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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

FHC VAI PARA O TRONO OU NÃO VAI?


Graziano costuma atrair holofotes
Xico Graziano, que assessorava Fernando Henrique Cardoso quando este era presidente da República, praticamente lançou a campanha para o 3º mandato, em artigo que escreveu para a Folha de S. Paulo, cujo título já diz tudo: Volta, FHC.

Eis o trecho culminante:
"Qual liderança poderá recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento? Como fazer a reforma política tão desejada? Quem conseguirá estabelecer conexão com a sociedade organizada nas redes? É o que todos querem saber.
Creio que somente o ex-presidente FHC se legitima, pela vasta experiência, sensatez e sabedoria, para nos conduzir nessa difícil travessia",
Graziano fez o serviço completo: apontou o idoso sociólogo como o melhor nome tanto na eleição indireta de um presidente-tampão até 2018 (caso o Tribunal Superior Eleitoral condene os dois integrantes da chapa vencedora em 2014), quanto na disputa nas urnas que haverá se Temer cumprir o mandato até o fim. Com os pés ou com as mãos, o Corinthians é campeão...

Numa resposta enviada do exterior por escrito, FHC desconversou: "Jamais cogitei dessa hipótese nem ninguém me consultou sobre o tema".

Já por telefone, foi curto e grosso:  "Não. A Presidência abrevia a morte".

Brigou com as palavras, como notou o jornalista Jânio de Freitas: "O que a Presidência pode abreviar não é a morte, é a vida. À morte, poderia antecipá-la". 
Teremos um recordista do Guinness Book?

E ficou parecendo um homem público um tanto poltrão. Afinal, aos 85 anos, a vida que lhe resta é tão importante a ponto de, por receio de perdê-la, recusar-se a prestar um último serviço ao País? 

Enfim, pode ser apenas uma manobra de quem não quer ver Geraldo Alckmin bombando no noticiário como está desde que elegeu o poste João Doria. Colocar outro nome na parada serviria para baixar um pouco a bola do Sr. Pinheirinho, pouco importando se os planos de FHC forem outros.

Já no caso de ser mesmo um balão de ensaio, valeria a pena FHC ponderar sobre esta avaliação da jornalista Eliana Cantanhêde:
"Quem alardeia essas ideias pirotécnicas, ou piromaníacas, de derrubar Michel Temer para pôr Fernando Henrique no lugar já pensou em quem, como, onde e por quê? 
O colégio eleitoral seria o Congresso, onde, logo, logo, mais de uma centena de camaradas estarão na fila da Lava Jato. A reação automática seria que o PSDB tirou Dilma e pôs Temer para, aí, sim, dar um golpe. E a economia, a política, a imagem do País e a paciência da sociedade explodiriam de vez"
do:  https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/fhc-vai-para-o-trono-ou-nao-vai.html

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Situação de famílias do Pinheirinho é ‘inadmissível’, diz Anistia Internacional




Destroços do que foi o assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos,
que sofreu reintegração de posse no início do ano Foto: Murilo Machado


A organização de Direitos Humanos Anistia Internacional definiu como “inadmissível” a postura do poder público um ano após o violento despejo de 5.534 mil pessoas da comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). No aniversário da ação, a ONG criticou, em nota, a incapacidade do poder público em encontrar uma solução “adequada e permanente” para as famílias removidas do local.

Em 22 de janeiro de 2011, a Polícia Militar e a Guarda Civil despejaram os moradores que ocupavam a área de quase 1,3 milhão de metros quadrados desde 2004. O terreno pertence à massa falida da Selecta, holding de 27 companhias do megainvestidor Naji Nahas.

A ação foi duramente criticada por defensores de direitos humanos, principalmente por ter utilizado cães, gás lacrimogênio e balas de borracha contra as famílias que não tiveram tempo de retirar seus pertences das casas.

À época, um relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) identificou mais de 1800 denúncias de violações de direitos humanos por parte da PM e Guarda Civil. As mais citadas (13,6% do total de denúncias e citada por 41% dos entrevistados) se referiram a ameaças e humilhações. Das 634 pessoas que responderam ao questionário, 166 (26,2%) relataram ter sofrido algum tipo de agressão física e 205 afirmaram que suas casas foram demolidas sem tempo para a retirada de seus bens. Além disso, 80 pessoas disseram ter ficado sem emprego ou fonte de renda por conta do episódio. Para piorar, ao menos 71 casas foram saqueadas e 67 moradores foram ameaçadas por pessoas armadas.

A Anistia Internacional alerta que, atualmente, as famílias despejadas vivem “em condições precárias e moradias inadequadas” e em áreas de risco. A única alternativa oferecida pela prefeitura e o governo do Estado foi uma bolsa-aluguel de 500 reaispor mês. “A bolsa-aluguel deveria ser uma solução temporária. No entanto, essa foi a única medida de apoio às famílias no período e, mesmo assim, há relatos de que o valor é insuficiente e o pagamento atrasa – gerando situação difícil e constrangedora para os que dependem do recurso para pagar o seu aluguel.”

A organização ainda destaca que as famílias não foram reassentadas em nenhum programa de habitação e “tiveram que encontrar por si mesmas alternativas de moradia.” Segundo a ONG, o terreno permanece desocupado “sem cumprir qualquer função e acumula dívidas de 50 milhões de reais com a prefeitura, entre pagamento de IPTU e multas”.