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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

BALANÇO DE 2016: A PERDA FOI TOTAL E TEMOS DE RENASCER DAS CINZAS!

Sinceramente, eu gostaria de poder oferecer-lhes previsões otimistas para 2017,  mas há algo no meu caráter que me obriga a dizer sempre as verdades desagradáveis, em vez de semear ilusões convenientes. Lamento.

Sinto-me como o grande Sérgio Ricardo, que, no auge da ditadura militar, se desculpava: "Ai, a grande tormenta roubou / os versos que eu tinha pra lhe dizer / e, por mais que eu procure buscar / palavras perdidas no ar, / vem a onda pra me impedir / de rimar".
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E o pior é que, desta vez, nem sequer estamos manietados pela força bruta, mas sim colhendo os frutos dos erros terríveis que cometemos após sairmos da ditadura militar com aura de heroísmo e martírio, passando então a dilapidar insensivelmente o patrimônio moral acumulado à custa do sacrifício de tantos companheiros inesquecíveis e imprescindíveis. 

E, como tivemos responsabilidade imensa na virada da maré contra nós, agora é nosso dever combatermos com todas as forças a arrebentação dessa nova onda direitista que se abate sobre o planeta.
Quem seriam os líderes hoje? 
A recessão brasileira perdurará ao longo do próximo semestre e, na melhor das hipóteses, a coisa começará a melhorar, timidamente, após as férias escolares. Como já temos mais de 12 milhões de desempregados, a situação é dramática ao extremo.

Meio mandato presidencial findo, a possibilidade de realização de eleições direitas em 2017 –seja visando escolher alguém para concluir o mandato de Dilma/Temer, seja antecipando o pleito de 2018– é de operacionalização dificílima. 

Canso de lembrar que os brasileiros, em 1984, estavam há 23 anos sem eleger presidente da República, enquanto hoje vêm de eleger há dois anos uma presidente desastrosa. E que a esquerda então estava renascendo e hoje se encontra no fundo do poço. 

Daí serem quiméricas as esperanças de que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal facilitem as coisas para a viabilização de uma solução heterodoxa e nada leva a crer que teriam as ruas a pressioná-los com um clamor tão contundente quanto o de 1984 (o qual, mesmo assim, foi ignorado!).

Segundo a letra da Constituição, se Michel Temer tiver por qualquer motivo de abandonar o governo a partir do primeiro minuto de 2017, os 594 senadores e deputados federais é que escolherão seu substituto, para cumprir o restante do mandato atual. 

Trata-se de uma situação do tipose correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E, ainda recorrendo aos velhos chavões, podemos dizer que a direita estácom a faca e o queijo nas mãos. podendo tanto manter Temer quanto trocá-lo por algum tucano utilizando os préstimos do TSE e do Congresso.

Não quero, contudo, encerrar este texto de forma tão depressiva. Como revolucionário, apostarei sempre na chance que os homens têm de mudar o rumo dos acontecimentos, mesmo quando a correlação de forças é das mais adversas. 

O voluntarismo, contudo, tem limites. Então, depois de uma derrota tão acachapante como a de 2016 (em muitos aspectos pior ainda que a de 1964!), insistir no mais do mesmo só levará a esquerda a maximizar seus prejuízos, marchando para a irrelevância.

Precisa fazer a autocrítica da qual foge há sete meses, identificando os erros estratégicos e táticos cometidos, abandonando as definições que não passaram pelo teste da prática, assumindo posturas bem diferentes e escolhendo novas lideranças para substituir as que se descredenciaram fragorosamente.

Lembro-me de minha meninice, quando assistia aos teipes das partidas da Seleção Brasileira no Mundial de 1962 e ficava curioso sobre uma frase que aparecia com destaque no placar do estádio de Viña del Mar: "¡Porque nada tenemos, lo haremos todo!". 

Soube depois que um terremoto destruíra parte considerável da infra-estrutura chilena para a realização da Copa, mas o país resistiu a todas as pressões para desistir, dispondo-se a reconstruir tudo nos 25 meses que faltavam. A bela frase de um dirigente esportivo tornou-se o lema da titânica mobilização dos andinos, que acabaram as obras no próprio dia do pontapé inicial...

É como a esquerda precisa assumir que está neste momento: nada lhe restou de aproveitável e precisa reconstruir tudo.

Se o fizer, poderá, sim, dar a volta por cima, em médio prazo. 

Mas, só vai ter futuro reassumindo-se como força revolucionária, pois as contradições do capitalismo estão conduzindo a um momento decisivo na história da humanidade, que poderá ser tanto a superação de um sistema totalmente exaurido enquanto motor do progresso e da felicidade humana, quanto a própria extinção da nossa espécie. 

O certo é que os tempos do populismo e do reformismo terminaram definitivamente, sem deixar saudades. 

E que, para cumprir tanto nosso como seres humanos quanto o compromisso que temos com relação aos pósteros, precisamos fazer muito mais do que fizemos até agora.

Começando por renascer das cinzas, a exortação do poeta Ednardo que adoto como minha mensagem final.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A NATUREZA DA CRISE POLÍTICO-ECONÔMICA BRASILEIRA E QUE POSTURA A ESQUERDA DEVE ADOTAR FACE A ELA


"Quando o capital se converte em ídolo e conduz as escolhas
dos seres humanos; quando a avidez do dinheiro tutela todo
o sistema sócio-econômico, arruína a sociedade, condena o
homem e o converte em escravo, destrói a fraternidade entre
os homens, coloca o povo contra o povo e, como vemos, põe 
em risco esta terra comum – a Mãe Terra!" (papa Francisco)
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Vivemos um impasse político-econômico. A Operação Lava-Jato foi capaz de tornar explícita uma verdade histórica guardada a sete chaves, ainda que conhecêssemos sua existência: o organismo institucional estatal brasileiro sempre foi corroído pela corrupção, que avançou agora a níveis antes nunca vistos. 

Qualquer um de nós sabe de uma história envolvendo uma falcatrua desde o mais modesto vereador ou prefeito do mais modesto município até os mais altos escalões da República (aí incluídos os representante dos três poderes).

Mas, a explicitação da crise política, reforçada pela crise moral expressa na corrupção, só se deu devido à péssima conjuntura econômica: caso houvesse satisfação popular, com bons níveis de empregabilidade, aumento de salário real e crescimento do PIB, o poder político já teria sufocado a luta contra a corrupção travada por destacados membros do Poder Judiciário. Exemplos disto são as tentativas temerárias ora em curso.

Quando a economia mostra a sua insustentabilidade, cria-se um quadro de anomia social no qual se atribui culpa a diversos fatores, menos àquele que é sua base primária: a contradição da lógica capitalista em processo, que agora atinge o estágio de necessidade de superação de sua forma e conteúdo. Afinal, não se pode negar aquilo que se defende.

A política conduzida incompetentemente e com níveis de corrupção elevados, como ocorre no Brasil, pode causar sérios estragos à economia; mas a política bem conduzida e isenta de corrupção não pode sanar as contradições próprias da economia em seu conjunto, nem evitar a evolução negativa das relações econômicas. Quanto muito, os governos competentes e bem assessorados transferem para zonas periféricas do capital os infortúnios que são próprios da mecânica funcional capitalista. 

É o que acontece com o Brasil e todos os países periféricos do capitalismo, que agora pagam o pesado ônus da sustentação da decadência capitalista mundial, também presente nos países hegemônicos (estes igualmente definham, mas contam com regalias financeiras salvadoras e, eventualmente governos competentes, assessorados por sábios conhecedores da lógica do capital, além de apresentarem baixas taxas de corrupção interna).
A questão que ora se coloca não é apenas de competência administrativa e de combate à corrupção, que são inegavelmente importantes para a sôfrega continuidade do sistema, mas de compreensão sobre o que está na base dos problemas, que são mundiais.

No Brasil, tais problemas são agravados por uma elite política aculturada nos privilégios e na corrupção, de resto cada vez mais composta por bandidos ignorantes travestidos de homens públicos, e que por isto mesmo não percebem estarem cavando as próprias sepulturas. As invasões das instituições parlamentares e de executivos municipais no Brasil afora são exemplos irrefutáveis da consequência desse estado de coisas. 

Os países ricos (que ora definham) não são ricos por serem sábios, sagazes, e por respeitarem as regras do jogo, evitando e punindo até certo ponto a corrupção interna com o dinheiro público; mas sim porque eles são os beneficiários diretos de um jogo que, em si, é corrupto. As suas condições de cultura científica elevada e domínio da tecnologia de produção proporcionam níveis de produtividade de mercadorias que os fazem ricos à custa dos que não têm os mesmos níveis de produtividade. Uma lógica de corrupção em si. 

Mas, agora, mesmos os ricos veem muitas das suas unidades fabris se deslocando para outros países em busca de mão de obra barata, numa fuga do capital para a frente, pois, na medida em que reduzem a massa global de valor e de trabalho necessário e excedente (que formam a extração de mais valia), anunciam o fim irreversível do capital. 

De resto, lá também ocorrem ebulições políticas cada vez mais visíveis (vide o avanço da direita, fruto do desconforto dos nacionais, saudosos de um passado que não voltará).
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OS REVOLUCIONÁRIOS E O 
DERRETIMENTO DO GOVERNO TEMERÁRIO

Historicamente é a economia aquilo que dá sustentação aos governos federais. O Panis et circenses acalma a população e, infelizmente, a torna passiva diante da opressão histórica, pois com pouca coisa o capital mantém o seu domínio. Vejamos exemplos recentes:
- o ditador Figueiredo não suportou a vertiginosa queda do PIB havida entre 1981 e 1984 (-1,0% ao ano na média do período) e apressou o fim do regime de exceção; 
- o presidente FHC se elegeu nas asas do Plano Real, concebido por economistas, e que estancou a absurda inflação brasileira do final dos anos 80 e início dos anos 90, sob Sarney e Collor). Quando a inflação voltou e o crescimento do PIB se tornou pífio, o governo neoliberal tucano caiu do ninho;
- o governo Lula somente sobreviveu à crise domensalão graças aos bons e ilusórios números da economia brasileira enquanto o mundo amargava a crise do sistema financeiro de 2008/2009, capaz de ainda eleger Dilma Rousseff, a qual, por sua vez, não resistiu à renitente queda do PIB e foi defenestrada;
- o sistema apostou as suas fichas no presidente Temerário, que contou com o apoio dos segmentos políticos e empresariais para a retomada do crescimento. Sete meses transcorridos desde a posse, a economia não tem dado respostas e já se fala abertamente na sua queda via TSE, por irregularidades e abuso de poder na última campanha eleitoral, caminho juridicamente possível para a perda do seu mandato, ensejando umaeleição indireta (pois o TSE já decidiu que só julgará a chapa Dilma-Temer no ano que vem, com o que caducaria o prazo para a eleição de um ou uma presidente tampão ser direta). 
É natural que este eterno pêndulo da ineficácia seja constantemente objeto de tentativas de conserto ou aperfeiçoamento por quantos querem a permanência do capitalismo e o enxergam como única forma possível de relação social, aí incluídos os partidos socialistas mais ou menos radicais.
Mas, não é natural que tais iniciativas devam constar dos corolários de proposições de quem quer a superação do capitalismo e sua substituição por um modo de produção social que emancipe a humanidade.

Não é uma questão de apostar no quanto pior, melhor, mas sim de optar pelo quanto melhor, melhor.

Por que insistir em curativos diante de uma metástase sistêmica?

Proposições de melhoras econômicas como as que foram apresentadas pelo ministro Henrique Meireles, na tentativa de dar sobrevida ao governo do presidente Temerário, não passam de movimentos desesperados num terreno de areia movediça; ainda que possam alongar a agonia, terminarão por se evidenciar como insustentáveis, porque inseridas na imanência de um sistema que faz água estruturalmente. 

Assim, por que quem almeja a superação dos problemas estruturais e não consertos paliativos deveria participar de proposições dentro da imanência capitalista? Não há nenhuma razão para tanto.

A estes últimos somente cabe:
- a denúncia da farsa dos remédios institucionais e econômicos paliativos; 
 - a denúncia das medidas de austeridade que sacrificam o povo, impingidas como remédio amargo para a solução de problemas de base que, na verdade, são insolúveis dentro da imanência capitalista; 
- o abandono da participação parlamentar e de cargos executivos que apenas legitimam o conservadorismo de um Congresso eleito mediante práticas viciosas, denunciadas todos os dias pela grande mídia. Ao serem obrigados a administrar a crise do capitalismo da esfera estatal, tomando atitudes anti-povo, os governantes de esquerda só colhem descrédito e desmoralização;
- a afirmação paulatina de práticas fora da lógica de mercado; 
- o apoio a quem defende a liberdade e os direitos civis (ainda que sejam iludidos com o capitalismo) e que estejam sendo perseguidos;         
- a defesa de conceitos educacionais pela grade escolar básica, acadêmica e popular, que sirvam de elemento de conscientização popular sobre a essência dos males sociais e formas de sua superação; 
- o reforço das lutas dos trabalhadores, demonstrando que a saída é a própria negação da condição de trabalhadores e do trabalho como categorias capitalistas formadoras do capital privado ou estatal, afirmando que a produção deve estar voltada para a satisfação de suas próprias necessidades e das necessidades coletivas;  
- a denúncia dos crimes ecológicos como a poluição dos rios, lagos e oceanos, a emissão de gases que provocam o catastrófico e ecocida aquecimento global, etc.; e. por fim,
- a defesa de atitudes de afirmação da vida e da liberdade.(por Dalton Rosado) 
 https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/a-natureza-da-crise-politico-economica.html

sábado, 17 de dezembro de 2016

NOVA PROPOSTA PARA O BRASIL SAIR DA CRISE: ELEIÇÃO DE UMA CONSTITUINTE, QUE FORMARIA UM GOVERNO TRANSITÓRIO.

Numa situação tão dramática como a atual, todas as propostas consistentes de superação da crise política devem ser discutidas, até encontrarmos uma que coloque o ovo em pé.


A mais nova é a que o analista Demétrio Magnoli expôs em seu artigo deste sábado (17) na Folha de S. Paulo. Eis os trechos principais: 
"Desde o início, o governo Temer tenta obter, ao mesmo tempo, as graças da elite política, da opinião pública e do mercado. É a implicação inevitável de seu pecado original: a carência de legitimidade eleitoral.
FHC sintetizou a fragilidade, classificando-o como uma pinguela. Hoje, corroída pela ausência da esperada recuperação econômica e sob o bombardeio da megadelação da Odebrecht, a pinguela está prestes a ruir. Contudo, sintomaticamente, nenhuma força política tem a ousadia de indicar uma porta democrática de saída da crise...
Temer (...) precisaria reconstruir o governo, afastando-se dos seus companheiros de sempre, rompendo com as figuras carimbadas pela Lava Jato e constituindo um ministério suprapartidário capaz de persistir no rumo das reformas em meio ao turbilhão dos inquéritos judiciais. 
FHC parece investir nessa hipótese improvável quando conclama o PSDB a patrocinar uma obra emergencial de concretagem da pinguela.
O labirinto do minotauro era fichinha perto disto...
O combate à corrupção e as reformas econômicas são bens públicos valiosos –ao contrário do governo Temer, que é apenas fruto casual do fracasso dolulopetismo. A pinguela pode ser substituída, mas não pelos meios conjurados por especuladores de diversos matizes, que apostam no caos institucional.
A ideia recorrente de antecipação das eleições flerta com uma violação constitucional. A proposta mais recente, de atribuição de poderes constituintes limitados ao atual Congresso, equivale a um golpe parlamentar.
Diante da falência do governo Temer, a solução democrática seria a convocação de uma Assembleia Constituinte com poderes para formar um governo transitório e refazer o pacto político nacional.
No fim, a soberania pertence ao povo. A eleição de uma Constituinte soberana representaria o reconhecimento do colapso da Nova República, mas não uma ruptura com a democracia".
O DIABO ESTÁ NOS DETALHES

"Uma profunda autocrítica"
Uma vantagem a proposta de Magnoli traz: a solução que aponta é compatível com a Constituição atual. O diabo são os detalhes.
  • Como impedir que sejam eleitos para tal Constituinte os políticos que respondem a processos ou estão sendo investigados por corrupção, sem nenhuma condenação já lavrada? E, se participarem, que autoridade moral terá esta Constituinte, já que cidadãos abaixo de todas as suspeitas estariam nela metendo suas colherzinhas imundas?
  • Se a última Constituição, gerada num momento político bem mais otimista e esperançoso, acabou distorcida por uma infinidade de lobbies que incluíram na Carta Magna dispositivos favoráveis a interesses particulares, descendo a minúcias ridículas e tornando-a um verdadeiro mostrengo (tal sua elefantíase e as incongruências nas quais incidiu para acomodar apetites tão vorazes), a tendência é de que agora a coisa seja pior ainda, pois na desmobilização e desmoralização generalizadas da atualidade, quem se organizaria para colocar seus representantes na Constituinte seriam exatamente os muitos interessados em colher vantagens quase sempre espúrias.
  • Não me parece que o povo vá se considerar genuinamente representado por um governo escolhido de forma indireta por  constituintes eleitos pela via direta. Não passaria de um copo meio cheio e meio vazio. Pelo que conheço das ruas, em termos de repercussão popular isto pouco diferiria de um governo eleito indiretamente pelos senadores e deputados federais após o TSE cassar a chapa Dilma-Temer. 
"Em 1984 havia candidatos que entusiasmavam ao povo"
Tenho, portanto, a impressão de que ainda não seja esta a solução que buscamos.

E de que não exista verdadeiramente uma solução, ao mesmo tempo, ideal e plausível sob a presente correlação de forças.

E de que, com a faca e o queijo nos bicos, os tucanos não deixarão escapar a oportunidade de tomarem diretamente o poder (via Congresso, caso o TSE casse também o Temer) ou indiretamente (como eminências pardas do atual governo, sustentando-o mas passando a ditar as decisões mais importantes, ou seja, itamarizando-o).

Os erros grotescos cometidos lá trás não nos deixam boas opções à frente. O melhor caminho, claro, seria a antecipação da eleição presidencial. Mas, se nem em 1984, com o povo todo do nosso lado, conseguimos algo parecido, agora a empreitada estaria mais para missão impossível.

No momento das diretas-já, o povo estava sem votar para presidente da República desde 1960 e tinha candidatos que realmente lhe entusiasmavam. Hoje, guarda a lembrança de haver caído num conto do vigário em 2014 (o estelionato eleitoral) e não mostra verdadeiro entusiasmo por nenhum candidato, a ponto de preferir, por enquanto, um que dificilmente terá condições legais de disputar o pleito. 
Não exageremos. Já a morte política...

O principal, neste instante, é reconstruirmos a esquerda, pois a que nos conduziu à debacle atual descredenciou-se totalmente. Precisamos fazer uma profunda autocrítica das lambanças que cometemos, depurar nossas forças e definir novas estratégias e táticas, bem diferentes daquelas que ruíram fragorosamente. 

Só depois de colocarmos nossa casa em ordem é que poderemos pensar em imprimir rumos diferentes ao nosso país. Por enquanto, o mais sensato seria deixar a burguesia descascando o abacaxi do qual tanto quis apossar-se, assistindo de camarote enquanto ela arca com todo o desgaste inerente.
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/nova-proposta-para-o-brasil-sair-da.html

sábado, 3 de dezembro de 2016

O BRASIL É UM BARCO À DERIVA



O Brasil hoje é um barco à deriva com mais de 200 milhões de pessoas a bordo.

Temos um sistema econômico com prazo de validade vencido, mas do qual não conseguiremos escapar sozinhos: o capitalismo.  [Depois do malogro grego, a possibilidade maior é a de um colapso global, o qual, aliás, pode estar bem mais próximo do que a maioria imagina...] 

Grandes empresários que se associaram aos mãos-sujas da política na montagem da maior e mais acintosa rede de corrupção já vista no País.

Uma Câmara Federal totalmente desmoralizada, que manda seu decoro às favas, agindo na calada da noite para salvar o mandato dos seus membros e mantê-los fora das grades.

Um Senado que nem sequer é capaz de expelir um presidente campeão de processos na Justiça.

Um Judiciário que cada vez mais se politiza, ocupando espaços  deixados vagos pelo Legislativo e Executivo.

Um presidente meia-boca, que talvez desse conta do recado numa situação rotineira, mas nunca no olho do furacão, quando mais se faz necessário um estadista.

Um povo tradicionalmente conformado, quase abúlico, mas que a penúria acabará levando ao desespero e a reações extremadas.

E, como em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão (provérbio português), os pesos-pesados da economia e da política se mostram incapazes de unir-se num projeto de salvação nacional, colocando seus interesses egoístas acima de tudo e de todos.

O maior risco que corremos neste momento é o de que o confronto cada vez mais acirrado entre o Legislativo e o Judiciário, sem que o Executivo ouse ou saiba como restabelecer o equilíbrio entre os Poderes, dê pretexto a uma intervenção militar (hipótese que ganha força com os EUA prestes a ser presididos por Donald Trump).

Enfim, a situação é tão explosiva que me parece até ocioso detalhar tudo de ruim que pode acontecer. 

As forças majoritárias do que restou da esquerda se dedicam insensatamente a desgastar um presidente fraco por natureza, sem se darem conta de que estão apenas levantando a bola para algum inimigo marcar o ponto (seja a extrema-direita que sonha com o retrocesso histórico, sejam os tucanos que tudo fazem para que a Presidência da República lhes caia no ninho).

Visões minoritárias, também de esquerda, avaliam corretamente que se trata de uma crise sistêmica, mas não levam em conta o óbvio ululante de absolutamente não nos convir neste momento que o derretimento dos podres Poderes vá às últimas consequências: a maré crescente é de direita fascistoide e em tal direção acabaremos também marchando se, de alguma forma, não corrigirmos o rumo enquanto é tempo.

Last but not least, é importante atentarmos para que, embora sejam absolutamente desprezíveis os ratos que tentam escapar das garras da Operação Lava-Jato por meio dos artifícios próprios de sua espécie, existe mesmo a possibilidade de o fervor justiceiro ir longe demais, gerando uma espécie de jacobinismo tropical. Robespierre era um esteio da Revolução Francesa, mas acabou fazendo com que ela devorasse os próprios filhos. Temos de ficar atentos.

Se eu tivesse um bom caminho a indicar, o faria. Mas, a correlação de forças nos é de tal forma desfavorável que nenhum deles me parece exequível. Então, só me resta antecipar o desenrolar provável dos acontecimentos.

Afora as tendências autoritárias que não podemos de forma nenhuma deixar prevalecerem, há uma forte possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral, presidido pela figurinha carimbada Gilmar Mendes, aguardar a virada do ano para, então, impugnar o mandato de Michel Temer, provocando uma eleição indireta, na qual caberá aos parlamentares escolherem um(a) novo(a) presidente-tampão. Nesta circunstância, o favorito seria o candidato do PSDB, provavelmente FHC.

Quanta à Operação Lava-Jato, em algum momento terá de ser encerrada, pois é fonte de instabilidade permanente, com a qual o Brasil, percebe-se muito bem,  não está conseguindo mais conviver. 

Mas, a cidadania tem de mobilizar-se para garantir que os encalacrados não escapem impunes, caso contrário seria melhor trocar o nome do nosso país para Bananal.

O mínimo que se espera é termos todos os culpados impedidos por um bom tempo de reincidirem nas mesmas práticas: os políticos afastados compulsoriamente da política e de governos; e os empresários, da diretoria de grandes empresas.
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/o-brasil-e-um-barco-deriva.html

domingo, 15 de julho de 2012

Cassamos a hipocrisia?


O SALDO POSITIVO DA CASSAÇÃO DE DEMÓSTENES É A SMORALIZAÇÃO DO FALSO MORALISMO

Leonardo Attuch
Enfim, acabou. Numa votação histórica, o Senado, pela segunda vez, expurgou um de seus membros, cassando Demóstenes Torres, mas não ficou melhor nem pior depois disso. Os esquemas são os mesmos, as pressões que o Legislativo impõe sobre o Executivo são tão fortes quanto antes e velhos coronéis regionais continuam dando as cartas na instituição. Há quem discuta até se o Brasil não deveria copiar países que aboliram o Senado e partiram para o unicameralismo, com um só Parlamento. Certamente, seria mais barato, mas talvez não seja o modelo mais justo, do ponto de vista das desigualdades regionais.

De todo modo, há um saldo positivo na cassação de Demóstenes Torres, que é a desmoralização da hipocrisia na política. Demóstenes não se vestiu como Catão da República porque tivesse vocação para desempenhar o papel. Ele apenas ocupou, com notável maestria, um espaço que lhe rendia dividendos midiáticos e eleitorais. Só que tudo era tão falso, tão postiço e tão incompatível com o comportamento do ex-senador que, mais dia, menos dia, desabaria. Demóstenes caiu como sempre caem todos os falsos moralistas.

Significa que os discursos da ética pública e da moral republicana estão também desmoralizados? Evidente que não. Mas essa discussão tem que se dar de forma objetiva e sem preconceitos. Quando, afinal, o Brasil promoverá uma reforma política? Em que momento será feito o debate sobre o financiamento público de campanhas? O Brasil deve aprofundar a democracia representativa ou buscar mecanismos de diálogo direto com os eleitores, por meio de plebiscitos?

Nos últimos anos, praticamente todos os escândalos políticos tiveram a mesma raiz: o financiamento de campanhas. Foi assim com o esquema PC Farias, com o mensalão e com vários outros casos, que levaram à demissão de ministros e autoridades públicas. O lado B do Demóstenes que exigia punição implacável não era apenas o do político que mantinha contatos secretos com Carlos Cachoeira – era também o do candidato que recorria aos mesmos esquemas. Afinal, quanto custaram suas duas campanhas ao Senado? Alguns milhões, e a maioria não declarada.

Nada indica, porém, que a cassação de Demóstenes promova bons frutos. A primeira consequência poderá ser o voto aberto nas futuras cassações. O que tornará o parlamentar ainda mais suscetível aos humores da opinião pública. E quanto mais vulnerável a esse tipo de pressão, maior a chance de que surjam novos Demóstenes na praça.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Serra pode ter candidatura cassada

Atual governador de São Paulo usa página do Governo para fazer propaganda indevida
Vejam a página do Governo de São Paulo na Internet. Esta lá a propaganda que Alberto Goldman faz de José Serra e atribui a ele o projeto das AMEs., e diz que  deseja ver Serra na presidência em Janeiro de 2011.