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terça-feira, 8 de julho de 2014

Isso não é jornalismo é bandidagem



247 – Consertar uma tese jornalística errada não é fácil. Mas é o que tentam fazer, neste momento, alguns dos colunistas e editorialistas mais radicais da mídia tradicional. No circuito Merval Pereira-Reinaldo Azevedo-Arnaldo Jabor e outros, a tese que está em campo agora é em tudo diferente da que vigorou até momentos antes da classificação da Seleção Brasileira para a segunda fase do Mundial, dez dias atrás. Até ali, quando ainda existiam apostas contra o sucesso popular e de organização da Copa no Brasil, os mesmos articulistas da Rede Globo e do Grupo Abril trabalhar pelo estabelecimento do clima de medo e apreensão frente ao sucesso do Mundial. Engrossaram, à sua maneira, o esvaziado #naovaitercopa – e ficaram completamente isolados nas arquibancadas vazias dos que apostaram no sucessos do evento.
Agora, numa ampla ofensiva que utiliza todos os meios disponíveis – dos programas ditos sérios na rádio CBN ao decadente Domingão do Faustão -, os mesmos caras pregam que o sucesso da Copa é de todos, em exceção. Mas que, se houver perda esportiva e aumento de críticas ao Mundial, a culpa deve recair exclusivamente sobre a torcedora número 1, a presidente Dilma Rousseff.
- Dilma e Lula não marcam gols, sublinhou, com certo desespero, Merval Pereira para seu parceiro Carlos Alberto Sardemberg, nesta terça-feira 8, num bate-bola do time do contra na rádio CBN. No domingo, Faustão fez as vezes de editorialista e repetiu, por dois minutos, que "a verdadeira Copa vai começar agora, com as eleições", como querendo dizer que a #copadascopas é um evento menor, nada significativa para a vida de um País.
Pelo Grupo Abril, Reinaldo Azevedo irritou-se, em texto no site veja.com, com o gesto de "é tóis", feito por Dilma com os braços, divulgado na página do Facebook da presidente. Ele reconheceu que não sabia do que se tratava, apesar de a expressão ser popular há pelo menos seis meses. E emendou dizendo que a presidente vibrar e torcer pela Seleção, por Neymar e pelo sucesso da Copa seria "uma tentativa canhestra do poder de manipulação do povo". Nossa! Para Azevedo, será que Dilma deveria vestir luto por esses dias? Ou talvez sair do País, olhar a Copa de longe? O que ele queria, que Dilma, como ele, torcesse contra?
Por jogadas como essa, é mesmo dura a disputa pela camisa 10 no time dos que jogam contra. Muitos candidatos.
O problema com a tentativa de ajustar a posição editorial sobre a Copa – passando da aposta contra para a adesão oportunista e, ainda por cima, tentando criticar a postura da presidente da República por ter-se empenhado e acreditado no sucesso do Mundial – é que ela não dará certo. Dilma, esse é o fato, mergulhou de cabeça na Copa no Brasil. Publicamente, não vacilou em comandar a torcida, fazendo apelos pela realização da #copadascopas e jogando alto na capacidade de o povo brasileiro fazer um evento diferenciado. É o que está acontecendo, a olhos vistos.
A esta altura, qualquer que seja o resultado esportivo da Seleção Brasileira, com vitória ou não na partida de 17h00, no Mineirão, em Belo Horizonte, contra a Alemanha, a Copa é um sucesso espetacular. E, como dizem as pesquisas, ajudou sim na recuperação da popularidade da presidente Dilma. Não serão colunistas que perdem credibilidade a cada dia que irão mudar essa situação.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Por que a torcida da seleção é tão bunda mole?


Torcida que não costuma frequentar estádios
Publicado na Placar. O texto é de Mário Sérgio Silva / 
"O Brasil havia acabado de perder a Copa de 1998 para a França. Derrota por 3 x 0 na final, a pior da seleção na história das Copas. Uma campanha de TV tentou recuperar a autoestima brasileiro com um dos vilões daquela partida: o goleiro francês Fabián Barthez. Pessoas comuns – e não comuns, como Millene Domingues, a rainha das embaixadinhas, antes de casar com Ronaldo e de ser a mãe de Ronald – batiam pênaltis que o campeão do mundo daquele ano não conseguia defender. Até que um menino bate e o goleiro defende, mas, vendo a decepção do garoto, joga a bola para o próprio gol.

A campanha era dos chinelos Rider e foi produzida pela W/Brasil. “Em 1999, você vai marcar o gol dos seus sonhos, e o Brasil vai acertar o pé”, dizia. A trilha sonora era “sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor”, grito cooptado dos chilenos, que o introduziram naquela mesma Copa.

A canção foi adotada pela torcida da seleção. Um canto que ecoa nos estádios de futebol, nos jogos de vôlei ou de qualquer modalidade. Até mesmo nas manifestações de rua do ano passado ela foi lançada. Nunca muda. É sempre a mesma nota.

O brasileiro não tem lá muito jeito de torcer pela sua seleção. Não somos tão criativos como os ingleses, que costumam rir da ruindade de seus times, nem tão apaixonados como os argentinos, que nunca deixam de cantar. Não temos a irritante energia dos mexicanos, que não param um só minuto – inclusive com a indefectível “Cielito Lindo”, aquela do “ai, ai, ai/tá chegando a hora”. Nem mesmo os gritos extasiados de japoneses ou a empolgação de uma batucada africana.

No lugar disso, vamos com o que temos na mão. Da Copa do México, importamos a “olla”, a famosa onda das arquibancadas. Todo jogo de seleção tem uma dessas. Nos jogos deste Mundial, a torcida aderiu ao grito mexicano de “PUTO” quando o goleiro rival vai bater o tiro de meta.

Não falta só criatividade. Às vezes falta mesmo paciência. E isso não é atributo apenas da torcida paulista, como se acostumou dizer. Na Copa América de 89, a seleção foi vaiada em todas os jogos na Fonte Nova. O Mineirão protestou contra o time de 1994. O Rio, contra o de 1998. Mas sejamos justos: os paulistas sempre foram chatos com o time amarelo, até em campeonato de bafo. O xingamento a Dilma vai nesse bolo.

Mas a questão não é ser chato. É como nos apegamos a um grito que uma agência de propaganda encomendou para uma marca de chinelos há 16 anos e como isso virou o hino oficial da torcida. É a praga desta Copa. Até no jogo Rússia x Coreia do Sul, em Cuiabá, um coro do tipo foi puxado.

Como é que somos tão chatos na arquibancada se, nos campeonatos locais, nossas torcidas são tão criativas? Mesmo nas provocações – lembro da hilária demonstração da torcida do Vasco quando Romário fez o seu 999º gol e provocou a do Flamengo, que tinha então o centroavante Souza, que depois passaria por Corinthians e Bahia: “Puta que o pariu/Só faltou 1000 pro Souza fazer mil”. A do rubro-negro já adaptou “Poeira”, de Ivete Sangalo”, e marcou um título carioca com ela. O Botafogo tem o “Ninguém cala/esse nosso amor”.

 O Flu tem o João de Deus. O Corinthians inventou o “Loco por ti”; o Palmeiras adotou o porco; o Santos tem seus cantos, o São Paulo também.

Será que é por que o público da seleção, por ser mais abastado, não gosta de ir a estádios e só vê os jogos pela televisão? Ou por que os que vão ao estádio torcem o nariz para o time nacional? Mas a gente pode reduzir a pergunta a uma só: por que a torcida da seleção é tão bunda mole nesse quesito?

PS: O canto “Sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor” está registrado no Inpi por Nelson Biasoli desde 1979. É uma versão de “It’s a Heartache”, de Bonnie Tyler, que também ganhou uma versão em espanhol com o Boca Juniors anterior ao registro de Biasoli – o nome dela é “Boca de Mi Vida”. A versão cantada pelo Chile na Copa da França é uma adaptação dessa.

 A brasileira começou a cantá-la logo depois do encontro entre as duas
seleções, nas oitavas de final do Mundial de 1998. Para deixar bem claro: o texto não fala sobre a origem da música, mas sim quando ela se popularizou. E isso aconteceu depois do comercial da Rider, no fim de 1998."

http://youtu.be/5DE-py91K2w



sábado, 31 de maio de 2014

A lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo


 "Publicado originalmente no site Manual de Ingenuidades. O autor, Adriano Silva, é blogueiro e consultor digital. Antes, trabalhou na Abril e na Globo.

Adriano Silva, Manual de IngenuidadesDiário do Centro do Mundo  

Há um pensamento em voga entre nós: devíamos sabotar a Copa, torcer contra, colaborar para que “não haja” Copa. Isto seria a coisa cívica e correta a fazer – usar a Copa do Mundo no Brasil não para vender ao mundo uma imagem boa do país, mas, ao contrário, para revelar nossas mazelas, para admitir nossas iniquidades diante do planeta.

Isto seria um levante contra “tudo isso que está aí” – o maldito padrão Fifa que não conseguimos alcançar e que nos humilha; nossa incapacidade histórica de fazer qualquer coisa honestamente, sem cobrar ou pagar propina; a economia que não anda; nossa ineficiência estrutural e nossa leniência crônica que nunca cumprem o que promete, que perdem prazos e desrespeitam contratos; nossa falência como nação que não consegue andar para frente em tantos aspectos essenciais; nossa incompetência em superar essa fenda social profunda que nos divide há séculos em duas castas que se odeiam, às vezes em silêncio, às vezes nem tanto.


Mas sabotar a Copa funcionaria também como uma espécie de autoexpiação pública e mundial, transformando nossas questões nacionais, internas, num inesquecível fiasco global. Como se a Copa do Mundo deixasse de ser uma festa para virar uma chibata. Como se o maior evento do planeta, que nos foi confiado e que nós brigamos para receber, não representasse um momento de alegria mas sim uma oportunidade de gerar constrangimento, vergonha, decepção e má publicidade.

Sorrir virou uma assunção de cretinice. Torcer pelas cores nacionais na Copa virou um crime. Exercer o gosto pelo futebol, um traço nacional, virou coisa de gente pusilânime.

O autor
 Ao mesmo tempo, ver o Brasil mal retratado na imprensa de outros países virou uma alegria. Passamos a gostar da ideia de esfregar nossos aleijões na cara da audiência internacional – tendo especial regozijo ao ver a classe média do resto do mundo virar de lado e tampar o nariz. Adoramos jogar lama no próprio rosto.

 E convidamos os outros a nos enlamear também. Estamos torcendo para que as coisas funcionem mal, e para que tudo dê errado, e para que não consigamos fazer nada direito, para que tragédias aconteçam, para que tudo mais vá para o inferno.

Estamos vibrando com a derrocada daquilo que mais odiamos. E o que mais odiamos parece ser o Brasil. Como se o Brasil não fôssemos, tão e simplesmente, nós mesmos.

Tenho muita dificuldade de entrar nessa onda de autoimolação. E na inconsequência juvenil dessa postura “quanto pior, melhor”. Há um niilismo contido nesse pensamento, e um masoquismo meio piegas e vazio nessa proposta, um espírito de porco oco e doentio, que me desagradam profundamente. Talvez porque haja muita destruição aí – e eu seja um construtor. Talvez porque haja muita coisa prestes a ser posta abaixo, indiscriminadamente, e eu seja um criador que gosta de erguer obras. Não sou um demolidor de paredes. Então não consigo achar que botar fogo no circo com todo mundo debaixo da lona possa ser uma boa ideia. Talvez por já ter vivido fora do país, e visto o Brasil lá de fora. E por ter dois filhos brasileiros, que terão seu futuro próximo acontecendo por aqui. E por já estar vivendo meu 43. ano de vida. Já estou muito velho para achar que arrasar a terra possa facilitar o nascimento de alguma outra coisa sobre ela.

Fico imaginando esse mesmo pensamento noutros países. Cito apenas alguns. Você completa o quadro.

Na Copa de 2002, o Japão deveria, logo na abertura, fazer menção a seus crimes de guerra, que não foram poucos, pelos quais jamais se desculpou. Ou então alertar para o tratamento discriminatório até hoje imposto aos burakumin – pessoas  que exercem profissões “impuras”, como coveiros e açougueiros. Ou protestar contra a xenofobia, e o sentimento de isolamento (quando não de superioridade) racial que ainda hoje permeia a sociedade japonesa.

A Coréia, no mesmo ano, deveria denunciar seu patriarcalismo opressor e a violência doméstica contra mulheres que é uma espécie de direito adquirido dos homens por lá até hoje – quase 60% das esposas afirmam sofrer algum tipo de abuso dentro de casa.

Os Estados Unidos deveriam ter encerrado a Copa de 1994 com uma apoteose em forma de perdão pela barbaridade das duas bombas atômicas que atiraram covardemente sobre a população civil de duas cidades, em nome de um teste científico (afinal, gente amarela não é gente, né?) e de um aviso nuclear aos novos inimigos. Foram 250 000 mortos, entre crianças, mulheres, bebês, velhos, gestantes, recém nascidos. Ou então a apoteose deveria representar uma elegia às populações indígenas americanas massacradas. Ou aos mortos de todas as ditaduras que os Estados Unidos apoiaram ao longo de décadas, inclusive ensinando as melhores técnicas para “prender e arrebentar”, para vigiar e punir e esganar. Os Estados Unidos também poderiam se retirar da Copa, e também das Olimpíadas, bem como de todas as competições internacionais em que costumam brilhar, em protesto contra o fato de serem a maior economia do mundo e até hoje não terem tido a capacidade de oferecer um sistema público de saúde universal aos trabalhadores que produzem essa riqueza toda – quase 50 milhões de americanos simplesmente não tem a quem recorrer se ficarem doentes.

A África do Sul, em 2010, deveria ter alardeado sua liderança mundial em estupros – 128 estupros por 100 000 habitantes. (Ah, sim. Na Nigéria, que receberemos esse ano, o estupro marital não é considerado crime. A delegação nigeriana, composta de maridos, deveria entrar no Itaquerão empunhando essa bandeira?)

A Itália e a Espanha, as duas últimas campeãs mundiais, nem deveriam vir à Copa. Na Itália, o desemprego entre os jovens é de 38,5% – no Sul, a região mais pobre do país, a taxa é de 50%. Ano passado, 134 lojas fechavam diariamente na bota – mais de 224 000 pontos já fecharam no varejo italiano desde 2008. Na Espanha, o desemprego está batendo em 30% na população em geral. Entre os jovens, já encostou também nos 50%.

Ou seja, se fossem países sérios, Espanha e Itália não perderiam tempo e recursos participando de um evento da Fifa, essa corja internacional, e se dedicariam com mais a afinco a resolver seu problemas, que são muito graves.

 Trata-se de países à beira da bancarrota. (Só para comparar, a taxa de desemprego no Brasil, esse fim de mundo em que vivemos, é de 4,9%). Os americanos, se merecessem os hambúrgueres que comem, deveriam usar a visibilidade da Copa, já que nem gostam de futebol mesmo, para chamarem a atenção para a tremenda injustiça e para o absurdo descaso que enfrentam em seu sistema público de saúde. E, se tivessem um pingo de vergonha na cara, espanhois e italianos se recusariam a vir para a Copa, a torcer por suas seleções na Copa, e se postariam de costas para os televisores e sairiam quebrando vitrines (das lojas que ainda lhes restam) a cada gol de Iniesta ou de Balotelli. Mais ou menos como estamos planejando fazer por aqui em represália aos êxitos de Neymar e cia.

Eis a lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo."

domingo, 30 de junho de 2013

A favor da Copa, da Saúde e da Educação



A favor da Copa, da Saúde e da Educação
Nunca fui muito simpático à decisão de organizar a Copa do Mundo no Brasil. No entanto, diante das críticas de parte dos manifestantes, relacionando a (má) qualidade da educação e saúde pública públicos aos gastos com estádios, decidi escrever este texto para defender algo óbvio: Copa do Mundo e serviços públicos de qualidade não estão em contradição!
Os gastos, ou investimentos (palavra mágica para alguns), com a Copa devem alcançar a cifra de R$28 bilhões, que estão sendo executados em, aproximadamente, 03 anos. Modernização de portos e aeroportos, renovação da infraestrutura hoteleira, obras de mobilidade urbana e fortalecimento da rede de telecomunicações deverão receber aproximadamente R$ 22 bilhões. Com estádios, alvo preferido dos manifestantes, serão R$ 7,6 bilhões.
Parece muito, mas não é. Essas obras, que já foram finalizadas ou estão em andamento, têm impacto positivo sobre a economia brasileira, gerando empregos, aumentando o consumo e atraindo outros investimentos. Ademais, deixarão um legado importante de aumento da produtividade, modernização do setor de turismo, melhora da infraestrutura urbana e- por que não?- estádios novos, modernos e seguros. Quem não se lembra das tragédias em São Januário (2000, 150 feridos) ou na Fonte Nova (2007, 7 mortos)? Nos últimos dias, quase ninguém...
Talvez, todo esse dinheiro fosse mais bem aplicado em outras áreas, como educação e saúde; talvez, esses recursos fossem utilizados apenas para pagar os juros da dívida. Independente de seu destino, é importante notar que os gastos para a Copa do Mundo não ocorreram em detrimento da educação. Pelo contrário, desde 2005, os gastos públicos com educação crescem seguidamente, não importando qual o critério adotado:
Fonte: INEP- Elaboração própria
A tabela acima indica também que os gastos com os estádios são ínfimos diante do orçamento público anual para educação. Em 2011, por exemplo, foram gastos R$ 252 bilhões, 100 vezes mais do que o gasto "médio" anual com estádios.
O que explica, então, a baixa qualidade da educação pública brasileira?  Ineficiência estatal, corrupção?  Também, mas essas não parecem as razões essenciais. Apesar dos R$ 252 bilhões gastos pelo setor público com educação, o que falta, essencialmente, são mais, muito mais recursos. A tabela abaixo mostra o quanto o setor público gastou com cada aluno por nível de ensino:
 
Fonte: INEP
Percebe-se que os gastos públicos anuais por estudante nos níveis básico e médio estão longe do custo de um estudante em uma escola particular razoável, que custa, ao menos, R$ 13 mil/ano. Já no nível superior, os gastos públicos anuais por estudante são da ordem de R$ 20.600,00 mil reais, valores próximos aos cobrados pelas melhores instituições privadas do país (mensalidade R$ 1.500,00). Não por acaso as melhores universidades do Brasil são públicas; não por acaso o ensino público fundamental e médio no Brasil é muito ruim, apesar das tímidas melhoras observadas na última década.   
Embora não tenha encontrado dados tão completos para a saúde, a situação parece semelhante. Entre 2000 e 2010, o gasto público per capita por ano com saúde saiu de US$ 107 para US$ 466; nesse mesmo período, a porcentagem do orçamento público destinado à saúde foi de 4,1% para 10,7%. Novamente, percebe-se que os gastos com a Copa são insignificantes perto do que o setor público brasileiro já despende com saúde. A insatisfação com os serviços ocorre porque, mesmo assim, os recursos são insuficientes. Só para comparar: os EUA despendem US$ 3,7 mil ano/habitante; a Noruega, US$ 6,8 mil.
A Copa do Mundo pode ser criticada por uma séria de razões- custos de algumas arenas, privatizações mal explicadas, remoções forçadas, desmandos da FIFA etc.-, mas ela não explica a qualidade atual da saúde e da educação pública no Brasil. De qualquer modo, as críticas podem ajudar a fomentar o debate sobre o subfinanciamento dessas duas áreas. A renovada pressão para que se destinem mais recursos advindos da exploração do petróleo a essas duas áreas já é um resultado das manifestações. Não creio, no entanto, que será suficiente para equacionar a questão. O debate está apenas começando e a reivindicação por escolas e hospitais “padrão FIFA” não é só justa, como necessária.
Mário Almeida é economista e cientista social, com mestrado em desenvolvimento econômico pela UNICAMP.  Desde 2009, é diplomata. As opiniões expostas  texto são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, a visão do Ministério sobre o assunto.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A turma do contra




A turma do contra, aquela que quer ver o Brasil voltar aos tempos da Casa Grande e da Senzala, insiste com a sua campanha para desmoralizar o governo Dilma. A oposição, cada vez mais desmilinguida, agora aposta suas poucas e manjadas fichas na tentativa de melar o maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo de futebol.,,,,

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rede de intrigas



A Copa do Mundo de futebol de 2014 ainda vai render muito assunto - e muita polêmica - até que a bola role. A última confusão é sobre o Projeto de Lei Geral da Copa que foi enviado ao Congresso. Notas de colunistas, antes mesmo que o texto fosse conhecido, já falavam da insatisfação da Fifa com vários pontos dele.....