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domingo, 22 de junho de 2014

Uma eleição barra-pesada


O PT torna oficial a candidatura da presidenta Dilma à reeleição.
Lula será o seu maior cabo eleitoral.
Falhou a tentativa da oposição de dividir o partido quando lançou o "volta, Lula", à revelia do personagem.
As últimas pesquisas sobre a eleição - se elas têm alguma validade neste momento -, mostram Dilma acomodada em torno de 40% das intenções de voto, mais que o dobro de seus dois adversários de verdade, Aécio e Campos - os outros, nanicos, entram no páreo apenas como força-tarefa da oposição, na tentativa de forçar um segundo turno.
Os petistas, porém, sabem que esta será a mais difícil eleição que vão enfrentar.
O outro lado - a turma do contra, a oligarquia brasileira, a Casa Grande que não suporta ver a Senzala se esvaziar - sabem os trabalhistas, vai fazer tudo, mas tudo, mesmo, para impedir um outro mandato de Dilma.
Nesse tudo estão incluídos, óbvio, campanhas difamatórias, falsificação de notícias, "escândalos" forjados, a atuação da Justiça Eleitoral, "protestos" de rua etc e tal.
A tropa que se formou contra o governo é poderosíssima. Conta com 99% dos empresários, 100% dos banqueiros, praticamente toda e imprensa (jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão), a totalidade do agronegócio. 
É uma força e tanto que se juntou na esperança de ver o Brasil regredir aos bons tempos em que essa tão propalada "elite" não era incomodada pelos seus serviçais - naquele tempo, cada um sabia qual era o seu lugar, não é como hoje, quando nordestinos, pretos, pardos, moradores em favelas e periferias, ingressam em universidades, viajam de avião, passam férias fora de suas habitações, invadem os shopping centers, compram roupas de grife, vão de carro próprio comer em restaurantes, abrem seus próprios negócios, trocam de emprego para ganhar mais, financiam imóveis com juros baixíssimos, ascendem social e economicamente.
Os dois principais adversários de Dilma já perderam o pudor e dizem abertamente porque estão na corrida presidencial: o discurso da moralidade administrativa é a mais manjada cortina de fumaça que existe para encobrir o desejo de manter os privilégios de classe, de exterminar qualquer tentativa de construir um país menos injusto.
As recentes manifestações de endinheirados, babando de ódio contra Dilma, Lula e companhia, devem ser entendidas como nada mais, nada menos que a revelação da alma dessas pessoas, às quais faltam valores fundamentais de quem se considera um ser humano.
No, http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/06/uma-eleicao-barra-pesada.html#more

domingo, 19 de setembro de 2010

Som e fúria de velha imprensa

O que vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? Desde a eleição de Lula a que temos assistido?
Em uma guerra onde cada queda nas pesquisas repercute como a perda de um exército do candidato tucano, a grande imprensa brasileira tem a reação previsível. Emissoras de televisão, jornais e revistas semanais se unem em grupos, deixando a confiança em uma improvável virada de José Serra se avolumar até atingir o êxtase nos estratos sociais que lhe dão sustentação rarefeita.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A velha imprensa

Entre as tantas denominações que a imprensa atual tem merecido – PIG, imprensa mercantil, monopolista, oligárquica, entre outras -, creio que aquela escolhida pelo Rodrigo Viana – velha imprensa – é a mais adequada.

Não porque o novo seja necessariamente bom e o velho, ruim. Mas, neste caso, velho remete a algo ultrapassado por modalidades muito mais amplas, democráticas, pluralistas. Velho remete ao Brasil velho, antigo, tradicional, aquele construído pelas mãos das elites, como o país mais desigual do mundo. Um país com um sistema político democrático, conforme os cânones do liberalismo, mas que mal podia disfarçar de ser uma imensa ditadura econômica, social e cultural, em que uma pequena elite usufruía e transmitia a seus descendentes, a maioria esmagadora dos bens existentes.