Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EUA, China e Rússia: nova Guerra Fria?


547584 копия

O objetivo deste primeiro de uma série de artigos, é analisar os atuais conflitos na Síria e na Ucrânia, a partir dos posicionamentos de EUA, China e Rússia em relação a eles, tendo como pano de fundo a transição na ordem mundial que está em curso. Tais conflitos somente podem ser compreendidos a partir de uma visão global dos conflitos geopolíticos e econômicos, pois não são fenômenos estritamente nacionais.
No atual sistema de poder internacional, desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos da América (EUA) são a única super-potência mundial. A principal potência imperialista está no vértice do sistema e exerce a sua hegemonia em aliança com as potências europeias (principalmente a Alemanha, mas também o Reino Unido e a França) e o Japão, articuladas no G-7 e na Otan. Para Samuel Pinheiro Guimarães, no “sistema internacional moderno, existe um condomínio de grandes potências, sob a hegemonia imperial americana consagrada no sistema das Nações Unidas”.
Segundo o especialista em Geopolítica Wanderley Messias da Costa, no contexto do capitalismo imperialista, a partir do final do século XIX até hoje, emergiram as potências mundiais e “as estratégias dessas potências tornaram-se antes de tudo globais, isto é‘projetos nacionais’ tenderam a assumir cada vez mais um conteúdo necessariamente internacional.”
Na coalizão liderada pelos EUA, obviamente há contradições, em especial com a Alemanha a França, que lideram a União Europeia, mas a força relativa dos EUA nas áreas econômico-financeira, tecnológica, político-diplomática e sobretudo militar, é tão grande que inibe possíveis dissensões e confrontos entre os membros da coalizão, fruto das contradições inter-imperialistas. As divisões entre as potências imperialistas durante o século XX, evoluindo para graves conflitos de interesse e depois guerras, estiveram na gênese das duas guerras mundiais.
No pós-Guerra Fria, todas as principais potências imperialistas fazem parte da mesma coalizão, amalgamada pela supremacia estadunidense. Talvez essa seja a principal razão, ao lado do “equilíbrio do terror” que a capacidade militar nuclear e de armas de destruição em massa de vários países cria, para não haver hipótese plausível de uma Terceira Guerra Mundial hoje.
Em termos geopolíticos, econômicos e militares, acelera-se a transição em curso nas relações de poder no mundo. Porém, a supremacia dos EUA ainda é muito grande, e a transição atual não está dada, é uma tendência, um movimento entre uma ordem global unipolar e uma possível nova ordem multipolar, que provavelmente terão os EUA e a China como futuras super-potências, e novos pólos como a União Eurasiática e a América do Sul integrada. Todavia, esse trânsito pode ser abortado por esforços de contenção, conflitos e guerras, a fim de se manter o status quo da ordem mundial.
O movimento de transição em direção à multipolaridade, apesar de reversível manu militari, deverá ser complexo e prolongado, contudo é uma tendência com direção, cujo ritmo e intensidade têm se acelerado e se intensificado nos últimos anos. Segundo James N. Rosenau, “uma ordem global nova ou reconstituída pode muito bem levar décadas para amadurecer”.
Em um contexto de crise capitalista internacional, os EUA e a União Europeia ampliam a ofensiva econômica e militar para tentar reverter a tendência ao declínio relativo de sua hegemonia. Assim, objetivamente, adensa-se a disputa entre os EUA e os países líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por um lado, e a China, a Rússia, os demais BRICS e países em desenvolvimento, inclusive da América Latina, por outro. Essa tendência da atualidade não é inexorável e eterna, como também não o é nenhuma ordem mundial.
O conflito na Síria, seguido pelas disputas político-militares na Ucrânia, marca uma nova etapa, no qual os Estados Unidos, a União Europeia e a Otan podem muito, mas não podem tudo. De 1989, ano da “queda do Muro de Berlim”, a 2012-2015 foram quase 25 anos de supremacia quase completa do chamado Ocidente, principalmente nos temas de segurança internacional. Agora essa situação começa a se alterar.
Os dois vetos seguidos de Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU, em 2012 e 2013, somados ao conflito entre a Rússia e a Georgia, que terminou com uma resposta militar russa e o reconhecimento de Moscou à independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, em 2008, podem ser caracterizados como ações políticas de Rússia e China que indicam um possível novo equilíbrio de poder em formação. A paralisação do Conselho de Segurança, em temas tão relevantes para os EUA, o Reino Unido e a França, quanto os conflitos na Síria e na Ucrânia, é algo inédito desde o fim da União Soviética.
Para Celso Lafer e Gelson Fonseca Jr., “as formas globais de equilíbrio de poder, multipolares, bipolares, ou a condição unipolar, afetam diretamente a maneira pela qual os organismos internacionais realizam os princípios e valores que adotam”. Os autores associam “a relação bipolar na Guerra Fria e a paralisação do Conselho de Segurança”, dizendo que uma das principais evidências da nova ordem mundial pós-Guerra Fria é que “estaria superado, aí sim, um defeito do sistema anterior, justamente o bloqueio dos mecanismos multilaterais pelo impasse permanente no Conselho de Segurança” da ONU.
Daí autores como Luiz Alberto Moniz Bandeira fazerem referência a uma “segunda Guerra Fria”. Para Moniz Bandeira – que escreve em seu livro “A Segunda Guerra Fria” antes do agravamento do conflito na Ucrânia –, há uma “nova guerra fria” em curso, e “a Síria converteu-se Major Theater War [maior teatro de guerra] (MTW) da segunda guerra fria, evidenciando mais nitidamente a confrontação de dois blocos, conformados, de um lado, por Estados Unidos, União Europeia, petromonarquias do Golfo Pérsico, Turquia e Israel, e, do outro, por Rússia, China e Irã, não obstante a diversidade e as contradições de interesses”.
Nos próximos artigos discutiremos as relações entre EUA, China e Rússia, e como estas se manifestam nos atuais conflitos envolvendo a Síria e a Ucrânia.

Por Ricardo Alemão Abreu**ECONOMISTA, MEMBRO DO COMITÊ CENTRAL E DA COMISSÃO POLÍTICA DO PCdoB, NA TAREFA DE SECRETÁRIO NACIONAL DE ORGANIZAÇÃO
link: http://renatorabelo.blog.br/2015/11/09/eua-china-e-russia-nova-guerra-fria/

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

EUA e a estratégia de guerra contra Rússia na Ucrânia


Os Estados Unidos do Prêmio Nobel da Paz Barak Obama empreendem uma guerra virtual contra a Rússia e preparam obstinadamente uma guerra real para ser travada em território ucraniano. Não importa a inviabilidade dessa aventura militar, do ponto de vista estratégico. O objetivo não é controlar o território ucraniano e “salvá-lo para a democracia”, mas esgotar em combate o poderio russo mediante seu estrangulamento econômico e militar numa guerra convencional em terceiro país. É que nem os lunáticos neoconservadores instalados no Pentágono, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional proporiam um ataque direto à nação russa, dada sua condição de potência nuclear de primeira linha.

A estratégia central norte-americana é afirmar sua hegemonia mundial a partir da força. É-lhe intolerável a realidade de um mundo apolar ou multipolar em face da presença de um competidor nuclear como a Rússia e de uma potência econômica ascendente como a China, também ameaçadora, a médio prazo,  no campo militar. Para os neoconservadores, a hora de agir é agora, antes que essas forças rivais criem raízes mais profundas. O pretexto ucraniano vem a calhar. Depois de derrubar um governo legítimo e colocar em seu lugar um bando de facínoras, o próximo passo é a incorporação da Ucrânia à OTAN, em aberto desafio à Rússia. Só com muito sangue frio Putin poderá contornar mais essa provocação no quintal da Rússia.

É muito fácil começar uma guerra de grandes proporções na terra dos outros,  sobretudo quando se tem a ilusão de um poder assimétrico em relação ao adversário  e mesmo quando não se tem certeza quanto aos efeitos. É que, uma vez instalado o caos que se segue a uma guerra, não basta ter imensa superioridade miliar para controlar suas consequências. Os Estados Unidos são peritos em começar guerras inacabadas: foi assim na Coreia, no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão; mais recentemente insuflaram revoluções no norte da África, que resultaram em dramática carnificina e permanente instabilidade na Líbia e no Egito. Entretanto, quando se trata de conseguir a paz, os Estados Unidos lavam as mãos. Os outros é que cuidem do estrago que provocam, como no Haiti e no Iraque.

É muito fácil entender a estratégia dos chamados neoconservadores americanos que acabaram de colocar agora um representante na principal cadeira no Departamento de Defesa. Querem repetir o processo que levou à exaustão a antiga União Soviética. Dado que Estados Unidos e Rússia estão em virtual paridade nuclear, a solução é levar a Rússia à capitulação através de uma guerra convencional, não em território russo, que arriscaria uma guerra nuclear, mas no território de um terceiro país. Nada melhor, pois, que a Ucrânia. 

O objetivo dos neoconservadores é tentar repetir uma estratégia que, embora tendo dado certo na liquidação da União Soviética, não liquidou o Estado russo que estava em seu coração. O Estado socialista desmoronou, mas a nação russa, mesmo ferida, continuou de pé. Putin tratou de recuperá-la por inteiro colocando-a na condição de um estorvo nuclear que limita a vontade de poder ilimitada de Washington. A intenção norte-americana de atacar o governo sírio esbarrou efetivamente no veto russo e chinês. Isso, claramente, expôs a impossibilidade prática do exercício de um poder hegemônico na era nuclear partilhada. Transformado num boneco operado pelos neoconservadores, Obama resolveu “estrangular” a Rússia com embargos econômicos.

Recordemos os passos que levaram à extinção da União Soviética a fim de examinarmos os paralelos atuais. Em meados dos anos 70, foi refundada em Washington por influência do então diretor da CIA, George Bush pai, a ONG denominada “Comitee on the present danger”, ou Comitê para o Perigo Presente (CPD). Tinha como principal objetivo estatutário “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”. Do Comitê faziam parte 60 personalidades notáveis do círculo conservador norte-americano, sendo que o futuro Presidente Ronald Reagan filiou-se à ela pouco antes de eleger-se em 1979. Como Presidente, levou a posições de alto destaque no Departamento de Defesa, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional 33 integrantes do Comitê.

Em 1985, quando estive na Alemanha para cobrir a reunião dos Sete Grandes, andava por lá o chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Richard Perle, membro do CPD, fazendo conferências sobre o conceito subjacente ao programa de escudo nuclear, então conhecido como Guerra nas Estrelas, que se baseava no princípio de “guerra nuclear protegida”. Perguntei aos alemães o que achavam daquilo, pois a guerra nuclear “protegida” no contexto de Guerra nas Estrelas implicava a proteção nuclear do território norte-americano, mas não do europeu. Os alemães com quem conversei estavam perplexos. Imagino que estejam perplexos de novo com a marcha forçada pela guerra em território da Ucrânia, que os expõe diretamente às forças militares russas convencionais em seu próprio território.

É importante assinalar que não se tratava apenas de retórica. Diretivas presidenciais de Reagan, na virada do primeiro para o segundo mandato, introduziram mudanças cruciais nos programas de computador que põem em posição de ataque os três sistemas estratégicos baseados em terra, mar e ar das forças nucleares norte-americanas. Através de vazamentos de imprensa, soube-se de mudanças fundamentais  no SIOP (Single Integrated Operational Program, ou Programa Operacional Integrado Único), a parafernália eletrônica capaz de desencadear uma guerra nuclear contra a então União Soviética a partir do teatro europeu.

A principal alteração no SIOP, de acordo com os fragmentos de diretivas presidenciais secretas,  recolhidos e reconstituídos por um cientista canadense, F. Knelman (em “America, God and the Bomb”), consistiu em recuar para oito minutos, pelo princípio do prêmio por resposta rápida, o início de um ataque nuclear total à União Soviética a partir do primeiro alarme. Não se tratava de uma questão acadêmica. Como um hipotético míssil soviético em cruzeiro levaria 36 minutos para mergulhar em território nacional norte-americano (trata-se de míssil disparado de terra: não se menciona a frota indetectável de submarinos nucleares, por expediente elusivo de convencimento), o programa Guerra nas Estrelas só se justifica se houver uma capacidade efetiva de interceptá-lo no meio da trajetória, isto é, no mínimo 18 minutos depois do disparo. 

O mesmo tempo é o que levaria um míssil americano disparado de terra para alcançar o míssil hostil na estratosfera. Entretanto, seria necessário um sistema de detecção instantânea do início do ataque. Para qualquer efeito prático, não há possibilidade de alcançar o míssil antes que cruze o ponto médio da trajetória, a não ser de uma base em órbita. O programa Guerra nas Estrelas pretendia pôr bases em órbita, mas até lá seria necessário contar com a boa vontade dos estrategistas soviéticos para não atacarem primeiro. Por isso reduziram o tempo de resposta do SIOP a oito minutos, pelo que ficou limitado a um nível de redundância o processo de checagem para confirmar se um disparo captado na tela de controle eletrônico era um disparo real. Com isso ficamos todos expostos à possibilidade de uma guerra nuclear casual na medida em que o SIOP reagiria automaticamente a uma checagem errada sem tempo de consulta para resposta ao falso ataque do Presidente da República.

O primeiro passo para implementar Guerra nas Estrelas era ignorar o tratado SALT II, que vedava a construção de sistemas antibalísticos por parte de EUA e União Soviética. A lógica do SALT II, jamais aprovado pelo Senado norte-americano mas até então respeitado pelo Executivo, era simples: a dissuasão nuclear só se efetiva na base da autodestruição assegurada por quem iniciar uma guerra nuclear. Se um dos lados conseguir construir um sistema operacional que efetivamente proteja seu território de um contra-ataque nuclear, ele estará livre para desencadear um primeiro ataque sem medo de retaliação. Cientistas de todo mundo, inclusive americanos, questionaram as bases técnicas de Guerra nas Estrelas, mas Reagan, a fim de esgotar a União Soviética numa corrida tecnológica para construir seu próprio escudo, levou Gorbachev a uma posição insustentável por falta de condições econômicas e técnicas para isso.

Foi a combinação de pressão tecnológica, econômica e política norte-americana que levou a União Soviética à autodestruição. É este mesmo caminho que está sendo seguido agora para levar a Rússia à exaustão econômica e à rendição política. Não se trata de teoria conspiratória. Os norte-americanos, conscientes de sua superioridade militar e econômica, nunca escondem suas reais intenções. Seus movimentos são explícitos e claramente apresentados em documentos estratégicos públicos. Assim, eis como a intenção de eliminar qualquer possibilidade de “um novo rival” era colocada em 1992, imediatamente depois da derrota da União Soviética, pelo neoconservador Paul Wolfowitz, do CPD, então Subsecretário da Defesa, no Manual de Planejamento de Defesa: 

“Nosso primeiro objetivo é prevenir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética seja em outro lugar, que coloque uma ameaça do tipo que foi colocado pela antiga União Soviética. Isso é uma consideração dominante sublinhando a nova estratégia de defesa regional e requer que previnamos qualquer  tentativa de um poder hostil de dominar uma região cujos recursos poderiam, sob controle consolidado, ser suficiente para gerar poder global.”

Essa linha estratégica está sendo trilhada religiosamente no sentido de evitar que a Rússia seja um embaraço para a hegemonia militar absoluta norte-americana, contornando a realidade elidida da virtual paridade nuclear. O SALT II foi revogado,  unilateralmente, pelos EUA. Eles se recusam, por outro lado, a fazer um tratado de desmilitarização do espaço.  Assim, é necessário recuar à geopolítica anterior à Guerra Fria para entender os movimentos americanos. De fato, há uma década e meia a possibilidade real de uma guerra na Ucrânia está sendo preparada metodicamente pela OTAN, que agora mesmo acaba de decidir aumentar o comprometimento de orçamento militar de seus membros (2% do PIB) por pressão americana. Desde 1999 que a Organização avança para o Leste. Naquele ano, incluiu a República Checa, a Hungria e a Polônia. Uma segunda expansão se deu em 2004, incluindo Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, România, Eslováquia e Eslovênia.  Com isso, quase metade dos países atualmente membros da OTAN foram incorporados, rumo ao Leste, depois do fim da URSS. Paralelamente expandia-se para Leste a União Europeia, cujo último movimento seria a tentativa de tomada de posse da Ucrânia. E só não houve a efetiva incorporação da Ucrânia e da Geórgia, formalmente sinalizada na cúpula de Bucareste em 2008, porque dessa vez Putin reagiu pela força, pois se tratava, a seu ver, de colocar uma fortaleza militar hostil no quintal de seu país.

O cerco militar à Rússia segue uma tríplice estratégia: alargamento da OTAN, expansão da União Europeia e promoção da “democracia”, obviamente desconsiderando o risco de uma guerra aberta. Diante do baile estratégico que foi a absorção da Crimeia pela Rússia, com apoio esmagador da população da península, os Estados Unidos se movem na direção da guerra através inicialmente de sanções econômicas, a partir de uma posição forte, recém-conquistada, no campo da energia. Contudo, não nos iludamos. Uma guerra convencional seria de alto interesse norte-americano, desde que ela pudesse esgotar a capacidade militar e econômica russa sem o risco de escalar para uma guerra nuclear. É com essa possibilidade que os neoconservadores contam para iniciar a guerra. 

Sabemos, por outro lado, pela experiência histórica, que os Estados Unidos não se preocupam muito em como acabar com guerras. Para eles trata-se de um jogo estratégico para assegurar a afirmação da hegemonia mundial. Por isso, no momento, a única força capaz de parar a máquina de guerra americana é o povo dos Estados Unidos, tocado pela consciência de solidariedade com os bilhões de inocentes do mundo, e eles próprios, que sofreriam as consequência de uma guerra proto-nuclear. É necessário que os inocentes rompam com a passividade, falem e votem. De fato, os Estados Unidos podem esgotar as forças econômicas e militares dos russos numa guerra em território de terceiro. Mas o que acontece com uma potência derrotada, humilhada, sitiada, e não obstante de posse de um imenso arsenal nuclear?

Aos que consideram essa análise exagerada peço que leiam “Foreign Affairs”, uma das mais prestigiosas revistas do estabelecimento norte-americano, em detalhados e esclarecedores artigos sobre a “crise” na Ucrânia, na edição de setembro último. Um deles diz claramente: “a crise na Ucrânia é nossa culpa”, referindo-se aos Estados Unidos. No corpo da matéria vem a narrativa da marcha da OTAN para Leste, em confronto direto com entendimentos anteriores com os russos e sob constantes protestos destes. Ali também se encontra o relato do caos planejado pelo Departamento de Estado e ONGs patrocinadas pelo Governo norte-americano para derrubar o governo legítimo pró-russo de Kiev, colocando em seu lugar um governo que tem pelo menos quatro membros proeminentes neofascistas.

Ainda em termos de medidas provocativas contra a Rússia, destaca-se a monstruosa derrubada do avião comercial MH 17 sobre o Leste da Ucrânia, um típico atentado terrorista que os Estados Unidos pretenderam atribuir a forças pró-russas. Falso. O avião, de que já não se fala mais muito sintomaticamente, foi derrubado por forças do governo de Kiev, conforme denunciou o presidente russo Vladmir Putin, numa reunião internacional, com base em investigações independentes, e com praticamente nula repercussão no Ocidente.

O ânimo dos neoconservadores  norte-americanos para o confronto global com os russos, a partir da economia, ganhou força com a revolução energética representada pela exploração de gás de xisto nos Estados Unidos através de uma das mais criminosas tecnologias do ponto de vista ambiental, o fracting. O sucesso comercial do empreendimento, com rápida expansão de produção de gás e petróleo de xisto, possibilitou atacar o principal pilar da economia russa, grande produtora e exportadora de petróleo e gás, e, simultaneamente, “tranquilizar” os europeus quanto à possibilidade de cessação de suprimento de gás russo à Europa, o qual seria substituído pelo norte-americano.

Não se sabe se os sauditas entraram nesse jogo por razões geopolíticas, evitando reduzir a produção de petróleo para prejudicar os russos, ou por suas próprias razões de tentar inviabilizar economicamente a produção de hidrocarbonetos por fracting. O fato é que também grandes empresas norte-americanas, que investiram pesadamente no petróleo e gás de xisto, estão tendo pesados prejuízos com a redução do preço do petróleo, que agrada mesmo só ao consumidor. Por outro lado, as promessas supostamente infinitas do fracting  se revelaram surpreendentemente  limitadas nos últimos meses:  em Monterey, na Califórnia, reservas de petróleo de xisto antes avaliadas em 13,7 bilhões de barris foram reavaliadas oficialmente para 600 milhões, ou 96% menos. Além disso, a opinião pública norte-americana começa a ser mover contra o fracting: segundo uma pesquisa de opinião recente, em 2008, 48% a 38% dos norte-americanos apoiavam essa tecnologia; em novembro último, 47% a 41% se manifestaram contra. Isso certamente reflete a comprovação inequívoca da destruição ambiental, sobretudo de aquíferos, que essa tecnologia suja provoca no meio ambiente de forma irreversível. 

Enquanto o mercado de hidrocarbonetos não sofrer nova reviravolta, refletindo o fracasso da Califórnia, a Rússia, sem dúvida, será penalizada pela estratégia norte-americana de seu estrangulamento econômico. Putin, com sua frieza característica, ponderou que a Rússia é um país autossuficiente e, de qualquer modo, tem meios de retaliação – imaginando certamente um embargo na exportação de gás para a Europa. Uma importante ficha para a Rússia é certamente a China, que já lhe garantiu um contrato de fornecimento de gás por 20 anos no montante de 400 bilhões de dólares, e que tem se alinhado com ela em questões geopolíticas, como no caso da Síria. Contudo, estamos claramente diante de uma escalada.

O novo passo estimulado pelos EUA foi a recente decisão do Parlamento da Ucrânia de renegar sua neutralidade. Note-se que o próprio Kissinger, num artigo recente, assinalou que a solução definitiva para a crise ucraniana, de uma forma aceitável pela Rússia, seria transformar a Ucrânia num país neutro entre a União Europeia/OTAN e a Rússia, como aconteceu com a Finlândia na Guerra Fria. Contudo, Kissinger é um velho conservador lúcido, não um neoconservador alucinado. Os EUA, sob controle destes, indicam que não aceitarão perder mais essa oportunidade de guerra. Tudo indica que forçarão a Rússia a aceitá-la. Com a integração da Ucrânia na OTAN, numa iniciativa indiferente aos milhões de russos e russófilos no Leste do país, a aliança militar ocidental estaria nas costas da Rússia, o que significa ameaça direta a seu território. O mínimo que a Rússia buscaria seria retalhar a Ucrânia com apoio local, o que de uma certa forma foi ensaiado na Crimeia. Seria então uma guerra global em território ucraniano? 


E nós, que temos a ver com tudo isso? Os inocentes entre nós acham que os neoconservadores norte-americanos veem com muita naturalidade nossa aproximação, via BRICS, com sua arqui-inimiga Rússia. Acreditam que a gravação das conversas da Presidenta foi mero divertimento. Acham que as tentativas de desestabilização do legítimo Governo brasileiro atual, assim como o reeleito, são fenômenos exclusivamente internos, ou resultantes dos impulsos éticos de alguns tribunais. Pelo fato de termos passado à margem de guerras, e estarmos no centro de um continente  peculiarmente pacífico, nos acostumamos a não pensar geopoliticamente – mesmo porque, na era nuclear, a geopolítica devia estar definitivamente fora de moda. Contudo, querendo ou não, estamos no jogo. Se o preço do petróleo cair abaixo de 40 dólares o barril, a exploração do pré-sal estará inviabilizada. Se os Estados Unidos fizeram a guerra contra a Rússia em território ucraniano, teremos de fazer difíceis escolhas.  

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB
http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2014/12/eua-e-estrategia-de-guerra-contra.html

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Por que as negociações no Oriente Médio sempre falham?

As negociações entre Israel e Palestina não chegaram a nenhum resultado. Os próprios emissários norte-americanos ficaram surpresos com a intransigência de Netanyahu; por ora, isso não coloca em questão o apoio de Washington a Tel-Aviv.


por Alain Gresh

As negociações deveriam ter começado com a decisão de interromper a construção dos assentamentos. Mas achamos que isso não seria possível, por causa da composição do governo israelense, então abrimos mão.” Entrevistada pelo famoso jornalista Nahum Barnea, do jornal israelense Yediot Ahronot, em uma reportagem1 sobre o fracasso das negociações entre israelenses e palestinos, a autoridade norte-americana, que prefere o anonimato, continuou: “Não percebemos que [o primeiro-ministro Benjamin] Netanyahuutilizava as licitações de construção nos assentamentos para garantir a sobrevivência de seu próprio governo. Também não percebemos que o prosseguimento das construções permitia que ministros sabotassem de maneira muito eficaz o sucesso das negociações. [...] Somente agora, com o fracasso das negociações, entendemos que essas construções [14 mil moradias] significavam a expropriação de terras em grande escala”.

Os norte-americanos “não sabiam”

À pergunta “vocês ficaram surpresos quando descobriram que os israelenses não estavam realmente interessados nas negociações?”, o oficial da administração Obama respondeu: “Sim, ficamos surpresos. Quando Moshe Yaalon, seu ministro da Defesa, declarou que a única coisa que [o secretário de Estado norte-americano] John Kerry queria era ganhar o Prêmio Nobel, foi um grande insulto, afinal, estávamos fazendo tudo aquilo por vocês”.

Embora todas as fontes de Barnea sejam anônimas, sabemos que o autor teve acesso a todas as autoridades norte-americanas, inclusive Martin Indyk, encarregado pelo presidente Barack Obama de supervisionar as negociações entre israelenses e palestinos. O argumento principal resume-se a três palavras: “Nós [os norte-americanos] não sabíamos”. Não sabiam o que significavam os assentamentos; não sabiam que o governo israelense não estava interessado nas negociações.

É possível acreditar nisso? Os Estados Unidos, principais aliados de Israel, envolvidos no “processo de paz” há quatro décadas, “não sabiam”? Como acreditar que o secretário de Estado John Kerry atravessou oceanos dezenas de vezes, conduziu centenas de horas de negociações, conversas telefônicas e videoconferências, realizou inúmeros encontroscom a maioria dos líderes da região, em detrimento de outras questões internacionais – em uma palavra, como acreditar que ele dedicou tanta energia à resolução desse conflito para “só agora perceber” que as negociações não interessavam aos israelenses? Já faz mais de uma década que o “processo de Oslo” está morto e enterrado debaixo dos assentamentos. Desde 1993, mais de 350 mil colonos instalaram-se na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. E Washington ainda não entendeu?

O que se passa na cabeça de John Kerry? Por que insistir tanto no fracasso? Ele realmente “não sabia”? Na verdade, Kerry, o presidente Obama e todos os seus antecessores abraçaram com tamanha adesão o ponto de vista de Israel que já não conseguiam enxergar a realidade, não compreendiam o ponto de vista dos palestinos. Saeb Erekat, chefe dos negociadores palestinos, disse aos israelenses: “Vocês não nos veem, somos invisíveis”. Essa observação aplica-se perfeitamente aos Estados Unidos.2Para eles, assim como para os israelenses, vale um velho princípio: “O que é meu é meu; o que é seu, podemos negociar”. As terras conquistadas em 1967 são “territórios em disputa”, e todos os direitos dos palestinos são negociáveis, sejam eles sobre Jerusalém Oriental, os assentamentos, a segurança, os refugiados, a água etc. Todas as concessões devem ser feitas pelos ocupados, não pelos ocupantes. Israel pode bradar aos quatro ventos, quando aceita entregar 40% da Cisjordânia, que isso é uma concessão dolorosa, que coloca em questão a segurança, os direitos do “povo judeu” à Erez Israel (terra de Israel) etc.

Essa posição serve para o governo de Israel acumular obstáculos, reivindicando uma concessão após outra, sem que nenhuma seja suficiente. Se os palestinos reconheceram o Estado de Israel – e a recíproca não é verdadeira –, então é preciso exigir-lhes o reconhecimento de seu caráter judeu, coisa jamais exigida nem do Egito, nem da Jordânia,3 nem dos palestinos na época do primeiro mandato de Netanyahu (1996-1999).

Desta vez, no entanto, uma intransigência tão arrogante suscitou o mau humor das autoridades norte-americanas, que estourou certas vezes. Algumas delas, inclusive o presidente Obama, lembraram o fato de que não há alternativa para esses dois Estados, a não ser um Estado único no território histórico da Palestina. O próprio Kerry alertou contra um sistema de “apartheid” – embora tenha logo se retratado.4

Em um primeiro momento, os Estados Unidos revelaram-se satisfeitos com o andamento das negociações. Iniciadas em julho de 2013, elas deveriam durar nove meses, e a Autoridade Palestina fez várias concessões relativas à legalidade internacional: desmilitarização do futuro Estado palestino; presença militar israelense na Jordânia por cinco anos, substituída então pela dos Estados Unidos; PASSAGEM dos assentamentos de Jerusalém para a soberania israelense; troca de territórios permitindo que 80% dos colonos da Cisjordânia sejam integrados ao Estado de Israel. Por fim, o retorno dos refugiados seria condicionado a um acordo com Israel.5 Nenhum dirigente palestino foi tão longe como Abbas nas concessões, e é pouco provável que, no futuro, outro as aceite.

A todos esses avanços (ou retrocessos, dependendo do ponto de vista), Israel respondeu com um retumbante “não!”. Como relata umas das fontes norte-americanas de Nahum Barnea: “Israel apresentou suas necessidades de segurança na Cisjordânia. Pediu o controle total dos territórios [os norte-americanos nunca dizem ‘ocupados’, apesar da Resolução n. 242 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), de novembro de 1967]. Isso significou, para os palestinos, [...] que Israel continuaria a controlar a Cisjordânia para sempre”. No entanto, a cooperação de segurança entre Israel e a Autoridade Palestina nunca foi tão estreita, a segurança dos israelenses tão garantida – à custa, é preciso lembrar, da dos palestinos, que estão enjaulados pelo recorte dos territórios, humilhados pelos controles incessantes e regularmente realizados na Cisjordânia e em Gaza. Em 2013, 36 palestinos foram mortos, três vezes mais que no ano anterior, de acordo com a organização de defesa dos direitos humanos B’Tselem.

Retaliação alemã

Algumas semanas antes do prazo de 29 de abril, ficou claro que Netanyahu estava apenas tentando ganhar tempo. Primeiro ele quebrou a promessa de libertar o quarto grupo de prisioneiros palestinos presos desde antes de 1993. A Autoridade Palestina respondeu ratificando uma série de tratados internacionais – especialmente as Convenções de Genebra, que regulamentam as obrigações das potências ocupantes e que o governo israelense alegremente viola desde 1967. Mas absteve-se, por enquanto, de ratificar a convenção do Tribunal Penal Internacional (TPI), que permitiria processar os líderes israelenses por crimes de guerra e contra a humanidade. Para o TPI, a instalação de assentamentos em território ocupado é crime de guerra.

Quando o governo israelense confirmou sua determinação em prolongar o controle da Cisjordânia “para todo o sempre” (Bíblia, Livro de Daniel, 7-18), o presidente Mahmud Abbas, impopular e fortemente contestado dentro do Fatah, decidiu que havia chegado a hora de acabar com a divisão que, desde 2007, enfraquecia a causa palestina. As condições estavam maduras para ambos os lados. O próprio Hamas – enfraquecido pelo bloqueio conjunto de Israel e das novas autoridades egípcias, bem como pela violenta campanha antipalestina orquestrada pelo Egito, e internamente contestado por organizações mais radicais, sobretudo a Jihad Islâmica e grupos que reivindicam lealdade à Al-Qaeda – concordou com a ideia.

No dia 23 de abril, foi assinado um acordo para a criação de um governo de “técnicos”, presidido por Abbas, e para a realização de eleições legislativas e presidenciais em um prazo de seis meses. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) também deveria realizar eleições internas e integrar o Hamas, que nunca foi seu membro. Esse acordo repete aquele assinado no Cairo, em 2011, e confirmado em Doha, em 2012, porém nunca colocado em prática. Embora tal acordo não tenha despertado a indignação dos Estados Unidos e tenha sido saudado pela União Europeia, Israel usou-o como pretexto para romper negociações que, de qualquer forma, já estavam em um impasse. “Abbas deve escolher entre a paz com Israel e a reconciliação com o Hamas”,6 declarou Netanyahu, que, meses antes, questionara a “representatividade” de Abbas por controlar apenas Gaza... O líder respondeu que o futuro governo seria composto por tecnocratas e independentes: “Os israelenses perguntam: esse governo reconhece Israel? Eu respondo: claro que sim. E renuncia ao terrorismo? Claro que sim. E reconhece a legitimidade internacional? Claro que sim”.7

Poderíamos fazer essas mesmas perguntas a Netanyahu e sua coalizão governamental, e aos partidos de caráter fascista que dela participam, como o Lar Judaico, de Naftalli Bennett, com seus doze deputados (de um total de 120).8 Eles reconhecem um Estado palestino independente dentro das fronteiras de 1967? Reconhecem as resoluções da ONU? Claro que não.

No entanto, a interrupção prolongada das negociações aborrece Washington e Tel-Aviv: “Há uma ameaça muito real e imediata para Israel se ele tentar impor sanções econômicas aos palestinos”, explica uma autoridade norte-americana a Nahum Barnea. “Isso pode ter um efeito bumerangue. [...] Pode levar ao desmantelamento da Autoridade Palestina, e os soldados israelenses teriam de administrar a vida de 2,5 milhões de palestinos, para grande desespero de suas mães. Os países doadores deixariam de pagar, e a conta de US$ 3 bilhões teria de ser paga pelo seu ministro das Finanças.”9

Enquanto durar o suposto “processo de paz”, o pedido de sanções contra Israel e o boicote ao país são menos críveis. Não é coincidência que o governo da Alemanha tenha decidido, com a suspensão das negociações, não subsidiar a compra israelense de submarinos nucleares alemães, o que custará centenas de milhões de dólares ao contribuinte israelense.10 E a União Europeia poderá, depois de muito adiamento e complacência em relação a Israel, impor sanções.

Uma coisa não vai mudar: quaisquer que sejam as violações do direito internacional cometidas, os Estados Unidos ficarão firmes ao lado de Israel. Como explicou Indyk recentemente: “As relações entre Israel e Estados Unidos mudaram de maneira fundamental [desde a guerra de outubro de 1973]. Só quem conhece a situação por dentro – como eu tenho o privilégio de conhecer – sabe quão fortes e profundos são os laços que unem nossas duas nações. Quando o presidente Obama fala, com orgulho justificável, em laços ‘inquebráveis’, ele fala sério e sabe do que está falando”.11 E Indyk completa que, ao contrário do que ocorreu após a guerra de outubro de 1973, quando o secretário de Estado Henry Kissinger negociou um acordo entre Israel, de um lado, e Síria e Egito, de outro, Obama jamais suspenderia as relações militares com Tel-Aviv, como fez o presidente Richard Nixon.

Amanhã veremos o Estado palestino, sempre amanhã – assim se pode resumir o discurso norte-americano.12 Devemos aceitar que os Estados Unidos não conseguirão sozinhos e sem pressão a paz no Oriente Médio. Serão necessárias medidas fortes de sanção dos Estados contra Israel e boicote da sociedade civil, para que, enfim, os palestinos possam celebrar “o próximo ano em Jerusalém”. 
Alain Gresh é jornalista, do coletivo de redação de Le Monde Diplomatique (edição francesa).
Ilustração: João Montanaro
1 Nahum Barnea, “Inside the talks’ failure: US officials open up” [Por dentro do fracasso das negociações: autoridades norte-americanas abrem o jogo], 2 maio 2014. Disponível em: .
2 Citado por Martin Indyk, “The pursuit of Middle East peace: a status report” [A busca pela paz no Oriente Médio: relatório de situação], Washington Institute for Near East Policy, Washington, 8 maio 2014.
3 Sylvain Cypel, “L’impossible définition de l’‘État juif’” [A impossível definição do “Estado judeu”], OrientXXI.info, 5 maio 2014.
4 “John Kerry dément d’avoir qualifié Israël d’État d’apartheid” [John Kerry nega ter chamado Israel de Estado de apartheid], Lemonde.fr, 29 abr. 2014.
5 Ler Charles Enderlin, “Les Américains rejettent la responsabilité de l’échec sur Israël” [Norte-americanos rejeitam a responsabilidade pelo fracasso a Israel], Blog Geópolis, 3 maio 2014.
6 Herb Keinon, “Netanyahu: Abbas must choose, peace with Israel or reconciliation with Hamas” [Netanyahu: Abbas deve escolher entre a paz com Israel e a reconciliação com o Hamas], JPost.com, 23 abr. 2014.
7 Entrevista para rede de televisão via satélite palestina, 8 maio 2014, transmitida pela BBC Monitoring, Londres, 10 maio 2014.
8 Ler Yossi Gurvitz, “Israël aussi…” [Israel também...], Manière de Voir, n.134, abr./maio 2014.
9 Citado por Nahum Barnea, op. cit.
10 Barak Ravid, “Germany nixes gunboat subsidy to Israel, citing breakdown of peace talks” [Alemanha nega subsídio para compra de embarcações militares a Israel, citando fracasso das negociações de paz], Haaretz, Tel-Aviv, 15 maio 2014.

11 Martin Indyk, op. cit.
12 Ler “Demain l’État palestinien, toujours demain” [Amanhã veremos o Estado palestino, sempre amanhã], Le Monde Diplomatique, out. 2011.
Le Monde Diplomatique Brasil, via http://geografianovest.blogspot.com.br/2014/11/por-que-as-negociacoes-no-oriente-medio.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Quem será a próxima vítima do sistema?


                      Essa imagem já não sensibiliza mais


Quer se goste ou não, a guerra que os Estados Unidos e seus aliados travam contra o que eles chamam de "guerra ao terror" já tem dois vencedores. A indústria bélica e a Internacional Islâmica.

A indústria bélica porque está conseguindo várias nações para realizar novos testes e também para se livrar das armas obsoletas.

E a Internacional Islâmica porque, pela primeira vez na história, assiste-se a manifestação a lembrar a Guerra Civil Espanhola, quando internacionalistas de todo o mundo se uniram para enfrentar o fasci-nazismo.

O clima de intolerância, de racismo e de ódio contra os muçulmanos contou com a adesão imediata da mídia que ignorou seu papel de informar para se transformar em feroz propagandista.

 O que a mídia do Ocidente faz por convicção, a mídia terceiro-mundista faz por ignorância, ou por desconhecimento total do mundo que a cerca.

No Alcorão está escrito que tudo o que há no céu e na terra pertence a Deus.

E o que pertence a Deus pertence a todos.

E que Deus não gosta dos mustakbirun (arrogantes).

E são esses mustakbirun que hoje governam a humanidade que, apesar dos avanços tecnológicos, matam pela fome e pela exclusão mais do que todas as guerras, desde a aurora da humanidade. 

São eles os culpados pela jahiliya ( ignorância e barbárie).

Lutar contra a jahiliya é salvar a humanidade.

No Alcorão está escrito que quem salva uma vida salva a humanidade.

  
Os Estados Unidos e seus submissos respondem disparando milhares de misseis.

Cada míssil disparado daria para alimentar 50 mil seres humanos durante um mês.

Mas alguém se importa?

O sistema precisa de inimigos. Os muçulmanos de hoje são os comunistas de ontem.

E amanhã será a vez de quem?
http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br/2014/09/quem-sera-proxima-vitima-do-sistema.html

domingo, 29 de setembro de 2013

Como preparar a opinião pública para uma guerra

Documento do Ministério da Defesa britânico revelado pelo The Guardian aconselha “reduzir a sensibilidade pública às consequências inerentes de uma operação militar”

As forças armadas deveriam evitar as cerimônias de repatriação de soldados mortos em combate e usar mais mercenários e tropas de elite para neutralizar o rechaço a conflitos armados que existe na opinião pública britânica desde as guerras do Afeganistão e Iraque. Segundo um documento do Ministério da Defesa publicado nesta sexta-feira (27) pelo jornal The Guardian, o governo deveria “lançar uma campanha constante e clara para influenciar nas áreas mais importantes da imprensa e da opinião pública” buscando recuperar o apoio popular que existiu na guerra das Malvinas e na Irlanda do Norte.


(Fonte http://www.archives.gov/research/ww2/photos/images/ww2-84.jpg)

O documento aconselha “reduzir a sensibilidade pública às consequências inerentes de uma operação militar” e “inculcar a ideia de que o serviço implica sacrifícios e que estes riscos foram assumidos com plena consciência”. Uma maneira de atenuar esta sensibilidade é diminuir o número de mortes em combate: o informe recomenda fazer um maior uso dos veículos de combate não tripulados.

Outro caminho é mudar a “proporção” das mortes. Nesta particular avaliação dos riscos, o Ministério da Defesa britânico estima que uma coisa são mercenários ou membros de forças especiais como o SAS e outra são os integrantes das forças regulares. Neste último caso, o impacto público é muito maios e começa quando os meios de comunicação divulgam a identidade do soldado morto que costuma ter cerca de 10 e poucos anos e tem na foto uma expressão luminosa carregada com toda a desolação da morte. “As pessoas resistem muito melhor à morte de integrantes das forças especiais. A morte de 19 membros das SAS nas Malvinas não gerou grande comoção”, assegura documento.

O inferno mais temido do Ministério da Defesa é a repatriação de soldados mortos e sua repercussão pública nos meios de comunicação, desde a chegada do caixão no aeroporto até a passagem do carro fúnebre com as pessoas nas calçadas jogando flores e chorando, tudo implacavelmente transmitido pelos noticiários. Entre 2007 e 2011, 345 militares britânicos morreram em combate e foram repatriados com todas as honras. O informe do Ministério da Defesa sugere cerimônias menos vistosas e dramáticas.

A ideia gerou indignação entre os familiares que a qualificaram de “brushing the deaths under the carpet” (varrer os mortos para debaixo do tapete). “Combatem e dão a vida. Por que temos que escondê-los? Seria francamente escandaloso”, disse ao Guardian Deborah Allbitt, cujo marido, Stephen, morreu no Iraque.

A necessidade de preparar a opinião pública e convencê-la da inevitabilidade da intervenção militar é o fio condutor do informe. “Historicamente, uma vez que a população esteja convencida de que o conflito lhe diz respeito, ela está disposta a respaldar uma guerra com todos os seus riscos”, assinala o documento.

As Malvinas e a Irlanda do Norte são os casos citados como exemplos desta efetiva preparação da opinião pública. Afeganistão e Iraque são os exemplos contrários. “As pessoas estão muito mais informadas e nossos oponentes são muito mais sofisticados na exploração da informação na internet. O resultado é que convencer a nação se tornou muito mais difícil, mas não por isso, menos essencial”, indica o informe.

O documento do Ministério da Defesa é de 2012 e foi obtido pelo Guardian graças à lei de liberdade da informação. Uns dez meses mais tarde, em agosto, o primeiro ministro David Cameron pagou o preço político de desobedecer essas recomendações, quando sua tentativa de envolver o Reino Unido na aventura militar na Síria foi derrotada por uma votação na Câmara dos Comuns em meio a um ceticismo generalizado.
Marcelo Justo
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
No Revista Fórum

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

III Guerra Mundial pode estar iminente


Para justificar um eventual ataque ao Irão, os EUA/NATO invocam motivos humanitários, células terroristas, possíveis ataques a Israel e um programa de armas nucleares por parte do Irão. Até agora, em todas as inspecções realizadas, a Agência Internacional da Energia Atómica não encontrou qualquer prova no sentido de o Irão estar a desenvolver armas nucleares. A população norte americana talvez acredite nestes argumentos, mas poderá o resto do mundo ser enganado duas vezes?

Os líderes chineses sabem perfeitamente que a verdadeira agenda dos EUA não tem nada a ver com as justificações apresentadas. O verdadeiro objectivo dos EUA é conquistar as reservas de petróleo do Irão e ao mesmo tempo travar o crescimento da China. Sabemos que a China importa cerca de 22% de petróleo bruto do Irão, tem investido fortemente no país em petróleo e projectos de gás, particularmente no desenvolvimento do campo sul dos pars, que é provavelmente a maior reserva de gás natural do mundo, até agora conhecida. Tal como tinham investido na Líbia, onde acabaram por perder os investimentos devido à mudança de regime e aos bombardeamentos dos EUA/NATO, e estes fizeram-no oportunamente para consolidar a sua hegemonia por causa da ameaça competitiva da China.

Enquanto a China (segunda maior economia do mundo) e a Rússia (super potência energética) desejam expandir-se economicamente, através de negócios pacificadores, os EUA impõem a sua força militar contra qualquer concorrente que coloque em causa a sua hegemonia económica ou militar, fazendo tudo o que for preciso para garantir o domínio do mundo. Como sempre, fá-lo-ão com a prepotência e o descaramento que são seu apanágio. Depois Israel, que faz o trabalho sujo no médio oriente com o objectivo de se expandir, têm nos EUA o seu maior aliado. Os judeus sionistas têm um lobby poderoso nos EUA de tal forma que conseguem influenciar decisões importantes relativas à politica interna e externa nos EUA.

China e Rússia estão obviamente preocupadas com o cerco militar e os exercícios provocatórios realizados pelas tropas dos EUA mesmo á sua porta e sabem perfeitamente o que se está a passar, de tal forma, que as tropas russas e chinesas estão em estado de alerta e prontas para qualquer cenário. Sabemos que o Irão tem alianças estratégicas e laços muito fortes com a China e a Rússia, e que estes certamente não ficarão de braços cruzados ao verem o seu parceiro persa ser atacado. Desta vez, a guerra que os EUA estão a promover não é contra países indefesos, como a Líbia, o Afeganistão ou o Iraque. A Rússia detém o segundo maior arsenal bélico a seguir aos EUA, a China tem o maior exército do mundo e está a tornar-se numa super potência militar. Ambos estão a modernizar os seus arsenais, a criar novas tecnologias e têm um programa militar de cooperação conjunta.

Poderá estar a desenhar-se um confronto entre os EUA/NATO/ISRAEL e IRÃO/RÚSSIA/CHINA?

Esta conjuntura, pode de facto, levar-nos a pensar que podemos realmente, estar muitos próximos de uma III Guerra Mundial.


No Foge Maria Foge

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

War Made Easy / Guerra Feita Fácil

Excelente documentário, que explica com fatos reais, como os Estados Unidos da América entraram em todas as Guerras desde a 2ª Guerra Mundial.

A relação entre os Governos e os Meios de Comunicação Social para convencer/enganar a populacao estadunidense.
Legendado em Português - (se necessário, clique em CC). Duração: 1h13min
via com textlivre

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

AMEAÇA DE NOVA GUERRA NAS MALVINAS

Ilhas Malvinas, no verão

INGLATERRA AFIRMA QUE NUNCA NEGOCIARÁ AS ILHAS MALVINAS

“Em uma mensagem de Natal dirigida aos habitantes das Malvinas, divulgada na sexta-feira (23) no Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron afirmou que “nunca” negociará a soberania desse território [que lá é chamado de Ilhas Falkland] com a Argentina, a menos "que seus moradores queiram". “Nenhuma democracia pode proceder de outra maneira”, disse o premiê britânico....

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pesquisa do Ipea: 50% dos brasileiros temem que o Brasil seja atacado por causa da Amazônia


Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que 50% dos entrevistados acreditam "totalmente" ou "muito" que nos próximos 20 anos o Brasil será alvo de agressão militar estrangeira em função de interesses sobre a Amazônia. Outros 45% creem que o Brasil poderá ser atacado por causa das bacias do pré-sal.
Os dados integram o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) do Ipea, que, nesta edição, mediu o temor da população a ameaças. Segundo o Ipea é a primeira vez que o instituto analisa o temor da população sobre questões de segurança nacional....

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O capitalismo está buscando uma guerra mundial


O modelo chinês de produção será submetido a duras provas no próximo ano tendo em vista a evidente movimentação dos Estados Unidos e União Européia, através da OTAN, em direção a invasão do Irã.
            O roteiro para legitimar a guerra é muito simples constituindo-se em “denunciar” um perigo nuclear ou iminente possibilidade de ataques com armas “de destruição em massa”. Também existe a possibilidade de intervenção para salvar o povo de um tirano para impor, isso mesmo impor, uma democracia. Os ataques à Líbia seguiram este roteiro macabro....

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Instinto assassino



Quando leio as notícias sobre a guerra na Líbia, patrocinada pelas potências ocidentais, com a ajuda de líderes tribais contrários ao clã de Kadafi - lá é assim que as coisas funcionam, o "país" é simplesmente uma reunião de tribos, muitas inimigas umas das outras - mais fico preocupado com o destino da raça humana...