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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

“Agrotóxico é igual a cafezinho”, diz representante da Monsanto

Audiência pública recebeu a multinacional e organizações da sociedade civil para debater o projeto de lei que prevê o banimento do glifosato e de outros agrotóxicos em Pernambuco; se aprovado, o estado será o primeiro do país livre do agroquímico.
 
  


Representantes da empresa Monsanto participaram de uma audiência pública para apresentar as pesquisas desenvolvidas pela companhia e defender o uso de transgênicos e agrotóxicos. Segundo gerente da multinacional presente no evento, “o sal de cozinha pode matar mais rápido que o agrotóxico glifosato”. A atividade aconteceu na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEP), em Recife (PE), na última terça-feira (18).

A audiência foi motivada pela tramitação do Projeto de Lei nº 261/2015, que prevê o banimento do glifosato e de outros agrotóxicos que já estejam proibidos em seu país de origem.

A posição da empresa, apresentada por Andrea Aragon, gerente de assuntos corporativos da Monsanto, foi criticada por representantes de movimentos populares, estudantes e organizações da sociedade civil que estavam presentes.

O integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Talles Reis, disse que o glifosato já está com uso restrito em mais de 20 países. "Esta engavetado há mais de sete anos um parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que pede a suspensão do glifosato", denuncia.

Maitê Maronhas, da Articulação do Semiárido (ASA) denunciou os impactos negativos das sementes transgênicas e afirmou que as sementes mais adequadas e adaptadas para o Semiárido brasileiro são as selecionadas por agricultores e agricultoras da própria região, que o fazem há gerações.

O autor do projeto, deputado estadual Rodrigo Novaes (PSD), também criticou a empresa. Segundo ele, não há nenhuma vantagem em desenvolver a economia e manter o emprego “se isso gera o aumento de câncer nas pessoas que consomem estes produtos”, enfatizando a prioridade na saúde.

Impactos na saúde


O representante da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, Pedro Albuquerque, também membro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lembrou que o plantio de transgênico já está proibido em vários países no mundo. Além disso, Albuquerque apresentou pesquisas científicas comprovando que o glifosato é uma das causas de doenças como o Mal de Alzheimer, Parkinson, distúrbios na tireóide e câncer. Ele ainda apontou que a maioria dos alimentos consumidos pelos brasileiros vem da “agricultura familiar, que gera mais emprego que o agronegócio”.

O membro Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Pombos, João da Ronda, também apontou sua visão contrária ao afirmado pela empresa, afirmando que os agrotóxicos “fazem mal à saúde”. Ronda apresentou dois trabalhadores rurais contaminados pelo uso do agrotóxico Roundup, que tem como princípio ativo o glifosato e é produzido pela Monsanto.

Resposta da Monsanto


Após as intervenções da sociedade civil, a representante da Monsanto ironizou a preocupação dos disse que a classificação do glifosato como potencialmente cancerígeno está no mesmo nível do picles, da atividade de cabeleireiro e do cafezinho: “glifosato é igual a cafezinho” e “o sal de cozinha pode matar mais rápido que o glifosato”, afirmou Andrea Aragon, provocando risos entre os presentes.

Também pela Monsanto, Pedro Palatinik, gerente de relações governamentais, desqualificou o relatório do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que relaciona o câncer ao consumo de alimentos com agrotóxicos. Palatinik também atacou a Fiocruz, que enviou uma pesquisadora, na semana passada, à Comissão de Saúde da ALEP para debater o mesmo projeto de lei, acusando-a de “fazer provocações na Anvisa”.

Essa foi a primeira vez que a Monsanto aceitou um convite para um debate público em uma Assembleia Legislativa. Andrea Aragon disse que a empresa estará priorizando ações como esta, visando construir a imagem de uma “nova” Monsanto, e tentando recuperar a sua imagem frente ao desgaste que vem sofrendo na imprensa e na sociedade.

Se o projeto de lei que prevê o banimento do glifosato e de outros agrotóxicos seguir sua tramitação normal, e sendo aprovado pelo plenário da ALEP, o estado de Pernambuco será o primeiro do Brasil livre do glifosato.

*publicado originalmente em 19/08/2015

sábado, 27 de dezembro de 2014

Seca em São Paulo comprova crise ambiental mundial

Sistema Cantareira - Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas (25/09/2014)
Sistema Cantareira – Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas (25/09/2014)
O ano de  2014 foi o que marcou a terra da garoa, literalmente, como terra seca. Além da mais severa estiagem que o estado de São Paulo já enfrentou nos últimos 80 anos, diversos fenômenos influenciados pelo aquecimento global também causaram impactos significativos em outras áreas do planeta. É o caso, por exemplo, da Califórnia — que lida com a maior seca do milênio –, das ondas de calor em pleno inverno no Alasca e das tempestades em países da Europa, como a Itália e a Grã-Bretanha.
De acordo com relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, as concentrações de gases estufas na atmosfera alcançaram o maior nível em 800 anos.
Ainda segundo o documento, lançado em novembro, a estimativa é de que 2014 seja o ano mais quente da terra desde 1850, quando foi realizada a primeira medição. “A influência humana no sistema climático é clara: quanto mais perturbamos nosso clima, mais riscos temos de impactos graves, amplos e irreversíveis”, disse o diretor do IPCC, Rajendra Pachauri, durante o lançamento do relatório. A cidade mais rica do Brasil se tornou um exemplo de como as alterações climáticas podem impor dificuldades à sociedade.
Abalada por uma estiagem que começou ainda em 2013, a região metropolitana de São Paulo logo viu suas represas secarem. Pela primeira vez, medidas emergenciais polêmicas permitiram o uso do chamado volume morto, que são as águas que estão abaixo das comportas, retiradas por meio de bombas.
Já no hemisfério norte, a seca também atingiu o estado mais poderoso dos EUA. Na pior estiagem dos últimos mil anos, a Califórnia sofreu perdas de mais de U$ 2,5 bilhões. Setor importante para a economia local, a agricultura fechou 20 mil vagas de trabalho.
De acordo com o biólogo Marcos Buckeridge, um dos redatores do capítulo do IPCC sobre a América Latina, alterações climáticas agudas farão com que o continente possa sofrer mais frequentemente com esses problemas. “Haverá eventos extremos de seca e de chuva ou o descongelamento dos Andes. Esses fenômenos causariam grandes alagamentos e o branqueamento de corais, prejudicando de forma significativa a biodiversidade marinha”, disse Buckeridge, que atua no Instituto de Biociências da USP.
Com esses dados alarmantes, em 2014 a ONU reforçou o seu discurso sobre a importância de um acordo mundial para limitar o aquecimento global a no máximo 2ºC até o final deste século. A proposta, porém, vem sendo postergada por conta de divergências econômicas entre os países ricos e em desenvolvimento. Nos dois maiores eventos ambientais realizados em 2014 — a Cúpula do Clima, em Nova York, e a Cúpula da Mudança Climática, realizada em Lima –, acordos foram tramados e propostas, divulgadas. Realizada em apenas um dia no final de setembro, em Nova York, a Cúpula do Clima, no embalo da Assembleia da ONU, reuniu milhares de pessoas nas ruas da “Big Apple” e cerca de 120 líderes mundiais nos debates, público inédito para eventos do tipo. Sem a assinatura do Brasil, que reclamou por não ter sido chamado ao encontro, o evento lançou a “Declaração de Nova York sobre Florestas”, que propõe zerar os desmatamentos até 2030. Em discursos eloquentes, representantes de países em desenvolvimento, como o Brasil, defenderam os chamados círculos concêntricos, proposta que coloca às nações ricas maior responsabilidade no controle das emissões.
A ideia, porém, desagradou às grandes potências. “As nações desenvolvidas devem liderar o processo de redução de emissões de gases estufa, mas isso não significa que os países em desenvolvimento possam produzir CO2 à vontade”, declarou o secretário norte-americano de Estado, John Kerry. Apesar de menos badalado que o encontro em Nova York, o evento na capital peruana tinha intenções mais significativas. A principal delas era resolver a equação entre emissão de gases e crescimento econômico.
Mas os 11 dias de trabalho não foram suficientes para a COP 20 chegar a um consenso. O acordo final, batizado de “Ação de Lima”, foi escrito com um dia de atraso. Ele estabeleceu o compromisso dos países em apresentar à ONU planos efetivos e ambiciosos para a redução de gases do efeito estufa até outubro do ano que vem, semanas antes da próxima COP, que será em Paris.
“Talvez seja cedo para ver esse impacto do aquecimento global na comunidade internacional. O relatório acabou de ser publicado e é necessário esperar para ver quais serão as consequências”, explicou Buckeridge. “Mas precisamos atingir as metas e diminuir as emissões de gases. Ou teremos graves dificuldades pela frente.”
http://brasileiros.com.br/2014/12/seca-em-sao-paulo-comprova-crise-ambiental-mundial/

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A culpa de São Pedro



















A imprensa paulista comemora a promessa de que não haverá racionamento de água até a eleição. Assim o governador Geraldo Alckmin escaparia de uma constrangedora repetição do apagão produzido pela genial governança do colega FHC.

O “secão” tucano é fruto de má gestão na Sabesp, gigantesco feudo de apaniguados políticos da direita local, máquina de fazer dinheiro que possui todas as condições técnicas e financeiras de minimizar os efeitos da escassez de água nos reservatórios. Isso fica óbvio sempre que um especialista minimamente idôneo se manifesta sobre a falta de políticas preventivas da empresa. Até o Ministério Público Estadual apontou erros na concessionária(e olha que para o MPE contrariar o governo é sinal de muita coisa errada).

Claro que a mídia corporativa faz de tudo para qualificar o problema como pura falta de chuva. Exatamente o oposto dos factóides alarmistas que inventa quando raios ou ventos (ou sabe-se lá que fatores menos publicáveis) interrompem a transmissão de energia a cargo do governo federal.

Mas nada disso chega a surpreender. A máfia do metrô é um problema de corrupção restrito a funcionários das empresas do cartel. A explosão da violência e os disparates policiais são causados pelo Ministério da Justiça. O sucateamento da educação estadual e a decadência da USP nasceram com o Enem. O colapso dos postos de saúde veio do programa Mais Médicos. Os pedágios são exorbitantes porque usamos carros demais.

Alckmin é um péssimo administrador por causa da umidade relativa do ar.
Lambido do:http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2014/05/a-culpa-de-sao-pedro.html