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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Governo Dilma vive melhor momento desde a posse


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

“Antes mesmo da divulgação da nova pesquisa Ibope nesta quinta-feira, em que a presidente Dilma Rousseff seria reeleita já no primeiro turno em três dos quatro cenários avaliados, mesmo se Marina for candidata, o clima no Palácio do Planalto já era tão b0m como faz tempo não se via. "Acho que esta é nossa melhor semana desde a posse", disse-me um dos principais interlocutores da presidente.

Uma vez por semana tenho o hábito de fazer uma ronda entre meus amigos no governo para saber como andam as coisas e já me habituei a ouvir um rosário de queixas sobre a vida difícil de quem lá trabalha, os tiros no pé, as trombadas, a incompreensão da imprensa e dos empresários, e tudo aqui que faz parte da rotina do poder.

Desta vez, antes mesmo de fazer a primeira pergunta, notei um ambiente mais descontraído e nenhuma preoucupação com a pesquisa que seria divulgada poucas horas depois. Não que eles tivessem alguma informação de cocheira, mas os fatos dos últimos dias justificavam o otimismo.

De fato, a palavra crise sumiu do noticiário nas últimas semanas e deu lugar a sucessos do governo como o leilão do pré-sal e a aprovação do programa Mais Médicos.  Hoje mesmo, os palacianos tinham boas notícias a dar: Dilma anunciou que vai liberar para mais de 1.000 prefeituras recursos da ordem de R$ 13,5 bilhões para investimentos em saneamento básico e asfaltamento.

Os índices de intenção de votos em Dilma oscilaram entre 39% e 41%. No cenário mais provável, quando seus adversários são o tucano Aécio Neves (14%) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (10%), a presidente tem 17 pontos a mais do que a soma dos dois.

Na verdade, quem ficaria em segundo lugar neste caso seriam os votos brancos, nulos, nenhum deles e não sabe, com impressionantes 35%
Dilma só não ganha no primeiro turno, se os adversários forem Marina (21%), pelo PSB, e Serra (16%), pelo PSDB, que somados teriam 37% contra 39% de Dilma, em situação de empate técnico. Neste caso, temos um [índice de 25% de eleitores que votariam em branco, nulo, em nenhum deles ou ainda não sabem em quem votar.

Quando Marina aparece no lugar de Campos, a ex-ministra do governo Lula teria mais do que o dobro dos votos de Eduardo Campos, por enquanto o candidato que está "colocado" pelo PSB. Da mesma forma, com Marina candidata e Serra no lugar de Aécio, o ex-governador paulista chegaria a 18%, quatro pontos a mais do que seu colega de partido.

Pode ser que com estes números aumente a pressão sobre Eduardo e Aécio para que abram mão das candidaturas em favor das suas sombras, Marina e Aécio. No momento, isto parece muito pouco provável. Até abril, no entanto, quando PSDB e PSB prometeram anunciar quem será cabeça de chapa, tudo pode mudar.
Por enquanto, tanto faz quem será o adversário. Se houver segundo turno, Dilma também se reelege contra qualquer dos candidatos. Contra Serra, que Dilma derrotou nas eleições de 2010, a presidente ganharia por 44% a 23%, ou seja, com 21 pontos de vantagem. Se o segundo turno for contra Marina, a diferença diminui: 42% a 29%.”

domingo, 20 de janeiro de 2013

Pesquisa mostra que estudantes do ProUni ampliaram perspectivas profissionais e garantiram melhores salários



Mariana Tokarnia, Agência Brasil 
 
“O nível educacional no Brasil não determina maior renda, mas está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais. O Programa Universidade para Todos (ProUni) tem sido fundamental para o acesso ao ensino superior e embora o nível educacional não determine maior renda, está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais, conforme conclusões da pesquisa O ProUni e seus egressos: uma articulação entre educação, trabalho e juventude, da doutora em educação Fabiana Costa, apresentado pela primeira vez no 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional de Estudantes (UNE).
Em 2012 a pesquisadora consultou 150 egressos do ProUni na cidade de São Paulo. Para a maioria dos profissionais consultados (91,9%), a formação universitária possibilitada pelo programa ampliou os horizontes e facilitou a articulação na área profissional. Os entrevistados apontaram as várias dificultdades que tiveram durante o curso: 85% já trabalhavam e continuaram trabalhandodurante a graduação.

“Esses estudantes superaram não apenas as dificuldades ao longo da graduação, mas de toda a formação. São problemas que vêm desde a escola. Eles já trabalhavam antes. Muitos como eles tiveram que escolher entre estudo e trabalho e acabaram deixando os estudos”, disse Fabiana.

Os entrevistados tiveram uma melhora na carreira e mais de um terço aumentou de 71% a 100% o salário que ganhava. Isso não significa que os rendimentos sejam altos: 33,9% recebe entre um e dois salários mínimos mensais, 27,1% recebem entre dois e três salários mínimos, 15,3% entre três e quatro e apenas 8,5% ganham mais de cinco salários mínimos por mês. Esses profissionais, no entanto, ganharam mais estabilidade com a formação – 85% estão empregados e 64,4% têm a carteira assinada.

Outro dado que chamou atenção da pesquisadora foi que 72,6% trabalham na área que estudaram. “Isso mostra que o programa está funcionando, que as pessoas estão colocando em prática o que aprendem e estão melhorando a carreira que escolheram."

O Programa Universidade para Todos (ProUni) concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica em instituições privadas de educação superior. Neste primeiro semestre estão sendo oferecidas 162.329 bolsas, distribuídas em 12.159 cursos de 1.078 instituições de todo o país. Até sexta-feira (18) o Ministério da Educação havia registrado mais de 620 mil inscritos.

O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni (Conap), Valmor Bolan, acrescentou que os estudantes do programa têm aproveitamento semelhante ou superior aos demais estudantes. Em uma pesquisa feita na Universidade Católica de Brasília, em Taguatinga, no Distrito Federal, os estudantes do ProUni tiveram média de nota quase um ponto superior em relação aos outros.

“É comum que alunos em condições desfavoráveis tenham mais garra para vencer. Se você der uma chance a esses alunos, eles vão demonstrar que conseguem superar na caminhada aqueles que partem de uma situação mais favorável”, explicou Bolan.
O 14º Coneb da UNE acontece em Recife (PE) até segunda-feira (21). Este ano foram mais de 3,5 mil inscrições de entidades de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb oferece debates e grupos de discussão sobre temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. O evento antecede a Bienal da UNE, espaço de diálogo de estudantes e movimentos culturais que, este ano, está em sua 8ª edição.”