Mostrando postagens com marcador ALIENAÇÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ALIENAÇÃO. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de maio de 2015

Dez evidências de que o politicamente incorreto dos anos 80 e 90 moldou o século XXI

Via GGN
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Nos anos 80 e 90 parecia que tudo era permitido: de apresentadoras de programas infantis da TV em trajes sumários a matinês com centenas de meninas rebolando tentando imitar os passos da banda “É o Tchan”. Tudo isso interrompido por intervalos publicitários onde marcas de chocolate eram associadas a meninos vencedores que conquistavam muitas namoradas. Essas décadas “politicamente incorretas” marcaram a infância e adolescência da chamada Geração Y, cujos membros são os líderes de opinião na atualidade. Qual a parcela de contribuição dada por essa cultura supostamente permissiva para a atual visão de mundo dessa geração? Foram décadas que, vistas pelo olhar politicamente correto atual, brindaram-nos com produtos culturais que sugeriam erotização precoce, pedofilia e exploração sexual em plena mídia de massas. A partir de uma lista de dez evidências de uma época onde “tudo era permitido”, vamos tentar encontrar influências da infância politicamente incorreta na mentalidade atual da Geração Y.

Apresentadoras de programas infantis em trajes sumários apresentando bandas de hits com refrões de gosto duvidoso; nos intervalos publicitários, comerciais mostrando crianças ostentando orgulhosamente produtos e ridicularizando o telespectador-mirim que ainda não os compraram; anúncios publicitários que comparavam uma boa apólice de seguro com um uísque de qualidade que lhe dá um ótimo dia seguinte; matinês em casas de shows onde meninas levadas pelos pais rebolavam sensualmente ao som da banda É o Tchan; comerciais infantis associando um chocolate com as conquistas amorosas em série em um acampamento cheio de meninas, etc.
Estamos falando das décadas de 80 e 90 que, para o nosso olhar atual globalizado e sensível a questões éticas e morais, foram épocas decididamente politicamente incorretas. São décadas que marcaram a infância e adolescência da chamada Geração Y – conhecida também como “geração do milênio” ou “geração da Internet”, nascidos após 1980 e, segundo outros, em meados dos anos 1970.
Uma geração que se desenvolveu no Brasil numa época de grandes avanços tecnológicos em ambientes altamente urbanizados. Mas também cresceu assistindo a uma indústria de entretenimento que irradiou uma cultura que hoje é celebrada em festas retro temáticas com os “trashs dos anos 80 e 90” – um mix de criações publicitárias politicamente incorretas com programas infantis de TV precocemente erotizados.
Geração Y: uma geração tecnológica moldada  pelo politicamente incorreto?
               E também uma geração que chegou à idade adulta e se tornou líder de opinião através de redes sociais, blogs, sites da Internet, assim como editores, artistas e apresentadores de TV.
Em que medida essa cultura politicamente incorreta dos anos 80 e 90 participou da formação da visão de mundo da Geração Y?
Flávio Lico, educador e fundador da Avenca Consultoria Educacional, levantou uma instigante questionamento através de uma postagem em sua página no Facebook: “Será que o estágio bizarro de civilidade e desrespeito mútuo que vivemos hoje no Brasil não tem a ver com o ambiente doente em que crescemos?”. E finaliza perguntando “até que ponto os anos 80 e 90 contribuíram para os anos 2000 e 2010?”.
Dez evidências
O questionamento de Flávio Lico baseou-se em uma lista do site Catraca Livre intitulada “7 provas de que o Brasil aceitava tudo nos anos 80 e 90” – uma relação baseada numa lista elaborada pelo Buzzfeed de onde o Catraca Livre selecionou as “7 mais bizarras” evidências - clique aqui e veja a lista do Buzzfeed.
Um desfile de peças publicitárias como o do menino com cigarrinhos de chocolate da Pan, Xuxa com figurino sumário no Clube da Criança da Rede Manchete e inacreditáveis capas de disco – uma do "Carnaval dos Baixinhos" da Xuxa com um bebê de fio dental e outra do Gilberto Barros com uma criança enfiando a mão por dentro da sua camisa numa incômoda sugestão de pedofilia sob o título “Me faz um carinho!”. 
Antes de aprofundamos no tema, vamos ver a lista abaixo com algumas contribuições das pesquisas do “Cinegnose”:
1. Xuxa no Clube das Crianças da Rede Manchete (1983-86)
2. Cigarrinhos de Chocolate da Pan
3. Capa do disco "Carnaval dos Baixinhos"
4. Gilberto Barros: "Me faz um carinho!"
5. Comercial da tesoura do Mickey (1992)


6. Comercial do "Baton" da Garoto (2005)

Comercial de 2005 com conceito de criação iniciado nos anos 1990 com o "Compre Baton" onde um menino repetia o slogan como se tentasse hipnotizar o telespectador
7. "É o Tchan" para crianças em matinês infantis em casas de shows nos anos 1990
8. Grupo "Molekada": um dos resultados das matinês do "É o Tchan"
9. Seguradora Indiana é como uísque... a criação publicitária politicamente incorreta dos anos 80
10. Crianças seminuas montadas numa moto para vender jeans - saiu num gibi do Pato Donald em 1980
Já no final do século XX (e, portanto, nos estertores dessa era de “permissividade”), o escritor Marcelo Rubens Paiva demonstrava sua perplexidade em 1999 em um artigo no jornal Folha de São Paulo sobre as matinês do grupo É o Tchan no Via Funchal em São Paulo: “Criança sabe muito bem onde é o bumbum, popô, pipi etc. E “É o Tchan” aponta para uma direção: que arrebitar, rebolar, subir e descer é bonito e dá dinheiro. Os defensores do estilo Tchan dizem que é malicia dos adultos. Mas que é estranho ver tanta menininha rebolando, é.” – PAIVA, Marcelo Rubens. “É o Tchan faz matinê para crianças assanhadas”, Folha, 14/09/1999.
Para ele, a grande “lição” que o “É o Tchan” deu para as crianças da Geração Y é que rebolar e empinar o bumbum é bonito e dá dinheiro.
Talvez, nessa opinião de Rubens Paiva esteja o início da discussão desse tema – a erotização precoce de uma geração como o aspecto simbólico de uma educação fálica para o consumo. Em outras palavras, por trás da erotização precoce se escondia uma preparação também precoce de uma geração para o consumismo.
Décadas permissivas: a educação para o consumismo
Como demonstra a literatura crítica e acadêmica sobre a sociedade de consumo, toda publicidade é fálica: a transformação de todo e qualquer produto em símbolo seja de status, distinção, poder ou prestígio social. E essa, por assim dizer, sintaxe publicitária deve ser ensinada cada vez mais cedo para preparar sempre novos consumidores para o mercado.
Dos assistentes de palcos e apresentadoras infantis semi nuas, passando pelas meninas do Via Funchal arrebitando o bumbum e chegando à campanha do “compre Baton” onde um menino enche sua barraca de meninas, o significado é sempre o mesmo: começar o aprendizado do consumo a partir do próprio corpo da criança – seu primeiro simbolismo fálico: o mais bonito, o mais enfeitado, o mais sedutor etc.
Geração Y e a ausência dos pais

Ausência dos pais: uma geração marcada pelo excesso de tolerância e consumismo
compensatórios
                 O traço marcante da Geração Y foi a ausência paterna, seja de forma física (pais fora de casa preocupados demais com a carreira e o trabalho) ou simbólica (eles nada tinham a dizer, a não ser tentar cada vez mais ficarem parecidos com seus próprios filhos como fossem eternos jovens adultos).
Seus pais foram egressos da chamada Geração X - geração que cresceu após a Segunda Guerra Mundial nas décadas de 1950 e 1960. Uma geração marcada pela permissividade do “tudo é possível” após a explosão da cultura jovem e pop da década de 1960 combinado com a pílula anticoncepcional e a chamada “Revolução Sexual”.
Ao mesmo tempo, essa geração também foi marcada pela incerteza, ausência de identidade, um mal estar mal definido pela insegurança em relação ao futuro – um mal estar seja causado pela ameaça de uma hecatombe nuclear como provável final da Guerra Fria ou, no caso do Brasil, pela crise econômica crônica e a hiperinflação que estimulavam as pessoas a pensarem apenas no presente – uma sensação de contínua liquidação: aproveite antes que tudo se acabe!
Incerteza e hedonismo criaram as bases culturais de um individualismo sobrevivencialista que caracterizou a Geração X. E também criou pais culpados por não terem dado a atenção devida aos seus filhos – cercaram seus filhos de excessos de indulgência e tolerância como formas compensatórias para, através do consumo, reparar uma suposta culpa: dar aos filhos tudo aquilo que a TV anunciava para que seus filhos aparentassem serem vitoriosos e felizes, assim como os modelos televisivos.
Agências de publicidade e de pesquisas logo descobriram esse traço indelével dessa geração nos anos 80 e 90 e carregaram as tintas numa linguagem publicitária erótica e fálica para as crianças, sabendo que seus pais tentariam de alguma forma compensar seu profundo sentimento de culpa.
Meninas se espelhando nos trajes sumários da apresentadora Xuxa e suas paquitas ou bandas que simulavam serem minis “É o Tchan” como o grupo infantil “Molekada” foram a face mais visível e trash desse período.
O nascimento do politicamente correto

Enquanto crescia, a Geração Y viu crescer a onda do politicamente correto que passou a execrar tudo aquilo que marcou a sua infância. Bem menos do que uma conspiração censora das esquerdas como muitos intelectuais conservadores acusam, o politicamente correto cresceu paralelo à expansão globalizante dos mercados de consumo. O multiculturalismo e o marketing globalizado trouxeram a necessidade de uma espécie de ressemantização das criações publicitárias e conteúdos audiovisuais. Dessa maneira, evitam-se choques culturais ou conflitos com grupos étnicos, sexuais ou ideológicos.
O clássico exemplo foi a versão politicamente correta do cowboy da Marlboro: de laçador de cavalos selvagens das campanhas de décadas passadas passou a observá-los correndo livres ao por do Sol, numa versão ecologicamente correta.
             Ecologistas, feministas, ativistas LGBT, cicloativistas, defensores dos animais, vegans, etc., em sua maioria líderes de opinião da Geração Y, renegaram suas infâncias incorretas para criar um novo código ético e moral revisionista que começa a não poupar nem a própria História – caçam-se escritores e obras como, por exemplo, o Sitio do Pica-Pau Amarelo de Monteiro Lobato redescoberto como uma narrativa suspeita de conter personagens e situações racistas.
Sítio do Pica-Pau Amarelo: racista?
Repentinamente, Monteiro Lobato passou a ser suspeito de ser uma influência perniciosa para crianças em idade escolar. Algo tão ameaçador quanto o fantasma da erotização infantil representados por Xuxa e “É o Tchan”.
Dessa maneira, a Geração Y começa a flertar com o neoconservadorismo. Poderíamos especular que essa postura revisionista e radical seria uma reação à atmosfera do “pode tudo” dos anos 80 e 90 alimentado por uma indústria publicitária cujos profissionais eram de uma Geração X muito mais permissiva.
Geração Y neoconservadora

Em 2009 a empresa Bridge Research realizou um extenso estudo sobre o perfil da Geração Y brasileira. A pesquisa mostrou um forte traço individualista: a Política, Drogas ou Pena de Morte são defendidas ou atacadas muito mais por uma postura individualista do que em relação a uma questão pública ou social – sobre a pesquisa clique aqui.
Danilo Gentili: o politicamente incorreto revivido como farsa
             Na questão da Pena de Morte, por exemplo, demonstra como uma geração fruto das maiores liberdades e do maior fluxo de consumo da História se tornou radicalmente contra qualquer coisa que atrapalhe esses valores; sobretudo se for violência ou segurança pública.
Os entrevistados acreditam que a Pena de Morte poderia ser eficaz na solução para os altos índices de criminalidade nas capitais brasileiras. Isso demonstra estarem muito menos preocupados com as origens sociais do problema do que com uma suposta solução de um ponto de vista do pragmatismo individual.
                Mas a Geração Y parece sentir o mal estar de todo esse revisionismo e ressemantização cultural: afinal, tanto nos anos 80 e 90 quanto no século XXI as tendência corretas ou incorretas da cultura continuam sendo ditadas pela indústria publicitária e do entretenimento, como vimos acima.
De volta ao politicamente incorreto?

Paradoxalmente, na tentativa de fugir dessa atmosfera moralizante parte da Geração Y se apega ao politicamente incorreto, mas não mais vivido como farsa como no passado, mas agora de forma trágica.
É o caso de humoristas stand up como Danilo Gentili ou Rafinha Bastos – através de poses de rebeldes que se insurgem contra uma suposta onda de censura de Esquerda, cometem piadas grosseiras que se transformam embullying contra minorias, etnias, grupos socialmente inferiores e ridicularização de indivíduos fragilizados.
                Esses típicos líderes de opinião da Geração Y acabam se tornando presas fáceis do moinho da política atual pelo seu individualismo e analfabetismo político: serão moídos pela pedra do moinho até serem reduzidos ao bagaço e descartados... ou reciclados, como reza a cartilha do politicamente correto.
http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/05/dez-evidencias-de-que-o-politicamente.html

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A alienação Social




Alienação é o fenômeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a esta criatura como se ela existisse por si mesma e em si mesma, deixam-se governar por ela como se ela tivesse poder em si e por si mesma, não se reconhecem na obra que criaram, fazendo-a em ser outro, separado dos homens, superior a eles e com poder sobre eles.

Na alienação social, os seres humanos não se reconhecem como produtores de instituições sociopolíticas (como, por exemplo, o Estado, a família, o casamento, a propriedade, o mercado, etc.) e oscilam entre duas atitudes: ou aceitam passivamente tudo que existe, por ser tido como natural, divino ou racional, ou se rebelam individualmente, julgando que, por sua própria vontade e inteligência, pode mais do que a realidade que os condiciona. Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus), algo externo a nós, separado de nós e com poder total ou nenhum poder sobre nós.

A alienação social se exprime numa "teoria" do conhecimento espontânea, formando o senso comum da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.

Um exemplo desse senso comum aparece no caso da "explicação" da pobreza, em que o pobre é pobre por sua própria culpa (preguiça, ignorância) ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade – sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante da sua sociedade.

Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais – a dominante e a dirigente – tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.

A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da idéia de "humanidade", ou da idéia de "nação" e "pátria", ou da idéia de "raça", etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social de classes, mas por diferenças individuais de talentos e de capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.

A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as idéias.

(Marilena Chaui cita em seu livro O que é Ideologia)


Fonte: Blog Convictos ou alienados?

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MANTRA POLÍTICO



Você chega em casa a ponto de desmaiar
Toma um banho e põe o pijama
Come alguma coisa, senta no sofá
E busca na TV algum programa
Não importa qual seja o canal
O noticiário é sempre igual
E você acha tudo muito chato
Percebe que todos os âncoras 
Ficam repetindo o mesmo mantra:
Lava-jato, lava-jato, lava-jato.

Do aécioporto falam só um pouquinho
Da lista de Furnas nem com reza brava
E pelo risco de envolver os Marinho
Da operação Zelotes não falam nada
Para eles não existe Trensalão
E a lista do HSBC não
Deve sair da gaveta 
E sobre o helicóptero de coca
Dizem que tudo foi obra 
De seres de outro planeta.

Então você diz: Eles devem pensar 
Que eu sou um tremendo bobão
Porque tentam me fazer acreditar 
Que só no PT tem ladrão!
E no transcorrer dos telejornais
Eles seguem encobrindo os monumentais
Roubos que envolvem o PSDB
Aí você por não ser marionete
Vai navegar na internet
E finalmente desliga a TV.

http://diogenesbrandao.blogspot.com.br/2015/04/mantra-politico.html

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Em dezembro...




Chegou o mês em que eu lembro que ainda tem gente que passa fome neste País. Uma nuvem sentimental acolhe o Brasil. O que a gente deveria fazer todo ano só agora a Globo lembra: todo dia vai ter reportagens de gentes ganhando cesta básica. Muita saúde e paz (e muito dinheiro), muita saúde e paz (e bastante dinheiro), muita saúde e paz (e não se esqueça do dinheiro).
Aproveite, não perca tempo: toda a cachaça do mundo vai acabar este mês. Por isso que a gente bebe até morrer, e se não morrer bebendo, a gente se rasga em um acidente e vai parar nas estatísticas de fim de ano.
A cidade se enfeita e os caminhões mais altos batem nas lâmpadas de natal da prefeitura. Loucura nas lojas, afinal, é o fim do mundo. A cidade torra a 40° C, mas na tv cai neve no comercial. Todo mundo põe gorro vermelho, até nos supermercados as atendentes tem que cair no ridículo de trabalhar o tempo todo com aquilo na cabeça.
Ah!, as festas de fim de ano... No serviço, o chefe que te humilhou, que te zombou, que gritou contigo o ano todo, agora ele te dá tapinha nas costas e te deseja feliz natal, feliz ano novo, e que você continue o mesmo babaca. Bem que a gente podia mudar o amigo secreto para o “vai-para-o-inferno-secreto”.
Nem precisa mais ligar a tv: tem o especial do neanderthal Roberto Carlos, as finais do Brasileirão, a retrospectiva das tragédias do ano, e os filmes que a Globo anunciou o ano todo não vão passar... Os comerciais da Coca-cola com ursos comendo o papai noel, as reprises dos programas, a Missa do Galo. As enxurradas, famílias desabrigadas.
Em cada esquina tem out-door de político te dando votos de felicidade, os pedindo de volta nas urnas. Neste mês tem estreia de filme da Xuxa, pra poluir a cabeça das crianças nas férias. Tem lançamento de vários modelos de celular. São doze vezes sem juros, para que quando termine de pagar já ter outro te esperando na promoção do ano que vem. É a corrida de São Silvestre às compras.
Tem as previsões. Poderá acontecer um acidente com fulano. Saúde e muito dinheiro pra quem tem a Marte como ascendente. O time do sul vai ser campeão. O último das pesquisas será o eleito. A sorte é que a gente esquece rápido.
A criançada fica maluca! A propaganda subliminar as corroi até o fígado. Os pais enlouquecem depois – com as contas, e com os materiais escolares. É tempo de sonhar um pouco. De chorar também. Mais um ano sem pagar aquela conta. A rodoviária tá lotada, mas dessa vez não deu pra visitar meus pais, no ano que vem eu faço um esforço. Mês que vem tem IPTU, será se dessa vez eu pago?
Agora eu acho que dá pra comprar aquela televisão. Um monte de promoção, vou preencher tudo quanto é cupom que ver pela frente. Sorteios. E a viagem que prometo pra família há anos... Os fogos do Rio de Janeiro – que verei pela tv...
Panetone, nozes, ameixas, uvas, aquele monte de coisas que a gente compra depois do natal – mais barato. Só o churrascão brabo mesmo. E os espumantes de três reais. A gente se reúne não sabe pra quê, não tem muito que comemorar, foi um ano difícil, sofrido, mas tô vivo, vem outro ano aí, e agora?, será se dá pra segurar? Medos, esperanças... Enquanto isso, no lixão, o anônimo faz sopa de papelão. É assim: ele pega os papelões que ficaram em contato com comida, óleo, caldos. Fica o cheirinho de comida lá. Ele cozinha o papelão e toma a soma de cheiro.
E a nossa comilança do natal, a azia. Será se a minha tinha querida que arrumou um bico de vendedora este mês vai chegar a tempo pra festa?, ou vão sugá-la até o último minuto??!
As árvores são fáceis de achar

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Capitalismo: nossa prisão de cada dia




Será que o sorvete refresca mesmo, ou é ilusão que aquele leite estragado vai trazer frescor? (a ingestão de glicose só deixa a pessoa com mais sede ainda)
Será que a cerveja é tão gostosa quanto dizem, ou nós aguentamos aquela coisa amarga só pra estarmos reunidos com a galera e ficarmos ligadões?
Será que se apreciarmos a cverveja com moderação, veremos aquele monte de modelo dando bola igual o comercial?...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Esperanças, utopias, ironias para o futuro da humanidade

No futuro a Coca-cola será usada somente para desentupir pias, e não mais para corroer-me o estômago. 


No futuro as pilhas que usamos durarão cerca de cem anos, pois os fabricantes terão bom senso diante dos de hoje, que fazem estas programadas para durar cerca de 4 horas, para comprarmos sempre.....

No futuro os carros não terão essa ‘lataria de plástico’, que se rasgam e matam-nos, mas algo que proteja e que dê segurança a quem dirige, e não só ao bolso de quem fabrica.

No futuro o meu celular vai funcionar. E a operadora não vai me cobrar a cada 30 dias, mas quando conseguir prestar 30 dias de serviço. As operadoras e os fabricantes de celulares não serão mais cúmplices de ladrões, pois não permitirão as reabilitações dos aparelhos.

No futuro os medicamentos terão mais efeitos benéficos que colaterais. Perceberemos que os efeitos que o álcool e alguns remédios produzem não diferem muito dos de algumas substâncias consideradas ilícitas. E a indústria farmacêutica vai voltar a produzir medicamentos para combater doenças existentes nos países pobres.

No futuro nós vamos perceber que a Globo e a Veja só querem que sejamos cada vez mais burros, e nada mais que isso. E que o Big Brother Brasil e o Domingão do Faustão são as coisas mais sem pé nem cabeça que poderia surgir na tv [não acredite nisso não, você não sabe o que ainda pode vir por aí...). No futuro a grande mídia não será tão mentirosa e maquiadora. E a televisão que tem garantia até a próxima copa não vai estragar depois da final.

No futuro aprenderemos a relativizar, e descobriremos que a palavra cultura não é sinônimo de conhecimento. E os religiosos, mesmo os que não possuem religiosidade, perceberão que o que salva não é um livro, dízimo ou crença, mas a pura e simples prática do bem.

No futuro os políticos lembrarão que foi o povo que os elegeram, e começarão a legislar para e por toda a nação, e não somente de acordo com os interesses próprios e de seus partidos.

No futuro a Amazônia poderá ser vista por todos – através de fotografias. E a Monsanto deterá o monopólio da semente da soja.

No futuro lembraremos que nas comunidades indígenas ninguém passava fome, não havia desigualdades sociais, e havia um grande respeito entre eles e com a natureza.

No futuro o governo dos EUA vai perceber que é necessário primeiro resolver o problema na própria casa, e não querer agir antes como polícia do mundo ou colonizadores da Lua ou de Marte.

No futuro, grosseria deixará de ser sinônimo de personalidade forte.

No futuro os deuses do futebol vão perceber que não é possível um futebol tão corrupto como o brasileiro ser tantas vezes campeão.
As árvores são fáceis de achar

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A insensibilidade do Capitalismo

Donna Simpson, americana que é paga para comer até morrer

Estava eu perambulando pela internet quando me deparo com a notícia:
Crianças e adultos subnutridos estão morrendo enquanto caminham para campos de refugiados e R$ 2,1 bilhões (US$ 1,4 bilhão) são necessários para conter a fome que está fora do controle, afirma Valeria Amos, secretária-geral de crise humanitária da ONU. Em torno de 12,4 milhões de pessoas em Quênia, Etiópia, Somália e Djibuti necessitam de ajuda e a situação está piorando.”
Muito triste, realmente. Todos sabem das dificuldades na África, mas também temos a noção de que perto de nossas casas há situações não muito mais confortáveis. Alguns dias depois, leio outra notícia:

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Jornal Nacional noticia corrupção em governo tucano de SP, mas não como manchete principal

Há várias técnicas de apresentação de notícias no telejornalismo brasileiro. O padrão global subimperial disseminado pela deusa platinada em geral é copiado pelas emissoras concorrentes, que variam poucos aspectos. Hoje os telejornais possuem mulheres apresentadoras, a fim de chamar a atenção do público feminino, há a alternância de notícias "boas" e "ruins" para manter o telespectador anestesiado (mas a última notícia é sempre "boa"), as perguntas dos jornalistas hoje em dia são cortadas, monstrando apenas as respostas dos entrevistados - o que pode gerar dúvida e má interpretação ou comprovar a mediocridade de alguns perguntadores. Para atestar alguma veracidade, as "opiniões especializadas" sobre assuntos "científicos" religiosamente são respondidas por uma única instituição: a USP - os doutores de lá resolvem qualquer despacho. Alguns jornais apenas objetivam noticiar sobre prendas domésticas - falar de asfalto, água, energia, ninho de passarinho, turismo, vida de celebridade, futebol.


Editores dão sempre no 1º bloco as notícias mais importantes do dia (antes que um concorrente faça), e as exclusivas ou "atraentes" ficam para o final. Contudo, mesmo que seja no 1º bloco, as últimas notícias não são vistas quanto as primeiras - às vezes quem assiste começa a comentar, ou se "cansa" do bloco. No Jornal Nacional de ontem, 21 de junho, a sequência foi a seguinte:
-- Mudanças nos planos de saúde;
-- Novo teste para diagnóstico de Aids/HIV;
-- Novo tratamento de combate ao câncer (qualquer semelhança com a revista Veja é mera coincidência); e
-- por fim, a reportagem sobre o escândalo de corrupção no governo tucano de São Paulo.
As árvores são fáceis de achar

sábado, 5 de março de 2011

E Marx tinha razão



Nos corredores universitários podemos encontrar dois tipos de "comentadores de Marx": aqueles que afirmam sarcástica e enfaticamente que, com o fim da 1ª Guerra Fria (visto que a 2ª teve início em 11 de setembro de 2001), o Marxismo ex-URSS acabaram. Os outros, que se consideram marxistas de carteirinha, discípulos da filosófa marxiana Marilena Chauí, aqueles que apenas leram "O Manifesto Comunista" e acham que dominam toda a filosofia marxista, dizem que tudo o que acontece no mundo é por interesse econômico: as guerras, os casamentos, as composições musicais e até mesmo uma conversa aleatória. Os primeiros erram pois a teoria de Marx pode ser plenamente aplicada nos dias de hoje neste mundo globalitário, como afirmava o eminente geógrafo Milton Santos.