Mostrando postagens com marcador Eleições 2010 - 2º turno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eleições 2010 - 2º turno. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de novembro de 2010



Serra é do bem
Oh, quem cuidara que entre penhas tão duras se criara uma alma terna, um peito sem dureza, sem mágoas e sem rancor?
Glória, glória, José Serra é o nosso redentor.
E como tal, ele é sempre vitorioso, nunca perde e nem perderá. Foi o Brasil que perdeu, e como perdeu! O mais preparado dos brasileiros, firme e audaz, e ao mesmo tempo um homem terno, conciliador, uma pessoa capaz de unir a nação de norte a sul, de leste a oeste, do mais rico ao mais pobre, um semeador da paz e da harmonia, do respeito e da alegria. Grande defensor dos professores e dos jornalistas, que aliás sempre tratou como verdadeiros filhos, um ser humano capaz de ligar para as redações e para os donos dos jornais para fazer altos elogios as atuações profissionais dos repórteres e entrevistadores, fazendo questão de sempre valorizá-los e respeitá-los, agindo como um verdadeiro anjo da concórdia entre nós, como aliás é a marca de toda a sua trajetória, levando a união, a paz e o amor a onde quer que vá, deixando sempre amigos e admiradores aos milhões.
Uma terrível perda para o país deixar de ser governado por um espírito elevado como este, para ser entregue àquela mulher. Que grande infortúnio para a Pátria e para a humanidade como um todo, rejeitar pela segunda vez aquele que veio para nos salvar e nos remir do mal (Serra é do bem), e cair nas mãos de Caifaz para mais mil anos de infelicidade. Oh que dor!
Apesar de toda a ingratidão e da alta traição de um dos seus discípulos, Serra já os perdoou, pois no seu coração não há lugar para as mágoas, para a ira e para os ressentimentos pois como grande engenheiro que é ele sabe que só o amor constrói.
Alvíssaras!
By: Prof. Hariovaldo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A cor do mapa

Quem considera os números da eleição vê outra realidade. Dilma não venceu “por causa” do Nordeste e do Norte. Ela venceu porque venceu nos “dois Brasis”.
Enquanto proliferam explicações e opiniões a respeito da vitória de Dilma, é preciso estar atentos aos fatos. Sem eles, ficam somente as impressões e as versões.
Algumas sequer nascem da interpretação de alguém, com a qual se pode concordar ou discordar. São as mais perigosas, pois não estão claramente marcadas com um sinal de autoria. Por não tê-lo, terminam parecendo verdades naturais, como se fossem apenas “dados de realidade”.
Tome-se o modo como a mídia costuma apresentar os resultados da eleição, sempre através de mapas. Todos os veículos os usam, colorindo os estados onde Dilma ganhou de uma cor e aqueles onde Serra se saiu melhor de outra. Não por acaso, pintam os primeiros de vermelho e os outros de azul.
Vistos sem maior reflexão, esses mapas mostram um retrato enganoso da eleição. Pior, podem induzir a uma impressão equivocada e a versões incorretas sobre a eleição que acabamos de fazer.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Até o papa apoiou o Serra

Dilma Rousseff, a eleita, teve de enfrentar a campanha mais feroz
contra um candidato à Presidência na história do Brasil.
Por Mino Carta. Foto: AFP

Dilma Rousseff, a eleita, teve de enfrentar a campanha mais feroz contra um candidato à Presidência na história do Brasil
Temos uma mulher na Presidência da República, primeira na história do
Brasil. E que uma mulher chegue a tanto já é notícia extraordinária.
Levo em conta a preocupação do Datafolha a respeito da presença feminina no tablado eleitoral: refiro-me à pergunta específica contida na sua pesquisa, sempre aguardada com ansiedade pelo Jornal Nacional e até pelo Estadão. A julgar pelo resultado do pleito, Dilma Rousseff representa entre nós a vitória contra o velho preconceito pelo qual mulher só tem serventia por certos dotes que a natureza generosamente lhe conferiu.
Para CartaCapital a eleição de Dilma Rousseff representa coisas mais.
A maioria dos eleitores moveu-se pelas razões que nos levaram a apoiar a candidata de Lula desde o começo oficial da campanha. Em primeiro lugar, a continuidade venceu porque a nação consagra os oito anos de bom governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Inevitável foi o confronto com o governo anterior de Fernando Henrique Cardoso, cujo trunfo inicial, a estabilidade, ele próprio, príncipe dos sociólogos, conseguiu pôr em risco.
Depois de Getúlio Vargas, embora manchada a memória pelo seu tempo de ditador, Lula foi o único presidente que agiu guiado por um projeto de país.
Na opinião de CartaCapital, ele poderia ter sido às vezes mais ousado em política social, mesmo assim mereceu índices de popularidade nunca dantes navegados e seu governo passou a ser fator determinante do êxito da candidata.
A comparação com FHC envolve também a personalidade de cada qual. Por exemplo: o professor de sociologia é muito menos comunicativo do que o ex-metalúrgico, sem falar em carisma. Não se trata apenas de um dom natural, e sim da postura física e da qualidade da fala, capaz de
transmitir eficazmente ideias e emoções. Lembraremos inúmeros discursos de Lula, de FHC nenhum.
Outra diversidade chama em causa a mídia nativa. Fascinada, sempre
esteve ao lado de FHC, inclusive para lhe esconder as mazelas.
Vigorosa intérprete do ódio de classe em exclusivo proveito do privilégio, atravessou oito anos a alvejar o presidente mais amado da história pátria. Quando, ao dar as boas-vindas aos 900 convidados da festa da premiação das empresas e dos empresários mais admirados no Brasil, ousei dizer que o mensalão, como pagamento mensal a parlamentares, não foi provado para desconforto da mídia, certo setor da plateia esboçou um começo de vaia. Calou-se quando o colega Paulo Henrique Amorim ergueu-se ao grito de “Viva Mino!” Os fiéis da tucanagem não primam pela bravura.
Pois Dilma Rousseff teve de enfrentar esta mídia atucanada, a reeditar o udenismo de antanho em sintonia fina com seus heróis. Deram até para evocar o passado da jovem Dilma, “guerrilheira” e “terrorista”. Como de hábito, apelaram para a má-fé para explorar a ignorância de um povo que, infelizmente, ainda não conhece a sua história, e que não a conhece por obra e graça sinistra de uma minoria a sonhar com um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem demos.
Nos porões do regime dos gendarmes da chamada elite, Dilma Rousseff  foi encarcerada e brutalmente torturada. Poderia ter sofrido o mesmo fim de Vlado Herzog, que os jornalistas não se esquecem de recordar todo ano.
Mas a hipocrisia da mídia não tem limites, com a contribuição da
ferocidade que imperou na internet ao sabor da campanha de ódio nunca tão capilar e agressiva. E na moldura cabe à perfeição a questão do aborto, praticado à vontade pelas privilegiadas e, ao que se diz, pela própria esposa de José Serra, e negado às desvalidas.
Até o papa alemão a presidente recém-eleita teve de enfrentar. Ao se
encontrar já nos momentos finais da campanha com um grupo de bispos nordestinos, Ratzinger convidou-os a orientar os cidadãos contra quem não respeita a vida, clara referência à questão que, lamentavelmente, invadiu as primeiras páginas, as capas, os noticiários da tevê. Parece até que Bento XVI não sabe que o Vaticano fica na Itália, onde o aborto foi descriminalizado há 40 anos.
Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital.

domingo, 31 de outubro de 2010

Do martelo à santa: A trajetória de Serra

À primeira vista, nem parece uma santa o que Serra está a beijar na capa da “Folha”. Reparem bem…

E, de toda forma, ficou claro ao longo da campanha que a devoção maior de Serra não é pelos santos ou pelos dogmas da Igreja Católica.
De 1995 a 2010. É tudo muito nítido. Serra estava muito mais à vontade nos velhos tempos da era fernandina. Em vez da santa, empunhava os martelos da privatização – pelos quais nutria verdadeira devoção.
Reparem que o olhar na foto acima é fugidio. Como se a santa estivesse a lhe escapar dos lábios.
Na foto abaixo (durante leilão do setor elétrico no governo FHC), Serra parece mais concentrado – e verdadeiramente satisfeito.
E abaixo, mais um exemplo de devoção de Serra…
By: Escrevinhador

Serra está a um milagre de ser canonizado


Lurdes Gonçalves, de Diadema, flagrou o tucano caminhando sobre as águas durante uma enchente em São Paulo
VATICANO - Após incentivar bispos brasileiros a participarem mais da política, o papa Bento XVI iniciou o processo de canonização de José Serra. Em discurso proferido na sacada da Basílica de São Pedro, o papa destacou a "batalha silenciosa contra a simpatia, o carisma e o sex appeal" travada noturnamente pelo tucano. O pontífice destacou os valores sólidos de uma família que teve seus dados violados e permaneceu unida. Também enalteceu o combate “sem trololó” daquele que chamou de “Beato da Mooca” para acabar com o cigarro, o aborto, o PT, a maconha, o MST, o alho, empresas estatais e desvios sexuais. Em lágrimas, Bento XVI terminou a alocução lembrando “o martírio de Campo Grande”, no qual Serra enfrentou hereges e infiéis e fez desaparecer fitas de durex, de esparadrapo, band-aids e bolinhas de papel e tamanhos variados.

Segundo a Santa Inquisição, falta apenas um milagre para que o beato Serra seja canonizado. "O que pode acontecer caso ele reverta os números apontados nas pesquisas eleitorais", revelou o bispo Astrogildo Afonsinho. "Ele já resistiu bravamente às investidas sórdidas de Márcia Peltier e ao convívio com Indio da Costa. Portanto, nada é impossível. É só preciso ter fé."

Compungido, Serra agradeceu de joelhos a Nossa Senhora Aparecida e prometeu privatizar o Vaticano.

Conheça os milagres do Beato da Móoca

O Vaticano reconhece três milagres atribuídos a José Serra. Em 2009, houve uma comoção nacional diante da frondosa multiplicação de pedágios. Um ano depois, uma senhora fotografou o tucano caminhando sobre as águas durante uma enchente do Tietê. O terceiro milagre deu-se quando o beato apoiou e criticou Lula simultaneamente.
The Piaui herald

sábado, 30 de outubro de 2010

FALTAM 24 HS: O QUE ESTÁ EM JOGO?

O aborto ou os 70 bilhões de barris do pré-sal; uns seis trilhões de dólares; o maior impulso industrializante do país desde Vargas? Quais valores estão em jogo, esses, confirmados hoje nos 15 bilhões de barris, só no poço de Libra, ou os da água benta falsa de Serra? Se prevalecer o modelo tucano de exploração, o pré-sal vira remessa de lucros e exportação de óleo bruto nas mãos das petroleiras internacionais. Perde-se seu efeito multiplicador numa cadeia de suprimento industrial da ordem de 55 mil itens, desde plataformas e navios, a válvulas, aço e parafusos. Porém mais que isso, perder-se-ia a chance histórica deste país eliminar a miséria e abrir uma avenida de ampla convergência de oportunidades e direitos para as gerações do presente e do futuro. Qual é a discussão mais relevante? É essa, por isso não sai no Jornal. 
Carta Maior

Um alerta




Fernando Henrique encampa passeata pró-Serra e perde sola do sapato no centro de SP

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participou nesta sexta-feira (29), último dia da campanha eleitoral à Presidência, de passeata pela candidatura de José Serra (PSDB), marcada por empurra-empurra nas ruas do centro da capital paulista. Serra não estava presente. Ele se prepara para o último debate televisivo destas eleições, que acontece à noite.
Além de FHC, participaram o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab, o senador eleito Aloysio Nunes e o vice-governador eleito Guilherme Afif Domingos, além de artistas como ator Juca de Oliveira e o cantor Eduardo Araújo.
Em meio ao tumulto, FHC perdeu a sola dos sapatos e teve de abandonar a caminhada. Antes, ao ser questionado sobre sua participação na campanha de Serra, afirmou: "durante a campanha eu fiz tudo que o Serra pediu".
Cerca de 3.000 pessoas participaram. O empurra-empurra já começou na largada feita no largo São Francisco, no centro. Faixas se destacavam entre as centenas de bandeiras com rosto e o número do candidato. “Chega de impunidade. Grande buzinaço contra a censura”, dizia um dos cartazes.
Outra das faixas lembrava da polêmica sobre o aborto: “Vote a favor da vida”, com balões saindo das bocas de crianças. Camisetas também traziam a inscrição “o bem sempre vence”, em referência ao slogan “Serra é do bem”.
Às 13h, exata uma hora depois do início da caminhada, o ato terminou na praça da República sem as presenças de FHC, Kassab e Alckmin. Eles já haviam deixado a passeata meia hora antes.
By: Folha
Comentário no Facebook:
Serra e FHC conseguem mobilizar só 3 mil em SP hoje, na capital Paulista, com mais de 17 milhões de habitantes... A Dilma e o Lula mobilizaram 7 mil só em São Bernardo, em dia de garoa e frio, onde tem menos de 1 milhão de habitantes. - Como é patética a Folha de S.Paulo, ou serão os eleitores que crêem nela os palhaços da vida real???

Brasil é democrático e laico, diz Lula sobre declaração do Papa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que o Brasil é um país democrático e laico, por isso a população se manifesta do jeito que quiser. "Eu acho que cada um vai de acordo com a sua consciência", disse, em referência à declaração dada ontem pelo papa Bento 16 para que os bispos brasileiros condenem a descriminalização do aborto. O tema vem sendo usado pela campanha dos candidatos a Presidência da República para conquistar votos.
"Não vejo nenhuma novidade na declaração do Papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe. Se você for ver o que a Igreja Católica falava há 2 mil anos, ela falava exatamente o que o papa falou", declarou Lula durante sua participação na 26ª edição do Salão Internacional do Automóvel, que acontece em São Paulo.
O presidente minimizou a polêmica criada em torno da fala do pontífice e sua possível interferência no pleito de domingo (31). "Isso pode ser falado a qualquer momento. Pode ser falado ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã", afirmou.
Para Lula, a declaração da Igreja reforça a liberdade que existe no país, porque "a gente se manifesta, a gente ganha ou a gente perde, a gente pode pagar o preço pelos erros que cometer". "Pelo reconhecimento da sociedade brasileira, parece que a gente teve mais acerto", concluiu.
Com textolivre

Quando Índio foge...


Com textolivre

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BENTO XVI LANÇA A "TEOLOGIA DO RETROCESSO"

Essa igreja católica.....

Reunido com bispos brasileiros na manhã desta quinta-feira (28) em Roma, o patético papa Bento XVI conclamou-os a meterem o nariz em assuntos que não lhes dizem respeito, como se a separação entre a Igreja e o Estado não vigesse há 120 anos em nosso país!

Sem se dar conta de que os valores medievais hoje nada mais são do que cinzas de um passado que envergonha os civilizados, quer o Papa que a Igreja faça proselitismo político ("quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas"), pressionando partidos e candidatos no sentido de que:

-seja negado às mulheres o direito de interromper, mesmo no início, uma gravidez indesejada, e aos desenganados o direito de escolherem o momento e a forma como preferem morrer ("Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático é atraiçoado nas suas bases");
-seja imposto o ensino religioso em escolas públicas do Estado, obrigando professores a cumprirem o papel de sacerdotes e invadindo a esfera de decisão das famílias ("uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado"); e
-sejam expostos símbolos religiosos em ambientes públicos, em gritante violação dos direitos de religiosos de outras confissões, ateus e agnósticos ("Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito").

Em tempos corriqueiros, este anúncio da Teologia do Retrocesso de Bento XVI já seria uma descabida incitação ao lobbismo.

Três dias antes do 2º turno de uma eleição presidencial, a interferência indevida desse papa (cujo horizonte mental é o de um ativista da TFP...) assume gravidade ainda maior.

Pois se trata, pura e simplesmente, de uma CHANTAGEM contra a democracia brasileira.
Náufrago da Utopia

Urnas de Novo

Mais de uma vez falei aqui no blog sobre o sistema eletrônico de votação e suas vulnerabilidades. Depois do primeiro turno, por exemplo, desenvolvi uma tese que apelidei de "Teoria Conspiratória", em que especulei sobre a possibilidade de migração de votos de um candidato para o outro. Acabo de assistir, bem atrasado admito, à contribuição que Luiz Carlos Azenha deu ao debate em setembro, numa entrevista feita pelo Skype, e postada no YouTube, com um dos seis especialialistas em informática que acompanham o desenvolvimento de softwares para eleição, junto ao TSE. No depoimento, o engenheiro Amilcar Brunazzo, ligado ao PDT, é categório: segundo relatório unânime apresentado no início do ano, é impossível saber se o voto que depositamos na urna eletrônica é o mesmo voto que será totalizado pela Justiça Eleitoral. Portanto, amigos, estamos diante de uma "caixa preta". Quem tiver paciência e quiser saber mais, basta dar um clique e assistir ao vídeo abaixo. 

O golpismo valerá a pena?

São cada vez mais fortes os indícios que que a Folha de S.Paulo prepara para sexta-feira uma edição destinada a disparar a “última bala” contra a candidatura Dilma Rousseff.
A insistência em obter os autos do processo contra ela, dos tempos de ditadura, no Supremo Tribunal Federal e, depois, no STF, visa, essencialmente, dar cobertura a uma matéria que já está escrita.
Até porque grande parte deste processo está copiada nos arquivos da Universidade de Campinas e são de acesso público. Fazem parte da coleção “Brasil, nunca mais”, do Arquivo Edgard Leuenroth, daquela Universidade.
Neles, segundo o próprio diretor do Arquivo, Alvaro Bianchi, “, não há nada nesses processos que vincule diretamente Dilma Rousseff a ações armadas, como sequestros, expropriações ou atentados contra alvos civis e militares, nem mesmo a greves ou manifestações estudantis. Ao contrário. Mesmo seus inquisidores não conseguiram estabelecer esse vínculo, não restando –senão- acusá-la vagamente de ‘subversão’ ”.
O professor Bianchi é insuspeito, pois é a favor da liberação indiscriminada dos arquivos do STM. Mas também é contra sua manipulação:
- Suprimir a memória para não perder votos não é boa coisa. Falsificá-la para ganhá-los também não, escreveu ele, num artigo publicado na Carta Capital, onde descreve o conteúdo da documentação relativa a Dilma.
O professor pode ter suas razões. Nem mesmo concordo com elas, pois a revelação daquilo que foi dito – ou que se alegou terem dito – em sessões de torturas abomináveis viola de tal forma o direito das pessoas que só elas, individualmente, podem julgar se querem tornar público, como protesto, ou se aquilo fere a si ou a terceiros,
Afinal, se esta mesma imprensa acha abominável a quebra de sigilo fiscal, revelando aquilo que pessoas disseram à Receita Federal, como pode achar normal ter o direito de revelar detalhes do que foi obtido usando de vilências bárbaras? Ou o crime cometido da delegacia fiscal de Mauá é mais grave do que aquele que se cometeu nas câmaras de tortura do regime ditatorial?
A discussão, porém, não se dá nem neste plano das ideias. Não há um pingo de “direito à informação” ou liberdade jornalística neste episódio.
O material – tentando envolvê-la em casos de sangue, não posso afirmar se direta ou indiretamente- está pronto para ser publicado de forma a não ser respondido. Sexta-feira, calam-se os horários eleitorais. No final de semana das eleições, não há possibilidade razoável de contestação. Impera o silêncio, e falarão sozinhos o Jornal Nacional, a Veja, O Globo…
Não será a ética ou o amor pela verdade que os impelirá, nem também o que lhes impelirá.
A única dúvida que lhes resta é se isso adiantará para derrotar Dilma e eleger Serra.
Segundo informações, a matéria da Folha caiu. O teor do processo arquivado no STM é igual ao que existe na Unicamp, já divulgado. Não há novidade nenhuma! Por outro lado, o prof. Emir Sader confirma que a matéria será publicada na edição de amanhã.
Também há um movimento em São Paulo que prepara-se para, caso a Folha publique alguma matéria do tipo: "não pode-se confirmar, como também não pode-se desmentir", esse movimento acamparia na porta da Folha, na Barão de Limeira, até o final das eleições.
Quanto a um possível tumulto na passeata de FHC em São Paulo, devido a reforço na segurança, está praticamente descartada a hipótese.

Blog da campanha de Serra divulga vídeo sobre "o fim do Brasil" com eleição de Dilma

Um blog da campanha do tucano José Serra publicou anteontem um vídeo intitulado “2012: O fim está próximo”, no qual é “mostrado” o futuro do Brasil já com Dilma Rousseff (PT) na Presidência. “Se a Dilma se eleger, olhe o futuro que nos espera”. Chamado Vou de Serra 45, o blog está na página oficial do candidato do PSDB e usa imagens da propaganda petista no horário eleitoral.


“Em janeiro de 2011, com o País dividido, Dilma assume a Presidência do Brasil. Sua primeira ordem é para que a Receita Federal inicie uma perseguição implacável contra os aliados e familiares do candidato derrotado, José Serra”, começa o filme. “Serra viaja com a família para os EUA, onde encontra, 40 anos depois, novo exílio político. Dilma declara guerra contra São Paulo. Usando sua maioria no Congresso, consegue vetar o envio de recursos federais para o governo de São Paulo.”
O filme pula para julho de 2011 e mostra como Dilma – mais uma vez usando maioria no Congresso – vai aprovar Projetos de Lei para a descriminar o aborto e a taxação de impostos de todas as igrejas do Brasil: “De São Bernardo, Lula dá uma entrevista criticando a forma de governar de sua ex-ministra. O ex-presidente se diz traído. Dilma contra-ataca convocando uma coletiva para anunciar que a PF vai investigar Lula por indícios de corrupção”.
Blog está na lista de “Redes do Serra” no site oficial do candidato tucano
“2012 passa rápido”, afirma o locutor. Ele acrescenta que Dilma perde popularidade, declara guerra à imprensa e é criticada mundialmente. Em janeiro de 2013, e o Brasil bate recordes na fuga de capitais do País. Dentro do Congresso, o PMDB retira formalmente o apoio à presidente e a maioria muda de lado. José Serra articula, dos EUA, sua volta ao Brasil”.
Após conflitos em todo o País, “dezenas de estudantes são feridos, 13 são mortos. São Paulo, liderada por Geraldo Alckmin, toma a Praça da Sé com uma manifestação superior à das Diretas. A OAB entra com um pedido de impeachment contra a primeira presidente, que mais tarde – após mais conflitos – é aprovado no Congresso”.
Ao final, é mostrada a silhueta de uma pessoa segurando a bandeira do Brasil na janela de um avião, ao que o narrador diz: “Serra está de volta e é recebido por Lula e Fernando Henrique. A pista é tomada por uma multidão ensandecida”.
Rodrigo Alvares
By: Estadão
Comentário do Contramaré:  Esse lixo precisa, primeiro ser guardado para reapresentá-lo, tanto durante o mandato de Dilma, preferencialmente a cada êxito fantástico que ela obtiver; quanto no futuro, nas eleições de 2014, para que os brasileiros saibam exatamente quem são José Serra, que provavelmente não será mais o candidato da direita, e todos os que o apôiaram, incluindo Aécio Neves. Em segundo lugar, deve ser utilizado agora, para o envio de duas Representações; uma Eleitoral e outra Criminal; a serem assinadas pela Sociedade Civil organizada e pelo povo brasileiro. Isso é terrorismo! Terrorismo informativo, destinado ao objetivo comum a todo ato terrorista, gerar pânico coletivo; e os responsáveis pelo vídeo, juntamente com os que ajudaram em sua divulgação(José Serra e seu grupo político)precisam responder criminalmente pelo fato. Eu não estou jogando conversa fora! Isso precisa ser feito, agora ou depois das eleições, para que não se repita neste país! O vídeo explora os ranços mais reacionários da sociedade brasileira.

Serra pede que 'meninas bonitas' consigam votos de pretendentes


Ao encerrar o seu discurso em ato da campanha presidencial na tarde desta quinta-feira em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o candidato José Serra (PSDB) apelou até para as "meninas bonitas" irem a campo em busca dos votos dos seus pretendentes masculinos. E orientou as moças a usarem a internet.
"Quero me concentrar agora no que vamos fazer até domingo. Temos que não apenas votar, temos que ganhar voto de quem está indeciso, voto de quem não está ainda muito decidido do outro lado", disse, acrescentando que cada um dos seus apoiadores deve buscar ao menos mais um voto.
Disse que os que trabalham na saúde, área em que Serra atuou como ministro, podem conseguir cinco votos para ele. E acrescentou: "Se é menina bonita, tem que ganhar 15 [votos]. É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45".
By: Folha

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Eleições 2010 - Todo cuidado é pouco III

• 1968. O mundo, em ebulição revolucionária, assiste aos protestos dos jovens contra a Guerra do Vietnã, o conservadorismo, o capitalismo e a Igreja. Na América Latina, Brasil e outros países vivem “anos de chumbo”, governados por ditaduras militares, apoiadas pelos EUA.
Neste cenário, no dia 28 de março, foi assassinado o estudante Edson Luís de Lima Souto, no Rio de Janeiro.
Naquele dia, os estudantes realizavam uma manifestação contra o aumento dos preços do restaurante Calabouço, criado para atender alunos carentes e custeado pelo governo. Testemunhas contaram que Edson Luís, que nasceu no Pará e estudava no Rio de Janeiro, foi morto com um tiro à queima roupa. Diversos estudantes ficaram feridos e dois cidadãos foram atingidos pelos tiros “a esmo” dos policiais.
A morte de Edson Luís gerou uma onda de mobilizações e greves que se espalhou por todas as universidades do Rio de Janeiro e, logo, por todo o Brasil. Cerca de 50 mil pessoas acompanharam o enterro do estudante que se tornaria um mártir da luta contra a ditadura militar. A brutalidade e a inabilidade da polícia provocaram o repúdio até mesmo dos setores mais conservadores e da classe média. As cenas de violência, porém, estavam apenas começando.
Sete dias depois...
Dia 04 de abril, celebração da missa de sétimo dia da morte de Edson Luís. A polícia cerca e invade a Igreja de Nossa Senhora da Candelária. O repórter-fotográfico Alberto Jacob, que cobria a missa para o Jornal do Brasil, contou em entrevista à Revista de Comunicação, nº. 39: “Ouvi o tropel e vi os soldados vindo com cassetetes e espadas por cima de todo mundo”. Na correria, ele fotografou uma senhora com uma criança debaixo das patas de um cavalo – a foto mereceria a primeira página do jornal e prêmios jornalísticos, mas foi destruída pelos policiais, que espancaram e prenderam o repórter.
Diante da violência dos policiais, os padres que celebravam a missa se uniram, formando uma corrente para proteger os estudantes de mais agressões. Zuenir Ventura conta o episódio, num trecho de seu livro "1968: O ano que não terminou": ``Ainda paramentados com suas alvas, sobre as quais desciam as estolas roxas, porque era Quaresma, os 15 padres seguiam o vigário-geral, que por vezes tanto odiaram, nesse cortejo que caminhava lentamente em direção a um muro de cavalos indóceis e cavalarianos irascíveis``.
Bala, porrete... e marcha fúnebre
Nos meses seguintes, a revolta causada pelo assassinato de Edson Luís aumentou na mesma proporção que a repressão. Em junho, estudantes de todo o Brasil se mobilizaram contra a introdução da taxa de matrícula nas universidades federais. A gradativa transformação do ensino público em ensino pago era uma das exigências dos acordos firmados entre o governo militar e a Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos, o acordo MEC-USAID.
O projeto, a médio prazo, era transformar as universidades públicas em fundações – qualquer semelhança com a luta estudantil nos dias de hoje não é mera coincidência, há anos os organismos e nações imperialistas tentam implementar um modelo de ensino privatista e liberal, voltado para o mercado. Hoje, a luta dos movimentos estudantis é contra as mesmas propostas e o mesmo inimigo.
Ainda em junho, a repressão chegou ao limite. Depois de invadir uma assembleia clandestina, a polícia arrastou 400 estudantes para o campo do Botafogo, no Rio de Janeiro. Os relatos e imagens do que aconteceu naquele campo de futebol ainda impressionam: os soldados urinavam e batiam nos estudantes indefesos, deitados com as mãos na cabeça, e abusavam das jovens com cassetetes.
No dia seguinte, também no Rio, a população e os estudantes se enfrentaram com a polícia durante quase 10 horas. O episódio, conhecido como “Sexta-feira Sangrenta” deixou quatro mortos, vários baleados, espancados e presos. No dia 26, a Passeata dos Cem Mil tomou as ruas da capital, mas, por causa da grande adesão do povo, o governo decidiu não reprimir.
Em outubro, mais de 1.200 estudantes foram presos num congresso clandestino da UNE, em Ibiúna (SP) e um secundarista, José Guimarães, é morto em São Paulo, na chamada “Batalha da Rua Maria Antônia”, com grupos de ultra direita. Sem conseguir conter a revolta popular e estudantil, o general Costa e Silva aprofunda o regime criminoso e covarde que iria destruir a vida de milhares de jovens e ativistas brasileiros. No dia 13 de dezembro, ele edita o Ato Institucional nº 5 (AI-5), eliminando direitos individuais e permitindo ao poder executivo impor estado de sítio, fechar o Congresso, cassar mandatos políticos e aprofundar a censura.
Era uma “sexta-feira treze” e, como escreveu Zuenir Ventura, “nem a supertição podia adivinhar que aquele dia iria durar mais de uma década”.
Colaboração de Maurício Porto
By: PSB

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Datafolha: Dilma mantém 12 pontos de vantagem

A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, manteve 12 pontos percentuais de vantagem sobre seu adversário no segundo turno das eleições, o tucano José Serra, segundo pesquisa realizada e divulgada hoje pelo Datafolha. Ela aparece com 56%, contra 44% do tucano. O resultado, em votos válidos, é idêntico ao registrado no último levantamento do instituto, realizado no dia 21.
No total de intenções de voto houve leve oscilação: Dilma tem 49% contra 38% de Serra (na semana passada, a petista estava à frente com 50% a 40%).
A segmentação dos resultados do novo levantamento mostra que não foi eficiente a estratégia de Serra de reforçar sua presença no Sudeste e no Sul do país, o chamado "cinturão tucano", onde teve votação expressiva no primeiro turno.
No Sudeste, o tucano perdeu três pontos percentuais e agora é derrotado pela petista por 44% a 40%. No Sul, ele perdeu dois pontos percentuais, mas ainda vence Dilma --que cresceu dois pontos-- por 48% a 41%.
No Nordeste, ponto forte da petista, a distância entre os dois adversários, que oscilaram negativamente um ponto, ficou a mesma da pesquisa passada (37 pontos, ou 64% a 27%).
Desta vez, foram entrevistados 4.066 eleitores em 246 municípios em todos os Estados do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Pretendem votar em branco ou anular o voto 5% dos eleitores entrevistados (eram 4% no último levantamento), enquanto 8% dizem estar indecisos (contra 6% da última pesquisa).
Contratada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 37.404/2010. 
By: Folha

Eleições 2010 - Todo cuidado é pouco I

Nazistas forjam o incêndio do Reichstag

Em 27 de fevereiro de 1933, quatro dos mais poderosos homens da Alemanha estavam reunidos em dois jantares distintos. No seleto Herrenklub, o vice-chanceler Franz von Papen divertia-se com o presidente Paul von Hindenburg. Enquanto isso, na casa de Josef Goebbels, o recém-nomeado chanceler Adolf Hitler fora convidado para um jantar íntimo.
“De repente”, contou mais tarde Goebbels em seu diário, “recebemos uma telefonema do Dr. Hanfstaengl: O Reichstag está em chamas!”. Goebbels, a princípio, não acreditou, mas o jantar do Herrenklub ficava a poucos metros do Reichstag. “Subitamente”, escreveu Papen mais tarde, ”notamos um brilho vermelho nas janelas e ouvimos gritos na rua. Hindenburg e eu pudemos ver o edifício do parlamento alemão pegando fogo”.
Depois de várias ligações telefônicas, Goebbels e Hitler saíram correndo “a 100 quilômetros por hora pela Chaussee Charlottenburger, em direção ao local do crime”. Goering já estava no local. Transpirando e bufando, quase apoplético, gritava: “Este é um crime comunista contra o novo governo! Isto é o princípio da revolução comunista. Não devemos esperar um minuto. Não teremos piedade. Todo militante comunista deve ser morto onde for encontrado, todo deputado comunista deve ser enforcado nesta mesma noite”.
Do palácio do presidente do Reichstag, uma passagem subterrânea, construída para a canalização do sistema de aquecimento central, levava ao edifício. Através desse túnel, Karl Ernst, líder das SA (Sturmabteilung) em Berlim dirigiu naquela noite um pequeno destacamento das tropas de assalto, espalharam gasolina e substâncias químicas de autocombustão e regressaram rapidamente ao palácio. Um comunista holandês, piromaníaco, Marinus van der Lubbe, havia penetrado no imenso edifício às escuras, riscando alguns fósforos. Fora preso pelas S.A. poucos dias antes por ter se gabado num bar que tentaria incendiar o Reichstag.
A coincidência parece incrível, mas indícios posteriores provam que isto realmente aconteceu. Ficou provado no subseqüente julgamento em Leipzig que o holandês não possuía os meios necessários para atear rapidamente fogo em tão imenso edifício. Segundo o testemunho de técnicos no julgamento, o fogo foi ateado com considerável quantidade de gasolina e substâncias químicas. Um homem só não poderia tê-lo iniciado.
Van der Lubbe foi preso no local. Ernst Torgler, líder parlamentar comunista, apresentou-se no dia seguinte à polícia depois de Goering tê-lo acusado. Poucos dias depois, Georgi Dimitroff, um comunista búlgaro que mais tarde tornou-se primeiro-ministro de seu país, e dois outros comunistas búlgaros, foram presos. O julgamento dos búlgaros pela Suprema Corte de Leipzig converteu-se em um revés para os nazistas e sobretudo para Goering. Dimitroff, atuando em causa própria, transformou Goering num bobalhão com suas múltiplas perguntas. Irritado, gritou para o búlgaro: “Fora daqui, seu miserável!”
Torgler e os 3 búlgaros foram absolvidos. O líder alemão foi colocado sob custódia até sua morte. Van der Lubbe foi julgado culpado e decapitado.
Liberdades civis
No dia posterior ao incêndio, Hitler persuadiu o presidente Hindenburg a assinar um decreto “pela Proteção do Povo e do Estado”, apresentado como “medida defensiva contra os atos de violência dos comunistas”, suspendendo as sete seções da Constituição que garantiam as liberdades individuais e civis.
Dessa forma, com um só golpe, Hitler foi capaz não apenas de manipular legalmente seus adversários, como prendê-los, ao tornar oficial a ameaça comunista, levando milhares de cidadãos da classe média e do campo a um estado de pânico, medo de que se não votassem nos nazistas nas eleições da semana seguinte, os bolcheviques assumiriam o poder.
Foi a primeira experiência que os alemães tiveram do terror nazista. Caminhões carregados de S.A. rangiam pelas ruas da Alemanha, invadindo residências, arrebanhando vítimas, carregando-as para quartéis onde eram espancadas e torturadas. A imprensa e os comícios políticos dos comunistas foram suprimidos. Os jornais social-democratas e muitos periódicos liberais suspensos e os comícios dos partidos democráticos proibidos ou interrompidos.
*Com informações do livro Ascensão e Queda do III Reich (William Shirer).
Max Altman
Com a colaboração de Maurício Porto
By: OperaMundi

Eleições 2010 - Todo cuidado é pouco II

Atentado do Riocentro
O chamado atentado do Riocentro foi um frustrado ataque à bomba que seria perpetrado no Pavilhão Riocentro na noite de 30 de abril de 1981, por volta das 21 horas, quando ali se realizava um show comemorativo do Dia do Trabalhador.
As bombas seriam plantadas pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário e pelo então capitão Wilson Dias Machado, hoje coronel, atuando como educador no Colégio Militar de Brasília. Por volta das 21h00min, com o evento já em andamento, uma das bombas explodiu dentro do carro onde estavam os dois militares, no estacionamento do Riocentro. O artefato, que seria instalado no edifício, explodiu antes da hora, matando o sargento e ferindo gravemente o capitão Machado.
Na ocasião o governo culpou radicais da esquerda pelo atentado. Essa hipótese já não tinha sustentação na época e atualmente já se comprovou, inclusive por confissão, que o atentado no Riocentro foi uma tentativa de setores mais radicais do governo (principalmente do CIE e o SNI) de convencer os setores mais moderados do governo de que era necessária uma nova onda de repressão de modo a paralisar a lenta abertura política que estava em andamento.
Uma segunda explosão ocorreu a alguns quilômetros de distância, na miniestação elétrica responsável pelo fornecimento de energia do Riocentro. A bomba foi jogada por cima do muro da miniestação, mas explodiu em seu pátio e a eletricidade do pavilhão não chegou a ser interrompida.
Esse episódio é um dos que marcam a decadência do regime militar no Brasil, que daria lugar dali a quatro anos ao restabelecimento da democracia.
Várias medidas estranhas tomadas no dia em que se realizaria o show indicam que o atentado envolveu a participação estratégica de muitas pessoas, militares e civis, e que já vinha sendo planejado detalhadamente pelo menos um mês antes.
A poucas horas do início do evento, a segurança do pavilhão era parca em relação ao habitual. O tenente César Wachulec, chefe da segurança do Riocentro, recebeu naquele dia uma ordem para controlar exclusivamente o movimento das bilheterias. A coordenação geral dos seguranças foi transferida para um outro funcionário, um mecânico sem qualquer experiência na área. Um mês antes disso, o antecessor do tenente Wachulec fora demitido sem justificativas. Seu nome era Dickson Grael (pai de Lars e Torben Grael), coronel do Exército e bastante experiente nesse tipo de serviço.
A Polícia Militar costumava destacar homens para patrulhar eventos no Riocentro, assim como em qualquer outra grande aglomeração de pessoas. Mas no dia do atentado o policiamento fora suspenso pouco antes do show. A justificativa foi a de que, por ser um evento privado, a responsabilidade pela segurança era exclusiva dos organizadores.
O carro que carregava a bomba - um Puma cinza-metálico - fora visto na tarde daquele mesmo dia no restaurante Cabana da Serra, que ficava num ponto isolado da estrada Grajaú-Jacarepaguá, parado junto a outros seis carros. Desses carros desceram cerca de quinze homens, que usaram uma mesa do restaurante para examinar um grande mapa. Depois de perceber que vários dos homens carregavam armas na cintura, um dos funcionários resolveu ligar para a polícia. Uma viatura atendeu o chamado mas, dada a superioridade numérica dos homens, limitou-se a anotar as placas enquanto pedia reforços. Mas os carros abandonaram o local antes que outros policiais chegassem.
No dia fatídico várias placas de trânsito num trajeto que leva ao Riocentro foram pichadas com a sigla VPR. Provavelmente foram os próprios envolvidos no atentado que as vandalizaram enquanto encaminhavam-se para o pavilhão. A VPR - Vanguarda Popular Revolucionária - foi um grupo de guerrilha de esquerda, mas já havia sido desmantelado em 1972, quando a maioria dos seus integrantes foi morta. As pichações foram uma tentativa de culpar militantes de esquerda pelas explosões.
O Puma levava dois passageiros, o capitão Wilson Luís Alves Machado e o sargento Guilherme Pereira do Rosário. Ambos integravam o DOI do I Exército, no Rio de Janeiro e o sargento Rosário era treinado em montagem de explosivos.
Quando o carro começou a sair da vaga onde estacionara no Riocentro, provavelmente já para plantar a bomba, o artefato explodiu antecipadamente. A explosão inflou o teto do carro e esbugalhou as portas. O sargento Rosário faleceu, enquanto que o capitão Machado sobreviveu. Ele se jogou para fora do carro e pediu para ser levado a um hospital.
Muitas pessoas se aglomeraram em volta do carro. Alguns dos espectadores, inclusive o tenente Wachulec, viram um homem retirar do interior do carro duas granadas do tipo cilíndrico usado pelo Exército Brasileiro.
A explosão não chamou a atenção do público que assistia o show dentro do Riocentro. Curiosamente, a segunda explosão, que aconteceu na caixa de força da estação elétrica, pôde ser ouvida dentro do pavilhão como um ruído abafado. Os artistas só eram avisados sobre o atentado à medida que deixavam o palco e de forma discreta. A platéia só foi informada perto do final do show, quando o compositor e cantor Gonzaguinha subiu ao palco e disse:
"Pessoas contra a democracia jogaram bombas lá fora para nos amedrontar."