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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lembra deste avião, Seu Serra?

Hoje, o jornal O Dia, do Rio de Janeiro, traz uma matéria muito a propósito das acusações levianas de José Serra, em seu blog recém inaugurado. Fala da prisão, ontem, por agentes da Polícia Federal, do traficante José Roberto Monteiro Zau, que estava foragido há 12 anos, desde que uma das remessas de cocaína que fazia para a Europa em aviões da Força Aérea Brasileira foi interceptada quando este avião Hércules C-130 da foto acima se preparava para decolar para a Espanha.
Isso foi em 1999, quando o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso e o Ministro da Saúde era…José Serra.
Já pensaram se pegassem um avião da FAB carregado de cocaína no Governo Lula ou agora, com Dilma?
Não ia dar outra: José Serra estaria falando em “descalabro”, falta de combate ao tráfico e talvez, até, responsabilizando diretamente as autoridades.
Pois já faz isso mesmo diante de um relatório da ONU que diz que as apreensões de cocaína – e nos países latinoamericanos produtores da folha da coca – aumentaram, enquanto as na Europa e Estados Unidos caíram de forma imensa.
Serra, agora que você virou blogueiro, com seu “Bolotaço.com”, vou lembrar que aqui não tem este negócio de “esqueçam o que escrevi…”
By: Tijolaço

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

RIO:GOVERNO AVISA E TRAFICANTES SAEM

Há onze dias o governo do Rio avisa ao tráfico de  nove comunidades  que iria ocupá-las, e finalmente o fez hoje, sem disparar um tiro sequer.
Poupou vidas, mas permitiu que os traficantes saíssem de lá com suas armas e drogas.
Mas o que fica patente nestas ocupações é que nós da Sociedade Civil cada vez mais vamos tomando conhecimento da total ausência da ação social e política do Estado nestas áreas, e de nenhuma ação mais profunda  de cidadania por nossa parte,  há décadas.
A própria Igreja católica desobrigou-se da assistência a estas comunidades, optando pelos ricos e poderosos.
O egoísmo das classes privilegiadas, permitiu ao banditismo ocupar o lugar do Governo e da Sociedade .
Hoje estas mesmas classes pagam o preço do desprezo pelos mais pobres e carentes.
A mesma coisa se dá na ocupação das encostas: o feitiço vira-se contra os feiticeiros.
Nas últimas catástrofes, casas de classe média e de ricos foram atingidas.
Não houve distinção. E no crime, o mesmo tráfico que impunha terror nas comunidades passou a impor este terror nos bairros abastados.
Somos um só povo. Uma só gente. Se desprezarmos qualquer das nossas partes teremos o retorno. E ele não será agradável.
Para a maior parte das classes privilegiadas , favelado é como se fosse praga a ser destruída com napalm. Para a maioria dos governos, encostas e favelas são minas de votos populistas.
Espero que além da ocupação a Sociedade Civil exija do estado ações sociais e de cidadania não só nas áreas agora ocupadas mas em todo o Estado do Rio e em todo o País.
blog do Benvindo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Navios-tanque traficam água de rios da Amazônia

É assustador o tráfico de água doce no Brasil. A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro do ano passado, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. A revista denuncia: “Navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. Empresas internacionais até já criarem novas tecnologias para a captação da água. Uma delas, a Nordic Water Supply Co., empresa da Noruega, já firmou contrato de exportação de água com essa técnica para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.
Conforme a revista, a captação geralmente é feito no ponto que o rio deságua no Oceano Atlântico. Estima-se que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce, para engarrafamento na Europa e Oriente Médio. Diz a revista ser grande o interesse pela água farta do Brasil, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Educar o povo brasileiro


Chegamos ao fim de 2010, e ao fim da primeira década do século XXI, vislumbrando um país diametralmente diferente daquele que chegou ao novo século. Em 2000, éramos um país sem perspectiva. O fim da hiperinflação em meados da década que terminava – uma década começa e termina nos anos com dois zeros na casa da dezena de sua representação numérica – não conseguira nos fazer progredir economicamente e tampouco distribuir renda.

Hoje, dez anos depois do início do novo século – e, não nos esqueçamos, de um novo milênio, o que contém um simbolismo altamente significativo –, tornamo-nos um país em que as perspectivas saltam sobre nós, de tantas que são. Todavia, culturalmente o Brasil ainda é um país extremamente atrasado. E na base desse atraso cultural está um conservadorismo que oscila entre o patético e o deprimente, sobretudo para quem quer acreditar que um novo país esteja surgindo.
Artigo do diretor do instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, publicado no Correio Brasiliense de hoje (8/12) revela um dado que, à primeira vista, é desanimador, mas que representa, apenas, a apuração de um problema na cultura brasileira que, devido à sua dimensão, assusta, mas que pode, sim, ser revertido, ainda que tal feito deva tardar um bom tempo até acontecer.
Coimbra lembra pesquisa do instituto que preside feita no mês passado, portanto após a eleição presidencial, que revela que o brasileiro, antes de tudo, é um conservador nato. Temas considerados “morais”, tais como aborto – que é um problema de saúde pública –, homossexualidade – que é uma escolha legítima e constitucional do cidadão – e uso de drogas – que é outro problema de saúde que se tornou problema de Segurança Pública devido à vã tentativa de se proibir o uso de certas substâncias e de se liberar outras – aparecem na pesquisa de uma forma preocupante.
Segundo o Vox Populi:
1-      82% dos entrevistados são de opinião que o aborto não deve deixar de ser considerado crime;
2-      72% acham que o governo não deve propor mudanças na legislação que o descriminalizem;
3-      60% entendem que a união civil de pessoas do mesmo sexo não deve ser permitida;
4-      72% acham que o governo não deve propor leis que descriminalizem o consumo de drogas
E a conclusão de Coimbra sobre a pesquisa é de uma precisão cirúrgica:
“(…) As variações socioeconômicas e regionais nas respostas são pouco relevantes, embora aconteçam nas direções esperadas. Pessoas de escolaridade mais alta, com maior renda, mais jovens, moradores de áreas urbanas e de estados mais desenvolvidos, tendem a ser menos hostis a mudanças, mas nunca em proporções elevadas (a aceitação de que o aborto não seja considerado crime é de 10% entre pessoas de baixa ou nenhuma escolaridade, mas vai a apenas 20% nas de alta escolaridade). Ou seja, se quisermos falar em conservadorismo, trata-se de um fenômeno majoritário na sociedade inteira (..)”
A pergunta que surge é sobre por que um povo que precisa tanto de mudanças se aferra a dogmas religiosos e moralistas que estão na base da ideologia que moldou o país que mantém esse povo na miséria desde sempre? Por que em um momento de ruptura com o dogma de que só doutores poderiam governar bem um país, em um momento em que a mudança é o nome do jogo que está sendo jogado, o conservadorismo – o que seja, o apreço pelo “tradicional” – continua tão forte inclusive entre os que apóiam politicamente a mudança?
A explicação está naquele esquerdista que prega valores moralistas e ultra-religiosos de repúdio ao aborto e à homossexualidade, mas que defende valores progressistas como distribuição de renda, igualdade racial e de gênero etc. Porque a cultura brasileira foi impregnada por esses valores ao longo de séculos, e muitos ainda mantêm os valores dentro dos quais foram criados por país conservadores, ainda que tenham se deixado seduzir por valores humanistas ao amadurecerem.
Outro fator de peso na construção da mentalidade conservadora do brasileiro é o baixo nível cultural que, a despeito dos níveis de escolaridade, permeia todas as classes sociais, todas as regiões, ambos os gêneros, todas as faixas etárias e todas as regiões geográficas do país. Mesmo entre os mais ricos e escolarizados, a cultura geral é baixíssima. Entre empresários, por exemplo, enorme parte deles é de homens sem qualquer refinamento cultural ou preocupação intelectual, que lêem a Veja e acreditam que estão consumindo cultura.
O povo brasileiro está entre os que menos lêem no mundo e esse não é um fenômeno restrito às camadas populares, pois devido ao gigantismo do país e de sua população nossas classes média alta e alta encerram contingentes que, somados, superam as populações de vários países. Ainda assim, o Brasil tem um dos menores mercados editoriais do mundo.
Chegamos à segunda década do século XXI em condições de educar este povo, para que, mais esclarecido, ultrapasse valores medievais e se insira na moderna sociedade contemporânea da informação, na revolução dos costumes que o conhecimento da história revela inexorável em sua marcha cadenciada através da odisséia humana.
Temos riqueza e pujança econômica suficientes, hoje, para tornar o Brasil um país culto e educado. Só depende das escolhas políticas que continuarmos fazendo durante a década que começa. Se mantivermos no poder grupos políticos dispostos a apostar alto no social a despeito da gritaria de uma casta que se sente ameaçada pela distribuição de renda, poderemos nos tornar uma das maiores potências do novo milênio.
blog da cidadania

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Confrontos no Rio: dançando com o diabo

Há dez anos, a antropóloga Regina Novaes constatou, em pesquisa, que os protestantes atraíam jovens das favelas como meio de fuga do recrutamento dos traficantes. Na época, a pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser) declarou que “a fé evangélica é tão forte que não pode mais ser desconsiderada em assuntos ligados ao combate à criminalidade e à segurança pública”. O que parece é que, nesse meio tempo, o enfoque mudou.

Se nos baseássemos, hoje, nessa premissa, e a contar pelo número de igrejas neopentecostais que existem no Complexo do Alemão – e em todo Estado -, o Rio de Janeiro seria um paraíso. Se as conversões que acontecem diariamente nos presídios e cadeias realmente tirassem bandidos da vida do crime, não teríamos visto centenas de homens, fortemente armados, saindo da Vila Cruzeiro (na última quinta-feira, 25/11) para se esconderem nas favelas vizinhas.
Uma foto de O Globo - anterior a ocupação do Complexo da Penha pela polícia - mostra alguns bandidos, com fuzis, diante de um paredão onde lia-se “Deus está no controle”. A questão é que, se alguém tinha dúvida sobre o controle social exercido pelas igrejas eletrônicas, através da recuperação de bandidos pela conversão ou como opção dos jovens ao recrutamento do tráfico, está ainda mais confuso.
E as respostas parecem ficar mais difíceis. Em 2008, enquanto o mesmo Jornal O Globo revelava que Marcinho VP – um dos chefões da facção criminosa que aterrorizou a população do Rio de Janeiro, nos últimos dias - é uma ovelha do rebanho neopentecostal, outros informativos noticiavam a perseguição de traficantes aos adeptos de outras religiões, nas comunidades onde impunham seus domínios. A imprensa fluminense revelou casos de pessoas que precisavam esconder sua crença (na maioria, de origem afro) para poder continuar em suas casas.
Foi também neste ano, que o correspondente no Brasil do The Guardian (jornalão inglês), Tom Phillips, anunciava que “esses traficantes evangélicos pintam suas comunidades com passagens da Bíblia e tatuam salmos em seus corpos, mas que se calam quando são perguntados sobre o Quinto Mandamento (não matarás). Esses homens queimam seus inimigos em cemitérios improvisados ou cortam os seus órgãos com machados". A matéria trazia dados da ONG Observatório de Favelas e referia-se a possíveis mortes que aconteceriam no Rio até a Olimpíada de 2016.
O tema é tão complexo que Phillips passou quatro anos pesquisando a suposta conversão de bandidos no Rio de Janeiro. O resultado deste trabalho está no elogiadíssimo “Dancing with the devill, the movie” (em português, “Dançando com o diabo, o filme”), produzido pelo jornalista. O título, segundo ele, é uma expressão utilizada por um de seus personagens.
A obra chegou a ser indicada para o Silverdoc, um dos maiores festivais de cinema dos Estados Unidos, e para o The Grierson Award, que é o prêmio mais importante do Reino Unido. O filme tem três personagens centrais: um traficante, um pastor e um policial. E a ideia é mostrar o paradoxo existente entre a prática “evangélica” dos bandidos que muitas vezes até pintam frases bíblicas em fuzis.
Como um bom inglês, Phillips não revela se possui orientação religiosa. “É muito pessoal”, desconversa. Mas acredita que o fenômeno dos traficantes evangélicos deveria ser estudado. “O meu filme não é político. É apenas um retrato. Não se coloca nem contra nem a favor de ninguém. Apenas mostra as falas, as vidas e as realidades das pessoas. Não saberia dizer se é bom ou mau”, afirma. O que intriga é como alguém, que mora no Brasil há sete anos, enxergou um conflito pouquíssimo observado por aqui?
- Os gringos têm muito mais acesso. Nas comunidades, a gente não chega com as mesmas ideias de quem é criado aqui. E as pessoas (moradores, pastores e traficantes) não têm medo de nós, revela.
Pode até ser. Mas o que importa é que no final das contas, tanto a antropóloga quanto o jornalista continuam tendo razão. A fé evangélica não pode mais ser desconsiderada em assuntos ligados a Segurança Pública. E este é um fenômeno que precisa, cada vez mais, ser estudado.
Rosiane Rodrigues
By: Maria Frô

Por que FHC não mandou os anfíbios? FHC subiu o morro errado

À direita da foto, os três que derrotaram o tráfico
Este ordinário blogueiro voltou ao Complexo do Alemão nesta sexta-feira.
Conversou com um policial civil há oito anos na delegacia de entorpecentes e que conhecia o Alemão muito bem.
“Conhecia”, porque há três anos não fazia o percurso até o alto do morro onde mataram o Tim Lopes.
Durante três anos aquilo ali esteve sob controle dos traficantes.
Perguntei a ele se o Disque Denúncia ajudou muito a prender traficante.
Ele explicou que o Disque Denúncia é arma dos traficantes, também.
Metade das “denuncias” é de traficantes que passam informações falsas, para desnortear a polícia.
Como diria num respeitado pensador paulista, é “uma faca de dois legumes”.
Ou seja, dizer que o carioca prendeu os traficantes, ao colaborar com a policia através do Disque Denuncia, por exemplo, é acreditar em Papai Noel.
Aí, vem o Fernando Henrique Cardoso – pág. 2 do Estadão – dizer que “o Rio marcou um golaço. E digo bem: foi a cidade do Rio de Janeiro (que os cariocas chamam de “Rio” e nada mais, porque Rio só tem um … – PHA) e não apenas seu governo, a polícia ou as Forças Armadas.”
Literalmente, o Farol de Alexandria subiu o morro errado.
Ele diz que foi ao Santa Marta.
“Santa Marta” não existe no Rio.
Só se for em Paraisópolis, Heliópolis, onde o FHC não põe os pés.
No Rio, existe um “Dona Marta”.
E por que ele diz que foi “o carioca”?
Para menosprezar o papel decisivo do Lula, que mandou para lá os anfíbios da marinha.
E o Johnbim só mandou os blindados do Exército, às pressas, porque ia ficar mal na foto.
O Johnbim, serrista velho de guerra, Ministro do Farol, remanchou, remanchou e não ia mandar nada.
Como o Fernando Henrique nunca mandou.
Foi preciso o Beltrame e o Sergio Cabral estabelecer um vínculo mais antigo e técnico com áreas mecanizadas dos Fuzileiros Navais, para que o Lula se convencesse de que se tratava de uma “ameaça à ordem pública” e mandou os anfíbios.
E o Exército e o Johnbim correram atrás.
O Fernando Henrique dá a impressão de não de que não governou o Brasil por oito anos.
Que foi um Presidente Dutra de oito anos.
Por que o Fernando Henrique não entrou no Alemão, com os anfíbios da Marinha?
Os cariocas são os mesmos.
Não mudaram nesses oito anos.
Os que hoje “expulsaram” os traficantes, segundo o FHC, são os mesmos, antes, subjugados pelos traficantes.
O que mudou?
Os anfíbios.
Sem os anfíbios que o Fernando Henrique não mandou, mas que o Lula mandou, sem os anfíbios não se subia o morro.
Os caveirões ficavam presos lá embaixo, nas barricadas de concreto e trilho de trem.
O Fernando Henrique podia ter mandado os anfíbios e não mandou.
Por que?
Porque no Governo (?) dele o problema no Alemão e do tráfico era do governo estadual.
(Como se sabe, para o Padim Pade Cerra, é da Bolívia.)
FHC não metia a mão nessas coisas.
Era problema dos governadores.
O Inferno eram (e são) os outros.
Ele preferia conversar com o Bill Clinton e receber titulo de professor Honoris Causae.
Lamento muito, como carioca que sou, nascido na Gloria e criado na ZN, lamento mas não foram o cariocas que expulsaram o tráfico.
Foram o Lula, o Sergio Cabral Filho, o Beltrame – e os anfíbios da Marinha.
O Fernando Henrique tomou o Bonde errado.
E subiu na favela errada.
Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Furor bélico é prejudicial

por Wálter Fanganiello Maierovitch, em Terra Magazine
–1. Atenção. Não houve derramamento de sangue de inocentes nas retomadas dos controles social e territorial no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
Felizmente, quebrou-se a tradição bélica e que, em muitos casos, resulta na imposição de pena de morte.
Por exemplo.  Em São Paulo e para reconquistar o território do pavilhão 9 da Casa de Detenção, a invasão policial militar produziu o chamado “Massacre do Carandiru”.
Essa ação bélico-militar de 2 de outubro de 1992 resultou na morte de 111 presos.  A Casa de Detenção fazia parte do complexo prisional estadual do Carandiru.
A perícia demonstrou que muitos dos mortos tinham sido alvejados nas axilas, a evidenciar que estavam com os braços levantados, em sinal de rendição,  quando dos disparos realizados pelos policiais.
Por outro lado, permito-me uma comparação.  O México do presidente Felipe Calderón iniciou, em dezembro de 2006, uma “guerra às drogas e aos cartéis”. Com o apoio do então presidente George W. Bush, convocou,  para essa referida guerra, policiais e mais 50 mil militares do Exército.
Na tentativa de reconquista da Ciudad Juarez (estado de Chihuaha), na fronteira com a norte-americana El Passo, as forças de ordem sucumbiram. E a cidade Juarez tem geografia e traçado urbanístico bem mais favorável do que a Rocinha e Vidigal, para o caso de execução de uma ação repressiva, de natureza bélico-militar.
Até 31 de maio de 2010, o combate militarizado de Calderón tinha produzido 28 mil mortes e 70% das vítimas fatais não tinha antecedente criminal e nem ligação com os cartéis.
Calderón afasta qualquer solução pacífica, apesar da prova provada de os cartéis estarem a vencer a “guerra” contra o Estado mexicano.
A mexicana Cidade Juarez, em termos de violência, só fica atrás de Darfur, no Sudão. E em Juarez, os cartéis impõem humilhação às força de ordem. Em Juarez, os cartéis decretaram, aos jornalistas, a lei do silêncio, ou seja, nada de matérias sobre as suas atividades.
No México, o negócio das drogas não sofreu nenhum abalo econômico com a “guerra” do presidente Calderón. E no final de novembro, sem saída para recuar e implantar uma nova política, o presidente Calderón falou da esperança de vencer a guerra. Segundo ele, isso será possível porque os cartéis entraram em luta entre si: “Eles vão se matar”.  Em outras palavras, admitiu que o Estado não conseguirá vencê-los.
Com efeito. Hoje, em manchete, o jornal O Globo informa que o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Allan Turnowsky, disse que as suas equipes policiais estão treinadas e prontas para iniciar, de pronto, as ocupações da Rocinha e do Vidigal.
Mais cauteloso, o almirante comandante dos fuzileiros navais alertou não haver nenhuma área no Rio imune ao ingresso dos seus comandados.
O chefe da Polícia Civil parece querer iniciar uma guerra.
No entanto, esqueceu ser pacificadora a política do governo estadual, que, frise-se, usou adequadamente da força para reprimir os ataques espetaculares impostos à população e ao Estado. Ataques espetaculares por uma formada confederação criminal: os serviços de inteligência deixaram vazar, bem antes da retomada do Complexo do Alemão, a descoberta de uma reunião entre os líderes das organizações rivais (Comando Vermelho e Amigos dos Amigos). Os líderes, presente o chefão do Complexo do Alemão, celebraram um pacto voltado à união de forças em face das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs).
O chefe da Polícia Civil parece ter esquecido a política pacificadora: UPPs. Não houve guerra tingida por sangue de civis inocentes nas implantações das 13 UPPs. Prevaleceu a diassuação, com a previsível migração dos membros de facções criminosas que mantinham controle social e de territórios.
Acabar com a secessão na Rocinha e no Vidigal não é tarefa onde deva prevalecer o ataque bélico. O animus beligerante do chefe da Polícia Civil deve ser controlado pelo secretário da segurança Beltrame, que tem se mostrado um homem equilibrado e que dá importância ao planejamento estratégico.
–2. PANO RÁPIDO. O vazamento do WikiLeaks pode ajudar. Tem uma passagem com o presidente sírio Bashar Assad, em conversa com senadores norte-americanos: Vocês possuem um gigantesco aparato de informação. Nós, sírios, não temos esses recursos. Mas, somos bem sucedidos no combate aos extremistas porque contamos com melhores analistas. Vocês gostam de fuzilar terroristas, mas sufocar as redes dá melhor resultado”.
Que tal pensar em sufocar as redes que colocam drogas e armas na Rocinha e no Vidigal?
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro na marola da PAZ!

Mais de 30 toneladas de drogas apreendidas no Alemão foram incineradas 

As drogas apreendidas na ocupação do Complexo do Alemão foram incineradas na tarde desta quarta-feira na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). 
Foram queimadas 33 toneladas de maconha, 235 kg de cocaína, 27 kg de crack e 1.406 frascos de lança-perfume.
As drogas foram colocadas dentro de um carro torpedo - recipiente metálico revestido internamente com forte isolamento térmico, para aguentar temperaturas em torno de 1.500ºC. Por cima da droga, será jogado aço líquido, a mais de 1.000ºC.
O chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, disse que a apreensão é a maior da história do Rio. A cúpula da segurança do Rio, no entanto, investiga desvios de armas e drogas por parte de policiais, conforme revela reportagem da Folha desta quarta-feira.
Há denúncias também de facilitação de fugas de traficantes que estavam no Alemão. A polícia estimava que pelo menos 500 criminosos estavam no conjunto de favelas situado na zona norte do Rio. Desde a ocupação das comunidades, foram presos em torno de 10% dos bandidos apontados pela polícia.
Não tem flagrante porque a fumaça já subiu!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro: um Narco-Estado - XV

''O Estado criou estes caras''.

Entrevista com Hélio Luz, ex-chefe da Polícia Civil do Rio
Hélio Luz, radicado em Porto Alegre, sua cidade natal e onde residem familiares, o ex-chefe de polícia do Rio de Janeiro (de 1995 a 1997, durante o governo de Marcello Alencar) Hélio Luz acompanha com interesse a situação do Rio. Delegado aposentado, Luz dirigia a Polícia Civil do Rio quando agentes prenderam o traficante Marcio Nepomucemo, o Marcinho VP, apontado como um dos líderes do tráfico no Complexo do Alemão – para onde fugiram bandidos armados expulsos da Vila Cruzeiro, na última quinta-feira.
A entrevista é de Carlos Etchichury e publicada pelo jornal Zero Hora, 28-11-2010.
A imagem de jovens esfarrapados, armados com fuzis, escopetas, metralhadoras e pistolas, não surpreende Hélio Luz.
– O Estado nunca teve uma política de segurança de médio ou longo prazo. O Estado sempre atuou com uma política de segurança imediata – diz.
Eis a entrevista.
Como funciona o comando do tráfico no Complexo do Alemão?
Ele é diferente das demais favelas. É preciso voltar no tempo. Um dos fundadores do Comando Vermelho (CV), Rogério Lemgruber, o Bagulhão, foi preso na Ilha Grande, na época da ditadura, e conviveu com presos políticos.
Qual a influência da convivência com os presos políticos?
Quando ele saiu da Ilha Grande, começou a se organizar e se juntou com outros líderes. Um deles era o Orlando Jogador, que era do Complexo do Alemão. O Comando Vermelho começou a tomar o espaço de outras favelas, mudando a relação com a comunidade. O pessoal que assumia não tinha respeito com a população, porque era de outra área. O Orlando Jogador cresceu naquela área até ser morto, em 1994. Em seu lugar, assumiu o
Marcinho Nepomucemo, o Marcinho VP (Vila da Penha), que era o braço direito do Orlando. Ele era da comunidade, e isso fez toda diferença (mesmo preso, Marcinho VP continua dominando o Complexo do Alemão).
As imagens da Rede Globo o surpreendem?
É uma situação antiga. Esta formação não foi feita em dois anos, cinco anos. Ela foi feita ao longo de 30 anos. Eles conseguem se sustentar no Complexo do Alemão, diferentemente de outras áreas, porque são de lá. Eles conhecem bem o terreno e a comunidade. Mas eles não constituem exército, milícia, coisa nenhuma. É um bando de garotos que não têm nada na cabeça. O fato de eles fugirem juntos supõe algum nível de organização de enfrentamento. Mas não têm.
Qual foi o momento em que o Estado perdeu o controle da situação?
O Estado nunca teve uma política de segurança de longo prazo. Nem de médio prazo. O Estado sempre operou com política de segurança de resultados. Há duas causas para o que nós estamos vendo. Uma, mais remota, e mais grave, que é a questão social. Outra, mais próxima, é restrita à área de segurança.
A impressão é de que se trata de um grupo organizado.
Quando ocorre esta ação espetacular, você pensa que o Estado venceu e que nós estamos derrotando um inimigo. Mas eles não são inimigos do Estado, eles são integrantes do Estado, mas foram marginalizados. O Estado criou estes caras. É produto direto do que nós fizemos. Num nível mais direto da segurança é resultado da corrupção das polícias do Rio.
A polícia do Rio é corrupta como mostrou os filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite II?
É muito mais. Se fosse como o filme, seria ótimo. O grande problema é quantas vezes estes garotos foram presos e soltos? Foram para delegacia e liberados? Nem fichados são. Por quê? Porque tem acerto. Eles existem pela permissividade da polícia. Além disso, há questões de fundo. Eles prendem estes 200 que nós vimos fugindo, mas vão colocar aonde? E os outros, sei lá, 20 mil que têm no complexo com a idade deles? Tem política para eles? Vai ser proporcionada uma vida decente para eles? Como será feita a manutenção da área ocupada?
Qual a opinião do senhor sobre as UPPs?
É interessante. Eu não entendo por que colocam recrutas para montar UPPs. Eles dizem que, na média, são uns 200 recrutas com um oficial. Nas 14 UPPs dá algo em torno de 2,8 mil recrutas, 3 mil recrutas. Então, 3 mil recrutas estão resolvendo a situação da criminalidade no Rio? Tem um contingente de 40 mil policiais, mais 10 mil na Polícia Civil, que não resolveram o problema da criminalidade. É isso que estão dizendo? Se é isso, estão confirmando que o problema é corrupção.
Qual a solução para o Rio?
É desconcentração de renda. Quem tem de dar palpite sobre a segurança no Rio é aquele professor de Pernambuco, o Mozart Neves (ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, integrante do movimento Educação para Todos). O negócio é educação. Não tem saída.
O senhor já participou de grandes operações no Complexo do Alemão?
Já participei de operações, mas não de grandes operações. Não precisa. Claro que agora, com essa situação, são necessárias mobilizações. Mas os principais vagabundos do Rio foram presos sem dar um tiro. Tu prende o cara no asfalto.
Esta é a situação mais crítica do Rio?
Em 1994, havia 140 pessoas sequestradas no Rio. O problema era muito sério. Os empresários, na época, queriam sair do Rio. Eles faziam seguro com empresas americanas para ter segurança na cidade. Foi um período de caos. Acabou o sequestro no Rio. Por que acabou? Porque a polícia antissequestro parou de sequestrar.
By: Blog do Bemvindo, via Com textolivre

sábado, 27 de novembro de 2010

A crise no Rio e o pastiche midiático

Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética – supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu -, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto – ou sob tanta pressão - quanto os jornalistas.
Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia:

Polícia apreende tucano na casa de chefe do tráfico da Vila Cruzeiro

Fabiano Atanásio, FB, é acusado de mandar derrubar helicóptero da polícia.
Mais cedo foram encontrados refinaria e hospital do tráfico na favela.
Animal estava na casa de chefe do tráfico na
na Vila Cruzeiro (Foto: Thamine Leta / G1)
A polícia encontrou um tucano durante a varredura na Vila Cruzeiro, na Penha, na Zona Norte do Rio feita nesta sexta-feira (26). A ave estava na casa do chefe do tráfico na comunidade, acusado de ser o responsável pela queda de um helicóptero da polícia ano passado no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte.
A polícia continua na favela para encontrar possíveis locais onde estão guardados munições e armas. Os agentes tentam ainda cumprir mandados de prisão. Entre eles o de Fabiano.
Na tarde desta sexta, um reboque da prefeitura começa a recolher carros incendiados e motos roubadas na comunidade. Os acessos da comunidade são ocupados por homens do Exército.
"O Exército vem para colaborar. Enquanto isso, vamos checar local por local, beco por beco para identificar onde estão os armamentos", disse o subchefe da Polícia Civil, Ronaldo oliveira.
Refinaria do tráfico
A polícia encontrou nesta sexta-feira (26) um laboratório do tráfico na Vila Cruzeiro, na Penha, na Zona Norte do Rio. Nele foram apreendidos materiais para refino de cocaína, substâncias químicas e holofotes.
Segundo a polícia, o local servia para a produção de munição. Foi encontrada também uma espada em uma casa na comunidade.
Hospital do tráfico
Mais cedo, foi encontrado também um hospital do tráfico dentro da Vila Cruzeiro. Policiais federais auxiliam no patrulhamento tanto no local quanto no entorno do Conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte.
Na quinta, o Bope fez uma megaoperação na Vila Cruzeiro com apoio de blindados da Marinha. Cerca de cem criminosos fugiram pela mata para o Alemão, comunidade vizinha.
Desde domingo, o Rio vive uma onda de violência, com arrastões, veículos queimados e ataques a forças de segurança. Segundo o governo do Rio, é uma reação à política das UPPs, quando a polícia ocupa áreas antes dominadas por criminosos. Desde 2008, 13 dessas unidades foram instaladas na cidade.
Mesmo após a megaoperação de quinta, o Rio de Janeiro viveu uma madrugada com mais ataques: foram registrados pelo menos cinco. Em balanço divulgado na noite de quinta (25), a Polícia Militar informou que 72 veículos foram incendiados por criminosos desde o início dos ataques, no domingo (21). Entre presos e detidos há 188 pessoas.
By: G1
Indicação de Maurício Porto

terça-feira, 20 de julho de 2010

José Eduardo Dutra anuncia três ações contra bandidagem serrista

Serra junta-se ao vice na prática de crimes

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, endossou parte das declarações feitas por seu vice Indio da Costa (DEM-RJ) e afirmou na tarde desta segunda-feira que o PT é de fato ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Por outro lado, o bundão Serra não quis vincular o partido adversário ao narcotráfico.

"A ligação do PT é com as Farc. Isso todo mundo sabe. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico. Não significa que o PT faça o narcotráfico", afirmou o canalha Serra, durante a visita que realiza hoje a Minas Gerais. 
Esquerdopata