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sábado, 28 de setembro de 2013

O “mensalão” e a disputa política: rendez-vous da mídia

A repercussão da decisão do Superior Tribunal Federal (STF) por um novo julgamento de alguns envolvidos na Ação Penal 470, apelidada pela mídia de “mensalão”, mostra o afloramento de contradições profundas no Brasil. E elas se manifestam, nas condições atuais do país, principalmente na disputa eleitoral, que tende a ter desdobramentos cada vez mais dramáticos. Esse cenário vem sendo revelado nitidamente pelo comportamento histriônico da mídia.


O famoso orador Marco Túlio Cícero dizia que Roma era um assunto sobre o qual não se devia pedir nem receber informações, a fim de evitar aborrecimentos. Recordo a citação para dizer que a mídia no Brasil se comporta como Roma ao ignorar a sabedoria humana e conferir a si própria o título e as credenciais de senhora do bem e do mal, do que convém ou não ao país. Os adjetivos peremptórios — quadrilha, crimes, corruptos e outros do gênero — usados como indisfarçável despeito pela decisão do Superior Tribunal Federal (STF) sobre o julgamento da farsa do “mensalão” são provas mais do que suficientes de que os senhores dos latifúndios midiáticos não se ajustam às medidas do Estado de Direito.

Ao se comportar assim, a mídia age como uma espécie de Ku-Kux-Klan da falsa moralidade. Às vezes fazem isso até em nome das religiões, que do alto dos seus milênios de existência não lhes deram procuração para tanto. Peguemos o exemplo do elogio do jornal Folha de S. Paulo a uma afirmação do ministro Gilmar Mendes. “Eu sempre digo o seguinte: a gente tem que rezar para não perder o senso de Justiça. Mas se Deus não nos ajuda, pelo menos que rezemos para que não percamos o senso do ridículo", disse Mendes.

Fator humano

A marca da mídia à brasileira é exatamente a ojeriza ao pensamento avançado, humanista. A cada dia ela nos apresenta exemplos dos mais edificantes. E sempre há uma teoria. Mas são teorias do que seria-se-fosse, baseadas em características e fenômenos de um país que eles imaginam, muito diverso do país real. Equacionar, operar, extirpar e outros vocábulos os embalam em seus cálculos frios.

Os números aparecem em esquemas e equações que não partem de realidades. São fantasias e fantasmagorias que não se destinam a descobrir, orientar, provar, mas... Se destinam a que precisamente? A sofismar, a mistificar e mitificar, a ludibriar. Qualquer que seja o problema, por mais complexo e multiforme, não lhes faltam engenho e arte para transformá-lo em gráficos e diagramas para dar-lhe denominação própria e original. Mas não lhe dão especificidade, ou não querem lembrar que informar e analisar requer arte e ciência, essencialmente ligadas ao homem. Nenhum resultado se pode esperar de informações e análises que eliminam o fator humano.

Delírio teorizante

Nessa pregação pela moralidade, o delírio teorizante atinge o auge. Como a presunção é o traço mais evidente dos responsáveis por essas informações e análises, eles insistem no diagramar, no cronogramar, no organogramar, no topogramar para ver se com o inusitado da linguagem obtêm crédito. Pensam que podem vencer pelo choque, pelo cansaço do prolixo. Pode-se dizer que é uma mídia nominalista. Se a realidade — onde coisas e fenômenos estão há muito nominados — não corresponde às análises, muda-se o nome das coisas e fenômenos.

Pois saibam os que não sabiam que esse gosto pelo nome dos que se presumem detentores da verdade chega até à limitação da liberdade de opinião. São eles que mandam e acabou a história. De propósito, esses senhores de sua semântica esvaziam o conteúdo das informações para pôr no lugar frases retorcidas. E como eles inventam nomes com facilidade, suas explicações se encaixam naquele tipo de resposta que se dá às crianças de certa idade que não perguntam para saber, mas pelo perguntar.

Mal de nascença

Essa dissemântica é velha, mal de nascença. Entre seus princípios está a pregação contra a corrupção. Hoje, sabe-se muito bem, a corrupção tem um limite semântico — o tal “mensalão” — só compreendido por aqueles que o inventaram. Mas para a propaganda contra o governo e a esquerda o nome não poderia ser melhor. É só isso. Porque se fosse mesmo corrupção nas dimensões anunciadas, no conceito da língua portuguesa, já teríamos tido exposições monumentais em praça pública de ladrões cercados de cartazes especificando os crimes de cada um.

O que há em tudo isso é o estardalhaço natural de quem falsifica os fatos — principalmente quando lhe faltam glórias próprias. Muitas vezes essas falsificações são imposições a jornalistas, massacrados pela ditadura dos donos do poder, que sequer têm tempo de estudar as leis e meditar sobre os problemas nacionais, de auscultar o coração do povo, de ler e entender os processos sociais. Muitos nem foram formados neste espírito e, em terra de batráquio, precisam se agachar para não ser atingido pela língua do sapo.

Ruy Barbosa e Padre Vieira

Quem vive sob a égide do Estado de Direito tem a proteção da Constituição e de outras cartas. E Ruy Barbosa deixou escrito que a Constituição não é roupa que se recorte para ajustá-la às medidas deste ou daquele interesse. Poderíamos, nesse vazio de inteligência da mídia, nos consolar com as palavras do Padre Vieira, no “Sermão da Sexagésima”, onde se vê a causa dessa pregação recheada de ameaças ou promessas, uma discurseira que põe palavras onde faltam idéias. Lá se diz: “As razões não hão de ser enxertadas, hão de ser nascidas. O pregar não é recitar. As razões próprias nascem do entendimento, as alheias vão pegadas à memória, e os homens não se convencem pela memória, senão pelo entendimento. (...) O que sai da boca, para nos ouvidos, o que nasce do juízo, penetra e convence o entendimento.”

Mas é necessário que a bandeira da verdade nunca seja arriada. Apesar de a maioria das acusações, convenientemente, já estar sepultada em cova rasa — sem nenhuma investigação a mais, sem nenhuma satisfação ao público, sem nenhuma retratação —, a dissemântica continua ativa. Desde o princípio, as denúncias — sustentadas em fontes que se revelariam frágeis como a convicção de um cínico — esbarram em uma questão de lógica básica. Um mergulho nas páginas publicadas sobre o caso revela muito sobre a maneira como são produzidos — e depois manipulados — os escândalos.

Latifúndios de mídia

Em uma carta aos seus alunos — indevidamente publicada pelo jornal Folha de S. Paulo —, a filósofa Marilena Chaui disse que com esta imprensa estamos diante de um campo público de direitos regido por campos de interesses privados. "E estes sempre ganham a parada", afirma ela. No caso da farsa do “mensalão”, a mídia apressou-se em publicar frases bombasticamente vazias, como uma do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Segundo ele, os papéis que seriam aprendidos pela CPI dos Correios seriam capazes de "abalar os pilares da nação". Depois, quando a realidade se mostrou bem menos formidável, Álvaro Dias teve de baixar o tom: "Eu queria que a coisa fosse bem maior, mas não é".

Esse fato deveria ser objeto de demorado estudo por parte dos editores de publicações de qualquer natureza. Mas não é assim. Cláudio Abramo, conceituado jornalista com ideias situadas à esquerda no espectro político e respeitável ícone do jornalismo brasileiro — ele conheceu as entranhas de jornais como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo —, dizia que para ter democracia no Brasil é preciso começar fechando todas as TVs particulares. Esses latifúndios de mídia, dizia ele, são as primeiras trincheiras usadas pelas classes dominantes em casos de crises políticas. Ele não fez uma tirada inconsequente — apenas disse o que acontece. Não porque achava, mas porque sabia.

Propaganda ideológica

O tom da pregação moralista revela também que as relações entre o governo da presidenta Dilma Rousseff e a mídia estão em seu pior momento. Blogs, colunas, editoriais e peças pretensamente humoristas propagam uma onda conservadora que chama a atenção e faz pensar. Antes, havia a histeria da denunciamania que cavalgava o “mensalão”; agora, assume a pauta a propaganda ideológica fundada no rancor político, no ódio de classes e no reacionarismo.

Os mandantes da mídia sequer são capazes de admitir a ideia de que as pessoas que não seguem seu figurino ideológico não são necessariamente “petistas”. Basta ser democrata e progressista para ser enquadrado nesta categoria. O epíteto passou a ser sinônimo de xingamento. O ser “petista” é alguém que não pensa, que está na contramão dos fatos. A explicação mais plausível para isso é a aproximação das eleições de 2014.

Oportunidade perdida

Na verdade, a direita, com essa farsa, atrapalhou uma excelente oportunidade para a apuração rigorosa das origens do escândalo. Durante a CPI dos Correios, a então ministra do STF Ellen Gracie proibiu o acesso dos parlamentares ao conteúdo da principal peça do computador do banqueiro Daniel Dantas sob a alegação de que o requerimento do então deputado Jamil Murad (PCdoB-SP) precisava ser melhor fundamentado. Suspeitava-se que ali estaria os detalhes de um fundo, sediado nas Ilhas Cayman, que aplicava dinheiro de doleiros acusados de operar no esquema de Dantas.

Vale rememorar o despacho da juíza: ''As transações das empresas de publicidade DNA e SMP&B não se deram com o Banco Opportunity, mas com algumas das controladas pelo chamado Grupo Opportunity (dirigido por Dantas). Todas essas empresas (Brasil Telecom, Telemig e Amazônia Celular) têm personalidade jurídica própria, inconfundível com a de sua entidade controladora, muito embora os nomes em suas diretorias se repitam com freqüência e sejam ligados por laços de parentesco ou afinidade ao primeiro impetrante (Dantas)''.

Prócer tucano

Em depoimento à CPI, tanto Marcos Valério quanto o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares, confessaram encontros com representantes do Opportunity. O objetivo seria ''aparar as arestas'' do banqueiro com o governo. O motivo real era o esquema de irrigação subterrânea de campanhas eleitorais arquitetado pelos tucanos. Na Procuradoria-Geral da República, Delúbio Soares disse que foi apresentado ao publicitário por ''amigos de Minas'' — incluindo o então deputado federal Virgílio Guimarães (PT). Eles teriam lhe orientado a procurar Marcos Valério por causa da sua ''experiência na captação de recursos para campanhas eleitorais, como fizera na de 1998, na eleição do então governador Eduardo Azeredo e do deputado Aécio Neves (ambos do PSDB)''.

Diante dos fatos, o PSDB mineiro lançou nota denunciando a existência de uma ''articulação nacional'' (não deu detalhes sobre a conspiração) e criticou o “clima de denuncismo”. Ao tomar conhecimento da profundidade do buraco, o principal prócer tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), se saiu com essa: ''Precisamos investigar tudo, mas sem perder o foco de que a crise é hoje. O que aconteceu no passado, no meu governo, é coisa da história.'' Bem, uma das características mais marcantes do ex-presidente neoliberal é a sua capacidade de dizer bobagens. Mas os que pregam em nome da justiça não poderiam ignorar estes fatos se quisessem realmente provar a existência do “mensalão”.

Corvo de Allan Poe

Há informações de que o esquema do PSDB existe desde o início dos anos 1990 e tem outras ramificações. Entre janeiro e maio de 2004, por exemplo, a agência do Banco Rural em Brasília fez pagamentos em espécie no total de 7,9 milhões de reais ao Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade em Transporte, órgão vinculado à Confederação Nacional dos Transportes (CNT), presidida por Clésio Andrade — que foi vice-governador de Aécio Neves em Minas Gerais. O dinheiro seria usado em campanhas para prefeitos e vereadores mineiros. Detalhe: Andrade foi sócio de Marcos Valério na SMPB e na DNA.

Seria o caso de ir mais fundo e analisar os escândalos que proliferaram na ''era FHC'', um se sobrepondo ao outro. Compra de votos da reeleição, “caixa dois” da campanha presidencial, fitas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)... Era como se a realidade desejasse impor uma máxima inversa à do corvo de Allan Poe: ''Sempre mais''. Poderia ainda verificar as acusações contra Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e apontado como um dos arrecadadores de recursos para campanhas eleitorais do PSDB — que foi flagrado dizendo que atuava no ''limite da irresponsabilidade'' no processo de privatização do sistema Telebrás.

Julgamento parcial

O grampo do BNDES talvez seja o exemplo mais evidente para se estabelecer a conexão de todos esses escândalos tucanos com o ''mensalão''. O caso, que trouxe ao nível da superfície o palavrório utilizado nos subterrâneos da privatização das telefônicas, pode explicar muita coisa. Soube-se que ''o maior negócio da República'', tramado por Luiz Carlos Mendonça de Barros — então do Ministério das Comunicações — e André Lara Resende — então na presidência do BNDES —, fora trançado numa atmosfera de alto risco (''no limite da irresponsabilidade''), em meio a um linguajar raso (''se der m..., estamos juntos'') e com pitadas de truculência (''temos de fazer os italianos na marra'').  Soube-se ainda que FHC, quando consultado sobre as “vantagens” da negociata destinada a favorecer o Opportunity, assentiu dizendo: ''Não tenha dúvida, não tenha dúvida.'' Mas, como se diz, a Justiça é ágil em certos casos e cágada — a sílaba tônica fica a seu critério — em outros.

A cobertura do julgamento parcial — nos dois sentidos do termo — do “mensalão”, no entanto, oferece mais uma oportunidade para se entender o que isso tudo quer dizer na prática. Não há dúvida de que a mídia agora volta a tentar pôr a faca no pescoço da presidenta Dilma Rousseff e conduzi-la imobilizada ao matadouro. É uma tentativa de fazer uma ponte com outros casos e criar o chamado efeito dominó. Tradução simples e direita: para desgosto dos amantes da tranquilidade, a disputa pelo poder no Brasil volta a ter intensidade crescente. O responsável por esta situação é o leve balanço na estrutura social brasileira provocado pelas ações sociais dos governos Lula e Dilma.

Realidade complexa

Vivemos numa realidade tão complexa que a construção de uma simples rede de esgoto em alguma periferia ou de uma estrada asfaltada que rasga os sertões rompe ao mesmo tempo o véu das relações sociais obsoletas que temos no Brasil. E olha que são medidas meia-sola, que nem de longe ameaçam o satus quo. Com estes dados, fica fácil entender por que o vazio de propostas da direita é preenchido com adjetivos. No primeiro julgamento do "mensalão", o que mais se ouviu ou leu é que o STF tomou uma decisão histórica — com ênfase no “tó” — e que a transformação dos denunciados em réus — com ênfase no “ré” — mostrou que as “instituições” funcionavam. Agora, a retórica midiática se inverteu.

Convenhamos, não se faz justiça assim. O problema não está aí. Se estivesse, deveríamos proclamar: deixem os poderes da República trabalhar e noticiemos o que eles fazem! Os procuradores de escândalos e os promotores de injustiças não teriam vez. E aí sim teríamos toda razão do mundo para clamar por justiça para todos — independente da cor ideológica de cada um.

Rosca sem fim

Quando o assunto é tratado sem as bravatas e foguetórios da mídia, e sem o histrionismo dos grupos “esquerdistas” — uma poderosa arma da direita —, o que se vê é um panorama bem diferente. A briga real, com fichas de verdade na mesa, está no confronto entre um Brasil arcaico, que faz tudo para sobreviver, e um Brasil moderno, que está tentando começar. As calamidades que a elite brasileira foi capaz de produzir ao longo da história e parece decidida a continuar produzindo, numa espécie de rosca sem fim, ilustram essa situação de modo exemplar. É uma situação que pode ser descrita como o retrato da morte moral de uma ideologia que vive na delinquência e se agarra a todas as formas de poder para continuar a delinquir em larga escala.

Todas essas coisas compõem o enredo da ópera, mas o seu melhor resumo não é o tamanho da vigarice, e sim a sua natureza: ela expressa, mais do que um espetáculo de má conduta, o funcionamento a todo o vapor do país do atraso. O Brasil que vive do passado vai muito além da mídia — inclui forças políticas e práticas elitistas que sempre estiveram presentes em toda a nossa história. Na verdade, essa opção preferencial pelo arcaísmo, pela imobilidade social e pelo que não funciona é simplesmente o que se poderia mesmo esperar de um setor da sociedade que carrega usos e costumes que chegaram com a turma que desembarcou por aqui junto com Pedro Álvares Cabral.

Sentimento patriótico

Conferir credibilidade ao seu projeto equivale a fundar, hoje, um partido a favor do colonialismo. Não é com o governo que a direita realmente está em guerra. O seu problema é com o Brasil que não quer mais ser o mesmo. Ela guerreia com este Brasil em transformação pelo menos desde o início da década de 1940 do século XX. O problema é que de 1950 para cá a direita tem obtido poucas vitórias. De meados dos anos 1950 em diante, as forças populares deixaram de ser marginais para tornarem-se capazes de influir no grande jogo político do país.

Um exemplo disso foi a atitude de Juscelino Kubitschek que, em sua campanha eleitoral para a Presidência da República, conforme ele mesmo disse, foi forçado a reformular a sua proposta de governo sobre o petróleo por conta do sentimento patriótico entre o povo desenvolvido pelas forças progressistas. Fatos como este se repetiram nos governos Jânio Quadros e João Goulart, e refletiam o crescimento das correntes políticas populares. A eleição de Miguel Arraes para governador do Estado de Pernambuco marcou a entrada em cena, naquela conjuntura, de uma tendência política desvinculada dos esquemas tradicionais.

Ações golpistas

Foi o suficiente para alarmar as forças conservadoras, atiçando o seu instinto de sobrevivência. A vida política do país foi se conturbando com o aprofundamento do choque entre os dois campos. E a UDN — o PSDB da época —, com suas faces gráfica, fardada e política, que havia sido batida com a renúncia de Jânio Quadros, partiu para a pregação golpista sem meias palavras. A situação se complicou quando surgiu a questão da sucessão presidencial, que deveria se dar em 1965.

O campo progressista discutia os nomes do próprio Juscelino Kubitschek, de Miguel Arraes, do ex-governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e até a saída extraconstitucional da reeleição de Goulart para enfrentar Carlos Lacerda, do campo conservador. Quando o campo progressista tentou articular uma “frente ampla” sem Juscelino Kubitschek para sustentar o governo e fazer a sucessão presidencial, a direita já havia estruturado um engenhoso sistema de obtenção de fundos (sacados principalmente das grandes empresas estrangeiras) para financiar as ações golpistas.

Cegueira política

Nas vésperas do golpe militar de 1º de abril de 1964, as bases políticas do campo progressista estavam bastante enfraquecidas. Era o resultado das eleições de outubro de 1962, quando a direita ganhou o controle dos principais Estados (com a exceção de Pernambuco). Contribuíram também para o enfraquecimento do campo popular os equívocos das forças progressistas que, aberta ou veladamente, compreendiam ser sua principal tarefa a criação de dificuldades ao governo — na vã ilusão de que com isso era possível avançar muito mais.

A cegueira política impediu que todos os esforços se voltassem para o combate ao inimigo, que preparava febrilmente o golpe de Estado. Quando os militares que expressavam a ideologia da UDN marcharam rumo ao Palácio do Planalto, o povo estava desarmado politicamente para enfrentar os golpistas. As forças populares se viram diante de um fato que não estava previsto em seus cálculos, ficando hemiplégicas diante dos acontecimentos. A tática das correntes progressistas estava apoiada numa base falsa: a de que não havia uma correlação de forças favorável ao golpe.

Ares de dramaticidade

Era uma visão decorrente da vitória do povo quando João Goulart tomou posse, enfrentando os militares da UDN, após a renúncia de Jânio Quadros. Aquela derrota dos golpistas foi tomada como algo definitivo, como demonstrativo de uma mudança de qualidade na vida política brasileira. As forças progressistas não viram que aquela vitória ocorreu por razões e fatores de ordem conjunturais, que poucos meses depois desapareceriam. Desorientadas pelo êxito obtido, não traçaram uma tática com bases nos fatos e na realidade nacional.

Seria interessante que certas figuras do campo de apoio ao governo revisitassem este cenário para, quem sabe, compreender melhor o que se passa com o país atualmente. As forças progressistas derrotadas em 1964 foram vitoriosas em 2002, em 2006 e em 2010 porque enfrentaram a ditadura militar, travaram uma dura disputa com a direita na Assembléia Nacional Constituinte de 1988 e nas eleições presidenciais de 1989, e resistiram ao projeto neoliberal. Os elementos desta trajetória estão presentes na atual disputa política que ganha cada vez mais ares de dramaticidade. Não enxergar isso é miopia política de oito graus.

Osvaldo Bertolino
No Fundação Maurício Grabois

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A vulnerabilidade da Urna Eletrônica

Se você quer acompanhar veja, (aqui e aqui), e está interessado no assunto sobre a vulnerabilidade da Urna Eletrônica, veja a seguir o teste realizado no Paraguai com a urna eletrônica brasileira.

O assunto é sério, não se pode vacilar. Vale a pena ver... principalmente se você será fiscal do partido, ou conhece algum fiscal partidário que vai trabalhar nas próximas eleições.
Especial atenção deverá ser dada também na hora da digitação do seu voto. Fique atento para a tela e veja se não aparece rapidamente o número e foto de um outro candidato, para depois a tela voltar ao normal. Caso isso acontença, não tenha receio de interromper o processo de votação e pedir ao presidente da seção eleitoral que chame o Juíz Eleitoral ou o Promotor Eleitoral para impugnar a urna.Não tenha receio de armar o barraco! Caso o presidente da sua seção eleitoral não tome uma atitude, chame o 190. Se necessário, vá acompanhado pela PM, ou não, à Delegacia mais próxima ou mesmo ao Fórum ou Cartório Eleitoral, e registre uma ocorrência.
Se possível, impeça que outras pessoas usem a urna eletrônica. Permaneça no local até o horário de encerramento da votação: 17 horas, se for o caso. 
Avise parentes, amigos e conhecidos sobre essa possibilidade e de que também não tenham receio de colocar a "boca no trombone". Pode dar um pouco de trabalho, mas é o preço de exercermos a cidadania.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O homossexualismo ajudará a salvar o Planeta Terra


“Os homossexuais devem ser respeitados, não só por serem seres humanos como os outros, mas por serem almas em outros corpos. O que produz conflitos interiores”.

O homossexualismo carrega na sua natureza, a essência da liberdade, que liberta a mulher da tirania do homem e vice-versa. Com cada sexo, passando a não depender tanto do outro, quando o homossexual se assume como tal.

A mulher que no Ocidente vem dando passos largos na direção da sua total emancipação em relação ao homem, em algumas sociedades primitivas, ainda é tratada como um ser de segunda categoria. A mulher se liberta plenamente da dependência do homem, isso em qualquer sociedade, quando a sua realização através do sexo, se dá com uma pessoa do mesmo sexo. Esse tipo de atitude vale para ambos os sexos.

O homem também caminha para não depender da mulher, para a sua realização no sexo. É que muitos homens estão descobrindo na relação homossexual, algo mais prazeroso e completo, porque é inegável que o homem sabe mais sobre o que é capaz de dar prazer a outro homem do que a própria mulher, que só descobre se for as zonas erógenas do ser parceiro ser for perspicaz e tiver interesse em realizá-lo na cama. Isso se aplica também as mulheres.

Mas o que é relevante mesmo na relação amorosa e sexual entre pessoas do mesmo sexo -, é o fato da relação homossexual, não contribuir para o aumento de uma população que já ultrapassou 7 bilhões de almas.

Thomazia Arouche - é antropóloga, socióloga e feminista.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Matrix da velha mídia

Quase todo mundo conhece a premiada trilogia Matrix, feita para o cinema e estrelada pelo ator Keanu Reeves, que fez grande sucesso de bilheteria, inclusive no Brasil. A ficção propunha que em um futuro próximo os seres humanos seriam utilizados como baterias para geração de energia, vivendo em cativeiro em estado de consciência vegetativo e conectados a um sistema que gerava sonhos para que elas acreditassem que realmente viviam a realidade virtual. No filme, o mocinho (Reeves) é uma espécie de “escolhido” para libertar as pessoas desse triste destino.
A realidade pode não ser exatamente igual à ficção, mas consegue ser bastante similar em alguns casos, como no caso da velha mídia no Brasil e o que passa pela cabeça de seus “formadores de opinião. Antes da internet, o monopólio da informação era algo quase intransponível, principalmente por causa de um tipo de pacto que une os principais veículos de comunicação do país e que se reflete em um tipo de solidariedade nefasta que eles mantém entre si, e que impede que um desmascare o outro quando agir desonestamente. Baseado nesse poder de escolher o que o brasileiro poderia ou não tomar conhecimento, eles viveram o auge do seu poder.
A internet mudou o esquema de distribuição da informação, e os veículos que se comportavam como atravessadores da notícia deixaram de ter o monopólio da geração de conteúdo e o poder de manipular sem correr riscos de serem desmascarados. Surpreende e muito a constatação de que mesmo se arriscando passar vergonha pública, as velhas raposas que outrora formavam opiniões, permanecem tentando criar o universo em fantasia, a despeito do interesse cada vez menor das pessoas em serem enganadas.
Um exemplo dessa insistência em tentar enganar foi o caso em que a FSP e a Globo tentaram corrigir a burrada que o Serra fez simulando ter recebido uma agressão em uma caminhada no Rio de Janeiro, inventando um objeto que teria atingido Serra e usando peritos para endossar a fraude, mas em poucas horas o vídeo estava dissecado e a farsa desmentida com provas incontestáveis. Mesmo arriscando um desgaste de grandes proporções com seus leitores e assinantes, a velha mídia seguiu bancando a versão da agressão desmascarada.
O presidente Lula termina o seu segundo mandato com recorde de aprovação, elegendo sua sucessora, com respeito e admiração de muitos chefes de estado, ou seja, com a sensação de dever comprido, mas se você ler a velha mídia vai pensar que o presidente está a beira de uma depressão e morrendo de medo de ser esquecido.
Lula e Dilma fizeram uma dupla e tanto. Juntos tocaram os principais programas do governo. Várias foram as situações em que o presidente Lula recorreu aos conselhos de Dilma, alguém brilhante como Lula sabe ouvir, principalmente as pessoas certas. Dilma já declarou dezenas de vezes que quer contar com os conselhos do presidente, e isso não tem nada de demérito para ela, pelo contrário, humildade é fundamental para quem exerce liderança, mas para os colunistas da velha mídia, Dilma estaria “desesperada” com a intenção de Lula em continuar fazendo política.
Para a velha mídia o governo está sempre em crise, está sempre com dificuldades em lidar com aliados. Depois de ser bombardeado, o ENEM se encaminha para sua fase derradeira a despeito de tantas previsões catastróficas, o Ministério da Educação conseguiu contornar todos os problemas ocorridos.
O Matrix deles teve a conseqüência de três eleições presidenciais perdidas para Lula (2) e Dilma. Pelo visto em vez de fazer um balanço para descobrir o que erraram e que se refletiu na derrota nas urnas, vão seguir cometendo os mesmos erros.
By: Blog do Len, via Comtexto livre 

domingo, 31 de outubro de 2010

Do martelo à santa: A trajetória de Serra

À primeira vista, nem parece uma santa o que Serra está a beijar na capa da “Folha”. Reparem bem…

E, de toda forma, ficou claro ao longo da campanha que a devoção maior de Serra não é pelos santos ou pelos dogmas da Igreja Católica.
De 1995 a 2010. É tudo muito nítido. Serra estava muito mais à vontade nos velhos tempos da era fernandina. Em vez da santa, empunhava os martelos da privatização – pelos quais nutria verdadeira devoção.
Reparem que o olhar na foto acima é fugidio. Como se a santa estivesse a lhe escapar dos lábios.
Na foto abaixo (durante leilão do setor elétrico no governo FHC), Serra parece mais concentrado – e verdadeiramente satisfeito.
E abaixo, mais um exemplo de devoção de Serra…
By: Escrevinhador

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BENTO XVI LANÇA A "TEOLOGIA DO RETROCESSO"

Essa igreja católica.....

Reunido com bispos brasileiros na manhã desta quinta-feira (28) em Roma, o patético papa Bento XVI conclamou-os a meterem o nariz em assuntos que não lhes dizem respeito, como se a separação entre a Igreja e o Estado não vigesse há 120 anos em nosso país!

Sem se dar conta de que os valores medievais hoje nada mais são do que cinzas de um passado que envergonha os civilizados, quer o Papa que a Igreja faça proselitismo político ("quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas"), pressionando partidos e candidatos no sentido de que:

-seja negado às mulheres o direito de interromper, mesmo no início, uma gravidez indesejada, e aos desenganados o direito de escolherem o momento e a forma como preferem morrer ("Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático é atraiçoado nas suas bases");
-seja imposto o ensino religioso em escolas públicas do Estado, obrigando professores a cumprirem o papel de sacerdotes e invadindo a esfera de decisão das famílias ("uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado"); e
-sejam expostos símbolos religiosos em ambientes públicos, em gritante violação dos direitos de religiosos de outras confissões, ateus e agnósticos ("Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito").

Em tempos corriqueiros, este anúncio da Teologia do Retrocesso de Bento XVI já seria uma descabida incitação ao lobbismo.

Três dias antes do 2º turno de uma eleição presidencial, a interferência indevida desse papa (cujo horizonte mental é o de um ativista da TFP...) assume gravidade ainda maior.

Pois se trata, pura e simplesmente, de uma CHANTAGEM contra a democracia brasileira.
Náufrago da Utopia

Blog da campanha de Serra divulga vídeo sobre "o fim do Brasil" com eleição de Dilma

Um blog da campanha do tucano José Serra publicou anteontem um vídeo intitulado “2012: O fim está próximo”, no qual é “mostrado” o futuro do Brasil já com Dilma Rousseff (PT) na Presidência. “Se a Dilma se eleger, olhe o futuro que nos espera”. Chamado Vou de Serra 45, o blog está na página oficial do candidato do PSDB e usa imagens da propaganda petista no horário eleitoral.


“Em janeiro de 2011, com o País dividido, Dilma assume a Presidência do Brasil. Sua primeira ordem é para que a Receita Federal inicie uma perseguição implacável contra os aliados e familiares do candidato derrotado, José Serra”, começa o filme. “Serra viaja com a família para os EUA, onde encontra, 40 anos depois, novo exílio político. Dilma declara guerra contra São Paulo. Usando sua maioria no Congresso, consegue vetar o envio de recursos federais para o governo de São Paulo.”
O filme pula para julho de 2011 e mostra como Dilma – mais uma vez usando maioria no Congresso – vai aprovar Projetos de Lei para a descriminar o aborto e a taxação de impostos de todas as igrejas do Brasil: “De São Bernardo, Lula dá uma entrevista criticando a forma de governar de sua ex-ministra. O ex-presidente se diz traído. Dilma contra-ataca convocando uma coletiva para anunciar que a PF vai investigar Lula por indícios de corrupção”.
Blog está na lista de “Redes do Serra” no site oficial do candidato tucano
“2012 passa rápido”, afirma o locutor. Ele acrescenta que Dilma perde popularidade, declara guerra à imprensa e é criticada mundialmente. Em janeiro de 2013, e o Brasil bate recordes na fuga de capitais do País. Dentro do Congresso, o PMDB retira formalmente o apoio à presidente e a maioria muda de lado. José Serra articula, dos EUA, sua volta ao Brasil”.
Após conflitos em todo o País, “dezenas de estudantes são feridos, 13 são mortos. São Paulo, liderada por Geraldo Alckmin, toma a Praça da Sé com uma manifestação superior à das Diretas. A OAB entra com um pedido de impeachment contra a primeira presidente, que mais tarde – após mais conflitos – é aprovado no Congresso”.
Ao final, é mostrada a silhueta de uma pessoa segurando a bandeira do Brasil na janela de um avião, ao que o narrador diz: “Serra está de volta e é recebido por Lula e Fernando Henrique. A pista é tomada por uma multidão ensandecida”.
Rodrigo Alvares
By: Estadão
Comentário do Contramaré:  Esse lixo precisa, primeiro ser guardado para reapresentá-lo, tanto durante o mandato de Dilma, preferencialmente a cada êxito fantástico que ela obtiver; quanto no futuro, nas eleições de 2014, para que os brasileiros saibam exatamente quem são José Serra, que provavelmente não será mais o candidato da direita, e todos os que o apôiaram, incluindo Aécio Neves. Em segundo lugar, deve ser utilizado agora, para o envio de duas Representações; uma Eleitoral e outra Criminal; a serem assinadas pela Sociedade Civil organizada e pelo povo brasileiro. Isso é terrorismo! Terrorismo informativo, destinado ao objetivo comum a todo ato terrorista, gerar pânico coletivo; e os responsáveis pelo vídeo, juntamente com os que ajudaram em sua divulgação(José Serra e seu grupo político)precisam responder criminalmente pelo fato. Eu não estou jogando conversa fora! Isso precisa ser feito, agora ou depois das eleições, para que não se repita neste país! O vídeo explora os ranços mais reacionários da sociedade brasileira.

Serra pede que 'meninas bonitas' consigam votos de pretendentes


Ao encerrar o seu discurso em ato da campanha presidencial na tarde desta quinta-feira em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o candidato José Serra (PSDB) apelou até para as "meninas bonitas" irem a campo em busca dos votos dos seus pretendentes masculinos. E orientou as moças a usarem a internet.
"Quero me concentrar agora no que vamos fazer até domingo. Temos que não apenas votar, temos que ganhar voto de quem está indeciso, voto de quem não está ainda muito decidido do outro lado", disse, acrescentando que cada um dos seus apoiadores deve buscar ao menos mais um voto.
Disse que os que trabalham na saúde, área em que Serra atuou como ministro, podem conseguir cinco votos para ele. E acrescentou: "Se é menina bonita, tem que ganhar 15 [votos]. É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45".
By: Folha

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Queda moral


Em "O Retrato de Dorian Gray", célebre livro de Oscar Wilde, o protagonista é um jovem que vê atendido seu desejo de se manter sempre jovem e belo, enquanto seu retrato, pintado por um amigo, se transforma e mostra as mudanças físicas e morais do personagem.
Nesta campanha eleitoral, o candidato tucano José Serra lembra um pouco o Dorian Gray de Wilde, com a diferença que sua queda ética e moral não fica restrita à imagem retratada na tela: ela se expõe diariamente nas declarações cada vez mais infelizes do ex-governador, que se revelou um mestre na demagogia.
Serra já prometeu de tudo para todos desde o início de sua infeliz jornada como presidenciável. Desde a ampliação do Bolsa Família que antes criticava tão severamente, até o aumento do salário mínimo a níveis insuportáveis pelo caixa da União.
De todas as suas promessas, porém, a que fez na terça-feira para um grupo de evangélicos supera qualquer outro delírio que teve nesta estação. Em busca de votos de parte desse eleitorado, Serra prometeu vetar, se for aprovado, o projeto que criminaliza a homofobia.
É inacreditável que em pleno século XXI, numa democracia emergente de um dos países mais importantes do mundo, o candidato oposicionista ao mais alto cargo da República torne pública tal posição e se alinhe ao atraso medieval de fundamentalistas preconceituosos.
Como se não bastasse a sua posição contra o aborto, claramente manifestada para torná-lo simpático a esses religiosos, ele vem agora com essa...
Definitivamente, a degradação moral e ética desse nosso personagem já não é uma mera figura de linguagem.
O nosso Serra não precisa de um retrato que exponha o quanto feio e repulsivo ele se tornou.

Quando não tem ninguém olhando


Tenho escutado de muitas pessoas que votar em um dos candidatos, é ser conivente com o vale-tudo das campanhas e com os casos de corrupção, antigos e recentes (estes, bem mais lembrados). Não tenho dúvidas em relação à trajetória absolutamente íntegra da ex-candidata Marina Silva. Mas tenho dúvidas, e muitas (acho até, que tenho a certeza absoluta do contrário) de que ela, na presidência, conseguiria livrar nossa nação destas práticas tão indesejáveis. Não acredito que isto vá acontecer num movimento de fora para dentro. Mas sim, em consequência de uma transformação profunda em nossa sociedade. Lenta, gradual e pela qual cada um de nós é responsável. O problema do desvio moral, na minha opinião, é de toda a sociedade. Está presente em muitas práticas aparentemente irrelevantes de todos nós. Os exemplos são infinitos: um comercinate erra no troco, te dá dinheiro a mais e você não fala nada; você sabe que não pode jogar lixo no chão, não tem ninguém olhando e você joga; você sai com seu cachorro para passear, ele faz cocô na calçada do outro e você finge que não viu; você precisa transferir seu carro, mas sua documentação não está em ordem e você paga para um despachante dar um jeitinho; você sabe que vai ter um evento concorrido na sua cidade e usa seus contatos para conseguir acesso privilegiado. Acredito que serão necessárias ainda muitas gerações para que a nossa sociedade seja predominantemente (nunca totalmente) constituída por sujeitos que tenham uma formação moral sólida e, portanto, refratária a situações que privilegiem a sua vida pessoal em detrimento da coletividade. Eu não espero ver nos próximos quatro anos o fim da corrupção na política. Não tenho mesmo essa ilusão. Mas quero, neste momento, tomar partido. E tomar partido é escolher o lado que mais se aproxima das minhas convicções. Mesmo sabendo que tomar partido é correr o risco de, daqui a quatro anos, ter que assumir o erro da minha escolha, se este for o caso. Dilma. 13. Este é o lado que escolhi.
Texto extraído do coxi-Xan-do
http://xan-mello.blogspot.com

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vou apertar, mas não vou ascender agora



Sônia Francine, coordenadora da campanha do beato Serra na internet

Antes que algum desavisado venha condenar meus modos é sempre bom lembrar que nós passamos um ano falando de nossas propostas e ideias e fomos afogados num mar de lama pela extrema-direita. Faltam seis dias para o segundo turno e eu ainda não recebi uma mensagem, uminha só, pedindo voto para Serra, recebi 150 mil pedindo para NÃO votar na Dilma porque ela é abortista, terrorista, assaltante, sequestradora, assassina (de adultos e criancinhas), ateia, lésbica, puta e coisas similares.
O grande instrumento de desconstrução da imagem da pessoa de Dilma foi a internet e essa senhora que tem duas filhas e uma irmã mamando o dinheiro público paulista, além dela própria, é a coordenadora da campanha de Serra na internet. Alguém acredita que ela não tenha nada a ver com a lama distribuída pela INTERNET pela campanha de Serra?
A campanha imunda de Serra apelou criminosamente para temas que nada têm a ver com uma campanha presidencial buscando tirar os votos de Dilma por meio da religião e da moral. Drogas e aborto são temas muito caros aos moralistas reais ou imaginários como o hipócrita Chirico. Sugiro agora que dona Monica Serra e dona Sônia Francine divirtam-se explicando porque fizeram aborto e porque fumam ou fumaram maconha. Sem esquecer do nepotismo, aparelhamento do estado, Paulo Preto, Rodoanel, Dersa, Richthofens e outras coisinhas que os tucanos chamam de trololó.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Líder não se omite. Escolhe um lado e luta

Lamentável a declaração da senadora Marina Silva de que não assume posição no segundo turno porque , nas suas palavras, “não acredita em voto de manada.”
Senadora, os eleitores, muito menos os seus, não são manada. Têm opinião própria. Mas quando se referenciam numa liderança, estabelecem com ela uma relação de confiança e troca.
Não me ocorreu que Marina pudesse considerar um “voto de manada” o crescimento de sua candidatura na reta final do primeiro turno. Se ela diz que a “onda verde” que fez crescer sua candidatura, como ela diz, “o voto democrático do cidadão que acreditou na sua plataforma, discurso, postura e trajetória”, deve achar que as pessoas a seguiram por serem livres para escolher, não porque sejam uma “manada”.

Quem semeia vento, colhe tempestade

A cada dia que passa, o cinismo do candidato tucano à presidência da República, José Serra, se supera. Totalmente obscena a sua declaração (feita após a patética encenação da bolinha de papel) de que o presidente Lula é o responsável pela violência na campanha eleitoral.

Este senhor se vale de velhos artifícios da direita. Primeiro, radicaliza em boatos, intrigas e desqualificações dos adversários, criando um clima pesado na campanha. Depois, despolitiza-a. Assim, não se discute a situação econômica  ou qualquer aspecto da vida do cidadão brasileiro. Ao contrário, envereda para temas que dizem respeito à vida íntima de cada um, como o aborto e a orientação sexual. A pauta passa a ser a baixaria e não o futuro do Brasil, a diminuição da miséria ou a melhoria da educação, da saúde e do desenvolvimento da sociedade brasileira. A oposição à Lula age assim, porque não tem projeto para o país e somente se vale do ódio e do rancor.
Aliás, o cinismo impera entre os demotucanos. No jornal Estado de S. Paulo de 24 de outubro, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, diz que “o PT é o partido da mentira, o PT é o partido da morte,  por causa do aborto. Engraçado, sobre o aborto feito por Dona Mônica Serra, mulher de José Serra, segundo relato de suas ex-alunas publicada no jornal Folha de São Paulo em 16 de outubro,o bispo de Guarulhos não abre o bico.
Curiosamente, o bispo D. Luiz é de São João da Boa Vista, onde atuava com o Sidney Beraldo, ex-deputado e ex-secretario de Gestão do então governador Serra, e mias recentemente um dos coordenadores da campanha a governador de Geraldo Alckmin, que tem fortes ligações com a Opus Dei, que age nas sombras. A omissão do bispo sobre o aborto de Monica Serra revela que essa questão é apenas um mote usado por esse grupo religioso para ir contra o PT.
Para completar o quadro dantesco, assistimos ao fundamentalismo religioso matar a religião e transformá-la em mero  instrumento eleitoral. Esta mistura acintosa de religião, num viés fundamentalista, e política é um perigo à sociedade brasileira, pois ameaça os pilares do Estado Laico.
O ódio contra o PT vem sendo trabalhado há pelo menos um ano. Todos devem se lembrar dos primeiros e-mails com a acusação ridícula de que Dilma seria terrorista. Por sinal, o termo terrorista, cunhado pelos militares durante a ditadura, é uma forma de adotar a ditadura militar. Aqui, vale lembrar que ao povo é dado o direito de resistir quando um governo se estabelece pela força das armas. Até na idade média, como é relatado na lenda  Robin Hood , já se sabia disso.
Homens e mulheres que foram torturados barbaramente e deram a sua vida pela democracia devem ser tratados como heróis. O termo terrorista significa aceitar que a tortura e barbárie sejam admissíveis como recursos para organizar uma sociedade. Claramente, para um republicano e democrata este argumento precisa ser rejeitado. Então perguntamos, por que os tucanos se valem de argumentos antidemocráticos para difamar uma heroína brasileira? Por que uma campanha baseada no ódio?
Há outros exemplos, como a campanha conservadora com uso da internet para difamar e caluniar e atacar a vida pessoal de Dilma Rousseff.
Lentamente a campanha de Serra pregou o ódio, inclusive de classe, e se valeu dele eleitoralmente para chegar ao segundo turno. Agora hipocritamente diz que o presidente da República faz uma campanha que estimula a violência, querendo se passar como vítima. Ora, Serra, quem semeia vento, só pode colher tempestade.
Se o candidato José Serra, em vez de despolitizar a campanha, discutisse projetos para o Brasil (o que ele infelizmente não possui), talvez os acontecimentos fossem outros.
Por fim, deixo para vocês este poema de Brecht, que mostra que a  violência não é o que os poderosos querem que seja visto como violento, mas as estruturas sociais ou situações plantadas com o apoio da mídia e da direita conservadora que resultam neste quadro conflituoso.
Pergunto, ainda, manipular informação e tentar reverter votos de forma abjeta não é uma violência?
PS: Curiosamente, a crítica contumaz da Globo sobre o episódio da violência da bolinha de papel , através do Jornal Nacional, ocorreu justamente no dia em que o Cade, órgão do governo federal, decidiu acabar com o monopólio da emissora  na transmissão do Campeonato Brasileiro.
Sobre a Violência, Bertolt Brecht
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as bétulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua
* Carlos Rodriguez , participante da Igreja Católica.