Mostrando postagens com marcador Inteligência Artificial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inteligência Artificial. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de abril de 2019

A máquina Enigma de nossos tempos


A máquina “Enigma” ficou famosa por ter sido utilizada pelos nazistas na Segunda Guerra, para codificar mensagens de modo quase indecifrável. 

Seu funcionamento baseava-se em de três rotores intercambiáveis, possibilitando mais de 105 mil combinações possíveis para criptografar uma mensagem.

A máquina teria seu mecanismo totalmente desvendado em 1940 por matemáticos britânicos. Entre eles, Alan Turing, conhecido por ser um dos primeiros idealizadores do computador.

Mas o trabalho de decodificação começou com matemáticos poloneses, em 1933. Bem antes da guerra, portanto. Afinal, já naquela época, Hitler não escondia seus planos macabros de ninguém.

Os tempos em que vivemos também têm sua própria máquina Enigma. E muitos fascistas por trás dela. São os algoritmos das redes virtuais, cada vez mais onipresentes na vida social.

O problema é que demoramos demais a descobrir não apenas o código, mas a própria existência da máquina que os gera. Foi apenas quando suas mensagens já estavam fazendo estragos aos montes que atentamos para a situação.

Nós até tivemos alguns “poloneses” tentando fazer sua parte. Denunciando a máquina e seu potencial destruidor. Mas foi tudo simplesmente ignorado. E isso apesar dos vários equivalentes de Hitler circulando mundo afora.

Agora, é tentar recuperar um valioso tempo perdido. Mas não basta somente decifrar os códigos do inimigo. Precisamos descobrir também porque nós e nossos potenciais aliados nos tornamos

sábado, 28 de julho de 2018

Sobre tecnologia, desemprego e capitalismo. Sobre barbárie, enfim


Escrevendo no Globo, em 29/06/2018, Pedro Doria afirmou:

A Uber não foi pensada para carros com motorista. Ela entra no azul mesmo quando não precisar mais pagar motoristas e substituir a frota por carros autônomos. Só que, até lá, é preciso acostumar os consumidores com a ideia de chamar um carro via app. E a maneira de montar um gigantesco portfólio de consumidores é seduzindo-os e aos motoristas simultaneamente. O segredo que permitiu à Uber se tornar líder perante suas concorrentes está no capital que levantou. Foi tanto, mas tanto dinheiro, que lhe permitiu cobrar menos do que taxistas, pagar um percentual alto da corrida aos motoristas, e se estabelecer rápido em incontáveis cidades no mundo. Tudo ao mesmo tempo. Faz tudo no vermelho para ser líder ali na frente.

Em entrevista à revista da EPSJV/Fiocruz, publicada em 05/07/2018, Marildo Menegat, professor da UFRJ, lembra que nas plantações de cana:

Quando as ceifadeiras tornaram-se mais rentáveis, trabalhando 24 horas por dia, cada uma substituindo até 15 trabalhadores, já não se fazia mais necessária a presença de cortadores nessa produção.

 Esse fenômeno tende a se generalizar, diz Menegat. O problema é:

...que o capitalismo produziu hoje é a humanidade como um excesso para o capital. Qual é a solução técnica para este excesso? Eliminá-la. E isso já está acontecendo: temos a maior quantidade de refugiados no mundo, a maior quantidade de pessoas passando fome e a maior quantidade de pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão. E, na história do capitalismo, isso só tende a crescer.

É esta a verdadeira solução capitalista para a humanidade. A barbárie.
http://pilulas-diarias.blogspot.com/2018/07/sobre-tecnologia-desemprego-e.html

sábado, 7 de outubro de 2017

Vamos (começar a) discutir “big data”?


Caio Almendra publicou no Facebook um ótimo texto sobre o “big data”, termo que se refere a um imenso conjunto de dados, cuja estruturação feita de forma adequada pode revelar informações detalhadas e valiosas sobre praticamente qualquer tema. Por exemplo, desde hábitos de consumo a preferências politicas de determinadas parcelas da população.

Aí vai um trecho:

O controle empresarial do big data, a commoditização, opera como o controle empresarial e commoditização operam em qualquer área: escolhem determinadas perguntas a serem feitas e ocultam outras. Como fazer o consumidor comprar como queremos é uma pergunta comum; como saber onde o consumo gera mais dano ambiental e como evitar esse dano, é a típica pergunta esquecida. Posso dar outro exemplo simples: o que o controle empresarial sobre a produção de medicamentos fez ao longo do século passado? Focou em doenças difíceis e caras de serem tratadas, abandonou as doenças que estatisticamente mais matam. Zilhares de remédios para um tipo específico de câncer, nenhum para a malária, doença que mais mata (e mata majoritariamente pobres de países periféricos e etnias oprimidas) no mundo. Agora que descobrimos o uso na medicina social do big data, o que o controle empresarial promete para nós? Uso do big data para salvar milhões de pessoas da malária, ou uso do big data para convencer as pessoas a comprarem mais e mais remédios inúteis ou questionáveis?

A resposta parece óbvia, mas recomenda-se a leitura da íntegra do texto, não só para conferir, como para aprender. Porque neste campo, como se já não bastasse tantos outros, a esquerda nem chega a engatinhar.
http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/10/vamos-comecar-discutir-big-data.html

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Capital pode sofrer de apendicite?


Em um famoso capítulo de “O Capital”, Marx fala sobre a transição entre antigos processos produtivos e aqueles sob a lógica do capital:

Na manufatura e no artesanato, o trabalhador se serve da ferramenta; na fábrica, ele serve à máquina. Lá, o movimento do meio de trabalho parte dele; aqui, ao contrário, é ele quem tem de acompanhar o movimento. Na manufatura, os trabalhadores constituem membros de um mecanismo vivo. Na fábrica, tem-se um mecanismo morto, independente deles e ao qual são incorporados como apêndices vivos. 

Na mesma obra, Marx apresentou o conceito de fetichismo da mercadoria para explicar o caráter mistificador da economia capitalista. Vivemos sob uma forma de produção em que as relações humanas são cada vez mais intermediadas pelas mercadorias.


Enquanto elas circulam livremente pelo planeta, a enorme maioria de seus produtores vive isolada em suas fronteiras. Enquanto as mercadorias têm uma vida social, nós somos meros portadores de suas marcas, especificações, cores, modelos.

Esse fetichismo se revelava mais claramente no consumo. Agora, talvez, ele fique mais evidente, assustador e perigoso no nível da produção. Os locais de trabalho seriam dominados quase inteiramente por coisas robotizadas.

A Quarta Revolução Industrial pode ser a radicalização da redução dos trabalhadores aos “apêndices” a que Marx se referiu 100 anos atrás. Só que, agora, o Capital pretende extirpá-los.

Na verdade o que os capitalistas tomam por apêndices são órgãos vitais. Sem eles, sua exploração simplesmente não funciona ou funciona muito mal. O capitalismo é usuário dependente da exploração do trabalho humano.

Para tentar entender melhor essa questão, leia Robôs não ficam desempregados.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Nós e os robôs, os robôs e nós. Os robôs e os robôs


Em 1942, o escritor de ficção científica Isaac Asimov criou três leis da para proteger os seres humanos dos robôs:

1 - Um robô não pode ferir um ser humano.


2 - Deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto se entrarem em choque com a primeira lei.


3 - Deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira ou segunda lei.


Em 1950, um dos idealizadores do computador, Alan Turing, criou um teste para verificar a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente o suficiente para se passar por uma pessoa.


Em 2011, o cientista da computação, Hector Levesque, criou o desafio Winograd, que pede aos computadores para explicar o sentido de frases ambíguas, que, geralmente, são interpretadas pelos seres humanos sem equívocos.


Como se vê, as preocupações sobre a presença robótica na vida humana são muito anteriores à chamada Quarta Revolução Industrial.


O problema é que a Revolução 4.0 não é apenas sobre robôs. É sobre robôs que sabem, por exemplo, que vão apresentar defeito em breve e solicitam reparos a outros robôs.


Ou seja, está colocada a possibilidade de um mundo em que as três leis de Asimov e os testes de Turing e Levesque fiquem obsoletos pela ausência da convivência que eles pressupõem.


Ou melhor, não é difícil imaginar robôs aplicando versões invertidas dos testes de Turing e Winograd para desmascarar e segregar quem tentasse disfarçar sua condição de ser humano.


E aquelas entre as pessoas que infligissem alguma das leis de Asimov adaptadas para proteger os robôs seriam “desativadas” imediatamente.

O Capital pode sofrer de apendicite?



Em um famoso capítulo de “O Capital”, Marx fala sobre a transição entre antigos processos produtivos e aqueles sob a lógica do capital:

Na manufatura e no artesanato, o trabalhador se serve da ferramenta; na fábrica, ele serve à máquina. Lá, o movimento do meio de trabalho parte dele; aqui, ao contrário, é ele quem tem de acompanhar o movimento. Na manufatura, os trabalhadores constituem membros de um mecanismo vivo. Na fábrica, tem-se um mecanismo morto, independente deles e ao qual são incorporados como apêndices vivos. 

Na mesma obra, Marx apresentou o conceito de fetichismo da mercadoria para explicar o caráter mistificador da economia capitalista. Vivemos sob uma forma de produção em que as relações humanas são cada vez mais intermediadas pelas mercadorias.


Enquanto elas circulam livremente pelo planeta, a enorme maioria de seus produtores vive isolada em suas fronteiras. Enquanto as mercadorias têm uma vida social, nós somos meros portadores de suas marcas, especificações, cores, modelos.

Esse fetichismo se revelava mais claramente no consumo. Agora, talvez, ele fique mais evidente, assustador e perigoso no nível da produção. Os locais de trabalho seriam dominados quase inteiramente por coisas robotizadas.

A Quarta Revolução Industrial pode ser a radicalização da redução dos trabalhadores aos “apêndices” a que Marx se referiu 100 anos atrás. Só que, agora, o Capital pretende extirpá-los.

Na verdade o que os capitalistas tomam por apêndices são órgãos vitais. Sem eles, sua exploração simplesmente não funciona ou funciona muito mal. O capitalismo é usuário dependente da exploração do trabalho humano.

Para tentar entender melhor essa questão, leia Robôs não ficam desempregados.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/10/o-capital-pode-sofrer-de-apendicite.html

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Inteligência Artificial e estupidez capitalista


“Se está na cozinha, é uma mulher: como os algoritmos reforçam preconceitos” é o título de artigo de Javier Salas publicado no El País, em 23/09. Refere-se ao modo como um algoritmo descreve um homem calvo e usando calças enquanto cozinha.

A reportagem traz outras informações. Por exemplo:

...o caso de Tay, o robô inteligente projetado pela Microsoft para se integrar nas conversas do Twitter aprendendo com os demais usuários: a empresa precisou retirá-lo em menos de 24 horas porque começou a fazer apologia do nazismo, assediar outros tuiteiros e defender o muro de Trump.

Ou, ainda, quando o Google rotula pessoas negras como gorilas. E fotos de usuários negros do Flickr são classificadas como “chimpanzés”. Ou o software da Nikon adverte o fotógrafo de que alguém piscou quando o retratado tem traços asiáticos. O primeiro concurso de beleza julgado por computador classificou apenas uma pessoa de pele escura entre os 44 vencedores.

É assim que a Inteligência Artificial comprova que funciona à imagem e semelhança da sociedade que a vem criando.

O mesmo artigo cita Cathy O'Neil, matemática e autora do livro “Armas de Destruição Matemática”, ainda sem edição brasileira. “O software está fazendo seu trabalho. O problema é que os lucros acabam servindo como um substituto da verdade”, diz ela.

Como conclui o texto:

O Facebook deixa que seu algoritmo selecione e venda anúncios a “pessoas que odeiam os judeus” e “adolescentes vulneráveis” porque se enriquece desse jeito; se as pessoas lhes pagam por isso, não podem estar erradas.

Ou seja, não é qualquer estupidez. É aquela especificamente capitalista.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/09/inteligencia-artificial-e-estupidez.html