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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Urgente, falta uma ponte entre o apelo e a rua

Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum o juiz Moro o fará por eles.

Por Saul Leblon

Soa angustiante a dissociação entre o gesto  e o seu efeito.

Entre o apelo e o desdobramento.

Entre o alerta  do abismo e a impotência para deter o comboio.

De novo, no evento dos 35 anos do PT,   lideranças do partido, entre elas a do ex-presidente Lula, expuseram  diagnósticos corretos sobre a ofensiva conservadora no país, denunciaram o golpe dissimulado, como de hábito, faxina moralizante; conclamaram o partido a sacudir a letargia, ir às ruas,  lutar, resistir.

Porém... nada se move.

De novo Lula, Rui Falcão, Tarso Genro e outros falarão em novas oportunidades; com já fizeram em ocasiões anteriores repetirão os mesmos diagnósticos corretos de um golpe dissimulado em marcha, evocarão as ruas..

Porém... nada se move.

 Assim sucessivamente.

O anticlímax, para estreitar bastante a abrangência do retrospecto, teve um ponto de coagulação explícito na campanha de 2014.

Em diferentes momentos, então, mas sobretudo após a morte traumática do candidato do PSB,  Eduardo Campos, em 13 de agosto, a candidatura progressista  esteve  emparedada pela bateria conservadora, a ponto de muitos darem o jogo como perdido.

No final de agosto esse conjunto formava um aluvião anti-Dilma.

Porém, nada se movia.

Nenhuma reação.

Era tão denso o horizonte da derrota que expoentes do colunismo conservador ejaculavam precocemente divagações acerca do ‘pós-lulopetismo’.

A candidata Marina Silva chegou a abrir 10 pontos de vantagem nas enquetes  sobre um hipotético 2º turno, no qual o Datafolha dava como certa a sua presença.

Era uma dessas ladeiras de um sonho turbulento em que nada parece deter a aceleração em plano inclinado rumo ao muro de pedra.

Em cinco de setembro, em meio ao clima de colisão com o fim, uma reunião de avaliação da campanha  assistiu  à intervenção de um Lula  endiabrado.

As reservas instintivas do retirante nordestino que saiu da seca para ocupar a presidência do país por duas vezes  mobilizaram-se em seu organismo, à falta de outras formas de mobilização.

Desse arcabouço histórico/metabólico brotou um diagnóstico que sacudiu os brios de um comitê de campanha do PT e da  militância até então  atônitos com a aproximação veloz  do desastre.

Em duas frases, Lula esquadrejou a areia movediça ao redor e identificou um pedaço de chão firme e instalou uma alavanca para a reação bem sucedida: ‘Nós ficamos economicistas; não nos faltam obras, mas política’, disparou para prescrever o antídoto: ‘Temos que demarcar o campo de classe dessa disputa: é preciso levar a política à propaganda’.

A partir de então a essência radicalmente neoliberal embutida nas candidaturas de Marina Silva e Aécio passou a ser floculada do espumoso caudal dissimulado em ‘renovação’, ‘ética’ e ‘mudança’ .

O extrato obtido foi exposto à luz do sol. A sonolenta  publicidade de sabonete do horário eleitoral ganhou uma narrativa pedagógica, determinada a tipificar um a um os riscos e alvos da agenda conseradora.

Na mesma chave narrativa, a Presidenta Dilma passou a dar nomes aos bois em debates, no rádio e na presença  diária na TV.

Ponto número 1: Dilma falava diariamente com o país.

Ponto número 2: confrontava  projetos.

Ponto número 3: discutia flancos ainda por enfrentar.

Ponto número 4: zelava pelo passado sem abstrair as lacunas enormes do muito que o Brasil ainda deve ao povo brasileiro.

Ponto número 5: não o fez, mas se tivesse incorporado à discussão os  ajustes necessários à reordenação de um novo ciclo baseado no investimento e no controle da inflação, o eleitor provavelmente entenderia –desde que ...

Ponto número 6: desde que  isso se fizesse acompanhar de salvaguardas, prazos e contrapartidas, ademais da determinação de dar à sociedade meios e estruturas para vigiar e assegurar a travessia segura rumo a um novo estirão de crescimento cm justiça social.

O fato é que no breve interregno entre cinco de setembro quando Lula explodiu sua indignação e a vitória final em 26 de outubro, o PT e o governo fizeram o que nunca haviam feito e, incompreensivelmente, não voltaram a fazer ainda.

O quê?

Estabeleceram um canal de conversa indispensável  com a população sobre um tema de interesse geral: o Brasil,  a vida de sua gente, seus trunfos e desafios –hoje, ontem e amanhã.

Fez-se ali um ensaio de repactuação da confiança mútua, sintonizada no compartilhamento de rumos e de desafios, que Lula agora sugere  que o PT faça (leia o seu  discurso no evento dos 35 anos do partido; nesta pág.) , na forma de um Manifesto-compromisso e de uma repactuação política do partido com a nação.
Carta Maior viu no jorro de  desassombro daquela inflexão na campanha de 2014 um ponto de ruptura com o abismo há muito aguardado.

‘A ficha caiu’, saudou-se.

No final de setembro, seria a vez da própria candidata Dilma reforçar essa impressão.

Em entrevista  a um grupo de blogueiros, ‘sujos, ideológicos, governistas’, como a eles se refere o colunismo isento, a candidata explicitou o divisor que marcaria o seu segundo mandato.

A vitória então já não era mais um sonho de vento a escapar pelos dedos.

‘Terei um embate (político) mais sistemático; não serei mais tão bem comportada; me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’.

Menos de cinco meses depois, onde foi que tudo se perdeu?

Perdeu-se  a ponto de retroagir à pasmaceira anterior a cinco de setembro de Lula, com o radical agravante de que Dilma agora ocupa a presidência da nação, de onde o conservadorismo fala abertamente em retirá-la.

E toma providências explícitas para isso.

Uma parte da recaída se deve à inércia traiçoeira  de uma fórmula de governo que se esgotou.

Em três mandatos presidenciais sucessivos predominou a determinação petista de restringir o confronto direto com os interesses conservadores na faixa de segurança permitida por uma correlação de forças adversa.

Mas a margem de manobra se esgotou proporcionalmente à contração do PIB e à pressão da crise mundial, agora  definitivamente  algemada ao Brasil.

O que antes parecia uma contingência administrável,   ainda que a um custo político cada vez mais desgastante, acentua os contornos de um esgotamento de ciclo.

O conjunto aguça o desgaste intrínseco à tarefa de administrar o capitalismo ainda sem poder transformá-lo efetivamente.

 O conjunto não pode ser descarregado apenas no colo de uma Dilma muda e jejuna em politica. No mínimo, a sonambulismo  presidencial funde as duas coisas: um pedaço da crise e o reflexo da sua imensa dureza.

Não fosse isso, por que então nada se move depois que Lula, Falcão, Tarso e outros se desdobram em evocações pela resistência?

Pela gravidade e abrangência do que precisa mudar para desviar o país do buraco negro conservador que diuturnamente vai sugando tudo ao redor, mas principalmente os corações e mentes da sociedade.

O Datafolha é o monitor de controle do mutirão sombrio. O relatório deste domingo avisa ao comando central: ‘estamos indo bem’.

 À implosão do espaço acomodatício desfrutado em 12 anos de governo de composição emerge agora a clareza vertiginosa do despreparo organizativo, ideológico e programático para ir além da atual e angustiante  desconexão entre o apelo e a resposta.

Entre o gesto e o efeito.

Pior que tudo.

A desconexão imobilizante revelou um punhal de aço cravado contra as próprias costas do corpo prpgressista:  não há canais de comunicação  para uma urgente repactuação do futuro com a sociedade.

 Nada se faz sem  a mediação tóxica da emissão conservadora.

Cujas prioridades editoriais estão mobilizadas para acelerar a velocidade disso que o Datafolha colhe em intercurso orgânico.

Quando Lula diz ‘temos que voltar às bases, o PT se tornou um partido de gabinetes’, o que se veicula é  a derrisão,  não a gravidade da autocrítica abraçada pelo maior líder progressista do país.

Como é possível que um partido formado por franjas de toda a esquerda, quadros de alta qualidade e distintas filiações, tenha cogitado construir um Estado de Bem-estar social tardio, na oitava maior economia do mundo –na era da livre mobilidade dos capitais chantageadores--  sem dispor de canais pluralistas de comunicação?

Sem espaço ideológico  para exercer o repto à hegemonia expressa pela dama de ferro do neoliberalismo, Margareth Tatcher: ‘Não há alternativa’.

Não apenas não há, como o que virá ‘será doloroso’, sapateava o Financial Times, antes das eleições, em editorial onde apregoava a inevitabilidade de  um conjunto de medidas cujo efeito ‘será doloroso’. ‘Ganhe quem ganhar a eleição’.

Os dias que correm parecem confirmar o vaticínio do porta-voz dos mercados financeiros globais.

Sem repactuação política desassombrada, sobra a receita seca do ajuste ortodoxo que, de tão postiço em relação ao que a transição de ciclo requer,  teve que ser terceirizado a um centurião de confiança do mercado.

O ‘estelionato eleitoral’  denunciado pelo coalizão conservadora abstrai  o fato de que ao esgotamento do espaço acomodatício  pela crise, juntou-se um cerco policial em torno da Petrobras, o derradeiro braço do Estado para induzir o capitalismo no país.

À mutilação desse órgão vital (que carrega 13% do PIB), associou-se a queda de 50% nas cotações do barril e a maior seca já vivida no país em 80 anos.

Uma tempestade perfeita estacionou nos céus de Brasília.

Por onde começar?

‘Temos a oportunidade histórica de elaborar um novo Manifesto do PT. Isso exige humildade e coragem’, disse-o bem  Lula na última sexta-feira.

Falta agora o principal:  correr riscos.

Adicionar ao enunciado a agenda capaz de erguer a ponte entre o apelo e a resposta.

Definir aquilo que, efetivamente, ofereça uma razão suficientemente forte, crível, palpável para a letargia deixar o sofá do descrédito e ir às as ruas, voltar às bases, cobrar, debater e pactuar  o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum –e não há tanto tempo assim, avisa o Datafolha--  o juiz Moro o fará por eles.

Dando uma razão conservadora suficientemente apelativa para aglutinar o passo final da marcha regressiva em curso no Brasil.

As graves denúncias de Paulo Henrique Amorim sobre as condições em que estão sendo extraídas as ‘delações premiadas’ da Lava Jato, bem como  o parecer ’Gandra/FHC’, indicam uma determinação muito clara: ir além do estado de direito.

Do:Ç http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/02/urgente-falta-uma-ponte-entre-o-apelo-e.html

domingo, 28 de dezembro de 2014

2015 pode não ser tão ruim quanto parece

2015, o ano que pode surpreender
Por Saul Leblon 

A palavra   incerteza  comanda a passagem de 2014 para o Brasil de 2015, mas o chão mole do calendário político registra agora uma auspiciosa pavimentação de terra firme que pode surpreender.
Uma frente de esquerda formada pelos principais movimentos sociais  brasileiros,  tendo à frente, entre outros, o dirigente do MTST, Guilherme Boulos, está em formação no país.

Não é ainda a alavanca capaz de reverter a ofensiva conservadora em marcha batida na sociedade. Mas tem potência para isso.

Tem, sobretudo, capacidade para sacudir uma correlação de forças na qual as elites mastigam a margem de manobra do  segundo governo Dilma entre os dentes da fatalidade econômica e do engessamento político.

A iniciativa dos movimento sociais, apoiada por partidos de esquerda, conta com um incentivo sintomático  da gravidade dos dias que correm: o do ex-presidente Lula e, portanto, de uma parte significativa do PT.

Tem, ademais, um precedente revelador.

Ela vem se somar a uma mobilização equivalente, iniciada há cerca de um mês, para reaproximar intelectuais de esquerda  e construir um contraponto de ideias progressistas ao agendamento conservador da sociedade, martelado diuturnamente pelo jogral midiático.

Trata-se de uma usina de respostas à espiral regressiva; uma caixa de ressonância de intelectuais cidadãos.

Esse polo de debate e combate foi oficializado no dia 15 de dezembro, em evento em São Paulo, com o nome de Fórum 21.

A primeira assembleia, no Sindicato dos Engenheiros, elegeu como uma de suas vértebras a luta pela democratização dos meios de comunicação.

Presente no lançamento, o secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, afirmou que os meios de comunicação são o principal obstáculo ao debate crítico dos reais desafios brasileiros.

 ‘Precisamos iniciar uma reconstrução programática que supere nosso próprio desgaste, mas essa tarefa requer um ambiente midiático oposto ao atual,  concentrado e carente de regras democráticas’, disse Ferreira.  (leia  ‘Para Juca Ferreira, falta de democracia da mídia substituiu censura do regime militar’).

A importância descomunal da imprensa na luta política não é assunto estranho à reflexão intelectual  desde que Gramsci (1891-1936) o incorporou a sua obra. 

Na Itália, a fragilidade das estruturas partidárias, ao lado das dificuldades impostas por uma unificação feita de instituições ralas e abismos sociais e regionais profundos, fez com que os jornais assumissem funções de verdadeiros partidos, ensinou o pensador comunista.

As semelhanças meridionais com o subdesenvolvimento tropical não são negligenciáveis.

Nos anos 90, Celso Furtado costumava explicar pacientemente aos jovens jornalistas – os poucos que ainda procuravam o grande economista brasileiro taxado de jurássico pela emergente agenda tucana— que o ‘populismo’, ao contrário da demonização que lhe atribuíam as elites, refletia o vácuo histórico de uma sociedade pouco sedimentada institucionalmente, capturada pelas mandíbulas de um capitalismo de fronteiras indivisas.

 O Estado e os líderes carismáticos compensavam o oco político falando direto às massas. E intervindo na economia para organizar a luta contra o subdesenvolvimento.

A colisão entre esse improviso de poder popular e o diretório midiático gerou entre nós alguns capítulos pedagógicos.

O suicídio de Vargas foi um deles.

O criador da igualmente por isso maldita Petrobras apertou o gatilho para não ceder à pressão insuportável do denuncismo lacerdista, que exigia sua renúncia em emissões sistemáticas através da rádio Globo, dirigida então pelo jovem udenista Roberto Marinho.

O Brasil era descrito como um mar de lama.

É dispensável enfatizar as semelhanças com a pauta e os métodos abraçados agora pelos grandes veículos de mídia em sintonia com a oposição conservadora ao governo Dilma, ao PT e ao ‘lulopopulismo’ econômico.

O Fórum dos intelectuais  e a frente de movimentos sociais  emergem como o contraponto mais importante a isso, desde a vitória de Dilma em 26 de outubro.

O conservadorismo atordoa o discernimento da sociedade desde então com uma escalada vertiginosa de iniciativas.

 Habilidosamente, equipara-se combate à corrupção à demonização do polo progressista, no qual se espeta o selo da degeneração política, associada a práticas econômicas ‘intervencionistas’.

A ideia de uma salubridade externa à história, tomada como referência limpa e boa na construção da sociedade, é um daqueles mantras aos quais se agarram os interesses dominantes de todos os tempos.
A depender da conveniência, essa salubridade poderá vestir a toga da judicialização da ‘má política’. Ou a gravata técnica dos centuriões que falam em nome da proficiência dos mercados para dar o rumo ‘correto’ à economia.

Ou ainda encarnar no monopólio de um dispositivo midiático que se avoca a prerrogativa de um Bonaparte, a emitir interditos e sanções em defesa dos interesses particulares apresentados como os de toda a nação.

Hoje, o objetivo desse aluvião é o impeachment de Dilma ou o sangramento irreversível de seu governo, e das forças que o apoiam, bem como das ideias que as expressam. Até o seu sepultamento histórico em 2018.

Semanas após a vitória progressista nas urnas, quando o governo parecia hipnotizado pelo serpentário golpista que havia subestimado,  e por isso não se preparado para defender o escrutínio popular, Carta Maior indagava:

‘O que se pergunta ansiosamente é se  Lula já conversou sobre isso com Boulos, do MTST; se Boulos já conversou com Luciana Genro; se Luciana Genro já conversou com a CUT ; se a CUT já conversou com Stédile; se todos  já se deram conta de que passa da hora de uma conversa limada de sectarismos e protelações, mas encharcada das providencias que a urgência revela quando se pensa grande. Se ainda não se aperceberam da contagem regressiva que ameaça o nascimento de um Brasil emancipado e progressista poderão ser avisados de forma desastrosa quando o tique taque se esgotar’.

A boa nova na praça é que a conversa começou.

O desafio de vida ou morte consiste agora em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.

Na aparente neutralidade de certas iniciativas pulsa, na verdade, a rigidez feroz dos interesses estruturais por elas favorecidos.

O melhor solvente para essa tintura é a ampla participação popular no debate e nas decisões que vão definir a rota do futuro brasileiro.

 O país, desde 2003, e com todas as limitações e contradições intrínsecas a um governo de base heterogênea-- tem figurado aos olhos do mundo como uma das estacas da resistência latino-americana à retroescavadeira ortodoxa, que demole e soterra direitos sociais e soberania econômica urbi et orbi.

Essa resistência criou um dos maiores mercados de massa do planeta em uma demografia de 202 milhões de habitantes.

O assoalho macroeconômico range e ruge  sob o peso da inadequação entre a emergência dessa nova força motriz  e as estruturas rigidamente pensadas para exclui-la do mercado e da cidadania.

A solução da 'agenda técnica’ é higienizar a sujeira do intervencionismo público em todas as frentes, devolvendo o mando do jogo à faxina  autorreguladora  dos mercados.

Sobrepor o interesse privado aos da sociedade implica capturar o sistema democrático integralmente para esse fim.

Era esse o objetivo dos candidatos conservadores derrotados em outubro.

Não era apenas uma disputa presidencial. Mas um capítulo do embate inconcluso pelo comando do desenvolvimento brasileiro.

Daí a ilusão de se supor que concessões pontuais vão saciar o agendamento derrotado nas urnas.
Não será a adoção homeopática de sua farmacopeia que o fará recuar.

O discernimento daquilo pelo que se luta, e contra quem se travará a batalha dos próximos dias e noites, é crucial para os interesses populares afrontarem a avalanche em curso.

Essa é uma batalha entre a democracia social e as forças regressivas que se insurgiram contra a sua construção em 32, 54, 64, 2005, 2006, 2010 e 2014.

Tornar esse divisor visível aos olhos da população requer um símbolo de magnetismo equivalente à dimensão das tarefas que essa agenda encerra em termos de organização e  repactuação do país com o seu desenvolvimento.

Requer o nascimento de uma frente  de esquerda que, à semelhança do ‘Podemos’, na Espanha, guarde incontrastável vinculação com as urgências populares. Mas também  encerre um denso discernimento das contingencias globais, que não podem ser abduzidas pelo imediatismo corporativista.

Embora o martelete midiático tenha disseminado a bandeira do antipetismo bélico, a ponto de hoje contagiar setores amplos da classe média, o fato é que esse trunfo conservador  ainda não reúne a energia necessária para  inaugurar  uma nova ordem.

O pântano, por enquanto, o satisfaz.

Ele desarma a sociedade e  exaspera a cidadania.

Dissemina um sentimento de impotência diante das urgências de uma  transição de ciclo econômico marcada por uma correlação de forças  instável,  desprovida de aderência institucional , ademais de submetida à determinação de um  capitalismo global  avesso a qualquer  outro ordenamento  que não  o vale tudo dos mercados.

A força e o consentimento necessários para conduzir  esse  ciclo em uma chave que não seja a do arrocho requisitam o salto de articulação social que agora se ensaia.

O caminho oposto é o da treva.

A regressividade conservadora predominante na Itália após o ‘Mãos Limpas’, nos anos 90, não é uma miragem; é um risco real em sociedades desprovidas de representação política forte e organização social mobilizada (leia ‘Mãos Limpas; e depois, Berlusconi?').

 Lá como aqui o lubrificante do retrocesso foi a prostração progressista e a incapacidade da esquerda e dos democratas de construir um repto histórico de esperança para engajar a sociedade no comando do seu destino.

 A gravidade dos desafios embutidos no calendário de 2015 é de ordem equivalente.

Saber onde estão as respostas e reunir a energia política capaz de validá-las é trunfo valioso.

É esse o significado encorajador da nascente frente de esquerda dos movimentos sociais e da usina de intelectuais cidadãos reunidos no Fórum 21.

São sinais de um aggiornamento em curso na vida política nacional.

Mas que já extrapolam a mera formalidade da travessia gregoriana, para emprestar a 2015 a dimensão e o desassombro de uma verdadeira renovação histórica.

Que assim seja um bom ano novo, são os votos que Carta Maior tem a certeza de compartilhar com seus leitores e com a imensa maioria do povo brasileiro.


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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os donos do capitalismo e o capitalismo dos donos

Os fantasmas do Lehman Brothers e do Bear Stearns, os bancos que faliram na esteira da crise de 2008, continuam provocando arrepios nos investidores.

 
José Carlos Peliano Arquivo

Acrise financeira de 2008 ainda não acabou. Seu epicentro nos Estados Unidos permanece por lá com infiltrações nos caixas fortes dos bancos, rachaduras nos sistemas de crédito e débito e nos tremores de apostas em arriscadas alavancagens financeiras. Os bancos do lado de fora do solo americano igualmente sofreram as consequências assim como as economias dos países sede.

O sistema bancário e financeiro americano que dita as normas de funcionamento do mundo do dinheiro caminha com dois passos à frente e um atrás. O risco eminente é de haver troca nas passadas, vindo para duas atrás e uma à frente. O que já seria o sinal vermelho da derrubada da confiança e da garantia de ampla cobertura das quebras. Sinais visíveis da bola de neve financeira sem tamanho ladeira abaixo.

A propalada reforma financeira pós crise de 2008 precisa ser terminada se é que foi levada a termo como convém. A única iniciativa visível até então do governo dos Estados Unidos foi a cobertura de muitos trilhões de dólares para compor a ajuda bancária. Algumas medidas para regular melhor o sistema e impedir práticas financeiras indiscriminadas foram tomadas mas os efeitos ficaram longe de atingir seus objetivos.

Os maiores bancos estão hoje maiores do que eram há 6 anos atrás além de continuarem a se envolver em vários dos mesmos comportamentos de risco que levaram àquele desmonte financeiro. O estopim do epicentro da crise foi as operações de tomada de crédito de curto-prazo no financiamento de aquisições de apólices, certificados e ações de alto risco (especulativas).

Os grandes bancos se juntaram em torno de suas empresas e de bancos menores associados para se defender das tentativas de reformas apresentadas pelo governo federal e das cobranças das agências reguladoras. Pagaram no decorrer das providências administrativas e legais um valor bem menor que o rombo por eles criado, algo no nível de US$ 100 bilhões.

Um ou outro executivo foi processado e multado, e até mesmo preso, enquanto todo o resto do time do pôquer financeiro permaneceu apostando, após o susto, do mesmo jeito que antes. Só que os valores das multas pagas não chegaram aos pés dos totais estimados pelas perdas provocadas ao mercado. Profissionais fora da jogatina consideraram as multas inacreditáveis e tão chocantes quanto indefensáveis.

Os seis maiores bancos americanos, JPMorgan ChaseBank of America, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley estão hoje com patrimônios maiores do que estiveram antes da crise de 2008. Eles detém agora entre eles uma posição em ativos superior a um terço do total que detinham um ano após a crise. Já em relação ao sistema bancário inteiro, que congrega 7.000 organizações, eles são donos de dois terços dos ativos totais.

As medidas adotadas pela Corporação Federal de Segurança de Depósitos, órgão responsável americano, apontam para novos percentuais que os grandes bancos devem seguir em relação a suas operações de empréstimos, levando em conta o total de ativos. Assim, um banco não poderá pedir emprestado mais que US$ 0,95 de cada US$ 1,00 de seus ativos (ações, papeis financeiros, empréstimos hipotecários, empréstimos comerciais, entre outros).

Essas medidas seriam cômicas se não fossem de fato duras e sérias. Pois, assim é, até na maior economia do mundo. Elas só deverão entrar em vigor a partir de 1o de janeiro de 2018. Se o sistema foi mal das pernas em 2008, vindo então tropeçando e tropicando de lá para cá, como poderá ele se sustentar em pé sem desabar até o último dia de 2017?

Ainda mais porque as manobras contábeis tem ajudado aos bancos a manipularem números e percentuais para continuarem a jogar no mercado suas apostas. As fichas estão na mesa e os lances se tornam cada vez mais altos e arriscados. O truque contábil mais evidente e usado com certa frequência é o de maquiar contas de sorte a reduzir o percentual de “alavancagem” de um banco – a relação entre o que o banco detém e o que ele deve.

Dessa forma, a jogatina no mercado de títulos financeiros de toda ordem fica com volume maior e com mais alternativas de negócios e maiores possibilidades de serem mitigadas perdas e melhoradas as chances de ganhos. Ocorre que o nível de risco sobe no mesmo ritmo do nervosismo, tensão e apreensão dos agentes.

Estimativa feita pelo Wall Street Journal indica que cerca de US$ 500 bilhões foram maquiados nos balanços dos grandes bancos americanos e injetados somente no mercado durante o ano passado, fora dos limites legais permitidos, para financiar o volume da jogatina. Aumentando o tamanho e a temeridade da bolha financeira.

Os fantasmas do Lehman Brothers e do Bear Stearns, os bancos americanos que faliram na esteira da crise de 2008, continuam provocando arrepios nos investidores, nos agentes controladores federais e mesmo nos banqueiros e seus operadores. Afinal estes últimos querem mesmo é navegar nas ondas do risco, mas não querem naufragar na jogada errada da especulação.

O grande jogo financeiro americano, não o único, mas o mais pesado e poderoso do planeta, estampa a corrida pelo ganho rápido e fácil, uma sanha destruidora sem limites que beira as raias do descontrole psicológico.

Embora relativamente estimado, o descontrole convive dia a dia com os altos e baixosdos negócios, das cotações, da incerteza latente. Mas há o padrinho fiel, companheiro inseparável dos jogadores, o sistema de reserva federal, disposto e pronto a garantir uma eventual quebradeira sem retorno. Em alguns estados americanos o limite circula por volta de 55% do total da perda. Os estados se associam assim aos jogadores para garantir pouco mais da metade de um possível e cada vez mais provável afundamento.

Os donos do capitalismo na América acabam influindo nas regras do sistema para chegarem a conseguir e ter um capitalismo do jeito que querem, o capitalismo dos donos. Satisfatoriamente sem amarras e impedimentos que prejudiquem a corrida sem barreiras ao lucro.

Há opositores americanos ao sistema de controle, porém, que combatem não só os percentuais de segurança da alavancagem bancária, mas também o prazo de entrada em vigor das novas regras. O que não altera muito o quadro uma vez que o risco do descontrole geral é crescente e progressivo. E uma nova crise pode não estar muito distante no horizonte.

Enquanto isso milhões de africanos morrem de fome, doenças e violência de mercenários. Palestinos assassinados por ações terroristas declaradas. Migrantes ilegais fugindo de seus infernos e caindo noutros legalizados. Desempregados levados às ruas pela esteira da crise de 2008. Entre outros contingentes. O mundo de pernas para o ar. Os donos do capitalismo mandam e desmandam e viram as costas para o capitalismo sem dono, por eles criado, onde vegetam e desesperam  miseráveis, oprimidos, desempregados e indefesos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quem precisa de um Carlinhos Cachoeira?


A imprensa brasileira é, cada vez mais, uma terra sem lei, onde certos agentes políticos e jornalistas assumem práticas ilícitas como coisa corriqueira.


A parceria entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, políticos de oposição e veículos de imprensa ruiu, depois que uma CPI Mista, instalada em 2012 pelo Congresso Nacional, desmascarou a que interesses ela servia. Carlinhos Cachoeira foi preso, o ex-senador pelo DEM Demóstenes Torres perdeu seu mandato, mas a imprensa continuou impune. E sem punição, transformou o mal feito em escola: a velha fórmula de obtenção ilegal de imagens permanece sustentando pretensas reportagens dos jornalões.

Em 2011, o ex-ministro José Dirceu teve sua intimidade violada, no hotel em que residia, em Brasília, por imagens publicadas pela revista Veja. A “justificativa” da revista era mostrar que, mesmo afastado do governo, ele continuava a receber autoridades da República para “conspirar” contra a presidenta Dilma Rousseff, acusação que a reportagem José Dirceu mostra que ainda manda em Brasília em nada contribui para comprovar, em um texto todo ele baseado em ilações.  

O repórter Gustavo Ribeiro até que tentou conseguir algum fato concreto para sustentar a manchete, só que por meio de prática criminosa. Chegou a ser denunciado à Polícia pela direção do hotel, que o flagrou tentando invadir o quarto de Dirceu. Não deu em nada. Só mais tarde, com a explosão das denúncias contra a quadrilha de Cachoeira, ficou claro que a organização clandestina teve participação na obtenção das imagens veiculadas por Veja, assim como influiu no enfoque de várias outras reportagens.

Escutas obtidas com autorização judicial comprovaram que Policarpo Junior, diretor da sucursal da revista em Brasília, mantinha contato periódico com Cachoeira e outros membros da quadrilha para discutir pautas da revista. O assunto foi fartamente explorado pela CPI criada para investigar as relações escusas de Cachoeira com políticos. Os jornalistas envolvidos com a máfia chegaram a ser apontados no parecer do relator, deputado Odair Costa (PT-MG), conforme noticiou Carta Maior na reportagem “Quem são e o que fazem os jornalistas de Cachoeira”. No relatório final, porém eles foram isentos de responsabilidades.

Na semana passada, o mesmo José Dirceu, que agora cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, foi novamente vítima da publicação de imagens ilegais, obtidas durante uma visita da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, dessa feita publicadas pelo jornal Folha de São Paulo. E de forma ainda mais grave, já que a Lei de Execuções Penais é clara ao determinar que a intimidade do preso deva ser preservada. Além de que a juíza da Vara de Execuções Penais, Débora Valle de Brito, havia autorizado a visita com a condição de que não fossem feitos registros em fotos ou vídeos.

O Governo do Distrito Federal (GDF) abriu sindicância para apurar responsabilidades, mas é certo que o autor entrou na unidade penitenciária junto com os parlamentares que fizeram a visita. Em ofício encaminhado à juíza para esclarecer os fatos, a CDH descreve quem eram os membros da comitiva, entre deputados e assessores, e aponta quais dos últimos atenderam à determinação de  aguardar na sala do diretor, enquanto apenas os parlamentares se deslocavam até a cela de Dirceu. O documento deixa claro que um deles descumpriu a ordem.

Trata-se do assessor técnico da Liderança do PPS, Wiliam Pereira dos Passos, que, na ocasião, acompanhava o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PR). Dois dos cinco deputados presentes afirmaram à Carta Maior que viram um assessor de Jordy na cela de Dirceu. Houve uma confusão inicial em relação ao nome do suspeito, visto que o secretário parlamentar de Jordy, Vicente Bezerra, também participou da comitiva. Mas os outros assessores que aguardaram na sala da direção confirmaram que Bezerra estava com eles. William, não.

William, assessor do PPS, é casado com uma jornalista da Rádio CBN, que é amiga do repórter fotográfico da Folha de S. Paulo, Alan Marques, que assina a reportagem que apresentou o vídeo ao país.  O episódio, certamente, não será pauta de nova CPI. Mas os resultados da investigação conduzida pelo GDF serão encaminhados à Corregedoria da Câmara, que poderá ou não determinar punição para o culpado. No máximo, a responsabilidade recairá sobre um dos elos da parceria que resultou na publicação do vídeo.

A imprensa, sem dúvida, seguirá com as mesmas práticas. No Brasil, como se sabe, não há nenhuma lei que regulamente o exercício profissional do jornalismo. Sequer o direito de resposta, princípio sagrado da profissão, está respaldado. Também não há nenhum controle dos veículos de comunicação, nem mesmo daqueles que são concessões públicas, os canais de rádio e TV. A imprensa brasileira é, cada vez mais, uma terra sem lei, onde certos agentes políticos e jornalistas assumem práticas ilícitas como coisa corriqueira. E se entendem entre si, sem sequer precisar terceirizá-las para bandos ou quadrilhas, como no passado. Em um cenário desses, quem precisa de um Carlinhos Cachoeira?

sábado, 26 de abril de 2014

As perguntas que não são feitas nas pesquisas eleitorais


Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer.


Pesquisas de opinião são orientadas, claro, e as eleitorais não constituem exceção. Se alguém deseja saber quem prefere maçã ou banana deve perguntar justamente isso, sem confundir o pesquisado com as opções de abacaxis e mangas. Muitas pesquisas eleitorais desorientam os entrevistados ao introduzir opções que nada mais são do que abacaxis e mangas, nomes de candidatos sabidamente estéreis no contexto eleitoral efetivo. Obtêm-se antes de tudo uma idéia da dispersão aleatória da preferência eleitoral, não as escolhas sólidas a aparecer com perguntas focadas no que está, de fato, em jogo.  Mas nada impede que se investigue se o freguês é mais afeito a frutas ácidas ou cremosas – um tanto mais geral e inespecífica do que a pergunta anterior.

Com maior ou menor generalidade o que importa é que há um mundo de interrogações adequadas ao conjunto das frutas, todas legítimas, respeitadas modestas regras de lógica. Simples, mas esquecido quando os institutos divulgam seus resultados, aceitos com sagrada intimidação. Na verdade, os mesmos tópicos das pesquisas podem ser investigados por inquéritos variados, nada havendo de interdito no terreno do mexerico.

Em pesquisas de opinião são fundamentais a representatividade da amostra dos pesquisados, a correção dos questionários e, concluindo, a leitura dos resultados. É intuitivo que em uma comunidade onde 99% são religiosos o inquérito não pode concentrar-se no 1% restante, exceto se o pesquisador estiver interessado justamente na opinião da extrema minoria de agnósticos que ali vivem. Isto respeitado, tudo bem quanto à representatividade dos números.

Mas a leitura dos resultados pode ser marota. Jogando uma moeda para o ar centenas de vezes, o número de experimentos em que ao cair a moeda mostrará a “cara” tende a ser o mesmo número de “coroas”. Ignorando quando e porque acontece uma ou outra coisa, deduz-se que a probabilidade de dar “cara” ou “coroa” é de 50%, ou seja, metade das vezes uma, metade, a outra. Em certos convescotes essa peculiaridade é chamada de “acaso”.

Mas essa é uma probabilidade diferente da que indica o futuro do clima, por exemplo. As chances de que chova nas próximas 48 horas não é derivada diretamente de uma série de 48 horas do passado, mas das condições em que milhares de 48 horas foram chuvosas: umidade do ar, regime de ventos, formação de nuvens, etc. explicam com relativo grau de precisão (a probabilidade) as variações climáticas. O que justifica o probabilismo é o conhecimento das particularidades associadas ao aparecimento do fenômeno “chuva”, não o mero fato de sua repetição. 

Pois a probabilidade derivada de uma série de pesquisas eleitorais é análoga à do jogo “cara” ou “coroa”, não à dos prognósticos atmosféricos. De onde se segue serem um tanto marotas as previsões de resultados eleitorais apoiadas em séries históricas, por mais extensas que sejam. A diferença é ontológica: uma eleição não é um jogo de “cara” ou “coroa”. A seguir, uma crítica, digamos, construtiva.  

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer. Aí vão:

1 – o Sr(a) prefere:
    a) continuar com a presidenta atual (Dilma Roussef)
    b) voltar ao governo do PSDB (Aécio Neves)
    c) indiferente

2 – o Sr(a) votaria em alguém que:
       a) defende a manutenção do emprego de quem trabalha
       b) promete medidas impopulares
       c) indiferente

3) – o Sr(a) apóia o controle nacional do petróleo do pré-sal?
        a) sim
        b) não 
        c) indiferente

4) - A oposição atual representa seu ideal de governo?
     a) sim
     b) não
     c) indiferente

5) Em relação à distribuição de renda o Sr.(a) é:
     a) a favor
     b) contra
     c) indiferente

6) Os atrasos na conclusão de aeroportos e estádios demonstram que:
     a) a iniciativa privada não é confiável
     b) há sempre imprevistos em grandes obras
     c) indiferente


Escolhi agregar todos os votos “não sei/prefiro não responder”, brancos e nulos em uma única opção porque estou interessado somente nas escolhas claras. E indiquei o nome de dois candidatos na pergunta 1 porque este é o desenho do questionário e, conforme o manual da boa pesquisa, o entrevistado deve estar de posse das informações relevantes para responder corretamente. Naturalmente, os entrevistados com preferência por outros nomes ou por nenhum estariam representados na resposta c. 

O diabo é que ninguém acredita que os questionários dos institutos são apenas uma aproximação do que os eleitores perguntam a si mesmos, na hora do vamos ver. Por isso suas pesquisas ao final de uma corrida eleitoral se tornam mais diretas e econômicas, reduzindo o percentual de erro. Ainda assim, por vezes o palpite estatístico é desastrosamente equivocado. É quando o instituto, ao contrário de tentar replicar o que pensa o eleitor, busca fazer com que o eleitor pense como ele. Não dá certo.