Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O futebol na confusa terra dos irmãos do vento


O livro “O goleiro e outros textos sobre futebol” reúne nomes como Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, José Miguel Wisnik e Tostão.

O trecho que segue abaixo é de Paulo Mendes Campos. “História do Brasil” é uma crônica publicada na Revista “Manchete”, em 06/08/1966.

No texto, o cronista cita a derrota da seleção brasileira pelo Uruguai, em 1950, sua eliminação pela Hungria, em 1954 e o bicampeonato conquistado em 1962. Portugal eliminaria o Brasil na Copa de 1966.

E o Senhor disse:

Agora criarei o mais estranho de todos os países. E ele será verde-amarelo e atenderá no concerto das nações pelo nome de Brasil.

E o tórrido Brasil amará o futebol acima de pai e de mãe. Então criarei a Copa do Mundo. E um dia o Brasil perderá esse galardão na última batalha, dentro de seus próprios muros, quando lhe bastaria o empate. Quatro anos depois caberá aos comunistas eliminar os brasileiros, para que se aumente a confusão. E para que se aumente a confusão, criarei uma comissão técnica que não entenda nada de futebol. E esta será bicampeã do mundo. E o tórrido Brasil, chorando de alegria, beberá muita cachaça, e comerá muito pastel, e tocará muita cuíca. Aí, eis que farei o Brasil perder o Tri, e a Taça, e a Alegria para Portugal. Pois assim está escrito. Para que o brasileiro continue na sua confusão, irmão do vento, que ninguém entende.

O Tri, o Tetra e o Penta finalmente vieram. Mas nada disso parece ter nos tirado, irmãs e irmãos de vento, de nossa invicta confusão.



sábado, 28 de janeiro de 2017

PARA A FIFA, SÓ 3 CLUBES BRASILEIROS SÃO CAMPEÕES MUNDIAIS: CORINTHIANS, SÃO PAULO E INTER.


nó tático de Tite e os milagres de Cássio garantiram a última conquista brasileira
A Fifa acaba de esclarecer que só considera campeãs mundiais de clubes as equipes que venceram os certames por ela organizados a partir do ano 2000. Com isto, o universo ficou reduzido a apenas 9 clubes, que acumularam 13 conquistas:
Muller e a taça desvalorizada
  • o Barcelona, com 3 títulos (2009, 2011 e 2015);
  • o Corinthians, com 2 (2000 e 2012);
  • o Real Madrid, com 2 (2014 e 2016);
  • e, com 1 título cada, o São Paulo (2005), o Internacional de Porto Alegre (2006), o Milan (2007), o Manchester United (2008), a Internazionale de Milano (2010) e o Bayern Munchen (2013).
Santos arrasou o poderoso Benfica em plena Lisboa
Apesar das décadas de insistência, o Palmeiras viu definitivamente rejeitada sua pretensão de que a Copa Rio de 1951 equivalesse a um Mundial de Clubes. 

Motivos bem maiores para se queixarem têm o Santos, que viu desvalorizadas suas gloriosas conquistas de 1962 e 1963; e o São Paulo, cujos títulos de 1992 e 1993 perderam o status de mundiais.

Outros que saem no prejuízo são o Flamengo (1981) e o Grêmio (1983).

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/para-fifa-so-3-clubes-brasileiros-sao.html

segunda-feira, 13 de junho de 2016

As origens elitistas e racistas do futebol, por Mário Rodrigues (o irmão de Nelson)

(Carlos Alberto, o "pó-de-arroz")

(Carlos Alberto, o “pó-de-arroz”)
Uma das razões pelas quais não concordo com o epíteto de “reacionário” que a direitosa adotou como verdade absoluta para se referir a Nelson Rodrigues (1912-1980), sem nunca tê-lo lido, é seu pioneirismo na denúncia ao racismo velado brasileiro. Amigo de Abdias do Nascimento (1914-2011), autor de Anjo Negro, uma tragédia sobre o racismo, Nelson questionava o mito da “democracia racial” e se indignava com o preconceito contra os negros em nosso País. “Nos Estados Unidos o negro é caçado a pauladas e incendiado com gasolina. Mas no Brasil é pior: ele é humilhado até as últimas consequências”, dizia. Vamos combinar que não tem absolutamente nada a ver com gente que defende que “não existe racismo no Brasil”.
O irmão de Nelson, Mário Rodrigues Filho (1908-1966), considerado um dos maiores jornalistas esportivos de todos os tempos (o Maracanã leva seu nome), também denunciou o racismo em um grande clássico, O Negro no Futebol Brasileiro. No livro, reeditado pela Mauad há dois anos, Mário Filho conta como, de esporte de ricos descendente de ingleses, o futebol se transformou na diversão de meninos pretos e pobres que se tornariam os grandes craques da bola até hoje. Malvistos pela torcida grã-fina, muitos atletas negros tentavam inclusive disfarçar a origem, alisando os cabelos e apelando à maquiagem para clarear a pele. Em 1921, o presidente Epitácio Pessoa “recomendou” que a seleção não convocasse negros, e até 1952 havia times no Brasil que não aceitavam “pessoas de cor”.
Mesmo na Inglaterra, onde surgiu, o futebol era jogado nas escolas frequentadas pela aristocracia. Suas regras foram feitas nestes colégios e só daí passaram a ser aplicadas no esporte que já se praticava nas ruas, pela classe operária. Rapidamente a burguesia agiria para transformá-lo em “ópio do povo”. Segundo Roberto Ramos em Futebol: Ideologia do Poder, “os burgueses descobriram o futebol como meio de despolitização dos trabalhadores na década de 1860. As massas do proletariado industrial começaram a interessar-se por este esporte. Os empresários ingleses aproveitaram a oportunidade. Fomentaram o seu desenvolvimento. O objetivo era claro. Eles precisavam manter os operários à margem da atividade política dentro de suas organizações de classe”.
Ou seja, a elite branca que ocupa os estádios brasileiros nesta Copa do Mundo era de fato a “dona da bola” no começo, tanto aqui como na terra natal do futebol. Charles Miller (nome da praça onde fica o Pacaembu), o filho de ingleses que teria trazido a primeira bola de futebol para o Brasil em 1894, apresentou o esporte à elite paulista. Os clubes de ingleses do Rio de Janeiro disputam com Miller a primazia: em 1874, 20 anos antes de Miller ter chegado com a tal bola, já haveria jogos de futebol na orla carioca. No princípio, existia uma separação oficial entre os times dos ricos e os dos pobres, mas do nome do jogo às posições dos atletas em campo, todos os termos eram em inglês. Mário Filho conta tudo.
Este DNA racista e elitista do futebol, a meu ver, pode explicar o porquê de tantos jogadores negros ainda serem alvo de preconceito. No esporte “bretão”, “branco”, os negros eram bem-vindos para jogar bola, mas não para frequentar as dependências e festas dos clubes que os contratavam, como ocorria com qualquer empregado. Não me parece muito diferente do que acontece atualmente: enquanto o jogador negro, regiamente pago, faz gols, é bem tratado e festejado. Basta cometer algum erro, porém, que a cor de sua pele vem à tona, como nos episódios recentes em que atletas foram insultados, chamados de “macacos”, e bananas foram atiradas no campo.
Vale a pena ler o livro de Mário Filho. Outra editora de São Paulo, a Ex Machina, lançou neste ano da Copa As Coisas Incríveis do Futebol: as Melhores Crônicas de Mário Filho. Imperdível para quem gosta de futebol ou não. Leia abaixo os trechos de O Negro no Futebol Brasileiro que compilei sobre os primórdios do esporte.
***
(O mulato Arthur Friedenreich)
(O mulato Arthur Friedenreich)
O Negro no Futebol Brasileiro
Por Mário Rodrigues Filho
O futebol importado, made in England, tinha de ser traduzido. E enquanto não se traduzisse e se abrasileirasse, quem gostasse dele precisava familiarizar-se com os nomes ingleses. De jogadores, de tudo. Em campo um jogador que se prezasse tinha de falar em inglês. Ou melhor: gritar em inglês.
O repertório do capitão do time, justamente quem gritava mais em campo, precisava ser vasto. Quando um jogador do seu time estava com a bola e outro corria para tomá-la, tinha de avisar: ‘man on you’. Quando o outro time atacava e ele precisava chamar seus jogadores lá na frente, a senha era: ‘come back forwards’. E havia ‘take you man’ e havia mais. Onze posições de jogadores num time: goalkeeperfullback-rightfullback-lefthalfbeck-rightcenter-half,halfback-leftwinger-rightinside-rightcenter-forwardinside-left e winger-left.
O juiz era o referee, transformado em referi ou refe, o bandeirinha era o linesman, e por aí afora.
***
Para alguém entrar no Fluminense tinha de ser, sem sombra de dúvida, de boa família. Se não, ficava de fora, feito os moleques do Retiro da Guanabara, célebre reduto de malandros e desordeiros.
Os moleques debruçavam-se na cerca de arame para ver os treinos, se a bola ia fora podiam correr atrás dela, dar um chute. Mas nada de demora. Se demorassem não levariam as malas dos jogadores, acabado o treino, até o bonde que passava na Rua das Laranjeiras.
(…)Não se tratava de só querer branco legítimo. Ninguém no Fluminense pensava em termos de cor, de raça. Se Joaquim Prado, winger-left do Paulistano, quer dizer, extrema-esquerda, preto, do ramo preto da família Prado, se transferisse para o Rio, seria recebido de braços abertos no Fluminense. Joaquim Prado era preto, mas era de família ilustre, rico, vivia nas melhores rodas.
(…)Por isso, quem ia a São Paulo jogar um match de futebol, voltava encantado com Joaquim Prado, sem reparar até, que ele era preto.
***
O que distinguia o Bangu do Botafogo, do Fluminense, era o operário. O Bangu, clube de fábrica, botava operários no time em pé de igualdade com os mestres ingleses. O Botafogo e o Fluminense, não, nem brincando, só gente fina. Foi a primeira distinção que se fez, entre clube grande e pequeno, um, o clube dos grandes, o outro, o clube dos pequenos.
***
(…)Os pretinhos, filhos da cozinheira, sabiam fazer bolas de meia, redondinhas, que saltavam.
Boas bolas, aquelas de meia, feitas pelos moleques. Podia se fazer com elas o que se quisesse. Até quebrar vridraças. Melhor do que as bolas de pelica dos meninos de boas famílias, muito leves, como balões de papel de seda, subindo com qualquer chutinho. As bolas de meia ficavam mais no chão. Quase presas ao pé, aperfeiçoando, nos moleques, o que se chamaria mais tarde, o domínio da bola. Da ‘esfera de couro’ de certos cronistas que não queriam escrever, em letras de forma, essa palavra tão corriqueira: bola.
Isso fazia quem era do remo, olhar mais por cima quem era do futebol. O futebol se vulgarizava, se alastrava como uma praga. Qualquer moleque, qualquer preto podia jogar futebol. No meio das ruas, nos terrenos baldios, onde se atirava lixo, nos capinzais. Basgtava arranjar uma bola de meia, de borracha, de couro. E fabricar um gol, com duas maletas de colégio, dois paletós bem dobrados, dois paralelepípedos, dois pedaços de pau.
Em todo canto um time, um clube. Time de garotos, de moleques, clubes de operários, de gente fina. Mas muito clube, clube demais.
No remo não havia esse perigo.
***
Valia a pena ser Fluminense, Botafogo, Flamengo, clube de brancos. Se aparecia um mulato, num deles, mesmo disfarçado, o branco pobre, o mulato, o preto da geral, eram os primeiros a reparar.
O caso de Carlos Alberto, do Fluminense. Tinha vindo do América, com os Mendonças, Marcos e Luís. Enquanto esteve no América, jogando no segundo time, quase ninguém reparou que ele era mulato. Também Carlos Alberto, no América, não quis passar por branco. No Fluminense foi para o primeiro time, ficou logo em exposição. Tinha de entrar em campo, correr para o lugar mais cheio de moças da arquibancada, parar um instante, levantar o braço, abrir a boca num hip, hip, hurrah.
Era o momento que Carlos Alberto mais temia. Preparava-se para ele, por isso mesmo, cuidadosamente, enchendo a cara de pó-de-arroz, ficando quase cinzento. não podia enganar ninguém, chamava até mais atenção. O cabelo de escadinha ficava mais escadinha, emoldurando o rosto, cinzento de tanto pó-de-arroz.
Quando o Fluminense ia jogar com o América, a torcida de Campos Sales caía em cima de Carlos Alberto:
– Pó de arroz! Pó de arroz!
A torcida do Fluminense procurava esquecer de que Carlos Alberto era mulato. Um bom rapaz, muito fino.
***
Friedenreich, de olhos verdes, um leve tom de azeitona no rosto moreno, podia passar se não fosse o cabelo. O cabelo farto mas duro, rebelde. Friedenreich levava, pelo menos, meia hora, amansando o cabelo.
Primeiro untava o cabelo de brilhantina. Depois, com o pente, puxava o cabelo para trás. O cabelo não cedendo ao pente, não se deitando na cabeça, querendo se levantar. Friedenreich tinha de puxar o pente com força, para trás, com a mão livre segurar o cabelo. Senão ele não ficava colado na cabeça, como uma carapuça.
O pente, a mão não bastavam. Era preciso amarrar a cabeça com uma toalha, fazer da toalha um turbante e enterrá-lo na cabeça. E ficar esperando que o cabelo assentasse.
Levava tempo. Embora principiasse quando estava jogando o segundo time, só terminava quase na hora da saída do jogo do primeiro time. O juiz impaciente, ameaçando começar a partida sem Friedenreich, e Friedenreich lá dentro, no vestiário, a toalha amarrada na cabeça, esperando, ainda desconfiado de que não chegara a hora de tirar o turbante.
***
O Fluminense, cansado de perder campeonatos, tornou-se um pioneiro de profissionalismo. Com o profissionalismo, ele lutaria em igualdade de condições com os outros clubes. (…)E poderia formar um grande time, capaz de levantar campeonatos, indo buscar jogadores nos clubes pequenos, nos subúrbios, nos Estados, fosse onde fosse, brancos, mulatos e pretos.
Porque com o profissionalismo não fazia mal o Fluminense botar um mulato, um preto no time, contanto que fosse um grande jogador. Melhor branco. Mulato ou preto, só grande jogador.
(…)O preto jogava, ajudava o Fluminense a vencer, acabado o jogo, mudava de roupa, ia embora. Não havia perigo do preto frequentar a sede, aparecer numasoirée, num baile de gala do Fluminense. O jogador profissional, branco, mulato ou preto, era um empregado do clube. O clube pagava, toma lá, dá cá. O jogador ficava no seu lugar, mais no seu lugar do que nunca.
Naturalmente, entre o preto e o branco, o Fluminense tinha de preferir o branco. Se fosse possível um time só de brancos, melhor. E talvez fosse possível. Não faltava bom jogador branco. Se não fosse possível um time só de branco, botava-se um preto, dois, nada de abusar.
***
As vaias, o torcedor do Fluminense aguentava. Para isso tinha seu clássico ‘uh! uh!’. Não aguentava era o ‘pó-de-arroz’. Um grito de ‘pó-de-arroz’ partia de lá, um grito de ‘pó-de-carvão’ partia de cá. O torcedor do Fluminense dizendo que preferia ser ‘pó-de-arroz’ a ser ‘pó-de-carvão’. Podia preferir, mas se ofendia com aquele ‘pó-de-arroz’.
O torcedor do Flamengo, não, nem se importava com o ‘pó-de-carvão’. Orgulhava-se dos pretos que vestiam a camisa rubro-negra. Até mesmo dos que tinham sido escorraçados dos outros clubes, como Leônidas.
Ninguém queria Leônidas, o Flamengo queria.
http://www.socialistamorena.com.br/as-origens-elitistas-e-racistas-do-futebol-por-mario-rodrigues-o-irmao-de-nelson/#at_pco=smlwn-1.0&at_si=575eef8cee543090&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Azenha revela corrupção que envolve Santos e Neymar

Por R$ 80 mil um garoto pode entrar na categoria de base do Santos




O jornalismo existe!

Sem precisar de delação pressionada!

O Azenha fez no Jornal da Record uma reportagem irretocável, que chega à ponta do iceberg da despudorada corrupção que corrói o futebol 7 a 1!

Amigo de Neymar é acusado de cobrar R$ 80 mil de jovens para eles entrararem na base do Santos

A quantia de R$ 50 mil foi cobrada de um ex-jogador que fez a denúncia. Segundo ele, André Luiz Rodrigues Fernandez, amigo do craque Neymar, foi o responsável pelo negócio. E atualmente, o valor cobrado pode ser ainda maior. Confira!

<iframe width='448' height='315' frameborder='0' marginheight='0' marginwidth='0' scrolling='no' src='http://player.r7.com/video/i/559dd000a4fd5494080002f4?layout=wide252p'></iframe>


No CAf
VI NO http://www.contextolivre.com.br/2015/07/azenha-revela-corrupcao-que-envolve.html

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Entenda o silêncio de Ronaldo Fenômeno e Pelé sobre a corrupção no futebol

Corrupção na Fifa: Entenda por que o silêncio de Ronaldo e Pelé está ligado a J. Hawilla e aos EUA, país que lidera investigações


No país do futebol, não são poucos os brasileiros que se questionam sobre o silêncio de grandes ídolos da bola, como os ex-jogadores Ronaldo Fenômeno e Pelé acerca do escândalo de corrupção na Fifa. Uma rápida busca nas redes sociais permite ver que a demanda por uma palavra deles existe. Porém, a expectativa não deve ser atendida por pelo menos dois motivos: José Hawilla e os Estados Unidos.

Citado pela Justiça norte-americana como um delator no processo que investiga o pagamento de propinas a cartolas nos últimos 24 anos, o empresário brasileiro J. Hawilla possui conexões com os principais dirigentes do futebol nacional há décadas. Ele intermediou negócios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no auge da era Ricardo Teixeira. A empresa fundada por ele, a Traffic, comandou diversas negociações, de direitos de transmissão a jogadores.

A ligação com Hawilla fez do empresário Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo,o primeiro alvo de buscas por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), na quarta-feira (27), no Rio de Janeiro. As autoridades brasileiras participam do esforço concentrado que, além dos EUA, ainda possui um braço investigatório na Suíça – este apurando mais precisamente os processos das escolhas das Copas do Mundo de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).

Tanto Ronaldo quanto Pelé possuem conexões antigas com Hawilla. O primeiro projeto do Fenômeno na área de comunicação, em 2002 – a compra dos direitos de transmissão do Campeonato Espanhol pela Rede Bandeirantes – aconteceu em uma parceria com a Traffic. Na época, Kleber Leite (então vice-presidente da empresa de Hawilla) disse ao jornal Folha de S. Paulo que a “intenção é fazer com que o brasileiro possa assistir ao maior jogador da atualidade todos os domingos”. Ronaldo integrava o time galáctico do Real Madrid na ocasião.

Posteriormente, a Traffic chegou a ter algumas disputas de mercado com a 9ine, empresa que o Fenômeno abriu para atuar no mercado do marketing esportivo – uma delas no Flamengo, como noticiou o Lance! em 2011. Apenas um ano antes, em uma festa que comemorou os 30 anos de atuação da Traffic no mercado, Hawilla reuniu a nata do futebol nacional – incluindo Ronaldo, Pelé e Ricardo Teixeira –, mostrando ao mundo por que era tido como "dono do futebol brasileiro".

Hawilla se afastou dos negócios e se mudou para os EUA em 2013. Lá, passou a ser figura importante na NASL, sendo dono inclusive de alguns times da liga que é uma espécie de segunda divisão do futebol americano. Em dezembro de 2014, Ronaldo adquiriu uma participação no Fort Lauderdale Strikers, time adquirido quatro meses antes por um grupo de empresários brasileiros da Traffic – que ainda detém o Carolina RailHawks.

A sociedade indireta entre Ronaldo e Hawilla no futebol dos EUA também atinge, em menor grau, o Rei Pelé. Enquanto explodia o escândalo da Fifa, com prisões em um hotel de luxo de Zurique – incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin –,Pelé estava em Nova York. Lá o maior jogador de futebol de todos os tempos fez história com o New York Cosmos, clube com o qual mantém relações (emocionais e econômicas) até hoje. Pelé inclusive irá com a delegação da equipe para Cuba, onde um jogo amistoso entre o Cosmos e a seleção cubana será realizado no dia 2 de junho.

Os dados disponíveis até o momento em torno das investigações nos EUA não implicam o nome de Ronaldo ou de Pelé em irregularidades. Possivelmente isso nem venha a ocorrer. O mesmo não pode ser dito da Traffic e da própria NASL. O executivo Aaron Davidson, ex-presidente dos Strikers, atual presidente dos RailHawks e da Traffic nos EUA, é um dos executivos da Fifa denunciados pelas autoridades americanas. Para tentar conter a crise, a NASL e seus executivos suspenderam Davidson e também os negócios com a firma de Hawilla.

domingo, 31 de maio de 2015

Caras do Brasil

Janio de Freitas

Da arquibancada ao poder econômico, o maior por aqui, Havelange e Teixeira faziam uma síntese perfeita do país 

Muito mais do que mostrar o que tem sido a cúpula do futebol no mundo, o escândalo da Fifa mostra ao mundo o que é o Brasil. Como se ainda fosse necessário fazê-lo. 

A Fifa, que recebe aqui o tratamento apropriado para os covis, baniu dos seus quadros, há muito tempo, os ilustres brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-presidente e o ex-conselheiro por ela declarados catadores de suborno e de outros modos de corrupção. Nem depois disso a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público (o Federal e o do Rio) foram capazes de dar aos dois as consequências da lei. Ambos enriquecidos, muito antes de chegarem aos balcões internacionais, aqui mesmo na CBD/CBF. 

A aparência é de que Ricardo Teixeira tratou de escapar para Miami. Mas não o fez, de fato, senão para as delícias de que desfruta em sua mansão. Os vários processos que ainda tem no Brasil jamais o incomodaram, tal como os anteriores. Havelange tornou sua velhice suportável em um dos prédios magníficos de São Conrado. A rejeição da Fifa não chegou ao prestígio social de ambos. 

Da arquibancada ao poder econômico, que é o maior poder por aqui, Havelange e Ricardo Teixeira faziam uma síntese perfeita e discreta do Brasil. José Maria Marin, o mau discípulo, escancarou. Já se percebe que as autoridades brasileiras sentem necessidade de adotar iniciativas. Deve ser o melhor que pode acontecer a Marin. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Is Corinthians dead? Por Scott Moore


Um jogo sem valor para o Corinthians
Scott Moore, DCM

"Ladies & Gentlemen:

O que está acontecendo com o Corinthians?, me pergunta, aflito, Boss.

Em meia semana perder do Palmeiras e do São Paulo é coisa demais, diz ele.
Pois respondo: não está acontecendo nada.

O Corinthians perdeu para o Palmeiras apenas por estar dando mais atenção para a Libertadores do que para o Paulista.

E perdeu para o São Paulo porque já estava classificado para as quartas de final da Libertadores e o São Paulo jogava sua vida, e no seu estádio.

Eram motivations bem diferentes. Não bastasse isso, Sheike cometeu uma estupidez que logo de saída deixou o Almighty com um a menos.

Pensei que tinha sido a coisa mais imbecil que vi em muito tempo no futebol o toque que Sheike deu num zagueiro para derrubá-lo.

Mas depois Fab Louis me desmentiu. Diante de todas as câmaras de uma partida decisiva de Libertadores, ele quis enganar o juiz. Fingiu que o atacante corintiano deu uma cotovelada em seu rosto.

Aqui em Londres, nos sites de futebol, a imagem da farsa de Fab Louis foi amplamente veiculada e discutida.

“A pior encenação da história do futebol”, afirmou um desses sites.

Como escreveu Churchill, a esperteza, quando é demais, morde o esperto.

Não que Fab Louis tenha sido esperto no lance, mas o fato é que ele saiu do lance com um cartão vermelho, o que leva a crer que existe um mínimo de justiça no futebol sul-americano.

Menos justa, para não dizer absurda, foi a expulsão, no mesmo lance, da vítima da mentira de Fab Louis.

Ele apenas tirou o braço de Fab Louis de seu cangote, e recebeu um cartão vermelho como se, de fato, tivesse dado uma pancada no rival.

Quanto ao Timão, disse a Boss que, por mais estranho que pareça, os dois últimos jogos não valiam nada.

O que vale é o que vem pela frente.

Tenho para mim que, contra os paraguaios na próxima etapa da Libertadores, veremos outra vez aquele Corinthians que vinha encantando mesmo torcedores do São Paulo, do Palmeiras e do Fish.

É um time que parece jogar melhor sob pressão. E nos jogos desta semana, estava relaxado como um monge tibetano.

Sincerely.

Scott Moore

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

domingo, 15 de junho de 2014

A elite reserva ao país o mesmo lugar exortado à Presidenta

A virtude, a civilização, a sorte do desenvolvimento e os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar a elite brasileira.

Quando a elite de uma sociedade se reúne em um estádio de futebol e a sua manifestação mais singular é um coro de ofensas de baixo calão, quem é o principal atingido: o alvo ou o emissor?

Vaias e palavrões são inerentes às disputas futebolísticas. Fazem parte do espetáculo, assim  como o frango e o gol de placa. A passagem de autoridades por estádios nunca foi impune.

O que se assistiu no Itaquerão, porém, no jogo inaugural da Copa, entre Brasil e Croácia, não teve nada a ver com o futebol ou deboche, mas com a disputa virulenta em curso  pelo comando da história brasileira.

Sem fazer parte da coreografia oficial o que aflorou ali foi a mais autêntica expressão cultural de um lado desse conflito, nunca antes assumido assim de forma tão desinibida  e ilustrativa.

Encorajado pelo anonimato, o gado OP (puro de origem) mostrou o pé duro dos seus valores.

Dos camarotes vips um jogral raivoso e descontextualizado despejou sua bagagem de refinamento e boas maneiras  sobre uma Presidenta da República em missão oficial.

Por quatro vezes, os sentimentos de uma elite ressentida contra aqueles que afrontam a afável, convergente e impoluta lógica de sociedade que vem construindo aqui há mais de cinco séculos, afloraram durante o jogo.

Foi assim que essa gente viajada, de hábitos cosmopolitas, que se envergonha de um Brasil no qual recusa a enxergar o próprio espelho, ofereceu a um bilhão de pessoas conectadas à Copa em 200 países uma síntese dos termos elevados com os quais tem pautado a disputa política no país.

Que Aécio & Eduardo tenham se esponjado nessa manifestação dá o peso e a medida do espaço que desejam ocupar no espectro da sociedade brasileira.

Dias antes, o ex-Presidente Lula havia comentado que nem a burguesia venezuelana atingira contra Chávez o grau de desrespeito e preconceito observado aqui contra a Presidenta Dilma.

Houve quem enxergasse nessas palavras uma carga de retórica eleitoral.

A cerimônia da 5ª feira cuidou de devolver pertinência  à observação.

A formação virtuosa da infância, o compromisso com a civilização, a sorte do desenvolvimento  e  os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar à elite brasileira.

A novidade do coro contra  Dilma é refletir  o desejo  cada vez mais explícito  de mandar o país ao mesmo lugar exortado  à Presidenta.

Ou não será esse o propósito estratégico do camarote vip ao apregoar o descolamento da sociedade brasileira de uma vez por todas, acoplando-a à grande cloaca mundial de um capitalismo sem peias, onde se processa a restauração neoliberal pós-2008?

Nesse imenso biodigestor de direitos e desmanche do Estado acumula-se o adubo  no qual floresce  a alta finança desregulada, que tem nos endinheirados brasileiros  os detentores da 4ª maior fortuna do planeta evadida em paraísos fiscais.

Estudos da The Price of Offshore Revisited, coordenados pelo ex-economista-chefe da McKinsey, James Henry, revelam que os brasileiros muito ricos — que se envergonham de um governo corrupto —  possuíam, até 2010, cerca de US$ 520 bilhões  em paraísos fiscais.

O passaporte definitivo  para esse  ‘novo normal’ sistêmico requer a vitória, em outubro, das candidaturas que carregam no DNA o mesmo pedigree da turma que deu uma pala na festa de abertura da Copa. Não propriamente contra Dilma, mas contra o que ela simboliza: a tentativa de se construir por aqui um Estado social que assegure aos sem riqueza os mesmos direitos daqueles que enxergam no espaço público um mero apêndice do interesse plutocrático.

A expressão ‘vale tudo’ descreve com fidelidade o que tem sido e será, cada vez mais, o bombardeio para convencer o imaginário brasileiro das virtudes intrínsecas à troca do ‘populismo’ pelo estado de exceção de direitos e conquistas sociais, em benefício dos livres mercados.

A mídia está aí para isso, como se viu pela cobertura dos fatos da última 5ª feira.

Trata-se de saber em que medida o discernimento social, condicionado por uma esférica máquina de difusão dos interesses vips, saberá distinguir um caminho que desvie a nação do futuro metafórico reservado a ela nos planos, agora explicitados, de sua elite.

A indigência do espírito público dos endinheirados brasileiros, reconheça-se,  não é nova. Mas se supera.

O antropólogo Darcy Ribeiro foi um legista obcecado dos seus contornos e consequências para a formação do país, a sorte de sua gente e a qualidade do seu desenvolvimento.

Em um texto de 1986, ‘Sobre o óbvio — Ensaios Insólitos’, o criador da Universidade de Brasília, e chefe da Casa Civil de Jango, iluminou os traços dessa rosca descendente, confirmada  28 anos depois, em exibição mundial,  na abertura da Copa de 2014.

"Dois fatos que ficaram ululantemente óbvios. Primeiro, que não é nas qualidades ou defeitos do povo que está a razão do nosso atraso, mas nas características de nossas classes dominantes, no seu setor dirigente e, inclusive, no seu segmento intelectual. Segundo, que nossa velha classe dominante tem sido altamente capaz na formulação e na execução de projeto de sociedade que melhor corresponde a seus interesses. Só que este projeto para ser implantado e mantido precisa de um povo faminto, xucro e feio. Nunca se viu, em outra parte, ricos tão capacitados para gerar e desfrutar riquezas, e para sub-julgar o povo faminto no trabalho, como os nossos senhores empresários, doutores e comandantes. Quase sempre cordiais uns para com os outros, sempre duros e implacáveis para com subalternos, e insaciáveis na apropriação dos frutos do trabalho alheio. Eles tramam e retramam, há séculos, a malha estreita dentro da qual cresce, deformado, o povo brasileiro (...) porque só assim a velha classe pode manter, sem sobressaltos, este tipo de prosperidade de que ela desfruta, uma prosperidade jamais generalizável aos que a produzem com o seu trabalho.

A primeira evidência a ressaltar é que nossa classe dominante conseguiu estruturar o Brasil como uma sociedade de economia extraordinariamente próspera. Por muito tempo se pensou que éramos e somos um país pobre, no passado e agora. Pois não é verdade. Esta é uma falsa obviedade. Éramos e somos riquíssimos! A renda per capita dos escravos de Pernambuco, da Bahia e de Minas Gerais — eles duravam em média uns cinco anos no trabalho — mas a renda per capita dos nossos escravos era, então, a mais alta do mundo. Nenhum trabalhador, naqueles séculos, na Europa ou na Ásia, rendia em libras — que eram os dólares da época — como um escravo trabalhando num engenho no Recife; ou lavrando ouro em Minas Gerais; ou, depois, um escravo, ou mesmo um imigrante italiano, trabalhando num cafezal em São Paulo. Aqueles empreendimentos foram um sucesso formidável. Geraram além de um PIB prodigioso, uma renda per capita admirável. Então, como agora, para uso e gozo de nossa sábia classe dominante. A verdade verdadeira é que, aqui no Brasil, se inventou um modelo de economia altamente próspera, mas de prosperidade pura. Quer dizer, livre de quaisquer comprometimentos sentimentais. A verdade, repito, é que nós, brasileiros, inventamos e fundamos um sistema social perfeito para os qe estão do lado de cima da vida.

O valor da exportação brasileira no século XVII foi maior que o da exportação inglesa no mesmo período. O produto mais nobre da época era o açúcar. Depois, o produto mais rendoso do mundo foi o ouro de Minas Gerais que multiplicou várias vezes a quantidade de ouro existente no mundo. Também, então, reinou para os ricos uma prosperidade imensa. O café, por sua vez, foi o produto mais importante do mercado mundial até 1913, e nós desfrutamos, por longo tempo, o monopólio dele. Nestes três casos, que correspondem a conjunturas quase seculares, nós tivemos e desfrutamos uma prosperidade enorme. Depois, por algumas décadas, a borracha e o cacau deram também surtos invejáveis de prosperidade que enriqueceram e dignificaram as camadas proprietárias e dirigentes de diversas regiões. O importante a assinalar é que, modéstia à parte, aqui no Brasil se tinha inventado ou ressuscitado uma economia especialíssima, fundada num sistema de trabalho que, compelindo o povo a produzir, o que ele não consumia — produzir para exportar — permitia gerar uma prosperidade não generosa, ainda que propensa desde então, a uma redistribuição preterida.

Enquanto isso se fez debaixo dos sólidos estatutos da escravidão, não houve problema. Depois, porém, o povo trabalhador começou a dar trabalho, porque tinha de ser convencido na lei ou na marra, de que seu reino não era para agora, que ele verdadeiramente não podia nem precisava comer hoje. Porém o que ele não come hoje, comerá acrescido amanhã. Porque só acumulando agora, sem nada desperdiçar comendo, se poderá progredir amanhã e sempre. O povão, hoje como ontem, sempre andou muito desconfiado de que jamais comerá depois de amanhã o feijão que deixou de comer anteontem. Mas as classes dominantes e seus competentes auxiliares, aí estão para convencer a todos — com pesquisas, programas e promoções — de que o importante é exportar, de que é indispensável e patriótico ter paciência, esperem um pouco, não sejam imediatistas. O bolo precisa crescer; sem um bolo maior — nos dizem o Delfim lá de Paris e o daqui — sem um bolo acrescido, este país estará perdido. É preciso um bolo respeitável, é indispensável uma poupança ponderável, uma acumulação milagrosa para que depois se faça, amanhã, prodigiosamente, a distribuição.
      
A classe dominante brasileira inscreve na Lei de Terras um juízo muito simples: a forma normal de obtenção da prioridade é a compra. Se você quer ser proprietário, deve comprar suas terras do Estado ou de quem quer que seja, que as possua a título legítimo. Comprar! É certo que estabelece generosamente uma exceção cartorial: o chamado usucapião. Se você puder provar, diante do escrivão competente, que ocupou continuadamente, por 10 ou 20 anos, um pedaço de terra, talvez consiga que o cartório o registre como de sua propriedade legítima.

Como nenhum caboclo vai encontrar esse cartório, quase ninguém registrou jamais terra nenhuma por esta via. Em consequência, a boa terra não se dispersou e todas as terras alcançadas pelas fronteiras da civilização, foram competentemente apropriadas pelos antigos proprietários que, aquinhoados, puderam fazer de seus filhos e netos outros tantos fazendeiros latifundiários. Foi assim, brilhantemente, que a nossa classe dominante conseguiu duas coisas básicas: se assegurou a propriedade monopolística da terra para suas empresas agrárias, e assegurou que a população trabalharia docilmente para ela, porque só podia sair de uma fazenda para cair em outra fazenda igual, uma vez que em lugar nenhum conseguiria terras para ocupar e fazer suas pelo trabalho. A classe dominante norte-americana, menos previdente e quiçá mais ingênua, estabeleceu que a forma normal de obtenção de propriedade rural era a posse e a ocupação das terras por quem fosse para o Oeste — como se vê nos filmes de faroeste. Qualquer pioneiro podia demarcar cento e tantos acres e ali se instalar com a família, porque só o fato de morar e trabalhar a terra fazia propriedade sua. O resultado foi que lá multiplicou um imenso sistema de pequenas e médias propriedades que criou e generalizou para milhões de modestos granjeiros uma prosperidade geral. Geral mas medíocre, porque trabalhadas por seus próprios donos, sem nenhuma possibilidade de edificar Casas-grandes & Senzalas grandiosas como as nossas".

Saul Leblon
No Carta Maior via  http://www.contextolivre.com.br/2014/06/a-elite-reserva-ao-pais-o-mesmo-lugar.html

terça-feira, 22 de abril de 2014

Conversa no Boteco: como foi a estreia dos paulistas no Brasileirão


O início do Brasileirão 2014 não reservou tantas surpresas.
Claro que ainda é muito cedo para dizer quem vai se dar mal e quem vai arrebentar.
Mesmo assim, os eternos candidatos ao rebaixamento fizeram jus à má fama e os sempre favoritos ao título deram conta do recado.
Este Conversa do Boteco reuniu os jornalistas Eduardo Belo, Giuliano Villa Nova, Jorge Luiz Ferreira, Celso Cassiano Nascimento, Daniel Akstein Batista, Arthur Pereira Filho, Fernando Pesciotta, Carlos Motta e Mario Rocha para que eles comentassem a estreia de seus times de coração.
Eles não deixaram por menos e fizeram soar as cornetas.
Acompanhe.
Eduardo Belo
Tenho pouco a dizer. 
Por conta dos feriados, não acompanhei a rodada como deveria.
Mas posso dizer que o Santos tem um problema de R$ 40 milhões: Leandro Damião. 
Fazer o time jogar em função dele está sendo uma temeridade. 
Perde muitos gols feitos, como o que perdeu ontem, sem goleiro. 
Não joga para o time e ainda tira a velocidade. 
Tudo indica que sua passagem pela Vila Belmiro será um fracasso.
Não fosse a ajuda do árbitro, marcando um gol em impedimento (embora tenha deixado de marcar um pênalti, em clara situação de mão na bola), o time teria amargado a primeira derrota.

Giuliano Villa Nova
O São Paulo estreou sem grandes dificuldades contra o Botafogo, no Morumbi. O resultado foi construído graças à fragilidade do adversário, mas também ao talento do trio Pato, Ganso e Luís Fabiano. 
Se ainda não serviu para testar a solidez defensiva do time - pelo contrário, em alguns momentos Rogério Ceni ficou desguarnecido contra os atacantes cariocas - pelo menos valeu para o Fabuloso marcar seu gol 190 pelo Tricolor e alcançar uma marca histórica, tornando-se o terceiro maior goleador do clube em todos os tempos. 
Ainda é muito cedo para dizer onde a equipe de Muricy Ramalho pode chegar. Por esse jogo, impossível, já que o adversário tem sérias dificuldades com o elenco e passa por um momento de total desmotivação, pela eliminação da Libertadores. 
Mas largar com três pontos em casa pelo menos dá tranquilidade até a próxima rodada.

Jorge Luiz Ferreira
Não tive chance de ver nada da estreia do brasileirão. 
Só sei que os bambis venceram o Botafogo por 3x0.
Grande coisa! 
O Botafogo é o menor dos grandes times brasileiros.
E como eu sempre digo, só não é uma Portuguesa porque, um dia, num passado distante,Garrincha jogou lá.
Ainda mais jogando no Morumbi, não serve de teste. 
E soube, também, que o Curintia empatou como Atlético Mineiro no Triângulo (não sei se em Uberaba, Uberlândia ou na bosta de Araguari...). 
Do jeito que as coisas vão lá pelos lados da Zona Leste, já foi um bom resultado...

Celso Cassiano Nascimento
O São Paulo jogou bem, o Ganso também teve um ótimo desempenho, junto com o Luís Fabiano, não dando chances para o Botafogo, que parecia estar apático. 
O nosso Palmeiras, como sempre só jogando nos minutos finais... Sinceramente pensei que perderíamos, o Criciúma veio para cima, dominando o primeiro tempo inteiro e abrindo o placar com o gol contra do Alan Kardec no cabeceio. 
Mas sinceramente merecia perder. Ainda bem que o juiz ajudou, errando para os dois lados. 
Arbitragem como sempre de péssimo nível. 
Pelo visto vai ser mais um Brasileirão de muita incompetência da arbitragem.
O Corinthians, do jeito que vai com esse técnico incompetente e medroso, jogando com seis volantes, o cara tá maluco. 
Começou o jogo com o melhor jogador no banco, o Guerrero, que quando entrou na partida conseguiu fazer jogadas importantes, dar mais ritmo de jogo. O time só não ganhou porque teve medo de arriscar.
O Mano tirou o Luciano para a entrada do Guerrero, deveria ter jogado no ataque com Guerrero, Romarinho e Luciano.

Daniel Akstein Batista
Uma estreia vencendo por 3 a 0 é sempre bom, mas o importante é ver nas próximas rodadas se o São Paulo vai conseguir manter o ritmo que teve contra o Botafogo. 
E se Ganso, Pato e Luis Fabiano vão continuar com o bom futebol.
Pelo o que os três mostraram no Morumbi, a torcida tricolor pode ao menos esperar um 2014 melhor que 2013. 
Ao menos com o fantasma do rebaixamento passando longe desta vez. Falando de Pato, acredito que a camisa são-paulina caiu bem nele. 
Está mostrando garra, vontade, gana de vencer. 
O que é muito importante e traz benefícios ao time.
Já que vi um pouco do jogo do Palmeiras, aproveito para dar meu pitaco também. 
E, ao contrário da torcida tricolor, a do Alviverde pode já começar a se preocupar. 
Tudo bem que o time venceu (com uma ajudinha da arbitragem), mas que sufoco... 
Depender de um só jogador, Alan Kardec no caso, será um grande problema. Ainda mais que a diretoria pelo jeito está fazendo de tudo para perder seu melhor atleta. 
Pelo que vi, faltam tática, técnica e treino ao Palmeiras. 
Tudo isso pode - e deve - melhorar ao longo do campeonato. 
Mas ainda assim, numa análise crua, o Palmeiras ainda está bem abaixo do São Paulo, que começa o Brasileirão empolgado.

Arthur Pereira Filho
Muricy mudou o jeito do time jogar na estreia do campeonato e o São Paulo fez o melhor jogo do ano, o que pode não ser grande coisa, mas já é alguma coisa.
Pato, por incrível que possa parecer, foi o melhor em campo, mais pelas assistências do que tenha feito dentro da área. 
O Boschilia finalmente estreou jogando desde o começo e foi  bem.  
Acho que o Muricy ficou com medo de criar um novo caso Oscar no São Paulo e pôs o moleque pra jogar. 
O Ganso e o Luís Fabiano subiram muito nessa formação, em que parece que os jogadores ficam mais próximos uns dos outros, sempre com opção de passar a bola sem dar chutão. 
A função de corredor ficou com o Douglas, que também foi bem. 
O problema é que o Botafogo jogou muito mal e facilitou a vida do São Paulo. Será preciso testar essa formação em jogo mais complicado.
Mas não sei se isso vai complicar mais a defesa do que ela já anda complicada. 
Afinal o que o técnico fez foi tirar o Oswaldo para colocar o Boschilia.
Vamos ver o que acontece contra o Cruzeiro.

Fernando Pesciotta
Por causa do feriado, não vi muita coisa. 
Além disso, primeira rodada é primeira rodada. 
Neste ano, com o agravante de que o campeonato vai parar durante a Copa. 
Como já disse em outra ocasião, os times tendem a se revelar mais inteiros no segundo semestre, após o mundial e com o Brasileirão correndo em paralelo com a Copa do Brasil. 
Neste domingo deu para ver que todo mundo ainda está meio de freio de mão puxado. 
Os candidatos ao título são muitos, mas todos terão de melhorar muito.

Carlos Motta 
Ao contrário de 90% dos torcedores palmeirenses que comentam (ou melhor, cornetam) nas redes sociais, e mesmo da maioria dos jornalistas esportivos, não vi um péssimo jogo do Verdão contra o Criciúma. 
Achei a estreia razoável, contra um time muito motivado por jogar em seu campo, empurrado por uma torcida entusiasmada. 
Levou um gol bobo, dominou o adversário inteiramente no restante do primeiro tempo, mas não conseguiu finalizar. 
No segundo, começou melhor, deixou o Criciúma crescer, e no fim partiu para o abafa, fazendo, com relativa facilidade, dois gols. 
A imprensa destaca, como se fosse o fim do mundo, o pênalti que o árbitro deixou de marcar contra o Palmeiras. 
E daí?
Nós, palmeirenses, cansamos de ver a juizada, nem digo errar, mas roubar, na maior cara de pau, contra nós.
Um dia acontece de o erro - os tais cronistas esportivos não gostam de dizer que "errar é humano"? - ser a nosso favor.
Bem, de qualquer forma, o choro é livre e o Criciúma tem o jogo de volta para descontar.
O time do Palmeiras não é ruim.
Precisa de alguns ajustes na defesa, incluindo nesse setor os volantes - que prefiro denominar de meias defensivos.
O ataque ainda não desencantou, mas está dando para o gasto.
Novamente, ao contrário de 90% dos torcedores, não acho que Alan kardec seja um centroavante muito acima da média. 
É mais ou menos: não é veloz, dribla pouco, sai muito da área (talvez a pedido do técnico), erra gols fáceis.
Mas enfim, em terra de cego...
Acima da média é Valdívia, o melhor meia em atividade no futebol brasileiro.
E o goleiro Fernando Prass.
Leandro e Bruno César têm potrencial para crescer.
Wesley é estilo peladeiro, mas sabe jogar.
O velho Lúcio não decepciona.
Enfim, não vejo nenhum time muito superior ao Palmeiras neste Brasileirão.
Mais que treino, os jogadores palmeirenses precisam ter confiança, auto-estima, vontade de vencer.
E a torcida precisa fazer o que a ela compete, que é torcer, e não encher o saco de todo mundo - diretoria, comissão técnica e atletas.
Quanto aos outros times...
Bem, vi um pouco do São Paulo jogar contra o vento.
Ganhou só de 3 a 0.
Nem preciso dizer mais nada...

Mario Rocha
Entre os paulistas, o Palmeiras conseguiu o melhor resultado da rodada ao vencer fora de casa. 
Curioso notar que o Alan Kardec, que está pra sair do time, fez um gol contra. O que a psicologia diria a respeito? 
O segundo melhor resultado coube ao São Paulo, com a boa vitória, jogando em casa, sobre o Botafogo. 
O Corinthians empatou fora graças à falta de pontaria dos atacantes atleticanos (essa foi a manchete do "Estado de Minas" ontem) e o pior resultado ficou com o Santos, que empatou em casa com um time que não é candidato ao título. 
Olhando apenas os resultados dos jogos (o que é muito pouco para uma análise), posso chutar que o São Paulo está acertando o time aos poucos, mas ainda é cedo para grandes projeções; o Santos entrou em decadência precoce e Corinthians e Palmeiras continuam na mesma. 
O Corinthians com dificuldade pra vencer e o Palmeiras batendo nos pequenos.
http://botecobola.blogspot.com.br/2014/04/conversa-no-boteco-como-foi-estreia-dos.html