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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A História Oculta dos Estados Unidos

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Por Waldir José Rampinelli - Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina - Fonte: IELA


04.05.2009 - Nos arredores de Boston, em uma lápide no parque nacional se lê a inscrição: “Aqui jaz uma mulher índia, uma wampanoag, cuja família e tribo entregaram suas vidas e suas terras para que esta grande nação pudesse nascer e prosperar”. Muitos cidadãos estadunidenses, gente decente e bem intencionada – diz Noam Chomsky –, desfilam continuamente junto a esta tumba, lendo o epitáfio sem exibir a mínima reação, quando não um sentimento de satisfação pela homenagem prestada a esta pobre gente. Provavelmente não fariam o mesmo diante de um Auschwitz ou um Dachau, tanto que o Dia Anual de Lembrança do Holocausto é um evento nacional nos Estados Unidos. Sete grandes museus se espalham pelo país recordando o massacre nazista e nenhum sobre a escravidão capitalista. O genocídio dos nativos – cuja população girava em torno de 12 a 15 milhões de pessoas por volta de 1492 – se estendeu mais tarde aos negros, sem esquecer a opressão e a exploração da classe dominante aos brancos pobres, às mulheres e às crianças. Por sua vez, com o expansionismo externo, os Estados Unidos não apenas conquistaram 55% do território mexicano, como também se apoderaram de domínios e ilhas espanholas, obrigaram a França a vender a Luisiânia e impuseram, baseados em suas mais diversas doutrinas (Monroe e Destino Manifesto), uma hegemonia sobre a América Latina. Deste modo eles foram se expandindo e contando a sua história como uma grande saga e uma grande aventura de um grande povo
[1].
O historiador Howard Zinn mostra em “A outra história dos Estados Unidos”
[2] - ainda sem tradução para o Brasil –, a história que não é ensinada nas escolas e universidades e tampouco escrita nos livros e revistas. “Se a história tem que ser criativa – para assim antecipar um possível futuro sem negar o passado – deveria, creio eu, se centrar nas novas possibilidades baseando-se no descobrimento dos fatos esquecidos do passado, nos quais, ainda que seja só em breves pinceladas, as pessoas mostraram uma capacidade para a resistência, para a unidade e, ocasionalmente, para a vitória”[3]. Ao se referir à Declaração de Independência redigida por Thomas Jefferson e proclamada em 4 de julho de 1776, afirma que, embora ela enunciasse “que todos os homens são criados iguais, que seu Criador lhes dá certos direitos inalienáveis, entre outros o da Vida, o da Liberdade e o da Felicidade”, ocorreu, no entanto, que uma grande maioria dos estadunidenses foi claramente excluída destas conquistas, como os índios, os negros, os brancos pobres e as mulheres. A estes foram oferecidas as aventuras e as recompensas do serviço militar para que lutassem por uma causa que talvez nunca sentiram como própria. Zinn fala da vitória final em 1781, em Yorktown, na Virginia, na qual os ingleses foram derrotados com a ajuda de um potente exército e frota francesa, bem como dos marginalizados da sociedade.
Persiste até hoje nos Estados Unidos uma verdadeira mitologia em relação aos Pais Fundadores da Pátria. Segundo Zinn, eles não buscavam um balanceamento de poder, mas sim um mecanismo que desse o total controle à classe dominante da época. “O certo é que não queriam um equilíbrio igualitário entre escravos e patrões, entre os sem terras e os latifundiários, entre os índios e os brancos” (p. 82). Os Fundadores não levaram em conta as mulheres, que significavam a metade da população. Elas nem sequer foram mencionadas na Declaração de Independência e estiveram ausentes da Constituição, sendo a parte invisível da nação.

Duas guerras civis
A Guerra Civil ou da Secessão (1861-1865), apresentada como a da abolição da escravidão, teve um objetivo fundamental, qual seja, o de transferir mais poder aos ricos do Norte, de modo especial aos monopólios. “Um governo assim”, afirma Zinn, “não aceitaria que fora uma revolta que pusera fim à escravidão. Só se acabaria com a escravidão em termos ditados pelos brancos, e somente quando o exigissem as necessidades políticas e econômicas da elite empresarial do Norte. Foi Abraham Lincoln quem combinou com toda a perfeição as necessidades do empresariado, a ambição do novo Partido Republicano e a retórica do humanismo”
[4]. Uma vez libertos, os negros tiveram que se alistar no exército e na marinha. “Sem sua ajuda”, diz o historiador James McPherson, “o Norte não teria vencido a guerra da forma como o fez, e talvez, simplesmente, não a ganhasse”, menciona Zinn (p. 148). Lembro que às vésperas da Guerra Civil a escravidão já havia desaparecido em toda a América Latina, com exceção de Cuba (1886) e do Brasil (1888).
Na década de 1870, quando os negros começaram a se organizar para exigir os direitos civis, a oligarquia branca do sul usou de seu poder econômico preparando grupos racistas com práticas terroristas, como a Ku Klux Klan. “Aboliu-se a escravidão, porém foi substituída por uma espécie de peonagem. Não se resolveu a posição dos negros na sociedade, de modo que, cem anos depois, eles não desfrutavam de todos os direitos que, ao parecer, a guerra lhes havia prometido”.
[5] No centenário da independência (1876), uma “Declaração Negra da Independência” denunciou o Partido Republicano, que antes havia merecido sua confiança na busca da liberdade, conclamando os votantes de cor a assumir uma posição política própria. A Declaração, entre outras coisas, dizia que o sistema atual “apresentou ao mundo o absurdo espetáculo de uma terrível guerra civil pela abolição da escravidão negra enquanto a maioria da população branca [os brancos pobres] – aquela que criou a riqueza da nação – se vê obrigada a sofrer uma escravidão muito mais dolorida e humilhante”[6]. O mais grave da guerra foi, talvez, o legado de ódio e amargura que sobreviveu à geração combatente, especialmente contra os negros. Quase cem anos depois, no começo de 1945, quando o Queen Mary zarpou carregado de soldados para a guerra na Europa, os negros foram postos na parte inferior do navio, perto das máquinas, enquanto os brancos respiravam o ar puro na escotilha.
A outra guerra civil é o termo utilizado por Zinn para analisar o aumento da luta de classes nos Estados Unidos ao longo de todo o século XIX, tema totalmente ausente dos livros de história (cap. 10). Juntamente com a industrialização aparecem os operários que vão incrementar o conflito capital versus trabalho. As greves são uma constante não apenas por salário, mas também por redução de jornada laboral e por direito à sindicalização. Em 1844, quatro anos antes do surgimento do Manifesto Comunista, saiu no Awl o seguinte texto:

A divisão da sociedade entre as classes produtivas e as não produtivas e a distribuição desigual do valor entre elas nos leva em seguida a outra distinção: a do capital e mão-de-obra [...] a mão-de-obra agora se converte em mercadoria [...] o capital e a mão-de-obra estão enfrentados
[7].

Algumas categorias, como as feministas que se organizaram nos locais de trabalho, passaram a fazer greves exigindo não apenas salário igual para a mesma tarefa realizada, como também o fim da opressão sexual. Muitas delas se aliaram aos negros, enquanto certos sindicatos de trabalhadores brancos exigiam que os trabalhadores de cor criassem os próprios na luta pela desigualdade racial e de gênero.
A busca por uma sociedade mais justa – identificada como socialista – foi intensa no final do século XIX e principalmente no XX dentro dos Estados Unidos (cap. 13). Escritores famosos, como Upton Sinclair, Jack London, Theodore Dreiser, Frank Norris e outros, defendiam publicamente o socialismo ao mesmo tempo em que atacavam violentamente o capitalismo. Uma parcela dos trabalhadores, dando-se conta de que a raiz de sua miséria estava no sistema capitalista, começou a trabalhar por um novo tipo de sindicato. Em junho de 1905, na cidade de Chicago, cerca de duzentos socialistas, anarquistas e sindicalistas radicais de todas as partes dos Estados Unidos fundaram o Industrial Workers of the World (IWW), que faria um grande trabalho na organização de um sistema alternativo ao capitalismo. O IWW liderou greves, comandou marchas, organizou concentrações, criou grupos de estudos e divulgou publicações sendo sistematicamente atacado e perseguido pelo Estado. As mulheres socialistas, que formavam parte do movimento feminista, fizeram uma grande campanha pelo sufrágio universal e pela igualdade no casamento e na vida sexual. Margaret Sanger, no seu livro Woman and the new race, mencionado por Zinn (p. 254), afirmava que “nenhuma mulher pode considerar-se livre se não possui e controla seu próprio corpo. Nenhuma mulher pode se considerar livre até que possa escolher conscientemente se será mãe ou não”.
Embora as mulheres tenham conseguido o direito ao voto, apenas em 1920, após a aprovação da Décima Nona Emenda Constitucional, muitas delas, como Emma Goldman, tinham claro que apenas o sufrágio universal não as ajudaria na busca de sua emancipação. Era fundamental continuar a luta – dizia Goldman – reafirmando sua personalidade, tendo direito sobre seu corpo, negando-se a ter filhos a não ser que os deseje, recusando-se a ser uma empregada de Deus, do Estado, da sociedade, de seu marido, de sua família, enfim, fazendo sua vida mais simples, porém mais rica e profunda. Somente isto e não o voto libertará a mulher (p. 255).

A função do Estado
O Estado foi o grande propulsor do sistema capitalista nos Estados Unidos. Para isto criou toda uma estrutura que possibilitasse a existência de uma classe dominante que gerasse o lucro a partir do mecanismo da mais-valia explorando o trabalho dos imigrantes irlandeses, alemães, italianos, chineses e, finalmente, dos judeus e gregos. A Corte, o Congresso e o Executivo atuaram em perfeita consonância na consecução deste objetivo. Já em 1893, um juiz do Supremo Tribunal – David J. Brewer –, dirigindo-se ao Colégio de Advogados do estado de Nova York, dizia que “é uma lei invariável que a riqueza da comunidade esteja nas mãos de uns poucos” (sic). O governo, por sua vez simulando neutralidade para manter a ordem, foi servindo aos interesses dos ricos. O mesmo aconteceu com os partidos políticos, o Republicano e o Democrata. Um acordo entre os dois – que possibilitou a eleição de Rutherford Hayes, em 1877 – defendia que, ganhando um ou outro, já não haveria mudanças significativas na política nacional. Para Domhoff, há uma considerável semelhança entre os partidos, já que ambos são controlados pelas elites. Os dirigentes dos partidos apresentam apenas diferenças internas, ao passo que os partidários divergem por questões de classe e profissão. O Partido Republicano é controlado pelos grandes industriais e grandes banqueiros da classe superior
[8], brancos, protestantes e anglo-saxões provenientes de famílias que se tornaram ricas e famosas entre a Guerra Civil e a grande depressão da década de 1930. Recruta seus integrantes nas classes dominantes locais como pequenos comerciantes, altos funcionários de escritórios, advogados, médicos, engenheiros, enfim, pessoas pertencentes à classe média alta. O Partido Democrata, por sua vez, é composto por elementos muito novos e, ao mesmo tempo, muito antigos da classe superior, incluindo aristocratas do sul e descendentes de ricos, obtendo seu apoio entre trabalhadores, funcionários médios de escritórios, intelectuais, escritores e artistas de classe média alta[9].
As universidades, muitas delas criadas a partir de doações de famílias ricas que inclusive lhe emprestavam o nome, não estimulavam a crítica. Pelo contrário, adestravam os professores e estudantes a serem leais ao sistema capitalista. Deste modo a classe superior tem não apenas o controle geral delas, mas também de seus objetivos no largo prazo. As próprias universidades subvencionadas por recursos públicos, portanto com maior liberdade pedagógica, trataram de imitar as privadas. “As famílias, as igrejas e as escolas” – diz C. Wright Mills – “se adaptam à vida moderna; os governos, os exércitos e as empresas a modelam, e, ao fazê-lo assim, convertem aquelas instituições menores em meios para seus fins”
[10]. Mills mostra como as elites burocrática, econômica e militar se articulam em uma todo-poderosa dominação de classe.

O nacionalismo
O governo protegeu a indústria nacional de suas concorrentes estrangeiras, facilitou o surgimento dos monopólios, buscou mercados cativos para compra de matérias-primas e vendas de produtos manufaturados e lançou mão, principalmente no final do século XIX e início do XX, de estratégias como o pan-americanismo, o big tick, a diplomacia do dólar e a boa vizinhança para exercer sua dominação sobre a América Latina. Além disso, serviu-se do nacionalismo para se fortalecer diante de problemas internos e externos. O historiador Richard Hofstadter, no seu livro The american political tradition, pesquisou os principais líderes nacionais começando por Jefferson e Jackson, passando por Hoover e chegando a Theodore e Franklin Roosevelt; analisou republicanos, democratas, liberais e conservadores, chegando à conclusão de que “o alcance de visão [...] dos principais partidos sempre foi determinado pelos horizontes da propriedade e da empresa [...] pelas virtudes econômicas da cultura capitalista [...] Essa cultura tem sido intensamente nacionalista” (p. 416).
As reformas de Roosevelt para salvar o capitalismo da grande crise foram importantes, mas não fundamentais. Na realidade, coube a Segunda Guerra Mundial a função de debilitar a velha militância trabalhista dos anos trinta, já que o conflito passou a gerar milhões de novos empregos com salários mais altos. O New Deal só havia reduzido o desemprego de 13 para 9 milhões de pessoas. Além disso, a guerra aumentou o patriotismo e a união de todas as classes para derrotar os inimigos externos, enfraquecendo assim a luta contra os monopólios internos e as greves locais por melhorias sociais. Em 1948, o Tratado de Ajuda Externa – conhecido como Plano Marshall – exigia dos que aceitassem a “cooperação” que comprassem produtos manufaturados dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que obrigavam as nações européias e suas colônias a se abrirem aos investidores estadunidenses sobre uma base de igualdade.
Zinn termina seu livro mostrando que o Vietnam foi a primeira grande derrota do império global estadunidense no pós-Segunda Guerra Mundial, o que se deveu à luta dos camponeses revolucionários e ao movimento de protestos dentro dos Estados Unidos. Analisa os novos movimentos de mulheres, negros, índios e carcereiros nos anos 1960 e 1970. Mostra como Watergate, com a saída de Nixon, deixou intacto o sistema, tanto que as multinacionais atuaram na queda de vários governos, principalmente na América Latina. Comenta o trabalho da Agência Central de Inteligência e da Comissão Trilateral, esta criada para favorecer a união entre Japão, Europa Ocidental e Estados Unidos na luta, não contra um comunismo monolítico, mas sim contra os movimentos revolucionários do Terceiro Mundo que questionavam o sistema capitalista. Não deixa de falar de Carter-Reagan-Bush e o consenso bi-partidista.
Sem dúvida trata-se de um grande livro para conhecer uma história que sempre nos foi contada de outra maneira. A obra foi escrita em poucos anos, mas o seu autor tem mais de vinte de pesquisa e ensino e tantos outros de participação em movimentos sociais. Só assim se consegue escrever A outra história dos Estados Unidos.
[1] CHOMSKY, Noam. La fabricación del consenso. Nexos, México, n. 97, p. 29, jan. 1986.[2] ZINN, Howard. La otra historia de los Estados Unidos. 2 ed. México: Siglo XXI Editores, 2005.[3] Ibidem, p. 21.[4] Ibidem, p. 142.[5] MOYANO PAHISSA, Angela et alii. EUA: sintesis de su historia I. México: Aliança Mexicana, vol. 8, 1988, p. 467.[6] ZINN, op. cit., p. 182.[7] Ibidem, p. 172.[8] Para Domhoff, “a ‘classe governante’ é uma classe social superior que possui uma parte desproporcionada da riqueza da nação, recebe uma quantidade desproporcionada dos lucros anuais de um país e proporciona um número desproporcionado de seus membros às instituições dirigentes e aos grupos que decidem os destinos do país.” DOMHOFF, G. William. Quién gobierna Estados Unidos? 16. ed. México: Siglo XXI Editores, 1988, p. 11.[9] Ibidem, p. 124-125.[10] MILLS, C. Wright. La élite del poder. México: Fondo de Cultura Económica. 1987, p. 14.
http://pobresenojentas.blogspot.com.br/2009/05/historia-oculta-dos-estados-unidos.html

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fascismo nos EUA? Combata o Racismo com Socialismo!


John Peterson
Com a escolha de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, os gritos de “fascismo” estão ecoando. No entanto, como veremos, embora Donald Trump seja um empresário grosseiro, fanático e bilionário, ele não é um fascista. O segredo de sua vitória não está na montagem de um movimento de massas para chegar ao poder, mas na falta de fôlego da política do mal menor dos líderes sindicais e da “esquerda”. Sem nenhuma alternativa de classe independente proporcionada pelos sindicatos ou Bernie Sanders, os estadunidenses, sem inspiração, permaneceram em casa em massa, e a balança da vitória foi entregue a Trump pelos trabalhadores do cinturão da ferrugem, cansados das décadas de traições dos Democratas.
A verdadeira lição da eleição de 2016 é que a classe trabalhadora necessita de seu próprio partido. Milhões de pessoas nos estados golpeados pela crise capitalista queriam um “populista” e somente os Republicanos tinham um para oferecer (contra a sua própria vontade). O real significado por trás do termo um tanto desdenhoso e insultante de “populismo”, está o fato de que milhões de pessoas comuns – isto é, trabalhadores, que constituem a vasta maioria desta sociedade – queriam uma mudança real e fundamental. Eles querem empregos para todos, saúde, educação, assistência à infância, infraestrutura, segurança, uma semana de trabalho mais curta e uma melhor qualidade de vida para eles mesmos e seus entes queridos. Eles querem o fim do controle de suas vidas pelas grandes empresas e pelos políticos profissionais.
A raiva contra o status quo está se expressando de diferentes formas. Aproximadamente a metade de todos os eleitores abstiveram-se completamente de votar. Outros escreveram nas cédulas o nome de Bernie Sanders ou votaram por um candidato de algum terceiro partido. Outros votaram por Trump, apesar de sua retórica racista, incluindo 29% de latinos e 53% de mulheres brancas. Para esses eleitores, a promessa de Trump de empregos e estabilidade econômica superou todas as outras considerações. Não surpreende que, dada a história peculiar e as contradições desse país, e sem uma clara direção dos líderes sindicais, muitos estadunidenses tenham caído sob o domínio dos racistas.
A luta contra o racismo
Ao flagelo do racismo, sempre presente logo abaixo da superfície da sociedade estadunidense, foi dada uma canalização e uma legitimação não vista há décadas. Suásticas apareceram por todo o país; alunos cantando “construa um muro!” provocaram seus colegas latinos; mulheres muçulmanas usando hijabs foram agredidas verbal e fisicamente; a KKK anunciou uma parada da vitória na Carolina do Norte; o ex-Grande Mago da KKK, David Duke, considerou a vitória de Trump como “o melhor dia de sua vida”; e os campos de internamento de Japoneses-Americanos durante II Guerra Mundial receberam referências positivas como um “precedente” para o futuro.
A raiva já se transformou em ação e desafio. Mas, para muitos, também há uma sensação de presságio. Nem todos que derramaram lágrima sobre o resultado da eleição são apologistas de Clinton e da ala liberal da classe capitalista. Milhões de imigrantes, de muçulmanos, de pessoas LGBT, de inválidos e outras pessoas atingidas durante a campanha de Trump, temem por seu futuro, por sua segurança, e mesmo por suas vidas. Para coisas tão traumatizantes, há mais do que um consolo. A experiência de vida é o professor mais eficaz e agora está cristalinamente claro para milhões de pessoas que, se quisermos um mundo melhor, teremos de nos envolver e lutar por nós mesmos.
Racismo, xenofobia e sexismo são coisas terríveis de constatar e testemunhar. A intolerância é um veneno desumano e corrosivo que rompe a unidade da classe trabalhadora como nada mais. Os Marxistas defendem genuína igualdade para todos e estão na linha de frente da luta contra todas as formas de discriminação. Entendemos que a raiz do fanatismo está na desigualdade material que resulta das divisões de classe inerentes ao capitalismo.
A humanidade possui os recursos e o know-how para construir um mundo de superabundância. Mas, sob o capitalismo, com sua economia de mercado, com sua implacável busca de lucros e a propriedade das alavancas e chaves da produção nas mãos de um minúsculo punhado da população, somos impedidos de alcançar nosso pleno potencial. Não se trata da impossibilidade de produzir suficientes meios de consumo, mas de que não há demanda suficiente no mercado para esses produtos serem vendidos com lucro. Essa  escassez artificial, por sua vez, é utilizada pela classe dominante, para nos lançar uns contra os outros, lutar pelas sobras, culpar uns aos outros, em vez de culpar o sistema por nossa miséria.
Infelizmente muitos na “esquerda”, que se limitam às soluções dentro das fronteiras do capitalismo, também caem nessa armadilha. Para eles a solução é propor, por exemplo, que os trabalhadores “brancos”, “masculinos”, deveriam se contentar com menos para “dar espaço aos outros” – isto é, que a sociedade deveria simplesmente dividir a pobreza imposta pelo capitalismo de forma diferente. Não nos deve surpreender que as pessoas normais, sem importar os seus antecedentes, resistam a isso para proteger ao que é “seu”: suas famílias, seus entes queridos, sua “raça”, seu “gênero”, religião e assim por diante.
O capitalismo não tem mais um papel historicamente útil a desempenhar na organização da sociedade humana. Nos países mais ricos do planeta, somente se pode utilizar 75% da capacidade industrial existente, força-se milhões de pessoas a tolerar a ociosidade forçada do desemprego e permite-se que milhões de pessoas em todo o mundo morram de fome, enquanto os fazendeiros são pagos para não cultivar e encher os armazéns com produtos “invendáveis”. Ao aproveitar todo o potencial produtivo da sociedade, podemos proporcionar empregos para todos, saúde e educação, reduzir a jornada de trabalho e elevar o nível de vida de todos. Em vez de lutar pelas sobras, haveria mais do que o suficiente para ir em frente e a base material da intolerância seria profundamente minada. Sem terreno fértil para apodrecer, a intolerância desapareceria à medida em que as novas gerações criadas em um mundo sem escassez ou necessidades tomassem o lugar daquelas marcadas por sua experiência sob o capitalismo. Por esta razão, dizemos: para combater o racismo, combata o capitalismo!
Contudo, não podemos simplesmente esperar até que comecemos a construir o socialismo para enfrentar este problema. Derrotar o estado centralizado e os vastos recursos dos capitalistas somente será possível na base da máxima unidade da classe trabalhadora. Essa unidade somente pode ser forjada no calor da luta comum contra nossos opressores comuns. Será no curso dessas  lutas que o poder da unidade dos trabalhadores será experimentado na ação, e não apenas teorizado. A verdadeira solidariedade exige uma liderança audaz e uma vontade de lutar até o fim, não de meras palavras. O movimento dos trabalhadores deve ir além das denúncias do racismo em discursos. Deve romper com ambos os partidos dos patrões e lutar pelos interesses de todos os trabalhadores em cada local de trabalho, bairro e campus, bem como nas votações através de nosso próprio partido independente de classe. Devemos usar as armas da classe trabalhadora, comprovadas e respeitadas pelo tempo: manifestações de massas, ocupações de locais de trabalho, greves, bem como greves-gerais econômicas e políticas.
Como disse Fred Hampton dos Panteras Negras: “Dizemos que não se luta contra o racismo, com racismo. Lutaremos contra o racismo com solidariedade. Dizemos que não se luta contra o capitalismo com capitalismo negro; luta-se contra o capitalismo com socialismo!”.
É fascista os EUA de Trump?
Superficialmente, pode-se apresentar uma grande quantidade de “evidências” para provar que os EUA agora são fascistas contudo, meramente assegurando algo não o torna assim. O mesmo foi dito de Nixon, Reagan e os dois Bush. Hipóteses superficiais podem ser feitas para tudo. Nossa tarefa é a de ir além das aparências superficiais para entendermos as contradições e processos reais da sociedade. Os Marxistas insistem na precisão científica de nossas análises a fim de lutarmos de forma mais efetiva contra nossos opressores.
O fascismo surgiu historicamente na Itália, na Alemanha e na Espanha devido ao impasse total do capitalismo e ao fracasso de várias tentativas de revolução socialista. Devido a sua liderança colaboracionista de classe, a classe trabalhadora italiana, alemã e espanhola perdeu várias oportunidades de tomar o poder e transformar a sociedade. Em cada um desses casos, um “homem forte” emergiu para preencher o vácuo de poder com uma forma peculiar de ditadura militar “Bonapartista”.
O que tornou o fascismo diferente de uma ditadura militar “normal” foi a base de apoio de massa proporcionada pela “pequena burguesia enraivecida” – pequenos lojistas, profissionais liberais, camponeses de porte médio e seus filhos nas universidades. Nas décadas de 1920 e 1930, essa gente constituía uma camada muito maior da sociedade do que constitui hoje. Desesperadas por escapar do moinho da crise e sem uma liderança da classe trabalhadora, essas camadas “médias” estavam dispostas a tentar qualquer coisa. Quadrilhas de bandidos foram mobilizadas para esmagar os sindicatos dos trabalhadores, os partidos comunistas e socialistas, e o bode expiatório racista foi utilizado para desviar a atenção da fonte capitalista da crise.
Algumas pessoas pensam que algo similar está acontecendo hoje. Mas similar não é necessariamente o mesmo – existem muitas e decisivas diferenças. O capitalismo hoje está de fato em crise grave, mas ainda não está ameaçado de derrubada imediata pela classe trabalhadora. A classe dominante preferia Clinton, mas mesmo assim ainda tem um controle firme sobre o poder político e econômico. Isso é possível, sobretudo devido à atual liderança sindical, que não oferece nada além do fracassado beco sem saída do mal menor.
No entanto, apesar do declínio numérico dos sindicatos durante as últimas décadas, o trabalho organizado continua a ser uma poderosa e decisiva força potencial. Do transporte e das comunicações à educação e à saúde, os trabalhadores sindicalizados detêm tremendo poder em suas mãos. Os sindicatos não foram ilegalizados, desmantelados ou intimidados pela violência. A classe trabalhadora, em geral, ainda pode não estar organizada, mas acima de 100 milhões de estadunidenses são assalariados e, junto com suas famílias e dependentes, constituem a vasta maioria da população.
São precisamente as mudanças demográficas que ocorreram nos últimos 80 anos, que tornaram improdutivos os recorrentes gritos de “fascismo!”. A maioria dos estadunidenses, incluindo aqueles que vivem nas áreas rurais mais conservadoras, são da classe trabalhadora. O número de granjas nos EUA caiu de 6 milhões, em 1935, a apenas 2 milhões hoje. Embora ainda existam muitas granjas pequenas, as granjas corporativas massivas expulsaram os agricultores médios dos pilares sociais da reação fascista. Longe da nação Jeffersoniana de “pequenos camponeses independentes”, os 10% das maiores granjas agora representam 70% das terras de cultivo. Apesar das ilusões de uma passada “Era de Ouro” permanecerem, elas estão sendo rapidamente dizimadas na prática e, finalmente, as questões centrais de classe estão cada vez mais à frente.
As profissões, como as de caixa de bancos, professores e até mesmo muitos médicos, foram proletarizadas a tal ponto que a maioria delas se identifica mais com a classe trabalhadora do que com os super-ricos. Muitos estão agora organizados em sindicatos e associações profissionais e são ativos no movimento organizado dos trabalhadores. Quanto aos proprietários de pequenas empresas, esmagados pelos grandes bancos, fabricantes e importadores, muitos apoiaram Trump e seu populista “Make America Great” por causa de seu retórico “Lutarei pelo cara pequeno!”. O êxito de Sanders nas primárias e cáucuses, mostra que seu apelo por uma “revolução política contra a classe bilionária” poderia ter ganho muitos deles na eleição geral se ele tivesse concorrido como independente. E os campi, que antes eram focos de reação e fascismo – uma vez que a maioria dos estudantes vinham das fileiras dos ricos – agora estão inundados com os filhos profundamente endividados dos trabalhadores.
Então, há indivíduos e grupos fascistas nos EUA hoje, inclusive no governo? Existem pequenos grupos de pequenos burgueses irados e milícias de direita armadas? Se a classe trabalhadora estadunidense fracassar em derrubar o capitalismo e se exaurir, através de seus esforços revolucionários no próximo período, é possível que alguma forma de ditadura militar se imponha? Absolutamente. Mas a base social do fascismo como tal, já não existe, e um período de reação pura e simples, não está na agenda em futuro previsível.
Os que desejarem explorar esta questão com mais profundidade devem se remeter à obra do grande revolucionário Leon Trotsky, que ofereceu uma série de brilhantes ideias sobre a origem e gênese do fascismo, resumidas nesse breve artigo de Fred Weston. Também trabalhamos sobre a questão de Trump, fascismo e outras coisas no artigo What Trump is and How to Fight Him, escrito antes da eleição.
Nenhum mandato!
Donald Trump é uma miserável mediocridade selecionada por meio de um sistema eleitoral obsoleto que se apoia num modo de produção senil e decrépito. Foi eleito por menos de 25% da população em idade de votar e por uma minoria de eleitores reais. Ele será incapaz de cumprir plenamente a maioria de suas promessas e sua base de apoio logo ficará inquieta – especialmente quando a próxima e inevitável crise econômica começar. Em consequência, ele será forçado a se apoiar nas camadas da sociedade mais confusas, atrasadas, racistas e misóginas, para desviar a atenção das questões reais e manter alguma aparência de apoio.
Mas a juventude não vai tolerar isso, particularmente depois da experiência de Black Lives Matter. Desde o assassinato de Mike Brown, o papel da brutalidade policial na defesa dos interesses da classe dominante passou a ser entendido por amplas camadas da juventude. Os protestos espontâneos contra Trump mostram o espírito de luta dessa camada, e isto é só o começo.
Se o fascismo realmente tomou o galinheiro, The Donald não estaria tuitando sobre protestos “injustos” que convergem para a Trump Tower perseguindo-o por todos os lugares onde ele vai. Em vez disso, quadrilhas armadas apoiadas pela polícia teriam limpado as ruas, as turbas de linchamento estariam destroçando as lojas dos imigrantes e os escritórios sindicais, os cadáveres de líderes trabalhistas e esquerdistas estariam empilhados nos necrotérios e a lei marcial manteria cada cidade importante do país em estado de sítio. Isso, obviamente, não aconteceu e não acontecerá em nenhum momento em futuro próximo.
O fato simples é que há mais trabalhadores que capitalistas. Toda a polícia do país não poderia submeter Nova Iorque e Los Angeles por muito tempo no momento em que os trabalhadores começassem a se mover – e muito menos nas mais de 100 cidades dos EUA com populações de meio milhão ou mais de habitantes. O equilíbrio de forças de classe não é nada favorável aos capitalistas e é, precisamente por isso, que eles querem evitar um confronto aberto com a classe trabalhadora. Devem, em vez disso, confiar na austeridade gotejante, no jogo político, nas táticas de “divide e vencerás” e na liderança sindical para fazer o trabalho sujo. Mas as leis da luta de classes acabarão se afirmando, mesmo nos Estados Unidos.
O caminho a seguir
A verdade é que os EUA não são mais racistas, sexistas e homofóbicos do que era antes da eleição. Como explicou Malcolm X, “Não se pode ter capitalismo sem racismo”. O lixo meramente flutuou na superfície. Agora que ele está emergindo, lutaremos com todas as ferramentas que estãoà nossa disposição e, acima de tudo, com a arma mais poderosa de todas: a luta para unir a classe trabalhadora contra o capitalismo.
A maioria das pessoas não sabe que a Grã-Bretanha também viu a ascensão de um movimento fascista nos anos prévios à II Guerra Mundial. Oswald Mosley e suas tropas de choque de “camisas negras” esperavam seguir na esteira de Hitler e Mussolini. Mas os trabalhadores britânicos levaram a sério o conselho de Trotsky – de que eles podiam “esfregar as caras dos fascistas no chão”. Na Batalha de Cable Street, os trabalhadores unidos construíram barricadas e cortaram a ameaça da reação através da ação de massa. Isso cortou a ameaça de fascismo na Grã-Bretanha , na raiz. Em 1948, Ted Grant escreveu uma brilhante peça sobre o fascismo em que explica essa experiência em grandes detalhes.
Sejamos claros: os Marxistas não estão a favor da violência. Entendemos que, uma vez que a classe trabalhadora perceba sua própria força, nada em cima da Terra pode detê-la. Em consequência, uma revolução pacífica e incruenta é inteiramente possível. No entanto, não ficaremos de braços cruzados enquanto nossas irmãs e irmãos são insultados, humilhados, assaltados, assassinados ou levados ao suicídio. O movimento dos trabalhadores deve enfrentar qualquer violência ou ameaça de violência com o poder esmagador da unidade da classe trabalhadora, até com greves de solidariedade e com a formação de uma guarda armada de autodefesa dos trabalhadores para nos proteger e aos nossos irmãos e irmãs de classe.
A classe trabalhadora estadunidense terá muitas oportunidades para dar um fim a esse sistema antes que o perigo da reação em massa levante sua cabeça. Condições semelhantes levam a resultados semelhantes, e os EUA não são imunes à revolução. A crise do capitalismo acabará por conduzir a uma luta combinada dos trabalhadores. Basta uma greve vitoriosa para mudar toda a aparência e o estado de ânimo do movimento dos trabalhadores e desencadear uma luta tormentosa. Mas, por mais importante que seja lutar contra este ou aquele patrão ou político, isso não é suficiente. O que necessitamos é de uma revolução.
Uma revolução representa a luta unida de toda a classe trabalhadora contra o poder concentrado de toda a classe capitalista. Mas o êxito da revolução não está garantido antecipadamente, não importa quantos sacrifícios façam os trabalhadores. A lição do século XX é que tudo depende do tipo de liderança que esteja à cabeça das organizações dos trabalhadores, uma vez começado o confronto decisivo. É por esta razão que não exageramos quando dizemos que o êxito da revolução socialista depende do que fizermos hoje para construir as forças do Marxismo revolucionário.
Não há mais espaço para a complacência ou para ficar à margem em um mundo como este. Acreditamos que os interesses de bilhões de pessoas superam os interesses dos bilionários! Se você concorda, junte-se à CMI!

Artigo publicado originalmente em 17 de novembro de 2016, no site da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título "Fascism in America? Fight Racism with Socialism!".
Tradução Fabiano Leite.
 do: http://www.marxismo.org.br/content/fascismo-nos-eua-combata-o-racismo-com-socialismo

quinta-feira, 3 de março de 2016

Será que os americanos vivem numa realidade falsa criada por orquestração?


 
Por Paul Craig Roberts, via resistir

A maior parte das pessoas conscientes e capazes de pensar abandonaram os chamados "media de referência". Os presstitutos destruíram a sua própria credibilidade ao ajudarem Washington a mentir — "armas de destruição em massa de Saddam Hussein", "ogivas iranianas", "utilização de armas químicas por Assad", "invasão russa da Ucrânia" e assim por diante. Os media "de referência" também destruíram a sua credibilidade pela sua aceitação completa do que quer que seja que as autoridades digam acerca de alegados "eventos terroristas", tais como o11/Set e o Boston Marathon Bombing, ou de alegados tiroteios em massa tais como Sandy Hook e San Bernardino. Apesar de gritantes inconsistências, contradições e falhas de segurança que parecem demasiado improváveis para acreditar, os media "de referência" nunca questionam ou investigam. Eles simplesmente relatam como facto tudo o que dizem as autoridades .

Sinal de um estado totalitário ou autoritário é a existência de órgãos de comunicação que não sentem a responsabilidade de investigar e descobrir a verdade, que em vez disso aceitam o papel de propagandistas. Todos os media de Washington desde há muito estão em modo propaganda. Nos EUA a transformação de jornalistas em propagandistas foi completada com a concentração de meios de comunicação diversificados e independentes em seis mega-corporações que já não são dirigidas por jornalistas.

Em consequência, pessoas judiciosas e conscientes confiam cada vez mais nos media alternativos que questionam, organizam factos e apresentam análises ao invés de uma narrativa oficial inacreditável.

O primeiro exemplo é o 11/Set. Grande número de peritos destruíram a narrativa oficial que não tem evidências factuais que a suportem. Contudo, mesmo sem a evidência real apresentada por aqueles que dizem a verdade sobre o 11/Set, a narrativa oficial abandona-as. Querem que acreditemos que uns poucos árabes sauditas sem tecnologia além de canivetes e sem apoio do serviço de inteligência de qualquer governo foram capazes de iludir a maciça tecnologia de vigilância criada pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) e pela NSA (National Security Agency) e efectuar o mais humilhante golpe a uma super-potência alguma vez dado na história humana. Além disso, eles foram capazes de fazer isto sem o presidente dos Estados Unidos, o Congresso dos EUA e os media "de referência" exigirem responsabilização por um fracasso tão total da alta tecnologia do estado para a segurança nacional. Ao invés de uma Casa Branca conduzir a investigação desta falha de segurança tão maciça, a Casa Branca resistiu durante mais de um ano a qualquer investigação que fosse até que finalmente cedeu aos pedidos das famílias do 11/Set que não podiam ser subornadas e concordou com uma Comissão do 11/Set.

A Comissão não investigou mas simplesmente sentou e escreveu a narrativa contada pelo governo. Posteriormente, o presidente da Comissão, o vice-presidente e a assessoria jurídica escreveram livros nos quais dizem que foi recusada informação à Comissão, que responsáveis do governo mentiram à Comissão e que a Comissão "foi estabelecida para falhar". Apesar de tudo isto, os presstitutos ainda repetem a propaganda oficial e por isso permanecem bastantes americanos crédulos para impedir a responsabilização.

Historiadores competentes sabem que acontecimentos forjados (false flag) são utilizados para fazerem frutificar agendas que não podem ser conseguidas de outro modo. O 11/Set deu aos neoconservadores que controlavam a administração George W. Bush o novo Pearl Harbor que consideravam necessário a fim de lançar suas invasões militares hegemónicas a países muçulmanos. O Boston Marathon Bombingpermitiu um experimento do Estado Policial Americano, completado com o encerramento de uma grande cidade americana, colocando 10 mil tropas armadas e equipes SWAT nas ruas onde estas efectuaram buscas domiciliares casa a casa forçando os moradores a saírem dos seus lares a ponta de bala. Esta operação sem precedentes foi justificada como sendo necessária a fim de localizar um jovem ferido de 19 anos, o qual era claramente um bode expiatório.

Há tantas coisas estranhas na narrativa de Sandy Hook que provocaram uma série de cépticos. Concordo em que há anomalias, mas não tenho tempo para estudar a questão e chegar à minha própria conclusão. O que tenho percebido é que não nos são dadas explicações muito boas quanto às anomalias. Por exemplo, neste vídeo feito a partir de noticiários da TV , o seu criador pretende que a pessoa do pai choroso que perdeu o seu filho é a mesma que está fardada como SWAT a seguir ao tiroteio em Sandy Hook. A pessoa é identificada como um actor conhecido. Agora, parece-me que isto é fácil testar. O pai choroso é conhecido, o actor é conhecido e as autoridades têm de saber quem é membro da equipe SWAT. Se estas três pessoas, que podem passar uma pela outra, puderem ser reunidas numa sala ao mesmo tempo podemos afastar a revelação afirmada neste vídeo. Entretanto, se as três pessoas separadas não puderem ser reunidas, então devemos perguntar porque este engano, o qual levanta questões sobre toda a narrativa. Pode assistir todo o vídeo ou apenas saltar para a marca dos 9:30 e observar o que parece ser a mesma pessoa em dois papeis diferentes.

Os media "de referência" têm as capacidade para fazerem estas investigações simples, mas não as fazem. Ao invés disso, os media ditos "de referência" chamam os cépticos de "teóricos da conspiração".

Há um livro do professor Jim Fetzer e Mike Paleck a dizer que Sandy Hook foi um ensaio do FEMA para promover o controle de armas e que ninguém teria morrido em Sandy Hook. O livro estava disponível na amazon.com mas subitamente foi proibido. Por que proibir um livro?

Aqui está um sítio para efectuar o descarregamento gratuito do livro: rense.com/general96/nobodydied.html . Não li o livro e não tenho opinião. Sei, entretanto, que o estado policial em que a América se está a tornar tem um interesse poderoso em desarmar o público. Hoje também ouvi uma notícia de que pessoas que dizem ser pais das crianças mortas estão a promover um processo contra o fabricante da arma, o que é coerente com a afirmação de Fetzer.

Aqui está uma entrevista com Jim Fetzer. Se a informação que Fetzer apresenta é correcta, é evidente que o governo dos EUA tem uma agenda autoritária e está a utilizar eventos orquestrados destinada a criar uma falsa realidade para os americanos a fim de alcançar esta agenda.

Parece-me que os factos de Fetzer podem ser facilmente verificados. Se os seus factos se mostrarem correctos, então exige-se uma investigação real. Se os seus factos não forem correctos, a narrativa oficial ganha credibilidade pois Fetzer é um dos cépticos mais acérrimos.

Fetzer não pode ser afastado como um tolo. Ele tem uma licenciatura magna cum laude da Universidade de Princeton, tem um Ph.D. da Universidade de Indiana e foi um eminente professor da Universidade de Minnesota até a sua aposentação em 2006. Ele teve bolsa da National Science Foundation e publicou mais de 100 artigos e 20 livros sobre filosofia da ciência e filosofia da ciência cognitiva. É um perito em inteligência artificial e ciência computacional e fundou a publicação internacional Minds and Machines. No fim da década de 1990, foi solicitado a organizar um simpósio sobre a filosofia da mente.

Para uma pessoa inteligente, as narrativas oficiais do assassínio do presidente Kennedy e do 11/Set são simplesmente não críveis, porque as narrativas oficiais não são coerentes com as evidências e com o que sabemos. A frustração de Fetzer com pessoas menos capazes e menos observadoras mostra-se progressivamente e isto funciona em seu desfavor.

Parece-me que se as autoridades por trás da narrativa oficial de Sandy Hook estão seguras da mesma, elas deveriam saltar diante da oportunidade de confrontar e desmentir os factos de Fetzer. Além disso, em algum lugar deve haver fotografias das crianças mortas mas, tal como o alegado grande número de gravações por câmaras de segurança de um avião a chocar-se com o Pentágono, ninguém as viu. Pelo menos ninguém que eu conheça.

O que me perturba é que ninguém entre as autoridades ou os media "de referência" tem qualquer interesse em verificar os factos. Ao invés disso, aqueles que levantam assuntos incómodos são descartados como teóricos da conspiração.

Esta incriminação é enigmática. A narrativa do governo do 11/Set é a de uma conspiração, tal como a narrativa do governo quanto ao Boston Marathon Bombing. Estas coisas acontecem por causa de conspirações. O que está em causa é: conspiração de quem? Sabemos, da Operação Gladio e da Operação Northwoods , que governos se empenharam em conspirações assassinas contra seus próprios cidadãos. Portanto, é um erro concluir que governos não se empenham em conspirações.

Ouve-se frequentemente a objecção de que se o 11/Set fosse um ataque forjado (false flag), alguém teria falado.

Por que teriam eles falado? Só aqueles que organizaram a conspiração saberiam. Por que iriam eles minar a sua própria conspiração?

Recordem William Binney . Ele desenvolveu o sistema de vigilância utilizado pela NSA. Quando verificou que este estava a ser utilizado contra o povo americano, ele falou. Mas não levou documentos com os quais provasse suas afirmações, o que o salvou de um processo mas não lhe deu provas para confirmar o afirmado. Eis porqueEdward Snowden levou os documentos consigo e divulgou-os. No entanto, muitos vêem Snowden como um espião que roubou segredos da segurança nacional, não como um denunciante a advertir-nos de que a Constituição que nos protege está a ser demolida.

Responsáveis de alto nível do governo contradisseram partes da narrativa oficial do 11/Set e a versão oficial que liga a invasão do Iraque ao 11/Set e a armas de destruição em massa. O secretário dos Transportes, Norman Mineta, contradisse o vice-presidente Cheney e a narrativa oficial da cronologia do 11/Set. O secretário do Tesouro Paul O'Neill disse que o derrube de Saddam Hussein foi o assunto da primeira reunião do gabinete na administração George W. Bush muito antes do 11/Set. Ele escreveu isso num livro e disse-o no programa 60 Minutes da CBS. A CNN e outras estações noticiosas relataram-no. Mas não houve efeito.

Os denunciantes pagam um alto preço. Muitos deles estão na prisão. Obama processou e aprisionou um número recorde deles. Uma vez que lançados à prisão, a questão passa a ser: "Quem acreditaria num criminoso?"

Em relação ao 11/Set, toda espécie de gente falou. Mais de 100 polícias, bombeiros e primeiros socorristas relataram ouvir e sentir um grande número de explosões na Torres Gémeas. O pessoal de manutenção informou ter sentido explosões maciças na sub-cave antes de o edifício ser atingido por um aviãoNenhum destes testemunhos teve qualquer efeito sobre as autoridades por trás da narrativa oficial ou sobre os presstitutos.

Há 2.300 arquitectos e engenheiros que escreveram ao Congresso requerendo uma investigação real. Ao invés de serem tratados com o respeito que 2.300 profissionais merecem, foram descartados como "teóricos da conspiração".

Um painel internacional de cientistas relatou a presença de nanotermita reagida e reagida incompletamente na poeira dos World Trade Centers. Eles ofereceram suas amostras a agências do governo e a cientistas para confirmação. Ninguém as tocou. A razão é clara. Hoje o financiamento da ciência está fortemente dependente do governo federal e de companhias privadas que têm contratos federais. Os cientistas entendem que falar acerca do 11/Set significa o término das suas carreiras.

O governo nos tem onde nos quer ter — impotentes e desinformados. A maior parte dos americanos é demasiado inculta para ser capaz de diferenciar entre um edifício ruir de um dano assimétrico e um que cai por explosão. Jornalistas "de referência" não podem questionar e investigar e manter seus empregos. Cientistas não podem falar e continuarem a ser financiados.

Contar a verdade foi relegado aos media alternativos da Internet onde eu apostaria que o governo activa sítios a proclamarem conspirações selvagens, cujo propósito é desacreditar todos os cépticos.
     
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"Guerra biológica": Veja como os EUA provocaram surto de dengue hemorrágica em Cuba

Laboratório cubano (modificado). Por Leyva Benitez


Do IELA

Estudos científicos publicados na importante revista cubana Bohemia – editada desde 1983 -  afirmam que os Estados Unidos introduziram em 1981 um surto de dengue hemorrágica em Cuba, o que acabou provocando a morte de 158 pessoas, entre elas 101 crianças.  

A doutora em Ciências e pesquisadora no Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri (IPK), Rosmari Rodríguez, foi quem informou que nos anos de 1990 muitas instituições na região financiaram estudos para determinar a causa da epidemia de dengue hemorrágica que atingiu Cuba na década anterior (anos 80).

Segundo ela “as investigações permitiram obter a sequência de uns 300 pares de bases, dos quase 11 mil que têm o genoma viral completo, com o uso de metodologias de sequenciamento manual e ferramentas bioinformáticas muito simples, disponíveis para tal fim”.

A autora principal da investigação afirmou que foi feito o suficiente para demonstrar que a cepa causadora da epidemia de 1981 tinha grande semelhança com a que foi isolada durante a segunda guerra mundial a partir do sangue de soldados estadunidenses infectados na região de Nova Guiné (norte da Austrália), em 1944, e que ficou conhecido como sorotipo 2.
Em 1995 os médicos cubanos já tinham mostrado evidências sobre a semelhança da cepa que circulava em Cuba em 1981 com a primeira dengue 2 isolada no mundo, conhecida como um protótipo de referência. Alguns autores relatam que a entrada do vírus da dengue de sorotipo 2 na região das Américas tenha sido causada por soldados que estiveram no Vietnã, região onde esse tipo de cepa era presente, e que voltaram infectados. Mas se fosse assim, o foco epidêmico teria de estar nos Estados Unidos e não em Cuba. Então, para os pesquisadores é bem mais provável que a disseminação do vírus tenha sido fruto de “guerra biológica”, no âmbito da guerra fria que ainda vigorava em 1980. 

Naquele ano (1981) foi em Cuba que aconteceu a primeira grande epidemia de febre hemorrágica de dengue da América Latina, causada pelo DENV-2 (sorotipo 2/Nova Guiné), e foram notificados cerca de 344 mil casos com aproximadamente 116 mil internações e 158 óbitos.

Ainda conforme informações da doutora Rodríguez os surtos epidêmicos de dengue se detectam usualmente  a partir de um caso índice em uma área determinada, ao redor da qual aparecem novos doentes. 

Segundo ela os surtos de enfermidades também podem ser introduzidos na sociedade “se expandindo a outros territórios com o movimento de pessoas infectadas, e então se observa um aumento paulatino de doentes até alcançar níveis epidêmicos que dependem em grande medida na densidade de mosquitos”.

As enfermidades causadas por mosquitos seguem sendo um grande problema para o mundo hoje. Atualmente o vírus Zika afeta mais de 20 países da América Latina, sendo os mais afetados Brasil e Colômbia. 

Com informações da Telesur.Nota do Solidários: Na versão original (cubana) e na tradução (do IELA) está vírus da dengue hemorrágico. Ou seja: hemorrágico se refere ao vírus. Porém como no Brasil usamos hemorrágica (referindo à dengue) optamos pela mudança para feminino.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assim se prepara uma nova Guerra Mundial



França, Grã-Bretanha e Alemanha, além dos EUA, ampliam intervenção no Oriente Médio; o alvo principal não é o EI, mas a Rússia


Por Joseph Kishore

Os eventos da semana passada passarão à história como divisor de águas na constituição do imperialismo no século XXI. No período de poucos dias, EUA, Grã-Bretanha e Alemanha ampliaram o respectivo envolvimento militar na Síria, depois que a França intensificou sua campanha de bombardeio no mês passado.

O pretexto para essas operações são os ataques terroristas de 13 de novembro em Paris, seguido agora pelo horrendo ataque a tiros em San Bernardino, Califórnia, na quarta-feira passada. As razões declaradas publicamente, contudo, pouco têm a ver com discussões estratégicas que estão acontecendo nos escalões superiores das forças militares e das agências de inteligência.

Por trágica que seja a matança de 130 pessoas em Paris e 14 em San Bernardino, não explicam a repentina convulsiva escalada militar das principais potências imperialistas contra o Oriente Médio. Não é difícil ver semelhanças e diferenças em relação a 1915, quando os EUA recusaram-se a entrar na Primeira Guerra Mundial, mesmo depois do afundamento do RMS Lusitania, com perda de 1.198 vidas. Naquele momento, a classe capitalista norte-americana ainda estava dividida sobre se seria aconselhável intervir na então chamada “Grande Guerra” (que só passou a ser chamada “Primeira Guerra Mundial” depois que houve a Segunda).

A força básica por trás da guerra na Síria é a mesma que motivou a formatação imperialista de todo o Oriente Médio: os interesses do capital financeiro internacional. As grandes potências imperialistas sabem que, se quiserem pôr a mão no butim, têm também de fazer sua parte da matança.

Esse movimento de guerra no Oriente Médio é altamente impopular, o que explica o frenesi para utilizar os ataques recentes na Europa, além da atmosfera de medo que a mídia-empresa cria e infla, para ativar as ações o mais rapidamente possível. Considerem-se os eventos da semana passada:

Na terça-feira, o governo Obama anunciou que enviaria novo contingente de Forças de Operações Especiais, oficialmente contra o EI (Estado Islâmico no Iraque e Levante). Em conferência de imprensa no mesmo dia, Obama repetiu que qualquer acordo na Síria terá de incluir a derrubada do presidente Assad da Síria, aliado chave da Rússia.

Na quarta-feira, o parlamento britânico aprovou apoio à ação militar na Síria, depois que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, desimpediu qualquer caminho rumo à guerra, ao aceitar “livre votação” sobre o tema para os deputados de seu partido. Aviões britânicos decolaram imediatamente para bombardear alguns alvos na Síria já na quarta-feira à noite, com o primeiro-ministro Cameron declarando “simpatizante de terroristas” quem se opusesse à guerra.

Na sexta-feira, o parlamento alemão correu a aprovar moção para que a Alemanha também se juntasse à guerra contra a Síria, praticamente sem nem discutir a questão. A aprovação parlamentar ao envolvimento da Alemanha na guerra veio depois da decisão do governo Merkel, no início da semana, de enviar 1.200 soldados, seis jatos Tornado e um navio de guerra para a região.

E então, durante o fim de semana, a mídia-empresa nos EUA e todos os políticos doestablishment dedicaram-se a explorar o tiroteio em San Bernardino, Califórnia, para pressionar a favor da expansão da guerra no Oriente Médio. Os candidatos republicanos à presidência dispararam “declarações” beligerantes insistindo que os EUA estariam diante da “próxima guerra mundial” (governador de New Jersey, Chris Christie); que “o país precisa de presidente para tempos de guerra” (senador Ted Cruz, do Texas), e que “eles declararam guerra contra nós e nós temos de declarar guerra contra eles” (ex-governador da Flórida, Jeb Bush).

Em discurso no domingo à noite, Obama defendeu, contra os críticos republicanos, a própria política na Síria; repetiu que se opõe ao envio massivo de soldados em solo para a área de Iraque e Síria, e que é a favor de acelerar os ataques aéreos; o financiamento para grupos dentro da Síria; e o uso de tropas de países vizinhos. Elogiou os movimentos de França, Alemanha e Reino Unido, e declarou: “Desde os ataques em Paris [dia 13/11], nossos mais próximos aliados (…) aceleraram a contribuição deles à nossa campanha militar, que nos ajudará a acelerar nossos esforços para destruir o EI”.

Por mais que pressionem e pressionem a favor de mais guerra, nem Obama nem qualquer outro setor do establishment político nos EUA diz sequer uma palavra sobre as raízes reais do ISIS, que já serviu de pretexto para a “guerra ao terror” a partir do qual começou, e nunca mais se alterou, a política externa dos EUA para 15 anos.

No discurso de domingo, Obama fez uma referência oblíqua ao crescimento do EI “em pleno caos da guerra do Iraque e depois na Síria” – como se nada tivesse a ver com a própria política dos EUA. A verdade é que EUA e aliados é que ocuparam (ilegalmente) e devastaram (consequentemente) o Iraque, e na sequência criaram e ou inflaram grupos de islamistas fundamentalistas na Síria, a partir dos quais o ISIS emergiu como cabeça de ponte da guerra contra o presidente Bashar al-Assad da Síria.

Os terroristas do EI que executaram os atentados em Paris puderam viajar livremente, entrando e saindo da Síria, porque milhares de jovens como eles viajavam da Europa para a Síria, livremente, e com o apoio de autoridades, para que se unissem ao golpe e à guerra contra Assad.

Quanto ao ataque em San Bernardino, funcionários citaram a viagem dos dois atiradores à Arábia Saudita e seus contatos com indivíduos da Frente Al-Nusra, para poderem referir-se ao tiroteio como ataque terrorista. A Arábia Saudita, centro de financiamento e apoio para os grupos fundamentalistas islamistas em todo o Oriente Médio, é aliada-chave dos EUA na região, e a Frente Al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda, é aliada de facto dos EUA na Síria.

Em vez de resposta contra os ataques recentes, as ações das potências imperialistas são a realização de planos já existentes e de ambições já conhecidas há muito tempo.

Na Grã-Bretanha, votação dessa semana reverteu a decisão de 2013, da Câmara de Comuns, segundo a qual o país não participaria de guerra planejada e liderada pelos EUA contra a Presidência da Síria. A elite governante alemã não para de “exigir” que o país participe mais ativamente do avanço militar na Síria, para afirmar a própria posição como potência dominante na Europa.

Nos EUA, antes dos ataques em San Bernardino, ouviam-se vozes insistentes do establishmentpolítico e da mídia-empresa a favor do envio de tropas de solo e da imposição de uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Com os EUA à frente, as potências imperialistas já se engajaram numa guerra infinita, centrada no Oriente Médio e Ásia Central, já há um quarto de século. Mais de um milhão de pessoas já foram mortas e outros muitos milhões foram convertidos em refugiados. Depois das guerras no Afeganistão e no Iraque durante o governo Bush, Obama supervisionou a guerra na Líbia e as campanhas conduzidas pela CIA para mudança de regime na Ucrânia e na Síria. As consequências desastrosas de cada operação prepararam o terreno para que o governo Obama expandisse e intensificasse a guerra.

O que se vê hoje é uma reformatação para recolonização do mundo. Todas as velhas potências levantam-se, exigindo a parte de cada uma no neobutim. Embora hoje centrado no Oriente Médio rico em petróleo, o conflito na Síria já se vai convertendo em “guerra por procuração” contra a Rússia. Do outro lado da massa de terra eurasiana, os EUA dedicam-se a ações cada vez mais provocativas contra a China no Mar do Sul da China.

A situação geopolítica é hoje mais explosiva que em qualquer outro momento anterior, desde as vésperas da Segunda Guerra Mundial. Acossada por crise econômica e social para a qual a classe das elites governantes não têm resposta progressista a oferecer, aquela classe das sempre mesmas elites cada vez mais recorre à guerra e ao saque, como a única resposta que conhecem para quaisquer das suas dificuldades.

(*) Artigo originalmente publicado em português pelo site Outras Palavras e, em inglês, peloWorld Socialist Web Site.