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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fantástico show de mentiras da Globo



Carlos Lopes, Hora do Povo / Blog do Miro

“A principal estrela dos 16 minutos que a Globo, no último "Fantástico", dedicou às ferrovias, portos e ao (suposto) terrível descaso de Lula e Dilma para com eles, foi o sr. Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL).

O show (pois reportagem aquilo não foi) constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente por parte da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa.

No entanto, dos entrevistados, o único que mostrou uma inequívoca satisfação foi Figueiredo. Os outros, até os capachos de fé, pareciam sentir uma úlcera ou um corpo estranho adentrando-lhes, supomos, a alma. Eles sabem quando estão mentindo. O ministro dos Portos parecia constrangido – tão constrangido que assinou em seguida uma nota apontando algumas mentiras.

O único que estava, não somente à vontade, mas alegre, contente, exibindo-se para a Globo - e nem se abalou em assinar a nota conjunta do governo - era o sr. Figueiredo. O que é muito interessante, porque ele é o principal responsável pela elevação do preço do transporte ferroviário para, em média, 103% do preço do transporte rodoviário (há quase um consenso que aquele é, normalmente, pelo menos 30% mais barato que o último; exceto quando há um mágico escondendo cobras e engolindo espadas...).”

Currículo

Figueiredo tem um currículo miraculoso: sob Fernando Henrique Cardoso, chefe de gabinete do presidente da Rede Ferroviária Federal, realizou os "estudos" para a privatização das ferrovias; em seguida, tornou-se presidente da principal beneficiária da privatização, a Interférrea (posteriormente denominada ALL, da qual o sr. Figueiredo foi membro do Conselho de Administração) e presidente da entidade das ferrovias privadas, a Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF); sabe-se lá como, tornou-se depois, sucessivamente, diretor da Valec, gerente de projeto do Programa de Parceria Público-Privada do Ministério do Planejamento, assessor especial da Casa Civil, e, logo, diretor-geral da ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres (todas essas informações foram fornecidas pelo próprio Figueiredo: v. Diário do Senado Federal, 11/03/2008, Mensagem nº 50/2008, Curriculum Vitae, "Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira").

Dois dias depois de sua posse na ANTT, no dia 16/06/2008, Figueiredo entregou uma nova concessão ferroviária para a ALL, a Ferrovia Novoeste S.A. (Deliberação ANTT nº 258/08). Vinte e dois dias após, entregou à ALL outra concessão, a Ferronorte S.A. (Deliberação ANTT nº 289/08). Mais 33 dias, e ele entregou outra concessão para a ALL, a Ferroban, em São Paulo (Deliberação ANTT nº 359/08).

Mas não houve expansão da malha ferroviária. Pelo contrário, em seguida, a ANTT, sob a presidência de Figueiredo, "permitiu, sem nenhuma penalização, que as concessionárias desativassem, no todo ou em parte, o serviço de transporte ferroviário em 2/3 da malha concedida, sem realizar os diversos procedimentos relativos às solicitações de suspensão e supressão de serviços de transporte ferroviário e desativação de trechos" previstos pela própria ANTT (Resolução nº 44, 4/07/ 2002). Ou seja, sob a égide de Figueiredo, foram desativados, total ou parcialmente, 20 mil km de ferrovias, dos 29 mil km que constituem a malha ferroviária do país (ver a entrevista do próprio Figueiredo na Revista Ferroviária, março/2009, págs. 12 a 19).

Ao sabatiná-lo no Congresso, o senador Roberto Requião assim resumiu essa parte da carreira de Figueiredor:

"Com esses seus três atos relâmpagos (…), além dos 7.304 quilômetros de malha ferroviária, entregou 478 locomotivas, 14.371 vagões à ALL – da qual, através da Interférrea, o senhor foi presidente e depois membro do Conselho de Administração –, que já explorava a Malha Sul em decorrência do leilão de privatização. A ALL recebeu, não pelos bons serviços prestados, mais 4.446 quilômetros de ferrovias, 456 locomotivas, 13.548 vagões, o que representou colocar 11.750 quilômetros de linha, 934 locomotivas e 27.919 vagões nas mãos de um único operador logístico, ou seja, mais de 40% de todo o parque ferroviário nacional na empresa da qual anteriormente o senhor fazia parte como presidente da Interférrea e como membro do Conselho de Administração da ALL. (…) Essa concentração absurda de poder econômico, esse monopólio da ALL sobre 40% do parque ferroviário nacional nas regiões em que se concentra a maior parte do PIB brasileiro, ocorrida sob a sua gestão na ANTT, na minha opinião, é um escândalo. (…) É meu dever perguntar: o senhor considera ético que, durante a sua gestão na Diretoria Geral da ANTT e através de atos firmados pelo senhor, a ALL, empresa que o senhor estruturou, representou na concessão e dirigiu, cresça de modo incrível e ganhe essa dimensão gigantesca que hoje apresenta?"

Em sua resposta, Figueiredo tergiversou: por exemplo, disse que não formatou a privatização – mas isso estava em seu currículo, apresentado por ele quando foi conduzido pela primeira vez para a ANTT. O Senado recusou-se a reconduzi-lo para a ANTT, por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica.

Esse é o herói da Globo. A questão é: por que Figueiredo estava tão satisfeito, no meio de um programa que era uma mentirada contra o governo – em especial contra a presidente Dilma? Teria sido ele a fonte de tão sábios dados para a Globo?

Por exemplo: "Este ano o Brasil teve uma supersafra de grãos. E a comida ficou mais barata? Não. Porque o preço do transporte fica mais caro ano a ano".

O peso dos transportes no aumento de preços dos alimentos que houve de agosto a dezembro do ano passado, foi, a bem dizer, insignificante. Tanto assim que os transportes continuam os mesmos e o preço dos alimentos está caindo desde janeiro. O que pesou nos preços foi a especulação financeira com papéis ancorados na produção de alimentos, promovida nas bolsas de mercadorias de Chicago e Nova Iorque (hoje aNew York Mercantile Exchange – a bolsa de mercadorias de Nova Iorque – é uma filial da Chicago Mercantile Exchange. Um único grupo, com o seu entrelaçamento com os grandes bancos dos EUA, dirige a especulação mundial das commodities, com as inevitáveis consequências).

Públicos

No Brasil, os portos públicos permitiram que nossa corrente de comércio (exportações e importações) aumentasse de US$ 121,344 bilhões (2003) para US$ 482,285 bilhões (2011). O pequeno recuo de 2012 (US$ 465,728 bilhões) nada teve a ver com os portos, mas com a primarização das exportações, diminuindo a parcela de manufaturados e aumentando a parcela de bens primários (commodities).

Evidentemente, isso não quer dizer que não haja problemas: na própria matéria da Globo, o único dado real é um viaduto, obra do PAC, que encontra-se paralisado. O problema é falta de investimentos públicos – mas a Globo e o sr. Figueiredo preferem doar o patrimônio público a monopólios estrangeiros.

E, como é claro na lavagem de porco (nos perdoem os suínos) servida no "Fantástico", não é para exportar manufaturados que eles querem privatizar os portos, mas para escalpelar o país dos seus minérios e da sua fenomenal produção de alimentos.

Pela privatização anterior do sr. Figueiredo, já sabemos onde isso acaba: ferrovias desativadas, portos abandonados, o país em crise pelo estrangulamento da infraestrutura e logística, e algumas multinacionais fazendo a farra às nossas custas.

terça-feira, 27 de março de 2012

A culpa não é do SUS


A reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo, dia 18 de março corrente, indubitavelmente choca pelacontundência ao exibir imagens explícitas de corrupção ativa e passiva. A prática da corrupção permeia a vida pública e privada brasileira, em todos os seus escalões e níveis, sendo até agora infensa a qualquer tipo de abordagem saneadora, constituindo uma verdadeira praga.


É impossível outra atitude que não a de repúdio ao que foi mostrado.

Apesar de deixar claro o repúdio mais absoluto a essa excrescência, a corrupção, que assola a vida nacional, a reportagem veiculada pelo Fantástico e longamente repercutida dia a dia pela Rede Globo, suscita algumas considerações que, embora se refiram a aspectos muito sutis – que se não forem devidamente considerados redundariam em provocações gratuitas –, não podem passar despercebidas. O primeiro aspecto é quanto à ética e à legalidade de uma reportagem concretizada em tais condições.

No entanto, não se pode esquecer que liberdade de imprensa implica compromisso com a legalidade, com a ética, e pede, em contrapartida, responsabilidade. É defensável que um repórter, com o suporte de uma empresa de comunicação de indiscutívelcompetência e ampla penetração na vida brasileira, assuma uma personalidade falsa para obter informações, ainda que seja sobre tema de alta relevância para o aprimoramento da vida nacional? Os fins perseguidos justificam a utilização desses meios? É correto recorrer à falsidade ideológica para tal objetivo? Esse tipo de imprensa deve ser incentivado, suportado e defendido como efetivo exercício de liberdade profissional?

Outra consideração que não pode deixar de ser evidenciada tem a ver com o gestor do hospital público, cenário dos lamentáveis flagrantes registrados pelas câmaras da televisão. 
 
O que teria levado o médico Edmilson Migowski a permitir que a operação tivesse lugar na instituição sob o seu comando, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)? O que levaria esse gestor a dar a sua cara a tapa, expondo, na tela da televisão, a suaincompetência para enfrentar a corrupção em curso entre os seus subordinados? Será de fato incompetência ou inapetência para enfrentar o desafio? Que subordinados são esses, e que poder maior que o do diretor os sustenta, para consumar os seus atos de corrupção: respaldo político ou qualquer outra forma espúria de poder que o diretor não pudesse encarar pelos meios oficiais?

Será que esse gestor é tão ingênuo que não considerou um dado irretorquível: o de que ele é conivente com os fatos ocorridos nos porões da sua instituição e que vai responder por eles, na sua qualidade de funcionário público e de cidadão brasileiro? O fato de haver apoiado a estratégia da reportagem configura dois crimes: incentivo ao exercício da falsidade ideológica e conivência com os atos que certamentevinham ocorrendo, desde antes da reportagem, sem que fosse capaz de denunciá-los. De pronto, ele agrediu o Estatuto do Funcionário Público, que não permite a qualquer gestor investir na qualidade de servidor alguém que de fato não o é, permitindo que pratique, em nome da instituição, atos que seriam exclusivos de alguém que fosse concursado ou, no mínimo contratado para o posto pelo regime das leistrabalhistas. O suposto responsável pelas compras era um estranho ao meio funcional. Seria o mesmo que ele permitisse que um falso médico praticasse cirurgias, pondo em risco a vida de outrem, para averiguar irregularidades nas práticas atinentes a um centro cirúrgico.


Também produz estranheza que o segmento escolhido para exemplificar a corrupção tenha sido a saúde pública.

Por que motivo isso teria ocorrido, quando há muitos outros, com potencial financeiro infinitamente maior, por movimentarem recursos astronômicos e que são recorrentes, na própria mídia, como indiscutivelmente dados à prática da distribuição de largas propinas, que têm produzido não poucos casos de enriquecimento ilícito fantásticos? O alvo secundário terá sido agredir as políticas públicas de saúde, desvalorizando-as mais do que já estão junto à opinião pública, como forma de favorecer a medicina privada, que cresce a olhos vistos no país, a custa dos preços absurdos dos planos médicos e dos repasses de recursos públicos?

Diante da péssima distribuição de riquezas aqui registrada e da consequente penúria de grande parcela da população nacional, promover políticas públicas de saúde ainda constitui providência de primeira necessidade. É uma compensação para os menos favorecidos. E o Brasilconsagrou esse princípio, com base na sua lei maior, a Constituição Federal e em outros dispositivos voltados para assegurar um mínimo de dignidade humana no acesso à saúde dos brasileiros mais carentes.

A maneira pela qual se configurou esse atendimento se traduziu no Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo bombardeado portodos os lados por seus inimigos. Então, por que exterminá-lo? É uma dívida social e há que ser paga. Portanto, atacar o SUS, tentar bombardear a sua estrutura é um desserviço e a sua concretização fará o país mergulhar em problemas ainda maiores do que os hojeenfrentados.

O SUS hoje é integrado, em todo o país por 6.500 hospitais. Desses, 48% pertencem à iniciativa privada, que recebem perto da metade dos repasses federais para estados e municípios, atualmente, segundo o próprio O Globo, em editorial no dia 21 de março último, da ordem de R$ 175 bilhões, oriundos dos impostos pagos pelos cidadãos. Não será ele também indício de uma corrupção mais aguda e mais profunda do que aquele mostrado na reportagem encenada no IPPMG? Parece que voltamos ao ponto de partida: a corrupção não pode ser analisada no varejo. É coisa do atacado.
  
*Mário Augusto Jakobskind, é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de "América que não está na mídia", "Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE"

terça-feira, 10 de maio de 2011

Prefeituras defendem merenda escolar com baratas e carunchos: “São ricos em proteína”

Após reportagem exibida ontem no Fantástico, prefeituras de várias cidades do Brasil decidiram se defender das acusações de que a merenda escolar servida nas escolas é de má qualidade.
“É um absurdo. Barata, caruncho, minhoca, tudo isso é cheio de proteína e faz muito bem para a saúde”, disse o prefeito de Vila Nova do Oés-Sudoeste, em Goiás. “As pessoas não viram O Rei Leão? O que o Timão e Pumba comem e dão para o Simba comer? Besouro, lesma. E estão sempre cantando, felizes da vida”.
O aluno Joquinha Juca, de 10 anos, não comia nada desde a última sexta-feira, quando teve sua última refeição na escola. O cardápio: ovos de lagartixa, ninho de mosca varejeira e melado de caramujo. “Eu achei um formigueiro do lado da minha casa ontem, mas infelizmente um tamanduá chegou antes”, disse o menino. “Mas estou animado, parece que hoje tem percevejo, meu preferido. Hum… Já dá para sentir o cheirinho daqui!”.
blog do sensacionalista

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Sr. Dinheiro", do Fantástico, não paga prestação há 18 anos do apartamento onde mora"


Sr. Dinheiro, no Fantástico, ensina famílias a pagar dívidas.

Consultor de economia doméstica do “Fantástico”, da Rede Globo, Luís Carlos Ewald é réu na Justiça do Rio de Janeiro. Há 18 anos, ele não paga a prestação do apartamento onde mora, na Gávea. A Delfin Crédito Imobiliário conseguiu o leilão da unidade. Mas, “por má-fé e torpeza”, segundo consta na ação, Ewald permanece no imóvel. (Da IstoÉ)
do blog do Amoral Nato