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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

'Ocidente' prepara-se para ataque militar direto à Síria

Sob disfarce de luta contra o ISIS...

 

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A chanceler alemã Merkel praticamente convocou uma avalanche de migrantes, quando declarou a Alemanha casa aberta edesconsiderou o acordo de Dublin sobre pedidos de asilos dentro da Europa. 
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Seguiu-se campanha de mídia sem precedentes, e milhares de migrantes sírios estão sendo pastoreados pela Europa por dúzias de jornalistas que registram cada passo deles, para exibir nos noticiários noturnos – incluídas 
fotos falsas (em alemão). Ninguém pergunta aos migrantes por que estão deixando a Turquia, onde muitos deles permaneciam já há vários meses ou anos, nem quem lhes forneceu dinheiro.

Já indaguei quais objetivos pode ter essa campanha de propaganda pela mídia. Agora parece bem claro que é parte da preparação do público europeu para guerra total contra a Síria, o governo e o povo sírio.


Editores do Guardian 
usam a crise inventada das legiões de migrantes para 'exigir' que 'algo' seja feito 'imediatamente. Muito ridiculamente nos fazem lembrar que a falsa campanha de implantação de uma "zona aérea de exclusão" sobre a Líbia terminou com o país destroçado e muito mais refugiados, e, isso, para 'exigir' que se faça o mesmo tipo de ataque mortal também, agora, contra a Síria. Vozes britânicas mais sãs recordam-nos de que a intromissão do 'ocidente' no Oriente Médio sempre é fonte, não solução, das atuais catástrofes.


Mas a BBC já está informando que o governo britânico está em
preparações para guerra contra a Síria, apesar de haver voto do Parlamento, já há algum tempo, contra esse tipo de ação:


Na próxima semana, os ministros começarão a argumentar a favor de ação militar britânica na Síria – com Downing Street ansiosa para dar "o passo seguinte" contra o chamado "Estado Islâmico – como entende a BBC.

A França, é claro, 
já embarcou na mesma canoa:

A crise de refugiados da Europa, largamente provocada por alto número de pessoas que fogem da guerra civil na Síria, o fracasso na tentativa de fazer retroceder o Estado Islâmico e crescente presença de russos na região pode provocar uma mudança de política, noticiou o Le Monde, que acrescentou que Hollande discutiu a questão com sua equipe de Defesa, em reunião na 6ª-feira.

A guerra contra a Síria será "liderada" pelos EUA e nada terá a ver com algum "Estado Islâmico". Os EUA 
deixaram que o Estado Islâmico prosperasse, numa  decision bem pensada. E sua campanha atual de bombas contra o Estado Islâmico e bem pouco ativa, para dizer o mínimo. Os EUA também estão impedindo que as milícias xiitas no Iraque ataquem o "Estado Islâmico" em Ramadi e Fallujah. O próximo ataque será contra o governo sírio e o povo sírio; o Estado Islâmico e a "crise dos refugiados" servirá, só, como conveniente pretexto.


Para inflar ainda mais a artificial urgência de bombardear imediatamente a Síria, imediatamente, já foi iniciada uma campanha para 
fazer crer que a Rússia estaria mandando jatos de combate e soldados para a Síria. Há até "notícias" de novos jatos russos chegando a Síria, embora nenhum deles tenha sido visto até agora. Uma movimentação normal de transporte de materiais para o exército sírio, feito por navios russos e que está em andamento, regularmente, já há alguns anos, foi noticiada como surpreendente novidade. Velhas fotos distribuídas pelas redes sociais, de soldados russos na Síria e até imagensadulteradas são repentinamente "descobertas" e apresentadascomo "provas" de algum intento nefando dos russos. Os russos já negaram qualquer movimentação de jatos de combate ou contingentes de soldados para a Síria.

Os russos também mantiveram conversações com figuras da oposição síria e com vários países vizinhos da Síria. Putin
apresentou um novo plano que incluiria Síria e Rússia numa campanha contra o "Estado Islâmico" e assim sabotaria os planos dos EUA para 'mudança de regime':


O presidente da Síria Bashar al-Assad concordou com eleições parlamentares antecipadas e com partilhar algum poder com seus adversários – concessão que pode facilitar uma coalizão internacional mais ampla contra o 'Estado Islâmico', disse o presidente russo Vladimir Putin. 


A Rússia consideraria participar da coalizão, e já discutiu discutiu o tema com o presidente dos EUA, da Turquia e do Egito, disse o presidente Putin a jornalistas em Vladivostok na 6ª-feira. A Rússia está trabalhando a favor de campanha mais ampla contra o 'Estado Islâmico' que incluiria forças do Exército Árabe Sírio – inclusão à qual se opõem EUA e UE.

Os EUA não distribuíram qualquer resposta oficial ao plano. Claro que faz perfeito sentido incluir o Exército Árabe Sírio e a Rússia, em qualquer medida real que se tome realmente contra o 'Estado Islâmico'. Ao anunciar o plano, a Rússia expõe a clara evidência de que os EUA não querem combater 'Estado Islâmico' algum; que estão, sempre, seguindo seus próprios planos para destruir a Síria.


Putin também negou quaisquer movimentos de tropas russas:

"Muito cedo" para falar de ação militar russa na Síria, mas "estamos considerando várias opções" – disse Putin. A Rússia está ativamente ajudando o governo Assad com armas e treinamento militar, disse o presidente russo.

Para mim, a parte "estamos considerando várias opções" da fala de Putin é cláusula de alerta. Mas não conto com a Rússia engajar-se plenamente na Síria. Muito corretamente, a Rússia teme outra "armadilha afegã" que os EUA estariam construindo. Mas pode haver outras opções acessíveis aos russos para blindar as defesas áreas da Síria ou, de algum outro modo, sabotar os planos de ataque dos EUA. Por enquanto, 
semear dúvidas e temores no planejamento dos EUA é boa via de ação.

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Sergey e Kerry
ATUALIZAÇÃO:
O Departamento de Estado acaba de distribuir o seguinte 
Resumo da Conversa do Secretário Kerry, que telefonou ao Ministro de Relações Exteriores Lavrov Lavrov:

"O Secretário telefonou ao Ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia, essa manhã, para discutirem a Síria, inclusive as preocupações dos EUA em torno de matérias que sugerem iminente ação militar russa ampliada naquele país. O Secretário fez ver ao ministro russo que, se essas matérias são acuradas, essas ações podem fazer escalar ainda mais o conflito, levar a perda de mais vidas inocentes, aumentar o fluxo de refugiados e do risco de confronto contra a Coalizão anti-ISIL que opera na Síria. 


Ambos concordaram com continuar as discussões sobre o conflito sírio em New York, no final do mês."

"Aumenta o risco de confronto contra a Coalizão anti-ISIL que opera na Síria". Aumenta mesmo. O que deixa nervosíssimos(as) muita gente na Casa Branca e no Pentágono. Tão nervosíssimos(as), que Kerry está oferecendo mais "discussões". ("Hey Sergey, você não está falando sério... Oh! Está?! Temos de conversar, por favor, por favor...") *****

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O fanatismo religioso de Israel



15/11/2012, Moon of Alabama [excerto]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O exército de Israel mudou o nome do mais recente ataque contra Gaza, aparentemente para esconder a motivação teológica.

O ataque começou com o assassinato (“targeted assassination”, assassinato predefinido) de Ahmed al-Jaabari (...). O assassinato, na vigência de um cessar-fogo, sugere fortemente que a guerra de Israel contra Gaza não será rápida.

Ahmed al-Jaabari
Al-Jaabari era homem de contato com Israel, encarregado “da segurança de Israel em Gaza”. Poucoantes de ser assassinado, recebera o rascunho de uma primeira proposta de trégua de longo prazo com Israel. Era, provavelmente, o único homem com boas chances de influenciar outras facções militantes em Gaza e, assim, de assegurar um cessar-fogo efetivo e a paz. Assassinar o negociador que negocia uma trégua é sinal de fanatismo, não de pensamento político racional.

Nas primeiras notícias divulgadas, a operação israelense recebeu o nome, em hebraico, de “Pilar de Nuvens”, que é o significado genérico de Shekhinah – símbolo visível da presença divina – palavra que aparece várias vezes no “Êxodo”, a narrativa da fuga dos israelitas do Egito. Nesse caso, há interpretação mais específica.

Como se lê em vários versos típicos de Êxodo 14:20-21:

Então o anjo de D'us, que viajava à frente do exército de Israel, baixou e postou-se atrás deles. O pilar de nuvens também se moveu e postou-se atrás deles, plantando-se entre os exércitos do Egito e de Israel.

midrash [aprox. “explicação”] dessa sessão – citado por Rashi, o mais famoso comentador da Bíblia judaica, e que é ensinado em muitas escolas hebraicas – diz mais:

Eles [os egípcios] lançaram setas e catapultaram pedras, mas o anjo e o pilar de nuvens os desviaram.

Cerca de uma hora depois de o nome “Pilar de Nuvens” ter sido anunciado, o porta-voz do exército de Israel começou a usar, pelo Twitter, outro nome: “Pilar de Defesa”, como hashtag [#] nos tuítes em inglês. O novo nome imediatamente começou a aparecer em praticamente toda a mídia “ocidental”, e assim continua até agora.

Por que teriam mudado o nome? Talvez o exército de Israel tema que “a comunidade internacional” pense que os israelenses são fanáticos religiosos, doidos do tipo que acredita em pilares de nuvens mágicas de contos de fada, como alguma espécie de escudo divino. Nisso, o exército israelense acerta.

Eis o que é um Pilar de Nuvens:

... instanciação terrena de um D’us Todo Poderoso e vingativo, que aparece para demonstrar a primazia de seu povo escolhido, para guiá-lo nos casos mundanos e nos negócios, e para confundir seus inimigos.

Hamás (logo)
E o governo e o Estado que concebem e executam essa onda de assassinatos contra membros do Hamás e civis inocentes em Gaza atrevem-se a escolher esse nome, para encobrir seus crimes.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre o fanatismo religioso e o ódio racista galopantes que inspiram o atual governo de Israel, já não cabem dúvidas e há motivos, sim, para muita preocupação. Será que já não há qualquer via racional para defender a segurança de Israel e o próprio estado de Israel? Ou estará Israel, de fato, obrando numa agenda cujas raízes tocam fundo o misticismo e o fanatismo religioso?

“Pilar de Defesa” soa um pouco mais razoável a ouvidos seculares e, sim, esconde melhor o racismo israelense e o fanatismo que inspira seus ataques contra palestinos. (...) [1]

Usar ficções religiosas como motivação ou justificativa para guerras é uma espécie de salvo conduto para fazer guerra mais brutal, mais selvagem e mais mortífera. Ajuda também a esconder os motivos bem terrenos e seculares que, esses sim, empurram todas as guerras, ditas “religiosas” ou não.



Nota dos tradutores
[1]  Os tradutores optaram por não traduzir os parágrafos em que o autor demonstra que os palestinos também dão nomes “religiosos” às suas operações de defesa. Entendemos que, em guerra suja, desigual e injusta, não cabe nenhum argumento que vise a demonstrar que “os dois lados erram”. Ainda que errassem, os palestinos errariam menos que Israel, em todos os campos e em todos os sentidos. Qualquer tentativa de construir argumentos que visem a mostrar alguma isenção “jornalística” ou alguma posição de isenção pressuposta “ética” e “superior”, em guerra suja, desigual e injusta, é viciosa. Pela Palestina livre!