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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos



Uma Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos Escrita por um Tio Preocupado (Não o "Tio" do Jornal Nacional, que é Daqueles Que te Constrangem nas Festas com um Papinho Preconceituoso, mas o Tio que Usa Tênis, Calça Jeans Puída e que te Constrange nas Festas Porque Insiste em Conversar com Seus Amigos Como se Fosse da Turma.)
Li esta semana que Aécio tem tido uma boa votação entre os jovens de 18 a 25 anos de idade e fiquei espantado. A juventude é a época do pensamento no coletivo, do idealismo, da generosidade. É a época em que tendemos a pensar mais no mundo do que no umbigo. É a época em que o sofrimento daquele mendigo pelo qual passamos na rua dói e sentimos o impulso de erguê-lo, de alimentá-lo, de agasalhá-lo. É só com o passar dos anos que começamos a tender a um foco mais individualista: pensamos nas nossas contas bancárias antes de fazermos uma doação. Nem todos passam por esta transformação (felizmente), mas a tendência geral é esta.

Assim, como é possível que tantos de nossos jovens já estejam iniciando a idade adulta com um pensamento tão conservador? O pensamento de que o "mercado" importa mais do que as pessoas? O pensamento de que o conteúdo do iPod é mais importante do que o conteúdo da alma (e uso alma como metáfora)? O pensamento de que poder escolher o tipo de iogurte é... nem sei como completar esta frase. Que tal... "minimamente relevante"?

E aí fiquei pensando. O que pode ter acontecido pra que esse conservadorismo aparente tivesse tomado conta da juventude? Seriam os novos jovens mais egoístas do que os da minha época?

Claro que não. A juventude respira generosidade se tiver permissão e contexto.

É isso. Faltam permissão e contexto.

Um tiquinho de paciência e já explico.

A falta de "permissão" vem da mídia e da despolitização. 
Os jovens abaixo de 25 anos cresceram com uma mídia cujo conservadorismo já resultou em críticas até do Reporters Without Borders (1) e que insiste em transformar qualquer denúncia, por menor que seja e por menos provas que tenha, em um escândalo inquestionável. Às vésperas da eleição de 1989, por exemplo, os jornais relacionaram o PT ao sequestro de Abílio Diniz, comprometendo a vitória da esquerda, mas mais recentemente, na última eleição presidencial, podemos encontrar um exemplo claro no caso Erenice Guerra, próxima de Dilma, que foi massacrada pela Globo e pelos jornais durante semanas, acusada de todo tipo de ato de corrupção imaginável. Erenice que depois foi, vejam só, inocentada. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Orlando Silva. E com Luis Gushiken. E, ESTA SEMANA, com José Eduardo Dutra, que a Folha acusou numa matéria de ter sido "denunciado" por Paulo Costa apenas para, no dia seguinte, publicar uma pequena errata dizendo que haviam errado e que Dutra nada tinha a ver com o caso.

Com isso, a mídia criou uma impressão de corrupção generalizada — mas só do lado que a interessa, já que sempre ignora qualquer denúncia contra a direita (cartel do metrô em SP, falta de planejamento da SABESP, mensalão tucano, compra de votos da reeleição de FHC, máfia dos sanguessugas, etc.). Aliás, quando noticia algo, é pra aliviar a barra: esta semana, o Jornal Nacional anunciou que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncias contra Aécio no caso do aeroporto em Cláudio — mas deixou convenientemente de informar que a PGR disse apenas que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL e que, por isso, encaminhou a denúncia pra Procuradoria Geral do Estado por ver indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte do governo de Aécio.(2)

Assim, como a juventude pode se sentir livre para defender o projeto do governo se este é constantemente rotulado pela mídia brasileira como "o mais corrupto da história"? Um governo que, vejam só, criou diversos mecanismos justamente para investigar, coibir e punir a corrupção? (3) Com isso, só resta a opção de defender a oposição, cujos desmandos são varridos para debaixo do tapete, embora sejam inúmeros, de vulto infinitamente maior e, ao contrário do que ocorre com o governo Dilma, JAMAIS investigados apropriadamente.(4)

Isto tem um nome: despolitização. A mídia atira termos como "bolivarianismo" e "Foro de São Paulo" na cabeça do público e passa a vê-lo reproduzi-los sem terem ideia do absurdo que dizem. Como aqueles que afirmam, sem hesitar, que o filho de Lula se tornou multimilionário e é dono da Friboi, duas mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram mantra de vários eleitores da oposição.

Já o segundo elemento que torna nossa juventude conservadora é o contexto. Ou melhor: a falta de. 
Quem tem menos de 25 anos cresceu num país pós-Lula. E, assim, se acostumaram a um país com problemas infinitamente menores do que aqueles que eu vi ao crescer. É uma juventude que compreensivelmente quer melhorias constantes, mas à qual falta a compreensão de que 500 anos de injustiças não são corrigidos em apenas 12 anos. É uma juventude que nunca leu nas capas de jornal que a fome estava matando um número trágico de crianças, que não viu milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila pra um concurso de gari numa época em que o Brasil era o 2o pais do mundo em DESEMPREGO, que não viu os juros dos bancos atingirem 79% ao ano, etc, etc, etc. (5)

Infelizmente, estes jovens não se lembram de como o Brasil era antes da era Lula-Dilma. Mas eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI (6). Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz (7). Lembro da falta de oportunidades na educação pública (8). Da falta de universidades (9) (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas) (10). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).(11) Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). (12) Lembro dos grampos telefônicos na era FHC.(13) Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas.(14) Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos.(15) Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola).(16) Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000.(17) Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás.(18) Lembro da dengue descontrolada.(19) Lembro dos reajustes de 580% na telefonia.(20) Lembro do PIB ridículo.(21) Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC.(22) Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos”.(23) E o povo brasileiro de “caipira“.(24). Lembro de como Aécio, ao contrário do que afirmou recentemente, votou contra o aumento real do salário mínimo.(25) Lembro de como Aécio sabotou CPI sobre a má gestão tucana da Petrobrás em 2001, que resultou no afundamento de uma plataforma.(26) Lembro de Armínio Fraga, que Aécio anunciou como seu ministro da Fazenda, dizendo que o salário mínimo está alto demais.(27) Lembro de quando Armínio era presidente do Banco Central e elevou os juros básicos de 37% para 45%.(28)

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei. Porque acredito na generosidade da juventude e acredito que, quando forem lembrados de como este país era e do que se tornou, votarão com a consciência de que, depois de 500 anos de miséria e fome, os últimos 12 anos viram uma redução de 75% na pobreza extrema (imaginem isso!)(29), viram o Brasil sair PELA PRIMEIRA VEZ do mapa da fome da ONU (30) e também viram nosso país ser premiado por iniciativas públicas pela mesma ONU (31).

E trazer estas informações para nossos jovens, em vez de apenas bombardeá-los com factóides e denúncias que sempre parecem surgir magicamente nas vésperas da eleição, não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.
http://www.contextolivre.com.br/2014/10/carta-aberta-quem-tem-menos-de-25-anos.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Que juventude é essa!



Trecho do livro “Geração em Transe” de Luiz Carlos Maciel. ISBN 85-209-0763-6, págs. 270 e segs.


A característica fundamental da Contracultura é ser a expressão de uma visão juvenil, foram nos jovens que inventaram a contracultura (e fenômenos afins, como o tropicalismo) e, portanto a rejeição a ela pela maturidade é inevitável.

A história da cultura do ocidente é marcada pela visão juvenil, seus momentos mais inovadores e radicais foram responsabilidade dos mais jovens. Nossa cultura é marcada pelo arquétipo do jovem rebelde, um culto tão poderoso quarto a sua antítese, o respeito oriental pelos mais velhos.

Por outro lado, a visão característica básica da visão madura é a necessidade de organização.

Um mundo organizado pela visão madura, manifesta em toda espécie de leis e regulamentos, deve sofrer periodicamente as fraturas criadas pela visão juvenil. Trata – se da condição de equilíbrio mínimo, capaz de insuflar a renovação num mundo dominado pela rigidez da ordem.

Ainda que perigosa, a anarquia juvenil, ao contrário, é vitalizadora. Movimentos culturais tipicamente dominados por jovens, como os surgidos na era áurea do “Poder Jovem”, os anos sessenta, como a Contracultura e o Tropicalismo, são exemplos típicos da visão juvenil.

O tempo que opera a visão juvenil é a eternidade, o que gera uma confiança cega no futuro. O jovem é jovem para sempre – e isso escandaliza a visão madura, assediada pela consciência da morte.

A principal função social da visão juvenil é a de gerar antídotos contra os venenos propiciados pela visão madura e seus apegos característicos. Pode – se dizer, portanto, que a vida que a vida é renovada através da insensatez.

O centro vital da Contracultura era a experiência da expansão da consciência. A mente se expande, a realidade se amplia. Não se trata mais de uma cisão esquizofrênica que abandona o corpo para tratar da alma, mas simplesmente perceber que corpo e alma são muito mais do que pensam tanto materialistas quanto espiritualistas.

Tal avanço foi de espantar todo mundo; os mais conservadores, em especial, inclusive da esquerda, ficaram assustados. Colocar o real como um todo, de maneira tão radical, era de uma audácia intolerável.

A reação procurou responder a ousadia à altura, procurando deter o avanço da consciência em todos os níveis.

Em primeiro lugar, a expansão da consciência tinha que ser sustada, antes que a adesão e o consenso acumulassem poder suficiente para fazer desmoronar, a nível coletivo, o pretenso mundo objetivo, ou seja, a nossa realidade habitual.

A liberdade de consciência é a verdadeira fonte de todo poder realmente revolucionário.

Sim, as ousadias da época tiveram que ser anuladas, ou eliminadas, ou, pelo menos, distorcidas para que o mundo continuasse a ser o que era e “os mesmos patifes de sempre continuassem a mandar em tudo”, conforme disse John Lennon, ao declarar o fim do sonho. Para isso, os meios de anulação, eliminação e distorção foram aperfeiçoados e refinados. A redução do milagre da consciência a um fenômeno material, físico, químico, ou biológico, na cega tentativa de negar o mistério, exemplifica bem, a nível acadêmico, essa tentativa, tão ampla quanto refinada, de manter o “status quo” espiritual de nossa cultura.

Hoje, as manifestações juvenis de nosso passado recente, depois de domadas, assimiladas e distorcidas pelo sistema, foram substituídas por um fetiche abstrato e bastante ridículo que é o jovem tal como é definido pelas agências de publicidade, delineado pelas pesquisas de opinião, incensado pela mídia, tomado por paradigma de eficiência empresarial (o tal do Yuppie) e, o que é pior de tudo, imposto como modelo aos ainda mais jovens, ou seja, nossas crianças. Esse “jovem” é o que, no meu tempo, chamávamos de alienado e, depois, de careta. Trata – se de uma domesticação dos instintos naturais da juventude em função dos interesses do sistema.
http://assisprocura.blogspot.com.br/p/que-juventude-e-essa.html

terça-feira, 30 de abril de 2013

79% dos países adotam maioridade penal aos 18 anos



Estudo da UNICEF de 2007 ("Porque dizer não à redução da maioridade penal") revela que 79% dos países pesquisados (foram pesquisados 42, incluindo Suécia, Romênia, Portugal, Noruega, Países Baixos, Japão, Itália, entre outros) adotam a maioridade penal aos 18 anos. Mais: grande parte (47%) adota 13 ou 14 anos como início da responsabilidade juvenil (no Brasil, a idade fixada é de 12 anos). Abaixo de 12 anos apenas 7 países.
Em 2004, somente 1% dos adolescentes brasileiros haviam cometido infrações. Furto e porte de arma perfizeram 58% dessas infrações. Homicídios representaram 1,4%. (veja gráfico-ilustração desta nota).
Portanto, esta história de redução da maioridade penal não se sustenta racionalmente. É sensacionalismo ultraconservador que explora a emoção inocente e ignorância da maioria dos brasileiros.
rudaricci.blogspot.com.br/

sábado, 5 de novembro de 2011

89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro


Estudo feito com pessoas de 18 a 24 anos revela que a geração atual pensa no coletivo e sonha com o fim da violência e corrupção

Emílio Franco Jr., especial para o iG São Paulo


Os jovens brasileiros estão mais esperançosos com o futuro do país. Quem chega a essa conclusão é a empresa de mapeamento de tendências Box1824, que entrevistou 3000 garotos e garotas entre 18 e 24 anos, de todas as classes sociais, para descobrir o que eles pensam sobre o país e sobre a sua geração. O estudo, que faz parte do projeto intitulado “O Sonho Brasileiro” e demorou um ano e meio para ser concluído, constatou que 89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro, sendo que 76% acreditam que o país está mudando para melhor. Os dados são positivos e revelam bastante otimismo entre as 25 milhões de pessoas que fazem parte desta faixa etária atualmente.

O levantamento mostra que esses números são resultados de diversos fatores. No campo social, isso se deve a esse grupo ter crescido no período pós-ditadura, imerso em novas tecnologias e com a inflação controlada. Diante da situação econômica mais promissora, o jovem encontra um país cada vez mais importante no cenário internacional, pronto para superar crises, além de ser escolhido para sediar grandes eventos esportivos.

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via esquerdopata

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O que resta aos jovens?

 Abaixo parte do processo de criação de um vídeo, gravação do áudio para filme na qual o tema é a juventude. Estão no vídeo Zé Fernandes e Kelli G. Soares, educandos da Escola Josué de Castro(ITerra) em Veranópolis-RS. A poesia é de Mario Benedetti.  

O que resta aos jovens?
O que resta por provar aos jovens
neste mundo de paciência e asco?
somente grafitti? rock? cepticismo?
também lhes resta não dizer amém
não deixar que lhes matem o amor
recuperar a fala e a utopia
serem jovens sem prisão e com memória
situarem-se numa história que é a sua
não se converterem em velhos prematuros

O que resta por provar aos jovens
neste mundo de rotina e ruína?
cocaína? cerveja? claques?
resta-lhes respirar / abrir os olhos
descobrir as raízes do horror
inventar paz se os desordeiros
se entenderem com a natureza
e com a chuva e os relâmpagos
e com o sentimento e com a morte
essa louca de atar e desatar

O que resta por provar aos jovens
neste mundo de consumo e fumo
vertigem? assaltos? discotecas?
também lhes resta discutir com deus
quer exista quer não exista
apontar mãos que ajudem / abrir portas
entre o coração próprio e o dos outros /
sobretudo resta-lhes fazer futuro
apesar das ruínas do passado
e dos sábios malandros do presente.
                          Mario Benedetti
Coletivo catarse

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A rebeldia dos jovens que nos faz tanta falta

Por Emir Sader

Entre tantas frases estimulantes e provocadoras que as rebeliões populares no mundo árabe e agora na Europa, essencialmente protagonizada por jovens, fizeram ecoar pelo mundo afora, a que mais nos incomoda – com toda razão – é aquela que diz: “E quando os jovens saíram às ruas, todos os partidos pareceram velhos.”

Aí nos demos conta – se ainda não tínhamos nos dado – da imensa ausência da juventude na vida política brasileira. O fenômeno é ainda mais contrastante, porque temos governos com enorme apoio popular, que indiscutivelmente tornaram o Brasil um país melhor, menos injusto, elevaram nossa auto estima, resgataram o papel da política e do Estado.....

domingo, 19 de junho de 2011

Partidos, juventude e os movimentos sociais da internet

Jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?
Marcelo D'Elia Branco, Revista Fórum

Os jovens nativos digitais da sociedade em rede têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1] 


"Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…)." Eduardo Galeano na Praça Catalunya[2]

Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós-internet, são formados por indivíduos conectados que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.”
Matéria Completa::Aqui::

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O ódio político



Jared Lee Loughner apareceu com a cabeça raspada, um ferimento na testa e sorrindo em foto divulgada pela polícia. Na corte federal ele entrou algemado, olhando fixo para frente e, como fez desde sábado, não deu nenhuma declaração. Respondeu apenas que estava ciente das primeiras acusações contra ele
Com a locução acima, o correspondente do Jornal da Globo Rodrigo Bocardi iniciou a reportagem sobre a tragédia de Tucson, no Estado norte-americano do Arizona, em que Loughner matou seis pessoas e feriu quatorze. O alvo principal era a deputada democrata Pamela Simon, que agoniza no hospital.
Quem admite que a causa do ato ensandecido do lunático de 22 anos pode ter sido o clima político desencadeado pelos ultraconservadores do movimento Tea Party não foi um blog sujo, comunista, progressista, regressista ou coisa que o valha, mas o Jornal da Globo.
O telejornal admitiu que o movimento conservador liderado pela candidata derrotada à Presidência dos EUA em 2008, Sarah Palin, pode ser o responsável por conta do ódio político que vem pregando.
É curioso – e, talvez, providencial, para o Brasil – que esse fato tenha ocorrido poucos dias depois da onda de jovens ensandecidos que, às dezenas, no dia da posse de Dilma Rousseff na Presidência da República pediam, peloTwitter, que ela fosse alvejada por um franco-atirador.
O que espanta é como esses fenômenos ocorrem em ondas e como parecem ter um poder imenso de contaminar as pessoas. Quem viu as fotos dos perfis do Twitter dos jovens que pregaram o assassinato de Dilma Rousseff percebeu que eram pouco mais do que crianças, com uma ou outra exceção.
São justamente os jovens que preocupam, tanto nos EUA quanto no Brasil, no âmbito dessas campanhas de demonização de adversários políticos ou ideológicos por grupos radicais. Parecem mais suscetíveis que os adultos, capazes de materializar o que os mais velhos dizem como brincadeira.
Esses perfis crescem aos poucos nas redes sociais. Começam com meia dúzia de seguidores, vão crescendo e conseguem chegar a dezenas de milhares, que passam a ser contaminados com pregações racistas, homofóbicas, xenofóbicas e de ódio político, que, quando entra em campo, acaba reunindo todas essas fobias sociais em uma só.
Durante a campanha eleitoral à Presidência do Brasil, ano passado, o ódio político, estimulado pela mídia, enveredou pelos mesmos caminhos da pregação fascista do Tea Party, com cristãos fundamentalistas promovendo a execração de Dilma Rousseff. Até os homofóbicos simpatizantes do adversário da candidata passaram a acusá-la do que consideram o pior dos crimes.
O que acaba de acontecer nos Estados Unidos é uma tragédia e fica difícil dizer que se pode tirar algum proveito dela, mas é possível extrair uma lição, sim. Tão eficaz que, como diz a reportagem do Jornal da Globo, “os dois lados”, por lá, já estão pensando em fazer diminuir a temperatura do clima político.
Homofóbicos pregam que jovens podem ser “contaminados” vendo homossexuais, o que é uma bobagem na qual ninguém bom da cabeça pode acreditar. Todavia, jovens podem ser, sim, contaminados por estímulos à violência e ao preconceito. As provas estão aí, nos que pregaram assassinato de nordestinos e da presidente da República pelo Twitter.
O ódio político, ideológico ou moralista não pode ser estimulado. Os grupos radicais que se organizam para promover o ódio contra pessoas são um risco à sociedade mesmo quando julgam que defendem causas nobres.
Essa é uma reflexão que os agentes políticos no Brasil têm que fazer. Mídia, partidos e até movimentos sociais estão enveredando por caminho arriscado que pode gerar conseqüências imprevisíveis. E, nesse contexto, tanto a direita midiática quanto a esquerda têm que parar e pensar.
Abaixo, a matéria do Jornal da Globo supra mencionada. Em seguida, um recado.