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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quem semeia terrorismo colhe atentados

Osvaldo Bertolino: Quem semeia terrorismo colhe atentados

Por Osvaldo Bertolino, em seu blog

A violência que choca o mundo tem duas vias: a que leva injustiças, ameaças e carnificinas e a que traz retaliações com o mesmo teor. Fazem parte do caminho por onde circulam a estupidez, a ganância e a tentativa de manter uma ordem mundial obsoleta e geradora de crises cada vez mais profundas e desumanas.

Por qualquer ângulo que se olhe para os atentados em ParisFrança, que deixaram quase cento e trinta mortos e três centenas de feridos, oitenta em estado grave, é impossível não ver um crime repugnante. Mas é preciso olhar também para o passado recente da política norte-americana para o Oriente Médio, quando o governo do presidente George W. Bush atuou como um “serial killer”, atacando e ameaçando todos os países que não se alinhavam com o seu regime. Bush, certamente, não era um mero sujeito que bebia sim e ia… hic… vivendo, enquanto muita gente estava morrendo.

Ele era isso tudo e agia como um típico líder do Partido Republicano, que não dava a menor importância às pessoas individualmente. Essa facção dominante do Estado norte-americano inclui entre seus líderes os altos chefes militares e deixou como legado a política externa agressiva que o governo do democrata Barak Obama tem mantido. Os senhores da guerra hoje são, pela natureza daquele regime, uma importante fonte de poder.

ordem militar, até a década de 1950 uma instituição débil, transformou-se no escalão mais importante e mais caro dos Estados Unidos. No governo Bush, os sorridentes homens de relações públicas praticamente saíram de cena e apareceu a face da sinistra burocracia instalada na máquina de guerra. Todos os fenômenos políticos e econômicos passaram a ser julgados à luz das interpretações militares da realidade. O “realismo militar” dos chefes militares instalados no poderoso Estado-Maior Conjunto transformou-se no guia mais inspirado do grupo dirigente do país.

Capital em grande escala

Desde os anos da Segunda Guerra Mundial, essa força ampliou seu campo de ação em assuntos relativos à política exterior e doméstica do país e atualmente pode-se dizer que a ordem militar do Estado-Maior Conjunto está solidamente instalada no Estado. Existem dois governos nos Estados Unidos: o que informa o mundo pelos jornais e as televisões, e as crianças nos livros escolares, e o que conduz a espionagem e a rede de informações, um aparato maciço que emprega centenas de milhares de pessoas secretamente e conduz a política externa do país.

Esse governo invisível emergiu das imposições dos Estados Unidos no pós-Segunda Guerra Mundial. Os demais países centrais, exaustos pela guerra, foram obrigados a aceitar essa ordem em troca de ajuda para a sua reconstrução. Assim, os Estados Unidos deixaram de ser apenas mais um agregado no conjunto de países que lutavam por pedaços do mundo e passaram a ocupar o pico de uma pirâmide solidamente dirigida por eles. As regras desse jogo foram definidas num momento privilegiado para o grande país americano.

Nenhum representante do chamado Terceiro Mundo participou desses tratados. A Europa, destruída por duas grandes guerras num curto espaço de tempo, não estava em condições de se opor à grande capacidade de produção norte-americana proporcionada pela Segunda Revolução Industrial – que dotou o país de uma poderosa e inovadora indústria. Na Ásia, o Japão, destroçado pela guerra, foi ocupado pelos Estados Unidos, que ditaram o rumo da sua reconstrução.

Esse processo do pós-Segunda Guerra Mundial que desencadeou a dominação norte-americana no chamado mundo ocidental, portanto, levou o capitalismo a uma transformação profunda. No final dos anos 1940, somente os Estados Unidos estavam em condições de exportar capital em grande escala. E o país usou essa condição privilegiada para manter sob o seu controle as rédeas num mundo que buscava alternativas ao seu modelo político e econômico.

Pratos da balança da Guerra Fria

Na Europa, o projeto social-democrata procurou adaptar a economia planejada à tradição comercial liberal do velho continente. No Japão, o Estado se reforçava para desempenhar um papel de destaque no planejamento econômico. E cerca de um terço da população mundial rompeu com esses paradigmas e se juntou à União Soviéticapara reforçar o sistema de economia totalmente planificada.

Desde então, os Estados Unidos intervieram em vários países e promoveram uma feroz cruzada anticomunista. A derrota da experiência socialista, depois de ela surgir triunfante e ter parecido realmente capaz de superar o capitalismo — especialmente nos dois pós-guerras —, fez com que o domínio norte-americano da pirâmide mundial passasse a ser ainda mais ditatorial.

Com a derrocada de um dos pratos da balança da Guerra Fria, a oposição aos ditames de Washington praticamente desapareceu. Hoje, os países que se contrapõem a essa ofensiva ainda são frágeis internacionalmente. E a consciência anti-imperialista das massas é algo que, embora veloz e ampla, ainda está se formando. Ela parece mais viçosa nos países do Oriente Médio. Uma das explicações para esse fenômeno talvez seja o histórico de lutas dos povos árabes contra as invasões ocidentais do século XX.

Prioridade da política exterior de Washington

O Oriente Médio sempre despertou o interesse dos impérios por ser uma rica fonte de matéria-prima e estar no entroncamento de três continentes. Já no pós-Primeira Guerra Mundial, os trustes norte-americanos se empenharam em conseguir ali concessões petroleiras, apesar da resoluta oposição da Inglaterra e da França – países que controlavam a região.

Em 1940, as petroleiras inglesas controlavam 72% de todas as reservas de petróleo exploradas, enquanto as empresas norte-americanas controlavam 9,8%. No pós-Segunda Guerra Mundial, a região passou a ser um dos principais pontos de prioridade da política exterior de Washington. Por estar nas proximidades da Rússia e da China, o Oriente Médio também sempre mereceu atenção dos Estados Unidos quanto à influência de ideias que poderiam se traduzir em ações concretas de anti-imperialismo.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos iniciaram uma série de “tratados” e “pactos” envolvendo Inglaterra, França e alguns países da região – com o intuito de jogá-los uns contra os outros. No centro da estratégia imperialista estava oEstado de Israel, que desde a sua criação agiu como força de choque da política imperialista no Oriente Médio.

Reserva de ódio, medo e desesperança

Segundo dados do Instituto Internacional de Estocolmo de Estudos para a Paz, nos cinco anos transcorridos depois da guerra de outubro de 1973 entre Israel e seus vizinhos árabes os países pró-Estados Unidos do Oriente Médio receberam 70% de todas as armas norte-americanas exportadas para os países do chamado Terceiro Mundo. Em 1979, o Irã fez a revolução que derrocou o regime dos Estados Unidos no país e desencadeou mais uma onda de ações anti-imperialistas na região.

No mesmo ano, o conflito no Afeganistão, ocupado por forças militares soviéticas, marcou mais uma etapa da presença dos Estados Unidos no Oriente Médio – que armaram grupos fundamentalistas para combater os invasores. Mais tarde, esses grupos angariaram para si o resultado de toda uma reserva de ódio, medo e desesperança e levaram a efeito o ataque terrorista do dia 11 de setembro de 2001.

E rezaram por uma reação violenta por parte dos Estados Unidos, que terminará mobilizando outros em torno de sua causa. E assim o mundo entrou num círculo vicioso — um efeito gerando outro e mergulhando os povos na hedionda “guerra infinita” de Bush. Os terroristas fundamentalistas compartilham de um ódio que é sentido em todo o Oriente Médio pela presença norte-americana em países da região, pelo apoio dos Estados Unidos às atrocidades cometidas por Israel contra o povo palestino e pela devastação da sociedade civil no Iraque e no Afeganistão.

Encrenqueiro vizinho do norte

carnificina de Bush e seus aliados no Iraque, portanto, chocou porque, primeiro, ela foi cruenta e, depois, porque criou assustadoras perspectivas. Foi, a rigor, uma guerra contra os povos — uma vez que não há, no curto prazo, nenhum outro motivo para tamanha insanidade. As velhas senhoras do continente europeu — em particular aInglaterra — parecem não estar dispostas a perder o sono em decorrência desse conflito.

A oposição à guerra por parte da França, Alemanha e Rússia foi importante, mas não há indícios de que esses países estão a fim de usar seu poderio — inclusive bélico, uma das garantias de suas posições no cenário global —, em favor de uma ordem mundial mais equilibrada e de paz, apesar da salutar presença russa na Síria. Outra coisa não faz a política de grupos como a Otan e a OMC. A pirâmide de poder dessas potências funciona pela regra da força bruta, pela qual chora menos quem pode mais.

Nosso incômodo e encrenqueiro vizinho do norte também sempre ameaçou a América latina. A própria constituição dos Estados Unidos como nação encerra uma contradição entre o que foi proclamado dia 4 de julho de 1776, quando o povo norte-americano aprovou a Declaração de Independência, e a política exterior da jovem pátria. As premissas do expansionismo continental norte-americano foram criadas com as guerras contra a população indígena e as reivindicações dos latifundiários do sul do país de ampliar o território avançando pelas fronteiras de seus vizinhos.

Doutrina do direito natural

William Foster, estudioso da história política do continente americano, diz que o próprio nome do país — Estados Unidos da América — expressa suas pretensões panamericanas. Já no começo do século XIX, a contradição entre os princípios humanitários e democráticos proclamados pela Declaração de Independência e a política exterior do jovem Estado levou à renúncia das suas tradições libertárias. A doutrina do direito natural de todos os povos decidirem seu próprio destino — um dos fundamentos da Declaração de Independência — passou a ser interpretada de modo a justificar como “natural” o expansionismo norte-americano. Para os dirigentes dos Estados Unidos, essa doutrina dava ao país o direito de encarar o continente como sua área de influência direta.

Com esse argumento, a princípio os presidentes Thomas Jefferson e John Adams“compraram” a Luisiana — que pertencia à França — e ocuparam a Flórida — que pertencia à Espanha. Depois, no dia 2 de dezembro de 1823, com a mensagem do presidente James Monroe ao Congresso foi proclamada a famosa “Doutrina Monroe” — que expressa sem ambiguidades as pretensões norte-americanas à hegemonia em todo o hemisfério ocidental.

Em Deus nós confiamos

Desde então, a propaganda imperialista invocou esses princípios para justificar as ações políticas e militares extraterritoriais dos Estados Unidos. Para os meios de comunicação fortemente vinculados ao poder econômico, os norte-americanos têm o dever natural e sagrado de levar as suas tradições liberais e “democráticas” aos povos “incultos” do resto do mundo.

Por mais simplista e racista que esse pensamento possa parecer, ele é abertamente proclamado no país desde a instauração do chamado “Destino Manifesto” — uma “teoria” que surgiu e se difundiu nos Estados Unidos na metade do século XIX, segundo a qual os norte-americanos nasceram para ser o melhor povo do mundo. É muito forte a influência da religião nessa “teoria”, um destino que teria sido profetizado pela“providência divina”.

O Estado norte-americano leva ao pé da letra a frase “In God we trust (Em Deus nós confiamos)” impressa em cada nota do dólar. Na Casa Branca de Bush, por exemplo, as reuniões ministeriais começavam com uma oração e frases bíblicas sempre apareciam em seus discursos. Em sua gestão, Bush propôs a canalização de recursos sociais para entidades religiosas, a autorização de preces e sermões em escolas públicas, o subsídio a faculdades geridas por grupos religiosos e o financiamento do trabalho de entidades religiosas em presídios.

Aparato de propaganda norte-americano

Essa grande ofensiva jamais feita, apesar da tradição religiosa do país, contraria a separação entre igreja e Estado, um dos princípios basilares consagrado na Primeira Emenda à Constituição. Mas os presidentes norte-americanos certamente não são reféns da fé e pode-se dizer que a rigor eles tomam o nome de Deus em vão. Por trás de sua política estão os interesses de uma parcela significativa da economia que lidera o mundo. Essa simbiose é histórica.

A ideologia do “Destino Manifesto” age como um poderoso elemento mobilizador da energia do país para a conquista de novos territórios. Ao longo da história, ela foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norte-americano. No século XX — particularmente na sua segunda metade — essa ideia, traduzida emanticomunismo sem escrúpulo, permeou a propaganda norte-americana. E isso explica a visão dominante no país de que o restante do planeta — sobretudo o chamado Terceiro Mundo — é cultura e economicamente subdesenvolvido.

Essa propaganda ganhou, evidentemente, novos contornos desde a queda do muro de Berlim. Mas sua essência permanece a mesma e se constitui, basicamente, em levar a “democracia” aos países que recusam a cartilha de Washington e em “ensinar” os “segredos” da boa gestão econômica. O aparato de propaganda norte-americano, por exemplo, contra todas as evidências diz que sua força militar e diplomática atua no mundo em missão modernizadora e libertária. Mesmo quando os fatos insistem em desmenti-lo, nas entrelinhas essa ideia é largamente difundida.

Propaganda sub-reptícia

As duas principais revistas brasileiras — a “Veja” e a “Época” —, por exemplo, publicaram, simultaneamente, uma entrevista e um artigo com “especialistas” norte-americanos proclamando as “boas intenções” dos Estados Unidos em sua cruzada imperialista. Na primeira, o “guru” do ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney, o professor emérito da Universidade Princeton Bernard Lewis, chegou a dizer que as chances de a “democracia” criar raízes no Oriente Médio “são boas”.

No segundo, o diretor de “Estudos Latino-Americano do Conselho de Relações Exteriores de Nova York”, Kenneth Maxwell, diz que o principal perigo da guerra é colocar em risco “a vida de jovens corajosos nas estradas poeirentas do Iraque e nas ruas de Bagdá”. Essa propaganda sub-reptícia permeia todo o noticiário da mídia. Os Estados Unidos aprimoraram o sentido de propaganda política nos últimos anos. Desde que as trevas sobre a terra dos computadores começaram a encontrar seu fim, o aparato de mídia do país ganhou um poderio jamais visto.

Mas por trás dessa tecnologia poderosa e inovadora se encontram imensas contradições. As facilidades que uma tela com ícones autoexplicativos plugados com o mundo oferece para um lado, também existem — evidentemente guardadas as continentais diferenças conferidas pelo poder econômico — para o outro. Cabe, a bem da luta progressista e democrática, uma grande campanha para difundir o poderio que esse admirável mundo novo das comunicações oferece.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

EUA usam tráfico de drogas como fonte para financiar guerras


 

 Após várias décadas da "guerra contra as drogas", acompanhada por um custo colossal em vidas humanas e recursos materiais, os narcotraficantes hoje são mais fortes do que nunca e controlam um território maior do que em qualquer época.

Por Salvador Capote


Nos últimos seis anos, ocorreram no México mais de 47 mil assassinatos relacionados ao tráfico de drogas. O número de mortes foi de 2.119, em 2006, para cerca de 17 mil, em 2011. 

Em 2008, o Departamento de Justiça estadunidense advertiu que as OTDs (Organizações de Tráfico de Drogas), vinculadas a cartéis mexicanos, estavam ativas em todas as regiões dos Estados Unidos. Na Flórida atuam máfias associadas ao cartel do Golfo, aos Zetas e à Federação de Sinaloa. Miami é um dos principais centros de recepção e distribuição de drogas. Além dos mencionados, outros cartéis, como o de Juárez e o de Tijuhana, operam nos Estados Unidos.

Os cartéis do México ganharam maior força depois que substituíram os colombianos de Cali e Medellín nos anos 1990 e controlam agora 90% da cocaína que entra nos Estados Unidos. O maior estímulo ao narcotráfico é o alto consumo estadunidense. Em 2010, uma pesquisa nacional do Departamento de Saúde revelou que aproximadamente 22 milhões de estadunidenses maiores de 12 anos consomem algum tipo de droga.

Esses, que são apenas alguns dos mais inquietantes dados estatísticos, permitem questionar a eficácia da chamada "guerra contra as drogas". É impossível crer que exista realmente uma vontade política para por fim a este flagelo universal quando observamos o papel desempenho o narcotráfico a serviço da contra-revolução, para a expansão das transnacionais e para as ambições geopolíticas dos Estados Unidos e outras potências.

Tráfico da CIA


Repassemos, em síntese, a história recente. A administração de Richard Nixon, ao iniciar a "guerra contra as drogas" (1971), desenvolve ao mesmo tempo o tráfico de heroína no Sudeste Asiático com o propósito de financiar suas operações militares nessa região.

A heroína produzida no Triângulo de Ouro (de onde se unem as zonas montanhosas do Vietnã, Laos, Tailândia e Myanmar) era transportada em aviões da “Air America”, propriedade da CIA (Agência Central de Inteligência). Em uma conferência de imprensa televisionada em primeiro de junho de 1971, um jornalista perguntou a Nixon: "Senhor presidente, o que você fará com as dezenas de milhares de soldados estadunidenses que regressam viciados em heroína?"

As operações do "Air America" continuaram até a queda de Saigon em 1975. Enquanto a CIA transportava ópio e heroína do Sudeste Asiático, o tráfico e consumo de drogas nos Estados Unidos se convertia em tragédia nacional. O presidente Gerald Ford solicitou ao Congresso, em 1976, a aprovação de leis que substituíssem a liberdade condicional com a prisão, estabelecessem condenações mínimas obrigatórias e negassem as fianças para determinados delitos envolvendo drogas. 

O resultado foi um aumento exponencial do número de condenados por delitos relacionados com o tráfico e consumo de drogas e, por conseguinte, conversão de Estados Unidos no país com maior população prisional do mundo. O peso principal desta política punitiva caiu sobre a população negra e outras minorias.

As administrações estadunidenses durante os anos 1980 e 1990 apoiaram a governos sul-americanos envolvidos diretamente no tráfico de cocaína. Durante a administração Carter, a CIA interveio para evitar que dois dos chefes do cartel de Roberto Suárez (rei da cocaína) fossem levados a juízo nos Estados Unidos. Ao ficar livres, puderam regressar à Bolívia e atuar como protagonistas no golpe de estado de 17 de julho de 1980, financiado pelos barões da droga. A sangrenta tirania do general Luis García Meza foi apoiada pela administração de Ronald Reagan.
 

A participação mais conspícua da administração Reagan no narcotráfico foi o escândalo conhecido como "Irã-Contras" cujo eixo mais propagandeado foi a obtenção de fundos para financiar o conflito nicaragüense mediante a venda ilegal de armas ao Irã, mas está bem documentado, ademais, o apoio de Reagan, com este mesmo propósito, ao tráfico de cocaína dentro e fora dos Estados Unidos.
 

O jornalista William Blum explica essas conexões em seu livro "Rogue State". Na Costa Rica, que servia como Frente Sul dos "contras" (Honduras era a Frente Norte) operavam várias redes "CIA-contras" envolvidas com o tráfico de drogas.
 

Estas redes estavam associadas com Jorge Morales, colombiano residente em Miami. Os aviões de Morales eram carregados com armas na Flórida, voavam à América Central e regressavam carregados de cocaína. Outra rede com base na Costa Rica era operada por cubanos anti-castristas contratados pela CIA como instrutores militares. Esta rede utilizava aviões dos "contras" e de uma companhia de venda de camarões que lavava dinheiro da CIA, no translado da droga aos Estados Unidos.
 

Em Honduras, a CIA contratou a Alan Hyde, o principal traficante nesse país ("o padrinho de todas as atividades criminais" de acordo com informações do governo dos Estados Unidos), para transportar em suas embarcações abastecimento aos "contras". A CIA, de volta, impediria qualquer ação contra Hyde de agências anti-narcóticos.
 

Os caminhos da cocaína tinham importantes estações, como a base aérea de Ilopango, em El Salvador. Um ex-oficial da CIA, Celerino Castillo, descreveu como os aviões carregados de cocaína voavam em direção ao norte, aterrizavam impunemente em vários lugares dos Estados Unidos, incluindo a base da Força Aérea no Texas, e regressavam com dinheiro abundante para financiar a guerra. 


"Tudo sob o guarda-chuva protetor do governo dos Estados Unidos". A operação de Ilopango se realizava sob a direção de Félix Rodríguez (aliás, Max Gómez) em conexão com o então vice- presidente George H. W. Bush e com Oliver North, quem formava parte da equipe do Conselho de Segurança Nacional de Reagan.
 

Em 1982, o diretor da CIA, William Casey, negociou um "memorando de entendimento" com o fiscal geral, William French Smith, que exonerava a CIA de qualquer responsabilidade relacionada às operações de tráfico de drogas realizadas por seus agentes. Este acordo esteve em vigor até 1995.
 

Reagan e seu sucessor, George H. W. Bush, patrocinaram o "homem da CIA no Panamá", Manuel Noriega, vinculado ao cartel de Medellín e à lavagem de grandes quantidades de dinheiro procedentes da venda da droga. Quando Noriega deixou de ser útil e se converteu em estorvo, os Estados Unidos invadiram o Panamá (20 de dezembro de 1989) em um bárbaro ato sem precedentes contra o direito internacional e a soberania de um país pequeno.
 

Michael Ruppert, jornalista e ex-oficial do setor de narcóticos, apresentou em 1997 uma larga declaração, acompanhada de provas documentais aos comitês de inteligência ("Select Intelligence Committees") de ambas Câmaras do Congresso. Em um dos parágrafos afirma: "A CIA traficou drogas não só durante a época dos "Irã-contras", mas o tem feito durante todos os cinqüenta anos de sua história. Hoje lhes apresentarei evidências que demonstrarão que a CIA, e muitas figuras que se fizeram célebres durante o 'Irã-contras', como Richard Secord, Ted Shackley, Tom Clines, Félix Rodríguez e George H. W.Bush, venderam drogas aos estadunidenses desde a época do Vietnã."
 

Em 1999, sob a administração de Bill Clinton, os Estados Unidos bombardearam impiedosamente o povo iugoslavo durante 78 dias. De novo aqui aparece o narcotráfico no fundo das motivações. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e seus homólogos da Alemanha e Grã-Bretanha utilizaram o tráfico de heroína para financiar a criação e o equipamento do Exército de Libertação de Kosovo. 


A heroína proveniente da Turquia e da Ásia Central passava pelo Mar Negro, Bulgária , Macedônia e Albânia (Rota dos Balcãs) com destino a Itália. Com a destruição da Sérvia e o fortalecimento – desejado ou não – da máfia albanesa, a administração Clinton deixava livre o caminho da droga desde o Afeganistão até a Europa Ocidental. De acordo com informes da DEA e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, cerca de 80 % da heroína que se introduz na Europa passa através de Kosovo.
 

"Planos" Colômbia

Várias administrações estadunidenses, e em particular a de George W. Bush, foram cúmplices do genocídio na Colômbia. A "guerra contra as drogas" sustentada pelos Estados Unidos com recursos financeiros multimilionários, assistência técnica e volumosa ajuda militar, não conseguiu deter o fluxo de cocaína e, pelo contrário, tem sido determinante no surgimento e desenvolvimento dos grupos paramilitares a serviço dos proprietários de terras com plantações de drogas, e também como pretexto para manter o domínio sobre os trabalhadores e a população camponesa. 


O Plano Colômbia resultou num completo fracasso, mas serviu como tela de fundo para a ingerência dos Estados Unidos no país e mostrou claramente seu verdadeiro objetivo, a contra-revolução.
 

Muitas vezes se esquece que o narcotráfico é provavelmente o negócio mais lucrativo dos capitalistas. Com a guerra na Colômbia lucram as empresas químicas que produzem os herbicidas, a indústria aeroespacial que abastece helicópteros e aviões, os fabricantes de armas e, em geral, todo o complexo militar-industrial. Os bilhões de dólares que gera o tráfico ilegal de drogas, também incrementam o poder financeiro das corporações transnacionais e da oligarquia local.
 

A recente declaração do Secretariado de Estado Maior Central das FARC-EP, em vista do quadragésimo oitavo aniversário do início da luta armada rebelde, denuncia este vínculo drogas-capital: "os dinheiros do narcotráfico se convertem em terras, inundam a banca, as finanças, os investimentos produtivos e especulativos, a hotelaria, a construção e a contratação pública, resultando funcionais e necessários no jogo de captação e circulação de grandes capitais que caracteriza a capitalismo neoliberal de hoje. Igualmente ocorre na América Central e no México."
 

O Tratado de Livre Comércio Estados Unidos-México (Nafta) obrigou numerosos camponeses, ante a competitividade de produtos agrícolas estadunidenses, a cultivar em suas terras papoula e maconha. Outros, frente à alternativa de trabalho escravo nas indústrias "maquiladoras", preferem ingressar nas redes mafiosas da droga. 


O grande aumento do tráfico de mercadorias através da fronteira e dos controles bancários para combater o terrorismo, provocou a lavagem de dinheiro dos bancos até as corporações comerciais. A complexidade e o volume das operações financeiras, e o fluxo instantâneo e constante de capitais "on line", tornam extremamente difícil seguir o rastro das transações ilícitas.
 

Uma das conseqüências do Nafta é a impunidade quase total que acompanha o fluxo de narcodólares em ambos os lados da fronteira. Igualmente como no México, o Tratado de Livre Comércio recentemente em vigor na Colômbia estimulará a violência, o narcotráfico e a repressão sobre os trabalhadores e camponeses. A "Iniciativa Mérida", por sua vez, é somente a versão 'México-Centroamericana' do Plano Colômbia.
 

Devemos meditar sobre o fato de que em todos os cenários de onde os Estados Unidos têm intervido militarmente, principalmente naqueles onde tem ocupado a sangue e fogo o território, o narcotráfico, sem diminuir, como seria de esperar, está multiplicado e fortalecido. No Afeganistão, o cultivo de papoula se reduziu drasticamente durante o governo dos talibãs para alcançar logo, sob a ocupação estadunidense, um crescimento acelerado. 


O Afeganistão é atualmente o primeiro produtor de ópio do mundo, mas, ademais, já não exporta somente em forma de pasta para seu processamento em outros países, mas fabrica a heroína e a morfina em seu próprio território.
 

Se nos atemos aos fatos históricos, poderíamos afirmar que a política dos Estados Unidos não tem sido a de "guerra contra as drogas", senão a de "drogas para a guerra".




Tradução: Eduardo Sales de Lima
Fonte:Vermelho,  brasildefato
Imagem: Google
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 A CIA controla o tráfico de droga no Afeganistão... 

 Do Blog Octopus


A recente revelação, de que o irmão (implicado no tráfico de droga) do actual presidente do Afganistão, Hamid Karzai, era pago desde há 8 anos pela CIA, vem confirmar o que muitos vinham denunciando: a CIA é quem controla o trafico de ópio afegão.


Para além dos interesses geoestratégicos, do controle do petróleo e do gás, a invasão do Afganistão, teve também como objectivo o controle da produção de ópio.

A CIA e a Droga...


Um artigo do "The New York Times" de 27 de outubro de 2009, revela que Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente do Afganistão, é pago desde há 8 anos pela CIA para desempenhar vários serviços, entre os quais, a formação de um grupo paramilitar incombido de realizar ataques contra oponentes talibans na região de Kandahar. Este é suspeito desde há muito de tráfico de droga.

http://www.nytimes.com/2009/10/28/world/asia/28intel.html?_r=1&ref=world


Afeganistão, o maior produtor mundial de ópio. 

Antes da guerra entre a URSS e o Afganistão (1979-1989), a produção de ópio era quase nula no Afganistão, assim como aliás no Paquistão. Mas no início de 1979, as operações clandestinas da CIA estimularam a sua produção, sobretudo junta da fronteira entre o Paquistão e o Afganistão, tornando-se a primeira fonte mundial de heroína, fornecendo 60% do consumo americano.

Com a chegada ao poder dos talibans, a produção de ópio tinha caido 90% em 2001, em grande parte por causa dos seus vários planos de irradicação do tráfico de droga. Esta proibição, desencadeou "o inicio de uma penúria de heroina na Europa nos finais de 2001" como admitiu então a ONU.


Com a invasão do Afeganistão pela NATO, a produção não mais parou de subir, até atingir níveis nunca antes alcançados e fazendo do Afganistão o fornecedor de 94% do ópio mundial. Isto só foi possível porque a CIA passou a controlar a sua produção e exportação.


Veja o post completo em:http://octopedia.blogspot.pt/2009/11/cia-controla-o-trafico-de-droga-no.html

http://burgos4patas.blogspot.com.br/2012/06/eua-usam-trafico-de-drogas-como-fonte.html

domingo, 25 de setembro de 2011

Guerras, armas do Capitalismo

Sugestão do leitor João Rocha, de Caraguatatuba


A UTILIZAÇÃO INCESSANTE DE GUERRAS CONTINUA SENDO AINDA HOJE A MAIOR ARMA DO CAPITALISMO PARA A SUA MANUTENÇÃO EM PERÍODOS DE CRISE.



Arrochos financeiros, enxugamento de maquinas publicas, aumentos de juros, e ajuda financeira com dinheiro publico a instituições multilaterais, é apenas a menor parcela da ajuda dada aos apelos inaudíveis postos pelo capitalismo moderno. A instituição da guerra responde sempre como a estratégia mais sólida desse modelo de sociedade, pautado na exploração do homem pelo homem no lucro desmedido e na expansão dos mercados consumidores...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Áureo pecado



A fraqueza da ONU perante o ímpeto bélico-econômico dos EUA junto ao Iraque legitimou os yankees como a polícia do mundo. O Conselho de Segurança votou contra a invasão até a última instância - não pela paz, mas preocupado com os contratos que os países-membros tinham com o Iraque....