"O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou na quinta-feira (12/02) que voltará a jogar a água do rio Pinheiros, um dos mais poluídos do Estado, na represa Billings e no sistema Guarapiranga, para dar conta de abastecer a população. A iniciativa já foi barrada pelo Ministério Público no passado.
“Você limpa o rio (Pinheiros) e coloca a água na Billings. Uma outra parte desta água vai para a Guarapiranga, portanto, para abastecimento humano. Uma outra parte vai gerar energia elétrica em Cubatão [na usina de Henry Borden], que é muito eficiente porque a queda é de quase 700 metros de altitude, e o recurso da energia elétrica ajuda a viabilizar tudo isso. O [Jerson] Kelman [presidente da Sabesp] está retomando esse processo. Lá atrás houve questionamento do Ministério Público, mas podemos retomar este trabalho”, disse Alckmin, em entrevista à radio CBN.
Em 2011, o governo Alckmin teve de suspender a despoluição do rio Pinheiros pois a tecnologia empregada não barrava alguns poluentes considerados tóxicos. Além disso, a ideia em meio à crise do sistema Cantareira, vai na contramão de resolução assinada durante o governo Mário Covas (PSDB), de só reverter água do Pinheiros e do Tietê para o corpo da Billings em caso de alagamentos na Capital.
Na entrevista à CBN, Alckmin não deixou claro que tipo de tecnologia a Sabesp pretende empregar desta vez na despoluição do Pinheiros.
Especialistas como Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp, acreditam que a Sabesp vai usar produtos quimícos que não darão conta de limpar completamente a água para consumo. Ele alerta que, se isso acontecer, a população terá condições de detectar pela cor do líquido e pelo cheiro."
"Olhando para a frente, a situação de São Paulo é preocupante, é grave, e temos que torcer pelo melhor, mas estar preparados para o pior", disse Jerson Kelman, novo presidente da Sabesp; ele lembrou que as pancadas de chuva de verão não têm sido fortes o suficiente para recuperar os níveis do Sistema Cantareira; "é preciso deixar claro para manter sempre esclarecida a população de que essas chuvas intensas e curtas não resolvem o problema"; ele pediu que a população continue economizando o máximo possível para evitar medidas mais drásticas em 2015
A situação hídrica de São Paulo ainda é crítica, apesar dos temporais que têm marcado este início de verão em São Paulo. Quem afirma é o novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, que concedeu uma importante entrevista ao jornalista Artur Rodrigues, da Folha de S. Paulo (leia aqui a íntegra). "Olhando para a frente, a situação de São Paulo é preocupante, é grave, e temos que torcer pelo melhor, mas estar preparados para o pior", disse ele. Kelman pediu ainda para que a população continue economizando, a despeito das imagens do noticiário de verão, que mostram enchentes e carros boiando em São Paulo.
"O que poderia acontecer de ruim é você ter uma enchente, carros boiarem, essas coisas que acontecem no verão, e ter um efeito colateral indesejável que seria a população imaginar que o problema está resolvido e relaxar na postura que está tendo de uso econômico da água."
Segundo ele, o uso consciente da água é crucial para evitar medidas mais drásticas em 2015.
Ontem, ao tomar posse para mais um mandato, o governador Geraldo Alckmin se colocou como principal voz da oposição, no cenário político nacional.
Pré-candidato à presidência da República em 2018, ele precisa, antes, solucionar a crise de abastecimento de água no estado mais próspero do País para levar adiante suas pretensões.
A atuação de Kelman, portanto, será decisiva para o futuro de Alckmin. Ontem, o Sistema Cantareira operava a 7,2% de sua capacidade."
"Segundo o governador Geraldo Alckmin, as estações de produção de água de reuso vão gerar três mil litros por segundo; volume será devolvido à represa Guarapiranga e ao rio Cotia; em seguida, a água será novamente tratada e transformada em potável; obras devem ser entregues em dezembro de 2015 Brasil 247 O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que a região Metropolitana de São Paulo terá 29 novos reservatórios que vão ampliar em 10% a produção de água.
Em visita ao Sistema Alto da Boa Vista, ele disse ainda que os reservatórios "estão sendo construídos com material de aço, e não com concreto armado. Então, em vez de três anos para fazer um grande reservatório, leva um ano para construção, além de custar 60% do preço". Três já foram entregues, seis serão até dezembro e outros dez até março de 2015. Os demais serão concluídos até o fim do ano que vem. O investimento na construção desses reservatórios é de R$ 169 milhões. Além disto, o governador anunciou também duas estações de produção de agua de reúso, que vão gerar três mil litros por segundo. Esse volume será devolvido à represa Guarapiranga e ao rio Cotia, aumentando a oferta de água nos mananciais. Em seguida, a água de reúso será novamente tratada e transformada em água potável. Essas obras devem ser entregues em dezembro de 2015.
Por fim, Alckmin detalhou o aumento da produção de água no Guarapiranga, que fornecerá neste mês mais mil litros por segundo, quantidade suficiente para abastecer uma cidade com 300 mil habitantes. As obras começaram em julho de 2013. O valor total dos investimentos é de R$ 76,5 milhões (com informações do governo do Estado)"
As previsões meteorológicas – hoje muito precisas – indicam que, a partir do final de semana, São Paulo terá chuvas fortes.
Pode chover, num dia, quase o mesmo que choveu durante todo o mês de outubro e o volume total deve passar de 100 milímetros de precipitação.
Infelizmente, porém, isso não trará praticamente nenhuma elevação do nível dos reservatórios assolados pela seca. Subirão, no máximo, décimos de um ponto percentual.
A única dúvida que se tem, séria, a esta altura, é sobre quando se dará o colapso no abastecimento. Porque se haverá já é algo com que só o maior dos otimistas, contando com um verão miraculosamente diluviano, pode esperar.
Você, que se acostumou com pesquisas eleitorais, veja como é o “ibope” do Cantareira, em matéria de reserva de água, e veja como tudo foi um desastre anunciado.
Em 27 de outubro de 2010, os reservatórios tinham 78% de sua capacidade preenchidos com água.
Na mesma data, em 2011, eles oscilaram para 69,7%.
Em 27 de outubro de 2012, o índice caiu para 56,2.
No ano passado, no mesmo dia, tinham 37,5%
Hoje, baixaram a menos 16%, porque o zero daquela estatística fica antes do “volume morto” que está nas últimas gotas.
No final da temporada chuvosa de 2010/2011, a 1° de maio, a água havia subido perto de 16 pontos, para 93,7%.
No fim das chuvas de 2011/2012, havia ganho 4,7%, subindo para 73,4%. Quando terminaram as chuvas de 2012/2013, subiu também 6,6%, passando a 62,8%.
2013 para 2014, como todos sabem, veio a seca e, em lugar de subir, o volume baixou 27,3%, para 10,2% de água disponível, afora o volume morto.
Logo, se o regime de chuvas deste verão foi o melhor dos últimos cinco anos, sem contar o deficit hídrico do solo, os empoçamentos e tudo o mais que faz de uma seca o quanto pior, pior, o Sistema Cantareira entrará no período seco com zero de armazenamento, tendo reposto apenas o volume morto.
Pouco mais,mas bem pouco mesmo, talvez, se a Sabesp mantiver os paulistanos sem água também no período de temperaturas elevadas, porque o envio de água à cidade já caiu de médias de 32 mil litros por segundo para apenas 20 mil litros por segundo.
E agora já não há mais nada a fazer, porque não se fez quando era tempo. Pode não faltar (mais) água em São Paulo, mas por um milagre pelo qual estamos todos torcendo.
Mas não se administra a vida de milhões de pessoas esperando milagres."
"O racionamento de água na região metropolitana de São Paulo tem como agravante o festival de nonsense perpetrado pela equipe do governo Alckmin.
A comédia começa com as declarações de Paulo Masssato, diretor metropolitano da Sabesp, dizendo que “se houver alguma crise maior, vamos distribuir água de canequinha”.
Mauro Arce, secretário de Recursos Hídricos, descarta categoricamente o rodízio de água até 2015. Já Dilma Pena, diretora-presidente da Sabesp, derrapou ao afirmar que a falta de água em diversas regiões de São Paulo não é problema de racionamento ou rodízio, mas sim redução de pressão na distribuição do sistema de água. Até mesmo as torneiras do Palácio dos Bandeirantes já trouxeram a realidade a tona.
Mas nem mesmo as torrenciais chuvas salvarão o Sistema Cantareira a médio ou longo prazos. Para o Cantareira se recondicionar e voltar às condições aceitáveis de 80% da capacidade total às vésperas do período de estiagem será necessário o mais úmidos dos invernos. A capacidade de armazenamento é de quase 1 trilhão de litros de água.
Em dezembro passado, o regime de chuvas atingiu 62 milímetros. A média histórica neste mês é da ordem de 226 milímetros. Em janeiro, tivemos apenas 87,8 milímetros, ante a média histórica 260 milímetros.
Se somarmos a realidade pluviométrica do final de 2013 e o início de 2014 no Sistema Cantareira, somente alcançaremos a chamada “segurança de abastecimento” se o regime de chuvas fosse inversamente alterado, algo inimaginável.
Em maio de 2013, tivemos apenas 2,3 milímetros de chuvas acumulados no mês. Em 2003, maio foi mais chuvoso, mas mesmo assim com míseros 32,6 milímetros.
Mas não se pode creditar apenas à falta de chuva a atual crise de abastecimento na região metropolitana.
Desde 2004, a Agência Nacional de Águas alerta para a alta dependência do Cantareira.
Os maiores competidores pelo consumo de água, Campinas e Piracicaba, continuarão a reivindicar fatia maior do sistema, considerando a letargia da Sabesp no controle de perdas e a obsoleta rede de distribuição.
O déficit no fornecimento de água vinha aumentando ano a ano. Aliado a isso, o consumo por habitante na maior cidade do Hemisfério Sul cresce anualmente, criando um déficit na relação disponibilidade/demanda.
Cada vez que a Sabeso anuncia uma parceria público-privado para expansão busca de água em regiões cada vez mais distantes, o bem escasso passa a entrar no balanço das grandes corporações.
Qualquer iniciativa, como a anunciada às vésperas do racionamento, de buscar água no Vale do Ribeira (Sistema São Lourenço), somente trará leve conforto ao Cantareira daqui a 5 anos. Ainda assim, será suficiente para a zona oeste da região metropolitana em médio prazo.
Assim, antes de culpar o clima seco pelo desabastecimento de água, é preciso lembrar do elemento humano: a frágil capacidade de gestão e o sucateamento da máquina pública."
Edson Domingues, 45 anos, é escritor, ambientalista e autor de projetos de sustentabilidade na periferia de São Paulo. Formado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, FESPSP.