvido pela esquerda. De toda forma, é, sem dúvida, um movimento em processo que estará em 2018 no centro da disputa eleitoral e nos próximos anos da disputa política.

http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2016/10/a-classe-media-e-o-golpe-em-movimento.html

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sonegação, reforma tributária e a classe média burra

classe_media_juniao
Todo dinheiro que pago de imposto é roubado (no sentido popular da palavra).
Logo, vou aproveitar tudo que puder, legalmente ou não, para não pagar imposto.
Isso tem lado.
E não é o lado dos trabalhadores, que têm o imposto descontado em folha (IR), sem a mínima possibilidade de sonegar (não, ao menos, atualmente, quando o estado investe pesadamente em controles informatizados para vigiar os trabalhadores).
Do outro lado, temos quatro classes:
– os que são nomeados como um dos poderes da República – e seus apêndices, que cotidianamente inventam formas de burlar o imposto, criando os já famosos “penduricalhos”: parcelas que recebem sem desconto de impostos, que eles mesmos classificam como sendo “indenizatórias”;
– corporações de ofício (médicos, advogados, pedreiros, psi’s…), que conseguem estabelecer preços pelos serviços conforme querem;
– os que vivem do narcotráfico, contrabando de armas, “lobbies” políticos, e outras formas criminosas;
– os que vivem das rendas do capital.
Essas quatro classes sonegam.
Ponto.
Tirando a terceira classe, bandida por natureza, todas as demais alegam que seu imposto é roubado e que por isso sonegam.
Há, no entanto, uma outra classe, na verdade uma subdivisão da classe dos trabalhadores, que sonha ou ser um poder ou pertencer a uma corporação de ofício ou virar bandido ou, ainda, cair no conto do “empreendedorismo” e viver de rendas.
É a classe média burra.
Burra porque ainda não descobriu que só existem duas formas de ficar rico: herdando ou sonegando.(ganhar na mega sena sozinho não faz de ninguém um rico)
E burra porque defendem um sistema que quer privilegiar as quatro classes de sonegadores, pensando que com isso tenham chances de serem “admitidos” em uma delas.
E gastam o latim contra um governo que – apesar de tudo – ainda é prioritariamente a favor dos trabalhadores e daqueles que sequer renda possuem. Que dirá terem algo para sonegar.
O que precisamos é de uma reforma tributária que faça incidir sobre os potenciais sonegadores (as quatro classes – bem, ao menos três) instrumentos que não lhes permitam sonegar.
Não por outra razão a CPMF é tão combatida. E deveria ser o único imposto existente, com alíquota de 50% (a logística de implantação fica a cargo dos gênios acadêmicos de economia).
Mexeu em dinheiro? Paga! Foi no super? Paga! Teve lucro? Paga! Tirou o salário do bano para usar em espécie? Paga! Comprou insumos para fabricar produtos? Paga! Prestou serviço? Paga!
O imposto único atinge as cinco classes indiscriminadamente.
Inclusive a classe média burra!
no: http://www.escosteguy.net/?p=5013

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A HISTÓRIA SE REPETE COMO TRAGÉDIA



O que aconteceu com a classe média brasileira?  Esquecimento?  Gosta de sofrer?

Elegeram Collor apesar de serem avisados  do risco. Deu no que deu, fez um péssimo governo, sofreu o impeachment.  A equipe econômica, com Zélia Cardoso e André Lara Rezende, confiscou a poupança. Foi um horror, pessoas suicidaram-se por desespero. O mesmo  Lara Rezende que vai fazer parte da equipe econômica da Marina Silva.

Elegeram FHC, foi um terror  para o país e para o povo brasileiro. Privatizações escusas, arrocho salarial, desemprego recorde, FMI mandando e desmandando na nossa economia, 54 milhões de pessoas vivendo na miséria. Juros estratosféricos, o país quebrou três vezes, dívida imensa externa e interna. Comprou votos no Congresso para a reeleição. Tentou privatizar a Petrobras, o BB, a Caixa Federal. O povo não tinha crédito, tinha que  recorrer a agiotas com juros de 20% ao mês se necessitasse de dinheiro. O povo comeu o pão que o diabo amassou.

Agora  querem eleger Marina Silva. Ligada diretamente com banqueiros,  que querem cada vez mais lucro, o povo vai ser massacrado.  O desemprego será imenso, o crédito  pessoal vai sumir  e os juros serão insuportáveis. Os banqueiros vão ditar as regras para economia. Ela vai entregar o pré-sal  aos EUA, vai privatizar a Petrobras com ajuda do PSDB/DEM. Essa é nova política?

Os homossexuais não terão direitos no governo Marina Silva, o fundamentalismo evangélico vai ditar o comportamento da população. Vai ter censura de programas, de filmes, livros, revistas e até de vestimentas, que serão julgadas adequadas ou não. O Brasil deixará de ser um estado laico, as religiões africanas serão dizimadas. Marina Silva e seus  bispos mentores são fundamentalistas da Assembleia de Deus!

Os programas sociais  de Lula e Dilma vão acabar, o país vai viver um caos. As obras  de infraestrutura do PAC serão suspensas, causando um grande prejuízo  para o país e para o povo.

O agronegócio e a pecuária  não vão  ser muito prejudicados  porque toda a produção será voltada para a exportação, mas vão faltar alimentos, carne e leite, que terão preços estratosféricos.  O  desemprego será novamente imenso. Marina Silva vai  cortar os incentivos para os pequenos produtores agrícolas.  Não vai ter mais  Mercosul, Unasul ou BRICS, ela vai se unir  com o  EUA, com  a  ALCA, e vai  ter a volta do FMI.

E novamente, como ocorreu com Collor, o povo vai às ruas pedir o impeachment. É isso que desejam para o país, para o povo, para seus filhos?  Vai ser um grande  pesadelo se, por uma imensa desgraça, ela se eleger!

Jussara Seixas
http://profdiafonso.blogspot.com.br/2014/09/a-historia-se-repete-como-tragedia.html

domingo, 2 de junho de 2013

Terrorismo barato - Revista Época instiga a revolta da classe média


 
Depois de atirar alimentos em Dilma no lobby do tomate, revista de João Roberto Marinho ataca a “inflação de serviços”, que reverteria a conta dos erros do governo para o público A/B; “O desenvolvimento nos últimos dez anos não contemplou a classe média tradicional, que está espremida, nervosa”, aponta no texto o economista Waldir Quadros, professor da Universidade de Campinas (Unicamp).
Na semana em que o Banco Central elevou a taxa de juros ao patamar de 8% e, assim, esfriou os estímulos de crescimento do governo ao encarecer custo do dinheiro para combater inflação, a revista Época alarma a classe média.
A publicação de João Roberto Marinho diz que a massa A/B, formada por 21,5 milhões de pessoas, o equivalente a 11,2% da população brasileira, está pagando pelos erros do governo. “O desenvolvimento nos últimos dez anos não contemplou a classe média tradicional”, disse no texto o economista Waldir Quadros, professor da Universidade de Campinas (Unicamp). “A classe média está espremida, nervosa.”
Leia trechos:
A classe média tradicional ainda representa cerca de um quarto do consumo nacional, de acordo com a Nielsen, uma empresa de pesquisa e análise de mercado – uma fatia estimada em cerca de R$ 800 bilhões por ano, equivalente a 35 vezes o custo do Bolsa Família para o governo em 2013.
Ao contrário do que ocorre com as faixas de renda mais baixa, o responsável pela alta no custo de vida dessa faixa da população não é a inflação do tomate ou de outros alimentos. O que mexe com o bolso da classe A/B é um fenômeno chamado pelos economistas de “inflação de serviços.
Essa inflação dos serviços não se reflete plenamente nos principais indicadores de inflação do país. No IPCA, o índice oficial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os serviços representam apenas 20% do total, embora alcancem 60% ou até 70% dos gastos familiares nas faixas de renda mais alta, segundo Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular.

domingo, 17 de março de 2013

Qual é o seu lado?




Conversei na última sexta-feira com um dos maiores investigadores do país sobre o tema do momento: a nova classe média brasileira. Podia revelar o nome dele e isso certamente não lhe traria incômodo, mas como tratou-se de um bate-papo e não de uma entrevista formal, não sei o que foi considerado on e off pelo interlocutor. Por isso, peço desculpas por não apresentar sua identidade.

Como estamos muito condicionados a pensar sobre quase tudo dentro de parâmetros que, à nossa maneira, servem perfeitamente para compreender o mundo, digo, o nosso mundinho particular, encontros como este servem como uma experiência desestruturante. Tira-nos do estado de acomodação anterior, desestabiliza-nos primeiro, para permitir que alcancemos outro patamar de compreensão em seguida.

Mas vamos ao que interessa. Os clássicos formadores de opinião, a elite econômica e intelectual, não raro defendem o aumento da qualidade do ensino público. Ok, também defendo. Só que tudo o que pleiteamos em termos de melhorias, seja o serviço que for, requer necessariamente mais investimento, certo? Como os recursos são finitos...  Vale lembrar que todo ano é aquela briga até aprovar o tal Orçamento no Congresso.

Ainda agora, mais recentemente, houve quem chiou quando o Governo anunciou que destinaria parte dos recursos do pré-sal para a educação, não foi?

Portanto, se temos que fazer uma escolha entre universalizar o acesso ou melhorar a qualidade, de que lado ficamos? Eu fico com a universalização no primeiro momento. Aí virão os críticos dizer: o que adianta o sujeito ir para a escola se o ensino é um lixo? Bom argumento.

No entanto, este estudioso faz uma ponderação interessante: ainda que a escola seja ruim, mesmo assim alguma escolaridade tem um impacto significativo no aumento do poder aquisitivo, logo, na riqueza do país.

Amanhã não teremos crianças fora da escola. Hoje, por exemplo, já são poucas. Se formos fazer um corte, quem está em desvantagem são os atores de sempre, infelizmente: negros, pobres e, sobretudo, moradores da zona rural.

Só que a conta da escolaridade é assustadoramente positiva: cada ano a mais de educação agrega valor aos salários da ordem de 15% . É uma injeção de 109 bilhões de dólares ao ano na economia! Isso mesmo! Mais educação numa ponta é mais riqueza na outra, simples assim.

Claro que devemos atribuir esse salto no numero de crianças e jovens matriculados aos programas sociais do Governo. Afinal, as políticas de transferência de renda focadas nas mulheres, mães, com contrapartida de filhos frequentando a escola demonstraram que dão resultado.

Não por acaso, programas como os adotados pelo Brasil são hoje discutidos em todo mundo, seja em países em desenvolvimento, seja por organismos internacionais, como a ONU.

Onde quero chegar? Escola leva a trabalho de maior qualificação, com melhores salários, novos padrões de consumo e, futuramente, novas demandas por qualidade do serviços públicos e de tecnologia, como um computador conectado à internet por banda larga universalizada, por exemplo.

Aparentemente nenhuma novidade. Só que a grande novidade já está em curso e é silenciosa. A continuarmos assim, diz meu interlocutor, vislumbramos uma classe C melhor informada e mais consciente de seus direitos e pronta a cobrar mais e melhores resultados.

Por isso, o debate que se trava hoje na política, não por acaso, é se queremos um Estado de bem estar social, representado pelo petismo e seus associados, ou um Estado mínimo, representado pelas forças conservadoras capitaneadas pelos tucanos. Em jogo está a conquista de corações e mentes desta nova classe social em ascensão, que vai pedir: ou o fortalecimento, ou a ruína do Estado.

Portanto, em jogo também temos um novo personagem em ação: o imposto. Com a economia formal em expansão, o trabalhador tem desconto na fonte e o prestador, na nota. Se o peso do imposto voltar como desejada contrapartida em serviços públicos, ok. Caso contrário, vai valer o salve-se quem puder do neoliberalismo, que tem espalhado seus mortos ao redor, como temos testemunhado.

Ainda que haja corrupção e desarranjos estruturais, prefiro a via do bem estar social patrocinado pelo Estado, de preferência taxando fortemente quem tem muito, para diminuir ao máximo esse abismo escandaloso chamado desigualdade.

E nesta disputa sei direitinho quem está em cada campo: de um lado os trabalhistas, humanistas e os movimentos sociais. E do outro os bancos, a elite empresarial, o agronegócio e mídia, claro que com as exceções de praxe.

E você, qual é o seu lado?
maureliomello

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O que está por trás da eleição no Senado



Antonio David: “Renan é sujo igual a todos os outros – inclusive o outro candidato – mas a diferença é que todo mundo (inclusive a classe média) sabe que Renan é sujo”. 
Foto: Antonio Cruz/ABr

Eleição para presidente do Senado em si mesmo é algo que pouco interfere na conjuntura, muito menos na luta de classes. Apesar disso, as movimentações e opções que os partidos fazem é sintomática de posições que, essas sim, têm importância na conjuntura.
A eleição de Renan mostra o óbvio: a força que a direita fisiológica tem no Brasil. (Vale lembrar que provavelmente o presidente da Câmara será também do PMDB). O que não é obvio é: como o PT conseguirá avançar nas mudanças dependente que o governo é do parlamento e estando o governo preso a partidos como o PMDB?
Para refletir sobre isso, vale destacar um trecho da entrevista de André Singer ao Brasil de Fato: “Veja o que foi o papel do PMDB na campanha eleitoral de 2010: foi de brecar as medidas mais radicais que o PT tinha proposto em seu IV Congresso, como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho e a taxação das grandes fortunas. O PMDB brecou essas duas coisas, que no final não entraram no programa da presidente Dilma”.
Qual é o problema? O problema é que criticar a política de alianças do PT é fácil, sobretudo quando a crítica é no varejo. É fácil criticar o apoio a Renan na eleição. Qualquer um critica. O problema é que crítica séria tem de ser no atacado, ou seja, o problema não é apoio, eleição, mas a estratégia do PT. E aí a coisa complica. Porque a estratégia que prevê alianças com a direita, que fortalece o agronegócio, que financia a imprensa golpista com publicidade etc., é a mesma que está aumentando o emprego e a massa salarial, diminuindo a pobreza e a desigualdade, viabilizando a expansão do ensino, cotas nas universidades etc.
É possível jogar fora alianças com a direita, e seguir avançando? É possível jogar fora a “governabilidade”, e seguir avançando? É possível corrigir os erros, mudar tudo o que tem de atraso na política do governo, e seguir avançando no que tem de bom, sem “governabilidade”, sem maioria no Congresso?
Para a esquerda, essa é a questão central, ou uma das questões centrais. Não tenho resposta pronta no bolso. O que eu sei é que não dá para se acomodar, como se a estratégia de conciliação e de composição fosse boa, como também não dá para dar uma resposta simplista, como uma parte da esquerda faz.
A oposição (PSDB, DEM, PPS) não tem discurso. O governo FHC foi um fiasco e onde eles governam as coisas vão mal. Mas eles precisam fazer oposição, pois esses partidos representam o capital financeiro, que não apenas está insatisfeito com o governo, mas sabe que o desenvolvimentismo do governo fere seus interesses de classe. E como esses partidos não têm o que falar, qual é o discurso? Ética na política, moralidade, corrupção. Já vimos esse filme antes: UDN, Jânio, vassourinha…
Renan é sujo igual a todos os outros – inclusive o outro candidato – mas a diferença é que todo mundo (inclusive a classe média) sabe que Renan é sujo.
Como o candidato do governo foi um candidato descaradamente sujo, a oposição aproveitou a oportunidade para posar de preocupada com a Ética e a moralidade pública. A imprensa ajudou, e eles de certa forma conseguiram o que queriam. O que eles queriam não era ganhar a eleição. O objetivo era alimentar, na classe média, a ideia de que eles são éticos, preocupados com a moralidade. E de fato saíram com pontos positivos junto à classe média. Graças a Deus, o povo não se preocupa com eleição de presidente do Senado.
O que falar do PSOL? Não surpreende a posição do PSOL, de apoiar a candidatura de Pedro Taques. Afinal, para quem o PSOL fala? Para a classe média. O povo nem liga para o PSOL, exceto em Belém e no Rio.
Que ideias o PSOL alimenta? De que o grande problema do Brasil é a corrupção e de que o PT é corrupto. Portanto, não surpreende.
Mas… ao embarcar na candidatura alternativa organizada pelo PSDB (sim, para os ingênuos que não sabem, a candidatura de Pedro Taques foi organizada pelo PSDB), o PSOL não fez outra coisa senão ajudar o PSDB a posar de arauto da Ética e da moralidade. Posição coerente nessa eleição teria sido votar nulo.
Em tempo: o grande problema do Brasil não é a corrupção, mas a desigualdade.
Antônio David é mestrando em filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da 
No, viomundo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O radical classe média é uma figura pitoresca


O Radical Classe Média se imagina como o que resta de bom no Brasil. Não raro, flerta com o fascismo


Há uma figura pitoresca que costuma habitar a classe média tradicional brasileira. Ela pode ser encontrada na universidade, nos protestos políticos, nos shoppings centers, na high society, entre os mais escolarizados, tanto nos movimentos de esquerda, como nos de direita. Na verdade, é uma radicalização da visão específica de uma classe. Vou expor algumas de suas características.
classe médai brasil caricatura
Uma caricatura do radical classe média. (Foto: Carta Potiguar)
Vale lembrar que o modo de vida apontado abaixo é um tipo idealizado do caráter do “Radical Classe Média”, podendo, portanto, uma pessoa comum reunir uma maior ou menor quantidade de tais inclinações, se associar intensamente ou dissociar do modelo.
O Radical Classe Média:
Geralmente, o radical classe média se apresenta como politizado, para, na verdade, repetir os velhos cacoetes do senso comum da política – é contra partidos;
Mais. Todo político é ladrão. Alias, para o Radical Classe Média, o problema do Brasil não é o da desigualdade, mas o da corrupção. Por isso, não perde a oportunidade de comparar a nossa suposta natural propensão para a malandragem com a sonhada condição positiva dos EUA, ou numa perspectiva intelectualizada, dos países escandinavos;
Nesse sentido, a eleição não passa de uma chantagem. Tanto faz quem vai ganhar – “é tudo igual mesmo”. O Radical Classe Média, quando não é capturado pelo moralismo e/ou suposta superioridade gerencial de um bonachão, prega o voto nulo;
O Radical Classe Média não gosta muito de se “misturar”. Quer exclusividade. No fundo, ele não suporta que ônibus coletivo passe nas praias “nobres” de sua cidade. Ou, em sua versão intelectual, defende a criação de “espaços” para os mais “humildes”;
Para o Radical Classe Média, as instituições devem aprender a se relacionar com ele, já que o dito cujo apresenta muitas especificidades;
Instituição a favor dele é democracia. Contra ele? Fascismo;
Seguranças-policiais-trabalhadores devem fazer cursos de capacitação só para aprenderem a se relacionar com ele;
Ele é anarquista para os deveres, mas não para os direitos;
Ele é contra impostos, mas quer que tudo funcione a seu favor;
Um bom Radical Classe Média critica o inchaço do Estado, mas sempre tem alguém da família, gozando de acesso privilegiado ao próprio Estado – um cargo, um contrato, etc;
O Radical Classe Média não tem diploma de graduação. Ele tem diploma de nobreza. E o “resto”? É resto, alienado. Ele se vê como o (único) “intelectual orgânico”…;
Ele é terminantemente contra o bolsa-família, a quem ele chama de bolsa-esmola, pois produz preguiçosos e premia quem nunca “quis” estudar;
Para o Radical Classe Média, quem não sabe escrever o português corretamente deveria ser impedido de votar, de expor sua opinião num blog ou jornal. Enfim, de argumentar;
Pensar é sinônimo de dominar a gramática. Do contrário, o dito cujo se encontra no nível dos animais irracionais;
Para ele, às vezes, o problema do Brasil é porque o pobre-analfabeto – ele chama de “não esclarecido” – não sabe votar. Uma cientista política advinda da USP teria um bom conceito radical de classe média para isso – ausência de “sofisticação política”;
Na versão intelectualizada, o Radical Classe Média é um crítico do jeitinho brasileiro, gosta de ler Nietzsche, Foucault, Deleuze, Guatarri. É um crítico do “micropoder”, dos “fascismos da norma”, conceitos mobilizados para negar qualquer coisa que lhe cobre alguma contrapartida social;
Há também aquelas versões do Radical Classe Média que tornam Karl Marx, ou o socialismo, numa questão de superioridade ético-moral;
O Radical Classe Média é um supercidadão. Os demais… subcidadãos;
Afinal, o Radical Classe Média estudou. Merece mais do que os simples mortais.
O Radical Classe Média se imagina como o que resta de bom no Brasil. Não raro, flerta com o fascismo.
Por Daniel Menezes, em CartaPotiguar

sábado, 19 de janeiro de 2013

Ricos deserdam velha classe média




Atacar o governo Dilma não tem sido tarefa fácil para os setores médios mais tradicionais da sociedade brasileira. Se por um lado sentem que não desfrutam mais de privilégios exclusivos de classe – como aeroportos vazios ou a posse distinguida de automóveis – e que os empregos melhor remunerados num futuro próximo já não lhe são antecipadamente assegurados, por outro percebem que a critica mais acerba ao governo que lhes restringiu o prestigio social  pouco repercute. E isso lhes enche de ódio.


Foi assim em lugares e épocas bastante diferentes da que vivemos no Brasil de hoje. Anton Tchekov em seu “O Jardim das Cerejeiras” mostrava na Rússia de incipiente capitalismo a fúria lancinante de uma família da aristocracia rural, sitiada em sua casa da cidade pelos representantes da nova classe de comerciantes e industriais, prontos a pagar em moeda sonante o que restara do patrimônio penhorado por dividas.

Talvez seja isso mesmo o que a manifestação solitária de 20 pessoas na Manhattan brasileira, a Avenida Paulista, pareceu demonstrar numa ordinaria sexta feira de janeiro: a reação ao sentimento de insignificância daqueles que tendo antes cimentado a relação do estado com os mais ricos percebem-se agora politicamente descartados pelo status quo.

Por que acabaram deserdados transparece de maneira eloquente no relato que faz em primeira pagina o jornal Valor Econômico, transcrito abaixo, sobre a maneira pela qual os setores capitalizados da sociedade brasileira veem conseguindo valorizar ainda mais seus ativos por meio do mais baixo custo do dinheiro vigente no mercado financeiro, desde que em 1994 foi lançado o “plano real”.

Agora já é possível aos milionários comprarem barcos, aeronaves e fazer até investimentos usando dinheiro levantado às novas taxas praticadas no mercado, ao invés de lançar mão das aplicações com melhor remuneração feitas pelos fundos de investimentos para detentores de fortunas nos “private equity”.

Juro menor atrai a classe A
Do Valor Econômico, edição de 15/01/2013
A forte redução dos juros também mudou a vida financeira dos brasileiros endinheirados. Com a taxa Selic a 7,25% ao ano, os milionários começam a achar mais vantajoso tomar crédito do que pôr a mão no bolso para adquirir bens de valor elevado - imóveis de altíssimo luxo, aviões, helicópteros etc. - e até para realizar investimentos.

O volume de crédito no segmento de private banking - que abriga clientes que têm mais de R$ 1 milhão só para aplicações - cresceu 33,2% em 2012 (até setembro, último dado disponível), mais que o dobro do crédito para pessoa física em geral. "Nossa carteira de crédito no private cresceu 50% no ano passado. Na parte imobiliária, o volume dobrou", diz Luiz Severiano Ribeiro, diretor do Itaú.

A perspectiva dos executivos de bancos ouvidos pelo Valor é de que o ritmo dessa expansão siga em dois dígitos nos próximos anos. O estoque de crédito no segmento era de R$ 12,75 bilhões em setembro, o que representa apenas 2,6% dos ativos totais sob gestão (R$ 496,2 bilhões). Nos grandes bancos globais, a relação entre ativos e crédito no segmento supera 10%. "Em outros países nos quais atuamos os empréstimos representam 15% dos ativos", afirma Maria Eugênia López, diretora do "private banking" do Santander, que viu as concessões de crédito a milionários avançarem 40%.

"Os clientes podem pagar o que quiserem à vista, mas percebem que não há motivo para desmontar uma carteira de investimentos que rende mais que o custo da dívida", afirma Gabriel Porzecanski, diretor de "private bank" do HSBC, cujo carro-chefe tem sido empréstimos para aquisição de imóveis, sobretudo nos EUA. Por essa lógica, não há motivos para se desfazer de parte de uma carteira de ações que pode render 12%, 15%, 18% ao ano para comprar um helicóptero com uma linha de crédito de 9% ao ano, por exemplo.

Das cinco linhas do private, a que mais cresceu em 2012 foi a de "empréstimos diversos", operações de curto prazo cujo volume aumentou 153% e atingiu R$ 3,79 bilhões. "O financiamento de aeronaves tem sido, junto com os imóveis, um grande atrativo no segmento", afirma Ribeiro, do Itaú.

brasilquevai

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Raul Longo – A fortuna de Lula e os setores masoquistas da classe média brasileira



Financial Times tranquiliza classe média brasileira

image0021Por Raul Longo(*)
Com o passar dos anos, desde 2003 reduziram-se os setores da classe média brasileira preocupados com o enriquecimento do ex operário Luís Ignácio Lula da Silva.
Antes de 2003 a preocupação era ainda maior. Alguns até imaginavam que se virasse presidente do país Lula compraria todos os aparelhos “3 em 1” do mercado, desfalcando os lares de consumidores da então maravilha acústica. Previsões menos modestas acreditavam que monopolizaria a produção de ternos Armani e o próprio presidente da FIESP cogitou que expulsaria todos os empresários do país para não sofrer concorrência.
Mesmo assim Lula virou presidente e a cada de seus dois mandatos aqueles setores da classe média foram se reduzindo a despeito ou graças às previsões dos especialistas em economia da Globo, do O Estado de São Paulo, da Abril e da Folha de São Paulo, por tanto afamados como os 4 cavaleiros do Apocalipse que não veio.
Ainda que se reduzissem os setores preocupados, ampliaram-se as preocupações dos renitentes e se chegou a anunciar que o filho do ex-operário – vejam que acinte – haveria adquirido a fazenda do maior criador de gado nelore do Brasil. Um descalabro que descabelou muita gente preocupada com o continuar daquela roubalheira que não deixaria sobrar nada para ninguém quando os de sempre retornassem ao poder. Felizmente o proprietário e suposto vendedor da tal fazenda tranquilizou todo mundo avisando que aquilo não passava de boato e sequer fora consultado sobre a inexistente possibilidade de suas terras estarem a venda.
Então se aventou um “aerolula” foliado a ouro. Isso revoltou muitos da classe média, pois nem o luxo do iFHC, ainda maior que o do apartamento de Paris do mesmo FHC, chegara a tanto. Mas em 2011 Lula voltou para casa e não levou o avião e caso alguém da alta classe média brasileira torne a ocupar o poder, poderá brincar com a aeronave.
Eis então que o jornalista Amaury Ribeiro lança um livro onde comprova documentalmente os desvios da filha do Serra, do genro do Serra, do primo do Serra, do cunhado do Serra e dos amigos do Serra. São cifras astronômicas e se o Serra sequer foi presidente do Brasil por ter perdido do ex-operário e e até de uma mulher, o que esses dois não haverão rouba na presidência? Imaginem vocês: um ex-operário e uma mulher!
O Genoíno, por exemplo, foi só presidente e roubou tanto que foi condenado pelo Joaquim Barbosa. Nem Barbosa nem Gurgel conseguiram provar que o Genoíno roubou, mas tá na cara que o Genoíno roubou! Não se encontrou nada: nem documento, nem dinheiro, nem propriedade ou qualquer outra coisa, mas o Genoíno roubou. Roubou porque a Veja e o Roberto Jefferson viram. Quer dizer, ver não viram… Mas garantem! E se a Veja garante, como é que o Barbosa não ia condenar, não é mesmo?
Tudo o que se comprova que o Genoíno possua é uma casa de periferia que não deve valer nem R$ 100 mil, mas a classe média preocupada com o regresso de seus representantes ao poder, delira com fortunas incalculáveis. Se delira com a fortuna inexistente do presidente do PT o que não delirará com a do Presidente do Brasil? Tanto que alguém fez circular pela internet uma capa de edição da revista Forbes apontando Lula como um dos bilionários do mundo.
Mas aí veio um gaiato e estragou o prazer masoquista desse setor da classe média preocupado com a possibilidade de que Lula roube tudo antes que voltem ao poder, revelando a montagem da imagem em destaque.
Nem assim o setor Masoch** da classe média brasileira se deu por vencida e continua vibrando de gozo ao acusar Lula de ladrão. São os velhos especuladores, as viúvas de FHC, os militares reformados saudosistas da ditadura que os acobertava, os contrabandistas e demais rufiões tratados injustamente pela democracia que os impossibilita de voltar ao poder e, na falta de atividade mental, entregam-se à lascívia de distribuir preocupações sobre o quanto Lula terá roubado do país.
Com isso enlouquecem a classe média que, por sua vez, se sempre sentiu o maior prazer em ser roubada por acadêmicos, poliglotas, professores, doutores, playboys, engenheiros, generais e todos os que possam ser considerados gente de bem, jamais, nem imaginar, poderia admitir ser roubada por um ex-operário. Muito menos nordestino! É uma afronta!
Mas nesse endereço da Financial Times veio o tranquilizante. Ninguém mais precisa se preocupar. Ao contrário do que faz entender a Globo, a Veja, a Folha e o O Estado de São Paulo, Lula não ficou rico. Confiram:
Os muito preocupados que não leem inglês podem pedir pela tradução da página ao Google ou a alguém alfabetizado neste idioma para saber o que os britânicos deduziram da suposta fortuna de Lula. Dou uma forcinha aqui: o Financial Times, conhecido informativo capitalista inconfundivelmente de direita, conclui que com 30 anos de vida pública os poucos bens que Lula possui são modestíssimos. Conforme o informante do Financial, um hacker contratado por um político da oposição até deprecia as propriedades do ex-operário dizendo-as mal conservadas e mal localizadas.
Já quanto ao apartamento do FHC a Financial não diz nada. Também não sobre a mansão nos Jardins do Serra. Tampouco sobre apartamento milionário acusado pela filha não reconhecida do Álvaro Dias ou sobre os imóveis em BH e Nova Lima e os apartamentos do Leblon e de Ipanema do Aécio Neves. Mas para os setores masoquistas da classe média, isso é de bom tom e só comprovam o bom gosto de seus ídolos políticos.
**Leopold von Sacher-Masoch, citado no texto, foi um escritor austríaco, autor do romance “A Vênus de Peles” onde um dos personagens atinge o orgasmo quando surrado pelo amante da esposa. Daí que se deu a origem aos termos masoquismo e masoquista, no Brasil também versado para eleitor de candidato tucano.
*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Mora em Florianópolis e é colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Pouso Longo”.
via, http://quemtemmedodademocracia.com/2013/01/13/raul-longo-a-fortuna-de-lula-e-os-setores-masoquistas-da-classe-media-brasileira/

terça-feira, 10 de abril de 2012

Até 2018, classe média no Brasil chegará a 60% da população


Agência Brasil

“A presidenta Dilma Rousseff reiterou ontem (9), em Washington, nos Estados Unidos, que a crise econômica mundial impõe a todos a busca pela superação de paradigmas e de novas oportunidades. No caso brasileiro, o crescimento da classe média é o estímulo para o país manter os esforços para o crescimento econômico, disse a presidenta. Segundo ela, mais brasileiros serão incluídos neste nicho da sociedade, alcançando 60% da população em 2018.

“[A classe média] é a chave para a força e a capacidade de crescimento da economia em nosso país”, ratificou a presidenta, durante encontro com empresários norte-americanos e brasileiros, além de representantes de várias universidades. “A crise econômica internacional impõe a nós imensos desafios. Mas tem sido também a oportunidade para ultrapassar paradigmas.”

Dilma lembrou que o Brasil tem se esforçado, consolidando a superação de dificuldades econômicas em pilares sólidos. Ela ressaltou que atualmente o Brasil tem reservas líquidas acima de sua dívida externa. Também destacou que em 2002 a dívida líquida brasileira sobre o Produto Interno Bruto (PIB) era 64% e agora está em 36,5%.

A presidenta disse ainda que os esforços do governo são para dar mais tranparência aos gastos públicos e aplicar de maneira adequada os recursos federais. Segundo ela, essa disposição faz parte de uma opção feita pelos setores público e privado, assim como pela sociedade brasileira: “É importante que se destaque a iniciativa, que é do governo, dos empresários e do povo brasileiro”.

Para Dilma, há uma “opção clara” no Brasil por estimular o crescimento econômico com medidas de justiça social e mais democracia. “Buscamos um mercado de consumo de massa que é uma forma de justiça social”, disse, lembrando que as mudanças no Brasil refletem o que ocorre no mundo como um todo.

Ao defender a participação da classe média como força motriz na economia, Dilma lembrou que processo semelhante ocorre na Rússia, Índia, China e África do Sul, países que compõem o bloco do Brics. Ela reiterou que os cinco países têm grandes extensões territoriais e desafios comuns a perseguir, como a inserção das classes marginalizadas, pobres e que têm fome.

A visita de dois dias da presidenta Dilma aos Estados Unidos acaba hoje (10). Ontem, ela esteve em Washington e hoje passa o dia em Boston, quando irá às universidades de Harvard e Massachusetts. Em ambas, a presidenta deverá apresentar as parcerias para o programa Ciência sem Fronteiras.”
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Estudo revela abismo educacional entre classes média e alta


Com a adesão de cerca de 40 milhões de pessoas na última década, a classe média tornou-se majoritária no Brasil, englobando 52% da população. Mas a ambição do grupo por novas chances de ascensão pode ser bloqueada pelo abismo educacional que o separa da classe alta, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE).
Feito com base na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), de 2009, o levantamento revela que, embora os índices educacionais da classe média tenham avançado bastante nos últimos anos, seguem distantes dos da classe alta: ao passo que 87% dos brasileiros mais ricos concluem o ensino médio, apenas 59% da classe média alcançam o mesmo estágio....

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A alienação da classe média de esquerda nas críticas ao PNBL

Quem da classe média de esquerda se habilita a desligar sua banda larga PRIVADA à espera de uma conexão estatal, em protesto, para exigir uma banda larga provida apenas pela Telebrás?
Refiro-me a esperar até que a Telebrás chegue a seu domicílio, esperando pelos trâmites no Orçamento da União, aprovação no Congresso, licitações e embargos na justiça, concursos para contração de pessoal na estatal, aumentos de capital e assembléia de acionistas de uma empresa estatal que tem ações em bolsa de valores, etc.
Acho que ninguém que já tem banda-larga PRIVADA está disposto a ficar sem, enquanto isso.
Pois esta mesma classe média de esquerda (que já tem a banda larga privada), está se comportando como alienada em suas críticas, querendo negar ao pobre o que ela já tem e usa. Para o pobre, que no Brasil sempre “tinha que esperar”, ter uma opção agora e já de banda-larga de 1Mbit a R$ 29,80 (ou R$ 35,00 com ICMS) resolve seu problema imediato.

Vejam o texto completo no blog OS AMIGOS DO BRASIL

quinta-feira, 2 de junho de 2011

É por isso que eu sou contra o Lula


Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior - tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como se fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

- A nova classe média nos descaracterizou?

- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...

- Buuu para o Lula, então?

- Buuu para o Lula!

- E buuu para o Fernando Henrique?

- Buuu para o... Como, "buuu para o Fernando Henrique"?!

- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

- Sim. Não. Quer dizer...

- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

- Por quê?

- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

- Acho, mas...

Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou. 

domingo, 17 de abril de 2011

Classe média vai pautar eleições, afirmam analistas

Em conversas com pessoas de famílias que migraram ou estão migrando das classes D e E para a C, e vivem com renda familiar em torno de R$ 2 mil, a primeira impressão é a de um refrescante otimismo. Além do entusiasmo que demonstram quando falam de conquistas recentes, relacionadas sobretudo ao consumo, parecem olhar o futuro de forma confiante.

o Jardim Marquesa, periferia da zona sul de São Paulo, a vendedora desempregada Solange Ferreira Luz, de 36 anos, é capaz de listar em minutos uma dúzia de boas coisas que aconteceram em anos recentes com ela, o marido e os filhos - a menina de 12 anos e o garoto, de 10. Com uma renda familiar em torno de R$ 1.800, eles conseguiram reformar e pintar a casa e comprar o primeiro carro da família, um Corsa 2007, além de uma TV de plasma, uma geladeira nova, um computador e outras coisas. O marido, com carteira de trabalho assinada, retomou os estudos. Com parte das despesas escolares custeada pelo patrão, agora cursa direito.

Nesse cenário, o que não vai bem? A resposta de Solange sai de bate-pronto: "A maior preocupação é a escola dos filhos. Não poderia faltar professor do jeito que falta. Se tivesse dinheiro, matriculava em escola particular."

A mãe de Solange trabalhou quase toda a vida como faxineira e não concluiu o primeiro grau. A filha foi além, até o ensino médio, e agora sonha com a universidade para os filhos. Foi essa preocupação com a educação que a levou a adquirir o computador, com acesso à internet, e a se tornar mais exigente em relação à rede pública de ensino.Leia todas as matérias publicadas no  jornal O Estado de São Paulo, clicando aqui