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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O BRASIL E A REPÚBLICA DE SALÉM - Uma reflexão do Mestre Santayana


Por Mauro Santayana, em seu blog

O Ministro Teori Zavascki retirou da Operação Lava-Jato a investigação de questões relativas à Eletronuclear. 


O fez porque o caso envolve o senador Edson Lobão, que tem foro privilegiado.


Mas poderia tê-lo feito também devido a outros motivos. A Eletronuclear não possui instalações no Paraná, nem vínculos com a  Petrobras, e não se sustenta a tese, que quer dar a entender o Juiz Sérgio Moro, de que tudo, das investigações sobre o Ministério do Planejamento, relacionadas com a Ministra Gleise Hoffman, à Eletronuclear, Petrobras, hidrelétricas em construção na Amazônia, projetos da área de defesa, da indústria naval, e qualquer coisa que envolva a participação das maiores empresas do país em projetos e programas estratégicos para o desenvolvimento nacional, "é a mesma coisa" e culpa de uma "mesma organização criminosa", estabelecida, há alguns anos, com o deliberado intuito de tomar de assalto o país.


Pode-se tentar impingir esse tipo de fantasia conspiratória, reduzindo a oitava maior economia do mundo - que em 2002 não passava da décima-quarta posição - a um mero bordel de esquina invadido por uma maquiavélica e nefasta quadrilha de assaltantes, quando esse discurso se dirige para a minoria conservadora, golpista, manipulada e desinformada que pulula nos portais mais conservadores da internet brasileira e dá um trocado para a faxineira bater panela na varanda do apartamento, quando começa a doer-lhe a mão.


Mas essa tese não "cola" para qualquer pessoa que tenha um mínimo de informação de como funciona, infelizmente, o país, e sobre o que ocorreu com esta Nação nos últimos 20 anos.


Operação caracteristicamente midiática, alimentada a golpe de factoides, da pressão sobre empresas e empresários - até mesmo por meio de prisões desnecessárias, e, eventualmente, arbitrárias - e de duvidosas delações premiadas, a Lava-Jato, se não for rigorosamente enquadrada pelos limites da lei, se estabelecerá como uma nova República do Galeão, de Curitiba, ou de Salém.


Uma espécie de Quinto Poder, acima e além dos poderes basilares da República, com jurisdição sobre todos os segmentos da política, da economia e da sociedade brasileira, com um braço doutrinário voltado para obter a alteração da legislação, mormente no que diz respeito ao enfraquecimento das prerrogativas  constitucionais, entre elas a da prisão legal, da presunção de inocência,  da apresentação de provas, que precisa produzir, para uma parcela da mídia claramente seletiva e partidária, sempre uma nova "fase" - já lá se vão 19 - uma nova acusação, uma nova delação, para que continue a se manter em evidência e em funcionamento.


Tudo isso, para que não se perceba com clareza sua fragilidade jurídico-institucional, exposta na contradição entre a suposta existência de um escândalo gigantesco de centenas de bilhões de reais, como alardeado, na imprensa e na internet, aos quatro ventos, que se estenderia por todos os meandros do estado brasileiro, em contraposição da franca indigência de provas robustas e incontestáveis, reunidas até agora, e do dinheiro efetivamente recuperado, que não chega a três bilhões de reais - pouco mais do que o exigido, em devolução pela justiça, apenas no caso do metrô e dos trens da CPTM, de São Paulo.


Uma coisa é provar que dinheiro foi roubado,  nas estratosféricas proporções cochichadas  a jornalistas - ou aventadas em declarações do tipo "pode chegar" a tantos bilhões - dizendo em que contrato houve desvio, localizando os recursos  em determinada conta ou residência, mostrando com imagens de câmeras, ou registros de hotel, e listas de passageiros, que houve tal encontro entre corruptor e corrompido.


Outra, muito diferente, é, para justificar a ausência de corrupção nas proporções anunciadas todo o tempo, estabelecer aleatoriamente prejuízos "morais" de bilhões e bilhões de reais e nessa mesma proporção, multas punitivas, para dar satisfação à sociedade, enquanto, nesse processo, que se arrasta há meses, caminhando para o segundo  aniversário, se arrebenta com vastos setores da economia, interrompendo, destruindo, inviabilizando e transformando, aí, sim, em indiscutível prejuízo, centenas de bilhões de reais em programas e projetos estratégicos para o desenvolvimento e a própria  defesa nacional.


Insustentável, juridicamente, a longo prazo, e superestimada em sua importância e resultados, a Operação Lava-Jato é perversa, para a Nação, porque se baseia em certas premissas que não possuem nenhuma sustentação na realidade.


A primeira, e a mais grave delas, é a que estabelece e defende, indiretamente, como sagrado pressuposto, que todo delator estaria falando a verdade.


Alega-se que os réus "premiados", depois de assinados os acordos, não se arriscariam a quebrar sua palavra com a  Justiça.


Ora, está aí o caso do Sr. Alberto Youssef, já praticamente indultado pelo mesmo juiz Moro no Caso do Banestado, da ordem de 60 bilhões de reais, para provar que o delator premiado não apenas pode falar o que convêm, acusando uns e livrando a cara de outros, como continuar delinquindo descaradamente - por não ter sido impedido de seguir nos mesmos crimes e atividades pela Justiça - até o ponto de, estranhamente, fazer jus a nova "delação premiada" mesmo tendo feito de palhaços a maioria dos brasileiros.


A segunda é a de se tentar induzir a sociedade - como faz o TCU no caso das "pedaladas fiscais", que vêm desde os tempos da conta única do Banco do Brasil - a acreditar que toda doação de campanha, quando se trata do PT, seria automaticamente oriunda de pagamento de propina de corrupção ao partido, e que, quando se trata de legendas de oposição - mesmo que ocupem governos que possuem contratos e obras com as mesmíssimas empresas da Lava-Jato - tratar-se-ia de doações  honestas, impolutas e desinteressadas.


Corrupção é corrupção. E doação de campanha é doação de campanha. Até porque as maiores empresas e bancos do país, que financiam gregos e troianos, o fazem por um motivo simples: como ainda não possuem tecnologia para construir uma máquina do tempo, nem para ler bolas de cristal,  elas não têm como adivinhar, antes da contagem dos votos, quem serão os partidos vitoriosos ou os candidatos eleitos em cada pleito.


Se existe suspeição de relação de causa e efeito entre financiamento de campanha e conquista de contratos, simples.


Em um extremo, regulamente-se o "lobby", com fiscalização, como existe nos Estados Unidos, ou, no outro, proíba-se definitivamente o financiamento empresarial de campanha por empresas privadas, como está defendendo o governo, e não querem aceitar os seus adversários.


O que não podem esperar, aqueles que escolheram, como tática, a criminalização da política, é que a abertura da Caixa de Pandora, ao menos institucionalmente, viesse a atingir apenas algumas legendas, ou determinados personagens, em suas consequências, como é o caso do financiamento privado de campanha.


Vendida, por outro lado,  como sendo, supostamente, uma ação emblemática, um divisor de águas no sentido da impunidade e de se mandar um recado à sociedade de que o crime não compensa, a justiça produzida no âmbito da Operação Lava-Jato está, em seus resultados, fazendo exatamente o contrário.


Quem for analisar a última batelada de condenações, verá que, enquanto os delatores "premiados", descobertos com contas de dezenas de milhões de dólares no exterior, com as quais se locupletavam nababescamente, gastando à tripa forra,  são liberados até mesmo de  prisão domiciliar e vão ficar soltos, nos próximos anos, sem dormir nem um dia na cadeia, funcionários de partido que "receberam", em função de ocupar o cargo de tesoureiro,  doações absolutamente legais do ponto de vista jurídico, terão de passar bem mais que umas décadas presos  em regime fechado, mesmo que nunca tenham apresentado nenhum sinal de enriquecimento ilícito.


Com isso, bandidos contumazes, já beneficiados, no passado, pelo mesmo juiz, com acordos de delação premiada, que quebraram, ao voltar a delinquir, seus acordos feitos anteriormente com a Justiça,   ou que extorquiram empresas e roubaram a Petrobras, vão para o regime aberto ou semi-aberto durante dois ou três anos, para salvar as aparências, enquanto milhares de trabalhadores estão indo para o olho da rua, também porque essas mesmas empresas - no lugar de ter apenas seus eventuais culpados condenados - estão, como negócio, sendo perseguidas e ameaçadas com multas bilionárias, que extrapolam em muitas vezes os supostos prejuízos efetivamente comprovados até agora.


A mera ameaça dessas multas, com base nos mais variáveis pretextos, pairando, no contexto midiático, como uma Espada de Dámocles,  antes da conclusão das investigações, tem bastado para que a situação creditícia e institucional dessas companhias seja arrebentada nos mercados, e projetos sejam interrompidos, em um efeito cascata que se espalha por centenas de médios e pequenos fornecedores, promovendo um quase que definitivo, e cada vez mais irrecuperável desmonte da engenharia nacional, nas áreas de petróleo e gás, infraestrutura, indústria naval, indústria bélica, e de energia.


O Juiz Moro anda reclamando publicamente, assim como o Procurador Dallagnol - até mesmo no exterior - do "fatiamento" da Operação Lava-Jato.


Ora, não se pode criar uma fatia a partir de algo que não pertence ao bolo.


Inquéritos não podem ser abertos por determinada autoridade, se não pertencem à jurisdição dessa autoridade.


Continuar produzindo-os, sabendo-se que eventualmente serão requeridos ou redistribuídos pelo Supremo, faz com que pareçam estar sendo criados apenas com o intuito de servirem, ao serem eventualmente retirados do escopo da Lava-Jato, de "prova" da existência de uma suposta campanha, por parte do STF, destinada a dar fim ou a sabotar, aos olhos da opinião pública, o "trabalho" do Juiz Sérgio Moro e o de uma "operação" que se quer  cada vez mais onipresente e permanente nas manchetes e na vida nacional.


Ao reclamar do suposto "fatiamento" da  Operação Lava-Jato, com a desculpa de eventual prejuízo das investigações, o Juiz Sérgio Moro parece estar tentando, da condição de "pop star" a que foi alçado por parte da mídia,  constranger e pressionar, temerariamente, o Supremo Tribunal Federal - já existe provocador falando, na internet, em resolver o "problema" do STF "a bala" - valendo-se da torcida e do apoio da parcela menos informada e mais manipulada da opinião pública brasileira.


Com a agravante de colocar em dúvida, aos olhos da população em geral, o caráter, imparcialidade e competência de seus pares de outras  esferas e regiões, como se ele, Sérgio Fernando Moro, tivesse surgido ontem nesta dimensão, de um puro raio de luz vindo do espaço,  sem nenhuma ligação anterior com a realidade brasileira, para ser o líder inconteste de uma  Cruzada Moral e Reformadora Nacional - o único magistrado supostamente honesto, incorruptível  e comprometido com o combate ao crime desta República.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

São Paulo à beira de uma crise de nervos ou de um genocídio?


Exterminador-do-Futuro

FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

Essa é uma história é banal. Por mais de uma década a Sabesp distribuiu fartamente seus lucros na Bolsa de New York, conferindo aos tucanos paulistas algum prestígio internacional. Os primeiros alertas de crise hídrica foram dados em 2003, 2004, novamente em 2009. Mas com o aval do governador a companhia seguiu distribuindo lucros em NY e evitando fazer investimentos para diversificar e aumentar a captação de água para os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo.
Em 2014, ano eleitoral, a água deveria começar a ser racionada e não foi. O governador candidato à reeleição preferiu fazer de conta que o problema não existia para não prejudicar sua augusta imagem. A imprensa, que o odeia o PT menos que à população que conferiu 4 mandatos presidenciais ao partido e elegeu o Prefeito de São Paulo, protegeu o governador e até o transformou numa espécie de santo não canonizado.
O mal que foi silenciosamente plantado será inevitavelmente colhido aos gritos. A maior metrópole da América Latina está às portas de uma verdadeira hecatombe. Não há tempo hábil para obras, a água da Billings é poluída demais para ser distribuídas. Em pleno período de chuvas os reservatórios que abastecem a metrópole estão vazios. Nos próximos meses, quando a estiagem chegar, São Paulo será um deserto sobre dezenas de riachos e córregos sujos que foram canalizados, cortado por dois rios caudalosos extremamente poluídos.
Vamos fugir deste lugar, baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
A letra da música do grupo Skank é muito apropriada para descrever o tom ameno, descompromissado e até irônico utilizado pela imprensa para encobrir os momentos que antecedem um genocídio. Em alguns meses, milhões terão que fugir da Grande São Paulo? Fugir como, para onde? É impossível deslocar tanta gente ao mesmo tempo com a rapidez necessária. Onde colocar todos os fugitivos da seca produzida com lucro pela Sabesp? Os russos levaram 2 semanas para evacuar a pequena cidade de Pripyat. Quantos paulistas morrerão se o governo levar todo este tempo para esvaziar uma cidade sem água para consumo de milhões de pessoas?
Neste momento de crise, a únicas palavras que podem descrever são as que foram proferidas por Ao ouvir as declarações do Presidente do STF lembrei imediatamente das palavras de Jacques Sémelin em seu livro PURIFICAR E DESTRUIR, Difel, 2009:
“Em princípio, o papel do Estado é o de proteger os cidadãos, como explicam inúmeros autores de ciência política. Com a concordância dos indivíduos – que aceitam, então obedecer -, o Estado lhes concede segurança. Mas nos casos estudados, ele passou a não dar mais essa garantia a todos os cidadãos. Ele se tornou assassino e protetor de assassinos. Quem haveria de poder, então, conter a violência?”
Segundo o autor francês os genocídios praticados na Alemanha (contra os judeus), Ruanda (contra os tutsis) e Servia (contra kosovares e croatas) foram fomentados pelos discursos incendiários dos líderes políticos (Hitler, Habyarimana e Milosevic). Mas em todos os casos o discurso sacrificial só conseguiu alcançar seu propósito em razão da propaganda.
"A manipulação das emoções, ocupa, dessa forma, um lugar central na instauração de tais poderes, mas o que vai sustentar e desenvolver esse estado emocional é a propaganda. Ela, necessariamente, acompanha e reforça o estabelecimento desses sistemas políticos."
Um pouco mais adiante o estudioso explica que:
"O princípio básico é sempre o mesmo:  fabricar emoção. Entenda-se: suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância, o orgulho, a vingança. Um aparelho de propaganda é, antes de tudo, uma máquina de fabricar emoção pública, a exemplo dos líderes, a quem ela reveza e amplifica o que dizem. É trabalhando com a emoção que ela almeja alcançar a adesão do público: 'Não tem escolha', é o que ela diz 'temos, todos, que nos defender dessa gente. É uma questão de identidade: nossa sobrevivência está em jogo.' E é por onde a propaganda ataca o pensamento: 'Diante da ameaça comum, devemos nos mostrar mais fortes e afirmar o poder da nossa identidade.' A propaganda procura impor a todos uma interpretação do mundo, apresentada como 'vital', a partir do grupo a que ela pertence. Dessa forma, o envolvimento emocional do publico, rapidamente, se estende ao envolvimento ideológico."
O PSDB não fez propaganda de que desejava realizar um genocídio na Grande São Paulo. O que fez, e isto é uma verdade factual, foi muita propaganda para disfarçar a crise hídrica, permitir a inércia governamental e possibilitar à Sabesp privatizada seguir distribuindo fartamente seus lucros em NY. A intensa propaganda tucana para blindar Alckmin e a Sabesp, porém, produziu o mesmo efeito que a propaganda nazista, hutu e sérvia. Um genocídio ronda a Grande São Paulo e os tucanos, mesmo não tendo afirmado "mataremos os pobres paulistas de sede"conseguirão fazer isto de uma maneira impensável: com ajuda lucrativa de uma imprensa privada que coloca o interesse público abaixo do interesse dos acionistas de uma companhia irresponsável e de um governador sorridente e, no entanto, desumano.
Além de proteger Geraldo Alckmin e a Sabesp privatizada, a imprensa paulista não faz outra coisa senão "...suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância,  o orgulho, a vingança" contra o governo federal que veio em socorro dos paulistas com verbas para obras emergenciais (que infelizmente não poderão ser executadas em alguns meses). As denuncias de corrupção na Petrobras afetam menos o cotidiano dos paulistas do que a falta d’água e, paradoxalmente, ocupam mais espaço na mídia paulista.
Obrigado à enfrentar o imponderável, o povo paulista clamará por uma intervenção federal. Como as tropas brasileiras poderão atuar num Estado em que a imprensa rejeita a soberania nacional em seu território e fomenta constantemente o separatismo? Esta, porém, não é a única pergunta.
Quando as rebeliões violentas começarem a pipocar na periferia da Grande São Paulo e convergirem para o Palácio dos Bandeirantes, quem protegerá os direitos políticos dos brasileiros de uma matança que pode estar sendo planejada pelo comando da PM?  Estamos montando uma “operação de guerra” diz o governador e seus assessores mais próximos? Guerra contra quem? Contra o povo que foi criminosamente deixado sem água apesar do que consta na Constituição Federal? E o Exército brasileiro? Vai entrar nesta guerra para defender os lucros dos acionistas da Sabesp derramando o sangue dos paulistas indefesos diante de um governo absolutista e obscurantista?

Sanguessugado do GGN, via http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/02/sao-paulo-beira-de-uma-crise-de-nervos.html

Direita parte de vez para o golpe

A direita vai para o impeachment

Conservadores preferem uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis e dizer a verdade sobre seus propósitos


Derrotada nas urnas, não há mais dúvida nem outro caminho: a direita vai para o impeachment. Prefere uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis, dizer a verdade sobre seus propósitos (deter a melhor repartição da renda nacional e voltar à subordinação internacional ao capitalismo central), acreditar mais em expor programas do que em golpes de ocasião (que foi o que sempre fizeram), enfim, a direita continua acreditando em paralisar o Brasil e vender seus recursos e dedos em troca dos anéis de seus privilégios.

O parecer de Ives Gandra Martins, apoiado ridiculamente (citado no artigo) por Modesto Carvalhosa, ex-presidente da Adusp e dirigente da greve de 1979, que assim torra em praça pública seu passado de democrata, é límpido nesse sentido. Não há o que sofismar: a direita vai para o impeachment. Vai se basear de novo no “domínio do fato” que importou, solerte e malandramente, de jurista alemão, que denunciou a impertinência da importação. Mas não importa.

Ainda mais quando a direita está animada pela votação que elegeu o deputado Cunha na Câmara de Deputados. E quer ir logo para o impeachment: quanto mais demore no seu propósito, pior será para ela, porque os poderes se recomporão, se aglutinarão, se reacomodarão etc.

Ou seja, o clima está mais para 54 do que para 64. A direita quer implodir o governo, “legalmente”, e depois contar com as Forças (Forcas?) Armadas para garantir a “transição”.

Faz tempo que no Brasil a direita desistiu da democracia. Ela quer mesmo o ferrolho sobre o povo, sobretudo sobre o povão, e que este fique entregue à sua condição subalterna sem rota nem voto. Política é para os sabichões das elites, os ‘pundits’ (essa turma gosta de ser chamada em anglo-saxão), o resto é mesmo “demagogia”, “populismo”, “clientelismo”. Só o assalto ao Estado que a direita promove é “virtude”.

A questão, no entanto, não é esta. A questão é o que farão as esquerdas. Ficarão abestalhadas, como em 54, apoiando o massacre do governo de Vargas até seu suicídio (a hipótese seria a queda e o novo exílio), ou vão lutar pelo que se conquistou nesta última década? Ficarão no ramerrame de atacar o governo supostamente pela esquerda, fazendo coro com a UDN,  enfraquecendo-o, enquanto assistem algo passivamente a ofensiva da direita?

Acho bom levar em conta: chegamos à batalha decisiva. A direita perdeu no Judiciário: armou tudo, retóricas, acusações, condenações, mas não conseguiu levar. Perdeu nas urnas, e quando tinha certeza de que ia ganhar. As expressões de Merval Pereira e de Aécio Neves na TV foram eloquentes, sem falar no aviãozinho que decolou de S. Paulo vitorioso para chegar em BH derrotado, com os próceres do PSDB: alguns chegaram à desfaçatez de simplesmente a retornar com o rabo (e a cara) entre as pernas. Agora a direita, como no Paraguai, vai apostar no Congresso hostil. A velha mídia vai fazer seu papel esclerosado, mas esperto, de sempre: como em 64, ou 54, criar a impressão de que há uma “comoção nacional” contra o governo, ocultando o apoio popular a este.

Como disse antes, o fundamental hoje é o que farão as esquerdas. O PT está meio congelado, arrumando as arestas internas. Não sofreu uma derrota nas eleições, embora tenha visto seu alcance institucional encurtado. Mas o clima de “em tempo de murici cada um cuide de si” está instalado. Só que este clima pode levar à desarticulação e à inércia. A extrema-esquerda parece querer pedir asilo na Grécia, achando que há em Atenas um radicalismo que falta em Brasília, quando na verdade o governo da Syriza (sabiamente) dá todas as mostras de que quer negociar com o establishment hegemônico na União Europeia.

Esta é a hora de cerrar fileiras, não de alimentar dissensões do lado das esquerdas. Vamos falar claro: nós sabemos que a direita, unida, jamais será vencida pela esquerda desunida. Vamos deixar de falastrices e fanfarronadas. Sim, criticar é preciso. Mas de dentro da trincheira em defesa do que o povo brasileiro conquistou. E que perderá, caso a direita consiga seu propósito de subverter a democracia no tapetão, e derrubar o governo legitimamente eleito. Como, por outros meios, fez em 54 e em 64.

por Flávio Aguiar

http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/02/direita-parte-de-vez-para-o-golpe.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Apesar de toda a histeria, inflação fecha 2014 na meta

247 – O clima era de histeria, em boa parte dos meses de 2014, em relação ao cumprimento do teto da meta estipulada pelo governo para a inflação. Depois de as revistas Veja e Época usarem na capa o tomate como símbolo dos altos preços dos alimentos, a apresentadora da Globo Ana Maria Braga apareceu com um colar feito da fruta.

Nesta sexta-feira 9, porém, dados do IBGE apontaram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, fechou o ano com alta acumulada de 6,41%, dentro do teto da meta oficial, que era de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Abaixo, reportagem da Reuters:

IPCA acumula alta de 6,41% em 2014 e fica dentro da meta

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,78 por cento em dezembro e encerrou 2014 com alta acumulada de 6,41 por cento, cumprindo a meta oficial do governo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em novembro, o IPCA havia avançado 0,51 por cento sobre o mês anterior. Em 2013 o indicador oficial de inflação terminou com avanço de 5,91 por cento, também abaixo da meta de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de que o IPCA subisse 0,78 por cento em dezembro na mediana de 23 projeções, que foram de alta de 0,73 a 0,92 por cento.

Para 2014, a projeção era de avanço de 6,42 por cento na mediana de 20 estimativas, num intervalo de 6,35 a 6,56 por cento.

(Reportagem de Walter Brandimarte e Pedro Fonseca; Texto de Camila Moreira; Edição de Patrícia Duarte)

domingo, 28 de dezembro de 2014

As apostas e os micos da revista Veja em 2014

Augusto Ferreira

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A última e melancólica edição da revista Veja em 2014 aposta na burrice de seus fiéis leitores pra convencê-los que quem pagou mico durante o ano foram os outros. Será mesmo?

• Apostou no “não vai ter copa”;
• Apostou na pior das copas;
• Apostou que o 7 a 1 derrotava Dilma;
• Apostou no papa conservador;
• Apostou na disparada da inflação;
• Apostou no fim da Venezuela;
• Apostou no fim de Cuba;
• Apostou no fim da Petrobrás;
• Apostou no delator que fala;
• Apostou na fala que vaza;
• Apostou no Real que salva tucano;
• Apostou na morte que salva revista;
• Apostou que Dilma rompia com Lula;
• Apostou em Aécio;
• Apostou no Joaquim;
• Apostou na Marina;
• Apostou nos indecisos;
• Apostou na virada de véspera;
• Apostou que quem ganhou, perdeu;
• Apostou na burrice de seus fiéis leitores.
http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2014/12/as-apostas-e-os-micos-da-revista-veja.html

sábado, 18 de maio de 2013

Veja e Época colocam a faca no pescoço de Zavascki


Preocupadas com a possível reversão do julgamento da Ação Penal 470, as revistas semanais da Abril e da Globo tentam intimidar o mais recente ministro do Supremo Tribunal Federal, cujo voto poderá ser decisivo para reduzir penas, inocentar alguns réus e até para preservar o mandato de parlamentares como João Paulo Cunha (PT/SP) e José Genoíno; se a mudança se confirmar, “seria escandaloso”, sacramenta Veja.
Brasil 247 – Pode estar nas mãos do ministro Teori Zavascki, o mais recente integrante do Supremo Tribunal Federal, o destino da Ação Penal 470. Por isso mesmo, ele é personagem de destaque em duas revistas semanais deste fim de semana, Veja e Época, que tentam convencê-lo, de maneira não muito sutil, a votar de acordo com seus interesses políticos no segundo tempo do julgamento.
Esta nova etapa deverá ser aberta na próxima semana, quando o plenário do STF se pronunciar sobre a admissibilidade ou não dos chamados embargos infringentes. O presidente da corte, Joaquim Barbosa, já se manifestou contrariamente à possibilidade de recursos, mas deve ser derrotado em plenário, uma vez que vários ministros que votaram contra a defesa, como Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, já sinalizaram que defendem os embargos.
Nesse cenário, o voto de Zavascki poderá ser decisivo, já que diversas votações dividiram o plenário e tiveram placares bem apertados. Por isso, Veja e Época deram início à operação “faca no pescoço”, expressão usada pelo ministro Ricardo Lewandowski para retratar a pressão exercida pelos meios de comunicação sobre os ministros do STF.
Em Veja, diz-se textualmente o seguinte:
“A reabertura do julgamento e a revisão das penas terão como fiel da balança o ministro Teori Zavascki, nomeado pela presidente Dilma Rousseff. Na primeira vez em que foi cotado para o posto, Zavascki se recusou a assumir compromisso com a absolvição dos mensaleiros, e as forças trevosas boicotaram seu nome. Na segunda tentativa, assumiu o posto. Será que ele conseguiu afastar aquele impedimento? Seria escandaloso.”
Na prática, temendo que Zavascki vote contra seu posicionamento político (e não jurídico, uma vez que este não existe), Veja coloca o ministro sob suspeita.
Época, por sua vez, tenta ser mais factual, na reportagem “O fator Teori”. Trata-se de um perfil do ministro gaúcho, onde se afirma que ele não submete a pressões – sem deixar claro, no entanto, se isso se refere a pressões dos réus, do PT ou das Organizações Globo, que editam a revista.
No texto, a revista lembra que Zavascki já se posicionou de forma clara em relação a três pontos que dividiram o STF. Em relação à cassação dos mandatos de parlamentares, em que a defesa perdeu por 5 a 4 depois que Celso de Mello esqueceu o que ele próprio havia dito, Zavascki já disse com todas as letras que a prerrogativa é do Legislativo – e não do Judiciário. Sobre formação de quadrilha, o ministro também critica a banalização desse tipo de imputação. Em relação a lavagem de dinheiro, ele afirma que deve se provar que o beneficiado tinha ciência da origem ilícita do dinheiro – o que poderá até absolver o deputado João Paulo Cunha (PT/SP).
Claramente, nota-se que as forças políticas que movimentaram o tabuleiro do STF estão preocupadas com o segundo tempo do jogo. Fecharam o primeiro tempo em vantagem, mas já levaram algumas bolas na trave. E tentam agora intimidar o ministro Teori Zavascki.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fantástico show de mentiras da Globo



Carlos Lopes, Hora do Povo / Blog do Miro

“A principal estrela dos 16 minutos que a Globo, no último "Fantástico", dedicou às ferrovias, portos e ao (suposto) terrível descaso de Lula e Dilma para com eles, foi o sr. Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL).

O show (pois reportagem aquilo não foi) constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente por parte da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa.

No entanto, dos entrevistados, o único que mostrou uma inequívoca satisfação foi Figueiredo. Os outros, até os capachos de fé, pareciam sentir uma úlcera ou um corpo estranho adentrando-lhes, supomos, a alma. Eles sabem quando estão mentindo. O ministro dos Portos parecia constrangido – tão constrangido que assinou em seguida uma nota apontando algumas mentiras.

O único que estava, não somente à vontade, mas alegre, contente, exibindo-se para a Globo - e nem se abalou em assinar a nota conjunta do governo - era o sr. Figueiredo. O que é muito interessante, porque ele é o principal responsável pela elevação do preço do transporte ferroviário para, em média, 103% do preço do transporte rodoviário (há quase um consenso que aquele é, normalmente, pelo menos 30% mais barato que o último; exceto quando há um mágico escondendo cobras e engolindo espadas...).”

Currículo

Figueiredo tem um currículo miraculoso: sob Fernando Henrique Cardoso, chefe de gabinete do presidente da Rede Ferroviária Federal, realizou os "estudos" para a privatização das ferrovias; em seguida, tornou-se presidente da principal beneficiária da privatização, a Interférrea (posteriormente denominada ALL, da qual o sr. Figueiredo foi membro do Conselho de Administração) e presidente da entidade das ferrovias privadas, a Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF); sabe-se lá como, tornou-se depois, sucessivamente, diretor da Valec, gerente de projeto do Programa de Parceria Público-Privada do Ministério do Planejamento, assessor especial da Casa Civil, e, logo, diretor-geral da ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres (todas essas informações foram fornecidas pelo próprio Figueiredo: v. Diário do Senado Federal, 11/03/2008, Mensagem nº 50/2008, Curriculum Vitae, "Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira").

Dois dias depois de sua posse na ANTT, no dia 16/06/2008, Figueiredo entregou uma nova concessão ferroviária para a ALL, a Ferrovia Novoeste S.A. (Deliberação ANTT nº 258/08). Vinte e dois dias após, entregou à ALL outra concessão, a Ferronorte S.A. (Deliberação ANTT nº 289/08). Mais 33 dias, e ele entregou outra concessão para a ALL, a Ferroban, em São Paulo (Deliberação ANTT nº 359/08).

Mas não houve expansão da malha ferroviária. Pelo contrário, em seguida, a ANTT, sob a presidência de Figueiredo, "permitiu, sem nenhuma penalização, que as concessionárias desativassem, no todo ou em parte, o serviço de transporte ferroviário em 2/3 da malha concedida, sem realizar os diversos procedimentos relativos às solicitações de suspensão e supressão de serviços de transporte ferroviário e desativação de trechos" previstos pela própria ANTT (Resolução nº 44, 4/07/ 2002). Ou seja, sob a égide de Figueiredo, foram desativados, total ou parcialmente, 20 mil km de ferrovias, dos 29 mil km que constituem a malha ferroviária do país (ver a entrevista do próprio Figueiredo na Revista Ferroviária, março/2009, págs. 12 a 19).

Ao sabatiná-lo no Congresso, o senador Roberto Requião assim resumiu essa parte da carreira de Figueiredor:

"Com esses seus três atos relâmpagos (…), além dos 7.304 quilômetros de malha ferroviária, entregou 478 locomotivas, 14.371 vagões à ALL – da qual, através da Interférrea, o senhor foi presidente e depois membro do Conselho de Administração –, que já explorava a Malha Sul em decorrência do leilão de privatização. A ALL recebeu, não pelos bons serviços prestados, mais 4.446 quilômetros de ferrovias, 456 locomotivas, 13.548 vagões, o que representou colocar 11.750 quilômetros de linha, 934 locomotivas e 27.919 vagões nas mãos de um único operador logístico, ou seja, mais de 40% de todo o parque ferroviário nacional na empresa da qual anteriormente o senhor fazia parte como presidente da Interférrea e como membro do Conselho de Administração da ALL. (…) Essa concentração absurda de poder econômico, esse monopólio da ALL sobre 40% do parque ferroviário nacional nas regiões em que se concentra a maior parte do PIB brasileiro, ocorrida sob a sua gestão na ANTT, na minha opinião, é um escândalo. (…) É meu dever perguntar: o senhor considera ético que, durante a sua gestão na Diretoria Geral da ANTT e através de atos firmados pelo senhor, a ALL, empresa que o senhor estruturou, representou na concessão e dirigiu, cresça de modo incrível e ganhe essa dimensão gigantesca que hoje apresenta?"

Em sua resposta, Figueiredo tergiversou: por exemplo, disse que não formatou a privatização – mas isso estava em seu currículo, apresentado por ele quando foi conduzido pela primeira vez para a ANTT. O Senado recusou-se a reconduzi-lo para a ANTT, por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica.

Esse é o herói da Globo. A questão é: por que Figueiredo estava tão satisfeito, no meio de um programa que era uma mentirada contra o governo – em especial contra a presidente Dilma? Teria sido ele a fonte de tão sábios dados para a Globo?

Por exemplo: "Este ano o Brasil teve uma supersafra de grãos. E a comida ficou mais barata? Não. Porque o preço do transporte fica mais caro ano a ano".

O peso dos transportes no aumento de preços dos alimentos que houve de agosto a dezembro do ano passado, foi, a bem dizer, insignificante. Tanto assim que os transportes continuam os mesmos e o preço dos alimentos está caindo desde janeiro. O que pesou nos preços foi a especulação financeira com papéis ancorados na produção de alimentos, promovida nas bolsas de mercadorias de Chicago e Nova Iorque (hoje aNew York Mercantile Exchange – a bolsa de mercadorias de Nova Iorque – é uma filial da Chicago Mercantile Exchange. Um único grupo, com o seu entrelaçamento com os grandes bancos dos EUA, dirige a especulação mundial das commodities, com as inevitáveis consequências).

Públicos

No Brasil, os portos públicos permitiram que nossa corrente de comércio (exportações e importações) aumentasse de US$ 121,344 bilhões (2003) para US$ 482,285 bilhões (2011). O pequeno recuo de 2012 (US$ 465,728 bilhões) nada teve a ver com os portos, mas com a primarização das exportações, diminuindo a parcela de manufaturados e aumentando a parcela de bens primários (commodities).

Evidentemente, isso não quer dizer que não haja problemas: na própria matéria da Globo, o único dado real é um viaduto, obra do PAC, que encontra-se paralisado. O problema é falta de investimentos públicos – mas a Globo e o sr. Figueiredo preferem doar o patrimônio público a monopólios estrangeiros.

E, como é claro na lavagem de porco (nos perdoem os suínos) servida no "Fantástico", não é para exportar manufaturados que eles querem privatizar os portos, mas para escalpelar o país dos seus minérios e da sua fenomenal produção de alimentos.

Pela privatização anterior do sr. Figueiredo, já sabemos onde isso acaba: ferrovias desativadas, portos abandonados, o país em crise pelo estrangulamento da infraestrutura e logística, e algumas multinacionais fazendo a farra às nossas custas.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Terrorismo como arma midiática




“Segundo o dicionário, terrorismo significa “modo de coagir, ameaçar ou influenciar outras pessoas, ou de impor-lhes a vontade pelo uso sistemático do terror”, em outra definição diz que é “forma de ação política que combate o poder estabelecido mediante o emprego da violência”. Os dicionários bem que poderiam acrescentar a postura da “grande imprensa” brasileira diante dos governos Lula e Dilma.

Desde janeiro de 2003 que a inflação vai voltar. Desde janeiro de 2003 que o Brasil vai quebrar. Desde janeiro de 2003 vivemos nas trevas. Segundo a “grande imprensa” nacional, o Brasil é pior dos lugares para se viver.

Mais especificamente trato das notícias sobre o setor elétrico. Nada como desafiar os interesses econômicos de nossas elites. Desde que Dilma comprou o debate sobre a redução das tarifas o foco do terror midiático é a volta dos apagões de FHC.

E como a mídia nacional não tem limites, vale até transformar reunião agendada previamente em reunião de emergência. Vale não relatar que quedas do sistema foram provocadas pela Cemig de Minas Gerais, que a Ligth no Rio de Janeiro pertence à empresa mineira e não investigam as suspeitas de falha humana em quedas de energia em aeroportos fluminenses.”

Quedas de energia em aeroportos que acontecem em todo o planeta, inclusive. Duvida? Digite: “blackouts airports” no Google.

No Brasil dos horrores da “grande imprensa”, de fazer inveja ao exército de Israel ou a homens bomba do Oriente Médio, logo estaremos à luz de velas e não por motivos românticos. Esse discurso tem o mesmo paradigma da crise internacional. Lula afirmou que seria uma “marolinha”. Meses e meses de campanha terrorista defendendo que seríamos os mais afetados por não “ter isso” e não “ter aquilo”.

Fomos os últimos a sofrer os efeitos da crise em 2008 e os primeiros a sair dela. Foi de fato, uma marolinha.

É evidente que temos problemas estruturais a resolver, mas é mais evidente que estamos no caminho de resolvê-las.

Para as nossas elites se apenas as orlas das cidades litorâneas ou os condomínios de luxo estivessem iluminados está tudo maravilhoso. Se apenas os moradores da “Casa Grande” tiverem geladeiras e ar condicionados, não poderia estar melhor. Viajar de avião então. “lugar de pobre é na rodoviária”.

A demanda no país por energia aumentou sensivelmente graças às políticas de inclusão promovidas nos últimos doze anos. Quaisquer problemas nesse sentido são de crescimento. Até 2002 nossos problemas eram de recessão.

Até a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) se coloca na trincheira pela redução das tarifas. O povo “limpinho e cheiroso” não aprende. Por isso que somente lhe restam o terrorismo midiático e a desinformação da população.


P.S.: Há rumores de que Serra estaria interessado em fundar um novo partido para se candidatar à presidência da República em 2014 e que teria conversado com om Roberto Freire do PPS.

Tenho duas coisas a dizer: o Serra quer salvar o PSDB e o PPS não é nem fosfato de pó de coisa alguma mais.

caduamaral