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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Nostalgia de natal


Há determinadas épocas do ano nas quais afloram sentimentos especiais, como se a nos enquadrarem em comportamentos uniformes, nos quais se incorporam um espírito do tempo específico:
— há quem fique especialmente alegre no Natal e há quem fique nostálgico; 
 há quem fique triste por não poder corresponder à indução midiática para o consumo; 
 há uns poucos, em relação ao total da população, que podem dar azo ao consumismo desenfreado;
 há quem que se comova com o olhar triste do menino pobre diante do majestoso circo por não poder comprar o ingresso;
 há quem leva os seus filhos ou netos num carro de luxo e compra a entrada desse mesmo circo, sentando num camarote como se fosse um vitorioso nessa coisa insuportável e excludente que é o conceito de vencer na vida;
 há quem tenha a sensibilidade de saber que é efêmera a glória do acrobata do circo, ainda jovem a realizar proezas nos sofisticados e novos mecanismos de riscos circenses, e lamente que aquele corpo logo, logo, perderá as suas forças e deverá ser deslocado para uma função administrativa (venda de ingressos, montagem das lonas, consertos gerais, etc.), ficando então privado do glamour dos aplausos admirados do público;
 há quem sinta uma tristeza profunda ao lembrar-se de tantos amigos e familiares que outrora brindaram com um bom vinho ou champanhe a gostosa ceia de natais passados, pessoas que agora já não tem mais junto de si, com a ceia já resumindo, quando muito, a um hot dog na carrocinha da esquina;
 há quem, sofrendo de solidão nos caminhos que a vida lhe impôs, desejaria ter pelo menos um ombro amigo para tomar nem que fosse apenas um gole de cachaça barata, jogando conversa fora;
 há quem esteja eufórico por atravessar um momento especial da vida e cante a música de Tom Jobim e Chico Buarque que diz “parece dezembro, de um ano dourado...”; 
 há quem esteja decepcionado com as falácias dos políticos (como aqueles nos quais acreditou), que se diziam expoente de uma nova política, pois constata agora que a política é, de modo atemporal, sempre um vale-tudo do jogo de poder que iguala todos numa massa homogênea de submissão a uma ordem econômica de segregação e imposição de seus mecanismos funcionais;
 há quem esteja regozijado pelo motivo oposto, ou seja, por ver que se processa um adeus às ilusões no campo político, podendo isto descortinar não apenas um ano de novas perspectivas transformadoras, mais de uma era de afirmação das melhores virtudes humanas; 
 há quem conserve a esperança de que dias melhores virão;
 há quem tenha perdido as esperanças e se enquadre no jargão da música popular que diz “deixa a vida me levar, vida leva eu”, sem nada questionar;
 há quem tome todas, simplesmente porque a incitação natalina é para ser feliz e bonachão como o bom velhinho gordo e vestido com roupa do frio siberiano nestes trópicos de tempos de aquecimento global;
 há quem durma mais cedo que de costume para evitar que os “guizos falsos da alegria” agridam a sua tristeza interior;
 há quem, no exato dia de Natal, conheça um novo amor e acredite na eternidade do mesmo, pelo menos enquanto dure;
 há quem, enfastiado com as aparências de uma amor falido, resolva romper definitivamente com as ditas cujas, induzido pela busca de felicidade que o espírito do tempo natalino quer sugerir;
 há quem reflita sobre tudo de errado que fez e prometa que não vai repetir tai erros, mesmo sabendo da impossibilidade da perfeição nos acertos;
 há quem avalie que os acertos foram maiores do que os erros e tenha a esperança de diminuir ainda mais tal proporção;
 há quem se disponha a não aceitar a opressão sistêmica e prometa a si mesmo ir para as ruas reforçar o coro dos excluídos e/ou conscientes, mesmo sabendo que os democratas que estão no poder ungidos pelo voto sonham com um novo AI-5;
 há quem se endivide acima de suas possibilidades somente para ostentar poder de compra, o qual, no capitalismo, é critério de aceitação social, entrando assim na roda viva dos juros extorsivos que lhe são impostos;
 há quem não dê bola para esse consumismo natalino e espera as festas passarem para, aí sim, comprar num verdadeiro black friday decorrente da lei da oferta e procura, ou seja, da queda nas vendas;
— há um frenesi nos shoppings centers que apenas uns 30% ou menos da população podem frequentar, universo que, ainda assim, representa muita gente, dando-nos a falsa impressão de que tudo vai bem;
 há uma tristeza que invade as mentes dos milhões de trabalhadores desempregados ao verem seus filhos esperançosos de que o Papai Noel vá lhes dar o presente desejado, pois jamais poderão corresponder a tais expectativas naquele momento (afinal, o Papai Noel somente existe para quem pode pagar);
 há uma alegria das crianças que puderam se beneficiaram da iniciativa de alguém da favela que foi angariar presentes para alegrar-lhes o Natal;
 há algo de bom na condição humana, que independe de datas para ser transformado em alegria...

Que doravante todos os dias, e não apenas o Natal, sejam permeados pelo espírito da solidariedade e generosidade para com o nosso semelhante! (por Dalton Rosado)



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A hipocrisia do Natal!



Beijos, abraços, presentes, amigo secreto, todo mundo desejando “Feliz Natal”… Noventa por cento de tudo quanto acontece nessa época é a mais pura expressão da hipocrisia.

Há muitos anos namorei uma médica judia. Era especialista em fazer plantão no dia de Natal. O Natal simplesmente não existia para ela. Simples. E era feliz assim. Alguns bilhões de seres humanos não estão nem aí para o Natal.

O cristianismo deu um jeito de reforçar, em proveito próprio, as mazelas humanas com o Natal. (aliás, não é só com o Natal…). E o consumismo desenfreado criado pelo capitalismo, idem. Bem, nisso judeus, cristãos, mulçumanos, chineses (principalmente), indianos e tantos outros estão “muito aí”. Querem vender, vender, vender e vender.

Somos, na maior parte do tempo, senão infelizes, ao menos não felizes. Todos temos chefes imbecis, colegas idiotas (e para eles também somos isso), que passamos o ano inteiro desejando que sumam da face da Terra. Mas dê-lhe presentinho de amigo secreto…

O índice de pessoas solitárias é altíssimo. Estejam sozinhas ou acompanhadas, não importa. E o Natal é vendido como uma festa de confraternização, de união, ou seja, o oposto da realidade das pessoas em geral. Se já sofremos com a solidão durante o ano inteiro, o Natal tem o condão de precipitar suicídios… E dizemos “Feliz Natal”, para quem vai se matar na noite em que não estaremos juntos! Na noite em que estaremos solitários…

Já passamos o ano inteiro correndo atrás das contas. E o Natal nos fará passar o próximo ano do mesmo jeito: endividados correndo atrás do gerente do banco, do atendente da financeira, e até do padre, para tentar se eximir do pecado da ganância. Mas não importa, no dia do Natal eu sou feliz!

E as famílias? Ah! Tão unidas que são. Irmãos que adoram irmãos, pais que estão sempre com os filhos… É lindo, né? E existe isso? Onde, por favor? Maridos que amam as esposas e não traem, e vice-versa.

Gente que literalemente “se aguenta” o ano inteiro, mas “Feliz Natal” dizem…

E o pior de tudo, é que acreditamos piamente, como bons cristãos que somos,  que devemos ensinar isso para nossos filhos. A acreditar em Papai Noel (para aos seis anos ter que explicar porque mentimos até então). Por que não fazer como tantos e de cara já dizer que Papai Noel não existe, que não acreditamos nisso? Por que somos hipócritas: acreditamos numa coisa, mas nos comportamos de outra. E somos covardes o suficiente para não assumir isso diante dos próprios filhos. Algo tão fácil, que qualquer desses bilhões que não acreditam fazem com a maior naturalidade.

Com certeza vai aparecer algum psi dizendo que isso é importante na formação da criança, etc… e tantas outras baboseiras que qualquer chinesinho de dois anos consegue desmentir…

Vendemos o peixe pelo preço que nos venderam, dizemos. Mentira! O Natal não precisa existir. Mais, deveríamos ter a coragem de abolir o Natal. Natal foi uma data inventada para aumentar o rebanho de bois cornetas soltos por aí.

Esses dias ouvi uma frase (e não sei de quem é): “não importa o que fazemos entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que fazemos entre o Ano Novo e o Natal”. E disso muitos esquecem. Mas desejam feliz natal assim mesmo…

E o diamante da época: a solidariedade. Beleza! A expiação dos pecados. Sou incapaz de ajudar uma criança durante o ano todo, mas vou aos Correios buscar uma cartinha… e mando junto um cartão dizendo “Feliz Natal”. Pronto, fiz uma criança feliz, mesmo que ela morra de fome antes do final do ano.

Por toda hipocrisia que o Natal representa, deveríamos abolí-lo das nossas existências.

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy, via http://www.contextolivre.com.br/2014/12/a-hipocrisia-do-natal.html

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Natal das lembrancinhas


Um dos maiores chavões do jornalismo é o "Natal das lembrancinhas". 
Só perde, talvez, para o "não vai faltar peixe na Semana Santa".
Todos os anos os comerciantes, por meio de alguma pesquisa "científica", provam, por A mais B que as vendas do Natal serão um fracasso retumbante. 
Este ano não foi diferente, lógico.
É o mesmo blá-blá-blá de sempre: as pessoas estão endividadas, a atividade econômica está fraca, por isso o "tíquete médio" das compras será baixo - e haja lembrancinhas para vender...

Da mesma forma os industriais, toda vez que lhes é perguntado sobre a sua situação, deitam e rolam nas queixas habituais: o "custo Brasil" é insuportável, os impostos no Brasil são intoleráveis, os custos trabalhistas, então, são os mais altos do universo etc etc etc.
O fato é que reclamar do governo está no DNA dessa turma. 
É mais fácil encontrar um tucano honesto do que um empresário que diga que o seu negócio está indo bem.
A situação do Brasil, no todo, não é das piores.
2014, se não foi uma maravilha, esteve longe de ser a porcaria que alguns teimam em dizer que foi.
A verdade é que há dois Brasis, o oficial e o real, como dizia mestre Ariano Suassuna - que falta que ele faz...
O oficial é esse das páginas dos jornais, do noticiário da Globo, dos discursos de Aécio e sua turma, das "pesquisas" entre empresários, das delações de executivos, das sentenças de juízes impolutos...
O real é esse do povo que lota as lojas em busca das "lembrancinhas" de Natal.
Lembrancinhas que enriquecem as festas de Natal, que aquecem os corações das famílias e sustentam milhões de pessoas por todo o Brasil.
Lembrancinhas que mostram como o Brasil real é forte e consegue crescer, apesar de todo o mal que o Brasil oficial lhe causa.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/12/o-natal-das-lembrancinhas.html#more

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Canção pro Natal durar o ano inteiro


Rebeca BedoneRevista Bula

"Ao preparar o coração e a árvore de Natal para o fim de ano, penso como 2014 foi difícil. Foram fortes emoções desde a Copa do Mundo até as Eleições para Presidente, entremeadas por intermináveis notícias de violência urbana e escândalos políticos. Abro minha caixa com as peças da miniatura de pinheiro e coloco uma seleção de músicas para tocar. Então é Natal. E o que fizemos até agora?

Outro ano se foi e o novo vai começar; mas a guerra, na verdade, não terminou. Continuamos assistindo ao terror gratuito na televisão. A dignidade nos escorre pelo ralo toda vez que a corrupção ri da nossa cara. Enquanto que tudo que eu queria é desejar um Natal alegre e feliz Ano Novo dizendo que a guerra já acabou.

Distribuo as bolas pelos galhos e relembro quando observava minha mãe montar a nossa árvore natalina. Ouvindo “Yesterday”, sinto como ontem os problemas pareciam tão distantes e agora eles vieram para ficar. O amor era um jogo bem mais fácil de jogar. Hoje precisamos de um lugar para nos esconder. Então olho a imagem refletida na bola de Natal e sei onde está a jogadora.

Pego outro enfeite e deixo estar, deve haver uma resposta. As perguntas que me afligem de solidão e insegurança pelo futuro do país também trazem “Let it be” das partituras da minha saudade, do dia que subi no palco em dia de audição do conservatório e toquei essa música no piano. Rio ao relembrar a emoção dos meus pais ao serem surpreendidos por uma menina.

Aqueles garotos de Liverpool sempre reuniram a minha família, seja no dia a dia, em festas ou almoços de domingo. O primeiro show do Paul McCartney que fomos juntos foi quando ele veio pela segunda vez ao Brasil; meu irmão, também adolescente, e eu fomos levados com nossos pais por uma excursão cheia de adultos fanáticos e felizes. Naquela época, sentia que meu coração era um livro aberto, eu costumava sonhar em deixar viver. Mas esse mundo de constantes mudanças no qual vivemos faz você se entregar e chorar e gritar “Live and let die!”.

E o que você pensaria se eu cantasse desafinado? Me empresta os seus ouvidos que mostrarei uma canção para você. Olha aí o Ringo Starr “Whith a little help from my friends”! O mundo está girando mesmo com todo erro que precisamos aprender. George Harrison me acorda “Still my guitar gently weeps”.

Quando essa noite chegar e o mundo escurecer e a lua for nossa única luz lá fora, não terei medo. Você ficou aqui comigo. Nem que o céu caia ou as montanhas desabem para o mar, hoje não irei chorar, não derramarei uma lágrima. Você está aqui cantando “Stand by me”. Hoje seremos pássaros pretos na calada da noite: “You were only waiting for this moment to be free”.

Porque pegamos uma canção triste e a melhoramos para deixar algo difícil chegar ao coração. O pinheiro está pronto. É Natal e o que fizemos de melhor até agora foi o amor. Esse sentimento que se transforma em compaixão, solidariedade e alegria quando é plantado e distribuído por aí. E não é só por causa dessa época que deveríamos cultivar essa árvore. Ela precisa frutificar o ano inteiro, suas bolas natalinas têm que brilhar para sempre.

Para isso, vamos fazer esses jogos mentais juntos, em busca da paz e com fé no futuro, plantando sementes e espalhando o amor. A guerra lá fora nunca deixará de existir, mas podemos fazer nossa guerrilha mental se multiplicar. Amor é a resposta e você sabe disso, com certeza, mas não custa repetir: “Love…I want you to make love, not war!”

Podem dizer que sou uma sonhadora, mas não sou a única. John Lennon nos ensinou a ter esperança: o pisca-pisca acende enquanto toca “Imagine”.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Espírito natalino e consumismo exacerbado





O espírito natalino desnuda a realidade mais cruel do modelo no qual estamos sendo conduzidos. Não basta só o consumo. É necessário o consumismo exacerbado.

Jaciara Itaim, Carta Maior

A chegada do mês de dezembro reproduz a cada ano cenas que poderiam ser consideradas completamente irracionais por algum alienígena que se aproximasse de nosso País. Estamos em pleno final de ano, auge do verão aqui no hemisfério sul, com temperaturas bastante elevadas. No entanto, os ambientes todos estão tomados por indivíduos fantasiados com roupas pesadas e quentes, imitando a figura emblemática e mitológica do Papai Noel. A tentativa é de reproduzir o contexto da Lapônia, uma província da Finlândia, onde as temperaturas podem atingir mínimas de -20° C nessa época do ano.

Vem daí então o imaginário da neve, do pinheirinho, do trenó com as renas e tudo o mais que cerca o ambiente de Natal. Estranho sincretismo esse que conseguiu unir as tradições bíblicas que envolvem o nascimento de Jesus às estórias fantásticas do velhinho barbudo do norte europeu em um território equatorial e do outro lado do Oceano Atlântico. A tradição dos presentes - que remonta, na verdade, à chegada dos reis magos no dia 6 de janeiro - foi sendo aos poucos substituída pela pressão social em torno da oferta dos presentes no próprio dia do nascimento do menino Jesus.

Consumir, consumir, consumir e oferecer

Assim, o espírito natalino se converteu à sanha das compras e das aquisições. Festejar o Natal passou a ser sinônimo de desejo de consumo, impulso expresso por todos - desde as crianças até os adultos de todas as idades e gerações. As cartas ingênuas à entidade desconhecida de barriga grande e barbas brancas, as trocas de presentes no ambiente de trabalho, as festas familiares com as encomendas acertadas previamente ou sob efeito surpresa do amigo-secreto. Pouco importa a forma, uma vez que o essencial é um elemento apriorístico: o consumo.

É importante reconhecer que a realidade brasileira é pródiga na criação e na ampla aceitação social de datas “comemorativas”, onde o foco é sempre o presentear outrem por meio de compras. Apesar de o Natal ocupar, de longe, o primeiro lugar em importância e em faturamento, na seqüência surgem outros momentos que são utilizados para que a indústria e o comércio esquentem seus motores ao longo do ano. É o caso do Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças e Dia dos Pais, para citar alguns exemplos. Para além das questões de natureza cultural e de sociabilização, a grande marca deixada pelas organizações que constituem a nossa formação capitalista relaciona-se ao verbo comprar. Ou seja, transformar esse misto de desejo e de imposição social em circulação de mercadoria, em movimentação acelerada de valores de troca e de valores de uso.

Nesse aspecto, ganha relevância o papel desempenhado pelas estruturas de propaganda e marketing. Trata-se da criação de necessidades sociais e culturais de forma artificial e exógena, em processos onde os indivíduos se sintam motivados a desenvolver determinadas ações ou a adotar certos comportamentos em nome de uma espécie de “unanimidade construída”. O verdadeiro bombardeio a que estamos todos submetidos por várias semanas antes mesmo da data da ceia tem uma mensagem muito clara. Natal feliz é Natal com presente. Quem não recebe nada comprado na data deve se sentir menosprezado ou desprezado por aqueles que o cerca. Quem se atreve a não comprar presentes para oferecer não merece o carinho nem o bem querer de seus pares. A comemoração é fortemente carregada do elemento simbólico: o querer é avaliado a partir da quantidade, da exuberância e dos preços.

A criação das necessidades e a generalização das compras

Vale recordar, por outro lado, a importância adquirida por uma forma muito especial, em meio à multiplicidade de estratégias mercadológicas: a publicidade dirigida ao público infantil. Apesar da festa não ser dirigida apenas às crianças, o foco recai sobre essa parcela expressiva da população, que termina por exercer influência significativa sobre as decisões das famílias no período. Ainda que os espaços de tangência entre a ética e a legalidade estejam presentes em todo o tipo de propaganda, no caso específico do universo infantil a situação é ainda mais escabrosa. São pessoas ainda em processo de formação e amadurecimento, sem quase nenhuma capacidade de discernimento entre o necessário e o supérfluo, entre o real e a fantasia, com pouca referência a respeito de preços e capacidade de aquisição. Ou seja, é o caso típico de atividade que deve ser proibida por lei - em razão de seus reconhecidos efeitos nocivos para o conjunto da sociedade – e não ser liberada em nome da liberdade do mercado e da possibilidade de amplo de acesso à informação.

O padrão civilizatório hegemônico nos tempos atuais determina que a conquista da felicidade e a vigência do bem estar estão intimamente associados à capacidade do indivíduo ter e comprar. A posse dos bens é elemento sempre martelado pelos meios de comunicação, a todo momento associada à imagem da pujança, da beleza e do amor. Quem tem, pode. Quem tem mais, pode mais. Quem tem mais caro, pode ainda muito mais. Ocorre que na sociedade capitalista, a tendência é a da generalização das relações mercantis. Assim, via de regra, para se ter algo é necessário processar o ato da compra. A relação de troca se realiza por meio do equivalente geral, o dinheiro. E para os que ainda não reúnem as condições de recursos para a compra do presente desejado, o sistema oferece o instrumento mágico que permite a antecipação do consumo: o crédito.

A intermediação da esfera financeira ajuda a completar o ciclo da realização do capital, com a garantia de que o consumo se efetive mesmo na ausência dos recursos monetários no momento da aquisição do bem. Isso porque o modelo envolvido na dinâmica do capitalismo pressupõe a produção e a venda das mercadorias de forma contínua, sempre em escala crescente, para promover a acumulação concentrada de riqueza.

Esmagamento do espaço para práticas de sustentabilidade

De forma geral, a lógica que orienta a ação da empresa privada é a da maximização do lucro no curto prazo, sem nenhuma perspectiva de médio e longo prazo. No jogo pesado das disputas por novas fatias de mercado não existe muito espaço para a noção da sustentabilidade. Pouco importa se ela se refere ao aspecto econômico, ao elemento social ou à sua dimensão ambiental. Assim, o que interessa na “racionalidade” inerente ao processo de acumulação de capital é o crescimento do consumo em toda e qualquer escala. Portanto, a mudança comportamental envolvendo inovações como “consumo consciente” ou “processos sustentáveis” só se viabilizam com a entrada em cena das políticas públicas, proibindo determinadas ações ou estimulando outras alternativas. A lógica pura do capital, atuando com plena liberdade, combina uma dialética de criação e destruição em sua própria essência. 

Assim, o que todos verificamos à nossa volta com a aproximação do espírito natalino é a cristalização mais evidente da forma de funcionamento da economia capitalista. Nas sociedades hegemonizadas pelo padrão civilizatório do mundo ocidental, o mês de dezembro radicaliza e potencializa o comportamento social que assegura a reprodução ampliada dessa forma particular de organização social e econômica. Não basta um Natal que seja marcado apenas pelo espírito da solidariedade e pelo sentimento da fraternidade. O período das festas deve ser o momento do consumo, por excelência.

Os ingredientes que contribuem para manter esse gigante em movimento são introduzidos de forma crescente ao longo do processo. Isso significa a incorporação crescente de bilhões de novos agentes no mercado consumidor e a generalização do acesso às compras em escala global. Além disso, torna-se necessário avançar bastante nos processos envolvendo a chamada “obsolescência programada”, de forma a garantir a continuidade do ciclo de consumo por meio da redução da vida útil dos produtos. A propaganda também joga um papel essencial, ao incutir nos indivíduos valores e desejos que estão muito distantes das necessidades, digamos, mais reais e concretas.

Em suma, não é mais suficiente que as pessoas exerçam sua função de compradores finais de bens e serviços. O espírito natalino desnuda a realidade mais cruel do modelo no qual estamos sendo conduzidos. Não basta apenas o consumo. Faz-se necessário o consumismo exacerbado."

(*) Economista e militante por um mundo mais justo em termos sociais e econômicos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

TODOS OS ANOS, NA ÉPOCA DO NATAL, OS CANAIS DE TV, ABERTOS E FECHADOS, A MÍDIA DE UMA FORMA GERAL, APRESENTAM ESPECIAIS SOBRE A VIDA DE JESUS CRISTO. GERALMENTE SE ESQUECEM DA OBRA PRIMA DO CINEMA FRANCO ITALIANO, "O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS" DE PIER PAULO PASOLINI.


UMA OBRA DE ARTE ONDE JESUS CRISTO PODE SER NOTADO EM SUA ALTIVEZ CONTRA OS DESMANDOS DA HUMANIDADE REFLETIDOS NA CORRUPÇÃO E NA INJUSTIÇA DOS HOMENS. ACIMA DE TUDO, UM MOMENTO DE REFLEXÃO SOBRE NOSSOS ATOS NO DIA A DIA.




O "Essência Além da Aparência" não poderia ficar de fora deste momento.

Principalmente, porque o filme "O Evangelho Segundo São Mateus" foi incluído pela própria Igreja Católica entre os 45 filmes aprovados pelo Vaticano e nesta lista o clássico "Os Dez Mandamentos" não está. 

E porque isto?

Porque no filme, e vocês poderão assistir diretamente no site Glória.TV no link http://pt.gloria.tv/?media=135867&connection=corporate , Jesus Cristo interpretado por Enrique Irazoqui, apesar de aparentemente imodificável nas passagens mais marcantes do filme, se apresenta com impaciência com a falta de fé, com a incompreensão das pessoas em relação às escrituras de Deus, principalmente, com as eventuais más interpretações de suas palavras. 

O perfil de Jesus, na concepção de Pasolini contradiz com a visão comum de um Cristo meigo sempre disposto a tudo tolerar. 

Em O Evangelho Segundo São Mateus seus sermões são inflamados, e seu temperamento é constantemente sujeito a descontroles, como por exemplo, na forma exaltada com que ele reage ao estado corrompido em que encontra Jerusalém.

O filme segue de maneira fiel os textos do apóstolo Mateus que descreve todas as etapas da vida de jesus Cristo, de seu nascimento à ressurreição, porém vocês vão conhecer um Jesus Cristo, idealizado por Pier Paolo Pasolini, revolucionário e mais humano que divino, com traços de doçura e que reage com raiva à hipocrisia e à falsidade dos homens.

Caso queiram conhecer a obra e a vida de Pier Paolo Pasolini acessem http://pt.wikipedia.org/wiki/Pier_Paolo_Pasolini.

http://flavioluizsartori.blogspot.com.br/

.Jesus, o maior dos revolucionários



Uma LUZ está entre nós.

Comemorem, festejem, comam, bebam, cantem... mas não se esqueçam de celebrar o nascimento do menino.

O menino frágil, nascido entre gente simples e despossuída, vai crescer e virar um revolucionário.

Os textos sagrados nos mostram que Jesus, na maturidade, assumiu atitudes radicalmente subversivas. 

Jesus protestou e se rebelou contra os poderosos da época, expulsou os vendilhões do Templo, a que chamou "covil de ladrões", defendeu os pobres, se colocou ao lado dos mais frágeis e nos legou exemplo, palavras e ações verdadeiramente emancipadoras.

Celebremos a chegada do menino que se transformou no maior dos revolucionários! 



Sermão da Montanha - As Bem-aventuranças

Vendo ele as multidões, subiu ao monte. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os ensinava, dizendo:

"Bem-aventurados os pobres em espírito, 
porque deles é o Reino dos Céus.  

Bem-aventurados os mansos
porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os aflitos,
porque serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome
e sede de JUSTIÇA,
porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos
por causa da JUSTIÇA,
porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que viveram antes de vós."

abraabocacidadao.blogspot.com.br

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Jesus, a biografia (im)possível.

Jesus provavelmente não se casou, mas várias mulheres acompanharam-no
Quem foi Jesus? E quem é ele hoje? A cada 25 de Dezembro os cristãos celebram o seu nascimento, mas, quanto à sua vida subsistem muitas dúvidas e mistérios. Fomos saber quais as mais recentes teses sobre este "judeu marginal" que "viveu num recanto do Império Romano"


Um profeta ou um blasfemo? Um subversivo ou um sedutor? Um homem ou um deus? Um marginal ou um judeu da elite? Um amigo dos pobres e das mulheres ou um opositor aos líderes religiosos do seu tempo? Um político ou um mestre espiritual? Um sonhador ou um revolucionário?

Impossível compor uma biografia de Jesus de Nazaré, cujo nascimento é assinalado desde há séculos a 25 de Dezembro - mesmo se não há certezas sobre a data exacta ou sequer sobre o próprio nascimento. Começamos então por ver que sabemos pouco. Ou talvez não. Ed Parish Sanders, um dos mais importantes estudiosos sobre a personagem histórica de Jesus, escreve n’"A Verdadeira História de Jesus (ed. Notícias/Casa das Letras): "Há muitos aspectos sobre o Jesus histórico que permanecerão um mistério."....

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Dia do Perdão

Questionar a principal data comemorativa do cristianismo se tornou quase obrigação ao longo dos séculos que sucederam o nascimento de Jesus Cristo. Questionam-se consumismo, gula, narcisismo, ostentação, futilidade, falta de reflexão sobre o sentido da data e até aquele que a considera período propício a sentimentos edificantes.
Contos e crônicas de Natal remetem a histórias de abrandamento de corações e de milagres que contemplariam os despossuídos, muitas vezes decorrendo, tais milagres, da generosidade que a data gerou. Mas a própria existência de toda essa cultura em torno de uma data religiosa é vista como a mais soberba manifestação de hipocrisia.
A principal crítica que se faz ao Espírito de Natal, assim, é a de que se trata de uma farsa porque deveríamos ser generosos o ano todo. Mas como não somos suficientemente generosos, simulamos generosidade apenas um dia ao ano, quando fingimos que abrimos a porta dos nossos corações para o perdão, para a compaixão e a generosidade.
Perdoar no Natal parece apenas mais uma das faces da hipocrisia que seqüestrou a noite de 24 de dezembro e o dia que a sucede, quando o Bom Velhinho capitalista, em suas roupas escarlates, empurra-nos às compras como se dinheiro, embrulhos coloridos e banquetes faustosos operassem a remissão dos pecados.
Por outro lado, não estimular tolerância e generosidade no Natal só porque tais sentimentos escasseiam no resto do ano seria desperdiçar a oportunidade de aproveitar um momento em que as pessoas estão mais receptivas para exortá-las a adotarem atitudes positivas que não teriam comumente.
Dirão que o perdão concedido graças a comportamento adotado só por conta dos costumes, sem uma origem interior legítima, é falso, inexistente. Todavia, será que o que falta para que as pessoas se perdoem umas às outras não é a chance que se dá ao indivíduo de perdoar sem parecer fraco diante de si ou dos outros?
O maior inimigo do perdão, pois, é o orgulho. Quem sabe o homem não precise dessa desculpa para perdoar não só aos outros, mas a si mesmo. Uma data comemorativa em que perdoar é visto como ato de grandeza e de força usa o orgulho contra si mesmo, pois faz o indivíduo descer do pedestal como prova de suas qualidades.
Se o Perdão Natalino não é legítimo, ao menos predispõe quem o pratica a talvez lograr posteriormente vencer o ressentimento, um sentimento que jamais faz bem a qualquer ser humano porque nos impele a ter sempre que ficarmos tentando provar que quem errou foi o outro.
Não é preferível, então, que exista um dia em que nos disponhamos a pôr o orgulho de lado a fim de começar a sobrepujar rancores que, se pudéssemos voltar no tempo, teríamos optado por não começar a edificá-los? Enfim, caro leitor, esta reflexão não o fez lembrar daquela pessoa a quem você não ainda não conseguiu perdoar?
blog da cidadania

Jesus, o mito pagão

Quer saber como o dia 25 de Dezembro foi definido como aniversário de Jesus (que não existiu)? Assista estes vídeos:

sanguessugado do jornalisticamente falando

sábado, 24 de dezembro de 2011

Amanhã é natal e ninguém lembra das pessoas que passam fome...



Amanhã é natal e eu não entendo o por quê desse desespero todo em torno de uma data que perdeu todo seu sentido. 

Vendo pais e filhos se estressando por conta de presentes a comprar, pessoas sendo mal educadas nas fila e no trânsito por causa da pressa ou da busca do presente deixado para a última hora, muita gente sonegando para poder consumir mais, consumidores comprando produtos piratas porque dizem que "não são ladrões do seu próprio dinheiro", esquecendo que para produzir aquele CD ou DVD (original) teve muita transpiração e inspiração por trás e que seus autores deveriam ser justamente remunerados (e não me venham com o papo de que poderia ser cobrado mais barato, porque se o problema é o preço, compre-se só o que puder comprar ou não compre).

Amanhã é natal e ninguém lembra das pessoas que passam fome ou sofrem dores lancinantes, ou se lembram, o fazem só nessa época, como uma expiação de seus próprios pecados.

Ninguém lembra - ou fazemos todos que fingimos não ver - das crianças com armas em punho, martelos em punho, drogas nas mãos, marcas no corpo, estômagos tão vazios que doem, por esse mundo afora.

Não lembramos sequer dos vizinhos que passam necessidades.

Uma festa pagã, onde o deus é o cifrão e os anjos são as marcas e o status. 

Amanhã é natal e a data que a igreja criou para comemorar o aniversário de Jesus Cristo aproveitando de uma festa pagã (para facilitar a atração de fiéis) está voltando às origens, ou seja, voltando a ser uma festa pagã, onde o deus é o cifrão e os anjos são as marcas e o status. 

E Jesus Cristo parece nem estar aí para tudo isso, eis que ninguém sabe mesmo quando ele nasceu ou quando ele morreu.

Amanhã é natal e depois da manhã tudo voltará a ser como sempre foi. A maioria pensando em como se safar nessa vida de "cada um por si". E com as lojas cheias de pessoas reclamando dos presentes que ganharam e não gostaram.

Apenas um aviso aos incautos: nenhuma loja é obrigada a trocar os produtos que não serviram ou não combinaram com o resto do guarda-roupa ou que vocês simplesmente não gostaram, se não houver defeito. E erro de escolha ou tamanho não é defeito. Se as lojas trocarem, o farão simplesmente para tratar bem o cliente, com a expectativa de que voltem no próximo evento comercial...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Clima Natalino?

O que estará acontecendo com o velho “espírito cordial brasileiro”? Onde andará nossa proverbial capacidade de encontrar o entendimento, mesmo em meio às diferenças de opinião?
Está certo que o tal “espírito”, nas palavras de Sérgio Buarque de Holanda — que trouxe o conceito de “homem cordial” para o centro da discussão sobre a cultura brasileira —, não é algo, necessariamente, positivo.
Ele não usava a expressão, apenas, como sinônimo de afável, amável, sincero. Em sua obra mais importante, Raízes do Brasil, “cordial” tinha o sentido etimológico e descrevia uma cultura regida “pelo coração” ao invés da razão, em que a subjetividade impede a predominância dos valores objetivos, e em que a ética privada — da amizade e da compreensão — submete a ética pública.....

domingo, 30 de janeiro de 2011

Miguel Nicolelis e os blogs sujos

Entrei em casa precisamente à meia noite. Estava extasiado. É tocante e empolgante, para mim, ver alguém apaixonado falando. Hoje, tive o privilégio de ouvir um dos cientistas mais importantes do planeta, Miguel Nicolelis.
Para mim, além da emoção, não posso negar que me enchi de um orgulho. O twitter possibilitou a mim e a meus companheiros blogueiros sujos de Natal reunirmo-nos pessoalmente com um homem apaixonado. Apaixonado e militante. Defensor de uma revolução social. De um modelo de nação nascido com o presidente Lula. Que põe a cara a tapa e não se deixa vencer pelas consequências. Que é sonhador e utópico. Empolgante para mim, como militante, como organizador, como blogueiro sujo e como pesquisador. Desafiador.
Para mim, de tantas coisas que ainda serão ditas do encontro desta noite, me chamaram a atenção algumas coisas que mostram o descaso do poder público com o projeto de revolução de Nicolelis.
Primeiro, ele arrancou risos da platéia lembrando que até a Science, maior revista científica do mundo, já falou do absurdo que é o não asfaltar os cinquenta metros que levam a esquina da Natal Veículos à Sede do Instituto no bairro de Neópolis, em Natal. Ele lembrou que onde chega no mundo, “Alemanha, Suiça, as pessoas perguntam: já asfaltaram?”. De uma criticidade cômica!