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sábado, 26 de abril de 2014

As perguntas que não são feitas nas pesquisas eleitorais


Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer.


Pesquisas de opinião são orientadas, claro, e as eleitorais não constituem exceção. Se alguém deseja saber quem prefere maçã ou banana deve perguntar justamente isso, sem confundir o pesquisado com as opções de abacaxis e mangas. Muitas pesquisas eleitorais desorientam os entrevistados ao introduzir opções que nada mais são do que abacaxis e mangas, nomes de candidatos sabidamente estéreis no contexto eleitoral efetivo. Obtêm-se antes de tudo uma idéia da dispersão aleatória da preferência eleitoral, não as escolhas sólidas a aparecer com perguntas focadas no que está, de fato, em jogo.  Mas nada impede que se investigue se o freguês é mais afeito a frutas ácidas ou cremosas – um tanto mais geral e inespecífica do que a pergunta anterior.

Com maior ou menor generalidade o que importa é que há um mundo de interrogações adequadas ao conjunto das frutas, todas legítimas, respeitadas modestas regras de lógica. Simples, mas esquecido quando os institutos divulgam seus resultados, aceitos com sagrada intimidação. Na verdade, os mesmos tópicos das pesquisas podem ser investigados por inquéritos variados, nada havendo de interdito no terreno do mexerico.

Em pesquisas de opinião são fundamentais a representatividade da amostra dos pesquisados, a correção dos questionários e, concluindo, a leitura dos resultados. É intuitivo que em uma comunidade onde 99% são religiosos o inquérito não pode concentrar-se no 1% restante, exceto se o pesquisador estiver interessado justamente na opinião da extrema minoria de agnósticos que ali vivem. Isto respeitado, tudo bem quanto à representatividade dos números.

Mas a leitura dos resultados pode ser marota. Jogando uma moeda para o ar centenas de vezes, o número de experimentos em que ao cair a moeda mostrará a “cara” tende a ser o mesmo número de “coroas”. Ignorando quando e porque acontece uma ou outra coisa, deduz-se que a probabilidade de dar “cara” ou “coroa” é de 50%, ou seja, metade das vezes uma, metade, a outra. Em certos convescotes essa peculiaridade é chamada de “acaso”.

Mas essa é uma probabilidade diferente da que indica o futuro do clima, por exemplo. As chances de que chova nas próximas 48 horas não é derivada diretamente de uma série de 48 horas do passado, mas das condições em que milhares de 48 horas foram chuvosas: umidade do ar, regime de ventos, formação de nuvens, etc. explicam com relativo grau de precisão (a probabilidade) as variações climáticas. O que justifica o probabilismo é o conhecimento das particularidades associadas ao aparecimento do fenômeno “chuva”, não o mero fato de sua repetição. 

Pois a probabilidade derivada de uma série de pesquisas eleitorais é análoga à do jogo “cara” ou “coroa”, não à dos prognósticos atmosféricos. De onde se segue serem um tanto marotas as previsões de resultados eleitorais apoiadas em séries históricas, por mais extensas que sejam. A diferença é ontológica: uma eleição não é um jogo de “cara” ou “coroa”. A seguir, uma crítica, digamos, construtiva.  

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer. Aí vão:

1 – o Sr(a) prefere:
    a) continuar com a presidenta atual (Dilma Roussef)
    b) voltar ao governo do PSDB (Aécio Neves)
    c) indiferente

2 – o Sr(a) votaria em alguém que:
       a) defende a manutenção do emprego de quem trabalha
       b) promete medidas impopulares
       c) indiferente

3) – o Sr(a) apóia o controle nacional do petróleo do pré-sal?
        a) sim
        b) não 
        c) indiferente

4) - A oposição atual representa seu ideal de governo?
     a) sim
     b) não
     c) indiferente

5) Em relação à distribuição de renda o Sr.(a) é:
     a) a favor
     b) contra
     c) indiferente

6) Os atrasos na conclusão de aeroportos e estádios demonstram que:
     a) a iniciativa privada não é confiável
     b) há sempre imprevistos em grandes obras
     c) indiferente


Escolhi agregar todos os votos “não sei/prefiro não responder”, brancos e nulos em uma única opção porque estou interessado somente nas escolhas claras. E indiquei o nome de dois candidatos na pergunta 1 porque este é o desenho do questionário e, conforme o manual da boa pesquisa, o entrevistado deve estar de posse das informações relevantes para responder corretamente. Naturalmente, os entrevistados com preferência por outros nomes ou por nenhum estariam representados na resposta c. 

O diabo é que ninguém acredita que os questionários dos institutos são apenas uma aproximação do que os eleitores perguntam a si mesmos, na hora do vamos ver. Por isso suas pesquisas ao final de uma corrida eleitoral se tornam mais diretas e econômicas, reduzindo o percentual de erro. Ainda assim, por vezes o palpite estatístico é desastrosamente equivocado. É quando o instituto, ao contrário de tentar replicar o que pensa o eleitor, busca fazer com que o eleitor pense como ele. Não dá certo.

domingo, 3 de outubro de 2010

ALI KAMEL PRESTA O ÚLTIMO SERVIÇO PELO SEGUNDO TURNO 



Kamel e Bonner "acertam" as pesquisas...
A Globo joga a última cartada para tentar levar a eleição para o segundo turno: apresentou duas pesquisas (Datafolha e IBOPE) com números estranhamente IGUAIS: 

IBOPE
Dilma: 47% (51% válidos);
Serra: 29% (31% válidos);
Marina: 16% (17% válidos);

Datafolha
Dilma: 47% (50% válidos);
Serra: 29% (31% válidos);
Marina: 16% (17% válidos);

As pesquisas dos institutos da direita sempre mostraram disparidades. Mas agora, na última hora, se encontraram para um cafezinho na mesa do Ali Kamel, saindo de mãos dadas para dar o último golpe.

E isso tudo depois do JN mostar, na "Semana dos Candidatos", uma Marina ao mesmo tempo meiguinha e valente, nos braços do povo e, incansavelmente cruzando o Brasil de ponta a ponta, inclusive emagrecendo, a coitadinha, que já é tão magrinha, ao contrário de Dilma, que engordou, como mostrou o Jornal da Mentira. Aliás, vocês viram as torneiras douradas do jatinho de 50 milhões de dólares que a menina-pobre-da-floresta está usando na campanha? O Conversa Afiada conta a historia do aviãozinho.

Mas todos já sabem Marina não é, na verdade, a nova candidata da direita: ela apenas está sendo usada para tentar levar o fracasso chamado Serra ao segundo turno. Mas a trouxa está adorando, e o que é pior: passou a pagar o favor, papagaiando o discurso da direita brucutu..

A única pesquisa destoante da canalhice em curso é a da Vox Populi, que guarda coerência com a série histórica apresentada, que demonstra variações, mas sem grandes sobressaltos, ou seja, nada que ameace a vitória de Dilma já no primeiro turno:

Vox Populi/iG/Band
Dilma: 47% (53% válidos);
Serra: 26% (30% válidos);
Marina: 24% (16 válidos).

Bem que Paulo Henrique Amorim avisava no Twitter momentos antes do JN: "cuidado com a baixaria Datafalha e Globope". Ali Kamel acaba de ganhar mais uma medalhinha. Mas não vão levar, não. É que eles esqueceram de combinar com os russos, digo, com o povo brasileiro, que não entra em maracutaia golpista e já fez a sua escolha há tempos pela continuidade do Governo Lula com Dilma.
armarinho da política 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Atualização das pesquisas até 14 de setembro



Pesquisa Sensus mostra Dilma com 50,5% contra 26,4% do #SerraCaluniador

 Robson Bonin 
 Do G1, em Brasília

A pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada nesta terça-feira (14), mostra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 50,5% das intenções de voto, 24,1 pontos percentuais à frente do candidato do PSDB da UDN, José Serra, que tem 26,4%. Marina Silva (PV) aparece com 8,9%.

Entre 10 e 12 de setembro, foram ouvidos 2 mil entrevistados em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Na última rodada, divulgada em 24 de agosto, Dilma tinha 46% contra 28,1% de Serra e Marina, 8,1%.

Entre os demais candidatos, Zé Maria (PSTU) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) aparecem empatados, com 0,6%. Eymael (PSDC) tem 0,2% e Rui Pimenta (PCO), 0,1%. Levy Fidelix (PRTB) e Ivan Pinheiro (PCB) não pontuaram. Brancos e nulos somaram 3,5% e os entrevistados que não souberam ou não responderam totalizaram 9,1%.

Segundo turno

Em um eventual segundo turno pesquisado pelo Instituto Sensus entre Dilma e Serra, a petista venceria com 55,5%. Serra teria 32,9% das intenções de votos. A pesquisa não simulou segundo turno envolvendo a candidata do PV, Marina Silva.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Agressividade dá votos?

O marketing da guerra: agressividade que tira votos

por Weden, no blog do Nassif, via Vermelho
Um movimento de intenção de votos foi constatado tanto pelo Datafolha quanto pela diária do Vox Populi, com pesquisas realizadas na semana do “escândalo” da Receita. Curiosamente, há um indício que passou despercebido até pelos blog-jornalistas mais críticos.

Como anda a eleição presidencial nos estados

domingo, 5 de setembro de 2010

Agora vai....



O título da notícia do portal Estadão não deixa de ser verdadeiro. Mas é hilário:
"Dilma para de avançar e Serra deixa de cair, indica pesquisa Ibope"
Lembra de outras manchetes fantásticas do jornalão.
Uma delas, na campanha de 1989, quando o diário dos Mesquitas apoiava o "liberal" Guilherme Afif Domingos para a Presidência.
Claro que o peso e a desimportância do candidato não lhe davam nenhuma esperança de vitória, mas o Estadão confiava tanto no seu sucesso - ou torcia por ele - que num belo dia sapecou, em duas linhas, uma manchete que quase mudou os rumos da eleição:
"Afif reage e
chega a 9%"
O outro título histórico do Estadão foi em 1986, quando Antonio Ermírio de Moraes se arriscou na política e se candidatou para o governo paulista, com as bençãos, é claro, do Estadão. No fim, ele levou uma surra de Orestes Quércia, mas poucos dias antes do pleito, o jornal tentou dar alguma esperança ao empresário. E mancheteou:
"Indecisos podem
dar vitória a Ermirio"
Ah, se todos os indecisos, sem exceção, tivessem votado nele...
Crônicas do Motta

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Datafolha registra 1ª pesquisa após TV



O Datafolha registrou dia 17/08 no TSE, a primeira pesquisa nacional a ser realizada depois do início dos horários de rádio e televisão.
Ao contrário das últimas vezes, não haverá “desproporcionalização” das amostras estaduais. Serão 2750 entrevistas aplicadas na sexta-feira, dia 20, que, em tese, deveriam captar os efeitos dos dois primeiros dias (terça e quinta-feira) da propaganda dos candidatos a presidente.
Desta vez, a pesquisa não é em parceria com a TV Globo. A Folha de São Paulo é responsável, sozinha, pelo pagamento dos R$ 194 mil que, declaradamente, custará o levantamento. Na pesquisa será levantada a audiência de cada candidato na televisão, o julgamento do entrevistado sobre seu desempenho, além de dados sobre renda familiar e graus de escolaridade.
A pesquisa analisa ainda a solidez da intenção de voto e a possibilidade de mudança, indagando, neste caso, quem seria a segunda opção. Também será perguntado ao entrevistado, quem, na sua opinião, será o vencedor.
Embora seja difícil ressuscitar o Serra, todo cuidado é pouco.
tijolaço.com

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Diferença a favor de Dilma deve ser ainda maior no Vox Populi

Vox Populi deverá abrir 12 pontos de diferença
Luis Nassif Online

Conversei agora com João Francisco Meira, diretor-presidente do Vox Populi. A próxima pesquisa sairá no fim de semana. Sua avaliação é que Dilma abrirá "12 pontos para cima" sobre José Serra.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Começa a ser aberta a “caixa preta” do Datafolha


TSE autoriza PRTB a ter acesso aos dados do Datafolha
Por Altamiro Borges
O instituto de pesquisas Datafolha, controlado pela famíglia Frias – que também é dona do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL – está na berlinda. Ninguém agüenta mais as suas manipulações. O deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) já está propondo uma auditoria. “O Datafolha perdeu qualquer compromisso com a ciência estatística e passou a funcionar com uma arrogância que não se sustenta ao menor dos exames que se faça dos resultados que apresenta nas pesquisas”, argumenta o parlamentar.