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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assim se prepara uma nova Guerra Mundial



França, Grã-Bretanha e Alemanha, além dos EUA, ampliam intervenção no Oriente Médio; o alvo principal não é o EI, mas a Rússia


Por Joseph Kishore

Os eventos da semana passada passarão à história como divisor de águas na constituição do imperialismo no século XXI. No período de poucos dias, EUA, Grã-Bretanha e Alemanha ampliaram o respectivo envolvimento militar na Síria, depois que a França intensificou sua campanha de bombardeio no mês passado.

O pretexto para essas operações são os ataques terroristas de 13 de novembro em Paris, seguido agora pelo horrendo ataque a tiros em San Bernardino, Califórnia, na quarta-feira passada. As razões declaradas publicamente, contudo, pouco têm a ver com discussões estratégicas que estão acontecendo nos escalões superiores das forças militares e das agências de inteligência.

Por trágica que seja a matança de 130 pessoas em Paris e 14 em San Bernardino, não explicam a repentina convulsiva escalada militar das principais potências imperialistas contra o Oriente Médio. Não é difícil ver semelhanças e diferenças em relação a 1915, quando os EUA recusaram-se a entrar na Primeira Guerra Mundial, mesmo depois do afundamento do RMS Lusitania, com perda de 1.198 vidas. Naquele momento, a classe capitalista norte-americana ainda estava dividida sobre se seria aconselhável intervir na então chamada “Grande Guerra” (que só passou a ser chamada “Primeira Guerra Mundial” depois que houve a Segunda).

A força básica por trás da guerra na Síria é a mesma que motivou a formatação imperialista de todo o Oriente Médio: os interesses do capital financeiro internacional. As grandes potências imperialistas sabem que, se quiserem pôr a mão no butim, têm também de fazer sua parte da matança.

Esse movimento de guerra no Oriente Médio é altamente impopular, o que explica o frenesi para utilizar os ataques recentes na Europa, além da atmosfera de medo que a mídia-empresa cria e infla, para ativar as ações o mais rapidamente possível. Considerem-se os eventos da semana passada:

Na terça-feira, o governo Obama anunciou que enviaria novo contingente de Forças de Operações Especiais, oficialmente contra o EI (Estado Islâmico no Iraque e Levante). Em conferência de imprensa no mesmo dia, Obama repetiu que qualquer acordo na Síria terá de incluir a derrubada do presidente Assad da Síria, aliado chave da Rússia.

Na quarta-feira, o parlamento britânico aprovou apoio à ação militar na Síria, depois que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, desimpediu qualquer caminho rumo à guerra, ao aceitar “livre votação” sobre o tema para os deputados de seu partido. Aviões britânicos decolaram imediatamente para bombardear alguns alvos na Síria já na quarta-feira à noite, com o primeiro-ministro Cameron declarando “simpatizante de terroristas” quem se opusesse à guerra.

Na sexta-feira, o parlamento alemão correu a aprovar moção para que a Alemanha também se juntasse à guerra contra a Síria, praticamente sem nem discutir a questão. A aprovação parlamentar ao envolvimento da Alemanha na guerra veio depois da decisão do governo Merkel, no início da semana, de enviar 1.200 soldados, seis jatos Tornado e um navio de guerra para a região.

E então, durante o fim de semana, a mídia-empresa nos EUA e todos os políticos doestablishment dedicaram-se a explorar o tiroteio em San Bernardino, Califórnia, para pressionar a favor da expansão da guerra no Oriente Médio. Os candidatos republicanos à presidência dispararam “declarações” beligerantes insistindo que os EUA estariam diante da “próxima guerra mundial” (governador de New Jersey, Chris Christie); que “o país precisa de presidente para tempos de guerra” (senador Ted Cruz, do Texas), e que “eles declararam guerra contra nós e nós temos de declarar guerra contra eles” (ex-governador da Flórida, Jeb Bush).

Em discurso no domingo à noite, Obama defendeu, contra os críticos republicanos, a própria política na Síria; repetiu que se opõe ao envio massivo de soldados em solo para a área de Iraque e Síria, e que é a favor de acelerar os ataques aéreos; o financiamento para grupos dentro da Síria; e o uso de tropas de países vizinhos. Elogiou os movimentos de França, Alemanha e Reino Unido, e declarou: “Desde os ataques em Paris [dia 13/11], nossos mais próximos aliados (…) aceleraram a contribuição deles à nossa campanha militar, que nos ajudará a acelerar nossos esforços para destruir o EI”.

Por mais que pressionem e pressionem a favor de mais guerra, nem Obama nem qualquer outro setor do establishment político nos EUA diz sequer uma palavra sobre as raízes reais do ISIS, que já serviu de pretexto para a “guerra ao terror” a partir do qual começou, e nunca mais se alterou, a política externa dos EUA para 15 anos.

No discurso de domingo, Obama fez uma referência oblíqua ao crescimento do EI “em pleno caos da guerra do Iraque e depois na Síria” – como se nada tivesse a ver com a própria política dos EUA. A verdade é que EUA e aliados é que ocuparam (ilegalmente) e devastaram (consequentemente) o Iraque, e na sequência criaram e ou inflaram grupos de islamistas fundamentalistas na Síria, a partir dos quais o ISIS emergiu como cabeça de ponte da guerra contra o presidente Bashar al-Assad da Síria.

Os terroristas do EI que executaram os atentados em Paris puderam viajar livremente, entrando e saindo da Síria, porque milhares de jovens como eles viajavam da Europa para a Síria, livremente, e com o apoio de autoridades, para que se unissem ao golpe e à guerra contra Assad.

Quanto ao ataque em San Bernardino, funcionários citaram a viagem dos dois atiradores à Arábia Saudita e seus contatos com indivíduos da Frente Al-Nusra, para poderem referir-se ao tiroteio como ataque terrorista. A Arábia Saudita, centro de financiamento e apoio para os grupos fundamentalistas islamistas em todo o Oriente Médio, é aliada-chave dos EUA na região, e a Frente Al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda, é aliada de facto dos EUA na Síria.

Em vez de resposta contra os ataques recentes, as ações das potências imperialistas são a realização de planos já existentes e de ambições já conhecidas há muito tempo.

Na Grã-Bretanha, votação dessa semana reverteu a decisão de 2013, da Câmara de Comuns, segundo a qual o país não participaria de guerra planejada e liderada pelos EUA contra a Presidência da Síria. A elite governante alemã não para de “exigir” que o país participe mais ativamente do avanço militar na Síria, para afirmar a própria posição como potência dominante na Europa.

Nos EUA, antes dos ataques em San Bernardino, ouviam-se vozes insistentes do establishmentpolítico e da mídia-empresa a favor do envio de tropas de solo e da imposição de uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Com os EUA à frente, as potências imperialistas já se engajaram numa guerra infinita, centrada no Oriente Médio e Ásia Central, já há um quarto de século. Mais de um milhão de pessoas já foram mortas e outros muitos milhões foram convertidos em refugiados. Depois das guerras no Afeganistão e no Iraque durante o governo Bush, Obama supervisionou a guerra na Líbia e as campanhas conduzidas pela CIA para mudança de regime na Ucrânia e na Síria. As consequências desastrosas de cada operação prepararam o terreno para que o governo Obama expandisse e intensificasse a guerra.

O que se vê hoje é uma reformatação para recolonização do mundo. Todas as velhas potências levantam-se, exigindo a parte de cada uma no neobutim. Embora hoje centrado no Oriente Médio rico em petróleo, o conflito na Síria já se vai convertendo em “guerra por procuração” contra a Rússia. Do outro lado da massa de terra eurasiana, os EUA dedicam-se a ações cada vez mais provocativas contra a China no Mar do Sul da China.

A situação geopolítica é hoje mais explosiva que em qualquer outro momento anterior, desde as vésperas da Segunda Guerra Mundial. Acossada por crise econômica e social para a qual a classe das elites governantes não têm resposta progressista a oferecer, aquela classe das sempre mesmas elites cada vez mais recorre à guerra e ao saque, como a única resposta que conhecem para quaisquer das suas dificuldades.

(*) Artigo originalmente publicado em português pelo site Outras Palavras e, em inglês, peloWorld Socialist Web Site.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Combate a discursos de ódio e violência é objetivo da nova campanha da ONU



O monitoramento pode ser uma tarefa quase impossível, mas podemos conseguir isso com o envolvimento de cidadãos do mundo, que vão a ser nossos parceiros fundamentais na luta contra o discurso do ódio”, afirma a subsecretária do Departamento de Informação Pública da ONU, Cristina Gallach.

Um evento na sede da ONU, em Nova York, deu início à campanha contra os discursos de ódio, xenofobia, preconceito e extremismo nesta quarta-feira (02/12/15). O encontro reforçou o uso de redes sociais como ferramentas de propagação. A subsecretária do Departamento de Informação Pública da ONU, Cristina Gallach, relembrou o atentado de Paris como um exemplo de atos que nascem de discursos de ódio.
“Nós temos um grande problema em nossas mãos”, disse Gallach. “O mundo tem testemunhado isso muito recentemente, em Paris, onde, na última contagem, 130 pessoas morreram nas mãos de nove jovens que atenderam o (Estado Islâmico no Iraque e no Levante ou ISIL) apelo à violência e sucumbiram ao discurso de ódio.”
Segundo Gallach, os discursos de ódio estão presentes na sociedade há muito tempo, como no caso do massacre de mais de 800 mil tutsis e hutus, em 1994, em Ruanda, na África (1). No entanto, o movimento tem se radicalizado ainda mais nos últimos anos.
“Hoje, no entanto, mais do que nunca, as pessoas estão usando o discurso de ódio para fomentar confrontos entre civilizações em nome da religião. Seu objetivo é radicalizar meninos e meninas, para levá-los a ver o mundo em preto e branco, o bem contra o mal, e levá-los a abraçar um caminho da violência como a única forma de avançar. “ Afirmou a subsecretária.
O alto representante para a Aliança de Civilizações da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, destacou na reunião o papel dos novos meios de comunicação, como o Facebook e o Twitter.
“Nós vemos como grupos radicais sequestraram estas novas plataformas de mídia e têm utilizado (eles) como uma ferramenta de advocacia para as suas ideologias extremistas, e incitando a violência e o ódio”, disse o representante.
Para as autoridades presentes no lançamento da campanha, a luta a incitação ao ódio e a violência é uma responsabilidade coletiva. Cristina Gallach reforça que a aplicação de leis que proíbem essas atitudes e a utilização dos meios de comunicação para investigar esses ataques e promover o fim dessa prática é uma saída para o problema. O próximo simpósio, que discutirá outras medidas, acontecerá em abril de 2016, em Baku, no Azerbaidjão.

Fonte: Nações Unidas – Brasil

Nota Claudicante:

(1) Culpa do colonialismo assassino europeu, como sempre, neste caso, os belgas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quem semeia terrorismo colhe atentados

Osvaldo Bertolino: Quem semeia terrorismo colhe atentados

Por Osvaldo Bertolino, em seu blog

A violência que choca o mundo tem duas vias: a que leva injustiças, ameaças e carnificinas e a que traz retaliações com o mesmo teor. Fazem parte do caminho por onde circulam a estupidez, a ganância e a tentativa de manter uma ordem mundial obsoleta e geradora de crises cada vez mais profundas e desumanas.

Por qualquer ângulo que se olhe para os atentados em ParisFrança, que deixaram quase cento e trinta mortos e três centenas de feridos, oitenta em estado grave, é impossível não ver um crime repugnante. Mas é preciso olhar também para o passado recente da política norte-americana para o Oriente Médio, quando o governo do presidente George W. Bush atuou como um “serial killer”, atacando e ameaçando todos os países que não se alinhavam com o seu regime. Bush, certamente, não era um mero sujeito que bebia sim e ia… hic… vivendo, enquanto muita gente estava morrendo.

Ele era isso tudo e agia como um típico líder do Partido Republicano, que não dava a menor importância às pessoas individualmente. Essa facção dominante do Estado norte-americano inclui entre seus líderes os altos chefes militares e deixou como legado a política externa agressiva que o governo do democrata Barak Obama tem mantido. Os senhores da guerra hoje são, pela natureza daquele regime, uma importante fonte de poder.

ordem militar, até a década de 1950 uma instituição débil, transformou-se no escalão mais importante e mais caro dos Estados Unidos. No governo Bush, os sorridentes homens de relações públicas praticamente saíram de cena e apareceu a face da sinistra burocracia instalada na máquina de guerra. Todos os fenômenos políticos e econômicos passaram a ser julgados à luz das interpretações militares da realidade. O “realismo militar” dos chefes militares instalados no poderoso Estado-Maior Conjunto transformou-se no guia mais inspirado do grupo dirigente do país.

Capital em grande escala

Desde os anos da Segunda Guerra Mundial, essa força ampliou seu campo de ação em assuntos relativos à política exterior e doméstica do país e atualmente pode-se dizer que a ordem militar do Estado-Maior Conjunto está solidamente instalada no Estado. Existem dois governos nos Estados Unidos: o que informa o mundo pelos jornais e as televisões, e as crianças nos livros escolares, e o que conduz a espionagem e a rede de informações, um aparato maciço que emprega centenas de milhares de pessoas secretamente e conduz a política externa do país.

Esse governo invisível emergiu das imposições dos Estados Unidos no pós-Segunda Guerra Mundial. Os demais países centrais, exaustos pela guerra, foram obrigados a aceitar essa ordem em troca de ajuda para a sua reconstrução. Assim, os Estados Unidos deixaram de ser apenas mais um agregado no conjunto de países que lutavam por pedaços do mundo e passaram a ocupar o pico de uma pirâmide solidamente dirigida por eles. As regras desse jogo foram definidas num momento privilegiado para o grande país americano.

Nenhum representante do chamado Terceiro Mundo participou desses tratados. A Europa, destruída por duas grandes guerras num curto espaço de tempo, não estava em condições de se opor à grande capacidade de produção norte-americana proporcionada pela Segunda Revolução Industrial – que dotou o país de uma poderosa e inovadora indústria. Na Ásia, o Japão, destroçado pela guerra, foi ocupado pelos Estados Unidos, que ditaram o rumo da sua reconstrução.

Esse processo do pós-Segunda Guerra Mundial que desencadeou a dominação norte-americana no chamado mundo ocidental, portanto, levou o capitalismo a uma transformação profunda. No final dos anos 1940, somente os Estados Unidos estavam em condições de exportar capital em grande escala. E o país usou essa condição privilegiada para manter sob o seu controle as rédeas num mundo que buscava alternativas ao seu modelo político e econômico.

Pratos da balança da Guerra Fria

Na Europa, o projeto social-democrata procurou adaptar a economia planejada à tradição comercial liberal do velho continente. No Japão, o Estado se reforçava para desempenhar um papel de destaque no planejamento econômico. E cerca de um terço da população mundial rompeu com esses paradigmas e se juntou à União Soviéticapara reforçar o sistema de economia totalmente planificada.

Desde então, os Estados Unidos intervieram em vários países e promoveram uma feroz cruzada anticomunista. A derrota da experiência socialista, depois de ela surgir triunfante e ter parecido realmente capaz de superar o capitalismo — especialmente nos dois pós-guerras —, fez com que o domínio norte-americano da pirâmide mundial passasse a ser ainda mais ditatorial.

Com a derrocada de um dos pratos da balança da Guerra Fria, a oposição aos ditames de Washington praticamente desapareceu. Hoje, os países que se contrapõem a essa ofensiva ainda são frágeis internacionalmente. E a consciência anti-imperialista das massas é algo que, embora veloz e ampla, ainda está se formando. Ela parece mais viçosa nos países do Oriente Médio. Uma das explicações para esse fenômeno talvez seja o histórico de lutas dos povos árabes contra as invasões ocidentais do século XX.

Prioridade da política exterior de Washington

O Oriente Médio sempre despertou o interesse dos impérios por ser uma rica fonte de matéria-prima e estar no entroncamento de três continentes. Já no pós-Primeira Guerra Mundial, os trustes norte-americanos se empenharam em conseguir ali concessões petroleiras, apesar da resoluta oposição da Inglaterra e da França – países que controlavam a região.

Em 1940, as petroleiras inglesas controlavam 72% de todas as reservas de petróleo exploradas, enquanto as empresas norte-americanas controlavam 9,8%. No pós-Segunda Guerra Mundial, a região passou a ser um dos principais pontos de prioridade da política exterior de Washington. Por estar nas proximidades da Rússia e da China, o Oriente Médio também sempre mereceu atenção dos Estados Unidos quanto à influência de ideias que poderiam se traduzir em ações concretas de anti-imperialismo.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos iniciaram uma série de “tratados” e “pactos” envolvendo Inglaterra, França e alguns países da região – com o intuito de jogá-los uns contra os outros. No centro da estratégia imperialista estava oEstado de Israel, que desde a sua criação agiu como força de choque da política imperialista no Oriente Médio.

Reserva de ódio, medo e desesperança

Segundo dados do Instituto Internacional de Estocolmo de Estudos para a Paz, nos cinco anos transcorridos depois da guerra de outubro de 1973 entre Israel e seus vizinhos árabes os países pró-Estados Unidos do Oriente Médio receberam 70% de todas as armas norte-americanas exportadas para os países do chamado Terceiro Mundo. Em 1979, o Irã fez a revolução que derrocou o regime dos Estados Unidos no país e desencadeou mais uma onda de ações anti-imperialistas na região.

No mesmo ano, o conflito no Afeganistão, ocupado por forças militares soviéticas, marcou mais uma etapa da presença dos Estados Unidos no Oriente Médio – que armaram grupos fundamentalistas para combater os invasores. Mais tarde, esses grupos angariaram para si o resultado de toda uma reserva de ódio, medo e desesperança e levaram a efeito o ataque terrorista do dia 11 de setembro de 2001.

E rezaram por uma reação violenta por parte dos Estados Unidos, que terminará mobilizando outros em torno de sua causa. E assim o mundo entrou num círculo vicioso — um efeito gerando outro e mergulhando os povos na hedionda “guerra infinita” de Bush. Os terroristas fundamentalistas compartilham de um ódio que é sentido em todo o Oriente Médio pela presença norte-americana em países da região, pelo apoio dos Estados Unidos às atrocidades cometidas por Israel contra o povo palestino e pela devastação da sociedade civil no Iraque e no Afeganistão.

Encrenqueiro vizinho do norte

carnificina de Bush e seus aliados no Iraque, portanto, chocou porque, primeiro, ela foi cruenta e, depois, porque criou assustadoras perspectivas. Foi, a rigor, uma guerra contra os povos — uma vez que não há, no curto prazo, nenhum outro motivo para tamanha insanidade. As velhas senhoras do continente europeu — em particular aInglaterra — parecem não estar dispostas a perder o sono em decorrência desse conflito.

A oposição à guerra por parte da França, Alemanha e Rússia foi importante, mas não há indícios de que esses países estão a fim de usar seu poderio — inclusive bélico, uma das garantias de suas posições no cenário global —, em favor de uma ordem mundial mais equilibrada e de paz, apesar da salutar presença russa na Síria. Outra coisa não faz a política de grupos como a Otan e a OMC. A pirâmide de poder dessas potências funciona pela regra da força bruta, pela qual chora menos quem pode mais.

Nosso incômodo e encrenqueiro vizinho do norte também sempre ameaçou a América latina. A própria constituição dos Estados Unidos como nação encerra uma contradição entre o que foi proclamado dia 4 de julho de 1776, quando o povo norte-americano aprovou a Declaração de Independência, e a política exterior da jovem pátria. As premissas do expansionismo continental norte-americano foram criadas com as guerras contra a população indígena e as reivindicações dos latifundiários do sul do país de ampliar o território avançando pelas fronteiras de seus vizinhos.

Doutrina do direito natural

William Foster, estudioso da história política do continente americano, diz que o próprio nome do país — Estados Unidos da América — expressa suas pretensões panamericanas. Já no começo do século XIX, a contradição entre os princípios humanitários e democráticos proclamados pela Declaração de Independência e a política exterior do jovem Estado levou à renúncia das suas tradições libertárias. A doutrina do direito natural de todos os povos decidirem seu próprio destino — um dos fundamentos da Declaração de Independência — passou a ser interpretada de modo a justificar como “natural” o expansionismo norte-americano. Para os dirigentes dos Estados Unidos, essa doutrina dava ao país o direito de encarar o continente como sua área de influência direta.

Com esse argumento, a princípio os presidentes Thomas Jefferson e John Adams“compraram” a Luisiana — que pertencia à França — e ocuparam a Flórida — que pertencia à Espanha. Depois, no dia 2 de dezembro de 1823, com a mensagem do presidente James Monroe ao Congresso foi proclamada a famosa “Doutrina Monroe” — que expressa sem ambiguidades as pretensões norte-americanas à hegemonia em todo o hemisfério ocidental.

Em Deus nós confiamos

Desde então, a propaganda imperialista invocou esses princípios para justificar as ações políticas e militares extraterritoriais dos Estados Unidos. Para os meios de comunicação fortemente vinculados ao poder econômico, os norte-americanos têm o dever natural e sagrado de levar as suas tradições liberais e “democráticas” aos povos “incultos” do resto do mundo.

Por mais simplista e racista que esse pensamento possa parecer, ele é abertamente proclamado no país desde a instauração do chamado “Destino Manifesto” — uma “teoria” que surgiu e se difundiu nos Estados Unidos na metade do século XIX, segundo a qual os norte-americanos nasceram para ser o melhor povo do mundo. É muito forte a influência da religião nessa “teoria”, um destino que teria sido profetizado pela“providência divina”.

O Estado norte-americano leva ao pé da letra a frase “In God we trust (Em Deus nós confiamos)” impressa em cada nota do dólar. Na Casa Branca de Bush, por exemplo, as reuniões ministeriais começavam com uma oração e frases bíblicas sempre apareciam em seus discursos. Em sua gestão, Bush propôs a canalização de recursos sociais para entidades religiosas, a autorização de preces e sermões em escolas públicas, o subsídio a faculdades geridas por grupos religiosos e o financiamento do trabalho de entidades religiosas em presídios.

Aparato de propaganda norte-americano

Essa grande ofensiva jamais feita, apesar da tradição religiosa do país, contraria a separação entre igreja e Estado, um dos princípios basilares consagrado na Primeira Emenda à Constituição. Mas os presidentes norte-americanos certamente não são reféns da fé e pode-se dizer que a rigor eles tomam o nome de Deus em vão. Por trás de sua política estão os interesses de uma parcela significativa da economia que lidera o mundo. Essa simbiose é histórica.

A ideologia do “Destino Manifesto” age como um poderoso elemento mobilizador da energia do país para a conquista de novos territórios. Ao longo da história, ela foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norte-americano. No século XX — particularmente na sua segunda metade — essa ideia, traduzida emanticomunismo sem escrúpulo, permeou a propaganda norte-americana. E isso explica a visão dominante no país de que o restante do planeta — sobretudo o chamado Terceiro Mundo — é cultura e economicamente subdesenvolvido.

Essa propaganda ganhou, evidentemente, novos contornos desde a queda do muro de Berlim. Mas sua essência permanece a mesma e se constitui, basicamente, em levar a “democracia” aos países que recusam a cartilha de Washington e em “ensinar” os “segredos” da boa gestão econômica. O aparato de propaganda norte-americano, por exemplo, contra todas as evidências diz que sua força militar e diplomática atua no mundo em missão modernizadora e libertária. Mesmo quando os fatos insistem em desmenti-lo, nas entrelinhas essa ideia é largamente difundida.

Propaganda sub-reptícia

As duas principais revistas brasileiras — a “Veja” e a “Época” —, por exemplo, publicaram, simultaneamente, uma entrevista e um artigo com “especialistas” norte-americanos proclamando as “boas intenções” dos Estados Unidos em sua cruzada imperialista. Na primeira, o “guru” do ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney, o professor emérito da Universidade Princeton Bernard Lewis, chegou a dizer que as chances de a “democracia” criar raízes no Oriente Médio “são boas”.

No segundo, o diretor de “Estudos Latino-Americano do Conselho de Relações Exteriores de Nova York”, Kenneth Maxwell, diz que o principal perigo da guerra é colocar em risco “a vida de jovens corajosos nas estradas poeirentas do Iraque e nas ruas de Bagdá”. Essa propaganda sub-reptícia permeia todo o noticiário da mídia. Os Estados Unidos aprimoraram o sentido de propaganda política nos últimos anos. Desde que as trevas sobre a terra dos computadores começaram a encontrar seu fim, o aparato de mídia do país ganhou um poderio jamais visto.

Mas por trás dessa tecnologia poderosa e inovadora se encontram imensas contradições. As facilidades que uma tela com ícones autoexplicativos plugados com o mundo oferece para um lado, também existem — evidentemente guardadas as continentais diferenças conferidas pelo poder econômico — para o outro. Cabe, a bem da luta progressista e democrática, uma grande campanha para difundir o poderio que esse admirável mundo novo das comunicações oferece.

sábado, 15 de agosto de 2015

A pirâmide da dominação imperialista

Prestem bem atenção neste gráfico, inspirado na imagem da nota de 1 dólar, e compreendam como funciona a dominação no sistema capitalista-imperialista. Esse são os princípios da religião do “deus-mercado”, representado pelo “Olho da Providência”, que é uma apropriação indevida de um simbolismo egípcio, da mesma forma que Hitler fez com a suástica que é um símbolo hindu.


Os Sete Degraus da Pirâmide

1) No topo da Pirâmide está a oligarquia financeira internacional, que são algumas poucas famílias que controlam a emissão e o valor de praticamente todo dinheiro do planeta que se lastreia pelo dólar, o qual ao se transformar em capital multiplica-se indefinidamente para retornar a elas mesmas, ainda mais valorizado.

2) Esta oligarquia financeira tem o controle sobre o Banco de Compensações Internacionais com sede em Basileia (Suíça), que dá a garantia de crédito aos bancos em todo o mundo em nome da “estabilidade monetária”, do controle inflacionário e de outros mitos defendidos como uma “religião do deus-mercado”, formulados pelas grandes universidades estadunidenses e difundidos mundo afora nos manuais de economia.

3) A serviço deles estão o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que controlam os sistemas financeiros nacionais através do endividamento externo e interno, e de seu receituário recessivo que submetem nações inteiras a crises sistêmicas, como a que passou a América Latina nas décadas de 1980/1990 e a que agora passam os países da periferia europeia como a Grécia; a dívida é a forma de garantir um vínculo de dependência permanente, de modo que quando a situação torne-se insustentável o país seja obrigado a ceder tudo o que possuir de mais valioso para renegociar sua posição.

4) Os bancos centrais nacionais são “independentes” ou “autônomos”, o que significa que eles não têm controle político, mas sim controle financeiro através da banca internacional. Destes, o FED (Banco Central dos EUA) tem uma posição fundamental no centro da pirâmide, pois desde 1971, o dólar não tem lastro em ouro e pode ser emitido infinitamente de acordo com a estratégia dessa oligarquia. Assim, eles podem fabricar um ciclo de prosperidade ou uma crise, a depender do que interesse mais no momento. Com crescimento ou recessão, eles sempre ganham, pois nos momentos expansão eles aumentam seus lucros e nos de crise conseguem concentrar mais capital comprando aqueles que quebram e se endividam.

5) Para garantir tal domínio, seus tentáculos se estendem aos grandes bancos, que através das taxas de juros, do controle do câmbio e dos impostos garantem o comprometimento primário das receitas públicas (o famoso superávit primário). Eles exigem propriedades como garantia de empréstimos e financiamentos, de modo queos bens ficam hipotecados, tornando-se propriedades do banco caso algum fator impeça o pagamento em dia das parcelas e amortizações.

6) Detentores dos capitais, esses bancos tornam-se acionistas majoritários das grandes empresas e corporações transnacionais e multinacionais, que submetem ou se associam aos congêneres nacionais, procurando prioritariamente controlar setores estratégicos como recursos naturais, infra-estrutura, energia, alimentos, saúde, educação e principalmente a mídia, que dá a sustentação ideológica ao sistema. É inocência acreditar que existe concorrência no mundo contemporâneo, pois as grandes marcas são controladas em geral pelos mesmos cartéis, monopólios, oligopólios e holdings.

7) Tais companhias financiam as campanhas de candidatos em todos os países onde existe financiamento privado para as eleições. Os eleitos passam a atender apenas a tais interesses, submetendo o Estado e a sociedade a esse projeto. Se discordarem, não se reelegem porque não tem recursos para a campanha.

Assim, a democracia passa a ser apenas um espetáculo midiático, com uma indústria das eleições que se alimenta de campanhas bilionárias.

O que sustenta a Pirâmide?

1) Na base da pirâmide está o povo de todas as raças, culturas, crenças e ideias. Estão, portanto, os camponeses, trabalhadores da cidade, pequenos e médios empresários, profissionais liberais e autônomos que geram as riquezas para alimentar o topo. Estão todos os animais a serviço de hábitos alimentares historicamente determinados, as espécies ameaçadas pela expansão da agropecuária, bem como a natureza em todos os seus aspectos (água, minério, florestas, e mesmo o espaço sideral).

2) Quem mantêm econômica, ideológica, financeira e militarmente o sistema é o governo dos EUA, em coalizão com a União Europeia, Israel, países do Golfo, da OTAN e países aliados por vontade própria ou por coação. A ONU e os órgãos multilaterais são dominados por eles, porém, encontram resistência de países como os BRICS, da CELAC e outros emergentes.

3) Mas o que realmente garante a dominação do sistema é o hard e o soft power:

3.1) O soft power é o controle ideológico e da informação através da mídia e da internet. São os filmes de Hollywood que veem carregados de mensagens políticas. São as músicas promovidas pela indústria cultural que substituem as culturas de raís. São os conhecimentos técnicos e científicos que são disseminados inviesados. São os meios de comunicação hegemônicos que são alimentados pelo dinheiro do sistema. Também são os mecanismos modernos de tecnologia da informação pelo qual se desenvolve o controle absoluto de tudo o que se passa com cada indivíduo. Cada mensagem publicada, e-mail enviado, conversa por Skype, MSN ou Facebook é guardada, vigiada e documentada pelos serviços de inteligência dos EUA. Todos os aparelhos celulares são rastreados, e programas de espionagem estão inseridos em sistemas operacionais de código fechado como o Microsoft Windows e o OS/X da Apple.

3.2) O hard power é a guerra e os conflitos, que têm a OTAN como instituição que executa imperativos como:

a) invasões como as do Iraque e da Líbia para se obter o controle do petróleo e na Síria para se controlar rotas de gasodutos e oledutos;

b) a guerra “eterna” de Israel contra a Palestina para promover um “choque de civilizações” e alimentar o ódio entre “ocidente” e “o resto”;

c) a guerra do Afeganistão para se obter o controle geopolítico da Ásia central (ao norte a Rússia, a sudeste a Índia, a oeste o Irã e a leste a China).

Vale observar que o domínio espacial dos satélites garante o hard e o soft power.

4) Entendendo a lógica do sistema, consegue-se observar que toda a produção no mundo serve para sustentar um verme parasitário, que é o sistema capitalista como um todo, no qual algumas dezenas de famílias absorvem a riqueza produzida por todos os 7 bilhões de habitantes do mundo. Outras, milhares intermediárias beneficiam-se de parte dessas riquezas e por isto tornam-se árduas defensoras do sistema, não percebendo que servem apenas para perpetuar o modelo em que um maior contingente se vê explorado e excluído, usufruindo-se de míseras migalhas.Portanto, em todo o mundo a luta para reverter esse quadro será uma conjugação de esforços nacionais e internacionais, troca de informações e unidade nas ações. Como inverter a lógica da Pirâmide?

O princípio fundamental é o surgimento de novos valores na base da pirâmide, que se baseiem na paz, na solidariedade e na cooperação, com todos os povos aceitando-se e convivendo-se na diversidade, de forma harmônica e sustentável com o meio-ambiente e a biodiversidade, e procurando elevar os padrões de vida da sociedade e a garantia das liberdades religiosas e individuais. Assim, cada estrutura da pirâmide deverá ser reestruturada:

5) É necessário que haja uma verdadeira democratização do sistema político, sendo para isto eleitos aqueles que estejam ligados a causas anti-imperialistas, democráticas e populares, sem vínculos com o capital financeiro. Aqueles que se comprometem com esquemas de privatizações ou com projetos que beneficiem o banca financeira não podem ser eleitos em quaisquer instâncias. Por isto deve-se exigir o fim do financiamento empresarial das campanhas.

6) Isto será conquistado com uma mídia independente, a internet livre, e a democratização dos meios de comunicação. O controle público sobre as corporações será determinante, e os interesses empresariais devem ser submetidos à vontade pública. Se necessário, deve-se estatizar empresas estratégicas ou aquelas dominadas pelo capital financeiro internacional, garantido a efetividade no exercício de sua missão pública.

7) Todo apoio deve ser dado a cooperativas de crédito. Bancos públicos devem reduzir drasticamente o custo do crédito e estimular iniciativas alternativas de emissão de moedas, focadas na cooperação e no desenvolvimento social e ambiental, sem exigências draconianas.

8) Os Bancos Centrais precisam ser controlados e administrados de acordo com a necessidade do país, o bem-estar do povo e o desenvolvimento nacional. Seus membros devem ser eleitos e não podem possuir vínculos com a oligarquia financeira internacional, que é quem atualmente os controla.

9) O FMI e o Banco Mundial devem perder suas autoridades, sendo minados por dentro e por fora. Em seus lugares, devem emergir iniciativas de bancos regionais e nacionais, com foco no desenvolvimento e na integração solidária. Exemplos como o Banco do Sul, o Banco do BRICS e o Banco da Ásia devem ser estimulados, bem como outros tipos de arranjos contingencias de reserva.

10) O Banco de Compensações Internacionais perderá o seu poder quando o dólar deixar de ser a única moeda de reserva internacional. É preciso criar uma alternativa ao Swift.

Para isto é necessário uma nova arquitetura do sistema financeiro internacional, que imploda os tratados de Basileia, a ordem econômica pós-Bretton Woods e do pós-Guerra Fria.

Compreender o topo do sistema financeiro é o centro da questão. Para isto, vale destacar que o imperialismo uma etapa histórica do capitalismo que tem como subproduto o capital financeiro, que é a fusão do capital bancário com o industrial.

A manipulação midiática, as guerras fabricadas, a fome e a miséria no mundo apenas sustentam essa máquina. Não se pode ignorar que é nos EUA onde está o centro do poder mundial. Porém, esse grupo que tomou de assalto o Estado, o governo, o congresso e as instituições estadunidenses, não pode ser confundido com o povo deste país. A defesa da paz, da democratização da comunicação, da transparência dos processos políticos, a socialização dos meios de produção e o controle público do sistema financeiro devem ser os esforços conjugados de todos os povos para a construção de uma Nova Era para a humanidade.

Prof. Thomas de Toledo
No Ligia Deslandes
via: http://www.contextolivre.com.br/2015/08/a-piramide-da-dominacao-imperialista.html

quarta-feira, 25 de março de 2015

Desde a aurora da História tem sido assim

 E há aqueles  que ficam  felizes com uma imagem dessas
             
Vamos esclarecer uma coisa e colocar um ponto final nessa história de que há governos bons e governos maus.

O que há são corporações  com interesses distintos.

Elas decidem quem serão os governantes.

E todos esses governantes, sejam de “esquerda” ou de “direita” são escolhidos apenas para dar sobrevida ao sistema.

Essa é a única razão de sua existência.

É verdade que alguns são brutais, outros nem tanto, mas visam a mesma coisa.

A frase mais ridícula repetida ad nauseam foi a tal de “primavera árabe”.

Uma frase lamentável, que não significa absolutamente nada, mas serve para amainar os espíritos.

Desgraçadamente, países árabes não existem.

Existem países de língua árabe.

Assim como existem países de língua espanhola, inglesa ou francesa.

Seus governantes nada mais são do que servos das corporações.

Elas é quem decidem quem será o governante de plantão.

Seja qual for a sua “ideologia” ou “religião”.

Ideologia e religião tornaram-se duas abstrações altamente manipuláveis.

Os países de língua árabe são  países como os demais, com governantes como os demais e com ditaduras que em nada diferem das demais.

Ou alguém acha que há alguma diferença, de fato, entre o capitão-do-mato que governa os Estados Unidos e os governantes da Arábia Saudita?

Ou dos governantes do Golfo?

Ou dos governantes europeus?

A única diferença é que Estados Unidos e Europa sabem manipular muito bem a mídia e a indústria de entretenimento.

Tirem isso deles e vejam o que sobra.

Uma repressão brutal da qual ninguém escapa.

 Desde a aurora da História tem sido assim.

E se antes utilizavam a religião para domesticar, hoje eles usam a mídia e a indústria de entretenimento.

Pense nisso.

no: http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br/2015/03/desde-aurora-da-historia-tem-sido-assim.html