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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cómo los monopolios manejan los hilos de la Comisión Europea


La reciente publicación de un intercambio de correos electrónicos confidenciales entre grupos de presión de la industria química demuestra hasta qué punto la burocracia de Bruselas es permeable a las influencias monopolistas, incluso aunque esté juego la salud pública de millones de personas.

Desde hace años los monopolios químicos han logrado impedir la prohibición de los denominados interruptores endocrinos. Son compuestos químicos ajenos al cuerpo humano capaces de alterar el equilibrio hormonal del organismo, pudiendo generar la interrupción algunos procesos fisiológicos.

Esos compuestos se encuentran, entre otros, en los plásticos, los dentífricos, las alfombras, los cosméticos y los pesticidas. Algunas investigaciones indican que son responsables de algunos tipos de cáncer, incluso en dosis muy bajas, así como de perturbaciones en el crecimiento y otros problemas de salud.

Un minucioso informe publicado el 20 de mayo por la organización independiente Corporate Europe Observatory desveló las manipulaciones de los monopolios. La autora del informe es la periodista Stéphane Horel, que ha estado investigando el asunto durante dos años, ha capturado los correos internos y miles de documentos comprometedores, no sólo para los monopolios sino para los funcionarios de la Unión Europea.

Los hechos se remontan al 19 de febrero de 2013, cuando el Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente y la Organización Mundial de la Salud publicaron un informe en el que sostuvieron que los interruptores endocrinos constituyen una amenaza para la salud.

Pero, como suele ocurrir en estos casos, los llamados “expertos” de la EFSA, la Autoridad Europea de Seguridad Alimentaria, son auténticos mercenarios de los monopolios químicos. Cerca de la mitad de los 18 “expertos” tienen lazos de intereses comunes con la industria química, que les financia sus conferencias e investigaciones, o les soborna como“consultores”.

Por eso, al mismo tiempo que la ONU y la OMS, la EFSA se pronunció a favor de los monopolios y los correos que intercambian entre ellos dejan constancia de que han quedado en ridículo. “Una verdadera pesadilla”, dice uno de los mensajes. “Un trabajo de cerdos”, dice otro. Ante la situación, alguno propone rehacer el informe, “modificarlo de manera significativa”.

Pero cuando los “científicos” europeos quedan en ridículo, los capitanes de la industria saben reaccionar rápidamente porque en diciembre de 2013 estaba prevista la aprobación de la nomenclatura de los interruptores endocrinos. Un correo electrónico de Bayer se dirige directamente a la secretaría general de la Comisión Europea, entonces presidida por Durao Barroso, para amenazar con que una definición “inadecuada” de los interruptores endocrinos tendría consecuencias desastrosas sobre la producción agrícola.

De esa manera la multinacional consigue ganar tiempo y la reunión de la Dirección General de Medio Ambiente se suspende. ¿La salud de 500 millones de europeos?, ¿qué es eso?, ¿a quién le importa? Lo importante son las consecuencias sobre la producción agrícola, u otras parecidas.

A las multinacionales el aplazamiento no les parece suficiente. Diez días después un grupo de 56 “expertos” envía un mensaje a Anne Glover, la consejera científica de Barroso: el proyecto que estudia la Comisión Europea, aseguran los mercernarios, “está basado en una ignorancia completa de los principios de la farmacología y la toxicología”. Quizá sea mejor hacerle caso a ellos, a los auténticos “entendidos”.

Los auténticos “entendidos” son gentuza como Wolfgang Dekant, un toxicólogo que tiene 18 contratos firmados con la industria química, cada uno de ellos pagado con una suculenta subvención. Otro mercenario es consultar de la multinacional Basf, un tercero, Gio Batta Gori se ha embolsado varios millones de dólares procedentes de las multinacionales tabaqueras...

Las presiones de los mafiosos a sueldo de la industria logran sus efectos. El 2 de julio de 2013 la secretario general de Durao Barroso, Catherine Day, emite una nota interna: dados los “puntos de vista divergentes” que la “comunidad científica” mantiene sobre el asunto, así como el “impacto potencial sobre la industria química y el comercio internacional”, conviene elaborar un estudio de impacto...

En fin, gracias a los “científicos”, los monopolios se salen con la suya y la Comisión Europea no toma una decisión comprometida para la salud de millones de personas. Mientras tanto, el tiempo transcurre despacio, los balances de los monopolios no cesan de engordar y la salud de los europeos sigue comprometida durante dos años más, el tiempo que tarda en elaborarse el famoso estudio de impacto.

Es posible que la Comisión Europea no tome una decisión hasta 2017, pero para entonces ya se habrá aprobado el acuerdo trasatlántico de libre intercambio, que otorgue poderes aún mayores a los monopolios químicos...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Crime de Lesa Humanidade: a UE quer as riquezas de África, mas não quer as pessoas



O recente naufrágio em que mais de 900 migrantes africanos perderam a vida no estreito da Sicília é mais um trágico episódio de uma infindável sucessão de tragédias semelhantes. A UE e a dita “comunidade internacional” choraram as habituais lágrimas de crocodilo. Tentam ocultar a sua criminosa responsabilidade neste desesperado êxodo, que resulta directamente da rapina das riquezas africanas e da sistemática agressão imperialista.

Milhares de pessoas falecem todos os anos na sua tentativa de chegar à Europa. Pessoas fugindo da miséria a que o saque perpetrado pelo grande capital transnacional submete a África. Não vão à procura do “sonho europeu”, fogem do Pesadelo em que as transnacionais converteram a África; seguem o percurso que previamente seguiram as imensas riquezas extraídas dos seus países. Mas a UE quer as riquezas de África, mas não quer as pessoas. A Ditadura do Capital obriga as pessoas a empreender êxodos terríveis, em condições de perigo extremas.
 
Na madrugada de 19 de Abril 2015 um barco com mais de 900 pessoas migrantes afundou-se no estreito da Sicília: tentava levar centenas de pessoas da Líbia para Itália. A Procuradoria da Catânia indicou que se estima que poderiam ter falecido umas 950 pessoas; os procuradores dizem que ”ainda é impossível determinar com precisão o número de mortes”(1). Foram encontrados 24 cadáveres, e somente 28 sobreviventes. Carlotta Sami (ACNUR Itália), informou que o barco se afundou a uns 110 Km da costa. A Guarda costeira italiana tinha recebido um apelo de socorro durante a noite, avisando-a de que o barco se encontrava em perigo. Mas, segundo informou a guarda costeira, quando se iniciou a operação de resgate, o barco naufragou porque todos os que iam a bordo se colocaram do mesmo lado no desespero por sobreviver (2).
 
Um mar surpreendido tragou a vida de outras 900 pessoas. No mesmo mês de Abril de 2015 mais de 400 pessoas migrantes desapareceram e umas 150 sobreviveram, após naufragarem na sua viagem clandestina rumo a Itália, no dia 15. O Mediterrâneo converteu-se numa imensa tumba. No total umas 90 mil pessoas o cruzaram para a Europa entre 1 de Julho e 30 de Setembro de 2014, e pelo menos 2.200 perderam a vida. No trimestre anterior foram 75 mil pessoas e 800 mortes, segundo a ACNUR.
 
Estas tragedias representam um grande sofrimento para os familiares das vítimas; e por outro lado dão lugar a uma larga sucessão de malabarismos mediáticos para os políticos da UE, que vêm tentar tapar o sol com uma peneira. Querem tapar que o saque e as “guerras humanitárias” perpetradas pela UE e os EUA contra a África têm como consequência lógica o êxodo massivo. Vêm os políticos, os representantes das instituições internacionais, a ver qual é mais “caritativo”, qual mais “legalista”, qual mais ufano a propor soluções. E cada solução é menos solução que a anterior. Concentram as suas diatribes contra as supostas “mafias” de transporte de pessoas, quando é bem sabido que em muitas ocasiões o suposto “mafioso” não é outra coisa senão um pescador que já não pode sobreviver da pesca num mar saqueado pelo arrasto das grandes transnacionais, reconvertido em condutor de embarcações que tentam passar clandestinamente as fronteiras da Europa fortaleza.  Inclusivamente, e ainda que possa ser certo que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitam das pessoas em situação de êxodo, estes transportadores não podem ser tidos como os responsáveis por esta tragedia, por estes crimes de Lesa Humanidade. A menos que se queiram ocultar os verdadeiros responsáveis. Alguns já vêm até dizer que há que bombardear as embarcações nas costas de onde saem: o fascismo da União Europeia deixa cair completamente a máscara.
 
Entre os sobreviventes da tragedia de 19 de Abril, os media escolheram já os dois homens que lhes servem de bode expiatório: dois membros de la tripulação serão o alvo de todo o ódio; bodes expiatórios perfeitos para ocultar os verdadeiros responsáveis destes crimes contra a humanidade. São acusados de homicídio em massa, e os media do grande capital tentam responsabilizar as supostas “mafias do tráfego de pessoas” pela continuada tragédia do Mediterrâneo e do Atlântico.
 
Esta tragédia do falecimento atroz de centenas de pessoas provenientes da Líbia é também uma das consequências da invasão contra a Líbia, perpetrada pelos “aliados” e sua NATO em 2011.


A invasão da Líbia foi uma intervenção ao serviço do Grande Capital Transnacional que a NATO empreendeu com a ajuda de mercenários paramilitares infiltrados em Líbia a partir dos serviços secretos europeus e estado-unidenses. Esta invasão articulou-se com a total cumplicidade do aparelho mediático do capitalismo transnacional, que chamava ”rebeldes” aos paramilitares mercenários com a finalidade de justificar a invasão e o genocídio contra o povo líbio e o seu governo de então, de Muammar Al Kadhafi. Durante o governo de Kadhafi, a Líbia era o país com o mais alto nível de vida de toda a África; razão pela qual se fixaram na Líbia muitíssimos africanos de outras regiões de África. Estes africanos juntam-se hoje aos que tentam chegar à Europa fortaleza: a essa UE que saqueia as riquezas de África, mas que depois não quer as pessoas.
 
A Líbia foi alvo da cobiça capitalista por várias razões: tem no seu solo um petróleo dos mais superficiais do mundo e um potencial produtivo estimado em mais de 3 milhões de barris diários. Desde 2009 Kadhafi desenvolvia um plano para nacionalizar o petróleo líbio. O plano de nacionalização foi impedido por opositores no próprio seio do governo. Muitos destes opositores à nacionalização mascararam-se de “chefes rebeldes” ao serviço dos interesses das transnacionais.

Para além disso a Líbia possui uma imensa reserva hídrica subterrânea, estimada em 35.000 quilómetros cúbicos de água, que faz parte do Sistema Aquífero Núbio de Arenisca (NSAS), a maior reserva fóssil de água do mundo. Nos anos oitenta a Líbia iniciou um projecto de grande escala de aprovisionamento de água: o Grande Rio Artificial da Líbia, considerado um dos maiores projectos de engenharia, que distribuía água a partir dos aquíferos fósseis. Uma vez concluído, o sistema cobriria Líbia, Egipto, Sudão e Chade, e potenciaria assim a segurança alimentar de uma região afectada pela escassez de água para a agricultura. Isso evitaria que esses países recorressem aos fundos do FMI: algo que se opunha à aspiração por parte do Ocidente ao monopólio global dos recursos hídricos e alimentares.

Por outro lado a Líbia possuía 200 mil milhões de dólares de reservas internacionais que foram confiscadas pelos seus agressores. Foram estes os móbiles do crime contra a Líbia.
 
Após a agressão imperialista a Líbia ficou destruída, sem infra-estrutura aquífera nem viária, nem escolas, nem hospitais, uma vez que até estes foram bombardeados. Antes da invasão imperialista, as mulheres na Líbia viviam com muito mais liberdade do que em outros países da região; após a invasão, uma das primeiras medidas do governo de mercenários instalado pela NATO foi decretar a lei da Sharia, atrozmente cruel para com as mulheres, tudo isto sob os aplausos da UE e EUA. Outra das consequências da invasão da Líbia é o surgimento de grupos de terrorismo paramilitar em diferentes países da região: os mercenários empregados pelos serviços secretos europeus e estado-unidenses reciclam-se em outras operações do terror. Destas operações surge o Estado Islâmico. 
 
A Líbia foi torturada por aquilo que os media mentirosos tiveram o cinismo de chamar “bombardeamentos humanitários”. Toda a direita europeia e inclusivamente parte da dita esquerda europeia fez-se cúmplice desta aberrante operação de neocolonialismo visando apropriar-se dos imensos recursos petroleiros e aquíferos da Líbia. As transnacionais ampliaram as suas fortunas na base da tortura do povo Líbio.
 
O capitalismo é o responsável por estas tragedias, e concretamente os grandes capitalistas que lucram com o suor alheio e o saque do planeta: são eles os criminosos de Lesa Humanidade. Esses que os media nos apresentarão como “empresários de sucesso”.  85 multimilionários possuem uma riqueza igual à que 3.570 milhões de pessoas partilham, pessoas que sobrevivem exploradas em infernais barracões, tendo que vender os seus órgãos, tendo que trabalhar em fábricas que as sepultam vivas, tendo que prostituir-se desde a infância, ou tendo que empreender êxodos terríveis, cuja culminação não será outra senão a morte por afogamento, ou o afogamento em vida, tendo que trabalhar a troco de migalhas na Europa fortaleza, caso sobrevivam à viagem.
 
Hoje são milhares de homens jovens, mulheres e crianças, que o mar tragou. Um mar cujas ondas vão e vêm entre África e Europa, testemunhas silenciosas do genocídio capitalista, lambendo as praias dos países saqueados e também aquelas praias que são as portas do cinismo mais absoluto.

NOTAS:
(1)   http://eldia.es/agencias/8061022-INMIGRACI-N-MEDITERR-NEO-ITALIA-Prevision-Italia-busca-respuestas-naufragio-Cuantos-eran-que-hundieron
 
(2) http://www.telesurtv.net/news/Barco-con-700-inmigrantes-se-hunde-en-costas-de-Libia-20150419-0010.html
 
Fonte: www.elmuroinvisible.blogspot.com

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Mecanismo Europeu de Estabilização, ou como a Goldman Sachs capturou a Europa




O golpe da Goldman Sachs que falhou na América está quase a ter êxito na Europa – um salvamento permanente, irrevogável e incontestável para os bancos que é financiado pelos contribuintes.

Em Setembro de 2008 Henry Paulson, antigo presidente da Goldman Sachs, conseguiu extorquir do Congresso um salvamento bancário de US$700 mil milhões. Mas para ter êxito nisso ele precisou cair de joelhos e ameaçar de colapso todo o sistema financeiro global e ainda a imposição de lei marcial. E o salvamento era um caso pontual a ser efectuado só uma vez. O pedido de Paulson de um fundo de salvamento permanente –Troubled Asset Relief Program ou TARP – teve a oposição do Congresso e acabou por ser rejeitado.

Em Dezembro de 2011, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, antigo vice-presidente da Goldman Sachs Europe, conseguiu aprovar um salvamento de 500 mil milhões de euros para bancos europeus sem pedir permissão a ninguém. E em Janeiro de 2012, um programa de financiamento permanente de resgates, chamado Mecanismo de Estabilidade Europeia (MEE), foi aprovado na calada da noite mal sendo mencionado pela imprensa. O MEE impõe uma dívida ilimitada a governos membros da UE, colocando os contribuintes no anzol para seja o que for que venha a ser exigido pelos eurocratas supervisores do MEE.

O golpe dos banqueiros triunfou na Europa aparentemente sem um combate. O MEE é encorajado pelos governos da eurozona, pelos seus credores e igualmente pelo "mercado", porque significa que investidores continuarão a comprar dívida soberana. Tudo é sacrificado aos pedidos dos credores, porque de que outro lugar o dinheiro pode ser obtido para manter a flutuar as dividas paralisantes dos governos da eurozona?

Há uma outra alternativa à escravidão da dívida para com os bancos. Mas, em primeiro lugar, um olhar mais atento ao ventre abominável do MEE e à silenciosa tomada do BCE pelo Goldman.

O lado escuro do MEE

O MEE é um organismo de resgate permanente destinado a substituir tanto o European Financial Stability Facility como o European Financial Stabilization Mechanism, ambos temporários, assim que Estados Membros representando 90% dos compromissos de capital o houverem ratificado, o que se espera acontecer em Julho de 2012. Num vídeo do YouTube de Dezembro de 2011 intitulado "A chocante verdade do iminente colapso da UE" , apresentado originalmente em alemão, faz revelações sobre o MEE que vale a pena aqui citar extensamente. O vídeo afirma:
A UE está a planear um novo tratado chamado Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE: um tratado de dívida. ... O stock de capital autorizado será de 700 mil milhões de euros. Pergunta: por que 700 mil milhões? [Provável resposta: ele simplesmente imitou os US$700 mil milhões que o Congresso dos EUA comprou em 2009].

[Artigo 9º] "... Membros do MEE por este instrumento irrevogavelmente e incondicionalmente comprometem-se a pagar a pedido qualquer chamada de capital que se lhes faça ... dentro de sete dias após a recepção do pedido". ... Se o MEE precisar dinheiro, temos sete dias para pagar. ... Mas o que significa "irrevogavelmente e incondicionalmente"? O que acontece se tivermos um novo parlamento que não queira transferir dinheiro para o MEE? ...

[Artigo 10º] "O Conselho de Governadores pode decidir mudar o capital autorizado e emendar o Artigo 8 ... correspondentemente". Pergunta: ... 700 mil milhões é só o começo? O MEE pode aumentar o fundo tanto quanto quiser, em qualquer momento que quiser? E a nós então seria exigido sob o Artigo 9 que pagássemos irrevogavelmente e incondicionalmente?

[Artigo 27, linhas 2-3]: "O MEE, sua propriedade, recursos financeiros e activos ... desfrutará de imunidade em relação a toda forma de processo judicial ..." Pergunta: Então o programa MEE pode processar-nos, mas nós não podemos contestá-lo em tribunal?

[Artigo 27, linha 4]: "A propriedade, recursos financeiros e activos do MEE ... será imune a investigação, requisição, confisco, expropriação ou qualquer outra forma de captura, tomada ou arresto por acção executiva, judicial, administrativa ou legislativa". Pergunta: Isto significa que nem os nossos governos nem os nossos legisladores, nem qualquer das nossas leis democráticas têm qualquer efeito sobre a organização do MEE? Isto é um tratado bastante poderoso!

[Artigo 30]: "Governadores, governadores suplentes, directores, directores suplentes, o director administrativo e os membros da equipe serão imunes a processos legais em relação a actos por eles desempenhados ... e desfrutarão de inviolabilidade em relação aos seus papéis e documentos oficiais". Pergunta: Então alguém envolvido no MEE está fora do anzol? Eles não podem ser responsabilizados por qualquer coisa? ... O tratado estabelece uma nova organização intergovernamental para a qual nos é exigido transferir activos ilimitados dentro de sete dias a simples pedido, a uma organização que pode processar-nos mas é imune a todas as formas de processo e cujos administradores desfrutam da mesma imunidade. Não há revisores independentes e não existem leis a aplicar? Os governos não podem efectuar acções contra ele? Orçamentos nacionais nas mãos de uma única organização inter-governamental não eleita? Será isso o futuro da Europa? Será isso a nova UE – uma Europa destituída de democracias soberanas?
O polvo Goldman captura o BCE

Em Novembro último, sem fanfarras e mal notado pela imprensa, Mario Draghi, o antigo executivo da Goldman, substituiu Jean-Claude Trichet como governador do BCE. Draghi não perdeu tempo a fazer para os bancos o que o BCE se havia recusado a fazer para os seus governos membros – despejar dinheiro sobre eles a taxas muito baratas. O bloguista francês Simon Thorpe informa:
Em 21 de Dezembro, o BCE "emprestou" 489 mil milhões de euros a bancos europeus à taxa extremamente generosa de apenas 1% em três anos. Digo "emprestou", mas na realidade eles apenas puseram as impressoras a funcionar. O BCE não tem esse dinheiro para emprestar. ÉQuantitative Easing mais uma vez.

O dinheiro foi devorado de forma virtualmente instantânea por um total de 523 bancos. É a loucura completa. O BCE espera que os bancos venham a fazer algo útil com ele – como emprestar o dinheiro aos gregos, os quais estão actualmente a pagar 18% nos mercados de títulos para obterem dinheiro. Mas não há absolutamente nenhumas condições adstritas. Se os bancos decidirem pagar bónus com o dinheiro, tudo bem. Ou podem simplesmente transferir todo o dinheiro para paraísos fiscais.
A juros de 18%, a dívida duplica em apenas quatro anos. É este oneroso fardo de juros, não a própria dívida, que está a paralisar a Grécia e outros países devedores. Thorpe propõe a solução óbvia:
Por que não emprestar o dinheiro directamente para o governo grego? Ou para o governo português, actualmente tendo de contrai empréstimos a 11,9%? Ou ao governo húngaro, actualmente a pagar 8,53%? Ou ao governo irlandês agora a pagar 8,51%? Ou ao governo italiano, o qual está a pagar 7,06%?
A objecção de reserva àquela alternativa é que o Artigo 123 do Tratado de Lisboa impede o BCE de emprestar a governos. Mas Thorpe raciocina:
O meu entendimento é que o Artigo 123 está ali para impedir governos eleitos de abusarem de Bancos Centrais ordenando-lhes que imprimam dinheiro para financiar gastos excessivos. Essa, dizem-nos, é a razão porque o BCE tem de ser independente de governos. OK. Mas o que temos agora é um milhão de vezes pior. O BCE está agora totalmente nas mãos do sector bancário. "Queremos 500 milhões de dinheiro realmente barato!!" dizem eles. OK, não há problema. Mário está aqui para acertar isso. E não é preciso consultar ninguém. No momento em que o BCE fez o anúncio, o dinheiro já havia desaparecido.
Se o BCE estivesse a trabalhar pelo menos sob a supervisão de governos eleitos teríamos alguma influência quando elegemos aqueles governos. Mas o grupo que agora tem as suas mãos encardidas nos instrumentos de poder agora está totalmente fora de controle.

A Goldman Sachs e os tecnocratas financeiros apossaram-se do navio europeu. A democracia saiu pela janela, tudo em nome da manutenção do banco central independente de "abusos" de governos. Mas o governo é o povo – ou deveria ser. Um governo eleito democraticamente representa o povo. Os europeus estão a ser ludibriados para abrir mão da sua querida democracia em favor de um perigoso banco de piratas financeiros, e o resto do mundo não fica muito atrás.

Ao invés de ratificar o draconiano tratado MEE [1], os europeus seriam mais avisados se revertessem o artigo 123 do tratado de Lisboa. Então o BCE poderia emitir crédito directamente para os seus governos membros. Alternativamente, governos da eurozona poderia restabelecer sua soberania económica pela ressurreição dos seus bancos centrais de propriedade pública e utilizá-los para emitir o crédito do país em benefício do país, efectivamente isento de juro. Isto não é uma ideia nova mas historicamente tem sido utilizada com muito bom efeito, na Austrália por exemplo através do Commonwealth Bank of Australia e noCanadá através do Bank of Canada.

Hoje a emissão de dinheiro e crédito tornou-se direito privado de rentistas vampiros, os quais estão a utilizá-lo para extrair o sangue vital de economias. Este direito precisa ser devolvido a governos soberanos. O crédito deveria ser um serviço público (public utility), distribuído e administrado para o benefício do povo.
[1] O parlamento português ratificou o Tratado do MEE em 13/Abril/2012, com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS.
Ellen Brown - Procuradora e presidente do Public Banking Institute, http://PublicBankingInstitute.org . Em Web of Debt, o mais recente dos seus onze livros, ela mostra como um cartel privado usurpou o poder de criar dinheiro e como nós o povo podemos recuperá-lo. Seus sítios web são http://WebofDebt.com e http://EllenBrown.com
No Resistir.info

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CRISE: DILMA DEFENDE UNIÃO ENTRE PAÍSES E DIZ QUE BRASIL SE DISPÕE A AJUDAR EUROPEUS


Renata Giraldi, Agência Brasil

“A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (4) que a comunidade internacional busque a união no combate aos impactos gerados pela crise econômica internacional. Segundo ela, a “associação é mais urgente” entre os países neste momento em que a situação se agrava. Dilma disse ainda que o Brasil está à disposição dos europeus para colaborar nas medidas que forem necessárias a fim de impedir uma piora na situação. Mas não mencionou valores nem a possibilidade de repasses financeiros.

No momento, vários países da zona do euro, como a Grécia e a Espanha, esforçam-se para evitar que a crise acentue os problemas internos de desemprego e alta de impostos e tarifas. “Essa associação é mais urgente”, alertou a presidenta durante a 5ª Cúpula Brasil-União Europeia. “Estamos agora diante do aumento do risco soberano. Acredito que é fundamental a coordenação política entre os países para fazer face [ao agravamento da crise]”, acrescentou ela.

Dilma se reuniu por cerca de duas horas, durante a cúpula, com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, além de ministros brasileiros. No encontro, os temas que dominaram os debates foram o agravamento da crise econômica internacional, a violência na Síria e os conflitos nos países árabes, além de acordos multilaterais.

“É necessário que se busque o combate ao desemprego para que as populações não percam a esperança no futuro. A recessão traz o aumento das desigualdades sociais”, disse a presidenta. Segundo ela, é possível conciliar o estímulo à geração de emprego com a responsabilidade fiscal. Dilma lembrou que há 20 dias a América Latina era “sinônimo de crise” e agora mostra que é capaz de superação.
Em seguida, Dilma acrescentou que é preciso “evitar sombrios desdobramentos políticos" e que "o Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades”. “Somos parceiros da União Europeia e [os europeus] podem contar com o Brasil”, destacou.

Para a presidenta, a solução para a crise econômica internacional passa por uma reavaliação do sistema financeiro mundial. Segundo ela, classificado como um “sistema ineficaz”, que se comprovou com o fato de a crise ter se acentuado. Dilma disse também que é fundamental aliar políticas macroeconômicas com a geração de emprego e renda.

Dilma disse ainda que os ministros da Fazenda da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) vão se reunir nos próximos dias para coordenar ações para a Cúpula do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo). O encontro ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro, em Cannes, no Sul da França. “As Nações Unidas precisam estar à altura de um mundo multipolar”, advertiu a presidenta.”



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De novos ricos a novos pobres


Mario Queiroz, IPS / Envolverde

“A crise é só para alguns”. Esta é a frase mais ouvida e lida em Portugal após os ajustes impostos em maio pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para conceder um resgate financeiro de US$ 112 bilhões. De fato, enquanto os vendedores de automóveis esportivos de luxo se queixam de não poderem atender aos pedidos no prazo desejado pelos clientes, o Banco de Alimentação contra a Fome (BAF) enfrenta problema semelhante, por não poder realizar integralmente seu trabalho.

Até 2009, os usuários exclusivos do BAF eram as famílias mais pobres.Atualmente, no entanto, recebe pessoas da classe média que, rompendo a barreira da vergonha, pedem alimentos e apoios médico e espiritual. A organização Defesa do Consumidor (Deco) recebe diariamente pedidos de ajuda feito por pessoas incapacitadas de cumprirem suas obrigações junto a bancos e demais entidades financeiras que, somente em junho, retomaram por falta de pagamento as casas de aproximadamente três mil famílias.

A economia de Portugal, que nos últimos 25 anos conseguiu abandonar a sina de país periférico e apresentava um futuro promissor, caiu no fundo do poço da crise em 2009, com o inevitável aparecimento de milhares de novos pobres, antes membros da classe média, principal vítima dos aumentos de impostos, das reduções salariais e dos prêmios em dinheiro, bem como demissões de um dia para outro.

Desde sua entrada na UE, em 1986, Portugal registrou um claro avanço. Porém, todos os economistas hoje concordam que este êxito foi mais virtual do que real. O crédito fácil sustentado nos rios de dinheiro proveniente do bloco se refletiu na proliferação dos telefones celulares, canais de TV a cabo, rodovias, automóveis e casas adquiridas a prazo.”
Matéria Completa, ::Aqui::

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Não há uma crise do euro, há uma crise da UE


O ex-cancilher da Alemanha Helmut Schmidt fez a sua contribuição na discussão do destino da zona do euro, assunto muito quente para a União Européia. Todas as conversas sobre uma crise do euro são prejudiciais, acha este especialista indubitável na área econômica: elas geram a desconfiança. Não há nada que temer, ainda caso a Grécia ou um outro Estado atolado em dívidas saírem da zona do euro, crê Schmidt. O tema é analizado pelo correspondente Serguei Guk e pelo diretor do Instituto da Economia, membro-correspondente da Academia das Ciências da Rússia Ruslan Grinberg.....

segunda-feira, 7 de março de 2011

The Economist diz que “próxima batalha” é contra funcionários públicos e seus sindicatos

Tindicatos

Bernard Cassen
A revista The Economist é o lugar onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Salvar os banqueiros e assassinar os pobres

Os governos da União Europeia se preparam para, uma vez mais, salvar os bancos da crise financeira, sob o pre­texto de que isso é necessário, a fim de salvar a economia. Prevê-se uma injeção de capi­tal da ordem de seiscentos bi­lhões de euros. Com esse di­nheiro, aplicado em progra­mas de desenvolvimento eco­nômico e de assistência urgen­te contra a fome e as endemias e epidemias nos países pobres (como é o caso mais dramático, o do Haiti), seria possível im­pedir a morte prematura de milhões e milhões de pessoas, sobretudo de crianças. Os ban­queiros enriquecem-se com o dinheiro dos depositantes e devedores; distribuem grandes lucros a si mesmos, como representantes dos acionistas, cometem crimes calculados, certos de que os governos os salvarão. É o que ocorre, quase sempre: em lugar de serem punidos, são salvos pelos Esta­dos, que deveriam defender os interesses dos cidadãos que trabalham e produzem bens. Nos últimos tempos globalizantes e neoliberais,o que vem ocorrendo é a mais brutal transferência de renda dos produtores (trabalhadores e empresários industriais) ao sistema financeiro, e a cres­cente irresponsabilidade dos principais bancos do mundo.
Também ontem se soube que, em Kosovo, na guerra que conduziu à independên­cia, houve a matança organi­zada e coordenada de sérvios e kosovos-albaneses, para que de seus cadáveres se re­tirassem os rins, destinados ao mercado negro europeu de órgãos. De acordo com a in­vestigação, realizada por Di­ck Marty, ex-juiz suíço e atual membro do Conselho da Eu­ropa, pelo menos 500 pes­soas, presas durante o confli­to, foram retiradas das celas improvisadas, conduzidas a locais escolhidos e equipa­dos de instrumental adequa­do. Ali, uma a uma, recebiam um tiro na cabeça e, ato contínuo.eram estripadas. Os rins imediatamente se destinavam a hospitais e cirurgiões privados que os aguardavam, para atender à demanda dos pacientes na Europa rica.
Os pobres sempre foram vistos como servidores da vi­da dos ricos, como escravos formais ou sob contratos leo­ninos de trabalho. O avanço da ciência médica, em lugar de servir para dar-lhes mais tempo de vida saudável, con­dena-os, em determinadas circunstâncias, a se tornarem vítimas de brutal canibalis­mo. A eventual doação de ór­gãos deve ser decidida pelas pessoas enquanto vivas, me­diante documentos claros e precisos de sua livre vontade. Como sempre se denuncia - e em alguns casos há indícios fortes, como nessa denúncia de uma pessoa idônea e res­peitável, o suíço Marty - os po­bres têm servido de conjuntos desmontáveis, como os auto­móveis roubados, a fim de ofe­recer peças de reposição aos que podem pagar bem a fim de adiar a própria morte.
E temos outras informa­ções chocantes, como a do surgimento de uma organiza­ção de moradores do tradicio­nal bairro da alta classe mé­dia de São Paulo, Higienópolis, em defesa de seus cães. Como informou a Folha de S. Paulo, exigem que a prefei­tura cuide das praças do bair­ro elegante, onde seus cães passeiam todos os dias, leva­dos por empregados ou pelos próprios donos, de forma a dar dignidade aos animais. Entre outros benefícios, rei­vindicam tanques de água fria, para o banho refrescan­te de seus animais, além da higiene cuidadosa do chão onde transitam.
Como pagam seus impostos municipais, talvez em dia, é provável que a prefeitura os atenda, concedendo existên­cia digna aos cães de raça no­bre, como os labradores, são-bernardos, huskies sibe­rianos e pastores belgas, sem esquecer os diminutos lhassas e pequineses.
Quanto às crianças, perambulames pelas ruas, que tra­tem de ser astutas, para não serem mortas pelos que que­rem sanear as metrópoles, co­mo ocorreu na Candelária e em outros lugares. Elas e os moradores de rua – mais odiados ainda do que os cães sem dono - não têm tanques onde banhar-se e exalam o odor dos desprezados.
Mauro Santayana
By: Gilson Sampaio

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eric Cantona

"Vamos sacar todo o nosso dinheiro depositado em bancos!"

Estudantes e funcionários públicos em toda a Europa que se preparam para um longo inverno de protestos e manifestações acabam de receber ajuda de peso de Eric Cantona, jogador de futebol afamado e modelo arquetípico de rebelde.
Cantona começou por intervenções de ação direta dentro e fora das quatro linhas. Em 1995, foi punido com nove meses de suspensão, quanto atacou com um golpe de caratê, no Crystal Palace, um espectador que gritou slogans racistas contra um jogador, depois de ter sido expulso. Agora, solidário ao protesto dos franceses, o já aposentado Cantona prega abordagem mais radical e mais sofisticada para forçar melhores condições de negociação.
Aos 44 anos, o ex-jogador recomendou corrida massiva aos bancos mundiais, em entrevista a um jornal, filmada também para ser exibida pela televisão. A entrevista virou sucesso imediato no YouTube e já desencadeou vasto movimento político (em http://www.youtube.com/watch?v=-Uop5R7E314).
O jornal regional Presse Océan em Nantes perguntou a Cantona sobre seu trabalho social com a Fundação Abbé Pierre, que faz campanha por moradia para os pobres e para a qual produziu um livro de fotografias no ano passado. A discussão rapidamente tomou outro rumo e o entrevistador comentou as manifestações de rua na França e em toda a Europa contra os cortes nos investimentos governamentais na melhoria da assistência aos cidadãos, na atual 'nova era de austeridade'.
Cantona, usando uma brilhante jaqueta vermelha, disse que os protestos, como estão sendo feitos, jamais trarão qualquer resultado. Cartazes e palavras de ordem já não mudam nada. Em vez disso, os manifestantes poderiam provocar verdadeira revolução social e econômica, se sacassem todo o dinheiro que todos têm depositado nos bancos.
Disse Cantona: "Não acho que alguém possa sentir-se completamente feliz, vendo a horrível miséria que nos cerca. A não ser que você viva numa redoma. Sempre há alguma coisa que qualquer um pode fazer. De qualquer modo, sair às ruas já não resolve problema algum. Há outros meios para fazer as coisas andarem melhor.
"Tampouco acredito em pegar em armas e sair matando gente, para iniciar a revolução. De fato, a coisa hoje ficou até muito mais fácil do que antes. Qual é a base sobre a qual todo o sistema foi construído? Todo o sistema está hoje construído sobre o poder dos bancos. Portanto, o sistema só pode ser modificado ou destruído se modificarmos ou detruirmos os bancos.
"Se as três milhões de pessoas que levaram seus cartazes para as manifestações de rua fossem ao banco e sacassem todo o dinheiro que têm depositado lá, os bancos entrariam em colapso. 3 milhões, 10 milhões de pessoas sacando todo o dinheiro que têm depositado em bancos é movimento civil, de que qualquer um pode participar sem medo de represálias. E começaríamos uma revolução.
"Bastaria que cada um fosse ao banco e sacasse todo o próprio dinheiro. Não é difícil. Em vez de ir para as ruas, ou de dirigir quilômetros para participar das manifestações na capital, cada um vai ao próprio banco, na cidade e no país em que estiver, e saca o próprio dinheiro. O dinheiro fica na mão do seu legítimo proprietário e os bancos desmoronam. Serviço limpo. Sem armas, sem violência, sem sangue."
E concluiu: "Nada de complicado. E, imediatamente, os bancos passariam a ouvir de outro modo os cidadãos. Sindicatos? Quem pode reivindicar alguma coisa, com medo de ser demitido? Os sindicatos precisam entender melhor o mundo."
A ideia de Cantona parece ter tocado ponto sensível em muitas cabeças e gerou resposta imediata. Mais de 40 mil visitas imediatas ao filme no YouTube e um movimento francês (StopBanque) imediatamente começou a divulgar campanha para saques massivos, coordenados, de vários bancos, todos no dia 7/12 próximo. Até agora, mais de 14 mil pessoas já se comprometeram a sacar. O movimento agora começa a ser divulgado na Grã-Bretanha.
O trio de usuários do Facebook que agora organizam a campanha em toda a Europa, já convocaram o saque geral. "Nós controlamos os bancos, não o contrário", escreveram.
O documento-manifesto do movimento, pode ser lido na página Bankrun2010.com , onde se lê:
"Nosso movimento pode ser mais bem-sucedido do que podemos imaginar. É movimento popular (...) e não atacamos nada e ninguém em particular, além do sistema criminoso, corrupto, moribundo ao qual decidimos resistir pelos meios que temos, dentro da lei."
O documento é assinado por Géraldine Feuillien, 41, cineasta belga, e Yann Sarfati, 24, francês, ator e diretor de cinema.
Sarfati e Feuillien disseram que só pensaram em divulgar o clip de Cantona, mas, de repente, viram-se no meio de um moviemtno global de cidadãos". (...) "Não somos anarquistas nem ligados a partido político ou sindicado. Apenas entendemos que é outro modo de protestar."
Sarfati acrescentou: "Entre duas gravações de anúncios para a L'Oréal, Cantona achou jeito de deixar falar seu lado revolucionário. O sujeito vive bem, mas evidentemente tem consciência social. Pareceu-me sincero."
By: Grupo Beatrice