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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Brasil – Nascimento e morte. Quando os EUA mudaram a sede do G

Quando os EUA mudaram a sede do Governo da Filadélfia para Washington, levou cerca de 1000 servidores. Quando Dom João VI veio FUGIDO para o Brasil, trouxe cerca de 15000 sugadores, corruptos, perdulários, parasitas. A zona, só piorou.

Dom João VI distribuiu – em troca de favores pessoais e para seus pares, mais títulos de nobreza em 14 anos do que o império português em três séculos! A zona, vem de longa data...



Brasil – Nascimento e morte.
Texto de Edmilson Alberto de Mello

Início do ano de 1500, os sonhos da expansão marítima portuguesa são embalados por um frota de ousadas caravelas enumeradas pelo simbólico número 13, pois “treze” são os navios partidos do porto de Lisboa para tornar realidade o imaginário devaneio da coroa portuguesa. São cerca de 1.500 lusitanos de todos os níveis sociais que, comandados por Cabral, desembarcaram junto ao Monte Pascoal. Faz-se necessário que a posse política seja logo assegurada. Para isso, o comandante da frota determina ao seu escrivão que faça imediatamente o registro e oficie o ato a El-Rei. Nasce, assim, o primeiro e mais precioso documento histórico do Brasil, datado de 22 de abril de 1500. É a Certidão de nascimento do nosso País. Incontinente, Pero Vaz de Caminho redige a Dom Manuel seu documento eivado de poesia épica, e fazendo-o de modo alegórico, chama o novo mundo de terra chã e mui formosa, de mui bons ares e águas infindas, onde o que nela se plantar, dar-se-á de tudo.” Porém, deixa escapar em certo trecho da carta uma grande preocupação, qual seja como está dito textualmente” … O melhor fruto, que vossa majestade pode fazer, me parece que será salvar essa gente…” Será que o Brasil já nasceu condenado por um fatídico número 13 a constituir a frota de caravelas lusitanas, para tudo o que vier depois fosse justificado como “consequente?”

1549 – A tentativa de centralização do poder faz com que Portugal fixe uma sede de governo geral. O local escolhido foi a Bahia por ser um ponto médio do nosso litoral. 1600 – O nosso País começa a se deteriorar pela primeira vez de forma ecológica com desenfreada agressão às nossas matas pela retirada do pau-brasil. Esse é o instante em que se estabelecem declaradamente em nossas plagas os primeiros traficantes internacionais ao se “mancomunarem” com os indígenas, tornando-se de fato em primeiros escravos na busca pela madeira de lei. Todavia, com a desculpa de defender a posse da terra contra a ameaça estrangeira, Portugal troca a ineficiente escravidão do índio pelo lucrativo negócio de escravidão de africanos. Surge, assim, o primeiro tráfico oficial no País. O tráfico negreiro.

1711 – O colonizador português centrado no engenho de açúcar fez nascer: 1) a casa grande, onde todos os absurdos eram decididos ao sabor de um gole de cachaça, ou de um caldo de cana; 2) a capela, onde a sacra religiosidade lusitana justificava as ordens macabras do senhor de engenho; 3) a senzala, único compartimento miserável e promíscuo para aglomerar escravos. Revoltas e fugas não tardaram a acontecer. Desterrados os negras assumiram orgulhosamente o título de quilombolas. E a moda é ressuscitar hoje, não pelos nossos “peles vermelhas”, mas, por uma descendência afro de “peles escuras.”

Ambição política – registre-se que a colonização portuguesa no Brasil, com a ambição de “ganhar mais”, foi promovida tanto para aristocratas com a promessa de ficarem ricos, como para os criminosos terem a chance de se safar de suas sentenças.  Domínios – em nossas terras, além do domínio português, tivemos o domínio espanhol e o holandês, todos querendo nos roubar tudo e a todo custo.
1807 – com o decreto do bloqueio continental da Europa por Napoleão Bonaparte, a família real portuguesa foge às pressas para o Brasil. As caravelas portuguesas lotadas até o convés de gente fugida de Portugal, tiveram uma escolta naval patrocinada pela Inglaterra que, em troca, exigia de Dom João VI a assinatura de uma medida provisória (a primeira que o Brasil conheceu), para que se desse a abertura dos portos, sendo o ingleses os grandes beneficiários. Veja-se que tudo no Brasil já era “negociado” sorrateiramente.
1822, 09 de janeiro é o Dia do “Fico”, e Dom Pedro I resolveu se “amancebar” com o Brasil. Depois de uma “lua de mel”, nasceu o 7 de setembro; uma criança miscigenada chamada “Independência”. Foi um “ensaio” de soberania da parte do intrépido Pedro mas, que na verdade, o Brasil continuou na dominação capitalista inglesa.
1823 – Dá-se a primeira assembleia constituinte do Brasil. Democracia à vista?  1824 – Outorga da primeira constituição do Brasil. Na verdade, entenda-se: imposição de uma carta magna. 1863 – finalmente o Brasil toma coragem e rompe com a Inglaterra é a Questão Christie, seguida de guerras contra Aguirre e contra o Paraguai, formado de coitados hermanos.

1888 – Abolição da escravatura. Será verdadeiramente que o negro ficou livre? A resposta é não. Porque a data de assinatura da Lei áurea se deu curiosamente num dia 13. Coisa do destino? Pode ser, mas entendemos que duas eram as razões: 1) os negros não tinham recursos financeiros para trabalhar por conta própria; 2) e nem tinham educação para buscar uma boa posição na sociedade.


Queda da Monarquia e surgimento da República: Sai de cena Dom Pedro II e desfilam Deodoro, Floriano, Prudente de Morais, Campos Sales, etc. Seguem-se o “tenentismo”, a Coluna Prestes, a era Vargas, etc. 

1935 – ano em que os atuais “donos” do poder começaram a pôr suas garras de fora, ao promoverem a sangrenta Intentona Comunista.

1945 – a segunda guerra revelou dois grandes grupos de nações: as potências do eixo (Alemanha, Itália e Japão), e as potências aliadas. 1956-1961. Governo de Juscelino. Um sonho de crescer 50 anos em 5? Ou foi pesadelo do médico mineiro?  1961 – governo Jânio Quadros. Era a vassoura querendo tomar o lugar da caneta. 

1961/1964 – Governo João Goulart. Aí foi que a “vaca começou a ir para o brejo”. 1964, 31 de março – Essa é data que marca um inconformismo político dos que estão hoje no poder, os grandes revanchistas e ladrões da atualidade. Ora, 50 anos são passados desde 64, e foi penoso, para não dizer que foi uma “barra” enfrentar comunistas sanguinários. Testemunhas ainda vivas do que acabamos de afirmar são aqueles que nasceram nas décadas de 20, 30, 40 e 50. Os comunistas encontrados no atual governo do PT, retiraram a Filosofia e a Moral e Cívica do ensino médio nacional, com a finalidade maior de tornar nossa gente mais incauta, inculta e sem civismo. Acredito que o movimento militar estava certo, pois, o pensamento depois de anos em ser “reprimido”, virou libertação. Pedagogia da libertação, Teologia da libertação, Psicologia da libertação. Não seria tudo isso uma “esculhambação”? Ora, basta ver a “nova” fórmula sócio-política que deu: Burrice liberada burrice eleita.

Para as pessoas de mais de 50 anos de idade, palhaço era o carequinha. Hoje, somos nós meio palhaço, meio pateta. Ladrão de antigamente era o Meneghetti e bandidos que usavam lanternas nas esquinas, exemplo clássico foi o “bandido da luz vermelha.” Hoje os ladrões trocaram a lanterna pelo colarinho branco, saíram do meio da rua e vieram para dentro do Palácio do Planalto e dos Ministérios, de uma cidade chamada Brasília, cujas noites estão cheias de mordomias, e onde todos os gastos são “pardos”, onde mansão do lago não é cenário de filme de terror e sim lugar onde ministros de estado dividem dinheiro oriundos de suas patifarias, onde caseiro é mais ético que ministro, onde quadrilha não é festa junina mas razão de existência de partido político, como por exemplo o que hoje comanda a política nacional e que tem o número 13. Ah!… o fatídico número 13. Período de incertezas – ninguém tem mais convicção de nada, neste governo do PT, e a única música dos Beatles a tocar é Help. Ocorre isso pelo fato de tudo estar “dominado” pelos “aloprados.”

O Brasil tem Três Poderes constituídos, ou melhor, tinha até uns tempos atrás: Executivo, Legislativo e Judiciário. Os dois primeiros de tanto sugar o Brasil com as suas “comilanças”, cujo escândalo maior foi o “mensalão”, entraram em processo de autofagia – o que significa dizer – comportamento de pessoa ou animal que se alimenta da própria carne. A presidente da república curiosamente pertencente ao partido de número 13, por nada saber, por nada ler, por nada conhecer, vive perdida no tempo e no espaço, até porque os seus ministros fazem e dizem o que bem querem, restando aos porta-vozes da presidenta, o constrangimento de virem, às pressas, a público a fim de “blindar” a mesma, e dizerem que os atos de seus ministros não representam, necessariamente, o pensamento do governo. Sente-se que a presidenta perdeu o controle e o comando de seu governo, e no desespero político ameaça à classe média com o “povo nas ruas.” Resta-nos como última esperança, isto é, como salvação, o poder Judiciário. Porém este morreu, também, em 06 de agosto de 2008, quando o seu instrumento maior, o Supremo Tribunal Federal, decidiu liberar para serem votados candidatos de “ficha suja.” Assim, por 9 votos contra 2, o STF rejeitou a ação moralizadora da AMB – Associação dos Magistrados do Brasil.  E como golpe final e mortal, o STF garantiu a criminosos de colarinho branco, que não serão mais algemados pela Polícia Federal. Com estas suas sentenças vergonhosas do STF o nosso Brasil recebeu a sua certidão de óbito político.
Ressurreição – só nos resta aguardar o dia da ressurreição, quando os centuriões saídos das cinzas do Brasil, como fênix dirão: Este Pais é verdadeiramente um país do futuro, precisa ser salvo imediatamente para deixar de ser o país do faturo.  Se Cabral descobriu o Brasil quando estava procurando o “acaso” com as suas 13 caravelas, o PT se vestiu de “13” e levou 20 anos para ter um “caso” com o País, de sorte a possibilitar que se crie dentro de nossas terras um “mundo novo” cheio de caos. Porém, o Brasil foi apunhalado em seus quatro confins pela foice e o martelo desde que os gramaticistas lhe impuseram em 1988, uma carta mentirosa. Não foram os verdadeiros trabalhadores – que forjam o progresso do Brasil – que rasgaram o livro autêntico da história do Brasil. Foi a máfia dos Petralhas, no poder, que contaminou a nação brasileira com o vírus mortal de uma politicagem de corrupção, de fraudes e de impunidade, determinando, assim, a falência múltipla de todos os seus órgãos público administrativos. Se a politicalha do PT é uma múmia a qual o nosso povo está acorrentado, este é o momento, não podemos esperar outro melhor para que a sociedade proceda a cura da infecção fatal deste cadáver, do envenenamento do vivo pelo morto, já que o PT jaz em estado de deterioração pela decomposição de seus próprios membros.


Que o espírito de Pero Vaz de Caminha retorne em breve do além, que seja uma das fênix saídas das cinzas da nação brasileira para salvar a nossa gente. Isso está quase sendo uma realidade de modo a fazer acontecer um novo “El-Rei” entre nós. Será um dia igual à data mitológica cantada em prosa e verso pela cultura grega. Diz a mitologia que fênix quando morria entrava em autocombustão e, passado algum tempo renascia das próprias cinzas. Renascia com mais força. Segundo vários escritores gregos, fênix vivia exatamente 500 anos para se queimar numa pira funerária. Coincidência ou não, já passamos por muitas autocombustões políticas nesses últimos 500 anos. Será que chegou a hora do povo brasileiro acordar, levantar desta rede de ilusão que leva a sonhos irrealizáveis, onde uma sonolência profunda e prolongada nubla a sua visão da realidade em que vive, e renascer com mais vigor, com mais coragem, para viver outros 500 anos de uma política sadia? Sim, é chegada a hora, e 5 de outubro está bem próximo, e isso é formidável. É o momento propício para as pessoas conscientes deste País escolherem, com o voto limpo e livre seus representantes não contaminados com a corrupção política, nem seguidores de ideologia retrógradas e derrotadas que fere os nossos princípios e tradições democráticas.  A vida longa de Phoenix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformam-na em símbolo da imortalidade. Que o Brasil saia das cinzas mandando para o “espaço sideral” o azarento número 13 – identificador do PT, e outros números de partidos perniciosos a fim de deixarem livre de vez o povo brasileiro, de modo que faça jus a um eterno renascimento.

O povo brasileiro deve se sentir com bastante força moral porque a sociedade, a qual pertence, é o fórum político mais representativo do partido chamado Brasil. Porque o povo é o quarto poder dentre os poderes. É o povo que exercitando a sua soberania política forma e mantem os outros Três Poderes aqui citados. O princípio fundamental do nosso direito político não é a soberania do parlamento, mas, sim a soberania da nação que é o próprio povo, desde que existe povo sem nação, mas não existe nação sem povo. A nação brasileira somos todos nós: o berço de nossos filhos, o túmulo de nossos antepassados. Não é com passeatas, com agitação coletiva nas ruas, com vandalismo, com greves que o povo conquistará as suas reivindicações básicas. Elas serão alcançadas, sim, com as escolhas certas. Escolhas que elejam as pessoas certas, e não certas pessoas. Escolhas que promovam políticos realmente identificados e comprometidos com as causas político-sociais que sejam, também, as causas do povo.

Diante das ameaças sofridas pelo povo, não percamos de vista o caminho de nosso libertação, pois só os resignados aos sofrimentos do cativeiro fracassam. Vamos restabelecer a nossa verdadeira história honrando os nossos antepassados, e não nos esquecendo de nossos filhos e netos se não quisermos deixar para eles uma herança vergonhosa e um futuro desonroso. Em 5 de outubro deste ano de graças de 2014, data da eleição que pode mudar para melhor os caminhos tortuosos e íngremes do Brasil, vamos viver a democracia, o civismo, a pátria. Isso nos consola. Que esta data coincida, também, dentro de nossa história, com a comemoração do dia no qual soubemos dar a liberdade aos escravos que tínhamos. Não sejamos, pois, agora, incapazes de restituir a liberdade aos escravos que somos.

Viva a nação brasileira!
http://acaodopensamento.blogspot.com.br/2015/02/quando-os-eua-mudaram-sede-do-governo.html

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Brasil tem de reviver como Nação


Ao longo da 1ª metade do Século XX, o Brasil fez notáveis progressos através da industrialização e do fortalecimento das instituições financeiras públicas. Também, na área social, com a decretação do salário mínimo (1930) e da legislação trabalhista (1932, consolidada em 1943). Economia e relações sociais são interdependentes.
2.  Entretanto, esses avanços – interrompidos de 1946 a 1950, quando a política do País se submeteu facilmente ao império angloamericano e à polarização ideológica da Guerra Fria – não foram suficientemente retomados e atualizados, sequer com a volta de Getúlio Vargas à presidência da República em 1950, pelo voto direto do povo.
3. Isso porque, diante disso, a intervenção do poder mundial tornou-se maciça e sustentada por abundante corrupção, que penetrou em todos os campos estratégicos, com o objetivo de fazer abortar o surgimento de uma potência industrial no Hemisfério Sul.
4. Essa intervenção logrou derrubar o presidente e inaugurou uma era, que completou 61 anos, de sucessivas renúncias à autonomia econômica e política do Brasil.
5. A desnacionalização da indústria, política oficial desde janeiro de 1955, conduziu à desindustrialização e causou déficits externos, originadores da dívida externa e depois da dívida pública interna.
6. A política de destruição da Nação foi grandemente radicalizada por meio das três primeiras eleições diretas, sob a Constituição de 1988, regime de aparente democracia: a de Collor em 1989 e as duas de FHC, 1994 e 1998, que desencadearam verdadeiros tsunamis de entreguismo e institucionalizaram a devastação socioeconômica do País.
7. A corrupção, em todas suas acepções, já havia formado maioria folgada dos constituintes, para inserir na Lei Básica normas estratégicas contrárias aos interesses nacionais.
8. Os analistas viciados no engano de qualificar tudo sob o prisma ideológico esquerda/direita, definiram como “Centrão” os constituintes “centro-direita” favoráveis a essas normas, que poucos da “esquerda” combateram.
9. Nem um só parlamentar denunciou a aprovação do art. 164, nem a inserção no texto constitucional, por meio de fraude, de cláusula no inciso II, parágrafo 3º do art. 166, que elimina limites à aprovação de verbas para o serviço da dívida. O art. 164 põe o Tesouro Nacional à mercê dos bancos.
10. O peso do dinheiro concentrado e da mídia antibrasileira nas eleições continuou a eleger Congressos cada vez mais alheios aos interesses do País, a ponto de terem aprovado dezenas de emendas à Constituição, favoráveis aos concentradores financeiros estrangeiros e locais.
11. Ora, o processo de degradação econômica, política e cultural teve início nos anos 50, quando o Brasil não havia construído infraestruturas econômica e social de país desenvolvido.
12. Pior: a maioria das que se implantaram, após 1955, foi planejada em favor dos carteis transnacionais aqui instalados para obter lucros ilimitados da extração dos abundantes recursos naturais e do controle do mercado consumidor.
13. A de transportes já era deficiente e não foi corrigida, ficando ainda mais lastimável, considerado o crescimento econômico, ainda expressivo até o final dos anos 70, graças a estes fatores: inércia da industrialização anterior; crescimento demográfico; os fabulosos recursos naturais do País; haver, até então, recursos de monta para investimentos públicos, pois as finanças do Estado ainda estavam em processo de serem arruinadas pelo modelo dependente, causador das exações referentes ao serviço da dívida.
14. Como lembrou o professor de tecnologia Weber Figueiredo, o presidente Vargas, em 1950, dada a insuficiência de trens em face da demanda de passageiros, mandara ampliar o sistema ferroviário. Havia 676 trens e transportavam-se mais de 500 mil passageiros/dia. Hoje são 450mil e pouco mais de 100 trens, muitos daquela longínqua época. Numerosas conexões no interior foram suprimidas em São Paulo e outros Estados.
15. Os transportes no Brasil retratam a situação de um país ao qual foi negada permissão para desenvolver-se. Tudo serve aos carteis transnacionais do petróleo/indústria automotiva. Predominam as rodovias. Não há linhas de metrô que atendam minimamente a demanda das regiões metropolitanas. As principais ferrovias são de natureza colonial: transportam aos portos colossais quantidades de minérios: Belo Horizonte/Vitória; Carajás/Itaqui.
16. Onde houve desenvolvimento, houve uso intenso das aquavias, como os cinco grandes lagos que ligam, nos EUA, Meio Oeste, Costa Leste e Canadá. Inglaterra, França, Alemanha construíram densas malhas de rios navegáveis e canais. Em 1900, já tinham boas ferrovias e ainda as estendem e aperfeiçoam. A China constrói ótimas ferrovias e trens de alta velocidade em todo seu extenso e acidentado território.
17. As ferrovias para transportar matérias-primas minerais e agrárias remetem ao modelo econômico que não valoriza os recursos naturais do País nem os processa em indústrias de capital nacional, porque acabou com elas, ao entregar o mercado às transnacionais.
18. Esse modelo causa mega-catástrofes irreparáveis, como a do rompimento das barragens de dejetos das minas, em Mariana, MG, operadas pela Samarco, controlada pela transnacional anglo-australiana Billiton, com participação da Vale.
19. Dada a corrupção e a obtusa mentalidade entreguista, nenhum dos poderes – a nível federal, estadual e local – exige reais controles de segurança, nem se mostra inclinado a acabar com os intoleráveis abusos. Chegam ao ridículo de participar de entrevistas midiáticas junto com executivos da transnacional transgressora.
20. O desastre econômico e ambiental remete, por sua vez, à privatização da portentosa Vale Rio Doce, em 1997, no esquema que entregou patrimônio de dezenas de trilhões de dólares, por 3 bilhões, “pagos” com títulos podres e compensados por créditos fiscais e outras benesses.
21. Da Serra de Carajás transportam-se diariamente 576 mil toneladas do melhor minério de ferro do mundo, com o que ela tende a acabar em 80 anos.
22. O saqueio mineral é subsidiado pela isenção tributária na exportação (Lei Kandir, LC 87, 13.09.1996, aplicável também ao agronegócio) e premiado por taxação ínfima na extração.
23. A CFEM (Compensação Financeira pela Extração Mineral) -  calculada sobre o líquido (a ETN arranja e superfatura despesas minimizar o faturamento  bruto) -  cobra estas alíquotas:  alumínio, manganês, sal-gema e potássio: 3%; ferro, fertilizantes e carvão: 2%; ouro: 1%; pedras preciosas,  carbonados e metais nobres: 0,2%.
24. Foram extraídas, em 2013, das “nossas” minas de ferro 370 milhões de toneladas, 90% para exportação e 10% para o mercado interno. Com a acelerada desindustrialização, a dependência do exterior continua crescendo, e, mesmo com preços em queda, os minérios metalúrgicos respondem por 13% do valor total das exportações.
25.  Na agricultura o quadro é semelhante: 55% das terras são usados para cultivar soja - metade da qual se destina à exportação – causando pauperização dos solos – e contaminação de aquíferos – decorrente do intenso uso de fertilizantes químicos, sementes transgênicas e pesticidas altamente tóxicos.
26. As exportações agrárias somaram, em 2014, US$ 96,7 bilhões = 43% das exportações totais do País, de US$ 225,1 bilhões, que equivalem a míseros 10% das exportações da China!
27. O caos agrário liga-se à miséria da energia, via setor sucroalcooleiro, formado por enormes usinas e plantations, a maioria já desnacionalizada, a exportar açúcar e álcool (6,1% das exportações totais), segundo o interesse dos patrões transnacionais.
28. Esse esquema prevalece contra a correta ideia original do programa do álcool (1974), que incluía agricultura familiar, descentralização, culturas alimentares combinadas e aproveitamento de óleos vegetais – como dendê, macaúba, pinhão manso etc. -  para substituir o diesel do petróleo, além do erguimento da química do álcool e dos óleos vegetais.
29. Além de se fazer tudo errado no biodiesel, engodo para ocultar a mão pesada das transnacionais – governantes das poluidoras fontes fósseis – as “alternativas” preferidas têm sido as dependentes de tecnologia e equipamentos importados, como a eólica.
30. Ainda sobre a infraestrutura de energia, não é de omitir a devastação em curso, desde Collor e FHC, a qual desnacionalizou o grosso da geração e distribuição da hidroeletricidade, e instituiu um sistema de precificação, impossível de entender, para propiciar indecentes lucros aos beneficiários, que já elevou as tarifas, em 150% acima da inflação. No processo, sugaram-se as estatais, a ponto de pôr a Eletrobrás em situação falimentar.

A infraestrutura do modelo dependente (Conclusão)


31. Além dos aumentos de tarifas, que superam 150%, em termos reais, decorrentes do sistema elétrico corruptíssimo, adotado em seguida à privatização, paira sobre a cabeça dos consumidores residenciais novo aumento na tarifa de eletricidade em 2016.
32. Foram eximidas deste, por decisão da Justiça (sic), as grandes usuárias de energia, as mineradoras e indústrias químicas transnacionais, beneficiárias, há muitos decênios, de tarifas subsidiadas.
33. Esse é mais um exemplo do modelo montado para arrancar o solo, o subsolo e as águas do País, juntamente com nutrientes e minérios, a fim de exportar tudo com subsídios governamentais, a preços ridiculamente baixos, e sem reparação pelos irreparáveis e colossais danos ambientais.
34. Nos combustíveis líquidos, predominam os fósseis, não-renováveis, conforme a matriz ditada pelos carteis mundiais da energia – os mesmos que suscitam a devastação de países inteiros do Oriente Médio para dominar fontes de petróleo e gás natural, rotas marítimas e dutos.
35. O petróleo penetrou também na geração elétrica, afora o carvão, e o Brasil quase estagnou na hidroeletricidade, em que dispõe de formidável vantagem natural, deixando de investir, a partir do final dos anos 70.
36. Por que? Porque o modelo econômico dependente causa penúria, devido aos preços altos dos bens e serviços, geradores de ganhos que não ficam no País: daí, escassez de divisas e crescimento da dívida externa.
37. Além disso, na mentalidade dos subordinados aos concentradores financeiros mundiais, a infraestrutura não dispensa equipamentos importados, de alto custo, pagos em dólar. Assim, abortou-se o desenvolvimento das excelentes tecnologias e bens de capital que se acumulavam na engenharia de pequenas centrais hidrelétricas.
38. Quando, sob os últimos Executivos federais, se tentou recuperar parte do terreno perdido na hidroeletricidade, usinas geradoras e linhas de transmissão foram enormemente retardadas, encarecidas e prejudicadas, por interferências de ONGs, fundações e governos estrangeiros, entidades como IBAMA, FUNAI e Ministério Público.
39. Ademais de subaproveitar as quedas, suprimiram-se e reduziram-se eclusas, em prejuízo também dos transportes fluviais.
40. Sempre em benefício dos carteis transnacionais foram instaladas centrais térmicas a óleo combustível de petróleo, que elevam, brutalmente, os custos da eletricidade. Também, a gás, até para processar o da Bolívia, então controlado por Enron, Shell e BP (a Petrobrás pagando os dutos).
41. Uma das finalidades de superdimensionar a indústria automotiva transnacional -  sugadora de subsídios federais, estaduais e municipais, e de sobrepreços abusivos -  foi dar mercado a gasolina e diesel de petróleo.
42. Esses deveriam ter sido substituídos pelo etanol (inclusive bagaço-de-cana) e pelos óleos vegetais, econômicos, limpos e eficientes para também para gerar eletricidade.
43. São melhor alternativa que a energia eólica. Nesta investem-se dezenas de bilhões de reais, enquanto nada para valer, nem correto, é aplicado em óleos vegetais: mais um indicativo de que o modelo dependente pretere indústrias intensivas de mão-de-obra, em detrimento da criação de empregos, inviabiliza tecnologias nacionais e favorece o uso de equipamentos e tecnologias importados.
44. Nos transportes, intra e interestaduais, e urbanos, quase tudo depende de veículos automotores: usuários extorquidos por sobrepreços pelas montadoras transnacionais; altos custos de combustíveis e lubrificantes; pedágios instalados em estradas construídas com dinheiro público; rodar sobre asfalto deteriorado ou atolar-se nas estradas de terra.
45. Shangai já passa de 500 km de linhas de metrô, e Londres tem 400 km. São Paulo, 80 km. Nem vale a pena falar das outras cidades brasileiras.
46. Collor, com desprezo ao Brasil, extinguiu a única companhia brasileira de navegação marítima. As empresas de navegação aérea foram eliminadas (Panair do Brasil, 1965). Nos anos 1990, com FHC, foram inviabilizadas VARIG, TRANSBRASIL e VASP.
47. Não há mais nenhuma de capital nacional. A CELMA, da VARIG, com valiosa tecnologia em motores e peças, foi entregue à transnacional GM.
48. A privatização foi desastrosa também nas telecomunicações: os brasileiros pagam as tarifas mais caras do mundo. Foi perdido até o estratégico controle, da ex-estatal EMBRATEL, para a MCI International, dos EUA.
***
Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo, Alemanha e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/benayon/2015/12/02/o-brasil-tem-de-reviver-como-nacao/