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segunda-feira, 22 de abril de 2019

LIVROS DIZ MUITO SOBRE O BRASIL QUE ESTÃO DESTRUINDO .


por Kiko Nogueira, DCM -

 
Monteiro Lobato apontou que “um país se faz com homens e livros”.
O gigante Lobato imolaria o bigode se acordasse de seu sono eterno no Brasil de hoje.

A ex-jogadora de vôlei Fernanda Venturini, mulher de Bernardinho, contou ao Uol, orgulhosa, seu encontro com Jair Bolsonaro. 

“Eu levei um livro para ele, que é um livro famoso da Suécia porque lá os governantes lavam a louça, fazem tudo. Aí ele falou: ‘Fernanda, você acha que eu vou ler? Não tenho tempo’”, relatou.

“Eu falei: ‘Então me dá o livro de volta’. É muito sincero. É pá, pum, isso que é bom. Porque ele ia levar o livro, aí ia ficar o livro lá jogado e muita gente quer ler esse livro”.

No programa de Pedro Bial, Sergio Moro comentou sobre um de seus passatempos.

“Eu gosto bastante de ler biografia”, falou. 

Bial quis saber: “Qual foi a última que o senhor leu?”. 

A resposta: “A última que eu li de biografia… Puxa vida, eu tenho uma péssima memória…”

Dado que é mentira, seria fácil inventar uma desculpa qualquer.
Ele fez isso no mês passado quando encontrou Olavo de Carvalho num jantar nos EUA. 

De acordo com a revista Época, o ex-juiz revelou ao guru que era uma honra conhecer alguém que inspirou tanta gente, incluindo “o chefe”, referindo-se a Bolsonaro. 

Moro ainda mencionou ter gostado muito do livro “O jardim das aflições”, mas confessou que o achara “muito denso”.

Então tá.

http://nogueirajr.blogspot.com/2019/04/o-desapreco-de-moro-e-bolsonaro-pelos.html

sábado, 31 de agosto de 2013

O Príncipe da Privataria - Leia o Primeiro Capítulo


Capítulo 1
Senador recebe um Nero:
quer botar fogo no mundo

Bombeiros acionados sem incêndio à vista — Imagine, fazer álcool
de madeira num país com tanta cana — Grupo Serjão dá adeus à
pobreza — Última exilada vive na Europa
“... mas este meu sobrinho não é de confiança.”
General Felicíssimo Cardoso, tio de FHC
“Rameira! Ponha‑se daqui para fora!”
Os gritos partem de um dos gabinetes dos senadores, ao lado da agência do Banco do Brasil, nalgum dia do primeiro trimestre de 1991. A voz é masculina e vem acompanhada de impropérios mal distinguidos e o ruído de algum objeto a rolar pelo piso. O jornalista Rubem Azevedo Lima, experiente repórter de política, que na década anterior havia assinado editoriais na página 2 da Folha de S. Paulo sob as iniciais R.A.L., detém‑se no interminável corredor no subsolo do Senado Federal para ouvir melhor. Identifica o gabinete como sendo o do senador por São Paulo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, fundado em 1988 principalmente por dissidentes do PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
A porta do gabinete se abre e por ela sai uma jovem colega de profissão de Rubem.
“Rameira!”
A moça logo reconhece Rubem e para ele se dirige, chorando. Figura paternal, querida e respeitada entre seus pares, Rubem a ampara num abraço. Ela tirita. Sem dizer nada, desembaraça‑se do abraço e retira‑se subindo a escada que leva ao plenário, escada conhecida como “alegria de suplente” — outrora, ao descê‑la, algum senador tropeçou, caiu, machucou‑se feio, afastou‑se para tratamento e o suplente assumiu, dando origem ao apelido.
Por que o senador passou tal descompostura na repórter? O que o levou a perder a compostura de acadêmico e parlamentar, a ponto de usar um termo chulo, embora não muito comum em bocas chulas, e dar um pontapé no circulador de ar, origem da barulheira ouvida por Rubem Azevedo Lima? A resposta estava no ventre da repórter. Ela tinha ido comunicar ao senador que estava grávida de um filho dele, a nascer meses depois, em 26 de setembro de 1991.
A jornalista, catarinense, repórter de política Miriam Dutra Schmidt, enquanto subia aqueles degraus para o plenário, humilhada, escorraçada, deve ter decidido, ali, partir para a “produção independente”. E o senador, não menos transtornado, já avaliava os passos a dar, para evitar um escândalo que poderia vir a criar obstáculo de monta em seus projetos políticos. Projetos que incluíam objetivo maior, ainda embrionário como a criança gestada na barriga da moça: a Presidência da República. Era preciso urgente impedir que a caixa‑d’água caísse e o paiol pegasse fogo.
Entra em cena um corpo de bombeiros, formado por Sérgio Motta, José Serra e Alberico Souza Cruz — os dois primeiros, cabeças do “projeto presidencial”; o último, diretor de jornalismo da Rede Globo e futuro padrinho da criança.
Descobriram o caminho das pedras
O primeiro bombeiro citado, homenzarrão, chamado carinhosamente pelo aumentativo Serjão, era naquele momento secretário‑geral do PSDB, “um partido elétrico” segundo Sebastião Nery, pois nasceu na Eletropaulo, “filho de uma grande vontade política e uma imensa gula financeira”, como o jornalista descreve em A Eleição da Reeleição. O ano é 1988. Fazia cinco anos que o futuro núcleo do novo partido vinha gestando um projeto capaz de viabilizar a atividade política do grupo que achava o governador paulista Franco Montoro “mole demais” e seu vice e futuro governador Orestes Quércia, “duro demais”. Nesse grupo estavam ainda, entre outros, o futuro ministro da Educação de FHC, Paulo Renato Souza, e mais um paulista, o futuro governador Mário Covas.
Esse núcleo queria se livrar de Montoro, que lançou o tucano como símbolo do PSDB, e principalmente de Quércia. Era constituído em 1983 por Serjão; FHC, então senador por assumir a vaga de Montoro como seu suplente na eleição de 1978, pelo MDB — Movimento Democrático Brasileiro; e José Serra, secretário do Planejamento do governador Montoro.
O bombeiro Sérgio Motta, gordo e cheio de garra, de sorriso quase sem dentes, parecia oJoão Bafo de Onça, personagem de Walt Disney. Era amigo de Serra e FHC desde a temporada destes dois no Chile no pós‑1964. No minicorpo de bombeiros montado para evitar uma tragédia no caso Miriam Dutra, ele vai usar seus talentos de produtor de teatro e tesoureiro — exercidos na mocidade, quando pertenceu à AP, Ação Popular, agremiação esquerdista de extração cristã. Em 1963, ele atuou decisivamente para a eleição de Serra como presidente da UNE, União Nacional de Estudantes; e comprovou os talentos na coordenação da campanha de FHC para o Senado em 1978 e para a Prefeitura de São Paulo em 1985.
Sua grande jogada deu‑se ainda em plena ditadura militar, sob o governo Figueiredo (1979‑1985). Com apoio do general Golbery do Couto e Silva, que o jornalista Hélio Fernandes chamava de Golbery do “Colt” e Silva, Serjão cria a Coalbra, Companhia de Álcool do Brasil, para montar usinas de álcool de madeira, sob protesto do vice‑presidente. O civil Aureliano Chaves, naquele governo, cuidava justamente de energia. Engenheiro, mineirão, Aureliano achou aquilo um “atentado à ecologia” e “um disparate econômico” — imagine, produzir álcool de madeira num país com tanta terra, tanto canavial e tanta tradição na produção de álcool de cana!
Contando com apoio do ministro de Minas e Energia, Cesar Cals, e do próprio Figueiredo, Serjão importou 30 usinas da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a extinta URSS. Atropelou Aureliano, mas não sua lógica. Pois, das 30 usinas, uma chegou a ser instalada, mas não funcionou — duas décadas depois, continuava em Uberlândia que nem uma carcaça fantasma; as outras 29 nem sequer foram deslocadas dos trapiches dos portos: lá deterioraram e acabaram vendidas como ferro‑velho.
O rombo montou a US$ 250 milhões, dinheiro que daria para instalar rede de esgoto numa cidade com mais de 60 mil domicílios, ou cerca de 250 mil habitantes — uma Juazeiro do Norte.
“Nunca mais Sérgio Motta foi pobre nem fraco”, escreveu Nery, “nem ele nem o Grupo Serjão; tinham descoberto o caminho das pedras. Quando Montoro assumiu o governo, ele foi dirigir a poderosa e riquíssima Eletropaulo. E passou a comandar o projeto político, econômico e financeiro da turma.”
Primeiro passo: instalar a
moça em lugar melhor
O segundo bombeiro, paulistano da Mooca, nasceu José Chirico Serra mas expurgou de sua biografia o nome do meio. Devia a Serjão a cristalização da amizade com FHC. Naquele momento de crise existencial e ameaça de crise conjugal do futuro presidente, era deputado federal pelo PSDB.
Com o golpe de 1964, José Serra havia se exilado no Chile, onde conheceu a futura mulher, Monica Allende, parente distante do presidente Salvador Allende. Com o novo golpe, em 1973, agora contra Allende — morto no Palacio de La Moneda —, não se sabe como Serra é liberado do Estádio Nacional, onde estão detidas três mil pessoas, muitas delas assassinadas e desaparecidas; e vai para os Estados Unidos, com Monica Allende.
A amizade com FHC e Serjão estreita‑se na volta do exílio, na década de 1970. Serra vai trabalhar no Cebrap, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento — entidade fundada em 1969 com o “ouro de Washington”, conforme veremos no próximo capítulo. A ala liderada por FHC, na qual Serra atuava, foi uma das matrizes ideológicas do PSDB.
Elege‑se duas vezes deputado federal, cargo que ocupa em 1991 quando Miriam Dutra surge nesta história. Sua especialidade, planejamento, consiste agora em planejar o que fazer para evitar danos ao projeto presidencial do grupo. Primeira providência, imediata: instalar a futura mamãe em apartamento melhor e mais bem localizado, na mesma Asa Sul de Brasília; e, a médio prazo, remover o “problema” do Brasil.
Como subir na vida desinventando
a tevê e reinventando o rádio
Alberico Souza Cruz, terceiro bombeiro da trupe, era “o dono da notícia”, segundo reportagem de Hamilton Almeida Filho publicada naqueles tempos na revista mensalInterview. Dono da notícia porque dirigia o jornalismo da Rede Globo, o qual, por força do monopólio, em matéria de audiência surrava de 8 a 2 o resto inteirinho da concorrência.
Alberico assumiu a chefia da Editoria Rio da TV Globo, no começo da década de 1980. Vinha da chefia da sucursal da rede em Belo Horizonte, para onde foi guindado após uma passagem pela assessoria de comunicação da Companhia Vale do Rio Doce. Era bom montador de equipes. Foi ele quem indicou boa parte da “plêiade mineira” que enriqueceu a redação do nascente Jornal da Tarde de São Paulo, “irmão caçula” do Estadão.
Assim que chega à chefia da Editoria Rio, convoca reunião geral, com repórteres, câmeras, produtores, editores, para explanar a filosofia que passaria a nortear a todos ali, sentados na redação. Depois de algumas palavras, resumiu:
“Precisamos de muitas notas ao vivo. Muitas notas ao vivo... e... muitas notas ao vivo.”
Nota ao vivo é aquela em que o âncora do programa, ou a âncora, dá a notícia apenas de viva‑voz, sem imagem alguma. Luís Carlos Cabral, já veterano, subeditor, portanto logo abaixo de Alberico, sussurrou a um colega ao lado:
“Pronto! Desinventou a televisão e reinventou o rádio!”
Ele chegaria ao poder no jornalismo da Globo ao fim daquela década, graças a episódio bastante conhecido da categoria e de boa parte do público externo. Trata‑se da altamente polêmica edição do debate final da campanha que, em 1989, escolheria o primeiro presidente depois da ditadura militar eleito pelo voto direto do povo. Collor versus Lula. Na última edição do Jornal Nacional em que ainda se podia falar da disputa pelo Palácio do Planalto, contando‑se em horas o tempo que faltava para o início da votação no segundo turno, foram ao ar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula — edição de Alberico e Ronald Carvalho. Isto, acompanhado de repercussão popular favorável a Collor, “pesquisa” feita por telefone com vitória ampla de Collor, mais um editorial francamente elogioso a Collor lido por Alexandre Garcia, ex‑assessor de imprensa do “presidente” general Figueiredo.
O serviço valeu a Alberico a ascensão ao topo do jornalismo da Globo, e queda da dupla Armando Nogueira e Alice Maria.
Um casal nas noites de Brasília
Para entender melhor o papel de Alberico no caso Miriam Dutra‑Fernando Henrique, precisamos voltar um pouco no tempo, a 1988. Ano feérico na capital federal. Brasília é o coração do Brasil, enfim. Todos os grupos dos mais variados interesses reunidos, índios, quilombolas, representantes dos trabalhadores de todas as categorias — a geleia geral brasileira a discutir a nova Constituição, depois de uma ditadura militar que sufocou toda uma geração.
Imagine você, nesse clima propício à sensualidade, como num pós‑guerra, um senador solto na praça, bonitão e atraente aos 57 anos, e uma repórter de política vinda de Santa Catarina, morena insinuante, 28 anos, que sonha com o estrelato na já bem‑sucedida carreira de jornalista da principal rede de televisão do país. A vocação se evidenciou cedo, quando Miriam era bem mocinha, em fins da década de 1970 — ela é de 1960.
“Fomos amigos. Nós fazíamos um jornal, o Afinal, que ficava nos fundos de um bar e restaurante, o Ceca, Centro Etílico e Cultural Afinal”, lembra Nelson Rolim de Moura, gaúcho havia muitos anos radicado em Florianópolis, dono da Editora Insular.
Um dia, publicaram matéria acusando o governador Jorge Bornhausen de depositar dinheiro na Suíça. Foram processados pela Lei de Segurança Nacional, enquadrados no artigo 33 — “ofender a honra ou a dignidade” do presidente, vice‑presidente, governadores e outras autoridades dos três poderes. “Tivemos de responder ao processo em Curitiba, foi uma coisa desagradável”, recorda Nelson.
Por não ter participado da reportagem, Miriam se livrou da enrascada. Mas, como se verá, futuramente Bornhausen entrará em sua vida. No Ceca, conta Nelson, havia um palco para apresentações musicais, teatrais, exposições.
“Nesse palco fazíamos semanalmente uma entrevista com uma personalidade e a Miriam me acompanhou em algumas delas. Era uma menina muito esperta e já dava pra notar que teria futuro profissional brilhante. Creio que trabalhava na TV Cultura, uma emissora local, depois foi para a RBS.”
Miriam Dutra Schmidt é filha de um policial militar, o coronel Schmidt, da PM de Santa Catarina, e de Marlene Dutra. O avô materno também foi figura conhecida, o despachante Dutra, no tempo em que Florianópolis tinha porto e navegação marítima comercial regular. A menina estudou em tradicional escola da elite florianopolitana, o Colégio Coração de Jesus, que adotava belos uniformes à moda inglesa.
Uma de suas grandes amigas de Florianópolis, Lucinha, viria a ser a segunda mulher de Jorge Bornhausen. Na RBS, afiliada da Rede Globo, chegou a ser apresentadora da edição regional do TV Mulher, programa feminino pioneiro da década de 1980 baseado em São Paulo, criação da jornalista Rose Nogueira, que lançou Marta Suplicy como comentarista de sexualidade.
Miriam acabou repórter de política em Brasília, aonde chega com sonhos mais altos — na política, na TV Globo, um programa só seu, o estrelato. Nesse agitado mundo, fará novas amizades.
Não demora, e os jornalistas notam a regularidade com que Miriam Dutra e Fernando Henrique passam a ser vistos juntos em restaurantes, reuniões sociais, cerimônias públicas, cada vez mais. A jornalista fez uma amiga entre os políticos que entrevistava, a deputada federal Rita Camata, do PMDB do Espírito Santo, mulher do senador Gerson Camata, do mesmo partido. As duas trocam confidências.
No ano da eleição presidencial, a primeira depois da ditadura, Alberico circulará com desenvoltura na capital da República, funcionando como “linha auxiliar” da candidatura Collor, ostensivamente apoiada pela família Marinho. Ao mesmo tempo, não há no Jornal Nacional figura pública mais presente, mais ouvida sobre todo tipo de questão político‑econômico‑administrativa, do que Rita Camata — e esta, cada vez mais solidária com os altos e baixos do romance da amiga.
Uma colega de trabalho, a gaúcha Anna Terra, lembra‑se de que certa vez estranhou uma ausência de dez dias de Miriam.
“Estava em Nova Iorque graças a uma bolsa”, explicou Miriam ao voltar.
Ao comentar com uma colega de redação, passou por ingênua. A amiga sorriu:
“Você é bem bobinha, hein, Anna? Ela foi encontrar o Fernando Henrique.
Última exilada vive na Europa
para não estragar projeto do ex‑amado
Collor cai, entra Itamar Franco, que dá uma reformulada no serviço secreto. Cria a Subsecretaria de Inteligência, SSI, onde atuam ex‑integrantes do Serviço Nacional de Informações, o SNI. E a SSI passará a cuidar com desvelo de “seu” candidato à sucessão de Itamar.
Em abril de 1994, quando FHC deve deixar o cargo de ministro da Fazenda de Itamar, para atender à regra de se desincompatibilizar de cargo público seis meses antes das eleições, sua situação não é confortável. As pesquisas o mostram 20 pontos atrás de Lula. E ele ainda depende do sucesso do Plano Real — tocado por, entre outros, André Lara Resende, Pérsio Arida e Winston Fritsch, criando mais um problema de paternidade para FHC. Itamar resolve a questão falsificando a “certidão de nascimento” do real. As primeiras notas circularão a 1º de julho de 1994 trazendo a assinatura do presidente do Banco Central, Pedro Malan, e a assinatura de seu ex‑chefe, Fernando Henrique Cardoso, que não era mais ministro fazia três meses. Mais uma vez, FHC assume o que não é dele: em 1985, sentou na cadeira de prefeito um dia antes de ser derrotado por Jânio Quadros; agora, assina obra feita por outros.
Embora atrás nas pesquisas, FHC conta com alguns trunfos, além do impacto positivo da entrada em cena das notas e moedas de real. Tem o apoio do PFL, forte nos grotões com seus carcomidos restos da Arena, a Aliança Renovadora Nacional, partido de sustentação da ditadura; dinheiro grosso dos empresários e banqueiros; e a simpatia da maioria dos militares, inclusive do serviço secreto. Não é pouco. E Itamar ainda vai dar uma forcinha para Lula sofrer uma bela despencada nas pesquisas, como veremos no Capítulo 6.
Porém, a SSI, monitorando possíveis problemas de percurso, detecta algo preocupante: a história que circula em todas as rodas de Brasília, a do filho de Fernando Henrique com uma repórter da TV Globo. A SSI classifica o caso como “explosivo” e decide agir para impedir a imprensa de divulgar aquilo. Passa a procurar jornalistas para sentir o clima. De fato, algumas redações se movimentam para investigar o caso, porém mais para ter algo “na gaveta” caso algum concorrente resolva publicar a história — a mídia se calará por seis anos, até que, em abril de 2000, a revista mensal Caros Amigos comemorará seu terceiro aniversário dando na capa a manchete “Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo?” Chamava para reportagem de seis páginas, “Um fato jornalístico”, assinada por Palmério Dória, João Rocha (de Barcelona), Marina Amaral, Mylton Severiano, José Arbex Jr. e Sérgio de Souza — que você pode ler no Capítulo 32, A reportagem que mexeu com a mídia brasileira.


Se
Caros Amigos
cancelasse esta
reportagem, o governo
despejaria anúncios
nas páginas da revista





Não precisavam se preocupar tanto os homens da SSI. A Globo removerá o problema com criança e tudo. Transferirá Miriam Dutra e seu filho Tomás para Lisboa, onde — ó sorte! — breve encontrará sua amiga Lucinha, segunda mulher de Jorge Bornhausen. No ano seguinte, Bornhausen chegaria à antiga metrópole colonial como embaixador do Brasil em Portugal. Ali, a julgar por outro episódio narrado pela gaúcha Anna Terra, Miriam não precisará “pegar no pesado”, como também podemos avalizar por terceiros testemunhos. Deu‑se que, mal Miriam chega a Lisboa, cai um avião na Europa e o núcleo de matérias especiais da Globo, chefiado por Narciso Kalili, pede‑lhe que cubra. Miriam respondeu com aspereza:
“Estou chegando e já tenho de trabalhar?”
Na hora exata se deu sua transferência. Miriam havia recém‑entrado em contato com um editor de São Paulo para negociar livro do tipo “Meu caso com Fernando Henrique”.
Dê asas à imaginação, você que nos lê. Tal livro sepultaria o projeto presidencial de FHC, adeus privatizações, não existiria o neologismo “privataria”, Lula seria eleito não em 2002, mas oito anos antes...
Miriam foi despachada para uma espécie de exílio em Barcelona, na Espanha que, na feitura deste livro, já durava 18 anos. Mas nunca mais sairia da vida de Fernando Henrique.

O Príncipe da Privataria
Autor: Palmério Dória
Coleção: História Agora – 9 vol.
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Págs: 400
Peso: 552g
ISBN: 9788581302010
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Quem é o Sr X que gravou a compra da reeleição de FHC


O Senhor X era um segredo de polichinelo. O PiG protege tudo do FHC. Até filho que não é dele…
Chega hoje, sexta-feira, 30 de agosto, às livrarias o ”Príncipe da Privataria”, do jornalista Palmério Dória – autor do best seller ”Honoráveis Bandidos”,que já vendeu 130 mil cópias.
“O Príncipe da Privataria” é Fernando Henrique Cardoso, muitas vezes chamado de “Príncipe da Sociologia”.
“Privataria” está no título de outro best seller da editora Geração, “Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior.
Dos 25 mil exemplares do “Príncipe” já impressos, 17 mil chegam hoje, às livrarias de todo o país.
Para isso, foi necessária uma operação de guerra da Geração.
Ela teve que manter em segredo as gráficas que imprimiam, variou as rotas de distribuição e, com isso, evitar vazamentos que antecipassem o lançamento do livro – e processos judiciais de censura.
O editor da Geração, Luiz Fernando Emediato, conta na “Nota do Editor” que um amigo tucano lhe telefonou para pedir que não publicasse o livro e contar que já constituía advogado.
Na verdade, a editora suspeita que o vazamento da notícia do lançamento do livro tenha partido de uma rede de livrarias paulistas, notoriamente tucana, ao saber da chegada dos exemplares.
O “Privataria Tucana” foi boicotado por algumas livrarias de São Paulo, apesar de se tornar um best seller em poucos dias.
Ser um best seller é o destino que espera “O Príncipe da Privataria”.
Entre as revelações está a identidade do “Senhor X”, personagem de uma série de reportagens assinadas pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.
O ”Senhor X” gravava as conversas dos deputados comprados para aprovar a reeleição do Fernando Henrique, em 1997, e entregava a Rodrigues.
Numa série de reportagens, depois de denuncia da compra de votos feita pela CNBB, Conferência Nacional dos Bispos, Rodrigues reproduzia as gravações que recebia do “Senhor X”.
E jamais o identificou.
Nem o PiG jamais se interessou em saber quem era o “Senhor X”.
Foi o que fez Palmério.
Ainda na Nota do Editor, Emediato conta que, um dia, num encontro em San Francisco, nos Estados Unidos, Fernando Henrique, em conversa com o sociólogo Bolivar Lamounier e ele, Emediato, teria se referido ao escândalo de Caixa Dois de PC Farias:
Nenhum partido e nenhum candidato pode prescindir de recursos ilegais.
“Mas, a diferença entre ‘nós’ e ‘eles’ – disse FHC – é que ‘nós’ gastamos nas campanhas enquanto ‘eles’ enfiam boa parte em seus próprios bolsos.
O livro descreve pormenorizadamente a Privataria desenfreada – e especial atenção merece a venda da Vale do Rio Doce por um terço do que valia.
E, nela, o papel decisivo de Ricardo Sérgio de Oliveira.
E a pressão “irresistível” do Padim Pade Cerra, como o próprio FHC reconhece neste vídeo.
Ricardo Sergio de Oliveira – um nome que não se deve, por cortesia, pronunciar na frente de um tucano – , depois, reaparece, com raro brilho, na privatização das teles: “só um bobo dá a telefonia para estrangeiros”, disse Bresser-Pereira, antes mesmo de deixar o PSDB.
Ricardo Sérgio é o “Mr Big”, o cérebro articulador das operações do clã Cerra na Privataria Tucana do Amaury.
Palmério descreve, também, a tentativa de vender a Petrobrax.
Trata da relação monetária entre Fernando Henrique e um de seus principais financiadores, José Eduardo de Andrade Vieira, então dono do Bamerindus.
Palmério desmistifica o “Príncipe dos Sociólogos”: FHC levou bomba duas vezes na admissão ao Colégio Militar e uma, ao tentar entrar para Faculdade de Direito da USP.
Um 'jenio'…
No PiG…
Sobre o 'jenio', leia, ali, o que Millôr Fernandes e João Ubaldo Ribeiro diziam do 'jenio'…
Palmerio traz uma tabela com tudo o que o FHC vendeu.
E outra que compara o desempenho do Presidente FHC com o Presidente Lula: é uma surra,como demonstrou João Sicsú.
E mostra, com detalhes, a cumplicidade da Globo, do Padim Cerra – e do PiG – na operação de abafa do que poderia ser um obstáculo à carreira de Fernando Henrique: o filho de uma repórter da Globo, em Brasília, e sua rápida remoção para Lisboa e Barcelona.
O ansioso blogueiro entrevistou nessa quinta-feira (29), por telefone, o autor do livro, o jornalista Palmério Dória.
Paulo Henrique Amorim
Acompanhe a conversa, com modificações para facilitar a leitura.
PHA: Esse livro tem uma revelação – entre muitas – que é a identidade do ”Senhor X”, o homem que conta tudo sobre a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Palmério, quem é o “Senhor X”?
Palmério: O “Senhor X” é uma eminência parda do Acre, isso a gente percebeu logo que o encontrou.
Uma figuraça, elétrica!
Ele é dono de uma retransmissora do SBT; dono de acadêmias de ginástica; prédios e até de um cemitério.
Na campanha da reeleição, ele pegou pela proa a bancada acreana e tirou deles a confissão de que a reeleição estava sendo comprada pelo Serjão Motta (ex-ministro das Comunicações do Governo FHC); Orlei Cameli, então governador do Acre; e pelo Amazonino Mendes (ex-governador do Amazonas).
Isso era só a frente acreana. Na verdade essa compra, pelas contas do Senador Pedro Simon (PMDB-RS), chega a 150 deputados, pelo menos.
PHA: Ele (o ”Senhor X”) se chama Narciso Mendes, não é isso?
Palmério: Isso, chama-se Narciso Mendes.
É um potiguar; passou por Belém; casou com uma moça chamada Célia; foi viver no Acre e fez a vida lá.
Foi deputado na Constituinte, depois não se reelegeu, mas a mulher dele se elegeu. Daí ele tinha acesso livre ao Congresso.
Como é um cara muito simpático, despachado, desempenado, ele foi procurado pelo repórter Fernando Rodrigues, da Folha, que através de uma intermediação feita pelo Carlos Aírton – outro deputado da época (também do estado do Acre) – Narciso começou a gravar com um gravadorzinho pequenino, que o Fernando Rodrigues tinha, japonês.
Nem precisava perguntar, as pessoas já chegavam contando tudo.
Isso dessa porção acreana da compra de votos.
Agora, o Narciso é também um segredo de polichinelo, né?
PHA: Por quê?
Palmério: Porque todo mundo sabe que esse homem existe, que é o Narciso Mendes, e ninguém se ocupou, ninguém quis ouvi-lo; chegar lá e dizer: “então, o senhor é o ”Senhor X”, vamos conversar”.
PHA: E o Fernando Rodrigues reproduziu as gravações na Folha…
Palmério: O Fernando Rodrigues reproduziu, essa matéria teve grande repercussão, o Fernando Rodrigues na época foi capa na revista Caros Amigos. Aliás, a capa foi o próprio gravador que ele usou nas gravações com o ”Senhor X”.
Pena que tenha chegado dez dias depois de a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) – que naquela época era a CNBB de guerra – denunciar que havia um esquema de compra de votos. Algum tempo depois, veio a matéria (da Folha).
PHA: Então, o Narciso Mendes gravou, passou a gravação ao Fernando Rodrigues, que transcrevia a gravação e sempre se referia a ele, Narciso, como ”Senhor X”?
Palmério: Sempre se referia a ele como ”Senhor X”, e assim ele apareceu na capa de Caros Amigos.
PHA: Por que o ”Senhor X”, que era um segredo de polichinelo, resolveu sair da toca e se identificar agora?
Palmério: Ele passou por maus bocados de saúde e achou que tinha de contar essa história antes de morrer.
Mas, o fato é que ele está muito longe disso, ele tem saúde para dar e vender e, seguramente, vai viver mais do que eu.
Ele tem um cemitério lá, né? Ele me levou para conhecer o cemitério e eu me candidatei a uma vaga para quando eles implementarem a cremação.
PHA: Você diz que as gravações se referem à compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique na bancada do Acre. Quanto se pagava por deputado na bancada do Acre?
Palmério: Pagava 200 mil reais. Era um esquema dos tempos dos coronéis, pagava-se em cheque.
Era uma espécie de pré-pago. Depois (de votar) eles trocariam o cheque.
Mas, ai, alguém os advertiu: cheque, né? É como alguém dar um cheque para um traficante – não estou comparando os deputados com os traficantes, mas é por ai.
Ai alguém falou: “é melhor pagar em dinheiro”. Ai passaram a fazer o pagamento em dinheiro, os deputados saiam com sacolas de dinheiro.
PHA: E quem é que comprava?
Palmério: Nessa operação, no caso do Acre, o Amazonino Mendes, então governador do Amazonas; o Orlei Cameli, do Acre, e outros que eu não sei.
Mas, o Acre é apenas uma ponta, como o Pedro Simon deixa claro.
PHA: O seu livro fala que, nas conversas (gravadas) aparecia claramente, como última instância do processo, o Sérgio Motta, ministro das Comunicações do Fernando Henrique.
Palmério: Isso. Aparece na época claramente nos jornais. Publicaram o envolvimento dele, as acusações contra ele.
E depois, o Fernando Henrique, sem citar o nome de Narciso Mendes, fala desse episódio no livro ”Arte da Política” – um catatau de umas setecentas páginas, naquele estilo gorduroso de que você fala, né?
PHA: Isso, cheio de colesterol…
Palmério: Cheio de colesterol!
O fato é que é segredo de polichinelo, Paulo, porque todo mundo sabia quem era a peça, quem era a figura, quem fez as gravações. A certa altura do livro, o Fernando Henrique, sem citá-lo, começa a falar dele, começa a desqualificá-lo.
Mas, o fato é que falaram em CPI nessa época, e não houve CPI. A Comissão de Constituição e Justiça ouviu alguns deputados – como você sabe, dois deputados acreanos renunciaram logo em seguida, sobre pressão.
Muito bem, o fato que é que quando se falava em ”Senhor X”, ninguém quis ouvi-lo, nem CPI nem a Comissão de Constituição e Justiça.
PHA: Então são 200 mil em dinheiro, para a bancada do Acre. O Pedro Simon calcula que tenham sido comprados 150 deputados. Então é 200 mil, vezes, 150, não é isso? E em dinheiro vivo!
Palmério: Em dinheiro vivo! Bufunfa; maçaranduba; e em sacolas.
E eu acredito que os comprados do “sul maravilha” não se venderam por 200 mil reais.
PHA: Então deve ter sido mais? Mais de 30 milhões de reais?
Palmério: Eu acho que sim, acho que sim.
O problema do tucanato é o seguinte: eu até te perguntei de quanto deveria ter sido a roubalheira e você não consegue mensurar. Eu acho que nem um computador de última geração desses da NASA consegue mensurar a escala de roubo quando você fala de tucanato.
PHA: Agora tem esse negócio de Trensalão.
Palmério: É, não dá pra você calcular…
PHA: Palmério, o Fernando Henrique já se referiu a esse episódio dizendo que ele e o PSDB não precisavam comprar ninguém, porque a maioria absoluta era a favor da reeleição. No seu livro,o Narciso Mendes contesta esse argumento. Como é que o Narciso contesta isso?
Palmério: Ele diz que, por exemplo, o Orlei Cameli não se candidatou à reeleição.
Já começa por ai. No caso acreano, o governador não se candidatou à reeleição. Ele desmonta a tese do Fernando Henrique com esse simples fato.
PHA: Outro argumento do Fernando Henrique é que ele não precisava (buscar a reeleição), mas quem precisava eram os governadores, que estavam tão interessados na reeleição quanto ele. Porque se beneficiariam. Então, pelo mesmo raciocínio do Cameli, você desmonta esse argumento.
Palmério: Claro, Claro, sem a menor dúvida.
Então, você vê o esforço que foi feito para ele ( Narciso) não ser ouvido. Como se passam 13 anos e esse cara nunca foi procurado para falar? Nunca.
PHA: Você acredita que o Luís Eduardo Magalhães – você cita ele no seu livro como presidente da Câmara – interveio nesse processo bombardeando a ideia de uma CPI, é isso?
Palmério: Sim, sim, foi criado ali um bloqueio total.
Era o bate-bola permanente entre os dois, os dois que faleceram, o Luís Eduardo e o Serjão.
O Serjão era o grande operador, ele e seu projeto de 20 anos (de tucanos no poder).
PHA: Você reproduz no livro uma frase muito interessante do Serjão: “95% das coisas que eu digo foi o Fernando Henrique quem falou; os os outros 5% é o que ele pensa e não diz”.
Palmério: Ou seja, é impossível, que o Fernando Henrique não soubesse do que estava rolando nos bastidores.
O desconforto com o qual ele fala disso no livro é a maior bandeira.
PHA: O livro “Príncipe da Privataria” é, na verdade, um perfil muito rico, muito detalhado, uma pesquisa minuciosa feita por você e pela sua equipe, e que trata de muitos assuntos.
Trata da Privataria de uma forma geral; trata de outros tipos de financiamento da campanha do Fernando Henrique, como a ligação dele com o então presidente do Banco Bamerindus (Andrade Vieira); trata do processo vil que foi a venda da Vale do Rio Doce.
Tem um episódio muito importante narrado pelo delegado Protógenes Queiroz, que é uma ligação muito mal explicada pelo Fernando Henrique – a relação dele com títulos da dívida externa brasileira em posse do banco francês Paribas.
Palmério: De quando ele era ministro da Fazenda e o Armínio Fraga era o homem do Banco Central.
PHA: Tem um componente importante desse seu livro que é a cumplicidade da imprensa brasileira no episódio do filho que o Fernando Henrique Cardoso pensou por muito tempo ter tido com uma jornalista da TV Globo.
Qual é a relação desse episódio com a TV Globo? Como que a Globo participa desse processo de acobertar um fato público, que é o presidente da República ter um filho, ou supor ter um filho, com uma jornalista de vídeo, da emissora de televisão mais vista do país.
Onde se casam – sem trocadilhos – Fernando Henrique Cardoso e a Globo nesse caso do filho que ele reconheceu e que, na verdade, não era dele.
Palmério: É o Proer da imprensa, eis aí uma tese de doutorado, Paulo Henrique. A figura central da TV Globo nesse caso é o Alberico Souza Cruz – que tomou o lugar do Armando Nogueira depois que manipulou aquele debate Lula x Collor.
Então, ele passou a circular com desenvoltura por Brasília.
Ele era amigo da Míriam Dutra (jornalista que teve o suposto filho de FHC) – ela era subordinada dele, né? – e era muito amiga da Rita Camata (ex-deputada federal), que, por coincidência, começou a aparecer em todos os espaços (da Globo), especialmente no Jornal Nacional.
Ele (Alberico) era um dos bombeiros. O outro era o José Serra, o planejador; e o Serjão, o operador.
Foram eles que operaram a transferência da Míriam para SIC, (Sociedade Independente de Comunicação), em Portugal (associada à Globo).
Não à toa: o Alberico é padrinho do Tomás (suposto filho de FHC).
PHA: Então, o Alberico remove a Míriam para Lisboa e apadrinha o menino?
Palmério: Apadrinha o menino, depois ela é transferido para Barcelona.
Agora, como houve o Proer dos bancos houve um Proer da imprensa.
Um dinheiro oficial, e até mesmo privado, em uma quantidade imensa, incalculável, para comprar o silêncio da mídia sobre o filho de Míriam Dultra, o “bolsa pimpolho”, como muitos denominaram.
Eu acho que todos os veículos de comunicação investigaram o caso, mas não publicaram. Alegaram que era para ter e usar apenas se o concorrente furasse; matéria de gaveta, como se diz.
Isso lembra um arsenal dissuasório, como se diz: ”olha, há bombas nucleares suficientes para destruir o planeta ‘N’ vezes, mas não é para usar, é para ter”. Então a chantagem campeia pela imprensa, né?
PHA: Na verdade, o que eu chamo de PIG, aqui, no nosso site, não chegou a usar essa bomba.
Palmério: Não, não usou. E depois na matéria da Caros Amigos nós ouvimos, um a um, os diretores de redação de jornais e revistas da época.
PHA: E isso está no livro também. Palmério, só para concluir: depois de muito tempo, ficou confirmado que o filho que o Fernando Henrique supunha ter não era dele, era de outra pessoa.
E tem no livro – e é evidentemente que não podemos revelar aqui – uma cena de comédia italiana, que é o diálogo de Fernando Henrique e Míriam Dutra depois que ficou comprovado que o filho não era dele.
Palmério: É, um amigo meu disse que deu uma estrondosa gargalhada com o fim do livro.
Agora eu só queria dizer uma coisa para você, Paulo Henrique, esse é um bom livro para ler na Semana da Pátria, não é?
PHA: Aliás, o 7 de Setembro que Fernando Henrique qualificou como uma palhaçada.
Palmério: Exatamente, Exatamente…
PHA: Parabéns, Palmério, depois de desmontar o pessoal do ”Honoráveis Bandidos”, do José Sarney – quantos livros já vendeu o José Sarney?
Palmério: O Zé Sarney já vendeu cerca de 130 mil livros. Mas, a turma do Zé Sarney, perto dessa turma do Fernando Henrique, não passa de amadores. É outra escala.
PHA: Os ”Honoráveis Bandidos” são amadores…
Palmério: É, é outra escala, outra escala…
Serviço:
Príncipe da Privataria, da Geração Editorial;
Páginas: 400;
Preço: impresso, R$ 39,90 / e-Book, R$ 24,90;
À esquerda, Palmério, que deixou para o fim uma estrondosa gargalhada. À direita, Narciso na época das gravações
Narciso, de frente para Palmério

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O que o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana têm em comum?



À primeira vista, o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana nada têm em comum e são considerados, por alguns, fenômenos “isolados” no tempo e no espaço.

Porém, três livros publicados nos últimos 18 meses, Vaticano S.A. (Gianluigi Nuzzi, Larousse, 2010), Economia Bandida (Loretta Napoleoni, Difel, 2010) e A Privataria Tucana (Amaury Ribeiro Jr., Geração Editorial, 2011) mostram que os três “fenômenos” têm em comum o modus operandis neoliberal de desvio criminoso de dinheiro público, sempre lavados por empresas ou bancos off-shores, e seu investimento em negócios legais ou espúrios, fazendo com que de uma forma ou de outra a grana desviada volte aos corruptos e corruptores na qualidade de dinheiro limpo, legalizado no sistema bancário-financeiro internacional....

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Livro: Não Acredite em Tudo o que Você Pensa

Acabei de ler esse livro essa semana! Na minha opinião ele é um grande resumo de como pensa um cético. Eu já tenho lido diversos autores que divulam a ciência e o pensamento crítico como Carl Sagan e Richard Dawkins. E geralmente os livros desses autores focam em um assunto e se aprofundam bastante.

No caso desse livro, foram abordados praticamente todos os assuntos que não foram comprovados científicamente mas têm um grande números de seguidores. Pseudociências, hipnose, crendices, previsões, homeopatia e etc... Não consegui lembrar de nenhum assunto que ele não tenha tratado. E tudo isso de uma forma bastante fluida e rápida.

O autor vai passando por várias areas do conhecimento pseudocientífico e desmistificando todas elas. No final a concluimos que podemos nos enganar facilmente, e isso não é errado. Faz parte da condição humana. O que podemos fazer é racionalizar esse processo e tentar nos enganarmos o menos possível.

Em se tratando de pensamento crítico, esse livro poderia ser o primeiro a ser lido, pra dar a base para o tema. Depois se o leitor gostasse poderia procurar livros específicos mais detalhados.

Enquanto lia eu fui me lembrando de várias conversas que tive com meus amigos a respeitos desses assuntos. Parecia que o autor estava na mesa do lado anotando tudo.

P.S.:
Só achei mancada estar na categoria "Auto Ajuda" na Saraiva! O livro não tem nada disso! Está mais para divulgação científica!


no exatamente

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Com 80 mil cópias, 2ª edição de Privataria Tucana chega na sexta às livrarias




Para desespero de José Serra e desconforto da mídia corporativa, que blinda o ex-governador paulista, o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., é fenômeno de vendas.
A primeira edição, 15 mil exemplares, esgotou-se no dia do lançamento, 9 dezembro. Na segunda-feira, 12, a Geração Editorial decidiu reimprimir 30 mil. Na terça, subiu para 50 mil. “Mas já aumentamos para 80 mil cópias”, contou-me há pouco Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial. “Elas chegarão às livrarias nesta sexta-feira.”
Tudo isso graças à internet e às redes sociais, já que a grande imprensa com raras exceções tem silenciado sobre o livro.
Aliás, especulou-se muito na terça-feira que a Folha de S. Paulo finalmente publicaria nesta quarta uma matéria sobre o livro. Circulou também a informação de que, Serra, quando soube, teria ligado enfurecido para a direção do jornal, cobrando a não publicação.
O fato é que hoje, quarta, a Folha não veio com matéria sobre A Privataria Tucana. Será que Serra conseguiu “sensibilizar” a Folha com seus argumentos? Ou será que a matéria virá na edição desta quinta-feira?
Sintomaticamente, nesta quarta, a Folha ressuscitou ao “seu estilo” o chamado “mensalão”, para desviar o foco, tentando jogar no ventilador petista o que está abundando no poleiro tucano.
Conversei com Amaury por telefone ontem e hoje. Está bem mais calmo do que dia do lançamento de A Privataria Tucana, quando o conheci pessoalmente.
Viomundo – Só boas notícias?
Amaury Ribeiro Jr. – Por enquanto (risos), sim. Muita gente tem ligado pra dizer, que começa a ler e não parar mais. Isso me deixa muito feliz, porque lavagem de dinheiro é um assunto muito difícil, complexo.
O pessoal da área editorial está espantado com o sucesso vendas do Privataria, já que não teve divulgação na grande imprensa, exceto a CartaCapital, Record News e TV Record. É um fenômeno, um fato histórico. Tudo isso graças à internet, à blogosfera, às redes sociais, que mostraram um poder de fogo, que eu não imaginava que fosse tão grande.
Outra boa notícia é que o delegado Protógenes (PCdoB-SP) já conseguiu mais de 140 assinaturas para criar a CPI da privataria.
Viomundo – E a reação dos tucanos como tem sido?
Amaury Ribeiro Jr. — Engraçado que Álvaro Dias e outros tucanos de alto poleiro, que estão sempre na mídia cobrando ética, lisura dos outros partidos, estão mudos, dizendo que não leram…
O Serra disse ontem que o meu livro “é um lixo”. Os que eles, tucanos, fizeram nas privatizações é que pode ser considerado um lixo, isso sim.
Essa paulicéia desvairada, que se acha mais culta e melhor do que todo mundo, de repente, ficou nua, com as vísceras expostas.
Viomundo – Já recebeu algum telefonema ou e-mail desaforado, ameaçador ou malcriado?
Amaury Ribeiro Jr. – Ainda não. Só reações positivas. Mas não sou bobo. Devem estar preparando um troco para o próximo final de semana.
Viomundo – E, aí?
Amaury Ribeiro Jr. — Estou preparado, tranqüilo, pois tudo o que eu disse tenho como provar.
Viomundo – Grande parte do material que embasou o teu livro foi obtida em decorrência do processo movido contra você por Ricardo Sérgio de Oliveira, que foi presidente da área internacional do Banco do Brasil na gestão FHC. Para provar que estava dizendo a verdade, você recorreu a um procedimento chamado exceção da verdade. Amaury, por favor, explique para os leitores do Viomundo o que é a exceção da verdade.
Amaury Ribeiro Jr. – É o seguinte. Quando se é processado, você tem o direito de provar que o que está dizendo é verdadeiro. A esse processo se dá o nome de exceção da verdade. Foi o que eu fiz quando o Ricardo Sérgio de Oliveira entrou com processo contra mim por danos morais em função de matérias em que o denunciei. Em função disso, tive acesso a todos os documentos da CPI do Banestado que envolviam o Ricardo Sérgio. Eu ganhei esse processo e parte do material, ao qual eu tive acesso devido ao pedido de exceção da verdade, embasa o meu livro.
Viomundo — Você recorreria novamente a exceção da verdade, para provar que tudo o que está em A Privataria tucana é verdade?
Amaury Ribeiro Jr. – Com certeza! É só me questionarem.
PS1 do Viomundo: Atenção, DENISE INVAMOTO! Você ganhou o Privataria Tucana. Por favor, mande o seu endereço para viomundo1@gmail.com, para que possamos enviar o seu livro.
PS 2 do Viomundo: Como muitos já sabem, um leitor do Viomundo comprou dez exemplares para sortearmos entre vocês. Como ele pediu anomimato, não podemos revelar o nome . Só podemos dizer que o doador é de Minas Gerais e que não é Aécio Neves. Quem quiser participar deste novo sorteio, basta deixar o nome nos comentários.
Conceição Lemes
No Viomundo, 
via comtextolivre