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quinta-feira, 12 de março de 2020

O DISCURSO DESVAIRADO DA NOVA DIREITA É CÓPIA FIEL DAS OBSESSÕES SANGUINÁRIAS DO TEÓLOGO THOMAS MUNZER (1489-1525)


joão pereira coutinho
REBELIÕES POPULISTAS DE HOJE TÊM ESPÍRITO DE REVOLTAS CAMPONESAS
 DO SÉCULO 16
A classe trabalhadora está a morrer nos Estados Unidos. 

Corrijo. Não está a morrer, está a matar-se. Mortes de desespero, eis a expressão que estudiosos como Anne Case e Angus Deaton pesquisam há vários anos.

Os instrumentos do fim são conhecidos. Armas. Álcool. Drogas. Vale tudo para acabar com vidas de naufrágio.

Aliás, não apenas a classe trabalhadora. Informa o New York Times, a partir das pesquisas do casal Case e Deaton, que o cenário é idêntico para a classe média branca sem formação universitária. O desespero mata com igual intensidade. E de onde vem esse desespero?

Sim, a desigualdade crescente. Sim, a falta de serviços públicos de saúde. Sim, o outsourcing industrial que a globalização trouxe no seu rastro.

Se a depressão, como dizia Freud, é a incapacidade de projetarmos um futuro para nós, há uma parte da América que está coberta por essa nuvem negra. A violência contra os próprios é uma saída.

Outra é acreditar em políticos redentores que sejam capazes de tornar a América grande outra vez. Quem não entende o fenômeno populista como um fenômeno intrinsecamente revolucionário, lamento, passou ao lado dessa história.

O escritor francês Éric Vuillard não passou. Já falei de Vuillard a propósito do seu A Ordem do Dia, uma novela breve sobre a ascensão de Hitler ao poder (prêmio Goncourt em 2017).

Vuillard é essa estranha combinação: ensaísta, historiador, romancista. Certo é que essa literatura mestiça transporta uma força meditativa que se ajusta aos problemas do nosso tempo.

O seu mais recente livro, La Guerre des Pauvres (a guerra dos pobres), confirma o que digo.

Superficialmente, o tema que ocupa Vuillard perde-se na memória do século 16. E a figura central —Thomas Müntzer (1489–1525)— tem interesse para teólogos ou especialistas sobre a Reforma Protestante.
Lênin sentado à esquerda do pai e Aleksandr (o irmão executado aos 21 anos) de pé no centro da foto  

Mas Müntzer, aquele rapaz que viu o pai ser enforcado pelas autoridades feudais germânicas (curioso: Lênin, que admirava Müntzer, também ficou indelevelmente marcado quando jovem ao testemunhar a execução do irmão Aleksandr pelas autoridades do czar), chamou a si uma tarefa radical: convocar os miseráveis para um ajuste de contas com os príncipes.

Nas palavras de Éric Vuillard, Müntzer sentia uma sede de pureza, uma intolerância face à imundície do poder, uma exasperação face ao gentil povo cristão que, pela sua passividade, se limitava a repetir os versículos em latim sem compreender o que dizia.

A Bíblia deveria ser vertida na língua vulgar; o conhecimento deveria ser extensível aos maltrapilhos; e a eles deveria ser confiada a espada para punir os enganadores de Cristo.

Maio de 1525: a derrota definitiva na batalha de Frankenhausen
A violência foi a etapa seguinte. Exércitos de gente pobre destroem e saqueiam as cidades e os seus palácios. Cabeças rolam, cabeças são expostas em piques.

Mas tudo termina em Frankenhausen, na batalha do mesmo nome, quando as forças militares de Philip de Hesse e de George da Saxônia massacram os camponeses.

Müntzeria seria capturado e teria o mesmo destino do pai.

Na pequena e preciosa obra de Vuillard, Müntzer não é apenas apresentado como um revolucionário protestante, interessado em salvar os espíritos pela força da fé e da espada.

Ele ocupa um lugar primeiro na longa lista de revolucionários políticos que tiveram na Revolução Francesa o seu apogeu.

Mas não só. Vuillard vê nas guerras dos camponeses do século 16 o espírito que preside a muitas das rebeliões populistas do nosso presente.
"encontramos as mesmas figuras alucinadas"
Encontramos as mesmas figuras alucinadas que, movidas por um desejo de pureza irreal, se lançam contra as elites dissolutas ou corrompidas.

Encontramos o mesmo ódio ao velho discurso das elites, com a diferença de que, agora, não é o conhecimento bíblico que deve ser democratizado; é todo o tipo de conhecimento, vertido no caos moral e epistemológico da internet.

Encontramos o mesmo apelo ao verdadeiro povo, por oposição a um povo falso ou vendido, que não merece sobreviver no novo reino dos justos.

E encontraremos a mesma destruição desencantada, os mesmos exércitos de seguidores atraiçoados e os mesmos salvadores reduzidos à condição paradoxal de homens frágeis e violentosinconstantes e severosenérgicos e repletos de angústia(por João Pereira Coutinho)
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Toque do editor
Este artigo do Coutinho me fez lembrar dos tempos em que lia avidamente os clássicos marxistas, para absorver tudo que considerava importante do velho barbudo e de Engels, Lênin, Trotsky e Issac Deutscher, principalmente.

Chamou-me a atenção, naquele longínquo final dos '60, a afirmação sarcástica de Marx de que os camponeses que cultivavam seus pequenos pedaços de terra para deles extraírem sustento constituiriam uma classe social (conforme sustentavam os revolucionários agrários) "tanto quanto as batatas colocadas num saco formam um saco de batatas".

Ou seja, por travarem cada um por si a luta pela existência, não conseguiam descortinar nenhum horizonte para a sociedade no seu todo. Marx não via neles potencial revolucionário, sem, contudo, desprezá-los tanto quanto ao lumpemproletariado (ladrões, escroques, prostitutas, gigolôs, mendigos, etc.), a poeira da história que os movimentos políticos mais vigorosos de cada momento, com sua dinâmica, arrastam atrás de si.

Tudo a ver com os matadores de nobres de Thomas Munzer e com essa escória fanatizada por Bolsonaro, fadados a apenas desabafarem e desaparecerem, pois nada têm a oferecer à sociedade afora vingança, bestialidade, caos e retrocesso. 

Merecem mesmo ser chamados de poeira da História, que agora está sendo arrastada pela dinâmica neofascista, amanhã sabe-se lá pelo quê. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O atentado na França só favorece à xenofobia da extrema-direita fascista

O atentado na França só favorece à xenofobia da extrema-direita fascista

Sabe o que me impressiona nesses radicais religiosos, como os radicais muçulmanos que cometeram o atentado que acaba de acontecer no jornal satírico francês " Charles Hebdo"?

Será que essa gente acha mesmo que o Deus deles ( seja ele qual for ), concorda com uma estupidez dessa monta em seu nome?

Ah, e essas coisas começam com perseguições a minorias, em geral sexuais e religiosas, como acontece com a perseguição a gays e às religiões de origem africana por radicais evangélicos feita no Brasil.

A única coisa que esses assassinos vão conseguir é o aumento da xenofobia e o preconceito contra os milhões de muçulmanos que moram na Europa.
A extrema-direita fascista agradece....


Mais sobre o atentado no jornal El País- Atentado a sede de revista francesa em Paris deixa ao menos 12 mortos a tiros
sugado do: http://www.interrogaes.com/2015/01/o-atentado-na-franca-so-favorece.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Interrogaes+%28Interroga%C3%A7%C3%B5es%21%29#.VK2PyivF_9U

sexta-feira, 2 de maio de 2014

No Facebook, a ordem: "Fogo nos petralhas e aliados, já."




Um pequeno exemplo do que vem por aí quando a campanha eleitoral para a Presidência da República esquentar se encontra no Facebook, onde uma tal Lily Belmont, provavelmente um pseudônimo, conclama as pessoas a se armarem para "fuzilar os canalhas", referindo-se aos "petralhas" e aliados e, como se não bastasse, estampa uma "ficha criminal da Dilma", inteiramente falsa, chamando-a de "assassina, corrupta e bandida".
Essa página do Facebook representa apenas uma minoria ínfima da população brasileira.
Mas é bom lembrar que incitar publicamente a prática de crime é um crime, assim como caluniar a presidenta da República.

Gente como essa tal Lily Belmonte e o policial federal que se vangloria, na mesma rede social, de treinar pontaria num alvo com a caricatura da presidenta, são nocivas para a democracia porque se utilizam dela para contaminar o ambiente social com o seu ódio patológico.
São excrescências porque não sabem conviver com o contraditório, rejeitam o debate de ideias e desrespeitam as leis.
Querem impor sua ideologia por meio da força.
Ignoram a Carta Magma da nação - Artigo 1º, Parágrafo único: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição."
A democracia nem de longe pode se confundir com a anarquia.
Acreditar que tais manifestações são normais num ambiente democrático é brincar com fogo.
As leis existem para serem cumpridas.
Tanto por parte da população quanto pelas autoridades, de todas as instâncias e poderes.
no, http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/05/no-facebook-ordem-fogo-nos-petralhas-e.html#more

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Blogueira cubana Yoani Sánchez é colaboradora do Instituto Emílio Garrastazu Médici para a Defesa da Liberdade e Democracia



A blogueira cubana Yoani Sánchez é colaboradora do Instituto Millenium, entidade financiada por um grupo de grandes empresas de comunicação (Estado de São Paulo, Abril e RBS) e de outros setores (Gerdau, Vale, Suzano, entre outras), para defender os valores liberais no Brasil. Entre eles, segundo informa o site da entidade, destacam-se a eficiência, a economia de mercado, a responsabilidade individual, a propriedade privada e a meritocracia.

Apresentada como webmaster, articulista, editora do portal “Desde Cuba” e criadora do site “Generación Y”, Yoani Sánchez faz parte do seleto grupo de colaboradores do Millenium que reúne nomes como Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Ali Kamel, Merval Pereira, Marcelo Madureira, Carlos Alberto Sardenberg e Carlos Alberto Di Franco, um dos integrantes mais ilustres da Opus Dei no Brasil.

Apesar de se apresentar como “apartidário”, o Instituto Millenium teve uma participação ativa na campanha presidencial de 2010 no Brasil. Em março daquele ano, em seminário promovido pelo instituto em São Paulo, representantes de grandes empresas de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia e que, se Dilma fosse eleita, o “stalinismo seria implantado no Brasil”. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, disse na época o ex-cineasta Arnaldo Jabor. 


 O Esquerdopata 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ditadura nunca mais

Tortura nunca mais. Dilma e PT de novo com a força do Povo
Maria Frô

Não adianta Bonner e seu “Me perdoe, me perdoe” para Serra, protagonizando um dos maiores papelões da história da tevê brasileira. Não adianta Época requentar com seu revisionismo histórico a ditabranda da Folha e de suas viúvas da ditadura militar e de generais de pijama.

O Brasil mudou e pra melhor. Não preciso listar todas as grandes mudanças, é só abrir os olhos, não se constrói uma popularidade de 80% de aprovação na base de propaganda. A era Lula entrou para a história e Dilma dará continuidade às mudanças positivas.

Dilma é uma mulher com uma rica história de vida, terei orgulho de nós brasileiros e brasileiras já imunes diante desta fábrica de factóide de cerca de sete famílias que monopolizam os meios de comunicação no país.

Terei orgulho de escolher uma mulher que aos de 19 anos disse não ao horror da ditadura, ao horror do regime de exceção, ao horror da tortura. Terei orgulho de nossa nova presidenta.

Época, Veja, Folha e todos esses folhetins de quinta ou resolvem fazer jornalismo ou só chegarão em nossas casas no papel que embrulha peixe, banana.