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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Gigante (por conta da ditadura) da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

New York Times diz que a Globo é a TV que ilude o Brasil

Da Redação conexaojornalismo















Um artigo publicado no jornal New York Times, e reproduzido por aqui no site UOL, é de causar constrangimento a todo brasileiro mais crítico. Nele, Vanessa Bárbara revela com contundente precisão o quanto a TV Globo historicamente interfere no cotidiano de um país que figura entre os de mais baixa qualificação de ensino do planeta. Lembrar que William Bonner comparou o telespectador médio de TV do país com Homer Simpson chega a ser obrigatório.

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

Vanessa Barbara, no International New York Times, via UOL
Em São Paulo

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde -a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood- e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson -incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água".

Leia também: JN omite notícias importantes enquanto audiência despenca

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar -assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

* Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

As várias formas de divulgar (manipular) uma notícia


Uma informação importante que todos devem conhecer é que não se deve confiar em tudo o que a imprensa noticia. 
Na maior parte do tempo, a imprensa faz ótimas matérias sobre saúde, educação, denúncias de corrupção, violência, superlotação nos presídios, dentre outros temas.

Mas é preciso saber também que no meio de tantas matérias interessantes, também há matérias jornalísticas manipuladas, com informações falsas, omitidas, reduzidas ou aumentadas afim de beneficiar ou prejudicar o alvo daquela matéria, principalmente quando há políticos envolvidos.

Esse tipo de decisão é tomada sempre quando está em jogo algum interesse político dos donos da imprensa.


Exemplos:
O Jornal Nacional, no final de 2012, por exemplo, deu a seguinte notícia, em apenas 14 segundos:

“A criação de empregos com carteira assinada, este ano, foi 23% menor do que em 2011. É o pior resultado desde 2009. Mas, isoladamente, os números de novembro mostram um aumento de quase 8% no emprego formal.”

Essa é uma boa ou má notícia? Pelo tom negativo, parece ser péssima.
Mas se você olhar abaixo a imagem que apareceu na tela do jornal, verá a informação de que foram geradas 1,77 milhões de vagas de emprego em 2012. Conseguiram converter a geração de tantos empregos numa má notícia.


Outro exemplo aconteceu na última sexta-feira (8), quando o apresentador do Jornal da Globo, William Waack deu a seguinte notícia"Devido a juros altos e a economia crescendo pouco, a inflação de julho ficou praticamente estável, segundo o IPCA".

Foi assim que o apresentador deu a boa notícia da inflação ter crescido apenas 0,1% em julho. Ele pegou duas más notícias e as apresentou antes da boa notícia, para demolir qualquer efeito que ela pudesse ter.

No caso da Globo, isso se explica por causa da histórica oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT). Apesar de não admitirem, fica claro na cobertura da Globo o quanto fazem oposição ao partido, chegando ao ponto de transformarem boas notícias em más notícias para o telespectador.

Para mostrar que isso não fica restrito à Globo, um outro lado da mídia, mais a favor do PT, após as prisões dos condenados pelo processo do "mensalão", noticiou o seguinte em 2013: "Após prisões, procura por filiações ao PT aumenta mais de 2.000%".

Quem ler algo assim, pensará que chegaram umas 10 mil pessoas nos diretórios do partido pedindo filiação. Mas na verdade eram apenas 392 pessoas, em todo o país, que pediram filiação no fim de semana. Elas correspondiam a mais de 2000% da quantidade do fim de semana anterior, que foi de 15 pessoas.

É possível também noticiar que "O partido PXX teve o maior aumento de filiados dentre todos os partidos", para avisar que o partido tinha 30 filiados na cidade e agora tem 70: um aumento de 133% de filiados. Isso é mostrado de forma positiva, mesmo que esse seja o partido com menos filiados na cidade.

Além disso, é possível também converter más notícias em boas notícias, suavizando detalhes negativos dentre as informações.

São muitos os exemplos de manipulação de notícias pela imprensa e nem sempre é fácil perceber aquela pequena mentirinha no meio de várias informações verdadeiras.

Por isso, é preciso que sempre procuremos nos informar por vários veículos de imprensa diferentes. Dessa forma, haverá mais chance de estarmos bem informados e não sermos manipulados em prol de interesses obscuros dos donos de um jornal, revista, canal de TV, site, blog, etc.
sugado do: http://fabiano-amorim.blogspot.com.br/2014/08/as-varias-formas-de-divulgar-manipular.html