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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Por um feminismo das classes trabalhadoras

Em 0
5/03/2019, foi lançado o manifesto “Feminismo para os 99%”, por Nancy Fraser, Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya.

Em entrevista publicada no portal Outras Palavras, a professora estadunidense Nancy Fraser afirma que o objetivo é substituir “o feminismo corporativo de elite” por um “feminismo das classes trabalhadoras”.

Afinal, diz ela, o capital baseia-se:

...na reprodução social do trabalho não assalariado. Algo que as mulheres fazem: criar filhos, criar laços e vínculos sociais e afetivos, educar meninos e meninas que sustentam a força do trabalho. Assim, as relações de classe não são constituídas apenas na fábrica, elas se formam nos e através dos espaços desse trabalho social reprodutivo.

Para Nancy:

...as mulheres são parte integrante do que chamamos de classe trabalhadora. O fato de não receberem um salário não significa que não estejam trabalhando. Elas trabalham no absolutamente essencial, sem o qual você não pode pensar na ideia padrão do trabalhador assalariado ou do capitalismo.

Seria um movimento anticapitalista que inclua o feminismo para os 99%. Envolva os movimentos operário, ambientalista, antirracista, em defesa dos migrantes...“Se não tivermos uma alternativa, é claro que parte desses grupos sociais caminhará politicamente à direita”, afirma Nancy. E conclui:

Não acho que o feminismo possa fazê-lo por si só, mas penso que, por razões conjunturais, é a força mais visível, crescente e radical que vemos. Mas tem que se aliar às correntes antissistema de outros movimentos sociais e aos partidos de esquerda que estão em cena e abertos a expandir sua ideia da luta da classe trabalhadora, rejeitar o dogmatismo sectário e colocar as mulheres no centro.

Parece muito bom!


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O machismo nosso de cada dia ou Gisele Amélia Bündchen



Hoje a comunidade virtual brasileira está fervilhando com o debate sobre a legalização do aborto. O assunto começou por conta daCampanha 28 de Setembro pela Despenalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe, que inspirou posts em muitos blogs, feministas ou não.

Sem muito o que acrescentar depois de textos tão completos (exemplos aqui e aqui), vou falar de outro assunto que afeta as mulheres. Pipocaram aqui e ali algumas discussões sobre o comercial estrelado por Gisele Bündchen, de uma marca de lingerie. Na peça, a modelo "ensina" como as mulheres devem comunicar más notícias para seus maridos/namorados. Falar que bateu o carro ou que estourou o limite do cartão de crédito (oi?) vestida não dá certo. A pedida é mostrar o corpão na hora de comunicar ao macho provedor que você, mulher, não se comportou como ele gostaria.

Sério mesmo?...